quarta-feira, 29 de novembro de 2017
Entretanto, no Mundo real
Na maioria dos países da OCDE a incidência da deficiência é mais elevada entre as mulheres do que entre os homens, constituindo uma dupla vulnerabilidade desta população, logo, alvo de múltipla discriminação.
Cerca de 386 milhões de pessoas em idade activa são deficientes, segundo a OIT, sendo que, o desemprego atinge, em média, 80% desta população, devido à crença dos empregadores de que uma deficiência implica uma incapacidade para o trabalho.
Por esta razão, as pessoas com deficiência continuam a estar sub-representadas no mercado de trabalho.
A falta de recursos económicos é um dos problemas que mais afecta esta população, sendo que o ciclo de pobreza dificilmente é interrompido, devido à grande inexistência de rendimentos de trabalho, da dependência de subsídios estatais e da solidariedade das suas famílias. A empregabilidade é o pilar base deste problema.
Estas questões fazem parte do meu trabalho de todos os dias, aquele que me faz levantar e fazer-me à vida. Todos os dias, envio emails e propostas, marco presença em reuniões e o diabo a quatro para apresentar candidatos com deficiência a potenciais empregadores, na expectativa que tenham a oportunidade que lhes é negada todos os dias. Um dia, devagarinho, um dia, desejo, muito, será o dia de todos.
O BNP Paribas fechou connosco um programa de formação em posto de trabalho que vai já no seu segundo ciclo e com uma taxa de sucesso de 100% até ao momento (os candidatos que participaram no primeiro ciclo do projecto encontram-se empregados). É pouco mas são baby steps.
As duas candidatas para o segundo ciclo precisavam de um incentivo extra. Faltava a parte exterior, o embrulho, o que se vê do lado de fora.
E embarquei num dia duríssimo em que fiquei a respeitar o trabalho de assessoria de imagem (é preciso paciência, resiliência, braços para carregar sacos e cabides e ouvidos para escutar emoções. É preciso disponibilidade física e mental e foi preciso a Mónica para me mostrar isto e deitar abaixo todos os meus preconceitos). Tenho sorte em ter a Mónica como amiga e dela ter disponibilidade para ouvir todas as minhas ideias- mesmo as que pareçam estapafúrdias- e de se juntar a mim com o seu know how e network.
Sou psicóloga: trato das imagens interiores, das questões do bem estar, das emoções. Com a Sofia e a Cláudia fiz um trabalho de delineação dos seus projectos de vida individuais, de escuta-activa, de envolvimento das suas redes de suporte e de um compromisso conjunto para concretizar os planos a médio-prazo para cada uma delas, tratámos das questões motivacionais e tive por detrás todo o apoio da equips espectacular com quem trabalho (uma equipa de assistente social, terapeuta ocupacional, enfermeira e fisioterapeuta porque it also takes a village to see people raise).
Mas foi a minha amiga que deu o twist que faltava. Obrigada Mónica Lice: sem ti nunca seria possível. Gosto muito, mas muito, de ti!
E embarquei num dia duríssimo em que fiquei a respeitar o trabalho de assessoria de imagem (é preciso paciência, resiliência, braços para carregar sacos e cabides e ouvidos para escutar emoções. É preciso disponibilidade física e mental e foi preciso a Mónica para me mostrar isto e deitar abaixo todos os meus preconceitos). Tenho sorte em ter a Mónica como amiga e dela ter disponibilidade para ouvir todas as minhas ideias- mesmo as que pareçam estapafúrdias- e de se juntar a mim com o seu know how e network.
Sou psicóloga: trato das imagens interiores, das questões do bem estar, das emoções. Com a Sofia e a Cláudia fiz um trabalho de delineação dos seus projectos de vida individuais, de escuta-activa, de envolvimento das suas redes de suporte e de um compromisso conjunto para concretizar os planos a médio-prazo para cada uma delas, tratámos das questões motivacionais e tive por detrás todo o apoio da equips espectacular com quem trabalho (uma equipa de assistente social, terapeuta ocupacional, enfermeira e fisioterapeuta porque it also takes a village to see people raise).
Mas foi a minha amiga que deu o twist que faltava. Obrigada Mónica Lice: sem ti nunca seria possível. Gosto muito, mas muito, de ti!
[Obrigada C&A, O Boticário e Maria Lourenço Cabeleireiros: foram inexcedíveis e de uma generosidade ímpar! Sois os maiores!]
