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segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Dia da grávida


Nem sonhava eu que havia de estar grávida e irritava-me solenemente aquele ar de grávida sofrida que têm as grávidas. Mão no rim, mão na barriga, ar condoído e aquele semblante de desgraçada eram tudo coisas que me irritavam solenemente. Então se toda a gente dizia que gravidez não era doença para quê aquele ar de diva das mulheres prenhas? Para quê? Querem é atenção, é o que é.´

Depois eram as recém-mamãs tão histéricazinhas a ver se os bebés respiram enquanto dormem, com a ajuda de um espelho. E que, sofridas, nunca mais pregaram olho com sonos profundos, Marias Madalenas, sempre numa aflição, sempre em sobressalto, sempre numa ralação. Ai, os bebés vão tomar vacinas e as mães choram mais que eles, lágrimas a sério, really? São vacinas, senhoras, é para o bem deles, deixem-se de salamaleiques!

Depois fui mãe e engoli, letrinha a letrinha, palavra a palavra, frase a frase, pensamento crítico a pensamento crítico tudo o que formulei acerca desta matéria.

Já grávida, doíam-me os rins, acariciava a barriga, achava-me o centro do Universo, tinha um ar desgraçado que dava dó. Gravidez não é doença mas no meu caso até foi. Claro, eu era a excepção, todas as outras eram só parvas, maricas, pieguinhas e tontas.

Depois pari e passei a primeira noite a velar a Ana a dormir com medo que ela se engasgasse, desse um pum, sufocasse, morresse de morte súbita e todo um cenário de preocupações materno-histéricas, e culpei as hormonas. Eu não era aquela mãe que eu criticava desde sempre e escondi os espelhos de bolso cá de casa. As vacinas eram o suplício e para me conter e não ficar mais chorosa que ela afastava-me e respirava fundo, "eu não sou dessas mães", repetia vezes sem conta.

A verdade é que sou. Gosto da minha filha da mesma forma que "ninguém gosta mais dos filhos do que eu gosto da minha" que todas as outras mães. Sou aflita, histérica, coração nas mãos, e ralada como todas as outras tontas que eu criticava, minha mãe e avó incluídas.

Neste dia da grávida uma única certeza: somos sempre mães mais lúcidas com os filhos dos outros! E que o melhor é sempre o que(m) vem depois. E a lucidez que se foda.

O nosso regresso às aulas



À Ana nunca lhe apetece o regresso às aulas. Gosta da escola mas ainda está num processo contínuo de autonomização face à figura interna da mãe.

 Eu era diferente: sempre ansiosa pelo regresso às aulas, dizia adeus à minha mãe alegremente e seguia sem hesitação. Dizem que eu era “corajosa”. O que me faz depreender que a Ana, tão oposta, não seja valente. 

 A primeira vez que me separei dos meus pais tinha 15 dias para ficar internada a 200 km de casa. No hospital de Coimbra ficava internada durante a semana. Aos fins-de-semana os meus pais não tinham dinheiro para hotéis e dormiam no carro porque faziam questão de me ir ver. Mas fiquei sozinha no início da minha vida como fiquei aos 4 anos na primeira cirurgia, em que a minha mãe só me podia ver à hora de almoço e saia antes das oito. Eram muitos meses de internamento. 

Quando regressava à rotina de casa o caminhar mesmo com botas ortopédicas até à escola era uma sorte e o poder brincar tocando nas outras crianças era um sonho tornado realidade. Regressar à escola sem medos ou angústias não era valentia (valentia era não chorar quando a minha mãe se ia embora no fim da visita para não a deixar triste). 

 A Ana ainda está a fazer um trabalho interior no sentido de se autonomizar. Ainda não aprendeu a gerir a distância de mim, não tem os meios técnicos para o fazer e precisa da minha presença mais directa. Tentamos muitas estratégias para atenuar a angústia do regresso às aulas. Ela guarda uma fotografia nossa tipo passe, temos um colar igual que ambas usamos e eu deixo-lhe todos os dias bilhetes na lancheira, no fundo, dou-lhe algumas representações significativas da minha imagem. 

