sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

O amor que fica



No outro dia, a propósito dos 20 anos de namoro com o Rui, perguntaram-me se eu acreditava em almas gêmeas. 
Não acredito. 

Amei 3 homens na vida: um demasiado platonicamente, um demasiado carnalmente e fiquei com o que amei na medida certa e no equilíbrio entre as duas margens. 

Poderia ter tido uma relação duradoura e feliz com qualquer um dos outros 2 com quem não fiquei, tivessem as circunstâncias e os tempos sido diferentes, e eu ter sido diferente nesses tempos. 

Não se esquecem os grandes amores: arrumam-se nas gavetas recônditas do coração, mete-se cheirinho de alfazema para prevenir maus cheiros e bolor, dobra-se bem dobrado e, em alguns casos, fez-se como com as toalhas de linho e embrulham-se em turcos antes de arrumar, para garantir que ficam acondicionados e preservados. Que não se estragam. Mesmo que saibamos que não os voltaremos a usar. 

Antes achava que não: que os amores passados eram roupa usada, velha, descartável. Mas depois o tempo passou e eu passei pelo tempo e vislumbrei claramente quem eram os amores da minha vida e o quanto lhes quereria bem para sempre, mesmo que já não os tivesse a eles nem eles a mim. 

O amor é uma sorte bestial para a qual não basta encontrar a pessoa certa: é preciso haver o timing das vidas, as circunstâncias do destino e a predisposição certa, porque o amor dá um trabalho danado! MEC escreveu “o amor é uma coisa, a vida é outra porque a vida dura a vida inteira, o amor não” e eu não acredito nisso nem nas almas gêmeas mas acredito que o amor pode durar uma vida inteira, mesmo que não resulte em relações ou em romance.

 O respeito pela pessoa que se amou, o carinho e o bem querer mesmo à distância, os sorrisos que involuntariamente esboçamos quando nos vêm memórias à cabeça e o bem que nos fez aquele amor cá dentro, no motor do coração, são sinais inequívocos que o amor não se esgota quando encontramos o nosso final feliz. 

Amei 3 homens na vida: um eu deixei, o outro deixou-me e fiquei com o terceiro. A vida corre: feliz. O amor a geminar não derruba o amor que já murchou e voltou à terra, fertilizando-a para alimentar melhor o amor que floresce. 

Não há almas gêmeas. 

Todo o amor fica mesmo que fiquemos num só amor.
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