quinta-feira, 18 de julho de 2013

Eu não acredito em coincidências, mas isto é capaz de querer dizer alguma coisa

Esta senhora comemora o seu aniversário no mesmo dia que eu.

"Nem bem passado nem mal passado. Médio."

Já não me lembrava porque não fazia festa de aniversário há quatro anos mas hoje recordei-me: é um stress!
Primeira questão: convidados. Eu gosto de muitas pessoas diferentes. Com backgrounds diferentes, com estilos diferentes, com interesses e gostos diferentes, com idades diferentes, enfim, pessoas que podem não ter, rigorosamente, nada que ver umas com as outras.
Depois: tenho sempre um galo tramado para organizar festas. tenho boa intenção, boas ideias mas a minha pontaria é sempre a pior. 
Em terceiro lugar: fico sempre com o amargo de boca de não conseguir dar a atenção exclusiva e o tempo necessário a cada um dos convidados. 
Mas desde 2009 que já não havia festa de aniversário quadripolar e este ano apeteceu-me. Tumbas. 
Consegui sentar monárquicos e republicanos do bloco de esquerda na mesma mesa, pessoas com 63 anos e miúdos de 10, anárquicos e agentes da GNR, ex-alunos do Ramalhão e ateus com ódio profundo à religião, pessoas só crente em medicinas alternativas e acupunturas e fisioterapeutas mega científicas, psicólogas e malucos, gente muito caladinha e estouvados, adolescentes aborrecidos e crianças cheias de sono à mesma mesa. Ou melhor, em duas. Já lá iremos...
O restaurante escolhido é um dos meus preferidos. Vou lá frequentemente com mámen e somos muito bem servidos. Há uma semana que reservei mesa e avisei que seríamos um grupo grande. Hoje, quando lá chegámos não se lembravam da marcação. Assim, tivemos que esperar que preparassem as mesas e nos instalassem em duas mesas distintas. Começou bem. 
Passada meia hora de nos sentarmos (excepto dois amigos que esperaram para aí uma hora que colocassem mais dois lugares numa das mesas) nada de couverts nem bebidas em cima das mesas. A coisa ficou tão feia que acabei eu por ir à cozinha e servir às mesas pãozinho, sangrias e garrafas de água na minha própria festa de anos. A recolher os pedidos, a dona do botequim, uma brasileira perua, quase que me comia vida, danada que estava por eu lhe estar a dar negócio. Bufava, soprava, não esboçava um sorriso de simpatia e ainda se lembrou de me repreender porque eu devia ter confirmado o menu, depois dela me ter sugerido escolhermos à carta há uma semana atrás. Respirei fundo, sorri e acenei. Caramba, tenho 33 anos, não me posso dar ao luxo de criar rugas. 
Entretanto, enquanto a dona do restaurante afirmava, muito assertivamente, que os bifes de alcatra viriam para a mesa médios, sem opção de bem ou mal passados por parte dos clientes, eu começava a stressar. A Ana, que hoje me presenteou com um monumental mau humor durante todo o dia, decidira que não queria ir para o colo de ninguém, excepto o meu e de mámen, que éramos precisos a recolher pedidos e a agilizar o serviço às mesas da minha própria festa de aniversário... num restaurante!
Contei todos os convidados e pedi os respectivos pratos e, passadas quase duas horas de termos chegado ao restaurante,  as pessoas começaram a jantar. Todas excepto eu, pois na contagem dos convidados e na conferência dos pedidos, esqueci-me de contar comigo (loira!), pelo que, fiquei sem jantar. Pedir, áquela hora, outro prato seria coisa para estar servida amanhã ao lanche, pelo que, o jantar de aniversário dos meus 33 anos fica marcado como o não-jantar de aniversário, ou melhor, o dia 0 da dieta dos 30 dias da Agata Roquette, até porque estou, efectivamente gorda. 
O livrinho da nutricionista, prenda do namorado da minha mãe, atesta essa opinião. 

(Amigos, valeu ter-vos revisto a todos no meio daquela confusão. Irei marcar, com cada um de vós, cafés exclusivos para pormos toooda a conversa em dia. Fica confirmado que, se depois desta festa, ainda gostarem de mim vocês são MESMO os maiores! Obrigada a todos!)

(Dona brasileira do restaurante: até nunca mais! E desculpe ter feito a minha festa no seu restaurante, sim? Desculpe a maçada! Não se zangue, vá!)

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Quem tem medo do Lobo Mau? A partir de agora eu!





"Não me convences com o teu paleio de chacha, deves-te achar a última bolacha!". Pura poesia!

Do que é que tens mais medo na morte? Da minha página de facebook.

Agora que isto anda tudo ligado, portal das finanças comunica com a segurança social, registo civil com programas de check in de móteis duvidosos, e afins, eu acho que se devia fazer uma interface entre a declaração de óbito de uma pessoa e a sua página de facebook. Tipo: morreu, bloqueia-se a página. 
A ver: se eu, de hoje para amanha, quinar estão todos PROIBÍDOS de me escrever na página do facebook. Por várias razões mas, a mais importante, a ver se vos discorre é que... eu já não vou a tempo de ler, boa?
Portanto, se lá no além eu conseguir ver as porcarias que me vão tentar escrever no facebook, lembrem-se que a minha reacção será:

"Grande abraço, amigalhaça!"


