sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Todos os caminhos vão dar ao escroto



Estamos numa reunião de amigos e estou a contar as minhas peripécias sobre a minha visita a Roma. 

A Ana já me ouviu contar as mesmas peripécias um sem número de vezes a diferentes amigos e revira os olhos e afasta-se para brincar com as LOLs e eu aproveito a folga para me rir e desabafar que mámen quis ver todas as igrejas e estátuas e calhaus e que eu queria era ver restaurantes e mercados de rua e lojas giras e ruas pitorescas e quando uma amiga me perguntou "afinal, o que viram mais em Roma?" dei uma resposta parva e rimo-nos imenso. 

Aquilo passou e no domingo a Ana vai à catequese, esse local tão fértil de barracada quadripolar e no regresso começa a contar-me o que fez. 

"Pintámos uma história sobre Moisés."

"Ah, que giro! A catequese é bem gira, Ana! Estava lá a catequista de sempre ou ainda está doente?"

"Não, já não está doente desde que tu estavas em Roma, lembraste? Quando falei contigo no skype até de dei o recado dela a dizer para tu dares beijinhos ao Papa!"

"Ah, boa!"

"Ah, ela perguntou se sempre viste o Papa. E eu respondi que sim. E perguntou: "então, Ana o que é que a mãe viu mais em Roma?"

"E o que tu respondeste?"

"Ah, o que tu disseste no outro dia à tua amiga." (pausa enquanto me observa). Muuuitos escrotos. O que são escrotos, mamã?"

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O amor que fica



No outro dia, a propósito da comemoração dos 20 anos de namoro com o Rui, perguntaram-me se eu acreditava em almas gémeas. 

Não acredito. 

Amei três homens na vida: um demasiado platonicamente, um demasiado carnalmente e fiquei com o que amei na medida certa e no equilíbrio entre as duas margens.

 Poderia ter tido uma relação duradoura e feliz com qualquer um dos outros dois com quem não fiquei, tivessem as circunstâncias e os tempos sido diferentes, e eu ter sido diferente nesses tempos. Os amores não se esquecem: arrumam-se nas gavetas recônditas do coração, mete-se almofadinhas com cheirinho de alfazema para prevenir maus cheiros e bolor, dobra-se bem dobrado e, em alguns casos, faz-se como com as toalhas de linho e embrulham-se em turcos antes de arrumar, para garantir que ficam acondicionados e preservados. Que não se estragam. Mesmo que saibamos que não os voltaremos a usar. 

Antes achava que não: que os amores passados eram roupa usada, velha, descartável. Mas depois o tempo passou e eu passei pelo tempo e vislumbrei claramente quem eram os amores da minha vida e o quanto lhes quereria bem para sempre, mesmo que já não os tivesse a eles nem eles a mim. 

O amor é uma sorte bestial para a qual não basta encontrar a pessoa certa: é preciso haver o timing das vidas, as circunstâncias do destino e a predisposição certa, porque o amor dá um trabalho danado! MEC escreveu qualquer coisa como “o amor é uma coisa, a vida é outra porque a vida dura a vida inteira, o amor não” e eu não acredito nisso nem nas almas gémeas mas acredito que o amor pode durar uma vida inteira, mesmo que não resulte em relações ou em romance. O respeito pela pessoa que se amou, o carinho e o bem querer mesmo à distância, os sorrisos que involuntariamente esboçamos quando nos vêm memórias à cabeça e o bem que nos fez aquele amor cá dentro, no motor do coração, são sinais inequívocos que o amor não se esgota quando encontramos o nosso final feliz. 

Amei três homens na vida: um eu deixei, o outro deixou-me e fiquei com o terceiro. A vida corre:  saldada e feliz. 

O amor a geminar não derruba o amor que já murchou e voltou à terra, fertilizando-a para alimentar melhor o amor que floresce. Não há almas gémeas. 
Todo o amor fica mesmo que fiquemos num só amor.

[E a partir de agora os textos bonitos que podem ler no Instagram passarão também a morar aqui]

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

OS Ryanairalls



Os reino dos Millenials também conhecido por Modernália ou Milénioàtoa é composto por organismos heterotrófos digitais,ou seja, por organismos que não produzem o próprio alimento mas que são muita fortes em fotografá-los.

Trata-se de um reino fabuloso e complexo por apresentar um sem número de filos e espécies espantosas que vai desde os green millenials, os instagrammers aos runners e aos vloggers até que chegamos, finalmente, à espécie mais paradigmática: os ryainairalls.

Os Rayanairalls têm um pensamento nómada e um gosto enorme por viajar sem, no entanto, possuírem características de conta bancária para viajar com a dignidade e - assumamos- o conforto com que acham que merecem, sendo essa uma das principais características do grupo e que os diferencia de outros seres voadores sem asas, como é o caso dos OVNIs.

