sexta-feira, 19 de agosto de 2011

PROGRAMA QUADRIPOLAR | Luxemburgo

Polar triper adviser: o intrépido Luxemburgo 
  • Chegar ao Luxemburgo de comboio, vindo de Bruxelas, ainda é a melhor a opção. Especialmente para que o desmame da agitação seja feito de forma doseada. 
  • O Luxemburgo é um oásis de cidade no meio de um deserto de verde. Verde. Verde. Verde. Verde verdejante. E porquê tanto verde? Vide ponto seguinte, si vous plais, 
  • O clima no Luxemburgo foi classificado pela Moody's como A +++: certinho, previsível, infalível, cumpridor, rigoroso e pouco dado a caprichos ou devaneios. Pena é que se caracterize pela chuva. Chuva tola. Em Agosto, inclusivé. Céu enublado e chuva. Hora sim, hora não. 
  • Se decidirem cantar o famoso hit da Linda de Suza "Chuva, chuvinha" preparem-se para, de repente, ouvirem os transeuntes acompanhar-vos no ritmo. Primeiro junta-se um, depois outro e, quando dão por vós, têm um coro. É fácil, fácil fazer um flash mob com música popular portuguesa no Luxemburgo. É só começar a entoar os primeiros acordes. 
  • Não é à toa que a minha amiga diz que mora na sucursal de Portugal. Não é preciso ir a um restaurante chamado "o Transmontano" para ser atendido em português. Se não pescas nada de francês e desconhecias que o Luxemburguês era uma língua, não te apoquentes. Basta começar a "parlar" com dificuldade e logo se abeira um português (ou, na pior das hipóteses, um luso-descendente) vindo do nado para te ajudar. Aconteceu-me na Oberweis (a melhor cadeia de pastelarias do grão-ducado) onde a empregada era casada com um português e lá me arranjou "uma bica curtinha". E na Chocolate Company Bonn em frente ao Grand Ducal Palace, onde se bebem os melhores chocolates quentes da cidade. Sim, quentes. Sim, no Verão. Don't ask!
  •  Não estejam convencidos que vão gozar de uma vida nocturna fascinante e intrépida. Na zona baixa da cidade- no Grund- o Scott's é o melhor bar das redondezas. Embora eu esteja convencida que aquilo não é mesmo um bar a sério. Se por um lado não assisti a ninguém a fazer figuras tristes, nem vómitos, nem bêbedos a cair para o lado, nem turistas barulhentos (ok, as miúdas de mini-saia e cai-cai numa noite em que eu estava de casaco vestido e calças eram suspeitas mas, ainda assim, nem um risinho histérico fizeram); por outro, asseguro-vos que quando de lá saí, perto das três da manhã, a casa de banho das raparigas não só não tinha fila, como estava limpa e (surpresa!) tinha papel higiénico. O júri de Portugal atribui às "toiletes" do Luxembourg un point. 
  • Para animar as hostes atrevam-se a inventar, em cada sítio que abanquem- seja bar, café, pastelaria ou esplanada- que a vossa melhor amiga faz anos. É certo que vais começar a levar pisadelas da "aniversariante" depois da 43ª vez que ouvires cantar os parabéns pelas portugueses que descobres que cercam a vossa mesa. E palminhas por todos os lados. Mas, feitas as contas, compensa os bolinhos, bombons, macarrons, chocolates ou cerveja grátis que os empregados dos respectivos estabelecimentos oferecem à "bebé da mesa". 
  • Se, no entanto, alguém fizer mesmo anos, lembrem-se que as boas maneiras são universais. E especialmente apreciadas num país de rating A+++. Portanto, evitem dar barraca. E lembrem-se que no Luxemburgo o big brother is not only watching you: he is also listening you. 
  • Depois de jogarem bowling, ir ao Grund e assistirem a um fabuloso entardecer, regado a mojitos, com vista para a cidade no terraço do Sofitel, lembrem-se que no Luxemburgo há tempo. As lojas fecham às 18h e os supermercados maiores às 20h, pelo que, há tempo para a família e para se estar sem pressas nem correrias. Repesquem as vossas tradições, gozem o luxo dos minutos a passar devagar. 
