quinta-feira, 31 de maio de 2012

Aos 31 de Maio de 2012 (carta à Ana que aí vem)

Querida Ana, 

Ainda ontem era eu a menina, a fazer bolinhos de farinha no quintal da minha avó, a fazer castelos de areia na praia da Conceição, a dar mergulhos no mar como quem sorve o Mundo e hoje és tu quem recebe o testemunho, o meu testemunho, fruto de uma correria louca, apressada, cheia de percalços. Uma prova de estafetas corrida a dois entre mim e o teu pai que, caso ainda não tenhas percebido, já é o melhor do Mundo. Não precisas de me agradecer. Sei o quão isso vai ser importante e estrutural para ti. 
Mexes-te muito dentro de mim como um planeta que gira num movimento de rotação, a somar horas, dias, semanas e meses. Tempo de vida. Da tua vida, prestes a conhecer o sol. 
Talvez por isso sinta que carrego em mim o Mundo, com um orgulho envergonhado, uma espécie de segredo bem guardado, de super poder de herói da banda desenhada, afinal, não inventei a gravidez, não é nada de novo mas enfim, é a minha e por isso especial e única. Porque és tu e só tu quem cá está dentro. 
Não falta muito para que faças o teu movimento de translação, minha estrela, minha lua, meu planeta. E que procures a luz, o sol, um pouco mais de sol, neste Verão que coroarás como sendo teu. 
Estou ansiosa por te (re)conhecer, por te mostrar o Mundo cá fora, o sol, o oxigénio, o som dos sorrisos e o calor de um abraço. Por dizer que esse (este?) sopro no coração não é mais que o vento das emoções que depressa reconhecerás. Goza a corrente de ar!
Estou ansiosa por comprar farinha para fazeres os teus próprios bolinhos no quintal da tua avó, por te levar em braços a conhecer o mar, Cascais que é tão nosso, os Açores que também serão teus. 
E sei que nesse dia, minha estrela, minha lua, meu planeta seremos os três uma constelação completa em movimento e rotação. E tudo vai correr bem. Porque teremos muita, tanta, imensa luz do Sol.

Um beijinho da tua mãe

Dicas de beleza da Pólo Norte: "Como sacar uma cirurgia ao peito de borla?"

Ontem foi dia de ortopedista. As muitas semanas Os muitos meses de gravidez já se acusam nas cruzes e tem-me doído a coluna que se farta. 

Médico:  "Olhe, aguente!"

Olhar quadripolar nº 1. 

Médico: "Sempre pode tomar um Benuron, se quiser!"

O tipo não estava  aperceber bem: eu não tenho conseguido arranjar posição para dormir sem me doer horrores as costas. Sai olhar quadripolar nº 2. 

Médico: "Bem, talvez lhe possa receitar uma cinta própria para grávidas com lomboestato."

Olhar quadripolar nº 3: o cabrão não percebe que preciso de droga que me faça passar as dores tipo... já?!

Médico: "Oh menina, posso mandar fazer-lhe uma TAC, que diz?"

Digo que estou grávida e que não é um procedimento que seja recomendado nesta fase da minha gravidez. Saco do olhar nº4: o derradeiro. 

Médico: "Ah, é verdade! Como está sentada nem me lembrei! Então fazemos assim: entretanto, faz umas sessões de fisioterapia e depois de ter a bebé volta cá e avaliamos uma redução de peito para sobrecarregar menos a sua coluna. Olhe, é da forma que pode amamentar à vontade que se o seu peito descair os meus colegas põe-lhe tudo no sítio!"

Deixei de fazer olhares. Não tarda muito sacava uma cadeira de rodas eléctrica "no entretanto", um peelling facial e um implante capilar.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Não há outro amor na vida?

Culpada com a história das cerejas e confrontada com um desabafo recente em que eu dizia que me andava a apetecer taaaanto comer caracóis, a minha mãe penitenciou-se.

Não precisava era de se ter arranhado toda a apanhá-los!

sábado, 26 de maio de 2012

A casa da avó

A minha avó morreu há 5 meses e 5 dias. 
Desde esse dia que não voltava a casa dela, entretanto herdada pela minha mãe. 
Vivi 25 anos naquela casa, que já foi a minha casa, a casa dos meus avós e, depois da morte do meu avô, a casa da minha avó. 
Desde o dia em que a minha avó morreu- nesse dia em que em choque entrei de rompante pela sala e a cadeira de rodas não estava ali, no sítio de sempre, no lado esquerdo da sala, perto da janela- que nunca mais lá voltei. Não estava a cadeira no sítio, não estava a minha avó na cadeira - ah. outrora a minha avó a andar pela casa toda, de um lado para o outro- não estava voz dela a ecoar pela casa, o sorriso à minha espera assim que eu entrava pela porta, não estava a pronúncia minhota, a televisão como dama de companhia, os olhos fechados a fazerem a soneca da tarde, o cheiro da minha avó. 
Não estava lá nada nesse dia. Só o bafio da morte e o vazio de paredes que continuavam iguaizinhas- o relógio de parede, maldito, continuava com corda, desprezando que o tempo mudava naquele dia para sempre- mas, agora, a casa estava descaracterizada de vida, da vida da minha avó. 
Desde há 5 meses e 5 dias que não passava o portão do quintal da minha avó. Não me interrogava como estariam os jarros, se a nespereira estaria em flor, se o relógio de parede finalmente teria sido retirado, se o cheiro a morte e a vazio teria amenizado. A casa da minha avó já não era a casa da minha avó e eu não queria lá voltar.
Voltei hoje. O portão tem chave nova, a caixa do correio foi mudada, os jarros estão em flor. O quintal onde tantas vezes brinquei espera novas corridas, vazio de gente e cheio de sol, o poço lá está. Subi a rampa e respirei fundo. Tinha a garganta feita num nó de marinheiro. 
A minha mãe pintou-lhe as paredes, fez-lhe obras e mudou-lhe os móveis. Descaracterizou a casa do passado e projectou-a num futuro. Diz que, agora, é altura daquela ser a casa da avó da minha filha, da avó  da Ana. 
Eu trouxe comigo o relógio de parede para minha casa, sinal dos tempos que mudaram e testemunho do tic-tac que embalou durante anos a minha avó até ao sono profundo e final. Trouxe um bocadinho da casa da minha avó para dentro da minha. 
E dei-lhe corda novamente, enfim. 

