sexta-feira, 2 de setembro de 2016
Dúvida ao nivel do humor nacional
A stand up comedy portuguesa é o upgrade das cassetes de anedotas de antigamente, é isso?
Filha de psicóloga sabe somatizar
"Mãe, estou cansada, não quero continuar a pintar"- diz-me na sala de espera do novo pediatra.
Ele chama-nos à porta do consultório no preciso momento em que ela volta à argumentação:
"Doem-me as pessoas que estão dentro da minha cabeça, mãezinha!"
[Sim, tive que lhe explicar que a moça não tem vozes na cabeça e não tem, aos 4 anos, uma distúrbio mental mas que o episódio preferido dela do "Era uma vez a vida " é o dos neurónios...]
E como foi o Campo de Férias, Pólo Norte?
"Ugly ducklings do not become beautiful swans, just confident ducks."
Maeve Binchy
Foi especial.
Não há outra palavra que o descreva melhor que esta: "especial".
Todos os anos trabalhamos uma temática. Este ano não foi excepção e o foco esteve nas questões da auto-imagem.
Na verdade ter uma deficiência- nesta caso específico uma deficiência motora- interfere na forma como as pessoas se vêem. Para além das visíveis imperfeições do corpo, da falta de postura vertical em muitos dos casos, da assexualidade que os outros atribuem aos corpos de pessoas com deficiência há todo um mundo de questões por trabalhar. E foi essa a nossa meta: trabalhar as questões da auto-imagem, auto-conceito e auto-estima, num tempo restrito e com uma abordagem que fosse de encontro ao nosso público-alvo.
Tínhamos apenas uma parte do campo de férias financiada, pelo que, não consigo deixar de agradecer aos mais de 100 amigos, leitores e simpatizantes deste blog ou apenas pessoas que confiam na missão que perseguimos todos os dias que tornaram possível que a totalidade dos inscritos participassem no evento. também não consigo deixar de expressar publicamente a minha amizade e gratidão à Maria Esteves Pereira, à Ziza Almeida e à Débora que prescindiram de uma semana de férias para se voluntariarem nesta epopeia e percorrerem este caminho comigo.
Fizemos muitas coisas: dinâmicas de grupo onde trabalhámos as questões
Maeve Binchy
Foi especial.
Não há outra palavra que o descreva melhor que esta: "especial".
Todos os anos trabalhamos uma temática. Este ano não foi excepção e o foco esteve nas questões da auto-imagem.
Na verdade ter uma deficiência- nesta caso específico uma deficiência motora- interfere na forma como as pessoas se vêem. Para além das visíveis imperfeições do corpo, da falta de postura vertical em muitos dos casos, da assexualidade que os outros atribuem aos corpos de pessoas com deficiência há todo um mundo de questões por trabalhar. E foi essa a nossa meta: trabalhar as questões da auto-imagem, auto-conceito e auto-estima, num tempo restrito e com uma abordagem que fosse de encontro ao nosso público-alvo.
Tínhamos apenas uma parte do campo de férias financiada, pelo que, não consigo deixar de agradecer aos mais de 100 amigos, leitores e simpatizantes deste blog ou apenas pessoas que confiam na missão que perseguimos todos os dias que tornaram possível que a totalidade dos inscritos participassem no evento. também não consigo deixar de expressar publicamente a minha amizade e gratidão à Maria Esteves Pereira, à Ziza Almeida e à Débora que prescindiram de uma semana de férias para se voluntariarem nesta epopeia e percorrerem este caminho comigo.
Fizemos muitas coisas: dinâmicas de grupo onde trabalhámos as questões
Morram os Pinypons, morram, pim!
Começo por fazer o devido disclaimer: "Sou uma pinypon-ressabiada!". A minha mãe- para além do trauma das fantasias de Carnaval- tinha uma embirração com Pinypons e sempre que podia (e podia sempre) substituia-os por barriguitas com o argumento "são muito mais giros e não são porcarias de plástico".
