quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Cá por casa acabou-se a Elsa, a Anna, a Rapunzel...

... e estamos contaminados por uma praga* fofinha.



[Desesperadamente à procura de umas iguais em tamanho 35...]

Como saber que uma criança tem pais psicólogos?

Ana pede ajuda para ir à casa-de-banho.
O pai, solícito, acompanha-a. Oiço-a resmungar, distingo no meio do resmunganço as palavras "mãe" e "mamã".
O pai volta para a sala, com um ar derrotado.
Pergunto-lhe: "Mas o que é que se passa?"

Resposta: "Tem a Electra avariada..."

Vamos fazer o "debriefing"- disse-me ele

E, "FYI", aqui a "me, myself and I" revirou mais uma vez os olhos às "meetings calls", aos "off topics", aos "disclaimers", aos "targets",  aos "feedbacks" e aos "follow ups".






100 Quadripolares que vale a pena conhecer # Calinhas (33) - post póstumo



Conheço muitas pessoas fantásticas mas assim épicas só conhecia uma: Clara.
Clara era (muito) mais que a avó da minha melhor amiga. Filha de judeus, o pai engenheiro de minas de origem polaca perdeu-se de amores pela mãe e vieram formar família em Portugal onde Clara, filha única e amantíssima, aprendeu a tocar piano e a falar francês. E mais seis idiomas. E a exercer a sua capacidade de pensamento crítico, analítico e decisor ate ao ultimo dia de sua vida.
Clara chegou até a mim num encontro que só a generosidade da sua neta Catarina tornou possível. Clara não era Clara para nós: era Calinhas. Sem dona, senhora, doutora ou qualquer epíteto merecido e sempre insuficiente. Era Calinhas, petit nom de afecto e respeito, de jovialidade e proximidade como se não nos separassem exactamente 66 anos de vida.
Calinhas viveu tudo em 102 anos de vida e podia viver outros tantos que estaria pronta para tudo. Mas Calinhas também viveu mais do que o seu coração merecia e foi a morte prematura do filho que ditou o princípio do fim. Calinhas sobreviveu a duas grandes guerras, a perseguições aos judeus, aos novos cristãos, ao colonialismo, a uma nova vida na Guiné-Bissau, ao amor de uma vida com o homem da sua vida, a nascimentos de filhos, netos e bisnetos, à prisão do marido pela PIDE, a ser impedida de voltar a casa, à diáspora vivida por cada filho, a partidas e regressos, a verões ventosos na casa de São Martinho, a Invernos chuvosos na de Paço de Arcos, Calinhas era eterna e nós acreditávamos que imortal. Calinhas só nao sobreviveu à morte do filho e passou a viver mortiça e triste, prematuramente velha aos 100 anos, morta por dentro.
Calinhas foi a mulher mais excepcional que conheci.
Uma mulher progressista que me mostrou um livro autografado pelo seu amigo Pessoa. Uma mulher que aos 90 anos quis retirar sinais inesteticos do rosto porque a dignidade não envelhece. Uma mulher de extremo bom gosto e cultura. Uma mulher que adorava comida indiana e que não recusava experimentar qualquer alimento do Mundo. Uma mulher que dançou, aos 92 anos, no meu casamento. Uma mulher que, quando decidiu recrutar uma empregada, lembrou-se de que iria dar preferência a uma de nacionalidade russa porque tinha o seu russo muito "destreinado". Uma mulher que aos 100 anos fazia chamadas de Skype, enviava emails, comentava a actualidade, tinha conta de facebook, lia blogs.
Calinhas morreu. Não foi bem morrer: não quis viver mais. Porque "did it her way" até ao fim. Como só fazem as árvores que morrem de pé.
Lá dentro, do crematório, soava a música russa que ela escolhera. Cá fora, no céu do crematório desenhou-se um arco-íris. 
Clara- Calinhas para nós-  existirá para sempre naquelas sete cores. ♡