 Ela vai sempre, com maior ou menos angústia, todos os anos um bocadinho melhor nisto de nisto de aprender a organizar internamente a distância que a separa de mim, que sou o seu ponto de referência face ao mundo. E sei o quão doloroso é este processo e que, no fim de contas, ela é valente. 

Muito valente. 

Porque vai dando passos, cada vez mais seguros e menos angustiantes. Mesmo que amanhã escorram lágrimas dos seus olhos à porta da escola e eu seja a minha mãe, dentro de um carro em Coimbra, com fé que tudo vai correr bem. 

 Correrá.

sábado, 31 de agosto de 2019

Na casa da árvore


Na casa da árvore a Ana deitou-se ao entardecer e ficou quieta, nostálgica e saudosa por antecipação “mãe, as férias estão quase a acabar!”. Eu deitei-me ao pé dela, logo a seguir a ter tirado este retrato, em conchinha e ficámos caladas durante muito tempo, entre cafuné e festinhas na cara uma da outra. Esta é uma filha tão fácil de amar, de se deixar amar, é querida e madura e ao mesmo tempo determinada e carente das suas pessoas e se eu pudesse, se a vida fosse só emoção e nenhuma razão, as férias nunca acabariam e teríamos sempre tempo para nos deitarmos ao lado uma da outra, sem compromissos antes nem a seguir, a olharmo-nos nos olhos e a termos certeza de que dificilmente se conseguirá amar mais ou melhor do que nós nos amamos, assim.

Um minuto de silêncio pela minha sanidade mental.

A minha filha foi dormir a casa da tia.

Ontem: “yeaaaahhh! Vamos dormir até ao almoço e almoçar cereais no sofá!”

Hoje às nove da manhã, acordadíssimos: “se calhar pomos um rolo de carne no forno e adiantamos-lhe já o jantar!”!

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Serra da Estrela


Na Serra da Estrela bebemos água da nascente, comemos javali e chanfana, fomos a um centro comercial que cheirava a queijo da serra, vimos um borrego a nascer, ouvimos histórias mil do melhor embaixador Serrano de que há memória, conhecemos toda a história do Viriato em Unhais da Serra, projectámos um planetário na torre, rimos, desabafámos e celebrámos uma novidade desafiante entre amigos, percebemos que o Mondeguinho é equidistante de Manteigas, Seia e Covilhã, enchemos garrafões e garrafas nas fontes da serra e a Ana - que depressa se tornou Iana na boca dos serranos- olhou para esta seleção de fotografias e constatou algo que nenhum de nós tinha reparado e depois rimos porque não sabemos porque deram o nome da estrela à serra ao invés da serra do amor. Afinal, esconde no meio de um vale uma barragem em forma de coração. De coração. 

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

À Ana, na comemoração do seu sétimo aniversário



Há sete anos não dormi ansiosa por tu chegares. 

Esperei-te como quem espera todas as estações do ano: esperei-te como quem espera a primeira flor de cera no vaso lá fora que só brota uma flor por ano, esperei-te como quem espera o primeiro dia de praia com o mergulho silenciado por outono, inverno e primavera e o sabor do sal a abraçar-nos a pele, esperei-te como quem espera o primeiro chá quente e scones a sair do forno em tardes de vento e chuva, esperei-te como quem espera a meia noite da véspera de Natal. 

Esperei-te, Ana, como quem espera o amor completo. 

Ontem, depois de quase uma semana de ausência, depois de reclamares a atenção que é tua por direito, depois de pedires colo, beijos e abraços, cafuné e chamego, depois de empurrares cadeiras de rodas, ajudares a transportar tabuleiros no refeitório, de brincares sentada no chão porque se eles não podem usar as pernas tu também não queres usar, depois de teres abraçado a menina que caiu, depois de teres ajudado a pentear outras meninas mais velhas que tu e ajudares a calçar o menino que teve um surto, achei que te tratávamos como uma adulta. 