Os Ryanairalls são classificados em diversos filos, sendo muitos deles animais acéfalos que em pleno ano da graça de 2019 continuam a bater palminhas quando o piloto aterra e outras características semelhantes como a capacidade de se indignarem muito por terem que pagar por uma miniatura de martini a bordo devido ao facto desta não estar incluída no bilhete de dez euros de ida e volta para Bordéus.

Esta capacidade de esperarem ter direito a refeições do José Avillez a bordo bem como de almofadinha e mantinha e filmes e phones para depois gamarem e enfiarem nas malas de mão pelo módico preço de 7,5 euros por bilhete de ida e volta a Málaga só é superada pela fabulosa capacidade em acreditarem no poder mágico de malas que encolhem ("Não, não pode ser! Enfie lá isso bem aí na coisa de medir as malas que eu juro pela minha vizinha ceguinha, ela não veja mais já aqui, que isso tem as medidas certinhas!"  e, ainda mais, em jurarem a pés juntos que o pessoal de check in deveria " vá lá, não pode fechar os olhinhos a esta mala? É que no site dizia 40cm x 20cm x 25cm mas a feira del Relógio de Madrid estava tão boa que trouxe umas camisolas para o meu cão e gato e para o piriquito e não percebo porque me quer cobrar mais e me obriga a mandar esta mala para o porão" não para todos os passageiros com malas oversize, mas para si em particular. 

O Ryainairall viaja contrariado. Está chateado com tudo, basicamente: com o facto de ter que se sentir passageiro de segunda por entrar no terminal 2 do aeroporto de Lisboa, de não haver lojas duty free em barda no mesmo terminal, de ter que andar a pé até ao avião na pista, de não poder levar líquidos na mala de mão (mesmo que essa regra seja para todos, mas, nesta altura, o ryainairall já está com a mania da perseguição!), de ter subir escadas até à porta do avião, dos assentos serem apertados, de não haver lugares marcados, de não haver revistas (mesmo que nunca as leia) nem monitores, dos comissários de bordo ainda usarem Clearasil e das hospedeiras não terem rabos de cavalo perfeitos e estarem cheias de ganipas nos cabelos, da casa de banho não ter Feno de Portugal para se lavar as mãos e, finalmente, de com aquelas tão parcas condições, a companhia aérea não emitir um pedido de desculpas, por quem sois, e face ao privilégio de ter tão distinta espécie a bordo,  não lhes permitirem viajar de borla. 

Os Ryanairalls são criaturas que gostam de ir para a fila da porta de embarque para serem os primeiros a entrar para o avião mesmo que os lugares estejam pré-definidos e escritos nos bilhetes, que não fazem xixi antes de embarcarem e depois gostam de estar de pé na fila para a casa de banho do avião, que gritam da primeira fila para a última "ó amor, passa-me aí a sande mista", que viajam de avião com tanta naturalidade que aproveitam para roer unhas, arranjar sobrancelhas, pentear-se e espremer borbulhas, e que mal o avião aterra e ainda a ouvirem o aviso para permanecerem sentados desatam de imediato os cintos de segurança e fazem uma melodia de clicks, ainda antes, do derradeiro aplauso. 

Os Ryainaralls não deviam ter destino, seja ele Roma ou Manchester porque viajar na Ryainar é A  verdadeira experiência de viagem: regateia-se pesos de malas como numa medina de Marrocos, cobram-lhes por respirarem aos preços do Dubai, são levados a apostar em raspadinhas como se estivessem numa corrida de cavalos de Ascot, a experiência de ir a casas de banho é como se estivessem numa tabanca da Guiné-Bissau e são vendidos perfumes com o expertise com que se faz nas melhores perfumarias de Paris de França.

Os Ryainaralls são uma espécie maravilhosa e merecem tudo de bom que a experiência aérea lhes consiga proporcionar. 

Em particular a corneta da aterragem. 

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Uma aventura como fada dos dentes (Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada continuem a botar os olhinhos nestes guiões!)