Solta-se o beijo?

Se mámen não se cagou sujou todo a pintar o quarto da filha e tendo em conta o cabelo do bicho que se passeia nesta casa, cheira-me que, neste momento, tenho o João Gil na divisão do lado. 

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sexta-feira, 25 de maio de 2012

Festinhas no ego fazem tão bem!

Mámen rula! # 2

Toda a vida adormeci de barriga para baixo. É a posição mais confortável para mim.
Pensei que, com a gravidez, iria ter um problema em encontrar posição para adormecer. Deu-se o caso de que continuo a adormecer de barriga para baixo e sem desconforto.
Tenho andado satisfeita com esse facto, ainda que mámen olhe para mim de ladex há meses, embora não tenha coragem de me chamar a atenção a esse respeito.
Até ontem.
Assim que me viu a adormecer, não resistiu e soltou um grito como aqueles que se dá nos concertos de heavy metal:

"Moche à fiiiiilha!"

...

Honestidade: definição (com um cheirinho açoriano)

Ok, felicidade não é apenas um punhado de cerejas.

Felicidade meeesmo, com "F" maiúsculo é isto:


Cerejas + Chá verde Gorreana gelado + massa sovada + queijo Terra Nostra

Felicidade: definição

Elas dizem paz, sol, açúcar, alegria, chocolate, abraços, pais, filhos comida, xixizar, viajar, sexo, viver, rir...

Eu digo:

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Os meus leitores podem não ser melhores que os vossos mas terão certamente um sentido de humor mais peculiar! # 3


Daqui

Marcos na vida de uma mulher

O dia em que vamos à escola pela primeira vez.
O dia em que a mãe nos dá uma chave de casa.
O dia em que compramos a primeira mala a tira-colo.
O dia em que passamos a usar soutien.
O dia em que usamos sapatos com salto pela primeira vez.
O dia do primeiro shot com álcool numa discoteca.
O dia em que começamos a tomar a pílula.
O dia em que encaixotamos a nossa vida da casa dos nossos pais.
O dia em que recebemos um aliança para o dedo anelar.

E, finalmente:

O dia em que percebemos que não precisamos assim tanto de um escritório. E este dá lugar a um quarto de bebé.

Boa esposa

Sabes que estás a ficar uma esposa exímia quando o melhor momento do teu dia é quando ele chega a casa.










Ok,admito:  trazendo um Kg de cerejas.

Poema ao fármaco # 2

"Agiolax lindo, que me receitaram
Até para enfeitar bolo te usaram
Bateste à porta do senhor castanho
Mas este mandou-te ao cão ir dar banho
"Tome isto que é milagroso!"
mas não actuaste sobre o intestino grosso
Continuei a sofrer de gravidó-obstipação
E contribuíste para o aumento do barrigão
Nem cereais com fibras ou sementes de linhaça
Nada de nada já me acagaça!
Já esgotei kiwis, ameixas e variada fruta
Agiolax: és um fármaco filho da puta!"

(Poema dedicado à Dra. Margarida que me tirou um peso, não de cima, mas de dentro)

Os leitores deste blog são melhores que os dos vossos #6

... entre aqueles que estão desejosos que a Pólo Norte desove para não terem que ler mais baby posts e os  que vão ter saudades desta fase da ursa.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Misssstério da meia noitchi: pergunta para queijinho

Comer que nem uma lontra + estar de baixa e em casa a descansar muuuito + ter obstipação + a bebé ser de raça minorca =  aumento de apenas 300 gramas de Pólo Norte num mês.

Questão: PARA ONDE RAIOS ESTÃO A IR AS CALORIAS???

Eu sabia que não deveria ter ensinado a minha mãe a mexer na internet

Estou morta de medo que ela google e vá dar de caras com isto. É que estou feita ao bife! Feitinha...


Útero dos segredos

Mámen lê tudo e mais alguma coisa sobre bebés e desenvolvimento intra-uterino.
Ontem percebeu que, esta é a semana em que a bebé já ouve praticamente tudo lá dentro e reconhece a minha voz.
Não querendo ficar para trás, ontem à noite comunicou-me que agora todos os dias de manhã irá cumprimentar a filha, encostando a boca à minha barriga e falando com ela, de forma à pequena fazer associação da voz dele (Pavlov explica) e também a reconhecê-la.

Hoje de manhã, expectante, esperei pelas suas primeiras palavras directamente dirigidas à filha.

Talvez inspirado na Casa dos Segredos, saiu-lhe um: "ESTA É A VOZ!"

...

terça-feira, 22 de maio de 2012

Mámen rula!

Durante uns tempos da minha gravidez estava proibida de praticar o sexo louco e desenfreado.
Hoje, ao partilhar isso com uma amiga grávida, o marido desta vira-se para mámen e pergunta-lhe como é ele se aguentou à bronca.

Resposta de mámen: "A mão e água".


(Priceless.)

E agora, o que estás a fazer, Pólo Norte?

Surpreendam-se: "O que estás a fazer agora, Pólo Norte?"



Toma lá morangos!

Não era bem desejo, que isso é frescura, mas vai que me apetecia comer cerejas.

A mãe foi ao supermercado e ligou-me: "Pólo Norte, o Kg de cerejas está pelos olhos da cara. Mais vale sustentar um burro a pão-de-ló. Levo-te morangos e não digas que vais daqui..."

Tentei com mámen: "Pólo Norte, a 4 € o Kg? Esquece lá isso. Vai cagar à mata! Por esse preço levo-te 4 Kg de morangos...."

Tia (como último reduto): "Sabes, as cerejas não são um alimento recomendado para o bebé. O quê? Ainda não leste sobre isso na net? Procura lá bem!"

À noite, vem mãe e tios jantar cá a casa. Na cozinha oiço tia e mámen a sussurrar:

Mámen: "As cerejas fazem mal ao bebé?"

Tia: "Sei lá, mas àquele preço faziam-me mal a mim de certeza! Mas, olha, trouxe-lhe morangos..."

...

Primeiro dia da semana II de baixa oficialmente em casa: estabelecer prioridades

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Partilhando, em primeira mão, com todos os leitores deste blog: a última eco da baby bear!

