sexta-feira, 30 de junho de 2017

Os meus amigos podem não ser melhores que os vossos, mas terão certamente um sentido de humor mais peculiar # 39

                                      

"Liliana, tu que estás habituada a cadeirantes esclarece-me: não sei se testemunhei um milagre se uma tragédia..." - mensagem do meu amigo Paulo no chat de facebook. 


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O Mundo divide-se... #edição sopeira

... as pessoas que têm a tábua de engomar e o ferro ao género de instalação artística permanente no meio da sala o ano inteiro e as outras.




suspiro*

Uma pessoa fica aqui a cismar...





Olha se me desse uma travadinha musical destas a mim?


É que - fora de brincadeiras- sou alérgica ao látex.
Sim: ao látex- leram bem.


Quando a realidade supera a ficção que supera a realidade que supera a ficção and so on

"Luciana Abreu apresentou hoje o seu novo tema, 'El Camarón'. Esta música de ritmo latino e muito alegre foi, na verdade, inspirada no choque choque anafilático que a cantora sofreu em janeiro de 2016. Nessa altura, Luciana precisou de ser assistida de urgência no hospital depois de ter ingerido camarão.A cantora ficou sem ar, muito inchada e aflita.Cerca de um ano depois, a cantora usa a sua arte para alertar os fãs para este problema.
 Luciana mostra assim que é capaz de encarar a vida com boa disposição e humor, apesar de nem sempre tal ser fácil."


Oh céus: foi intencional. Esta música é propositada. Oh nossa senhora do marisco me valha!

           

Desejos de pré-aniversário

Que a minha mãe deixe de fumar. Conseguir arranjar trabalho para todos, vá, pelo menos 4 ou 5 com elevado potencial e a quem ninguém dá emprego porque têm uma parte do corpo que não funciona bem. Um jantar lá fora, de carne no carvão e um bolo "Les gourmandises de Sophie" com velas a dizerem 30, não serão 30, serão mais 7 mas a negação é um direito que me assiste. Somersby fresquinhas para brindar. Que a minha mãe deixe de fumar. Arranjar um tatuador que alinhe pro-bono naquela ideia maluca de tatuar próteses ortopédicas. Ou uma empresa que queira personalizar pára-raios de cadeira de rodas. A saúde da Ana, sempre, mais que tudo. Um mergulho nocturno, a dois, na piscina. Uma Nikon como único presente, mesmo que seja em segunda mão (não vale a pena, Canon: não fomos feitas uma para a outra!). Se não puder ser, então um bordado da Andrea ou aquele quadro maravilhoso da Movelvivo. Ou um Manel e uma Maria feitos de crochet lá para os lados de Ponte de Lima. Abraços de quem tenho falta que me abrace. Gargalhadas no ar. Um desenho da minha filha. Uma fotografia bonita de nós os três. Que a minha mãe deixe de fumar. 

quinta-feira, 29 de junho de 2017

O Mundo divide-se... (edição fonética)

O mundo divide-se entre quem toda a vida cantou "Vamos à la praia" em vez de "Banhar-nos à praia" e os outros.

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Três desgostos fonéticos por dia, não sabe o bem que lhe fazia # 1

Diz a minha amiga Bé: "Tinha grandes discussões por causa dos Xutos (adoro Xutos) "queria ter um avião para lá ir mais amiúde" e o pessoal insistia que era "mais a miúda" ....

              

"Ah, e ainda aquela coisa "do rés do primeiro andar" não existe ok? É MODESTO 1º andar, ok?""


 

Diz a minha amiga Eileen: "para mim, o Rui Veloso sempre cantou" disseste que se eu fosse ao gás (trocar a bilha?) tu tiravas o vestido, o prometido é devido".




(E habemus nova rubrica à pála do CETELEM da Ana... )

Ana, a zen... a crédito

Ana, canta o mantra que aprendeu na escola para se acalmar quando está destrambelhada (sim, sim: destrambelha que é minha filha, não há cá milagres!). 

Ana: "I am happy,
          I am good,
          I am happy,
          I am good,
         CETELEM, CETELEM, CETELEM, ji
         Ariuru, ariuri, ariuri, jim"


Nós: "Ó filha, tens a certeza que é  CETELEM?"

Ana: "Claro que sim: o professor de meditação cantou isto o ano todo!"

Nós: "Epá, filha. Não deve ser CETELEM, tu ouve lá melhor isso..."

Ana: "É CETELEM, sim! Que eu sei, que eu é que estou lá a ouvir..."