Ora o ditado "filha és, mãe serás" aqui em casa é mais "filha recalcada és, mãe ressabiada serás" e jurei a mim mesma e à nossa senhora da Famosa- a marca que comercializa as bonecas- que assim que tivesse uma filha não ia hesitar um minuto no que a Pinypons diz respeito.
Acontece que as bonecas mudaram e passaram de pequeninas fofinhas de formas toscas a matulonas doces a sexys e com olhos iguais às bonecas de desenhos animados japoneses e com duas faces. Sim, as bonecas têm duas caras: uma que ri e outra que pisca o olho; ou uma que ri e outra que faz beicinho e eu não quero brincar faz-me espécie que a Ana brinque com a boneca que ri, sabendo que escondida na cabeleira postiça verde neón está a cara do olho piscador, à laia de Joker do Batman.
Faz-me espécie que as bonecas lindas e pueris do meu tempo tenham passado por uma extreme makeover travestizada, pá, que querem?!
A Ana tem 4 anos e até à data não lhe dei nem um Pinypon, razão pela qual é difícil explicar porque raios tem ela duas caixas de plástico de 42 litros cada uma com Pinypons. Reproduzem-se como cogumelos as putas das perucas coloridas, acho que tem mais numa das caixas que todas as que possam existir nos bastidores do "Finalmente".
Encontro mini hamburguers do tamanho de uma unha do dedo mindinho do pé dela no meio das almofadas do sofá todos os dias (sim, há uma mini hamburgueria pinyponiana e alguém lha ofereceu!) e juro que estou assim (imaginar o meu dedo indicador e o polegar a tocarem-se furiosamente espetados) de lhe contar que as fadas não existem e acabar com o seu imaginário Floribeliano se der de caras com mais algum mini unicórnio perdido pela casa. Odeio sereias à custa de estrelas do mar de tamanho microscópico que vinham no Mundo de Sereias Pinypon e que emigram furiosamente para o saco do aspirador, que encontro amiúde, no meio do balde da roupa suja, por debaixo do tapete da sala ou debaixo da cama dela onde, aliás, vivem agora estas duas caixas com todo o universo pinycoiso. Sou perseguida, em pesadelos, pela Pinypon Cinderela (A sério, não podiam deixar o universo dos contos infantis fora disto?! Não? Não?) e acredito, sinceramente, que sofro agora duma espécie de pinyponofobia.
Encontro mini hamburguers do tamanho de uma unha do dedo mindinho do pé dela no meio das almofadas do sofá todos os dias (sim, há uma mini hamburgueria pinyponiana e alguém lha ofereceu!) e juro que estou assim (imaginar o meu dedo indicador e o polegar a tocarem-se furiosamente espetados) de lhe contar que as fadas não existem e acabar com o seu imaginário Floribeliano se der de caras com mais algum mini unicórnio perdido pela casa. Odeio sereias à custa de estrelas do mar de tamanho microscópico que vinham no Mundo de Sereias Pinypon e que emigram furiosamente para o saco do aspirador, que encontro amiúde, no meio do balde da roupa suja, por debaixo do tapete da sala ou debaixo da cama dela onde, aliás, vivem agora estas duas caixas com todo o universo pinycoiso. Sou perseguida, em pesadelos, pela Pinypon Cinderela (A sério, não podiam deixar o universo dos contos infantis fora disto?! Não? Não?) e acredito, sinceramente, que sofro agora duma espécie de pinyponofobia.
No aniversário dela presentearam-na com a casa dos Pinypons e eu fiquei sem saber o que fazer. Logo pensei "vou refundi-lo e dar-lho só quando ela tiver uns 16 anos" mas ela foi mais rápida que eu e quando dei por isso já brincava com as bonecas, já acendia e desligava as luzes, já havia todo um excitex à volta do presente. Respirei fundo e pensei "espera lá que já te conto uma história, deixa-nos vir de férias, deixa..."
