A Jonas emprestou-me o seu maravilhoso e infalível pente elétrico.
[Ontem passei revista à cabeça da Ana e até agora nada. ]
sexta-feira, 3 de junho de 2016
Amigos indesejados, o caracinhas!
Li aquilo (como leio todos os emails vindos da escola da Ana) com atenção, sem ter percebido à primeira do que se tratava. Foi preciso dar de caras com os "amigos indesejados", os "caminhantes" até ao termo técnico de "pediculose da cabeça" para perceber do que se tratava: piolhame. Piolheira. Piolhos. Lêndeas. Bicheza.
O email estava escrito com a formalidade que não se exige a um email do tipo: "queridas mamãs há amigos indesejados na sala, alerta para inspecionarem a cabeça dos filhos, os caminhantes são altamente contagiosos, atenção que a pediculose da cabeça não tem que ver com questões de higiene e mimimi" e nem uma referência à palavra... piolhos. Nada. Nicles.
Não sei quais os critérios de escolha de amigos da escola da Ana mas estou verdadeiramente preocupada que considerem piolhos e lêndeas bichos amigos, ainda que indesejados, aliás não pesco mesmo nada do conceito de se ser amigo e, mesmo assim, ser-se indesejado. Deve ser tipo quando damos jantares na nossa casas e já é super tarde e não há meio dos nossos amigos bazarem e não nos resta mais nada senão soltar um sonoro: "Ó mámen, vamos para a cama que as visitas querem ir-se embora!". Será?
Primeira coisa que constatei ao ler o email: Pavlov explica porque ao imaginar-se piolhos se começa, automaticamente, a coçar a cabeça. Explica Pavlov e explico eu que, nunca tive piolhos em 35 anos de vida, mas comecei logo no coça-coça.
Segunda constatação: a Ana é uma mártir pois atirei-me à sua cabeça de tal forma que sou capaz de ter noção exacta do número de fios de cabelo que a miúda tem. E se ela tem imenso cabelo...
Terceira constatação: nunca tendo visto piolhos/lêndeas não sei bem o que andei à procura mas não vi nada que se parecesse com um bicho microscópico. No entanto descobri-lhe um sinal no couro cabeludo igual a um que eu tenho.
Tal como eu, os restantes pais receberam a missiva e deu-se todo um sururu: uma mãe sugeria que a escola lavasse a altas temperaturas os chapéus e as fardas das crias. De todas. Outra sugeriu um tratamento de Quitoso intervalado com Nix de 4 em 4 horas, tipo quando se intervala Benuron e Brufene mas em versão lavagem capilar esquizofrénica. Outra que os miúdos fossem de lenços ou toucas para a escola (eu sugiro capacetes). Uma quarta que se lavasse a cabeça diariamente com vinagre. E uma quinta afiançou que a solução é lavar a cabeça das crias com água de ferver tremoços. Ao que uma sexta respondeu que maionese é que é.
Pelo sim pelo não entrego o corpo às balas: assumo já aqui que não sei se resisto à convivência com um marido com um feitio execrável à custa de estar a deixar de fumar. E com uma filha em vias de andar com más companhia e amigos indesejados na gadelha.
É que eu dos piolhos ainda dou conta (das lêndeas será mais difícil nos cabelos loiríssimos da Ana mas tenho muitos anos de prática à procura do Wally em páginas impossíveis) agora com amigos desta espécie é que não sei se aguento.
Afinal, com amigos destes quem precisa de inimigos?
Afinal, com amigos destes quem precisa de inimigos?
quinta-feira, 2 de junho de 2016
Quer fazer uma criança feliz? Não atrapalhe!
A maioria das pessoas olhará e tenderá a lamentar a minha infância, a questionar até que ponto terá sido feliz.
As crianças têm uma propensão inata para serem felizes: chateia-as a condição de doentes, aborrecem-se com a tristeza, entedia-as a infelicidade. Eu não fui excepção.