Olhei-te de fora e vi-te, crescida e madura como as primeiras cerejas, os primeiros figos de setembro, os dióspiros mais melosos e as laranjas mais sumarentas. E chamei-te, culpada por esperar tanto de ti e abracei-te, era meia noite e estavas de vassoura a varrer a sala de formação: “Parabéns, meu amor! Desculpa não nos temos conseguido despachar mais cedo! Desculpa não estares ainda a dormir! Amanhã o dia é só para ti!”.

 E tu, cansada e ansiosa por virmos passar este dia a casa, abraçaste-me: “não faz mal, mãe: eu gosto muito de te ajudar a ajudar os meninos da colónia!” 

Esperei-te há sete anos e admirei-te em todo o esplendor de uma natureza completa como nesta noite de vassoura nas mãos e a doçura de todas as frutas maduras no coração. 

Esperei-te há sete anos como quem espera o amor. Obrigada por mo trazeres inteiro e completo. 

Sete anos, Ana. 

Há sete anos saiu-me o sete no Totoloto: és o meu jackpot. 

Parabéns, meu amor!

sábado, 3 de agosto de 2019

Não exijo nada menos que uma tatuagem a dizer "Amor de mãe" quando ela for adulta

Há meses que a Ana insiste em que este ano seja eu que faça o seu bolo de aniversário.

 São duas de amanhã e ainda não fiz malas para levar para o campo de treino que começa esta manhã e que me obrigará a estar uma semana ausente de casa mas fiz o ensaio geral do bendito bolo.





Que o Santo Buddy Valastro me proteja!


sexta-feira, 12 de julho de 2019

Estou a criar a próxima Dona Branca, não estou?

É a terceira vez que preciso de trocos antes de sair de casa e passar no MB e peço à Ana que me empreste moedas do seu mealheiro. 

 De todas as vezes-sublinho o todas- a Ana pede que lhe devolva o empréstimo com juros com o argumento “ levas uma moeda? Depois trazes uma nota!” 

O que significa que se lhe sacar um ou dois euros para beber café ali na pastelaria antes de ir para o trabalho, devolvo-lhe cinco euros.

A ingénua financeira nesta relação sou eu, não sou?

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Ana, a geógrafa

A jogar ao stop electrónico com a Ana e sai a categoria “rios ou lagos” e a máquina ordena “letra joooota”. Eu e o pai ficamos num impasse a pensar e a Ana dá uma traulitada no botão e responde muito assertivamente: 


“Duuuh! Janeiro: Rio de Janeiro!”

domingo, 30 de junho de 2019

Ana, a empreendedora

A Ana e a melhor amiga andam há duas semanas a preparar este dia: foram apanhar limões ao limoeiro da minha tia, juntaram dinheiro para comprar açúcar, copos e ainda fizeram dois bolos. Montaram a sua primeira banca de limonada e estão na rua mas até agora zero clientes.

 Está uma ventania desgraçada e nada de calor. 

 A ver se chegam a alguma conclusão

sábado, 22 de junho de 2019

I have a mummy dream

Que um dia as festas de final de ano lectivo sejam um verdadeiro dia de comemoração e não de exibição para todos. 

Que professores não se sintam coagidos a corresponder a expectativas ancestrais de pais e organizar uma “grande noite” à La Feria. Que o perfil de cada miúdo tímido, reservado ou sem gosto ou interesse pelas artes do espectáculo seja respeitado e não os obriguem a subir ao palco. Que os pais não se atropelem para conseguirem lugares sentados (who can blame them? Alguém aguenta duas horas de pé num espectáculo de variedades?). Que não se paguem bilhetes para vermos os filhos que parimos a comemorar o final de ano lectivo. Que não haja lugares limitados por família e que os avós se possam juntar à comemoração do final das aulas. Que não se obriguem irmãos mais novos a estarem quietinhos e sentados à assistir aos espectáculos e depois aos gritos e com birras e chateados e shhh.