Aqui.

Mámen volta ao trabalho após uns dias de assistência à família: telefonema nº 3

Mámen- Alô! Então, a miúda já torceu?

Pólo Norte- Ahn? Não percebi.

Mámen-Depois de centrifugar, torce, não é?



(Mámen- 1 Pólo Norte- 0)

Lady gaga ou como se rebate teorias de um especialista

Não sei se já aqui disse mas mámen é psicólogo infantil. 
Entre todas as teorias que temos debatido nesta fase pré bebé nascer, a última teve que ver com o co-sleeping. O homem defende o co-sleeping e eu defendo o sleeping no quarto dela, que está a ficar um mimo. 


Mámen- Mas porquê é que não podemos praticar co-sleeping? Vá, dá-me um argumento de peso!

Pólo Norte- Tu ressonas e eu não quero uma filha gaga.




(Pólo Norte-1 Mámen- 0)

Mámen volta ao trabalho após uns dias de assistência à família: telefonema nº 2

Mámen- Não estou a ligar para saber de ti, ó insensível! Queria só saber como se está a portar hoje a minha filha?

Pólo Norte (com a bebé a mexer imenso dentro da barriga)- Neste momento está em centrifugação!





(Já não volta a ligar, vale uma aposta?)

Mámen volta ao trabalho após uns dias de assistência à família: telefonema nº 1

Mámen- Então, estás bem?

Pólo Norte- Sim, saiste de casa há  meia hora. Estou bem.

Mámen- Então, e o que fizeste entretanto?

Pólo Norte (ligando-se à Internet)- Tornei funcionais as orelhas da tua filha. Desenvolvi-lhe a orelha interna e dotei-a de equilíbrio. Tornei operacionais as suas papilas gustativas. Queres que continue?

domingo, 20 de maio de 2012

Gravidez e Sporting: descubra as diferenças

A gravidez está para mim como o Sporting para mámen: ambos nos provocam azia.

Pólos (literalmente pólos) opostos atraem-se

Mámen é o homem que, sempre que vamos a Londres, reserva um dia inteiro para ver em detallhe 1 (uma!!!) ala do British Museum. 
Ultimamente, não nos chateamos quando viajamos para qualquer capital do Mundo: nesse dia, ele vê os museus dele e eu enfio-me em mercados de rua, ruas cheias de gente e lojas trash. No fim do dia, felizes os dois, sem que nenhum tenha feito frete, trocamos experiências. Resultado: ele é o tipo mais culto que eu alguma vez conheci e eu... 
Bem, eu tenho um blog chamado "Quadripolaridades".

Agradeço ao senhor presidente da Junta...



... que, sem pretexto aparente, mandou fazer um concerto na praceta da minha mãe, para que a ursa não se mace e se divirta na mesma sem sair de casa, nomeadamente, com a análise sociológica das espécies.

Alcabideche a cidade: JÁ!

sábado, 19 de maio de 2012

Big daddy is watching you

A filha adolescente dos nossos vizinhos está interdita de namorar em casa. O que significa que, todos os dias à noite, temos um belíssimo espectáculo de preliminares dentro do carro do namorado, invariavelmente estacionado no centro da praceta. 

Mámen- Quando a nossa filha for adolescente iremos preferir que ela namore dentro de nossa casa do que assim à vista de todos, certo?

Pólo Norte- Yep.

Mámen- Mas só na sala e ao pé de nós, ok?!

Pólo Norte- Por amor de Deus! Em que século é que vives?! Eu vou deixá-la namorar, beijar e dar os amassos todos que lhe apetecer e onde lhe apetecer.

Mámen (chocado)- No quarto dela?

Pólo Norte- Opá, onde lhe apetecer! Prefiro que se resguarde do que faça daqueles filmes lá de fora...

Mámen em silêncio e com um ar angustiado. 

Pólo Norte- Em que é que estás a pensar?

Mámen (suspirando)- Que temos que investir umas boas coroas nuns intercomunicadores que durem, pelo menos, 18 anos...

Cascais. Sábado de manhã.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Lençol da pureza

Mãe: Tinha os lençóis da minha noite de núpcias que só usei naquele dia, lindos que só eles, em bordado da Madeira. Mandei a tua tia cortar e fazer uns lençóis à medida para o berço da bebé.

Pólo Norte (torcendo o nariz): Lençóis da tua noite de núpcias?

Mãe: Sim.

Pólo Norte em silêncio.

Continua em silêncio.

Mais silêncio.

Mãe (com ar indignado): Epá, eu lavei-os na altura e voltei a lavá-los agora, OK?

