"Não sou macaca, sou negra, sou mulher, sou humana!
Sobre o caso do Daniel Alves, não sei se é mais irritante alguém ter tido a audácia de jogar uma banana no jogador ou a reação da mídia de "bananalizar" um ato de racismo.
Para quem não sabe, Neymar não se considera negro e a hashtag #somostodosmacacos é apenas uma campanha de marketing. Entrando no quesito marketing , aparecem Luciano Huck e Angelica, que em breve começarão a vender camisetas e lucrar com toda a situação. Sem esquecer a RBS, que diz ter repúdio a manifestações racistas, mas não tem colunistas negros- pelo menos eu nunca vi nenhum nas propagandas diárias do jornal. E um dos poucos repórteres negros que conheci nesses meus 19 anos foi o Manoel Soares , que fazia o momento povão do Jornal do Almoço, vocês lembram? Ele ia às favelas, escutava o povo no Centro de Porto Alegre, falava sobre o carnaval, sobre o SUS, afinal, negro é sinônimo de pobreza, festa e esporte, não?
Esse discurso todo é pra mostrar a tamanha HIPOCRISIA que se cria quando se fala em racismo no nosso país. Não ser racista não é postar uma foto com uma banana e usar uma hashtag. Não ser racista é ter pensamento crítico e lutar para que a situação mude. Não ser racista é perceber que os negros ainda são marginalizados, perceber a quantidade de adolescentes-que como Neymar- tem vergonha de suas origens, perceber que não há negros nas colunas sociais, perceber que não há negros nos ambientes mais elitizados da sociedade, perceber a quantidade absurda de jovens negros que são assassinados diariamente nas favelas causando um genocídio silencioso da juventude, perceber que negro só é lembrando em época de carnaval, perceber que a maior parte da população carcerária no Brasil é negra, perceber que os negros ganham menos, perceber que negro só aparece como personagem pobre, bandido, corrupto e favelado na televisão, perceber que não há negros em propagandas de produtos sofisticados, perceber que em seu colégio particular, na faculdade ou em seu curso de língua estrangeira há raros alunos negros, é perceber quando se pega um vôo internacional, quase não há passageiros negros, perceber que intimamente VOCÊ ainda relaciona negro com marginalização – e se surpreende quando vê negros em ambiente refinado/ cargo profissional de destaque ou fica com medo ao ver um homem negro na rua tarde da noite. E mais importante, perceber que cada uma dessas situações leva ao racismo, pois legitima o pensamento de quem acredita que o negro é inferior."