sábado, 16 de julho de 2016

Quando o amor tem uma morada # Prólogo

Primeiro éramos as duas, num dia com sol de Inverno, numa mesa de café em Coimbra a falarmos do projecto que nos une. A Marta é a madrinha do Bairro do Amor do Porto e, provavelmente, a mais hiperactiva. Estávamos no rescaldo de uma Street Store trabalhosa e onde grande parte do trabalho  físico, logístico e de preparação acabara por, motivos vários, por ter ficar entregue a não mais que  duas ou três pessoas, entre as quais a Marta que ainda acusava cansaço. 
Nesse dia reunimos para projectar 2016, o que gostaríamos de fazer no Porto, o que sonhávamos, o que sabíamos que seria impossível mas, mesmo assim, precisávamos verbalizar, realidades possíveis e sonhos e aspirações difíceis de concretizar. 
Na Street Store tinham estado presentes muitas instituições de apoio à infância e juventude do grande Porto: porque não tentarmos ajudar uma delas? Questionei a Marta qual a instituição onde ela tinha identificado mais a filosofia do Bairro do Amor, os valores, a missão, com quem tinha tido mais empatia. A resposta foi imediata: Lar da Nossa Senhora do Livramento. Pedi-lhe que na segunda-feira seguinte telefonasse para a Directora do Lar a questionar quais eram as necessidades mais prementes e regressei a casa, descansada.
Era Inverno - já disse?- e na segunda-feira seguinte a Marta devolveu-me a resposta: aquecedores. "Aquecedores?"- perguntei eu, intrigada. O Lar era demasiado grande e as meninas não tinham aquecedores e fazia frio no Porto, pelo que, essas eram, verdadeiramente, as necessidades mais emergentes. 
Num instante a Vera e a Miriam se ofereceram para doar os aquecedores novinhos e a Marta entregou, ainda nessa semana, os ditos cujos no lar: quatro aquecedores. Ligou-me a caminho da instituição, nesse dia, e eu insisti: "para além dos aquecedores pergunta mesmo às meninas- não às educadoras, às miúdas mesmo- do que mais sentem falta". No final do dia ela trazia-me a resposta: tapetes para quando saíssem da cama não enregelarem os pés e quadros de cortiça para pendurarem traquitanas pessoais. 
Quis perceber como era o lar pedimos umas fotografias e o que nos chegou era desolador. Não mau nem indigno mas menos do que as miúdas mereciam e nós acreditávamos que poderíamos dar. 







E depois desse dia, ainda em Fevereiro, não mais parámos. E já não éramos só duas...


(continua)


"Quem estraga velho, paga novo!"

Querido Mámen, 

O meu aniversário acontece dentro de 1 dia. Uma palavra para os indecisos: abdominoplastia.

De nada.

Fim-de-semana de aniversário #1

"- Ana, vamos comprar uma prenda para a mãe que está quase, quase a fazer anos !

- Avó, não lhe compro nada porque ela ainda não me entregou o convite ! "

Só para ver se percebo...

Aquela febre dos pokemons é tipo a febre dos Tamagotchi mas metendo geocaching virtual e alucinações com smartphones à mistura?

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Je suis ce que je veux



"Lá vem esta gente outra vez. Com a sua pseudo superioridadezinha moral a impor-nos por quem é que devemos sofrer, quem deve vir primeiro nas nossas preces, etc. etc. Eu sofro por quem quiser e não sou melhor nem pior pessoa por isso. Esta coisa de alguns quererem obrigar a equalizar os níveis de empatia com os que morrem e sofrem, irrita-me solenemente. Há inúmeras razões para me chocar muito mais o atentado de ontem no passeio dos ingleses, onde estive algumas vezes, naquele mesmo dia do ano, também a ver o fogo de artifício, do que o o que aconteceu em, sei lá... NInewa. E não, não é porque uma vida humana valha mais num sítio do que noutro, ou pelos mortos serem de uma raça ou outra. E estes je ne suis pas nice (que título vergonhoso) que por aqui andam, não são melhores do que eu por lançarem o seu manto choroso pelo mundo inteiro. Óbvio que todos os atentados são horríveis e condenáveis. Mas eu sinto muito mais por quem podia ser eu e vice-versa, lamento. Eu, e todos nós, vá, admitamos. O resto é hipocrisia bacoca, travestida de uma espécie de bondade ecuménica panfletária e, por vezes, um niquinho anti-ocidental. Não: não somos maus por não chorarmos os mesmos centímetros cúbicos de lágrimas por todos, pá, somos apenas humanos."


Sofia Vieira na sua página de facebook
Sofia Vieira- a melhor blogger de todos os tempos. E a mais saudosa.
Sofia Vieira, a quem orgulhosamente chamo de amiga. 