Como amolecer uma ursa?- Exemplo 4

"Olá Pólo
Já há algum tempo que te estava para escrever. Até que no inicio deste semana desapareceste e o meu coração começou com palpitações por não ter noticias tuas.
Quando anunciaste ao mundo a boa nova fiquei incrédula por minutos. A ursa cabra insensível ia ser mummy! Depois fiquei eufórica e aos saltos pela casa a contar ao G e à M que afinal os seres quadripolares também podem ser mães e ficarem felizes por isso. O mundo não estava perdido.
Da gravidez da M quando descobri fiquei em choque. Eu uma arisca e fria de primeira que fazia o que me dava na real gana estava grávida. Ia deixar de ser filha para passar a ser mãe. Não sabia se o cria ser. Se queria deixar de ser a protegida para ser a protectora. Depois com o passar dos dias, dos meses algo novo nasceu em mim. Trazia o somatório do amor maior de 2 pessoas dentro de mim. Era uma privilegiada por isso. E compreendi que a incredulidade e insegurança do inicio se devia ao medo e não à insensibilidade ou "cabrice" de minha parte. Estava com medo de não estar à altura, de não a amar como deve ser o amor de mãe para filha. Um amor incondicional que nada nem ninguém poderá alterar. Aprendi a gostar de uma maneira diferente e sobre-natural. vivi uma gravidez descomplexada, livre e sem sintomas (felizmente) e aos 8 meses estava farta da barriga. a curiosidade de a conhecer e ver o ser que amava e ainda não tinha nascido era enorme e ja não aguentava!
Quando nasceu não tive o click. Não senti o que se os filmes nos ensinam ou nos fazem crer. Não houve um amor maior. apenas houve amor, curiosidade. Uma curiosidade igual a um animal irracional. Vi a minha cadela a ter crias, ajudei-a a parir 8 filhotes e a cada um que nascia o olhar dela mostrava não amor mas curiosidade, ver quem era aquele ser que saia de centro dela e que se mexia, tinha vida própria. Eu fiquei assim, parva de boca aberta a ver as mão a mexer, depois os pés, a ouvir o miado baixinho do seu choro no colo do pai, senti-la vir para os meus braços, senti-la a procurar o meu cheiro e a sentir a voz a ir quando finalmente sentiu o colo da mãe. Nessa altura éramos outra vez uma só. Era nos meus braços que ela encontrou o seu mundo, o seu lugar seguro, o seu porto-de-abrigo. como tu disseste bem. "it's all about Matilde" no meu caso.
Hoje passado quase 3 anos continuo a ter os mesmo desvarios que tinha antes, continuo a sair e divertir-me (apesar de menos frequente), continuo a ter tempo para os amigos. Se a vida muda? Muda muito para melhor porque sabemos que ao fim do dia mesmo que o dia tenha sido de cão, no final do dia aquela mão pequenina a afagar-nos a cara, a pedir leite e mimo compensa tudo. E ai arrependemos-nos de as vezes desejarmos ser livres novamente, arrependemos-nos de ter desejado que o nosso coração voltasse a bater dentro do nosso peito e não numa criatura de meio metro, arrependemos-nos das palmadas e das palavras mal ditas que dissemos anteriormente, mas nunca, em momento algum nos arrependemos de ser mães.
Eu sei que não sou a melhor mãe do Mundo. Esse titulo pertence ex-aequo à minha mãe e à minha avó que apesar de ter partido está mais presente do que nunca. Mas sei que sou a 2ª. E sei que tu também será 2ª (tb sei que a tua mãe e avó estão em primeiro no teu ranking). mas é isso que interessa. que nós e as nossas crias nos achem o máximo.
Fico feliz que agora já estejas em casa. Que aproveites este tempo para curtir a gravidez ao máximo e que segures a ana no calor de um ventre polar durante mais uns tempos porque ela merece e tu também.
Agora a novidade! Porque também a há. eu de tanto falar na tua gravidez, comecei com sonos, enjoos, vómitos e 30 por uma linha. Eu já comentava que andava com uma gravidez psicológica por ler as tuas aventuras maternas... afinal de psicológico não teve nada! Carrego uma cria dentro de mim com 9 semanas. E se da Matilde foi tudo uma maravilha, este está a dar-me agua pelas barbas. Mas eu até nem levo a mal pois 2012 será o ano dos babes quadripolares!
Beijões enormes e continua a ser tu mesma porque és especial.
Ziza
PS: e já agora para o teu "iormen" não podia ser melhor escolhido. Parabéns aos 2 pela maravilhosa Ana que aí vem. E sim Ana é um nome lindo e intemporal. A minha escolha só não recaiu nessa opção porque a minha sogra é Ana e eu não queria nomes iguais na família, ou então tinha de por o nome das 2 avós e saia um Ana Maria ou Maria Ana, coisa que eu abomino (2 nomes)."
 
Um beijo enorme, gigante, intercontinental para a minha Ziza.

Primeiro dia de baixa oficalmente em casa: estabelecer prioridades

Planos para o dia:

1- Sair da cama e fazer um sprint até ao sofá
2- Fazer reclamações para todos os sítios que me lembre e para os quais não tenha feito por falta de tempo
3- Fazer uma cura de sono
4- Enfiar os dedos nas tomadas cá de casa
5- Bimbar doces até à exaustão para ver se a miúda engorda
6- Avacalhar no facebook dos programas do Goucha e a da Fátima Lopes
7- Recolher informação sobre patologias sociológicas assistindo ao TLC
8- Fazer exercício de braços com a Wii
9- Dobrar pela milésima vez, de forma autista, a roupa da miúda
10- Enfiar os dedos nas tomadas cá de casa
11- Ir fazer topless para a varanda e contar o número de acidentes
12- Atirar balões de água da varanda
13- Arrumar o meu guarda-fatos e fazer uma limpeza à roupa que já não uso
14- Ler um livro de enfiada
15- Enfiar os dedos nas tomadas cá de casa
16- Blogar

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Ora beinhe...

