segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Da péssima mãe que eu sou ou estou a criar uma Winona Ryder com cara de anjinho barroco

 


Aconteceu uma primeira vez, no Fórum Sintra. Entrámos na Imaginarium, eu com a Ana ao colo, e enquanto falava com a empregada, sem que eu tivesse dado por isso, a Ana agarrou num bonequinho de plástico. 
Fiz as minhas compras, fui até à Blueberry comer um gelado de iogurte e quando me sentei lá estava ele, o dinaussáurio cor-de-rosa, pespegado na mão da miúda. Voltei à loja, embaraçada e devolvi o boneco, com vários pedidos de desculpa e uma risada geral por parte das senhoras da loja, perante o ar sonso angelical da Ana, esta cleptomaníaca em potência. 
Hoje fomos ao Freeport. A Ana no carrinho de bebé, enquanto eu experimentava uns sapatos. Voltámos para casa, a Ana adormeceu na viagem, chegámos há pouco. 
Senhoras da Lefties: se, quando fizerem o inventário, vos faltar uma malinha cor-de-rosa, com o formato de um gelado, não procureis mais...



Amanhâ, levo a miúda a uma ourivesaria...




(Nota-se alguma tendência pink pirosa muito consistente por parte da miúda: deverei ficar preocupada?)




domingo, 4 de agosto de 2013

Fashion-circus post

A "Desigual" é o Chapitô da moda, certo?

Oh fuck, sou, oficialmente, " a mãe da bebé" !

Ali estava elas, 20 anos, não mais. Bronzeadíssimas, coxas sem celulite, barrigas tonificadas e "bordas" sem estrias enfiadas em bikinis brasileiros, cabelos soltos e ar de anúncio de penso higiénico. 
Nos ouvidos os phones dos telemóveis de última geração, percebia-se que a ouvir sons veronis, intercalados com gargalhadas histéricas e um arsenal de raquetes e cartas de Uno para matar o tempo. Falavam alto e chamavam sobre si todas as atenções, enquanto se esfregavam, lascivamente, em cremes de bronzear, as putas giras das pitas. 
Cheguei à praia sozinha, fato de banho (que ainda não me atrevo ao bikini), tão branquela quanto é possível estar-se no princípio de Agosto (vir à praia até às 10h da manhâ e depois das 17h não contribui lá muito para o bronze), cabelo preso num carrapito no alto da pinha e ar da trintona que já sou. Sem phones mas munida com o livro que o Prezado me ofereceu no meu aniversário, óculos de sol de massa e ar de intelectual trintona de esquerda. Olhei-as de soslaio, com ar de superioridade, naquela de "deixem passar a veterana charmosa", quando me lembrei que "charmosa" é só o pior adjectivo-eufemismo ever para "velha".  Deitei-me na toalha e durante umas duas horas fui transparente para elas. 
Pensei: "raios das miúdas, giras, magras, as peles tão frescas, grandes cabras, já fui onde of them, mas há tanto tempo, caraças!" Tentei resolver o ressabiamento interno pensando que estou em vantagem, já fui assim, já estou noutro patamar da vida e tal, não tenho horas para chegar a casa nem uma mesada que me obrigue a dividir, como elas, um maço de tabaco para dez, não tenho trabalhos de casa para fazer, nem férias de frete com os meus pais, faço o que me apetece, eu é que mando em mim, tomem, embrulhem e levem para casa". 
Mas depois chegou mámen e a miúda, mais o arsenal de cremes factor 100, "não lhe dispas a T-shirt", encher a pequena piscina com água do mar para ela brincar, balde, pá e ancinho da Imaginarium, pequena lancheira térmica com o iogurte para o lanche,iogurte no cabelo da miúda, no meu, bolacha maria na mão da criança, bolacha maria na água do mar na piscina, bolacha maria salgada, enfim, "não comas areia, Ana!", "não tires o chapéu, Ana!" e a miúda a gatinhar em direcção às raparigas que se desviaram, divertidas, e soltaram um "Deixem passar a mãe da bebé", perante o meu ar desgovernado e comecei a achar que, não vale mesmo a pena entrar em negação: quero o meu rabo rijo, barriga tonificada e os meus 20 anos de volta!
Buáááá!

O Mundo ao contrário

Pergunto-me se ando a viver hibernada quando constato que o gelado "Epá" já não tem a pastilha redonda no fim do copo e toda a gente me olha com ar de "dahhh", como se há que séculos que tenham decidido por uma mixórdia de açúcar no fim do gelado e eu fosse a única a não saber. 

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Temo pelas raízes açorianas paternas e pelo lado show business do lado materno da Ana

                               

Berço da civilização- checked


Grécia quadripolarizada!

Obrigada, querida Sandra!

Agora percebo os politeístas...