Reunião de pais, a educadora convida-nos para fecharmos a dita com a música da meditação. Afino a minha melhor voz  e dou-lhe com alma:

         "I am happy,
          I am good,
          I am happy,
          I am good,
         CETELEM, CETELEM, CETELEM, ji
         Ariuru, ariuri, ariuri, jim"


Fica tudo a olhar para mim.





Não era.

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Vamos lá voltar à quadrievangilização que já estavamos cheios de saudades




"Olá Pólo Norte,

quadripolarizei o Chipre, mais um país para acrescentares à tua lista!
As fotos são da Petra tou Romiou ou Rocha de Afrodite. Segundo a mitologia é o local de nascimento da deusa Afrodite!

M."

Querida M., desculpa o atraso na publicação de tão nobre quadripolarização, ainda mais com um país à estreia: mea culpa!

Graças a ti temos  agora 91 países quadripolarizados: é muita fruta! Obrigada!



[Chipre quadripolarizado. Todos os países quadripolarizados aqui]

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Carta à auxiliar da sala do Jardim de Infância da minha filha

Querida Ana, (que outro nome poderia ser?)

No fim do ano lectivo, o último em que acompanha a minha Ana queria agradecer-lhe. Sabe, é que muitas vezes as pessoas- os pais incluídos- se esquecem do papel das auxiliares. Eu- às vezes- também mas hoje não. 
Queria agradecer-lhe o papel que teve durante estes anos na vida da minha filha. Não foi um papel auxiliar nem secundário, foi um papel insubstituível e principal. 
Foi a Ana que acolheu. todas as manhãs, a minha Ana na sala. Que lhe deu bons dias risonhos. Colo nos dias em que estava mal disposta. Que a conduziu à reunião de tapete. Que lhe ajeitou ganchos a escorregar no cabelo liso e escorrido. Que lhe fez tranças. Que lhe deu beijinhos nos dói-dóis de cada vez que caiu no parque. Que a corrigiu de cada vez que dizia "já não sou mais tua amiga!" e a ajudou a negociar, a resolver conflitos, a ceder, a dar o braço a torcer, a insistir quando tinha razão, a perceber que não pode ganhar sempre e a saber estar na sala e no grupo de amigos. Que lhe deu a confiança de que tudo pode correr bem mesmo que os pais não estejam por perto e que há adultos cujos trabalho é cuidar e amar. Que a levou e a acordou das sestas, que a acompanhou quando decidiu que já não queria sestas e que a apoiou quando largou a chucha. Que a ajudou a acabar os presentes do dia da mãe, a aprender as orações certinhas, a decorar canções importantes e a ensaiar para os espectáculos de Natal e de fim de ano. Que lhe elogiou a atitude, o comportamento, a roupa, o brinquedo novo, a nova aprendizagem e o crescimento. Que lhe corrigiu a atitude, o comportamento, a falta de paciência e o desinvestimento nas tarefas mais minuciosas e lhe mostrou que mesmo no meio da multidão havia um tempo, um espaço e uma atitude de respeito para cada um dos seus amigos. Para ela também. Que lhe cortou o bife aos pedacinhos e lhe esmagou as batatas para a enganar. Que lhe limpou as lágrimas e lhe deu, todas as vezes sem nunca o negar, o colo que a minha ausência não me permitia dar.
Nem sempre foi fácil mas nunca a vi de má cara e às vezes a minha filha não é fácil de aturar. Oh como a admiro! Ensinou-a pelo exemplo de assertividade e afecto e deu continuidade ao trabalho que tentamos fazer em casa. É tão boa nesse papel, sabe?!
Foi uma excelente companheira de equipa juntamente com a educadora mas- principalmente- connosco. Aceitou o compromisso de fazer da minha Ana uma menina melhor, todos os dias, sem ter expectativas do que era ser melhor, apenas respeitando a direcção, os gostos, interesses e personalidade que ela foi demonstrando. 
A minha Ana é a nossa semente, minha e do pai. Todos os dias a regamos para que cresça saudável e feliz. Mas foram ambas- a Ana também- que todos os dias, na nossa ausência, lhe abriram a janela da infância e lhe mostraram o sol. Porque o vosso amor foi fotossíntese para esta Ana, a minha Ana, agora em flor. 

Obrigada por tudo. Por ser exactamente a pessoa em quem a minha filha procurou o colo que a minha ausência não permitia ser eu a dar. O seu colo não é auxiliar, foi educador e teve um papel principal. 
Um papel que nunca esqueceremos. 

Um beijinho nosso. Um beijinho com sabor a colo de mel. A um colo principal. 
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