segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Web Summit? Eu traduzo:



"Portem-se bem! Não façam a piada "you want a glass of water or a glass with water?" nem a outra do "You would like? So you no longer like it?". Controlem os impulsos reprimidos desde o tempo dos liceus e, por favor, não dêem carolos aos nerds. Façam vénias. Muitas vénias aos empreendedores. Desta vez ponham os vossos preconceitos de lado e ensaiem os maiores sorrisos aos despenteados. Não barrem a entrada aos calçados com ténis nem peçam 500€ de entrada aos senhores com cara de pelintras ou cuja cara vocês não achem fofinhas ou com outros critérios usados habitualmente, nomeadamente no Lux, e que são tão válidos quanto "o teu signo hoje está no último lugar da tabela da Maya, és o elo mais fraco: adeus". Deixem entrar, só desta vez, os tipos com cara de sem abrigo, barba de 15 dias e - quiçá- até com falta de banhos porque podem estar cheios da paca. Guito. Pasta. Cacau. Dinheiro. Façam-lhes vénias, já vos dissemos? E abram-lhes excepções, mostrem o quão não rigorosos podemos ser, o quão tacanhos, serviçais e vassalos sabemos ser, tratem-nos com deferência como não tratam os clientes de todos os dias, não chamem a polícia às 3 da manhã se o bar que é obrigado legalmente a fechar à meia-noite e se têm bebés a querer descansar, finjam ser um país cool e trendy, que sabe tudo de pitchs e networks, usem muitas expressões anglo-saxónicas empreendedoras, sorriam muito mas só se tiverem a dentadura completa, não se esqueçam de reforçar as lojas de souvenirs com muitas sardinhas, não roubem os azulejos do Galo de Barcelos da Joana de Vasconcelos como roubam os das paredes dos edifícios para venderem na feira da ladra, se forem taxistas não dêem uma volta maior nas corridas e não enganem estes bifes e- por favor- façam do 28, só por estes dias, um free-pickpocket  tram. 
E escusam de se pentear. O despenteado is the new black."



A notícia não traduzida aqui.

Chocolates para fins medicinais: eu quero!

A minha tia Maria Francisco manda-me o link disto.

E eu- que não sou invejosa- partilho aqui para as leitoras do Quadripolaridades que sofram deste mal.

Tudo pela saúde.

Tu-do.

Ana e o início da literacia

À noite estamos a comer sopa com massa de letras.

Ana acaba o prato, esfrega a barriga e exclama:

"Tantas letras, tantas letras. Nham, Nham. Já estou cheínha de palavras na barriga, mãezinha!"

...

...

...

O que é Nacional é mesmo bom!

                                       

O novo anúncio da Nacional- que conta com a participação dos meus amigos Ana e Gui- foi buscar pessoas comuns, famílias reais e decidiu partilhar histórias, não apenas de comida e de alimentos mas, sobretudo, de afectos.
Este é o vídeo institucional que dá o pontapé de saída na campanha que assinala o rebranding da Nacional, no entanto, apenas em Dezembro a campanha lançará os filmes de cada família, focados nas suas quatro categorias de produto. 
Sendo que o Guilherme tem uma deficiência congénita- Spina Bífida- não posso aqui deixar de aplaudir de pé a estratégia da Nacional querer explorar a relação de cumplicidade ímpar dele com a sua mãe ao invés de se focar no facilitismo da história do menino de cadeira de rodas, provando que o que é Nacional é- mesmo!- bom. 

Bravo!
Inicialmente será lançado um filme institucional com imagens das diversas histórias, estando previsto para Dezembro o início da campanha mais focada nas suas quatro categorias de produto, nessa altura com a revelação de histórias reais.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Chamada quadripolar ao pessoal do Norte!



Depois do sucesso do ano passado com a Children Street Store que deu frutos tão bonitos que a parceria se estendeu para além do evento (sim, tenho um post em atraso desde Julho, mas prometo que o recupero tão breve quanto possível) o Bairro do Amor este ano arranca com "A Loja do Bairro do Amor."

E o que vem a ser isto, Pólo Norte?- perguntam-me vocês, com muita pertinência.

A Loja Do Bairro do Amor é um evento destinado a crianças provenientes de contextos desfavorecidos, residentes na região metropolitana do Porto, com idades compreendidas entre os 3 aos 18 anos de idade.