[Obrigada Kat V pelo registo fotográfico e Tiago Namorado Gil pelo vídeo mas, especialmente, pela paciência, pelo dia inteiro de trabalho que nos dedicaram e pela imensa generosidade: fico a dever-vos mil!]
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Causas quadripolares
Uma família de estrelas
Ana foi ao cinema com a avó assistir ao último filme da Pixar: "Coco". Veio cheia de inquietações metafísicas sobre a vida, a morte e a vida depois da morte.
"Mãe, quando morreres vais para uma estrela!"
"Ah , sim? Com quem?"
"Com a avó Ana, o avô Amândio e a avó Fofinha (minha mãe)"
"E o teu pai: vem para a minha estrela?"
"Não, ele fica na estrela com a mãe dele e os avós dele, entendes?"
"Ah, e tu: vens para a minha estrela ou para a do pai?"
(pára para pensar)
"Hum, vou para uma estrela só minha, no meio da tua e da do pai e fazemos um condomínio de estrelas, que tal?"
<3
Ana - 1 Pixar- 0
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Mãegyver
O mundo divide-se entre...
... quem não gosta de comer favas guisadas e os outros.
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O Mundo divide-se...
Começando pelo fim
"Derivado a" problemas nas cruzes e ciática aos 37 anos acabei de vir do quiroprático ( a seguir vou à bruxa que já estou por tudo...)
Liga-me mámen e pergunta-me sobre a consulta. Descrevo-lhe os tratamentos e ele remata:
"Acabaste de pagar 80 euros para ires ao São João do Porto sem Porto e sem trazeres o martelinho para casa, é isso?"
...
...
....
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Conjugaliquadripolaridades
Recomeçar
[Durante anos escrevi religiosamente todos os dias sem excepção até a uma altura em que mudei de trabalho (que distava a muuuuuitos kms da minha casa) e fiquei sem tempo nem energia para escrever. Lembro-me de ter ressacado do blog, de ter posts na cabeça e urgência nos dedos para os escrever mas depois o ritmo dos dias, a hora e meia de estrada para cada lado, a urgência de chegar a casa e ainda conseguir apanhar a minha filha acordada, o sono a vencer-me e as madrugadas a acordarem-me fizeram-me constatar o óbvio: não conseguia continuar a escrever com a regularidade e as ganas com que sempre escrevera até então.
Quando, algum tempo depois, constatei a minha incapacidade de fazer mais de 300 km por dia e estar menos de uma hora por dia com a minha filha e aceitei um projeto de trabalho em Lisboa estava sem ritmo de escrita e com tanta coisa para recuperar e viver que ficar sentada em frente a um computador me parecia um desperdício de tempo. Urgia viver antes de escrever.
Desde então- porque, sim é real, vivo muito mais no tempo que não uso para me sentar a escrever- tenho tido mil assuntos dignos de serem escritos. Milhões.
Tenho saudades de me sentar e escrever como forma de arrumar muitas das ideias que nunca deixaram de me fervilhar e de partilhar tantas coisas giras que tenho descoberto, de contar como a Ana tem crescido e herdou um humor acutilante e uns olhos azuis cada vez mais expressivos, de falar das causas que me movem, das viagens que somo nos ossos e de amor e de humor. Ambos são o motor dos meus dias.
Não me revejo no novo paradigma da blogosfera dos famosos que decidiram todos querer ser bloggers. Também nunca quis ser blogger nem famosa sequer, sempre quis só ter um blog: o meu blog. A fama atrai-me tanto quanto favas guisadas.
Não me revejo no novo paradigma da blogosfera de escrutínio da vida de quem escreve ao invés do que é, efectivamente, escrito e que deveria ser o tema das salutares discussões de ideias. Também não me revejo no poder que a publicidade ganhou na blogosfera, embora perceba que pessoas que vivam disto tenham contas para pagar. Sinto-me aliviada por não ter qye viver disto porque continuo sem qualquer apetência para papar grupos. O mau feitio permanece e não há perspectivas de melhoria.
Continuo a gostar muito de escrever, de conhecer gente porreira por causa do blog (e que dificilmente conheceria doutra forma) e de usar a minha escrita para fazer coisas fixes. Gosto das pessoas que me rodeiam porque me conheceram através deste blog e aprendi a afastar-me das que optam pelo parasitismo e querem rodear-me por causa do alcance que tem este blog (e, sim, sem modéstias, este blog tem alcance!). Aprender a diferenciar ambas as pessoas foi a maior lição que aprendi nestes dez anos e o mais verdadeiro "o mundo divide-se entre".