Uma pessoa é mãe de uma criança em idade de mudança de dentes. 
Uma pessoa tem uma experiência prévia bem sucedida. 
Uma pessoa cria uma porta de fada dos dentes na parede do quarto da filha e sente-se uma super mãe no que confere à matéria dos dentes.
No primeiro dente caído uma pessoa comprou um peluche de unicórnio, escreveu uma carta assinando-se como a fada e ainda espalhou farinha maizena à laia de pó de fada.
A filha de uma pessoa rejubilou com a queda do primeiro dente e reacção da respectiva fada.
Uma pessoa recebe visita dos cunhados no dia a seguir ao Natal.
Uma pessoa entre sobras de bolo rei, doces expostos em mesas suplentes na sala, malas de roupa dos cunhados e toda uma rotina alterada com as visitas anda numa fona.
Uma pessoa acha-se capaz de lidar com uma fona.
No dia em que os tios chegam e menos de uma hora antes de os ir buscar ao aeroporto, cai o segundo dente da filha.
Uma pessoa percebe que não vai conseguir manter o standart ao nível da fadice dos dentes.
Uma pessoa pensa "agora vou buscá-los ao aeroporto e logo improvisamos".
Uma pessoa fica até às duas da manhã a pôr a conversa em dia com os cunhados.
A pessoa bebe gin dos Açores e fica ligeiramente entorpecida.
A pessoa adormece assim que mete o rabo na cama.
A pessoa é violentamente acordada pelo marido cinco minutos antes do despertador tocar e fazer um cagaçal para acordar toda a família.
O marido de uma pessoa suspira aflito: "Foda-se: a puta da fada dos dentes!"
Uma pessoa pensa "que classe!" enquanto se controla para não pingar nas cuecas tal o cagaço que apanha por acordar com esta prosa poética.
Uma pessoa e seu marido correm para o quarto da cria.
A filha de uma pessoa suspira quando sente a fada a mexer-lhe na almofada para lhe roubar o dente.
O marido de uma pessoa diz "shiiiiiiu e despacha-te, pá!"
A pessoa pergunta ao marido de uma pessoa pela moeda para meter no lugar do dente.
O marido de uma pessoa volta a praguejar baixinho e vai ao quarto remexer na sua própria carteira.
Uma pessoa, estremunhada e cheia de remelas, reza ao Santo Maló, padroeiro dos dentes, para a cria não acordar com toda aquela agitação.
O marido de uma pessoa volta com um ar de indignação total e estende uma nota de 20 euros acompanhada de um grunho: "não reclames, não tenho mais trocado e não podemos pagar a porra do dente com multibanco".
Uma pessoa pensa que vai passar a carta da fada porque aquela hora e depois de ser acordada daquela maneira nem escrever o nome sabe, quanto mais juntar palavras e construir um texto para uma carta.
Uma pessoa já está por tudo e numa acrobacia saca do dente debaixo da almofada, espeta a nota de vinte euros lá debaixo e dirige-se à cozinha para ir buscar a farinha Maizena para completar a tarefa.
Uma pessoa, de dente roubado em riste, ouve a filha de uma pessoa a acordar.
Uma pessoa, no pânico de ser apanhada em flagrante fado-delito, abre o armário de pequeno almoço e esconde o dentinho dentro de uma chávena de café.
A filha de uma pessoa acorda e fica extasiada com a nota de vinte euros que a fada lhe deixou.
O marido de uma pessoa exibe o maior sorriso paternal amarelo da história dos sorrisos paternais.
A filha de uma pessoa acorda os tios para mostrar a notinha azul que ganhou da fada dos dentes.
Uma pessoa faz o pequeno almoço para a filha de uma pessoa, põe a chaleira a aquecer para fazer o café batido para as visitas e liga a máquina de café de cápsulas.
O marido de uma pessoa vai à padaria para trazer pão fresco para a família.
A família feliz senta-se, finalmente, a tomar café e a comer pãozinho na paz do senhor.
Uma pessoa faz a sua rotina todo o dia.
Uma pessoa, como é sexta-feira e tem visitas, vai para um bar de cervejas artesanais curtir a cena.
Uma pessoa usa, inclusive, a casa de banho desse bar para fazer o número 2.
Uma pessoa ainda vai para a Fábrica Braço de Prata.
Uma pessoa chega de madrugada e ainda vai com o marido de uma pessoa e os cunhados para a cozinha fazer uma ceia.
O marido de uma pessoa pede-lhe que mostre o pequeno dentinho aos cunhados de uma pessoa.
Uma pessoa dirige-se ao armário para onde atirou o pequeno dente da Ana* para dentro de uma chávena.
Uma pessoa percebe que a pequena chávena foi a que usou para beber um merecido expresso de manhã, ao pequeno almoço.
Uma pessoa auto-flagela-se mais de uma semana até conseguir escrever este post. 
Uma pessoa questiona-se porque não se dedicou à vida religiosa e viveu uma vida de clausura sem marido nem filhos. 
Uma pessoa sofre muito. 
Dos nervos. 

[* Nome fictício para efeitos meramente exemplificativos]

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

O blog está morto mas ... "O PPC está no ar, é nele que vou-me ligar!"



Não sei o que fazer a este blog. 

A era dos blogs já era e estamos na era das redes sociais e os blogs estão defuntos, paz às suas almas, este também. Não sei o que vou fazer com este espaço mas sei que não vou começar 2019 com ele como está, esta coisa da passagem de ano bate-me sempre forte: talvez o imprima todo e o imploda, talvez o feche, me reforme da escrita e fique só com ele para mim, talvez o feche, fique com este só para mim e abra outro público, talvez o feche e continue a escrever só para algumas pessoas em privado, talvez o reinvente, não sei, sei que não gosto dele como está e que me incomoda que esteja por aqui fantasmagórico por falta de tempo, vontade, energia, motivação ou disciplina, tudo merdas internas que eu cá assumo as minhas culpas e não foram as redes sociais que mataram os blogs, fomos nós mesmos, aliás, quem matou este foi eu. Ou deixei-o em coma, vá. 