É tudo isto

"Não luto comigo. Se me torna feliz, aprendi a não lutar. Se me dá prazer, nem pergunto porquê. Deixo andar. Não faço da congruência um valor absoluto. Não me aflige nada gostar do preto e daqui a um ano descobrir que o cinzento é melhor. Só não muda quem é burro. A vida é isso, mudança. Se alguém chegar à minha idade a pensar rigorosamente o que pensava aos 20, há alguma coisa errada. Ou então não viveu. A coerência é um valor, mas muito mais importante é a busca da felicidade"

Helena Sacadura Cabral

Eu avisei que em 2017 ia rebentar com o rácio de quadripolarizações por mês


"Quadripolarizámos o Japão!
Achei que o castelo Himeji, o "cisne branco", ficava bem na tua colecção. "

Beijo enorme com uma pontinha de inveja, querida Luisa.
Mil obrigadas com sabor a sushi!

 [Todos os países quadripolarizados aqui]

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Dúvidas infanto-natalícias no ano da graça de 2017

Ana (ao deitar)- "Mãe, estive a pensar: a Inês não pode beber leite, não é?"

Eu: "Não pode porque é intolerante à lactose. A mãe já te explicou..."

Ana: "O que acontece se beber leite?"

Eu: "Fica doente e a sentir-se muito mal..."

Ana (com ar muito aflito): "Ai mamã, acho que fizemos um grande disparate..."

Eu: "Que disparate, Ana?"

Ana: "Ai mãe, que deixámos bolachinhas e um copo de leite na minha janela para o Pai Natal..."

Eu: "Sim?"

Ana: "Ai, mãe, e se o Pai Natal também for imundo à lactose?"

Meu Deus: perdoai-me se peco por pensamentos, palavras, atos e omissões...



"O seminarista Ruben Marques de Figueiredo, de Santarém, vai ser ordenado diácono no domingo, dia 8, pelo bispo de Santarém. A cerimónia realiza-se às 16 horas na Sé de Santarém
No seu perfil no facebook o futuro padre Ruben convida os amigos a assistirem à sua ordenação diaconal. “Há já alguns anos que Deus me chamou a sonhar e escrever esta história. Não se trata de uma epopeia mais ou menos heróica e solitária, mas de uma simples narrativa, que encarna neste caminho misteriosamente acolhido e acompanhado. Sem falsas modéstias, e considerando-me cada vez mais pequeno diante de tudo o que se aproxima, sei que Ele tem sido inexcedível e amorosamente presente”, escreve Ruben de Figueiredo." 

in blog "Tomar na rede"

Dúvidas alimentares da Ana

Ana: "Mãe, o que é lactose?"

Eu: "É o açúcar do leite. Porquê?"

Ana: "A Inês da minha sala é imunda à lactose"


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Pai Natal kinky

O primo lá de casa prontificou-se.
Fizemos o plano: ele ausentar-se-ia, discretamente, por altura das sobremesas. O fato de Pai Natal estava no meu quarto para onde ele se escapuliria. Saia pela janela do meu quarto e aparecia a passear pelo quintal, fazendo algum ruído, até que a Ana o vislumbrasse e começasse a euforia.
Dir-lhe-ia um adeus, corria até à janela do quarto da Ana onde dava cabo do leite do copo e mordiscava a bolacha e roubava a cenoura e deixava lá toooodas os presentes que nós, convenientemente, levaríamos para a sala, onde a pequena os abriria.
Correu tudo como planeado, foi o êxtase e correu tudo perfeitamente.

Ontem ao jantarmos, nós os dois sozinhos e a fazermos o debriefing das festas:

Eu: "Epá, o Hugo foi brilhante!"

Mámen: "Por acaso, foi. Foi perfeito. Até do sino ele não se esqueceu..."

Eu: "Ele trazia sino? Eu estive a tirar o fato e as botas de Pai Natal do saco dele e não vi sino nenhum..."

Mámen: "Trazia, pois. Foi com o sino que a Ana deu sinal da presença dele..."

Eu: "Estranho... Onde é que ele desencantou o sino?"

(Mando um sms ao primo a perguntar onde é que o tipo foi desencantar o sino"

Resposta: "Ah, estava um no teu quarto..."


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