  • Vianden é a cidade mais catita do Luxemburgo. Visitem o castelo e, com sorte, poderão chegar num dia de Feira Medieval. Um festival com pessoas vestidas a rigor e sem All Stars por debaixo dos brocados medievais, com músicas tocadas com instrumentos à antiga, sem barracas de churros, com o lixo deitado nos caixotes do lixo, flores às janelas e nos postes e sem carteiristas a aproveitarem-se da confusão. Ah, espera lá, se calhar é porque não há mesmo confusão. Imperdível. 
  • Ainda em Vianden não se pode dispensar uma volta no teleférico que sobe uma encosta escarpada. Certifiquem-se que não se armam em fortes nem arriscam em viajar no dito cujo sozinhos. É que o bicho é apenas seguro por um mísero ferrinho. Não se armem em tontas nem agarrem as vossas malas como se estivessem em pânico nem escancarem as pernas se estiverem de vestido. Caso contrário arriscam-se a ter que desembolsar 6 € pela fotografia exposta no final do percurso ascendente, para evitarem ouvir as gargalhadas de quem vos vê retratadas de perna aberta, descabeladas e com um ar de absoluto  terror. 
  • As margaritas da cadeia de restaurantes mexicanos Chi Chi's batem as do "La Siesta" de Algés aos pontos. Restaurante mexicano no Luxemburgo? Pois sim, mon amours. Ainda bem que tínhamos connosco um muçulmano para servir de alibi e não podermos ir degustar o famoso porco luxemburguês. Rrrrrrrr.
  • Aluguem um carro. Perdam-se no Vale dos 7 castelos e descubram cidades luxemburguesas catitas. Desçam pelas margens do rio Mosel e bebam um copo de vinho branco numa das adegas circundantes. Uma das vantagens deste pequeno e minúsculo grão ducado é estar a meia-hora de tudo: Metz em França, Trier na Alemanha e Arlon na Bélgica. Não levem GPS nem tracem rotas nem planos. Percam-se literalmente  (e não se preocupem porque o preço do combustível é assustadoramente baixo). 
  • O Jardim das borboletas é um spot interessante. Não me lembro em que cidade fica mas estou certa que fica a menos de meia-hora do centro do Luxemburgo, caso contrário seria noutro país. Existem largas dezenas de espécies de borboletas coloridas e esvoaçantes numa estufa (dizem eles, que eu cá senti-me em casa) com um cenário mignon. Dá ouvidos aos teus amigos que não te querem acompanhar na visita quando dizem que as borboletas são só traças travestidas (não aches que é pirraça ou que têm borboletófobia). Acredita mesmo porque isso poupa-te o desgosto de veres as ditas cujas de asas fechadas, castanhas e feinhas que dói. 
  • Se sentires tédio compra o jornal "Contacto" e delicia-te com as notícias da comunidade portuguesa...
  • A Schueberfour é a feira popular do Luxemburgo e acontece durante três semanas. Começa em Agosto e é bom para matarmos saudades dos carrocéis, carrinhos de choque, rodas gigantes e muitas e muitas barraquinhas de coisas calóricas para se comer. Evitem, mais uma vez, as coisas terminadas em wurst.
  • As luxemburguesas não existem. Nem os luxemburgueses. É mito urbano. O Luxemburgo é país mais colonizado de sempre pelos portugueses. Sintam-se em casa. 
  • O Luxemburgo, como aliás qualquer outra cidade, visita-se melhor na companhia de alguém que lá viva. Atrevam-se a cravar hospedagem a amigos que emigraram para um país calmo, com um bom nível de vida, conforto e tempo. Muito tempo. E usufruam-no com eles. .Porque isso é o verdadeiro Luxo. Lux (emburgo).