Há uma nostalgia de tudo o que se escreveu, o que se sentiu ao escrever, os episódios que nos motivaram a escrever, este blog tem 13 anos, eu era outra pessoa há 13 anos, a minha vida era toda diferente mas toda mesmo, tinha muitas coisas para contar e um entusiasmo e uma inocência genuínas ao fazê-lo, tinha tempo nos transportes públicos a caminho do trabalho, tinha intervalos enquanto fazia entrevistas de recrutamento e fazia dinâmicas de grupo ou dava formação, tinha almoços soalheiros na esplanada do Arquiparque com o pequenino pc ligado e a placa de net móvel, no tempo em que não escrevia nada através do telemóvel nem havia wifi pública, tinha energia ao fim do dia quando me sentava em silêncio no meu sofá vazio depois de ir dar um beijinho ao fim do dia aos meus avós e comer uma porcaria qualquer a despachar porque era eu sozinha e depois só nós os dois novamente. A minha vida era muito entusiasmante, sempre cheia de projectos e planos, de festas e delírios, de fofocas com as amigas e viagens de aventura em grupo e bares à sexta feira para beber uns copos e sempre um excitex descomunal. 

A minha vida está nos antípodas: vou de carro para o trabalho e a 2ª circular suga-me as energias, não tenho intervalos no trabalho entre candidaturas a projectos de financiamento, atendimentos a pessoas por telefone ou presencialmente (ontem atendemos um utente recém-chegado da India e percebi que estou super parecida com o Kofi Annan ao nível da oralidade do Inglês), almoço com o casaco vestido no lote anexo à associação que tem tanta humidade que me sinto no Pólo Norte e é tudo a despachar antes que os meus pés virem estalagmites), os meus avós morreram os dois e já não faço desvio pela casa deles para deixar beijos, tenho que pensar no jantar todos os dias e sopa e tudo e ainda consultar a ementa da escola da miúda para ver se ela come carne ou peixe ao almoço para poder equilibrar na ementa do jantar, energia não tenho nenhuma, eu e ele adormecemos amiúde no sofá depois das tarefas todas da noite enquanto tentamos ver os primeiros cinco minutos de uma série qualquer e arrastamo-nos para a cama. Não viajo para fora há mais dum ano, desde a Suécia, e estava a ficar doente, tão doente, que quase não me lembro de nada, só de ser noite escura às duas da tarde, não tenho grandes projectos senão aguentar-me à bomboca nisto da vida, as festas já não me dizem nada e não trocava um jantar de queijo, vinho e enchidos à volta da mesa por aquela coisa do Revenge of the 90's nem que me pagassem presenças como os da Casa dos Segredos.

Talvez (talvez, o caracinhas:  há pois com toda a certeza!) haja vidas mais entusiasmantes , as nossas não são, mas são as que escolhemos e eu nunca me vi como uma blogger, não trocava esta vida pelo frisson de viver do blog, seria mais penoso para mim ter que vender conteúdos em troca de publicidade das marcas, ir a festas e a eventos e a lançamentos de coisas que não me dizem nada e socializar com pessoas que não me dizem nada para poder garantir a minha subsistência. E- bem sei!- este blog tinha muito potencial mas o meu único propósito com ele era comunicar, eu gosto é de comunicar, era tipo um speakers' corner e fizemos aqui uma comunidade quadripolar mesmo especial e única e gira e divertida e depois muito solidária e, na verdade, eu não poderia pedir mais nada deste blog senão tudo aquilo que ele me trouxe e pelo qual estou imensamente grata. 

Nos últimos dias umas dez pessoas abordaram-me de forma simpática porque me reconheceram daqui. Eu fico sempre surpreendida e desprevenida, sem saber o que dizer e sem conseguir parecer interessante (não sou, sou normalzinha e simplória!) mas foi giro que a Maria João se tenha metido comigo no Mercadinho de Natal, a outra senhora me ter cobrado o que estava eu a fazer ali à porta da minha própria casa quando percebeu que eu sou vizinha de uma familiar sua, da senhora do Museu de Odrinhas me ter repreendido por me ter sentado a fazer actividades na tenda do Reino do Natal de Sintrae ter exigido que pusesse o resultado da minha pintura aqui no blog (é sobejamente conhecido o meu jeito para trabalhos manuais!) na IKEA um casal ter vindo ter connosco à mesa a cumprimentar-nos e a dizer que adoram o que eu escrevo e que já não conseguem passar na casa de banho dali sem se finarem a rir à custa do meu post e a mãe e a filha terem-nos agradecido enquanto estávamos a sair do McDonalds (sim, eu sei que comida orgânica é que é, eu também gosto, mas há dias meus que só se consolam com bacon, tá?) e eu fico cheia de comoção e pronto, é isto tudo. 