Que os pais mesmo que só estejam ali para verem os seus filhos (estamos todos, camaradas!) aguentem até ao final sem se levantarem e deixarem três quartos do auditório vazio e apenas os pais dos últimos a actuarem a aplaudirem-nos. Que quem esteja atrás consiga visualizar as crianças sem estar tapado por trezentas pessoas de pé com telemóveis em riste a filmarem. Que estas horas de suplício contem em quintiplicado para a contagem do tempo de reforma dos pais e que as horas de ensaio num final de ano exausto e cansado reverta na medida de meses de trabalho para a contagem do tempo de serviço dos professores (a minha vénia! Ninguém merece levar com este pincel no final do ano!).

Que nenhum professor ao microfone exponha fragilidades dos alunos nem que seja a pretexto de despedida dos alunos do quarto ano e conselhos em voz alta. Que haja escolas com coragem para levar os miúdos a comemorarem uns com os outros o final do ano lectivo em pequenos passeios, visitas de estudo ou festas de Verão sem obrigações, guiões, músicas e coreografias decoradas mas com jogos, comida, bebida e diversão livre [e vocês: gostavam de fazer espectáculos com os vossos colegas de trabalho antes das vossas férias para os vossos clientes e fornecedores ou querem mais é um jantar de verão com comida e bebida e música para relaxarem?]. Ou apenas arraiais do santo padroeiro do fim das aulas com convívio livre e - na loucura- angariação de fundos para causas de impacto na própria comunidade escolar ou na comunidade. 

E se tudo isto não for possível por tradição ou porque sempre foi assim ou porque os outros pais gostam muito de penachos revisteiros à la Politeama ou porque não entenderei nunca porquê, que dêem a pais como nós minis. 
Ou sangria. 
Álcool, enfim.

 Ou um x-acto.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Sim, são portas de fadas que vivem nos rodapés do quarto da Ana : a maior fofura ever





As amigas insistem “fadas não existem, Ana. São os teus pais!” e ela chegou a casa e desabafou “não me interessa o que os outros pensam: eu sinto que as fadas existem!” .

E utilizou o verbo “sentir”, não o “saber” ou o “ter” a certeza.´

Cruzei os olhos com o pai: deveríamos acabar com a fantasia para evitar a pressão do grupo e a imagem ingénua que a Ana passa junto deles? Deveríamos desiludi-la com a realidade de que somos nós que retiramos à noite as mini-panquecas que ela lhes cozinha e deixa em cima da minúscula mesa? E quando chegar Dezembro, já com sete anos, como faremos com o Pai Natal? Ou prolongamos este sentir até que ela descubra sozinha e nos pergunte, explicando-lhe que mentir sobre fadas, duendes e pai Natal não é bem mentir: é colocar filtros de glitering na infância e absolutamente absolvível?

 “Aos seis anos o mundo retém um lustro especial”- li eu um dia num livro. Aos seis é possível perceber subtilezas inalcançáveis um ano ou dois mais tarde.

 Onde os outros vêem uma porta de madeira e artefactos vários alimentados pela mãe da Ana e tias emprestadas (obrigada Paula!), ela ainda consegue ver a verdadeira fada a morar lá dentro- chama-se Violeta a desta porta, a que vive na outra é a Oriana- ainda consegue ver a verdadeira magia. 

“Mãe, o problema não é meu: eu AINDA consigo ver fadas, eles é que JÁ não têm esse super-poder, não é?!”

 É, Ana. Tu é que sabes da vida ainda tão bem. 
Tão bem.

quarta-feira, 19 de junho de 2019

E continua a palhacice

Desisto da história do acróstico e sugiro um texto livre: “Pensa nos dias que foram mais especiais durante o ano escolar e como a professora foi importante. Quais os dias que foram os teus preferidos durante o ano lectivo, Ana?!

 “Os feriados.”

terça-feira, 18 de junho de 2019

Aborrescência precoce

Ana está incumbida de escrever uma folha A5 para um livro que todos os colegas vão oferecer à professora.

