terça-feira, 24 de maio de 2016

Minh'Ana

Fico calada, meio apática, no sofá da sala. A Ana abeira-se de mim e pergunta-me se estou doente. Sorrio e respondo-lhe que não. 
Afasta-se e quando volta traz com ela a mala da Dra.Brinquedos. 
Em silêncio, saca do estetoscópio, encosta-o ao meu peito e, num suspiro, informa-me:

- "Estás com o coração partido!"

Tristeza que fica

Tenho a janela de chat aberta desde manhã, quando a Ana me deu a notícia. Já fiz scroll up umas dezenas de vezes e dei por mim a carregar no refresh como que a esperar que venhas e digas que estavas a brincar (puta de brincadeira!) ou a dizer que não, que foi engano, que ainda aí estás.

Foi também a Ana que me falou de ti em 2013, ambas com filhos pequeninos, com a mesma idade. Que me disse que te tinha sido diagnosticada uma leucemia e que tiveste que ficar internada em isolamento durante um mês para fazer um tratamento agressivo para matar a coisa e que não pudeste passar o primeiro aniversário do teu filho com ele, tendo sido obrigada a cantar-lhes os parabéns via skype, muito longe de poder sentir o cheiro da pele do teu bebé. A Ana pedia-me que te escrevesse um post a mandar um bocadinho de força à minha maneira, só para tu sentires que havia pessoas que gostavam de ti e que estavam de dedos cruzados à espera que tudo corresse bem. 

Assim o fiz. 

Lias este blog desde o princípio, participaste em PPCs, organizaste as brigadas de possíveis dadores de medula óssea em Braga, ainda nem sabias que a doença te iria bater à porta. Quando leste o que te escrevi abriste este chat pela primeira vez e rimo-nos e chorámos às duas, à distância dos kms que separam Cascais de Cabeceira de Bastos. Dissemos os vernáculos prometidos. Todos.

A partir daí fomos sempre falando. Comemorámos juntas a compatibilidade da tua irmã, o transplante de medula e o primeiro aniversário do transplante. Entraste na hora como vizinha do Bairro do Amor, tornaste-te a madrinha de Braga e organizaste um evento em tua casa, na falta de um parceiro local que te emprestasse instalações. Eras dedicada e generosa, altruísta e boa pessoa. Eras muitas coisas boas, eu só te conhecia as coisas boas e não digo isto porque agora não voltarás mais, digo porque é verdade. 

Pediste que publicasse um recado teu (que hoje repetirei) e usaste como capa de facebook para todo o sempre a imagem da nossa campanha nacional de angariação de possíveis dadores de medula óssea. 

Numa conversa que tivemos por altura da notícia da compatibilidade escreveste "Deus é grande. Deus é fixe!". Não sei se é, Margarida, não consigo ter fé para justificar que partas assim, com um filho da idade da minh'Ana, com aquelas palavras que me disseste depois, agora em Março quando a puta da leucemia voltou: "espero ter um final feliz". 

Morreste, Margarida! E não há um palavrão que valha a pena que me saia, só uma tristeza que se arrasta, pastelona e demorada, uma tristeza que se colou à minha pele desde hoje de manhã. E o chat aberto com as últimas palavras que trocámos: "obrigada por tudo". 

Deus hoje é muito, mas mesmo muito, infinitamente, pequenino. De nada.
Não conseguimos fazer, rigorosamente, nada. 


segunda-feira, 23 de maio de 2016

Eu adorava esta altura dos plátanos em Lisboa

... até esta pseudo-Primavera. Estou com a primeira alergia aos pólens em quase 36 biscas no lombo!

Pqp os plátanos!

Modas na blogosfera

Desafios, selos e correntes. Lol. Posts com fotografias dos pés na areia e mãos a imitarem corações. Cupcakes. TGIF. Nutela. Saldos. tumblr. Sushi. Starbucks. Clarice Lispector. Animais de estimação. Sementes. Corridas.





Suculentas? Really?

História da minha vida


FCP est mort. Vive le FCP.

Ser adepta do Futebol Clube do Porto não é uma obra do acaso. Não há quaisquer pós de genética na coisa (o lado materno da minha família é todo benfiquista e o paterno é sportiguista) nem qualquer pressão familiar do género "não te baptizo porque não te quero obrigar a seguir uma religião e quando fores crescido logo escolhes se queres ser católico ou não mas comes, logo no dia em que nasceste, com o número de sócio de um clube de futebol e um cartão com uma fotografia de recém-nascido".  Nada disso. 

Ser adepta do Futebol Clube do Porto foi a primeira escolha (séria) que fiz na vida. Ninguém na minha casa era a favor da escolha, não havia nas nossas relações um portista que fosse- nada!- foi o meu primeiro grito de Ipiranga. Via-se muito futebol na minha casa (o meu avô e tios eram benfiquistas ferrenhos em geral e amantes do futebol em particular) e assim que comecei a perceber alguma coisa de equipas, planteis e clubes percebi que era aquele o clube que eu queria para mim, no tempo em que o Vitor Baía, o Fernando Couto davam cabo das hormonas das miúdas e o João Pinto, o Secretário, o Folha e o Domingos mostravam como é que se jogava futebol. E depois havia o Pinto da Costa. E eu gosto do Pinto da Costa, o mais carismático, o único presidente que mostra o verdadeiro amor que se tem a um clube, o com mais raça, o com mais paixão: O presidente.