Não sei o que vou fazer a este blog até ao fim do mês (não sei mesmo, não é género!), nem como gerir isto mais o Facebook mais o instagram, eu disperso muito, é muito estímulo para mim, gosto mais do Instagram que de tudo o resto mas os caracteres contados tiram-me a tesão e, entretanto, a Ana Pragana já me mandou mensagem a dizer que por causa das tosses já tinha ido a correr imprimir textos daqui do blog para guardar e eu acho que, só por causa disso, fiz tudo certo. 

Sei que este ano, aconteça o que acontecer, o PPC voltou lá no instagram

E tudo mas tudo bate certo. 

Feliz Natal para todos.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

We believe we can fly


"Quando eu nasci ninguém deu os parabéns aos meus pais. Ninguém festejou e o diagnóstico de Spina Bífida sobrepôs-se a tudo o resto.
Depois eu vivi para mostrar que afinal a Spina Bífida é apenas uma pequena parte de mim. E que isso... isso não muda nada!"

Foi com base neste trecho que lançámos a campanha deste ano alusiva ao dia 21 de Novembro, dia Nacional da Spina Bífida.

Não quisemos explicar que é uma mal formação congénita do tubo neural. Nem que a toma de um suplemento de ácido fólico antes de engravidar (3 a 6 meses antes) e durante os primeiros 3 meses de gravidez (o tubo neural começa a formar-se cerca do 20º dia de gestação) pode ajudar na prevenção desta patologia. Nem as consequências clínicas que daí advêm. 

Este ano quisemos mostrar a Diana de Porto Mós a segurar na Emely da Amadora e rodeada da Beatriz de Arronches a cantarem na piscina. A Bea, o Guilherme de Oeiras e a Alexandra de Gaia a soltarem o seu grito de Ipiranga. O Bruno de Albufeira- atleta federado em natação adaptada- a nadar energicamente. A Catarina de Sintra num joguinho de o padel. O Diogo da Moita a fazer musculação. O Carlos de Carnaxide numa partidinha de videojogo. O Francisco de Rio Maior a conduzir. A Liliana de Montargil a despejar os caixotes do lixo no seu trabalho. A Ana Margarida de Viana do Castelo a fazer flexões. O Marcelo de Sever do Vouga e a Inês do Estoril em clima de romance. A Rita do Monte da Caparica a surfar. A Stephanny de Sintra a dançar. O João de Lisboa a fazer breakdance. O Tiago de Cascais numa aula de esgrima. A Eurisa de Lisboa e a Sara de Olhão a cantarem e dançarem numa viagem de autocarro. O Tomás de Oeiras no primeiro dia em que aprendeu a coordenar a cadeira de rodas e o transporte de um prato, para se deleitar num belo repasto. A Leonor da Amadora a fazer um bolo. A Diana de Almeirim na apanha da azeitona. A Patrícia de Faro nas compras. O Luis de Carcavelos na mesma saga mas com o desafio de conduzir um cesta de compras e uma cadeira de rodas em simultâneo. O João de Setúbal a mostrar como se joga ténis a sério. E o Rafael a treinar para o Europeu de Atletismo depois de se ter classificado. 

Eu também lá estou, A dançar, feliz, num pub decadente de Edimburgo. A provar que não há super heróis. Que não somos especiais. Somos todos normais. Normais  e felizes. 
Porque- como para toda a gente- a felicidade pode estar nas coisas mais banais. 

Créditos do vídeo- Inês Gaidão (agradecemos as partilhas do mesmo via página da ASBIHP)

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Odeio o Halloween e outras subtilezas que tal com o hashatg #teampãopordeus



Odeio o Halloween. Pronto, já disse. E odeio não pelo que ele representa isoladamente mas pelo facto dele, a pouco e pouco, ter vindo tomar o lugar do pão por Deus. 

Deixem-me explicar: no ano passado estava em Paris, na Eurodisney, por esta altura. Maravilhoso o Halloween no estrangeiro como experiência de uma comemoração pagã diferente cheia de rituais engraçados e que leva os miúdos à euforia. Gostei. A sério, que gostei. Como gostaria de viver um Thanksgiven nos States, a dar a mão a amigos à volta da mesa e a mostrar-me grata pelas coisas fixes da minha vida.

E vá, até gostava de viver ambas em Portugal em festas temáticas, de forma isolada, pelo que representam nos países de origem, junto de comunidades desses países radicadas em Portugal e tudo e tudo (hey, Tehur: esta dica é para ti! Quero thanksgivar na tua casa este ano, tá?). 

O que me encuca é começarmos a permitir que estas comemorações importadas comecem a substituir outras que já existem, estão enraizadas e estão contextualizada na história e na cultura do meu país. 