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

PROGRAMA QUADRIPOLAR | Bélgica

  • Não há lowcosts a operar de Lisboa para o Luxemburgo. É certo que o Luxemburgo não é um destino turístico por excelência e também é certo que o salário mínimo no Luxemburgo são 1700€, mais coisa menos coisa, mas há todo um turismo emigrantês que seria beneficiado com uma lowcost entre as capitais dos dois países. Posto isto, reservar a viagem na TAP é uma solução mas, aproveitando a localização do petit país, ir directo a Bruxelas é recomendado . 
  • Não se enganem os fregueses que apregoam que "na TAP é que é". Na TAP é que foi uma "sande de mixórdia" a escaldar como almocinho a bordo, acompanhada por uma sobremesa elaboradíssima composta por maçã descascada e embalada. E na TAP é que foi só poder despachar um volume por pessoa como bagagem de porão. Tirem as V. conclusões...
  • Convém levar ténis para fazer exercício no Aeroporto de Bruxelas. Diz que se andam quilómetros lá dentro até se chegar aos tapetes de bagagem (e isto não é uma hipérbole, que nós estávamos, literalmente, com os bofes de fora). A vantagem é que, chegadas perto dos tapetes, as nossas malas já esperavam por nós naquele rolamento sem fim. Uma miragem no fim do deserto!
  • Bélgica não é um destino exótico. Mas isso não implica que não devamos ir prevenidos com Imodium Rapid. Experimentem, logo assim no primeiro dia e de rajada, provar bolachas belgas recheadas com mel, gauffres, chocolates belgas, trufas, mules e, claro, as belas e tradicionais frites. Tudo a macerar no belo do estômago. Melhor, mas mesmo melhor efeito fará se V. Exas. forem desprovidos de vesícula biliar (fatalidade que me assiste). Logo me contam se não vale a pena serem gozadas pelas amigas quando sacarem da caixinha dos remédios "à lá velha" de dentro da mala.
  • Evitem ir ao Steak Frit' situado no Marché Au Poisson Vismarkt depois de uma gastroentritezinha. É que é doloroso ficar a ver os amigos a deliciarem-se com os melhores bifes da cidade enquanto se petisca saladinha. 
  • Bruges fica a uma hora de Bruxelas de comboio e vale a pena visitar. Lembrei-me da Maria vezes sem fim. A estação não fica propriamente no centro da cidade (ou então fomos nós que nos perdemos, já não sei bem...), pelo que, não andar a passear trolleys que nem animais de estimação é também recomendado. Diz que na estação há uns cacifos jeitosos, é aproveitar. 
  • Almoçámos num restaurante italiano simpático mesmo nas margens do canal. Com um jardim interior lindíssimo. Se o descobrirem enviem-me a morada, pois chegámos lá por acaso e não trouxemos factura. Ah, e não façam esse ar "Han, restaurante italiano em Bruges?"! Pois, pois, depois de uns dias na Bélgica contem-me se aguentariam mais frites, meus senhores!
  • De volta a Bruxelas, em Agosto é não perder o Brussels Summer Festival que está a ocorrer neste momento. Um Festival de Verão onde não falta nada:  banquinhas de comidas, de artesanato local, roulottes de churros, palcos e un, deux, trois, experience. Ah, espera, falta Verão, é verdade...
  • Evitar pedir qualquer prato que termine em wurst, embora se esteja na Bélgica. Por outro lado, não ter pudor em pedir uma cervejinha ao calhas porque os alemães é que têm a fama mas os belgas é que têm o proveito- são todas soberbas. 
  •  O Museu Magritte vale a pena. É pequeno e bem organizado. O bilhete custa apenas 8 €. Eu adoro Magritte, portanto, sou suspeita. A loja do museu não é muito criativa (volta loja do Reina Sofia que estás perdoada!) mas a cafetaria tem uma vista gira. Spolier: o quadro do "ceci n'est pas une pipe" não está lá, portanto, não vale a pena acreditar que é na última sala que os senhores expõem o dito, porque não é. Cabrões!