Porquê fazer compras ao invés de simplesmente encaminhar roupa doada para as instituições que acolhem estas crianças e jovens? Porque o processo de fazer compras implica liberdade de escolha, capacidade de selecção e de decisão, ao invés do habitual processo de recepção do que é doado, em que cada criança simplesmente recebe o que lhe é dado, numa lógica mais funcional do que de gosto pessoal, numa lógica de recepção sem critério e nunca de escolha. 

As crianças poderão percorrer a loja e experienciar a o processo de escolha de produtos, onde, mesmo sem troca de dinheiro, podem “comprar” roupa, brinquedos, calçado e material escolar ao seu gosto, bem como usufruírem do serviço de cabeleireiro, animação e lanche. 

Em 2015 participaram na nossa loja cerca de 120 crianças que se encontravam institucionalizadas. Toda a reportagem desse dia com imagens maravilhosas pode ser vista aqui.

E este ano, a loja acontecerá quando?

Assim, este ano, no dia 3 de dezembro apenas estarão presentes na Loja do Bairro do Amor os “clientes” e os voluntários lojistas do Bairro que se inscrevam para o efeito, de forma a preservar a privacidade dos que participam, não os expondo mas recebendo-os num ambiente contentor. 

Quem pode participar?

Todos podem participar, contribuindo para o stock da loja através de donativos de roupa, calçado, material escolar e brinquedos, entregando-os num dos pontos de recolha que disponibilizamos para o efeito e que se encontram indicados no evento. 

Onde posso entregar os meus donativos, Pólo Norte?

Nos variados pontos de recolha.A saber:

LAR NOSSA SENHORA DO LIVRAMENTO
Rua Santos Pousada, n.º 182 | 4000-478, Bonfim, Porto
De Segunda a Quinta feira, das 9:00h às 11 horas

CAFÉ INOVADOR
Travessa da Mouta n.º 150 | 4470-089 Maia
Das 7:00 às 22:00 horas, de Segunda-feira a Sábado.

CLÍNICA DR. FERNANDO PÓVOAS - PORTO
Av. Fernão Magalhães n.º 1585 | 4350-170 Porto
De segunda a sexta feira das 9:00 às 19:00 horas.

CLÍNICA DR. FERNANDO PÓVOAS - LISBOA
Estrada da Luz, 90 - 11ª - Sala E
1600-160 Lisboa
De segunda a sexta feiras, das 9:00 às 19 horas.

INDOOR KARTING CALDAS DA RAINHA |
CALDAS DA RAINHA
Rua João Reis, Zona Industrial
De Terça feira a Domingo, das 16:00h às 00:00horas

CINTA, LDA. - SINTRA
A/C: ROSA SANTOS
Terrugem
2705-869 Terrugem | Sintra
De segunda a sexta feira, das 8:30 às 17:30h.

Dúvidas, questões, ansiedades?

Contactem-nos para: porto@bairrodoamor.com

20º FIBAQ e todos podem ficar com a cabeça nas nuvens





A Andreia foi uma das pessoas que este blog me trouxe e eu fico sempre admirada com as pessoas diferentes e espectaculares que este blog me tem trazido, logo a mim, que por aqui só escrevo balelas. Quando, há dois anos, me garantiu que me iria realizar o sonho de andar de balão de ar quente quase que tive uma apoplexia. O sonho concretizou-se, no ano passado, num jour me-mo-rá-vel com o bónus da Publibalão (a entidade responsável pela organização do Festival de Balões) tem feito uma parceria com a ASBIHP, que perdura até aos dias de hoje.
Assim, este ano a ASBIHP será, novamente, entidade beneficiária do 20º Festival Internacional de Balões de Ar Quente, um certame único e memorável que dá a oportunidade de muitos realizarem o sonho de voar sobre as planícies do Alentejo.
O que fazer para voar e, em simultâneo, ajudar? Aderir à campanha da "T-shirt solidária" em que, através da reserva da T-shirt com indicação do nome completo e morada para voosolidario@asbihp.pt.
Com a compra da t-shirt a organização oferece 1 Voucher Individual de Voo. O valor de cada t-shirt é de 49,9€ e o stock é limitado a 35 t-shirts por voo. 
Após o recebimento do email para reserva da T-SHIRT SOLIDÁRIA será enviado um email de confirmação desta mesma reserva e qual o dia de voo referente ao voucher oferecido. 
O levantamento da T-Shirt e respectivo pagamento será realizado no dia do voo nos meeting-points. Para o voo da manhã a hora de encontro será às 6h30 e para o voo da tarde será às 14h30 e esperam-se voos memoráveis e inesquecíveis. 