Ora, eu fui ao Pão por Deus até já usar soutien e ter maminhas e já ser um bocado ridículo andar ao Pão por Deus. Onde sempre vivi, uma pequena aldeia saloia de Cascais, o Pão por Deus é tão enraizado quanto o Natal: no dia 1 de Novembro levantamo-nos cedinho, juntamo-nos a um ou dois amigos (não mais porque senão calha menos a cada um), agarramos num saco e num porta moedas e cá vai disto. Começamos pelas portas das vizinhas "Pão por Deus! Pão por Deeeus!" e ensacamos os primeiros doces, seguimos pela estrada até ao largo, no caminho se nos cruzarmos com adultos transeuntes gritamos "Pão por Deuuuus!" aos seus ouvidos até que, desprevenidos, nos saquem de uma moeda que enfiamos no porta-moedas, no largo entramos em todos os estabelecimentos comerciais (já se sabe quais são os cafés ranhosos que não dão e boicotamo-los o ano inteiro só por causa desta forretice diabética neste dia!) e adivinhamos de cor que no Cantinho do Morais nos dão pastilhas, no Safari é sempre chupas, na mercearia João Aires é sempre um sortido e que, mais à frente, na Ferradura são frutos secos. E continuamos, com ritmo e energia porque assim que tocar a sirene dos bombeiros ao meio-dia é altura de recolher a casa e contar os dividendos do dia.
E há de tudo no saco peganhento ao fim da manhã: rebuçados, chupas, castanhas, figos passados, beijinhos, maçãs, rebuçados, gomas, nozes e marshmallows: é a loucura! E depois contamos as moedas para as guardarmos no mealheiro à espera da oportunidade de se transformarem num brinquedo. É mágico e peganhento: uma espécie de treino para o Natal mas com mais socialização à mistura e doces fixes que nenhuma criança que se preze curte sobremaneira bolo-rei. 

Acontece que agora não sou a filha, sou a mãe. E desde que a Ana nasceu que vou com ela ao Pão por Deus, coisa boa. Os mesmos estabelecimentos comerciais a quererem preservar a tradição (dica para quem é de cá da terra: até a loja de animais dá amostras de ração para os vossos animais de estimação de pão por Deus, pá!)  mas as pessoas singulares a encolherem-se. Muitas não abrem a porta, outras transeuntes que passam e que não são da terra mas que vieram para cá viver recentemente que não sabem do que se trata (nem querem saber) e que respondem infâmias como "o Halloween foi ontem à noite!", e só não há meia dúzia de doces no saco da pequena porque eu tenho um roteiro fixado e vou com ela pedir às amigas da minha mãe, às senhoras antigas cá da terra e por aí fora. Mas já ninguém oferece os figos passados que eram o elemento principal para o saco ficar melado, o que me deixa um pouco nostálgica. 

Entretanto o Ana sempre frequentou uma escola católica e safámo-nos nos primeiros anos ao Halloween. Mas desde o ano passado que tivemos que entregar o corpo às balas, com muitos palavrões mentais à mistura. Imaginem que este ano até tivemos que fazer uma abóbora em família (claro que ficou assustadora como ficam, aliás, todas as manualidades em que participo para além destas do Halloween, ora espreitem aqui neste link do instagram deste blog).  São facadas para mim, senhores: facadas!

Mas as coisas não têm que ser mutuamente exclusivas, vocês por Deus, não me desgostem mais. Comprem gomas em forma de abóbora mas não se esqueçam dos figos passados!

Portanto hoje à noite faremos uma festa na garagem para as amigas Halloween-fãs (alguém me passa um x-acto?) mas amanhã de manhã, a miúda levanta-se da cama cedinho, agarra no novo taleigo que todos os anos recebe da avó dos Açores via correio e lá vai ela pela aldeia: "Pão por Deeeeus!", "Pão por Deeeus!". 

Fiquem a saber que rogo pragas a quem não lhe der uma moeda ou um doce. E não é uma praga católica à Pão por Deus, é uma demoníaca imbuída no espírito de Halloween contrariado da véspera. 

Agradecida. 