Não venham já chatear com mimimis corrupção, mimimis apitos dourados porque no meio futebolístico, se formos por aí, somos todos do Grupo União Desportiva de Alcabideche e do União Recreativa e Cultural da Abrunheira. Siga!

Dá-se que o meu Porto anda num deserto. E as pessoas riem-se, gozam, troçam e dizem "incha Pacheco" como se isso mudasse, um milímetro de francesinha que fosse, o amor que tenho pelo meu clube. Não muda. Desde que nasci o FCP ganhou 20 campeonatos de Portugal, 12 taças de Portugal, 2 taças UEFA. Tem-me feito muito feliz, o meu Porto. E feliz de uma forma quase exclusiva, como só se sentem os portistas que vivem fora da cidade do Porto. 

Por isso, tal como num casamento, num compromisso a sério, o facto de não termos ganho nada nos últimos tempos não afecta rigorosamente nada a nossa relação. Nas relações sérias às vezes há "ram-ram", às vezes não há grandes novidades, às vezes "vai-se andando". Mas nas relações sérias, mesmo não havendo grandes ganhos, nada está perdido: porque o amor é tudo o que resta. Porque amar nas luas de mel é fácil, Continuar a amar em períodos de crise é que é duro. É que é amor.

Os outros ganham? Ainda bem para os outros. Se ganhássemos sempre seria a maior seca. Até porque, já se sabe, isto para ter graça convém não ganharem sempre os mesmos. Diz que assim o Mundo não tomba. 

Venha a próxima época! E nunca duvidem que pintos transformam-se, regularmente, em fénixs renascidas:  Avé Porto!


quinta-feira, 19 de maio de 2016

Por falar em Champix...

- "Então como te sentes?"

. "Tirado cada vez que tiro o cigarro do maço ter um pequeno choque na zona temporal direita, assim que meto o cigarro à boca sinto uma ligeira dormência, a meio do cigarro tenha a boca a saber, literalmente, a lareira de tal forma que nem consigo terminar o cigarro. Tirando isso tudo, sinto-me bem". 

...

A culpa deve ser do Champix

"Estive a pensar que a nossa forma de fazer planos é não os fazermos. Nós fazemos planos só para termos algo para boicotar e fazermos tudo diferente, não é?"

Olha questões metafísicas logo pela manhã, ahn?!




(Tenho que ler os efeitos secundários do cabrão do Champix.)

terça-feira, 17 de maio de 2016

I love Jon Snow!

Vamos fazer-lhes a cama!



Neste momento está a acontecer uma coisa maravilhosa no Bairro do Amor. Temos um objectivo semestral comum: conseguir humanizar o espaço de uma instituição de acolhimento do Porto. 

Para isso vamos precisar de tintas (que a querida CIN tão gentilmente nos ofereceu com a intervenção da nossa vizinha Rosa Santos), camas e colchões (que já comprámos com o contributo de muitos vizinhos particulares a preço de custo à Colchãonet), almofadas (que estão a ser costuradas por um grupo de costureiras amadoras voluntárias do Bairro do Amor), tapetes de trapilho (que estão a ser tricotados em workshops de trapilho em Lisboa e no Porto por um conjunto de "vizinhas" empenhadas e generosas), candeeiros (magistralmente angariados pela vizinha Ana Santos),  ilustrações (doadas por cerca de 40 talentosos ilustradores voluntários) dentro de molduras (cujo valor de compra angariámos com as receitas das vendas da primeira banca do Bairro do Amor na Feira Sem Regras de Coimbra). 

Será uma espécie de "O Bairro mudou a casa" com muito trabalho voluntário na acção de humanização em si (a querida Marta Tex comandará as tropas nas pinturas e irá uma trupe de Lisboa para trabalhos a Norte) e na angariação de matérias primas e materiais, no fabrico de artigos e, nesta fase, na organização de acções que permitam a angariação de receitas para a compra do principal artigo que está em falta: as camas. 

As camas são muito importantes para nós. Estas meninas dormem em camas dos anos 70, algumas em maus estado, outras sem estrados e nós gostaríamos de lhes dar a oportunidade de dormirem em camas novas. A estrear. 

Ora, o valor total das camas (35) com a qualidade que é necessária para uma instituição que não se pode dar ao luxo de trocar de camas de 5 em 5 anos é alto. E agora voltamos ao início: neste momento está a acontecer uma coisa maravilhosa no Bairro do Amor. Vizinhos, amigos e simpatizantes de Norte a Sul do país uniram-se nesta tarefa comum.
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