Vêm voar connosco?

Consultem a seguinte nota para verificar onde são os meeting-points de voo: aqui

Aplicam-se as mesmas condições e termos de responsabilidade de voo dos demais passageiros e que podem ser consultados: aqui

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

O Mundo divide-se entre...

... quem se recusa a ler livros em formato digital e os outros.

Deixou de haver horário de expediente?

São dez da noite e estás num jantar de amigos. Um espreita o telemóvel e comenta com a mulher, ali ao lado, que acabou de receber no email o relatório do trabalho e que, chegando a casa, ainda tem que pegar naquilo. Fica impaciente, a partir daí. É sexta-feira. A mulher recebe uma sms

Ele não deixou de fumar


Seis meses. Está a fazer seis meses que ele parou de fumar. Digo "parou" de fumar porque é  o verbo que ele usa, embora eu preferisse o compromisso do verbo "deixar". Ele diz que não deixou de fumar, que parou e ele precisa dessa conotação não permanente, não definitiva, não castradora e fatalista: ele parou de fumar. 
Sempre o conheci fumador. 95% das nossas fotografias têm o cigarro como elemento adicional, um amigo eternizou-o numa tela e, quando a recebemos, ali estava ele: o cigarro no meio dos dedos.
Nunca fui fundamentalista quanto ao tabaco nem nunca fui cigarro-fóbica. Respeito as escolhas de cada um, desde que não interfiram no meu bem estar, na minha liberdade. Sempre o conheci a fumar e nunca o cigarro foi um assunto entre nós, sou filha de pais fumadores, na minha casa sempre se fumou, "normalizei" o tabaco em cima dos móveis da entrada e os cinzeiros pela casa. 
Um dia, tínhamos acabado de sair da adolescência, a minha mãe ficou com um pólipo na faringe e teve que ser operada. Nunca tive tanto medo na vida e ele soube-o. Tentou deixar de fumar a seguir, sem que eu lho tenha pedido, voltou a fumar, ao princípio às minhas escondidas, ele não percebia, até aí, que mais que a tristeza que sentia por ele voltar fumar, foi a falta de confiança em admitir perante mim a vulnerabilidade do seu vício que me matava por dentro. Nunca lhe pedi para deixar de fumar, gosto dele com cigarro ou sem, o tabaco não tem o poder de mudar o amor que sinto por ele. 
Depois engravidei e ele voltou a falar-me do assunto, sempre com planos para o futuro, sempre a empurrar a data com a barriga, sempre a procrastinar a decisão. "Quando ela nascer logo deixo de fumar!". Não deixou. E depois vieram problemas no trabalho e começou a fumar mais, o cigarro servia de super-ego, de tampão de emoções, de forma de descomprimir e de se auto-controlar, de tubo de escape da alma. 
E o meu tio ficou doente. Muito doente. 
O meu amigo Luis, o melhor enfermeiro do Mundo, avisou-me que não havia nada a fazer, que ele iria morrer. O tumor naso-faríngico iria levar a melhor e- sim!- fumar 3 maços de cigarros por dia contribuía para aquele diagnóstico. E o meu tio não deixou de fumar até à véspera de morrer onde, no meu sofá, o vi rir pela última vez quando lhe estendi para a mão um maço de cigarros. 
E ele viu-me a chorar. E a sofrer. E a fazer-me de forte. E a ser bruta. E a engolir soluços e nós na garganta, medos e ansiedades, o terror de quem tem que esperar a morte das pessoas de quem gosta, inútil e incapaz, sem nada poder fazer para travar o dia em que o cigarro se apagaria das mãos dele- do meu tio- de vez. 
E um dia disse-me "vou parar de fumar". Eu nunca lhe pedi. Aliás, posso ter-lhe pedido no desespero de quem espera a morte de quem ama com o assassino a fumegar-lhe nos dedos mas aí, era o desespero a pedir-lhe, não eu. Estava eu a contar, um dia disse-me "vou parar de fumar" e eu nunca acreditei, não gosto de me desiludir, não gosto de criar falsas expectativas, não porque não acreditasse nele mas porque conheço o poder inebriante do vício, a fugacidade da motivação de quem se consola com um cigarro aceso ao relento de uma varanda. 
Comprámos os comprimidos e ele cumpriu todo o tratamento. Poucas vezes falámos disso, de ele estar a parar de fumar, às vezes via-o ansioso, sempre de halls no bolso e a roer, muitas vezes sem saber o que fazer às mãos nos momentos de tensão, a snifar fumos passivos dos amigos que fumavam à sua beira, mais irritado, com menos paciência, mais intolerante e com o pavio mais curto. Conheci-lhe insónias, sonhos agitados, começou a reduzir o número de cafés porque o café pede o cigarro, os cinzeiros foram desaparecendo, começámos a fazer programas durante mais tempo seguido sem intervalos para fumar, a pele a ficar mais bonita, os dedos a cheirarem bem, os dentes mais brancos. Começou a ter mais energia, força, endurance. A conseguir correr com a miúda sem cuspir os pulmões, a ser mais energético e ágil. Poucas vezes falámos disso, de ele estar a parar de fumar mas eu conheci-o, meses a fio, a lutar contra o vício, a dar o seu melhor, a sofrer imenso com o processo, a esforçar-se horrores. E, mesmo que ele não conseguisse, só por isto, só por tentar eu amo-o ainda mais, porque a motivação dele era apenas uma: não me ver sofrer por ele assim, como estava a sofrer pelo meu tio, não me ver a mim- que não fumo- ser mais uma vez vencida pelo maldito vício.
E um dia acabaram, de vez, os comprimidos e ele não voltou à farmácia. "Conseguiste mesmo deixar de fumar?"- perguntei-lhe, em euforia. 
"Não deixei de fumar: parei de fumar!"
Para mim tanto me faz que ele não tenha deixado de fumar, que tenha engordado um bocadinho, ande mais impaciente e menos tolerante: ele parou de fumar. O meu tio, entretanto, deixou de fumar. De vez.  Morreu. Não me importo que ele tenha parado de fumar para que um dia não deixe de vez assim.
Sinto muito orgulho nele. Mesmo que não tenha deixado de fumar. Mesmo que apenas tenha parado, um dia de cada vez, há quase seis meses. Que pare para sempre.