Estar deitadinha no leito do amor e, de repente, o coração começar a bombar. A bombar milhões, literalmente. Uma espécie de arritmia no plural (juro que sentia o meu coração e o da baby bear). Ok, eu já tinha tido arritmia muitas vezes naquele leito do amor mas desta vez não estava a ter uma sessão de sexo louco e desenfreado. Bolas, será que me ia dar uma "trombose"? Qual AVC, qual quê? Estava a ter o princípio de uma trom-bo-se daquelas à antiga, era certo...
Enquanto mámen ligava para a linha Saúde24 (recomendo a toda a gente!) tinha em perspectiva as recomendações que tinha deixado à minha mãe, à Xana e à Catarina, no caso de eu quinar. Fiquei arrependida de não ter colocado as coisas por escrito, que a minha mãe e a Catarina são meio despistadas e a Xana teve duas gravidez no espaço de um ano e meio, o que deixa qualquer uma "avariadinha dos nervos". 
Recapitulando: se mámen quiser voltar para os Açores, impedi-lo de levar para lá a minha filha; não deixar a mãe de mámen dar muitos palpites na educação da miúda nem furar-lhes as orelhas e espetar-lhe argolas de ouro à nascença, não deixar a minha mãe estragar a miúda com mimos nem ceder a comprar-lhe coisas da Hello Kitty, supervisionar que mámen arranje uma nova companheira rapidamente mas que a minha filha nunca a chame de "mãe", essa alminha ter que ser aprovada pelas minhas amigas e, especialmente, falarem sempre de mim à minha filha com uma aura de "diva", omitindo todos os meus podres e que são muitos. Ah, e garantir que, aconteça o que acontecer, a miúda nunca irá ler livros da Margarida Rebelo Pinto nem virá a ser adepta do Benfica!
Pronto, hipocondrias à parte, a verdade é que  desde que soube que estava grávida que comecei a pensar na minha própria morte sob outra perspectiva. Agora não me dava jeito nenhum quinar, que vou ter uma filha para criar e estou feliz. 
Portanto, depois de mámen ter sido aconselhado a levar-me às urgências, descobri o maravilhoso mundo das cadeiras reclináveis e do som reconfortante do CTG. A miúda estava bem, a mãe é que tinha a tensão um "bocadinho" alterada. 
Em boa verdade, desde que soube que estava grávida fiz uma viagem a Nova Iorque, tive perda de sangue que se traduziu numa ameaça de aborto, trabalhei mais de 10 horas por dia durante semanas a fio, vomitei este Mundo e o outro, interrompi reuniões com clientes para vomitar mais, ministrei sessões infindas de coaching de equipas a empurrar a barriguita, tive duas infecções urinárias, entrevistei centenas de pessoas, fiz dois exames de rastreio genético que me deixaram ansiosa, fiz de guia turística para amigos emigrantes, engordei apenas 2 Kg e pouco, enfim, acho que só não fui dar beijinhos a todas as feiras e mercados municipais do país porque ainda não calhou ter-me candidatado a um cargo político. Ok, sou hiperactiva, já que o outro se chibou ali em baixo, assumo-o aqui. 
Na prática, entendi que a gravidez deveria acompanhar a minha vida normal em vez de perceber que a minha vida teria que se ajustar a uma gravidez. Erro crasso, não batam mais na ceguinha, já percebi!
A culpa é da minha família onde "a tua tia trabalhou até ao dia em que pariu a tua prima e ainda fez horas extra na fábrica porque estavam com um pico de trabalho" e " a tua bisavó pariu o teu avô no campo, enquanto debulhava milho, cortou o cordão umbilical com os dentes, embrulhou-o numa mantinha e quando o teu bisavô chegou a casa para almoçar já ela lá estava com o menino e o almoço na mesa!". Sou uma dondoca, é oficial!
Quando me diziam que as minhas prioridades iriam mudar, eu acenava com a cabeça e não ligava. Mas mudam, mesmo! Neste momento, a única coisa que quero é que a Ana nasça bem, forte e saudável. Feliz, de preferência. E, embora tenha sempre confiado no ADN (eu e mámen somos uns fixes mesmo!) sinto que tenho que contribuir. Que tenho que parar de viver a minha vida grávida e aproveitar para viver a minha gravidez vivida! Com tempo, calma, sol, sonos em dia, músculos relaxados e sorrisos. Sem compromissos, outlooks, mails de clientes, chamadas e telefones sempre a tocar e stress. O futuro, o negócio, a carreira são importantes, com certeza. Mas a minha filha e a minha família estão acima de tudo isso.
O futuro é a Ana, não as propostas, o CRM, as reuniões, a facturação. Se eu estiver feliz na minha vida pessoal, tudo o resto se ajustará. O contrário não se verifica e eu já experenciei isso. 
Portanto, é hora de viver a minha gravidez e preparar a minha maternidade. Por mim, pelo mámen e pela família que a Ana irá cimentar.
Pela felicidade com que quero que ela nasça. 
Porque, para ser honesta, "it's all about Ana". 

Ursa "in da ause"

Aqui me apresento: Pólo Norte, muito gosto, recentemente canonizada "Nossa Senhora das Dores".

Querem um relato da minha vida nos últimos dias ou basta dizer-vos que este blog vai bombar até a cria nascer (tenho que me entreter com alguma coisa) sob pena de acabar o castigo o repouso com movimentos autistas e a enfiar os dedos nas tomadas cá de casa?

Porque hoje é dia de te pores fina e voltares a espalhar magia...

da Inês
da Tânia

da Ana

da Xuxi

da Beatriz

da Liliana

da Sílvia

da Márcia

da Regina

da Daniela

da Raquel
da Patrícia
da São João
da Maria do Elementar
da Lia
da Dina
da Sofia

da Maria João
da Eduarda
Obrigada a todas! São as mais maiores grandes!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Mámen speech

As mulheres normais na minha terra quando estão às portinhas da morte (ou se sentem lá perto) informam os familiares directos onde têm escondido o ouro, os maços de notas e os papéis de registo de propriedade dos pastos. E depois morrem num ai. Finam-se. Nos Açores é assim, tudo sem sobressalto e sem grandes pressas porque "o mar é já ali".
Acredito, verdadeiramente, que ser açoriano é um pré-requisito para viver como uma mulher como a Pólo Norte. Só um povo habituado a sismos e vulcões, a forças da natureza, consegue resistir a esta turbulência.
A mulher é hiperactiva, para começar. O que significa que, se formos em dois carros, enquanto eu ajusto o banco, o espelho lateral e o retrovisor, ponho com atenção o cinto de segurança e ainda limpo o vidro dianteiro para ter uma visão perfeita da estrada, quando, finalmente, meto a chave na ignição já a mulher vai a 300 Km/hora, tendo-se esquecido de meter o cinto e, quase de certeza absoluta, quase atropelou três pessoas na passadeira pelo caminho.
Dizia eu que as mulheres normais na minha terra quando se sentem a finar, lá avisam onde está o ouro. A minha, desde domingo com um quadro clínico aborrecido (palpita-me que a miúda que lá está dentro vai sair à mãe, o que significa que estou desgraçado...), e já na segunda no hospital, deu-me o username e password deste blogue.
Eu que tinha tão boas pretendentes na ilha e a esta hora teria um grande espólio em ouro para orientar a minha vidinha, fico-me com esta herança. Um blogue mouco.
Isto para vos dizer que a ursa teve que parar e repousar um bocadinho. Fazer um reboot e recarregar baterias e que conta voltar o mais rapidamente possível. Com as baterias carregadas e em casa até ao final da gravidez, o que significa que este blogue não vai ter descanso. Nem eu, em boa verdade vos digo.
Até lá:


Ass: O man dela

segunda-feira, 14 de maio de 2012

O Mundo divide-se entre... # 68

... entre as pessoas que em criança brincavam à linguagem dos P's e as outras.

domingo, 13 de maio de 2012

E para acabar bem o dia...

A minha mãe entrou em delírio profundo:

Porque hoje é dia 13...