Depois de 10 minutos a deitar-se em cima da mesa e a reclamar, sugiro que escreva uma acróstico com adjectivos bonitos sobre a professora Filipa.

F- feliz
I- inteligente
L-linda
I- idiota de boas ideias
P... “Pindérica!”

 Arregalo os olhos: “Ana!”

Agarra na borracha, apaga a palavra e substitui-a.

Vou verificar.

 “Porca”

...

terça-feira, 11 de junho de 2019

Acho que fomos longe de mais...




Fizemos panquecas para o pequeno-almoço e a Ana aproveitou e fez um miminho para a Violeta.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Coração de mãe não tem intervalo.

Não há nada mais duro que educar um filho.

Nós partilhamos experiências com outros amigos pais, lemos livros, participamos em fóruns, uns até tiram cursos de ciências do comportamento (presente!) mas nada nos prepara para os desafios de ensinarmos a vida e guiarmos o destino dos nossos filhos.

Até sabemos a teoria, conhecemos estratégias mas depois os dias engolem-nos, os impulsos atropelam-nos e o stress é um cão descontrolado e damos por nós desorientados e impulsivos, emocionais e irracionais, instintivos e irreflectidos.

Eu ainda não me habituei a isto de ser adulta e muitas vezes apetece-me pedir “coooito!” nesta correria da vida, para parar o pensamento, descansar o coração, enrolar-me sobre mim mesma e esvaziar a mente e voltar ao tempo em que a decisão mais difícil dos meus dias era escolher a roupa que ia levar no dia seguinte para o liceu.

Cresci a correr e não me habituei ainda aos papéis sociais que desempenho e em tudo o que me tornei: mulher, trabalhadora, adulta, casada, mãe. Sou tantas coisas e ainda assim desapareceu tanto do meu eu, distribuído e repartido por tantos pedacinhos de mim.

 Hoje ela está triste. O pai está triste. Eu estou triste.

Educar é a tarefa mais dura dos meus dias e se eu tenho dias duros. ´

Coração de mãe não tem intervalo.

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Vou ver se consigo pelos diferentes pantones de amarelo-xixi

Marco análises para toda família, a senhora dá-me três frascos e recomenda-me:

“Olhe tente decorar a quem pertence cada xixi, ta?! “

domingo, 19 de maio de 2019

A normalidade está subvalorizada.

Depois de quinze longos dias a fazer vénias à sra varicela, depois de uma viagem de trabalho desmarcada à custa do parvo do vírus, depois de muita ginástica minha, da minha mãe e da minha tia para assumirmos a Ana doente e de quarentena a tempo inteiro e ainda gerirmos os nossos trabalhos, hoje saímos de casa. 

Nas festas dos maios a Ana andou de cavalo e de burro e também de charrete, encontramos a sua amiga Margarida do conservatório e as amigas Marta e Carolina da escola, comemos crepe com açúcar e canela mas só depois de uma bela sopinha saloia que fizemos à fogueira com vegetais colhidos ali na hora, na horta. 

Tirámos uma fotografia a preto e branco numa máquina do início do século XX, fizemos geocaching, festinhas aos animais e pusemos a conversa em dia com ex colegas meus de liceu que já não víamos há muito tempo. 

A Ana sorriu muito, correu pelo campo, envergou um chapéu lindo, apanhou pinhas e pinhões e bolinhas dos eucaliptos e atirou rabos de gato às nossas costas para ver quantos namorados tivemos. 

Não apanhámos flores porque não queremos estragar o parque e porque vimos muitas borboletas e abelhas que precisam das flores nos sítios onde elas estão. No fim fazia um vento, a Ana pediu o meu casaco e enrolou-se no meu colo, aquecida, feliz e cansada, enquanto eu e o pai bebíamos um café sentados à sombra de uma árvore. 

Estávamos tão felizes! A normalidade está subvalorizada. 

Hoje foi um dia incrivelmente bom.
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