  • O menino a fazer xixi é uma estátua minúscula numa esquina, não se iludam E está demodé. Não se pendurem para tirar "I love PN" pictures sob pena da polícia vos ir fazer uma cara pouco amigável. Procurem pela menina a fazer xixi. Bem mais gira!
  • Chegados à Grand Place olhem para o cimo de cada edifício. Encontrarão representados vários ofícios que ajudaram à reconstrução do sítio depois dos espanhóis destruírem aquela coisa toda. De frente, o edifício grande é o governo civil daquele bairro e é comum verem-se lá casais vestidos de noivos a acenar à varanda, que assim concretizam os seus minutos de fama à lá Evita. 
  • Ainda na Grand Place não empatem dinheiro no Museu da Cerveja que por lá se encontra. Pequeno, sem graça e caro. Uma banhada. Podem sempre roubar uma caneca no fim, para não se sentirem tão enganados. Não é que resolva a sensação de perda de tempo e de dinheiro, mas alivia o ressabiamento. 
  • Ao saírem de Bruxelas em direcção ao Luxemburgo de comboio o bom é comprar bilhete de ida e volta, ainda que não voltem. Custa 30€. Já se for só ida ou só volta custa 35€. Confusos? Pois..
  • Se puderem parar em Orval não se irão arrepender. Não é todos os dias que se bebe cerveja trapista servida pelos próprios monges que a produzem. 
  • Ao passarem por Arlon não sejam tontos e não comecem a cantarolar em uníssono com as vossas amigas um "Arlooooon, is it me you're looking fon". A sério, só tem graça para vocês mesmo. O resto dos passageiros do comboio não têm capacidade de alcançar a piada subjacente à coisa. Alguns podem, até, pedir ao picas que vos alerte de mansinho num jeito muito belga. Humpft! 
  • Se forem nesta altura estejam preparados para um clima temperamental e surpreendente. Ora faz chuva, ora está enublado, ora uma nesguinha de sol, ora lá se foi a nesguinha e chove outra vez. Uma alegria para quem teme o cancro da pele. Ou está com afrontamentos.
  • As belgas não são boas, nem giras nem especialmente vistosas. Os belgas também não mas são criativos a vestir-se e têm pinta. Por isso, minhas amigas, tenho-vos a dizer que o sangue latino é altamente apreciado por aqueles lados. E mais não digo. 
  • Bruxelas, como aliás qualquer outra cidade, visita-se melhor na companhia de alguém que lá viva. Atrevam-se a conhecer gente nova. Ainda que se chamem Marianne Inês e tenham um português com uma pronúncia de "Alô alô" charmosa, charmosa, ao ponto de me fazer inveja. 

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Baby CSI

Cenário: Festa de anos da sobrinha Catarininha. Pólo Norte e sua amiga Catarina ( a Sénior) retiram-se, de mansinho, para o quarto da aniversariante com o pretexto de lhe irem mudar a fralda. Chegas ao quarto:

Pólo Norte- Creeedooo! O meu instinto maternal baixou drasticamente esta tarde.
Catarina- Já viste aquela outra bebé na sala tão feiosa? Porra, não era suposto não haver bebés com pencas grandes? Tão pequenina e tão feia, pá... Não tem ponta por onde se lhe pegue.
Pólo Norte- Yep, tem mesmo o "nariz à boca de sino" a pobre da criancinha. Mas também não há milagres, né? Viste a fronha da mãe? Me-do.
Catarina- Porra, não deve nada à beleza mesmo. Feia que dói. Coitadinha da criança e da puta da genética que teve o azar de herdar.
Pólo Norte (virando-se, sussurrando e ficando pálida)- Catariiiiina, o intercomunicador só detecta vozes de bebés, ceeerto?
Catarina (olhando para o objecto com a luzinha verde acesa e quase em surdina)- Aaaaaaiiiiiiiiiii...


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