O meu amor
Sempre me pareceu crescente
Uma paixão adolescente
Num beijo molhado e quente
Algo que só se sente
O meu amor

O meu amor
Cresceu meio a tropeçar
Por vezes a cambalear
Mas aprendeu a andar
A ser o verbo amar
O meu amor

O meu amor
Livra-me de todo o mal
Um tempero natural
Acúcar? Canela? Sal?
Simples, bom e banal
O meu amor

O meu amor
Faz parte da mobília
É um membro da família
O meu amor

O meu amor
Foi pintado a aguarela
Entornaram-lhe água na tela
Mas depois chegou ela

Um novo sol. Uma estrela.
O meu amor

Mas o meu amor
É agora que mais brilha
É tão meu. É uma ilha.
Um novo caminho que se trilha
Traz a palavra filha
O meu amor.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Ainda dos nomes

Sinto-me a Luciana Abreu quando toda a gente questionou o nome da sua primeira filha. Com a diferença que a Luciana Abreu baptizou a filha de Lyonce Viiktorya e eu vou chamar a minha de Ana. Assim, Ana. Sem segundo nome próprio. Mas com três brilhantes e originais sobrenomes que devem ser compensados com a simplicidade de um nome próprio. 
Gosto de nomes com história. E o nome da minha filha, tão curto e tão simples,  é cheio de história. Ana é a minha mãe e e(ra) a minha avó. As duas mulheres mais importantes da minha vida. Portanto, é natural que a minha filha, provavelmente a mulher que irá encabeçar a lista das importâncias, seja Ana também. Não poderia ser de outra forma.
Não é que não goste de outros nomes. Que não acredite que haja nomes mais rebuscados, mais "na moda" ou (se assim quiserem) mais bonitos. Tanto me faz. 
Onde vivo proliferam os nomes dondocas: as Constanças, as Marias, as Carlotas, as Madalenas e as Carminhos. Nomes rebuscados.
 Na minha rede de amigos as Marianas, as Beatrizes, as Matildes, as Carolinas e as Leonores são mato. Aparentemente, são nomes da moda. 
Não opino. Em bom rigor, até acho que são todos nomes bonitos. 
Mas eu gosto de nomes simples e "normais". Eu gosto de Isabéis, Lauras, Teresas, Catarinas e Isauras. E, para além da história, não há nome mais simples e intemporal, mais clássico e despretensioso que Ana. 
E assim será. A minha Ana. Iana.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Está certo...

No prédio da minha empresa há sempre uma porteira/segurança da Securitas.
Chegou uma nova a semana passada. Foi simpática e amistosa desde o primeiro dia.
Hoje, enquanto lhe pedia a intervenção do colega da manutenção, decidiu meter conversa.

Porteira- Então, já sabe o sexo do bebé?
Pólo Norte- Já, é uma menina.
Porteira:- Que giro! E já escolheu nome para ela?
Pólo Norte- Sim, vai-se chamar Ana.
Porteira- Ana?
Pólo Norte- Sim, Ana.
Porteira- Ah, pensava que ia escolher um nome, sei lá, mais bonito...

Esboço um sorriso amarelo e fixo os olhos na plaquinha com o nome da bicha: Jacinta Rebeca. Tal e qual.

O Mundo divide-se entre... # 67

... as pessoas que não têm no facebook um álbum de fotografias intitulado "Me, myself and I" e os outros.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Conversa de pé de orelha com a baby bear

Querida filha, 

Eu sei que agora mandas um bocadinho em mim. Já percebi. Entendidas. 
Mas é bom avisar-te que se continuas a ter os meus intestinos como reféns e a não deixar sair sólidos nem gases, em breve sentirás que estás a morar em Auschwitz. 

Um beijinho da mãe sempre amiga, 

Pólo Norte

No meu corpinho de sereia pelintra nunca* se esfregou roupa interior da Calvin Klein


... mas a baby bear tem "a tia da América".

Obrigada Xuxi!

(* Bem, boxers de gajos em one night stands não contam, né?)

Seja bem-vindo quem vier por bem (avisos a quem chega de novo a este blog)

