terça-feira, 31 de julho de 2012

Aos 31 de Julho de 2012 (carta à Ana que aí vem)

Querida Ana, 

O teu mundo começa em mim. 
Sou a tua casa de partida para uma vida que se avizinha, tal jogo da Glória, Monopólio, talvez. 
Sou a linha condutora da tua vida, o teu início, a estrada que te prepara a pole position, as boxes onde poderás voltar sempre que precisares de combustível para correres em direcção à meta. À vitória. 
Sou o som do tiro que dá aviso de partida para a vida, o árbitro que não permitirá falsas partidas, o treinador que acordará todos os dias de madrugada para te acompanhar nas tentativas, nos erros, nas melhorias de tempos, na superação. Sou quem te irá aplaudir na corrida, animar nas subidas íngremes e esperar na meta. Quem te ensinará a sacar da rolha de champagne no pódio. 
Sou quem te permitirá todas as possibilidades, quem te incentivará em todas as tentativas, quem te mostrará que a vida será o jogo que quiseres jogar, com cronómetros que se ajustarão ao teu próprio tempo e ritmo, porque tu farás girar o Mundo.
Sou a que, no final das competições da vida, se orgulhará das camisolas amarelas, que pendurará as medalhas na parede, as taças na prateleira. Quem guardará, no final de cada graduação, o respectivo cinto colorido nas gavetas da memória. 
E espero-te, Ana, como se a vida, desde que moras em mim, fosse uma permanente véspera de Natal. Arrumei a minha casa emocional, limpezas profundas, lixo no respectivo caixote, trastes da arrecadação. Pintei as paredes do meu coração, brancas e alvas, para te acolherem. E escolhi a decoração do amor, enviei convites aos amigos que permanecerão para ti, cheira a festa no ar e a mesa está posta com a magia com que brindas a minha alma desde que te concebo em mim. 
Espero-te, Ana. E o teu mundo começará em mim. 

O Mundo divide-se entre... (home edition)

E vocês: se pudessem dividir o Mundo entre facções de pessoas, como o dividiriam?

(a caixa de comentários é vossa)

As minhas tias

Já falei dA minha tia aqui. A minha tia é uma figura de referência incontornável na minha vida. 
Relembrando, era a minha tia que me desenhava as bonecas mais pirosas, me comprava as prendas mais caras, me ensinou a pintar com lápis de cor "sempre para o mesmo lado" e, sim, foi a responsável por me ter dado umas luvas sem dedo iguais às da Ninon e da Rosali. E era ela que fazia aumentar o meu índice de popularidade na escola não só pelas prendas que mandava de Londres como pelas roupas que ela própria me costurava, modelitos únicos. A minha tia é a rainha da comida pré-feita, dos congelados e das coisas fáceis. Da descomplicação.
A minha tia deu-me a minha prima, irmã-emprestada, irmã-dada, irmã. E a minha tia torna, todos os dias, a minha vida melhor.
Tenho outra tia na minha vida. A minha tia-avó é outra pérola. Vive em Londres há 40 anos e acolhe-me sempre com o mimo de quem não me vê crescer, com a magia de quem é avó por procuração. A minha tia-avó aparou-me golpes de capricho inimagináveis como aquela vez em que, com 8 anos, e armada em diva, lhe pedi como prenda de aniversário um casaco de peles para o meu tamanho. De peles verdadeiras. E ela não se fez rogada. Escusado será dizer que levei uma reprimenda daquelas da minha mãe e só usei o casaco uma única vez para me mascarar de viúva Porcina. Oh, vil tristeza!
A minha tia-avó tem sempre notas embrulhadas e devidamente guardadas no soutien que saca, às escondidas do meu tio, e me esconde na mão, enquanto ma fecha. Tem o sorriso e os olhos do meu avô e histórias divertidas para contar. Muitas delas que sempre o envergonhavam. 
As minhas tias são pára-choques da minha vida, foram atenuantes de regras e castigos e serão sempre forças propulsoras de sonhos e caprichos. Parte integrante de mim. 

segunda-feira, 30 de julho de 2012

"Nem todos os patinhos sabem bem nadar"- reagiu mámen. E nem eram patinhos. Eram passarinhos, pá!

