sexta-feira, 29 de julho de 2016

'Inda bem que não foi hoje outra vez o fim do Mundo...

... que ando a encharcar-me com entradas e tenho condutos da vida em atraso para pôr em dia e- quiçá?- isto ainda me rende uma sobremesa.



                                      

quinta-feira, 28 de julho de 2016

A mnha primeira vez não foi sUBERba



Chamou-se o carro através da aplicação. Viu-se a cara do motorista, a barba bem feita, o nome e segui a trajectória dele por GPS até chegar ali à minha beira. Eu uber-céptica (deixarei de o ser quando a UBER obedecer aos mesmos direitos e obrigações a que são sujeitos os táxis) fui convencida com argumentos bons e com a garantia que a educação e o silêncio imperariam e que o serviço seria irrepreensível.

Estava preparada para uma viagem em silêncio e zen até ao destino até que me liga a minha amiga Marta. Pensei como penso sempre que estou a viajar de taxi e me telefonam: "olha que bom! Ocupada a falar ao telefone há menos hipóteses de converseta..." e falámos de coisas importantíssimas para a Humanidade como a minha nova cor de cabelo, o bronze da Marta e a evolução de mámen na sua saga de deixar de fumar e de como aumentou ligeiramente de peso (a sério, amigos, calem a matraca com comentários sobre gordura de cada vez que o vêem: é desagradável e desmotivador. Na verdade ele não fuma há dois meses e isso é motivo para o congratularem, boa?).
Desligo a chamada, ainda me lembro de fechar os olhos para desfrutar do silêncio bom, depois de uma tarde intensa, e de repente:

"- Desculpe lá, eu não sou surdo e ouvi a sua conversa!"

Oi? Afinal o Uberdutor ouve e fala? E quer interagir? Oi? Não foi isto que me venderam, E continuou:

"Já percebi que o seu marido deixou de fumar e engordou, permita-me que lhe deixe o meu cartão": E seguiu-se uma explicação longa e chata acerca de batidos energéticos, da sua experiência ao ter engordado 20 kg e emagrecido 7 Kg no último mês, sobre o sabor dos produtos e beca beca, Rematou com um: "ah, a senhora também pode tomar, não lhe faz mal nenhum!"

Estava tão entusiasmado no monólogo e eu tão chocada com o facto de estar num UBER como quem está numa excursão de autocarro às pinturas rupestres de Vila Nova de Foz Coa e de repente leva com a venda de colchões que deixou passar o sítio onde deveria deixar-me e eu nem dei conta.

Saí mais à frente e fui a pé até ao meu destino que não aguentava outra volta ao quarteirão, conversa acerca de batidos energéticos e ali, no ar a pairar, com blink blink, a ideia da minha falta de tonificação. Que assumo que é um facto, e para a qual tenho um novo remédio: andar a pé em pequenas distâncias em vez de reincidir no UBER. 

Não é que tenha sido mau: o carro era, efectivamente, mais limpo que os que costumo encontrar nos táxis, a música da rádio melhor e o facto do pagamento ser feito através da aplicação um descanso para trocos e afins. Só temo que da próxima me vendam rifas como na Ryanair ou leve mesmo com os colchões como nos autocarros das excursões para o Alqueva. 

Mater-me-ei fiel aos táxis, por enquanto. Venha daí a Rádio Amália: eu aguento!

sábado, 23 de julho de 2016

Para a Vanda e para o Paulo...




