Na minha última reunião de condomínio um dos condóminos suspirou, com um tom filosófico, o seguinte desabafo:
"Isto não há verdades absolutas: o seu tecto é o meu chão!"
Ando há que tempos a pensar nisto...
sábado, 18 de fevereiro de 2017
Por falar em bolos deliciosos..*
Não posso deixar aqui de registar que, a propósito do aniversário da minha mãe, provei o bolo mais delicioso de sempre com a conjugação de ingredientes mais saborosa ever e que- a partir de agora- vou querer repetir em cada festa de aniversário cá de casa.
O seu a seu dono:
O seu a seu dono:
Bolo de pistachios, framboesas e mousse da Sofia do Les Gourmandises de Sophie
(*é a chamada "saída de fininho" do tema dos bolos)
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a provar,
Sugestões quadripolares
Isto é capaz de ser sintomático de como as coisas acontecem na minha vida
Era uma vez uma miúda que viu num status da sua amiga Joana Roque um crumble de maçã.
Vai daí e foi procurar a receita ao seu blog e enquanto vagueava por lá deu de caras com um bolo de agrião com muito bom aspecto.
Foi ao frigorífico e seguiu a receitinha todinha. Nos entretantos, já com o bolo no forno, entra o seu marido na cozinha e exclama:
- "Ena, pá! Bolo! É de quê?
- "De agrião"- exclamou a miúda orgulhosa.
- "Mas nós não tínhamos agriões em casa..-"- constatou o espertinho da hortaliça
"Temos, sim! Comprámos esta manhã no mercado de Cascais"
- "Hum... comprámos grelos, lembras-te?"
- "Vamos comer e vamos gostar, ok?! E nem um piu sobre o assunto, bale?"
...
(No forno ainda. Rezem por mim.)
Vai daí e foi procurar a receita ao seu blog e enquanto vagueava por lá deu de caras com um bolo de agrião com muito bom aspecto.
Foi ao frigorífico e seguiu a receitinha todinha. Nos entretantos, já com o bolo no forno, entra o seu marido na cozinha e exclama:
- "Ena, pá! Bolo! É de quê?
- "De agrião"- exclamou a miúda orgulhosa.
- "Mas nós não tínhamos agriões em casa..-"- constatou o espertinho da hortaliça
"Temos, sim! Comprámos esta manhã no mercado de Cascais"
- "Hum... comprámos grelos, lembras-te?"
- "Vamos comer e vamos gostar, ok?! E nem um piu sobre o assunto, bale?"
...
(No forno ainda. Rezem por mim.)
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017
Toda a verdade sobre bochechas de porco
Temperas as bochechas com sal. Levas ao lume a refogar cebola, alho e louro mas não deixes alourar. Depois pões um raminho de alecrim fresco e uma chouriça alentejana, cortada ao bocadinhos, e polpa de tomate com tomate fresco cortado ao poucos. Só quando o tomate começar a desfazer é que juntas as bochechas e deixas ganhar cor de ambos os lados (se forem de boa qualidade vão inchar e parecer que ficam duras mas não te preocupes). Agora é regar com bastante vinho tinto até cobrir tudo e se preferires põe um pouco de molho worcester para dar um kick. .É esperar que cozinhe até as bochechas quase se desfazerem com o garfo e o molho ter reduzido e fica delicioso!"
A receita é do meu amigo Paulo Cabrito.
E- pode ter sido sorte de principiante, que pode!- mas... fica mesmo delicioso!
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017
Iscas de vaca, hambúrgueres, almôndegas, panados de peru, alcatra, um coelho inteiro, ganso (!) e- sim!- até bochechas de porco
Fui ao talho e encontrei um ex-namorado de adolescência que não via há mais de vinte anos.
Tinha tanta converseta para pôr em dia que trouxe carne que nunca provei e nem sei cozinhar...
[Envelheceu muita bem e continua giro para cacete]
[Mámen continua intrigado porque raios me lembrei eu de experimentar cozinhar bochechas de porco estufadas para o jantar.]
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Arrendatária de casa desesperada
Por falar em S. Valentim...
Tenho uma amiga que, a propósito da mudança de casa, andou a arrumar os seus livros e percebeu que já bateu mesmo no fundo no que diz respeito a desgostos de amor em geral e dinheiro deitado ao lixo em livrarias em particular.
[Oh, oh e não haver aqui nenhuma MRP...]
[Oh, oh e não haver aqui nenhuma MRP...]
Pikachu: where are you?
Se já passou a febre da caça dos Pokemons significa que eles agora andam todos ao Deus dará?
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Penso: logo duvido.
Amizade em tempos de cólera
Ser amigo não é uma tarefa fácil. Falo quer do ponto de vista do emissor da amizade como do receptor, nesta dupla função que todos desempenhamos naquele que, a meu ver, é o único papel que implica reciprocidade.