Da criança que fui, entre muitas outras coisas, guardo isso: um instinto inato e inconsciente para ser feliz. Para procurar coisas positivas na adversidade: aprender a ler aos 4 anos porque tinha que estar, durante meses, deitada numa maca de barriga para baixo e nada mais me restava senão aprender a ler; lembrar-me do meu pai assim, presente e brincalhão, mesmo depois dos anos imensos de escuridão que se seguiram; fechar os olhos e recordar-me dos sapatos de verniz ou das sabrinas douradas de purpurinas que a minha mãe me comprou, depois de anos seguidos a usar botas ortopédicas, ali no largo do Rato.
Onde as pessoas vêem doença e dor eu vejo reabilitação e vitória, onde as pessoas vêem abandono e ausência eu vejo reforço na vinculação com a minha mãe e com a minha família materna, onde as pessoas vêem cadeira de rodas eu lembro-me do dia em que aprendi a fazer cavalinhos.
Da criança que fui resta muito. Tantas coisas que não vos passa pela cabeça: a impulsividade, a alegria, o coração aberto a quem passa, a crença no ser humano, a fé num futuro melhor. Mas, acima de tudo conservo, assumidamente sem medo de ser ingénua, este impulso para procurar ser feliz. E ua espécie de preguiça: é que ser triste, macambúzio, pessimista dá muito, mas mesmo muito, trabalho.
Para se fazer uma criança feliz e criar memórias felizes na infância dos nossos filhos acredito que não seja preciso muito: acho que basta que os adultos não atrapalhem.
Não atrapalhemos, então.
Ser pelintra: definição
Estar, todos os dias, a ver se é hoje que validam o teu reembolso de IRS,
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Só desgostos
quarta-feira, 1 de junho de 2016
Soneto à Primavera
A espirrar vai para o trabalho
Pólo Norte, pela verdura;
vai ranhosa e nada a cura.
Leva na garganta a tosse,
e ranho não é de menos,
sintomas de febre dos fenos,
na pele uma certa micose;
Uma carraspana que é dose
mais gosma que um caracol
Fartinha de Panadol
Anti-histamínicos que dão moca
Na máquina de vapores só falta água benta
Está tão queixosa que ninguém a aguenta
Com lenços mais húmidos que pele de foca
Tão rouca que ninguém a ouve
Tão doente que Deus a louve!
Não tem graça nem formosura
Há mais de quinze dias que esta porra dura!
Pólo Norte, pela verdura;
vai ranhosa e nada a cura.
Leva na garganta a tosse,
e ranho não é de menos,
sintomas de febre dos fenos,
na pele uma certa micose;
Uma carraspana que é dose
mais gosma que um caracol
Fartinha de Panadol
Anti-histamínicos que dão moca
Na máquina de vapores só falta água benta
Está tão queixosa que ninguém a aguenta
Com lenços mais húmidos que pele de foca
Tão rouca que ninguém a ouve
Tão doente que Deus a louve!
Não tem graça nem formosura
Há mais de quinze dias que esta porra dura!
Conclusão actualizada acerca do périplo de mámen deixar de fumar
O Champix tem feito efeito e o homem está sem fumar desde dia 26 de Maio.
O homem está com tão mau humor que quem anda com vontade de começar a fumar sou eu ...
O homem está com tão mau humor que quem anda com vontade de começar a fumar sou eu ...
O que te aconselharia a criança que foste como conselho para o futuro? Do que irá lamentar a velha que serás acerca do passado?
"Safavas-te mais se engolisses mais sapos!"
(Que fazer? A tipa que sou acha os sapos indigestos. E tem problemas de vesícula...)
(Que fazer? A tipa que sou acha os sapos indigestos. E tem problemas de vesícula...)
Isto é bonito, caramba! (e tenho, finalmente, o pc arranjado!)
Sérgio Godinho actuou ontem, num festival, em Belgrado. Alunos sérvios, estudantes de Português surpreenderam-no assim. Isto é maravilhoso, caramba!
"Viemos com o peso do passado e da semente
Esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
Vivemos tantos anos a falar pela calada
Só se pode querer tudo quando não se teve nada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só há liberdade a sério quando houver
A paz, o pão
habitação
saúde, educação
Só há liberdade a sério quando houver
Liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir"
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