Conheço-vos há dez anos e tínhamos tudo para não dar certo. As diferenças (de idade, de geração, de gostos, de vidas, de horários e de dinâmicas familiares) eram tão grandes- à data que nos conhecemos- que nunca pensei que se viesse algum dia a tornar esta amizade boa que se tornou.
Em dez anos anos aprendi muito convosco, mesmo quando a vida, os tempos, os calendários, os telefones e as disponibilidades andaram desencontrados. 
Aprendi que o amor e a vida podem ser a mesma coisa. Que um casal não deixa de ser um casal quando passa a ser uma família. Que o segredo para um casamento duradouro e feliz é a tolerância, a persistência, a resiliência. E um certo desequilíbrio como se nisto de "dar certo" seja requisito uma certa homeostasia  Que para um amor chegar longe deve-se correr ao mesmo ritmo, ao mesmo compasso, dois a dois, cabendo a cada um empurrar ou puxar o outro- cansado- conforme as suas pernas tenham mais força, cabendo a cada um gritar palavras de encorajamento e ânimo quando as metas parecem ficar mais longe, cabendo a cada um partilhar água e ensinar como se respira melhor quando os tempos são difíceis. Que uma relação duradoura não é um sprint nem sequer uma maratona: é um pentatlo, cheio de desafios e provas, meios adversos e força necessária em todos os músculos dos nossos corpos. Em todos, sem excepção, mas em especial no músculo cardíaco. 
Convosco aprendi que nem sempre se pode ser feliz sempre mas, feitas as contas, se pode aprender a ser feliz para sempre. 

Feliz bodas de naftalina, miúdos: venham mais 25! 

Sabes que és a pior amiga do Universo quando...

... uma das tuas melhores amigas comemora 25 anos de casada e tu apelidas o evento de "bodas de naftalina".

sexta-feira, 22 de julho de 2016

The winter is coming?



"Se soubesse que um amigo morreria amanhã procuraria saber se de mim precisava. Estaria com ele, faria o que fosse preciso. Mas é uma falsa questão pois nunca saberei se alguém morrerá amanhã ou depois, tudo o que possa dizer é então uma perda de tempo, um entretém de espírito. Mas se colocar como hipótese que qualquer dos meus amigos poderá morrer amanhã, se me convencer dessa verdade absoluta, talvez a minha presença na vida de quem amo seja mais efectiva."
Luís Osório, autor do livro Amor citado na página de facebook da "Prova Oral"




O problema é a sensação de identificação, a perturbação do dia-a-dia, a ideia a martelar de que podia ser eu, nós.
Hoje fui ao shopping com a Ana. Ninguém imagina que ir ao shopping com um filho seja a última coisa que se faz na vida. Ninguém se prepara para morrer quando veste um agasalho a um filho para, em família, se assistir à beleza de um fogo de artifício. Ninguém se prepara para perder um ente-querido que lhe liga antes de ir buscar alimentos para fazer o jantar a um supermercado de um centro comercial. Ninguém se prepara para ter que correr para fugir à morte quando está num aeroporto de partida para as férias para as quais trabalhou todo o ano. Ninguém se prepara para a morte quando está a beber um copo de vinho numa esplanada de Paris.
O problema é que já não é longe, no Iraque, na Bósnia ou na Sérvia, na Ucrânia, até. O problema é que não é nos campos de batalha, não são soldados armados a guerrearem uns com os outros porque se alistaram, porque escolheram ser militares, porque as políticas e os governantes querem petróleo. O problema é que não são filhos de mães que se despediram deles em aeroportos militares, não são maridos de mulheres que choraram em cada missão. O problema é que é aqui, nos sítios onde eu e tu até já visitámos, onde temos fotografias de momentos felizes, histórias e memórias comuns ou, apenas, partilhadas.
O problema é que quem morre, morre num jogo de azar, numa roleta russa, só porque teve o azar de estar no espaço errado, no momento errado. O problema é que a morte de qualquer um de nós pode depender de uma cara ou coroa, de um par ou ímpar, de um jogo de pedra, papel ou tesoura.
Uma esplanada em Paris, depois Bruxelas, uma praça com fogo-de-artifício em Nice, agora um shopping em Munique... 
O Mundo está a ficar um lugar perigoso e triste e a liberdade um sitio cada vez mais apertado e claustrofóbico.
O problema- este, hoje e agora- é que a liberdade está a esgotar-se como um fósforo que queima devagarinho e a luz que ilumina fica cada vez mais fraca. 
The winter is coming?