Em mais de uma década disto nunca me tinha acontecido liderar um processo de recrutamento, especificamente, destinado a pessoas de Leste. Foi ontem. 
O assessment irá igual a todos os outros: provas psicométricas, provas situacionais, dinâmica de grupo e, por fim, entrevistas motivacionais. 
Começo a vê-las chegarem: as Anas, as Alas, as Anias, as Ksenyas e as Oksanas. Todas altas, magras, com olhos claríssimos e bem maquilhadas e, sim, muito bem vestidas. Com uns dentes brancos e alinhados, ainda por cima. 
Apliquei as provas, dinamizei as dinâmicas, Caraças, tinha competências comunicacionais e sociais interessantes. Bah, deviam ter resultados fraquinhos nos testes, Deus não pode ter sido tão injusto que lhes tenha atribuído beleza, simpatia e, ainda por cima, inteligência. Era mais o que faltava...
Acabei de lhes corrigir as provas. No universo de 12, a com resultados mais baixos teve percentis à volta dos 70, tendo em conta a sua faixa etária. 
E eu acredito no politeísmo e que o Deus do Leste não é o Deus de Portugal e, a ver por estes exemplos, é um tipo muito, muito, generoso, pá! 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Ana dá um ar da sua graça no blog da mãe

    

IKEAólica me assumo!

Eu acho que o IKEA veio trazer um novo paradigma à decoração do Mundo e de Portugal, em particular. 
Embora muitos dos meus amigos defendam que os portugueses levaram demasiado à letra o conceito IKEA e as casas ficaram todas muito pré-formatadas, muito iguais, como a Bimby fez com os jantares e que, agora, comem bacalhau com natas igual em todos os jantares de amigos, eu não posso discordar mais. Como IKEAólica e Bimbólica (mas ao fenómeno Bimby iremos noutro dia). 
Eu adoro o IKEA. Ainda mais porque o IKEA trouxe um ar fresco às casas de toda a gente, especialmente aos que estavam fartos das mobílias de casal com alçados da Conforama e às mesas e cadeiras de cozinha rústico-boring da Moviflor. 
O melhor dos móveis do IKEA é que são como legos: dependentes da forma como os encaixarmos poderemos ter um sem fim de ambientes distintos e, voilá, personalizados. Cá em casa, por exemplo, colocámos as prateleiras de madeira das especiarias como escaparates de livros no quarto da Ana e as estantes metálicas baratas de arrecadação dão um ar industrial giro à nossa própria biblioteca. Eu sou viciada nas ideias do IKEA live, já mámen é fâ daqueles sites de IKEA hackers e dá largas à sua imaginação. 
Por isso, quando há umas semanas tive que ir, por força do trabalho, ao Hospital D. Estefânia, não pude deixar de ficar de coração cheio: mais de uma dezena de colaboradores da loja sueca voluntariaram-se para redecorar algumas alas do hospital. Mexeriqueira como sou, fui lá meter o nariz e a responsável do Marketing explicou-me todo o projecto de responsabilidade social da marca, que sem grandes alaridos nem necessidades de protagonismo, vai contribuindo para um mundo mais bonito e, neste caso, um hospital ikeazado! 
E eu fiquei, ali a ver toda a gente a montar móveis, ainda mais fâ do IKEA. E prometo que para a próxima junto uma trupe blogosférica e vamos todos ajudar. E nem precisam de nos oferecer almôndegas suecas de recompensa... ;) (já à tarte de mirtilos não dizemos que não)
Who's in?


(Podem conhecer as actividades de responsabilidade social do IKEA aqui! Ah, e também há um blog IKEA, sabiam?) 

Casar por amor. A mais do que um homem.

Quando casei, aos 26 anos, houve duas razões principais para o fazer naquela altura: o facto de estar apaixonada pelo homem que escolhi para casar e de achar que a relação de namoro precisava de um novo desafio e de avançar; e, a segunda razão foi o facto de fazer questão que o meu avô, meu pai do coração, já bastante doente com uma doença degenerativa que o levou à morte menos de dois anos depois dessa data, pudesse assistir àquele momento. E casei.
O meu avô já não me pôde acompanhar na passadeira encarnada rumo ao altar, como eu sempre idealizara. Eu queria, não me importava de ser eu a empurrar-lhe a cadeira mas ele recusou, determinantemente, justificando que preferia ver-me a entrar ao compasso da música e com as mãos livres a segurar o ramo de malmequeres. E ali ficou, junto ao altar na sua cadeira de rodas, a assistir de primeira fila ao que foi um dos dias mais felizes das nossas vidas.
Quando foi a hora de abrir o baile, ele continuava com os olhos brilhantes. Na ausência do meu pai e com a impossibilidade de o fazer com o meu avô, o pai do noivo tomou as honras da casa, dançando comigo enquanto a minha mãe fazia o mesmo com o noivo. Sempre fomos muito desenvencilhados.
No entanto, ainda a valsa tocava, desprendi-me da pista e fui em direcção ao meu avô. Sentei-me no colo dele, sem fazer muita força, de mansinho, abracei-me ao pescoço e juro que senti que ali dançávamos os dois, num ritmo muito lento de pescoço e corações, a música estava dentro de nós.
E é esse abraço que ainda hoje sinto quando preciso do colo do meu avô. O seu respirar quente na minha nuca, as mãos doridas e enrugadas nas minhas costas, o sorriso e os olhos rasos de água a olharem para mim. Agora, por mim.
Por isso, embora tenha já lido imensas críticas a esta filha que, embora não tendo sequer namorado, decide organizar um casamento sem noivo, só para poder ter oportunidade de dançar vestida de noiva com o seu pai, doente oncológico terminal, eu não deixo de me comover. Faria i-gual-zi-nho, no caso dela.


     
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