A CONHECER | Um restaurante goês que nos faz exclamar "Oh, Jesus!"

Depois de uma aventura no trânsito e demorarmos uma hora a atravessar a cidade eu sabia que a minha amiga Joana, fotógrafa intrépida e intensa, uma das tipas com menos paciência que conheço me reservava uma experiência gastronómica especial. Afinal, se não desistiramos a meio do caminho e do trânsito para entrar numa qualquer tasca e aviarmos um prego e uma imperial porque ela fazia MESMO questão de me levar ao "Jesus é Goês" é porque teria mesmo que vale a pena. 
Chegámos e Jesus Lee (o dono, cozinheiro, empregado de mesa e alma do pequeno restaurante ali na rua de São José) esperava-nos no passeio em frente à porta do restaurante, soltando impropérios pelo atraso. A rezinguice divertida acompanhou-nos toda a refeição como uma espécie de especiaria desconhecida, picante e incrivelmente saborosa que fez deste almoço uma verdadeira experiência gastronómica. 
Começámos com Boges com chutney de coentros, mini-burgers maravilhosos e as melhores chamuças que já provei (e eu sou uma pessoa de chamuças, vão por mim!). Muitas entradas, é certo, mas como queríamos os camarões com côco e o Jesus não tinha os ingredientes necessários tivemos que nos entreter nas entradas enquanto ele, debaixo de resmunguice, foi comprar côco fresco para nos fazer a vontade. Assim, de propósito, como fazem os amigos que nos querem agradar. E a espera valeu a pena...





Créditos das fotos: Joana Freitas

Os camarões estavam divinais e a molhanga que ficou no resto da sertã que nos trouxe à mesa foi devidamente limpa pelos convivas com chapati porque pobre que é pobre rapa o tacho. E nós adoramos estas pelintrices!
Para terminar a melhor chamuça de chocolate que já comi na vida com um gelado de frutos vermelhos. Tudo regado a vinho branco fresquinho e a conversa acelerada, cumplicidades partilhadas e a certeza que esta foi uma verdadeira refeição abençoada: afinal, depois de nos servir, sentou-se ao nosso lado a comer. 
Sim, Jesus- o próprio- esteve no meio de nós! Namastê!


Conhecer o melhor restaurante goês de Lisboa, de Portugal, do Mundo, quiçá?!

Quem? Restaurante "Jesus é goês"
Onde? R. São José 23, 1150-352 Lisboa
Contacto: 21 154 5812
Saber mais? Aqui

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Ciniras, Perpétuas e Amorzinhos de facebook em geral e de Portugal em particular ou movimento#jesuissafoda



Nem conta bancária, nem implantes dentários perfeitos, nem altura, nem porte atlético, nem o gosto pela moda: não tinha, até hoje, nada em comum com o Cristiano Ronaldo. 

Um autêntico desgosto. 

Felizmente que também já usei a expressão "se correr mal que sa foda" junto a equipas que liderei para lhes tirar a pressão de cima. 

Somos praticamente gémeos agora; eu e o CR7. 

Unidos pelo vernáculo de descompressão e, por isso, motivador!

Querida Mónica...

A intervenção social faz-se de pontes, de gente que acredita nas vantagens de se articular, de trocar sinergias, do poder do trabalho em rede ao invés de de se criarem capelas e muros, quintais e biombos.

A intervenção social faz-se de pontos que se unem como nos grafismos que fazíamos quando éramos pequenas na expectativa de no final vermos formar, ponto a ponto, um desenho bonito feito pelas nossas próprias mãos. 

A intervenção social faz-se de gente que faz o bem sem olhar a quem, que faz porque fazer é sempre o melhor, que sabe as motivações que o movem e não precisa de se justificar. 

A intervenção social não se faz de vozes, velhos do Restelo, opiniões, alcoviteiras à janela, críticas, juízos de valor e mimimis de quem gosta de opinar de braços cruzados e rabo sentado na almofada do sofá: faz-se de mangas arregaçadas, de manhãs em que se acorda cedo e se investe tempo em pegar em rolos e tintas, em pedidos a marcas e parcerias em que não se fala de responsabilidade social mas se faz uso daquela coisa chamada consciência social. 

Faz-se de gente que concretiza.

A intervenção social faz-se porque existem pessoas como tu: que sonham, trabalham, concretizam e fazem acontecer.

De fazedores.

(Obrigada. Sempre obrigada.)

 

O Bairro do Amor e a ASBIHP parabenizam o Mini-Saia pelos seu 10º aniversário e agradecem às Tintas Barbot pelo essencial patrocínio e apoio e a todos os voluntários envolvidos e que juntos fazem, sempre, a diferença.
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