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Aniversário morto, aniversário posto

E é assim desde há quase quatro anos: findas as comemorações do meu aniversário começam, logo, logo, os preparativos para o aniversário da Ana. 
Ao longo destes três anos fomos fazendo várias experiências, verificando o que resulta e o que não resulta, o que é para manter e o que temos que alterar. 
No ano passado a meteorologia apontava para chuva no dia de aniversário dela, pelo que, todos os nossos planos de festa no exterior foram gorados e tivemos que levar tuuudo para indoor. Resultado: esteve um calor insuportável. 
Este ano já temos tema (a ver se a Ana não se arrepende e não quer mudar à última da hora como de costume) e temos tuuuuuudo por preparar. Estamos, assim, à procura de um espaço fresco (de preferência com piscina) perto de casa, de uma empresa de aluguer de insufláveis que não pratique preços obscenos e ainda de arranjar uma nova cake designer, que a nossa Raquel fechou para sempre, deixando-nos orfãs de bolo e num desgosto profundo.

Sugestões são bem-vindas!

36 anos e 1 dia



Não tenho gostado assim por além dos 30.
"Aquela conversa toda de "os 30 são os novos 20" soa-me a uma grande treta e a redução da dissonância cognitiva (não psicólogos: googlem!). 
Aos vinte sentia-me mais crente, mais capaz, mais inconsequente, mais energética, mais gira e mais poderosa. Podia até ser uma falsa sensação mas sentia que todas as possibilidades se encontravam em aberto e que tudo era possível até prova de contrário. Sentia-me invencível. 
Os 30 deram-me uma lição de contrariedades, adversidades, dificuldades e humildades e mais merdas acabadas em "ades" que agora não me lembro. 
A única coisa realmente memorável da primeira metade dos 30 foi a experiência de maternidade e a conjugalidade  (as únicas coisas que me lembro que me tenham acontecido acabas "ade" em bom). 
A passagem do tempo começou a ser relevante, os movimentos de rotação e translação da Terra começaram a ser mais sentidos, a morte das gerações que nos precederem deixaram de ser uma possibilidade distante e passaram a ser uma constatação mais real, as vinte e quatro horas do dia mais insuficientes, a gestão de prioridades passou a ser a prioridade, algumas pessoas perderam-se pelo caminho, pela distância física ou emocional, pela falta de compatibilidades de agenda ou pelas diferenças que o tempo nos trouxe, deixou de haver pachorra para fretes, cerimónias e tricas, passou a aceitar-se com mais naturalidade o passado e a ter mais reservas quanto ao futuro ou por conta da nossa incapacidade ou dos tempos ou da troika ou da crise ou dos tempos do raio que os partam. 
Talvez ter 30 na década anterior tenha sido diferente de ter 30 agora, quando a liberdade passou a ter reservas, quando os bancos não nos emprestam por dá cá aquela palha dinheiro para fazermos um crédito habitação, quando os recibos verdes não nos garantem subsídio de férias para andarmos de avião daqui para fora, quando as instabilidades profissionais, as empresas a falir, a falta de investimento externo não nos permitem fazer planos a médio prazo, quando os nossos pais não se conseguem reformar antecipadamente para nos poderem ajudar com os nossos filhos e irem em excursões do Inatel que os façam felizes, quando a falta de segurança nas ruas não permite que expulsemos os miúdos com paus de giz para se entreterem a jogar à cirumba ou à macaca no alcatrão da rua em frente à nossa casa com o filhos dos vizinhos enquanto damos uma queca entre a limpeza do pó da sala e o arrumo dos quartos nas limpezas de sábado, quando temos medo de ver fogo de artifício no meio de uma multidão, quando temos que estar na praia com os miúdos e em vez de estarmos apenas ali a usufruir do sol e das gargalhadas temos que estar atentos a possíveis pedófilos nojentos a espreitar pelo paredão e a tirarem fotografias com smartphones aos nossos filhos, quando a vida se tornou uma coisa sempre na montra das redes sociais, demasiado exposta a críticas, opiniões, juízos de valor e, por isso, temos todos que ser felizes sempre, em permanência e obrigatoriamente, mesmo que não sejamos, não por pirraça ou aparência mas, às vezes, só para não darmos o flanco, Quando a vida, os tempos, a sociedade vigente te obriga a ser quem não és, a fingir seres quem gostarias de ser, tudo isto sem te garantir uma puta de uma rede de segurança para arriscares, para fazeres mais, para seres mais afoito, mais tu. Ou então não seres nada e ficares apático e passivo, a comer bolos e a engordar sem que te chateiem, a usares cabelo desgrenhado sem que te sugiram alisamentos progressivos, a comeres tremoços em vez de sementes, a leres livros que ninguém lê sem que te falem em top sellers, a seres quem és e não quem deverias ser, sem que te pressionem para a normalidade, essa coisa estúpida que todos normalizaram que é o caminho que tens que seguir para seres feliz. 
Sou, agora, na segunda metade destes 30, oficialmente uma trintona. Não sei bem o que significa isso. Quando era pequena uma pessoa de 36 anos era uma "senhora", tratavam-na por "dona" no cabeleireiro e no café, tinha-se filhos crescidos e "esposo", carteiras de pele e filofaxes. 
Não sou nada disso, às vezes (muitas) ainda não sei bem o que sou e angustia-me que ainda ande, aos 36 anos, aos papéis, em reconhecimento de zona, em visita de inspeção a isto da vida, como em adolescente mas com a diferença que ainda mais auto-centrada, com a certeza que a opinião dos outros vale sempre na medida de quem são os outros e que, findas as contas, os 30 são os novos 10 com menos acne e mais celulite, menos sensação de carneiragem e mais de cabritice, igual sensação de procura, incerteza, angústia mas com menos necessidade de auto-afirmação. Porque aos 30, ao contrário de aos 10, sabemos quem somos. Porque aos 30, ao contrário de aos 20, sabemos quem nunca seremos. Porque aos 30 só nos resta aprender a gostar de quem nos tornámos. 
Não tenho gostado, por aí além, disto dos 30. Pode ser que a segunda metade prometa. Tenho como único objectivo tornar-me uma MILF. É que, assim com'assim, não gosto nada de carteiras de pele e só sou mesmo "dona" do meu nariz. ]