Já vais tarde. Agora para me abraçares é tipo o outro do "Fim-de-semana com o morto", uma coisa muito frouxa. Não deste em vida, olha, perdeste uma boa oportunidade. A expressão "venham daí esses ossos" é que pode ser bem aplicada neste contexto. Vá, força!

"Estou em choque. Sou amiga da Pólo há uns anos e ultimamente não sabia nada dela. Alguém me sabe dizer se ela estava doente?.... Morreu de quê? Estou em choque."


Olhamestagora! Minha amiga há vários anos e ultimamente não sabias nada de mim? Olha que grande amiga, han? Queres saber do que morri para quê, quarailho? Vais ressuscitar-me?

"Que essa alegria infinita faça sorrir o céu!"

Sim, sim! Vou fazer aqui cloud up comedy, sabes? Aqui no Festival Celestial do Riso...

"Levas um pouco de nós...e deixas muito de ti....obrigada por tudo..."


Epá, vim só com a roupa que tinha no corpo, ó idiota! Trouxe um pouco de vocês onde? Deixei muito? Deixei tudo, pá. Não te disse que só trouxe a roupinha que tinha no corpo!

"Até sempre."

Até à morte, mazé! 

"Um dia havemos de nos encontrar."

Vou ali ao Departamento de Recursos Humanos ver para quando está prevista a tua contratação para a equipa dos mortos. Só naquela, de marcar mesinha para jantarmos e pormos a conversa em dia...

"Pólinho descansa em paz. Muita Luz!"

Se queres que eu descanse em paz que porra de ideia é essa de mandares acenderem-me a luz, han? Meia luz, se faz favor, que eu quero morrer sossegada. 

"Não acredito que partiste. Fica uma grande saudade.
Pormenores das cerimónias?"


Estou-te a mandar para um sítio cabeludo na minha página de facebook? Não, pois não? Então podes mesmo acreditar que eu quinei. Caso contrário,já estava a revirar os olhos e a escrever-te uma resposta torta. Tens noção que esta não é a página indicada para me perguntares pormenores da minha própria cerimónia fúnebre, right? É que eu não te consigo responder, só naquela...


"Reza por nós!"

Rezo por vocês? Mas eu sou a Nossa Senhora de Fátima ou quê? Então eu é que faleço, a minha alma é que anda para aí a pairar a ver se é aceite no reino dos céus e vocês pedem-me que reze por vocês? Olha que grande lata! 

"Eras tão linda e divertida"

Sim, sim, era linda de morte e tu quase que morrias a  rir com as minhas piadolas mas quem se finou fui eu, né?

"R.I.P. Pólo Norte!"

Eu descansava se não estivesse sempre a receber as notificações das porcarias que vocês me estão a postar desenfreadamente no mural do facebook, pá! "Deslarguem-me!"







Os meus amigos podem não ser melhores que os vossos, mas terão certamente um sentido de humor mais peculiar # 17

"O meu coelhinho

Só quer é mama e poleiro, mama e poleiro. Quem me manda a mim dar-lhe o nome Pedro no actual contexto político?"


da minha amiga Xana, mãe do Pedro de 1 mês

Com amigos destes, quem precisa de inimigos...



"Tenho acompanhado um debate profundo sobre genética em 2blogs conhecidos. Cansado de tanta desinformação a ser trocada, ofereci-me para resolver o debate combinando ciência, empirismo e especulação, na escola do Prós e Contras. 
Disclaimer: A miuda é a cara do pai. Dito isto, resta-me ser imparcial como manda a ética da investigação: 
Reparei que os ascendentes em causa localizam o pomo ( grande, percentil 90 ) da discórdia na cabeça. Todas parecenças reclamadas por ambas as partes são disputadas do pescoço para cima. Qualidades importantes como a capacidade de ter rins ou a presença de um duodeno forte e saudável como o do avô ou um figado resistente como a bisavó de Badajoz são menosprezados em relação, por exemplo, ao nariz (  2 buracos com 5 mm cada, abertos para passar o ar entre o lado de dentro e o lado de fora da cabeça).
Este estudo chegou à conclusão que ambos os progenitores são pai e mãe do sujeito em causa, i.e. a miuda não é filha do padeiro e nota-se."

domingo, 14 de julho de 2013

O capacete da discórdia

Mámen recusa, peremptoriamente, com argumentos vários que culminam sempre no argumento-mor: "Nem pensar, que a miúda vai parecer uma anormal!"
Hoje mudámos de cadeirinha de carro e eu, neurótica e histericazinha, sentei-me no lugar do pendura e pedi a mámen que testasse a segurança da cadeira, pedindo-lhe que acelerasse e travasse bruscamente para me certificar que a cadeira era mesmo, mesmo top! 
Mal tinha acabado de lhe pedir isto e, ainda a colocar o meu próprio cinto de segurança, o estupor travou de repente, tendo a minha marmita sido projectada contra o tablier, numa violência automobilística semelhante aqueles anúncios em que dois bonecos são projectados num teste independente blá blá blá de segurança automóvel, se conduzir, não beba. 
Vi estrelas, fadinhas, koalas, golfinhos, constelações e Floribelas e a testa começou a inchar. Fiquei furiputa da vida e olhei-o com ar de horror, a adivinhar o galo que começava a crescer-me no alto da pinha. 
Resposta, divertida:

- O quê? Não tinhas posto o cinto? Queres que te compre um capacete?

...

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Constatação preconceituosa do dia

"Nunca confies numa mulher com sobrancelhas demasiado finas."





(Nem que seja porque fazem lembrar o António Calvário)
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