[E, sim, sem qualquer interesse comercial nisto porque pagámos todas as caixas de medicamentos e o tratamento não nos saiu, propriamente, barato, sim, o Champix foi, no caso dele, bastante eficaz.]

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Saí de manhã com a miúda para irmos ao Pão por Deus...

... sacudiu o taleigo costurado pela avó e pôs-se em marcha, passámos na mercearia dos primos, deram-lhe uma sacada de doces, na padaria para tomar o pequeno-almoço ofereceram-lhe as línguas de veado, na papelaria deram-lhe gomas, na rua as "tias" que passavam deram-lhe moedas tal como fez a empregada da farmácia, na taberna deram-lhe pastilhas porque não lhe podiam dar uma bjeca, na loja de animais deram-lhe guloseimas e comida para o gato, no café preferido um anjo com o nome dela para pendurar à cabeceira, um vizinho deu-lhe flores, na loja de produtos regionais deram-lhe areias de Cascais, ela abria o saco e o porta-moedas, gritava "Pão poooor Deus e distribuía beijinhos e abraços- e ela não é de beijinhos e abraços- almoçámos fora ("Queres pagar o almoço com o dinheiro do teu Pão por Deus? Não, mãezinha, vou juntar para quando for grande pagar uma casa, um carro, gasolina, gás, luz, água e brinquedos para os meus filhos), fomos à esplanada beber café ("A sua filha parece uma boneca! Anda cá pequena que te dou o pão por Deus!" Mais moedas. Muitas moedas.) e lanchámos com a madrinha dela que lhe deu todo o amor de um pão por Deus numa romã com chocolates a acompanhar, a tia ligou e passámos em casa dela, mais dois presentes e um convite para jantar, ela aos saltinhos "Adoro o Pão por Deus!". 


Saí de manhã com a miúda para irmos ao Pão por Deus. Voltei com ela a dormir, feliz e cansada, na cadeirinha na parte de trás do carro. Diz que adora o Pão por Deus. Nós também. 

[Hallow quê?]
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