Tenho saudades do meu blog e acho que ele era único e não há outro igual.
Tenho, infelizmente, também uma preguiça enorme e depois começou o "This is us" e o GOT esteve a bombar e a miúda não me dá tréguas e o trabalho está a mil
mas tenho vontade de recomeçar. Sem pressões, sem cobranças, sem pressas. "Come as you are"- diz a música, aleatória, no spotify enquanto escrevo este post.
Não há coincidências, já diz a outra filósofa.
Sou boa nos recomeços. ]
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Entre parêntesis
quinta-feira, 19 de outubro de 2017
Actualidade política nacional vista pela lente GOT
O país
O primeiro ministro
A (ex) ministra Constança
A Assunção Cristas
O principal (líder?) da oposição
As armas de Tancos
O Presidente da República
O primeiro ministro
A (ex) ministra Constança
A Assunção Cristas
O principal (líder?) da oposição
As armas de Tancos
O Presidente da República
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Actualidades
terça-feira, 17 de outubro de 2017
Ana, em crise de idade
"Eu quero muito crescer para depois mandar em mim e já ninguém me obrigar a usar chapéu."
*Suspiro*
*Suspiro*
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Mãegyver
segunda-feira, 16 de outubro de 2017
É um fogo que arde e nós a ver
Há um sentimento de impotência face às imagens.
Há a evitação de não querer que o zapping nos faça confrontar com a violência das chamas, o som aflito dos gritos das pessoas, as suas expressões faciais e a desgraça ali, pousada aos nossos olhos, a pele quase a queimar de tanta aflição. Coração queimado.
Ardem-nos os sítios onde fomos felizes, os locais das nossas raízes, os espaços que são agora apenas imagens nas fotografias imprimidas em álbuns não digitais.
Há a negação e o medo de não querermos abrir o feed do facebook atropelada pela necessidade de sabermos dos que queremos bem. Já não nos interessa a terra, os pastos, as árvores, os terrenos, já não nos importa que a matéria fique reduzida a pós: queremos as nossas pessoas vivas. E bem.
Não quero saber de esquerda nem de direita. Não quero saber de política na versão mesquinha da coisa. Não quero saber de rezas, de superstições, de crenças e de danças da chuva. Quero- genuinamente- que o meu país seja gerido por pessoas competentes, independentemente da sua orientação política. Quero que quem esteja na Protecção Civil ganhe tudo o que tem direito, tenha o salário que justifique a responsabilidade do seu cargo, mas quero que seja a melhor pessoa em Portugal para gerir a protecção civil deste país, a pessoa mais preparada e mais à altura do cargo e não o amigo do amigo, o que lambeu melhor as botas nas Jotas destes país ou o mais fofo e fresco nas Universidades de Verão dos partidos. Quero que quem esteja à frente dos serviços competentes para lidar com vida, saúde, educação estejam preparados como nenhuns outros, academicamente e em termos de experiência, que tenham aprendido com os melhores e os mais bem preparados, que tenham replicado boas práticas que viram e testaram noutros países, que saibam fazer o melhor. Não o seu melhor, isso já não basta. O melhor, o mais eficaz, o que resulta.
Nunca tinha sentido de perto uma calamidade pública. Uma tragédia nacional. Que nos afecta a todos, um a um, porque todos conhecemos uma daquelas cidades, fomos felizes num daqueles locais, conhecemos pessoas que ali vivem, que ali nasceram, temos lá raízes, memórias, afectos.
Somos nós que estamos a arder, reduzidos metaforicamente à insignificância do pó que não acreditamos que seja real à nossa volta, à volta dos nossos.
Somos nós com o coração na quinta de Tondela do Zé António; na família de Mira na Ana Mingatos, da Neuza, da Catarina Domingues, da Clara, da Paula; na Vagueira da minha infância, na ponte de Vagos onde fui tão feliz, no arraial da Tocha ardido onde fizemos, juntos, tantas sardinhadas nas colónias de férias, em Braga onde está a Sónia, a Maria João, a Fátima e a minha prima Su que entrou este ano para a Universidade do Minho, Somos nós sempre projectados nas gentes que amamos e nos sítios dos nossos afectos.
Somos nós a chorar os que morreram no Inferno. São eles, os que morreram, e que podiam ser nós.
É um fogo que arde e nós a ver.
É o fogo que arde e nós a arder.
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Actualidades
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