Viemos das férias. Hoje arrumei-lhe o quarto dos brinquedos e desviei a grande maioria das Pinpypons para bem da minha sanidade mental e da arrumação da minha casa.
Sensação de tarefa cumprida quando constato que a casa das bonecas não cabe na caixa gigante que comprei, logo, não consegue ser arrumada. Bufo, zango-me e praguejo e peço, encarecidamente, num post de facebook, aos meus amigos que não ofereçam mais Pinypons à Ana. Quero, desesperadamente, a extinção de todos os Pinypons como aconteceu com os dinossauros nem que para isso tenha que rezar para que um pinypon-meteorito caia no planeta Terra.
Venho, assim, por este meio pedir desculpas públicas à minha mãe e rogar pela volta dos Barriguitas. Sou menina para iniciar uma petição para isto e tudo #peloregressodasbarriguitasabaixoaspinyponsDeborahKrystall.
Quem está comigo?
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
"Eu não quero ser bonita, eu quero ser respeitada."
[Praticar a vulnerabilidade]
["Praticar a vulnerabilidade".
Assim, esta expressão ali deitada aos meus olhos. Encontrei-a no instagram da Andrea- que sigo silenciosamente há meses, não sei como lá fui parar, mas fiquei, como se algo nos unisse, aparentemente nada, ela num Canadá de lagos grandes e melancólico, eu num Portugal de mar descarado e escancarado ao sol, talvez a filha, não sei, a cumplicidade da maternidade, talvez não, talvez nada e isso seja tudo o que nos une.
"Sou uma solitária e uma introvertida". Sorrio. Pode-se ser solitário e extrovertido, garanto-lhe no silêncio da minha leitura. "Aderi ao instagram em 2013 durante um processo de separação que me deixou completamente só. [...] Este é um lugar que eu uso para me ligar às pessoas e partilhar merda pessoal e mundana que acontece no meu dia a dia". Volto a sorrir. Confio sempre em gente que diz palavrões assim, de forma poética e crua, irreflectida e emocional.
"Tenho 34 anos. Sou caranguejo. Há muito tempo. Leio muito. (...) Tenho uma depressão crónica que trato com medicação, longas caminhadas, yoga, Steve Brule, ponto cruz e estando fora de casa. Negligencio a minha depressão com álcóol. Sou um caso em progresso.
Tenho uma doença no sangue (...) que fez do meu sistema imunitário uma espécie de merda mas que me previne de ter que trabalhar num emprego convencional.
Estou interessada noutros espaços siderais (...) e em ligar-me a outros humanos.
Sou mãe e acho a maternidade claramente alienadora. A minha dependência depende furiosamente de me auto-cuidar, pelo que, educar Willa é um esforço de equipa muito grande.
Penso que o mundo precisa de vulnerabilidade e leveza e de algumas pessoas que estão seguras dos seus pontos fracos e em paz com o facto de serem seres humanos trôpegos. "
Respiro fundo. Quando abdicámos da nossa vulnerabilidade? Quando desistimos de nos mostrar fracos e carentes, precisados de colo e de cuidado? Quando passámos a usar em full time uma carapaça para não darmos o flanco, para não nos atacarem nos pontos nevrálgicos, para não nos magoarem como se abdicar da nossa vulnerabilidade fosse o caminho certo e não combater a maldade, a crueldade dos outros?
Quadripolaridades de uma mãe
Não sei se estou desejosa que comece o Jardim de Infância para ter a cabeça um bocadinho sossegada por não a ter sempre por por perto; se estou desejosa que não comece a escola para ter o coração mais sossegado por a ter tanto tempo do dia longe.
Suspiro*
Suspiro*
E assim começa Setembro...
E Singapura- pelas mãos da querida Marta na infinity pool do Marina Bay Sands- está quadripolarizada!
Obrigada, Martinha!
[Todos os países quadripolarizados aqui]
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