sábado, 16 de julho de 2016

36 anos menos um dia

[Ali estava eu, a boiar, olhos fechados, ouvidos submersos, mente esvaziada, a sentir a água arrastar-me por vontade própria, para o meio da piscina. Ao longe vozes que não conseguia distinguir, estado quase zen, na véspera de completar 36 anos. A epifania: era isto que tinha feito nos últimos anos, corpo mole, olhos fechados, a tentar manter-me à superfície, deixando a vida fazer como a água e levar-me para onde lhe apetecesse. 
Abri os olhos num género de momento cinematográfico (tipo Jon Snow no episódio que ressuscita) e comecei a nadar com vigor e a pensar "move on, big ass!" ou "não faças nada pela vidinha que não vale a pena!"
O problema é sempre este: esta alternância entre sonhar demasiado alto, ter grandes expectativas e desinvestir sem dolo nem mágoa face às dificuldades, obstáculos, fracassos e demora (a impaciência é o meu maior defeito). Sou uma mulher de resultados, de fins, de metas, e os processos, os métodos, a disciplina agastam-me e entediam-me, não consigo fazer listas, seguir instruções ou passos. Sou pela eficácia e raramente consigo ser eficiente.
Tenho objectivos, alguns tão grandes que não sei por onde hei-de-começar, como um novelo de lã todo emaranhado que no fim sabes que, com trabalho, poderá transformar-se numa manta que te aconchegará e reconfortará mas não consegues deixar de te sentir incapaz e perdida face ao emaranhado de fios, aos nós que se vislumbrarão, às dores de braços que adivinhas ao tentar desembaraçá-lo. 
Continuei a nadar, crianças à volta aos gritos (a minha também), o sol a bater-te com mais força na moleirinha, alguns pirulitos a serem engolidos, gente que não percebe a noção de espaço e choca contra o teu corpo enquanto só queres nadar, direitinha como um fuso, em direcção à borda da piscina. A meta ali, o caminho difícil de percorrer. 
Experimentas a posição vertical e percebes que não sentes o fundo da piscina, que "não tens pé", e agora não podes simplesmente desistir, correndo o risco de te afogares, boiar deixou de ser opção (especialmente agora, em que o silêncio dos ouvidos submersos já não te chega perante as gargalhadas sonoras da tua filha que ouves à superficie da água) e nada te resta senão fazeres o que tem que ser feito: nadar, seguir o processo, a instrução, mexeres os braços e as pernas, em sincronia, respirares de forma correcta para não te cansares, concentrares-te no objectivo sem descurares o processo, fazeres tudo certinho, tudo como tem que ser feito. 
Subi as escadas e deitei-me na espreguiçadeira. A Ana quis partilhá-la comigo, os corpos a aquecerem-se, mutuamente. Ele endireita-nos a sombra para que o sol nos toque sem nos queimar. 
Acho que estou preparada para os 36 anos tal como o Jon Snow quando se levantou e começou a reunir as tropas, conquistar aquilo que era seu por direito. 
Doem-me os braços, caralho. Mas estou pronta. ] 