A dona deste blog é uma ursa.
Este blog não pensa cor-de-rosa. 
Aqui divide-se o Mundo entre os quadripolares e os outros. 
A dona deste blog está grávida. Mas isto passa-lhe.
Neste blog diz-se palavrões. 
Aqui há polar postcrossing todos os Natais: o original. 
A dona deste blog não frequenta Holmes Places nem ginásios "lácoste". Aliás, a dona deste blog gosta tanto de fazer exercício como de limpar o pó. 
Este blog não odeia todas as segundas-feiras. 
Aqui às vezes escrevem-se coisas lamechas mas a dona do blog jura que é sem querer!
A dona deste blog não discrimina leitores mas prefere os que lhe mandam fotografias a quadripolarizar o Mundo. 
Neste blog escreve-se sobre coisas non sense.
Aqui não se oferecem cabazes nem prémios: mas aceitam-se, com muito gosto, prendas. 
Se lês a revista "Happy" não vais gostar deste blog. 
A dona deste blog às vezes tem borbulhas na cara. Já lhe chegou a nascer um pêlo no queixo.
Este blog declina, amavelmente, desafios, selos e correntes blogosféricas. 
A dona deste blog não usa sapatos da Zilian.
Querem fashion advises? Falem com as empregadas da Zara, 
Neste blog fala-se de sexo como quem fala de calendários vendidos pelos escoteiros, o que faz da dona deste blog uma badalhoca ordinária. 
A dona deste blog não está in love todas as Fridays. 
Aqui faz-se poesia com dedicatória a ódios de estimação da dona deste blog. 
Este blog assume que o "Sexo e a Cidade" não existe, 
A dona deste blog acha uma chachada posts com fotografias dos pés na areia e mãos a imitarem corações.
A dona deste blog não posta outfits.Nem infits. 
Aqui não se escreve "lol".
A dona deste blog come frango assado com as mãos. E não usa palitos nem alfinetes para comer caracóis. 
Este blog é desbocado.
Margaridas Rebelo Pinto não entram!
A dona deste blog não lê blogs de pessoas de quem não gosta ou com quem não simpatiza só pra poder criticar. 
Se não gostar deste blog, não volte. A dona do blog não leva a mal. 
Aqui faz-se cocó para a forma como as famosas vão vestidas nas alcatifas encarnadas.
Neste blog não se diz "vermelho/a". 
A dona deste blog lembra-se sempre que os pc's se podem desligar.
Aqui não se gosta da Hello Kitty. 
A dona deste blog não tem pachorra para os bloggers que sofrem com comentários anónimos e não moderam a caixa de comentários. 
Dá-se preferência ao bom gosto e acutilância sem recorrer ao embrutecimento. 
A dona deste blog ás vezes faz a depilação com gilette.
Neste blog não se aceitam comentários anónimos nem se respondem a tentativas de provocação. 
A dona deste blog está a fazer cocó para a opinião das pessoas que não gostam de si, das suas opiniões ou do seu blog. 
Aqui comem-se peixinhos da horta. 
Se te disserem que a ursa já pinou com a blogosfera masculina inteira, não acredites! Toda a gente sabe que 3/4 da blogosfera masculina é gay!
A dona deste blog não anda sempre bem disposta (mas nunca perde o sentido de humor).
Este blog nunca recebeu convites para ir assistir à Moda Lisboa. 
A dona deste blog dá calinadas e ri-se com elas.
Aqui há prémios BILF: os originais!
Quando este blog posta vídeos de música, transcreve as letras porque não se esquece das leitoras surdas. 
Aqui não há amor, amorzinho, maridão ou querido esposo: aqui há "mámen"!
A dona deste blog não é fofinha e meiguinha. 
Este blog é desaconselhável a gente fofinha e meiguinha.  
Acredita em todos os boatos que ouvires sobre a Pólo Norte. 
A dona deste blog dá gases, às vezes arrota e acorda remelosa ocasionalmente (só para que conste que é mesmo bardajona e não tem qualquer glamour).
Aqui há dias 13 e não são dias de azar.
As maminhas da dona deste blog são as de origem. 
Este blog não aproveita amostras, não aceita posts patrocinados nem faz publicidade a marcas. 
Aqui come-se sushi à fartazana. 
Se acham graça à dona deste blog, haviam de conhecer a sua mãe. 
A dona deste blog tem amigos da blogosfera. Mas são em minoria. 
Este blog não se pronuncia sobre o acordo ortográfico nem sobre o Pai Natal: ambos não existem.
Os leitores deste blog transformaram-se numa seita desorganizada.
Este blog tem uma página de Facebook. 
A dona deste blog aceita estadias no estrangeiro oferecidas por leitores emigrantes. 
Aqui não se pisa a relva. 
Neste blog é-se fã de Kima de Maracujá em geral e dos Açores em particular. 
Dá-se fiado a maiores de 80 anos quando acompanhados pelos respectivos pais.  


Por tudo isto, o melhor conselho para quem lê este blog pela primeira vez é:


"Cuidado com a ursa!"

terça-feira, 8 de maio de 2012

Poema à Margarida Rebelo Pinto

"Não percebo quem gosta da Margarida Rebelo 
A mim só me apetece chegar-lhe a roupa ao pêlo
Prefiro subir a pé escadas até ao quinto
Do que ler uma linha escrita pela senhora Pinto
Mesmo que seja uma coisa suave tipo as crónicas
Preferia ser torturada na prisão das Mónicas
E, depois, como se não bastasse tudo nela me irrita
Desde a voz anasalada ao ar de pita
Mas sou meiguinha e já lhe mandei as condolências
Deve custar ser acéfala e não acreditar em coincidências
Leiam este poema e não me chamem má
É possível gostar de quem escreveu um livro "Sei lá"?"

Medo da genética # 3

Afinal, eu era aquela que escrevia histórias escabrosas para a revista "Teenager Testemunhos" e que ganhavam, todos os meses, prémios em dinheiro.

(O Bauhaus pagava-se, pá!)

Táxeeeeee!


 Em Janeiro, quando estive em Nova Iorque, e com a notícia fresquinha da minha gravidez, tive como primeiro desejo viajar num táxi amarelinho à la filme de Hollywood.
Os dias foram passando e entre comboio, metro, carro e penantes, os passeios com esta menina fizeram-se de todas as formas, excepto de táxi.
Foi no último dia, no regresso ao aeroporto que espetei o dedinho, só naquela do glamour, e um segundo depois entrei no amarelinho. 
Ah, o sonho! Bem, para dizer a verdade o sonho desvaneceu-se um bocadinho quando, já na miséria, o taxista nos perguntou qual o caminho que preferíamos: pela ponte ou pelas "local streets". As "dólas" escasseavam e eu, com o meu ar muito despachado, instruí o motorista para que nos levasse pelas "local streets", justificando que no último dia queria era ver bairros típicos, num ideal de Wisteria Lane. 
Em bom rigor, a viagem não começou bem. O carro, embora amarelinho, tinha um arranque esquisito e andava aos constantes solavancos. Porra, com tanto táxi a passar, logo me havia de calhar na rifa um aos soluços, senhores? Comecei a ficar enjoada mas caladinha, que a barriga ainda não se notava e às tantas ainda me cobravam mais pelo passageiro extra. 
De repente, olho pela janela. Estava, literalmente, num videoclip do Eminem: Bronx. Bronx era a "local streets" do senhor motorista que, entretanto, tinha trancado as portas e conduzia ainda mais depressa, soluços a 120 à hora. Perguntei se podia abrir a janela- estava mesmo enjoada- e levei com um "é melhor não!". 
Em silêncio voámos até ao aeroporto, mesmo, mesmo a tempo de, a uns 2 Km do terminal, ter brindado o motorista e o passageiro que me acompanhava com o maior vomitado da história da minha gravidez. O primeiro e o mais épico. Eram estofos, era chão, era o interior da porta do meu lado, era a minha roupa, a roupa dele e o vidro que nos separava do motorista. Tudo gregoriado!
Durante o minuto que levámos a chegar ao aeroporto ouvi a maior quantidade de "oh, shit!" e "fuck!" da história da humanidade. Mámen, com vergonha, deu uma gorjeta de 30 dólares ao motorista para poder ajudar a lavar o interior do veículo. Levei, ainda, com a reprimenda "mas porque é que não quiseste vir pela porra da ponte?". 
Posto isto, a minha memória dos táxis amarelados, cor de peido, nova-iorquinos é tão glamourosa como o Bronx e agora, cada vez que vislumbro um veículo análogo nos filmes, vem-me à boca um sabor a azedo que não vos conto nem vos digo. 
Quem nasceu para lagartixa nunca chega a jacaré: é oficial! 
Táxis? Táxis são os preto e verdes portugueses, pá, que os amarelinhos dão-me cá uma azia.