domingo, 21 de outubro de 2018

Perna de pau



Foi assim durante 4 anos. O Rui Monteiro inventou o mimo: "perna de pau". Apontava para as minhas botas ortopédicas, aparelhos de ferro até aos joelhos, presilha de velcro a prender as talas e gritava "perna de pau! perna de pau!".
Havia dias em que me custava ir para a escola, logo a mim, que sempre adorei estudar. Havia dias em que não me apetecia sair para o recreio, logo a mim, que sempre fui sociável e popular, brincalhona e gaiteira. Havia dias em que tinha saudades da escola do hospital, com a educadora Fernanda e outros meninos a terem aulas deitados em macas, todos em reabilitação naquele Alcoitão.
Sempre que, em convalescença de uma das inúmeras cirurgias o absentismo me tocava à porta meses seguidos, suspirava por voltar para junto da professora Emília e das minhas melhores amigas Joana e Sofia. Tinha também saudades do Hugo, minha paixoneta e do Bruno que batia em toda a gente que se metesse comigo. E voltava feliz com as conquistas físicas que a minha ausência me recompensava e com a possibilidade de voltar ao lugar onde pertencia. Mas, dias depois, a vontade morria com o eco das palavras gritadas no recreio "perna de pau! perna de pau!"
Nunca me importei com a minha diferença. Nascer e crescer com uma deficiência física nunca me perturbou. A minha realidade, desde sempre, era aquela, o meu conceito de "normalidade" era aquele, estava bem, tranquila, em paz com quem era, como era e como me sentia acerca disso. Aparentemente, só o Rui Monteiro se importava com a minha diferença, gritando alto aquele "perna de pau" todos os intervalos, todos os dias, todos os anos lectivos. Eu fingia não me importar, nunca verbalizei o quanto acreditava que aquela maldade intencional é que me fazia diferente, aquelas palavras a ecoarem no intervalo, a entrarem nos ouvidos dos outros meninos em jeito de um: "reparem, reparem, ela tem botas ortopédicas e anda de forma diferente!". 
Não era eu que me sentia diferente, era o Rui Monteiro que fazia questão que eu me sentisse. Não eram as minhas pernas encarceradas naquelas botas, magoadas pelos vincos dos aparelhos de ferro que me lembravam da minha diferença, era a voz cantada em jeito trocista daquele rapazinho, franzino e inseguro, que me usava como bode expiatório para desviar as atenções da sua gaguez, da sua dislexia, das suas dificuldades de aprendizagem, da sua própria diferença. 
Passei os quatro primeiros anos de escola sem tocar num gelado "perna de pau". 
Eu não tinha qualquer problema com a minha diferença, eu acreditava no poder da diversidade, eu era bem sucedida nas aulas, uma das melhores alunas da professora Emília, tinha a Joana e a Sofia para brincar nos recreios e o Bruno a dar sovas a todos os que não me queriam incluir a jogar "ao mata", Rui Monteiro incluído. Mas, ainda assim, havia dias em que me apetecia ficar em casa, aninhada no colo do meu avô, a comer o pão com manteiga aquecida nos bicos do fogão da minha avó. 
O problema nunca foi meu: era dele, do Rui Monteiro. Um dia percebi isso. Era Verão e estávamos nas férias grandes e na colónia de férias a Guida pediu-me que segurasse no seu gelado enquanto apertava os ténis. O Perna de Pau derretia e ela gritou-me que o impedisse: provei o gelado! Oh céus, o que andava a perder nos últimos 4 anos, eu, que era uma boa menina, que merecia coisas boas, era eu que perdia a alegria de ir para a escola, a deleite de comer perna de paus, a felicidade de crescer sem fantasmas. Era eu, que não tinha qualquer problema com a minha diferença, que estava a perder. 
O Rui Monteiro lá continuava, cheio de problemas acerca das minhas pernas, a verbalizar isso com ofensas, a correr feliz no recreio, a jogar futebol, a assobiar no caminho para a escola, a comer perna de paus. Não era justo. Nesse dia, percebi isso. 
Desejei regressar à escola rápido, mostrar que não fazia mal, que as minhas pernas não eram bonitas mas que andavam e me levavam para tantos sítios, que as minhas botas eram bastante mais feias que os sapatos de verniz da Cátia mas que, ainda assim, me permitiam dançar, que se a minha diferença não me afectava, não me condicionava, não era mais forte que eu, logo, nenhuma voz maldosa o poderia ser. 
O Rui Monteiro avistou-me, naquele primeiro dia de aulas da quarta classe, "Perna de Pau! Perna de Pau!" Sorri, vitoriosa, olhando-o bem fundo nos olhos! Já não me sentia envergonhada, já não temia ouvir em voz alta o mimo, já não lhe dava qualquer poder sobre mim. Tinha 9 anos e foi, esse dia comum de escola, um dos mais importantes da minha vida.
Eu tinha provado o gelado. E nunca mais abriria mão de me deliciar em dias quentes de Verão com aquele sabor de nata e morango com aquela pequena folha de chocolate por cima só para desenjoar. Eu sabia quem era, assumia a minha diferença e escolhia viver bem com ela. Quando me chamou de perna de pau, nesse dia, senti-o como um elogio, de frescura e sabor: era a minha mente que mandava em mim,  no que sentia, não a voz maldosa do Rui Monteiro. 
Hoje, 25 anos depois, coordeno um projecto de combate ao bullying em crianças com deficiência e hoje, dia internacional da pessoa com deficiência, coordenei uma actividade com 100 crianças da mesma idade que eu e o Rui Monteiro tinhamos naquela altura, falei sobre diferenças mas, acima de tudo, sobre semelhanças, celebrei a diversidade e preconizei aquilo em que mais acredito: todos diferentes e não todos iguais: todos diferentes e ainda bem! Porque ser diferente é ser único e isso é o que torna, cada um de nós, especial. 
Assumir quem somos sem medo de ser único e diferente e fazer disso uma bandeira, a bandeira da diversidade. A minha desenho-a de cor branca, encarnada e um bocadinho de castanho. Da cor dos pernas de paus que deixei por comer naqueles quase quatro anos da minha infância, da cor do perna de pau que a Guida me passou para a mão para eu lhe segurar enquanto apertava os atacadores, da cor das meias que calçava debaixo das botas, nos vincos que os aparelhos me causavam e do couro das botas ortopédicas que me ajudaram a que hoje corra o Mundo pelos meus próprios pés. A que viva, segura, condicionando a MINHA acção e a MINHA vida pela MINHA realidade, não pela opinião dos outros.
Obrigada, Rui Monteiro: não imaginas o quanto fizeste por mim!