Hotel Golf-Mar, 16 de Julho de 2016

Pedi à Ana que fizesse a mala para a nossa escapadinha de fim-de-semana de aniversário...

Quando o amor tem uma morada # Prólogo

Primeiro éramos as duas, num dia com sol de Inverno, numa mesa de café em Coimbra a falarmos do projecto que nos une. A Marta é a madrinha do Bairro do Amor do Porto e, provavelmente, a mais hiperactiva. Estávamos no rescaldo de uma Street Store trabalhosa e onde grande parte do trabalho  físico, logístico e de preparação acabara por, motivos vários, por ter ficar entregue a não mais que  duas ou três pessoas, entre as quais a Marta que ainda acusava cansaço. 
Nesse dia reunimos para projectar 2016, o que gostaríamos de fazer no Porto, o que sonhávamos, o que sabíamos que seria impossível mas, mesmo assim, precisávamos verbalizar, realidades possíveis e sonhos e aspirações difíceis de concretizar. 
Na Street Store tinham estado presentes muitas instituições de apoio à infância e juventude do grande Porto: porque não tentarmos ajudar uma delas? Questionei a Marta qual a instituição onde ela tinha identificado mais a filosofia do Bairro do Amor, os valores, a missão, com quem tinha tido mais empatia. A resposta foi imediata: Lar da Nossa Senhora do Livramento. Pedi-lhe que na segunda-feira seguinte telefonasse para a Directora do Lar a questionar quais eram as necessidades mais prementes e regressei a casa, descansada.
Era Inverno - já disse?- e na segunda-feira seguinte a Marta devolveu-me a resposta: aquecedores. "Aquecedores?"- perguntei eu, intrigada. O Lar era demasiado grande e as meninas não tinham aquecedores e fazia frio no Porto, pelo que, essas eram, verdadeiramente, as necessidades mais emergentes. 
Num instante a Vera e a Miriam se ofereceram para doar os aquecedores novinhos e a Marta entregou, ainda nessa semana, os ditos cujos no lar: quatro aquecedores. Ligou-me a caminho da instituição, nesse dia, e eu insisti: "para além dos aquecedores pergunta mesmo às meninas- não às educadoras, às miúdas mesmo- do que mais sentem falta". No final do dia ela trazia-me a resposta: tapetes para quando saíssem da cama não enregelarem os pés e quadros de cortiça para pendurarem traquitanas pessoais. 
Quis perceber como era o lar pedimos umas fotografias e o que nos chegou era desolador. Não mau nem indigno mas menos do que as miúdas mereciam e nós acreditávamos que poderíamos dar. 







E depois desse dia, ainda em Fevereiro, não mais parámos. E já não éramos só duas...


(continua)


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