Pode-se estar apaixonado sem ser correspondido. Pode-se ser amado ser amante. Mas amigo, não. Pode-se até gostar de pessoas quem nem estão aí para nós, ou que ignoram a nossa existência ou que- simplesmente- lhe são indiferentes. Eu, por exemplo, gosto muito do Jorge Palma e ele não está nem aí para mim. Nem sempre- aliás, na maioria das vezes- as pessoas de quem gostamos têm que ser nossas amigas, embora muita gente tenda a confundir as coisas e achem que" gosto, logo existo como amigo".
Eu não tenho vida para ter um rancho de amigos, embora a minha vontade e motivação idealista gostasse de acenar afirmativamente que, sim senhora, vamos lá a isso, all together now.
Ser amigo desgasta e cansa e é preciso força anímica para isso. Para gostar não, gosta-se como se respira, com naturalidade ou porque nos agradam os valores da pessoa, ou porque simpatizamos com os seus modos ou apreciamos a sua companhia. Ou, no meu caso patológico com o Jorge Palma , porque se admira a inteligência, a voz e a poesia. Mas isso não faz se nós amigos.
Há alturas na vida em que é difícil ser amigo. E nem é nas alturas em que dá trabalho, gasta-se energia, precisamos de dedicar tempo, paciência, ajeitar os ombros para lhos chorarem em cima, mudar as nossas vidas para estar presente ou apoiar quando nem se concorda. Ser amigo é especialmente difícil quando o amigo, do lado de lá, fica quieto e sossegado e pede um tempo.
Dar um tempo no amor é duro mas está na cartilha das relações e implica uma de duas estratégias: a célebre técnica do EAP (encostar à parede) do "ouve lá, queres tempo, compra um relógio, seu bandido! Onde já se viu? Eu dou-te um tempo, ah se dou! Queres andar aí a mijar fora do penico em reflexões do "problema-não- és-tu-sou-eu" e esperas que depois eu esteja aqui à tua espera de braços abertos, à tua mercê, era mais o que faltava, tira mazé o cavalinho da chuva, espera lá mas é sentado!"; ou a técnica do choro, crise existencial e drama melodramático que encurta o tempo para meio dia e "vamos fazer as pazes e o sexo louco e desenfreado e já passou!"
Na amizade ninguém está habituado a pedir tempos. As pessoas ficam muito confusas quando a outra pessoa diz que não lhe apetece ir ao cinema sem inventar uma desculpa que não magoe nem fazendo o sacrifício para agradar à amizade. Na amizade quase ninguém percebe que a necessidade de silêncio, de afastamento, de resguardo ou apenas de solidão não implica zanga, discórdia, mágoa ou cólera e que aquilo do "o problema não és tu, sou eu" não é a balela que se pratica no amor.
Amar é mais fácil que ser-se amigo. Amar é uma acção, um estado de espírito, uma forma de viver. Ser-se amigo é uma parte da nossa existência, é um contínuo, um bocado de ser. Por isso não se pode amar sem gostar com todos os altos e baixos que traz o amor, a paixão e os sentimentos em looping dentro de nós. Pode-se amar sem ser amado com toda a dor, raiva, zanga e revolta em looping dentro de nós. Amar é uma viagem de montanha russa. É uma corrida de obstáculos, uma prova de atletismo que se renova, um triatlo constante
Ser amigo implica gostar mas é mais restrito porque pode-se gostar de muita gente sem sermos seus amigos mas não se pode ser amigo sem que o destinatário da nossa amizade goste de nós. Ser amigo é extremamente exclusivo porque implica essa reciprocidade, essa lealdade, esse respeito pelo outro como parte integrante de nós, essa compreensão dos tempos e dos espaços, da necessidade de presença ou de afastamento, essa gestão astuta da "presência", essa certeza de que- aconteça o que acontecer- eu farei a minha parte para preservar isto que há entre nós para sempre. Mesmo que não compreenda, mesmo que não concorde, mesmo que seja difícil de aceitar. Gostar e ser gostado é o compromisso mais sério desta vida. Ser amigo é uma viagem de cruzeiro. Uma viagem em alto mar. Uma maratona.
Obrigada aos meus amigos que respeitam os meus tempos. Que não exigem. Que não cobram. Que perdoam e relevam. Que percebem a necessidade de silêncio, de afastamento, de solidão. Que sorriem face à ausência de telemóvel. Que quando me encontram sorriem como da primeira vez. Ninguém pode gostar do outro e deixar-se gostar sem ter os seus tempos acertados, os seus espaços individuais arrumados, a sua energia recarregada, Obrigada por esperarem, sempre. Por se manterem. Por continuarem aí, para mim.
Levantei-me da rede. O meu coração é vosso.
Levantei-me da rede. O meu coração é vosso.
[Feliz Dia dos Amigos.
Porque o Dia dos Amigos é quando uma ursa quiser. ]
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Ah 'migos
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