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

100 Quadripolares que vale a pena conhecer # Artur (37)




Conheci-o no dia da festa pública do primeiro aniversário da Ana: a ele e a toda a família- e não são poucos- loucos o suficiente para se enfiarem os seis num dia de calor extremo e virem dar-me um beijo a Lisboa directamente vindos de Tavira.

Nunca mais me esqueci.

A mãe- a Fátima- é uma mulher ímpar: mãe de (agora) cinco filhos, educa-os com o mesmo rigor, exigência, cuidado, disciplina e amor desde o mais velho- este Artur- ao mais pequeno Valentim, com um ano acabado de completar. E é um exemplo de educadora, o que se reflecte em todos eles mas hoje o post é para o Artur, o meu "sobrinho" chef, afoito e corajoso, destemido e criativo, bravo e rigoroso.

O Artur começou a interessar-se por cozinha no secundário, tendo concluído o Curso de Gestão e Produção de Pastelaria na Escola de Hotelaria e Turismo de Faro, ao qual se seguiu um primeiro estágio curricular em grande, no The Oitavos na Quinta da Marinha como parte da equipa do então Chef  Pasteleiro Joaquim Sousa (o Chef que criou aquela sobremesa da flor negra que abria no prato e correu todos os facebooks, instagrams e masterchefs deste Mundo). 

Em 2014 acabou  o Curso e entrou no Belcanto do José Avillez onde estagiou  durante 3 meses, seguindo-se de um estágio no El Celler de Can Roca em Girona, que tem 3 estrelas Michelin e era naquele ano o “Melhor Restaurante do Mundo” pela 50 Best Restaurant. 

Foi aqui que começou a entrar mais na parte "salgada" da cozinha e trabalhou em quase todas as secções do restaurante incluindo o Laboratório. Regressou a Portugal e em 2015 foi pela primeira vez até Copenhaga para experimentar uma semana intensiva no Relae, e onde, mesmo em tão curto espaço de tempo,  despertou para a importância da origem do produto, a sua caminhada até chegar ao restaurante, à sustentabilidade e ao “foraging” (consiste em recolher plantas, ervas, frutas, cogumelos selvagens).



Claro que nem tudo são rosas, ou não fosse isto a vida, e foi também neste ano que teve uma experiência péssima que quase o fez desistir desta área e onde o chefe queria servir lavagante com 3 dias de cozido e onde não havia qualquer sentido de hospitalidade, respeito pelos ingredientes e sobretudo, respeito pelos clientes. Este episódio afectou bastante o Artur, um tipo franzino e sério, sem tempo a perder e em 2016 pensou como alternativa o ensino, tendo começado a dar aulas na Escola de Hotelaria e Turismo de Faro. No entanto, Artur é "hands on", não é galinha de capoeira, é de campo e das bravas e logo, logo, começou a trabalhar no Restaurante Vistas no Monte Rei Golf & Country Club, tendo na sequência desta colaboração sido seleccionado para a final ibérica do San Pellegrino Young Chef of the Year 2018, que reuniu os 10 melhores jovens cozinheiros de Portugal e Espanha (com a participação de apenas dois portugueses). 

Rumou novamente à capital, o Artur intrépido, tendo ajudado a abrir a Confraria do Polvo, que aqui recomendei e cuja colaboração ter-se-ia mantido se não tivesse sido chamado pelo Noma, o melhor restaurante do Mundo, onde se encontra a estagiar há quatro meses. 

Durante os 2 primeiros meses esteve na produção e em algumas das estações a ajudar no serviço e preparações para serviço, que a vida de cozinheiro não é só glamour.  No entanto, o Artur brilha por onde passa, e no final do segundo mês foi convidado por um dos Sub-Chefs a fazer parte do Laboratório de Fermentação, Investigação e Desenvolvimento e ainda por lá anda, feliz e contente. Neste momento está a desenvolver produtos novos para o Menu de Peixe e Marisco que será servido a partir de 9 de Janeiro de 2019.
Se por um lado assisti orgulhosa e embevecida, como uma tia a sério, ao pulsar do Artur pelas cozinhas deste Mundo, por outro, não vejo a hora dele voltar a Portugal e marcar um jantarinho parolo e saloio à tuga e cozinhar só para mim!

Artur. Nome de Rei. Anotem que ainda vão ouvir falar muito dele.

Julio Isidro é o maior!

Ontem à noite no canal "My cuisine" foi regalar-me a vê-lo a oferecer a uma apresentadora de televisão francesa uma "sandes de coirato"!


Haja hospitalidade!

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