Como vai o negócio? Ui, em franca expansão... :D

"
Olá.
 
Ainda não quadripolarizei Tavira, mas ontem quando vinha a passar em Paivas, 
na Margem Sul do Tejo eis que reparo no reclame da foto em anexo, e claro 
voltei para trás para poder tirar a foto e enviar-te."
 
Um grande beijinho à mamã Petra. 

segunda-feira, 7 de maio de 2012

O Mundo divide-se entre... # 66

... as pessoas que comem caracóis com a ajuda de um palito/alfinete e as que comem caracóis sem ajuda de qualquer instrumento.

domingo, 6 de maio de 2012

Eu moro na minha mãe

Falar do amor que se sente pelas nossas mães é como falar do conforto que sentimos por viver numa casa que sempre foi nossa. 
Nunca morámos noutro sítio, nunca experimentámos outro colchão, nunca acordámos com o sol a bater numa janela de outro ângulo. 
Falar de uma casa onde sempre vivemos, que guarda as memórias da nossa infância- as correrias no quintal, lembras-te?-, as imagens da história que somos, dos momentos que vivemos e dizer que amamos aquela casa é constatar o óbvio, é falar do inquestionável, como se uma árvore conseguisse dissertar sobre o amor que sente pelas suas raízes. Elas estão lá. Basta isso. 
Há fotos nas paredes, memórias de noites em que as cortinas não se fecharam e a luz da lua se projectava no tecto, imagens de pequenos almoços na cama, beijos antes de adormecer e lençóis aconchegados. Reuniões familiares, Natais, pêssegos maduros colhidos do pessegueiro das traseiras e comidos de imediato.Cheiros de comida da cozinha, sons de risos, silêncios e lágrimas, vidas vividas entre quatro paredes que são um escudo de nós. 
E eu? Eu moro na minha mãe. 

(Feliz Dia da Mãe!)

Como garantir a herança quadripolar? Mámen feats Pólo Norte

Prenda do Pai


Prenda da Mãe

sábado, 5 de maio de 2012

Medo da genética # 2

Afinal, eu sou aquela que quando, de manhã, a cumprimentam com um "Bom dia!, responde "Só se for para ti!".

Percebes que a ursa está acabadinha e perto do fim quando...




a tua grande amiga Bem Passada, a trabalhar na Tanzânia, decide borrifar-se para a quadripolarização e inicia o périplo da baby-quadripolarização.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Poema à Hello Kitty

"Não percebo porque à Kitty dizem olá
(A minha vontade era de lhe bater com uma pá)
Olham com cara de ternura para a bicha
E eu acho que ela tem focinho de pi... linha
Tem um lacinho piroso e olhinhos de moca
E como se não bastasse nem sequer tem boca
Em resumo, nem para me fazer rir serve
E quando a vejo, a minha paciência ferve
Ainda que para crianças a Kitty seja aceitável
Quando se trata de adultas é um gosto lamentável
E há quem ache a roupa interior estampada uma animação
Mas... não é óbvio que essa gata parva tira toda a tesão?!"

Juramento da grávida quadripolar (ou, análise subjacente de coisas que me irritam nas - outras- grávidas)

Juro:

- referir-me sempre ao meu tempo de gravidez em meses em vez de em semanas;
- ter um ar antipático para prevenir conversas de chacha, descrição de gravidezes de outrém e explanação de partos vários;
- não me armar em chica esperta e achar que sei desvendar a morfologia de um feto quando se vê uma mancha na ecografia;
- não me lembrar que me apetece comer algo, ai que se não comer morro e mandar o mámen levantar-se às 3 da manhã para me ir colher ameixas directamente das ameixoeiras de Elvas;
- evitar, sempre que possível, sentar-me de perna aberta;
- ter cuidado para o tema das minhas conversas não acabar sempre na palavra bebé;
- não acreditar em todos os mitos e superstições que me vão dizendo e ir gerindo a minha gravidez da forma que me der na real gana;
- partilhar com as pessoas que amo que estou grávida, mesmo que não tenha completado os 3 meses de gravidez;
- não mentir e dizer as frases da praxe tipo "a gravidez é um estado de graça" quando não o sentir;
- usar o verbo "parir" sempre que me apeteça;
- olhar de esguelha quando alguém se referir a mim como "mãe" ou "mamã" em vez de usar o meu nome próprio;
- abusar do óleo de amêndoas doces;
- dar uma berlaitada nas patinhas de pessoas que me desatem a acariciar o ventre sem que eu dê ordem para tal;
- tomar ácido fólico sempre, nunca faltar a uma ecografia, não pegar num cigarro nem beber álcool durante o tempo de gestação. Mesmo que me custe;
- não comprar macacões de grávida inestéticos e que fazem qualquer Kate Moss parecer o macaco Adriano;
- não ser totó o suficiente para gastar 900€ num carrinho de bebé porque é um disparate de dinheiro e há outras soluções mais em conta;
- não embarcar em modas new age de partos em casa, doulas, abstinência sexual, fraldas reutilizáveis e o Diabo a quatro;
- não permitir que ninguém me fotografe a barriga e espetar essa coisa esperta no meu mural de facebook (nobody cares, ok?!);
- largar palavrões sempre que me apetecer porque o bebé ainda não percebe, pá;
- fazer um sorriso amarelo sempre que a mãe do mámen oferecer prendas pirosas para a neta e conter-me para não lhe dizer que o ponto cruz não está na moda desde os anos 90 e que, assim com'assim, a bordar-me babetes, ao menos que centre os desenhos foleiros convenientemente;
- passar à frente em tudo o que é fila porque tenho "prioridade" e uma grávida, afinal, tem direito ao seu caprichozinho. 

... (em actualização)

quarta-feira, 2 de maio de 2012

O Mundo divide-se entre... #65

... as pessoas que preferem o pedaço do meio das torradas em pão de forma e as outras.
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