Numa de competir com mámen, o tipo que conheço com maior criatividade e habilidade, decidi fazer uns quadros para o quarto da bebé. Coisa muito simples e cujo efeito final não me deixou nada envergonhada. Recebi elogios, até. Coisa única já que na escola primária a minha mãe topava sempre os meus trabalhos de expressão plástica afixados na parede, ainda que não estivessem assinados, tal era a mixórdia de cola, papéis de lustro mal cortados e pintura fora dos limites que ostentavam. 
No liceu a situação não sofreu grandes melhorias: eu fui aquela que, em Trabalhos Manuais, moldou uma bola de barro, espetou-lhe um cotovelo para tornar a bola côncava e criou o famoso e sempre recordado cá em casa "Cinzeiro sempre em pé". 
Mas pronto, os quadros ficaram bem e eu fiquei cheia de moral. Tanta que me decidi aventurar no fabrico de pássaros de tecido. Consegui um tutorial na internet e meti mãos à obra. Afinal, às tantas é possível que a onda maternal me tenha trazido mais paciência, habilidade, inspiração.
Fiz um:

Hummm. Fiz o segundo:


E à terceira foi de vez:


"Foi de vez? Como foi de vez?" - perguntam-me vocês. "Ficaste satisfeita com o resultado final?"
Não. Desisti. Porque a onda maternal pode trazer muito boas intenções. 
Mas não faz milagres. 

domingo, 29 de julho de 2012

Se fores ao Festival Sudoeste...


... aposta as tuas fichas no da ursa!

Obrigada à Joaninha, que se lembrou da Pólo Norte na Zambujeira do Mar.

terça-feira, 24 de julho de 2012

A LER | Amor em tempos de cólera


Livro de Agosto: "Amor em tempos de cólera" 

(Kima patrocinada pela Almofariza e pela Susana. Leque patrocinado pelo Pipoco Mais Querido.)

Sabes que estás "grávidobcessiva" quando...

... vês este anúncio e pensas automaticamente na resposta "universalmente" óbvia:



 - "PARIR"?

Lanche gourmet? A ursa explica


Obrigada Titá! Nham. Nham.
(O frasco chegou meio entornado mas não alterou o sabor do doce, garanto-te!)

Nunca mais serei apelidada de pé de chumbo

Com as cãibras que estou a ter ponho-me, estática, de pé e num instante serei uma guru de breakdance.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

A LER | 10 Sugestões de casal Norte-Mámen

Porque já estávamos a dispersar e nunca chegaríamos a um consenso, abusei do meu poder de Presidenta do Clube e fiz uma shortlist. Mámen quis meter o bedelho. Daqui tem que sair um livro.
Em que número votam?


1- "A queda de um Anjo"- Camilo Castelo Branco
2- "Dom Camilo e seu Pequeno Mundo"- Giovannino Guareschi
3- "Amor em tempos de cólera"- Gabriel Garcia Marquez
4- "Como água para chocolate"- Laura Esquivel
5- "Presságio de fogo"- Marion Zimmer Bradley
6- "O Fio das Missangas"- Mia Couto
7- "Feliz Ano Velho"- Marcelo Rubens Paiva
8- "Os contos"- Eça de Queirós
9- "Alice no País das Maravilhas"- Lewis Carroll
10- "Orgulho e Preconceito"- Jane Austen

(Que vote na caixa de comentários quem quiser participar)

Pólo Norte prepara o plano de dieta pós-parto (e eu quero lá sentir-me blogoexcluída?!)

O que deve ingerir para recuperar a forma



Inspire-se nesta dieta, que deve ser iniciada após o nascimento da criança e seguida durante o período de amamentação (ou abiberonção, vá!)

Jantar
Preparar 1 sopa de legumes 60 g de carne magra ou peixe ou 1 ovo
Sintonizar a televisão no TLC no programa "Hoarding: Buried Alive"
Ver antes de jantar
Guardar a sopa inteirinha no frigorífico
Preparar um chá
Ceia
1 água das Pedras
Contar carneirinhos baratinhas para adormecer

Pequeno-almoço
Lembrança da casa badalhoca que se viu na véspera à noite no TLC
Eno digestivo
1 copo de água para acompanhar
Meio da manhã
Tentar sintonizar novamente o TLC
Perceber o que é o stress pós-traumático lembrando-se do esterco do programa da noite anterior
1 chávena de chá para a azia


Almoço
Arriscar comer 1 sopa de legumes
Lembrar-se das ratazanas a passear em cima do lixo na casa porca da noite anterior
Correr para o wc e vomitar
Arriscar nos sais de fruta


1º lanche
1 água com gás
1 sessão de ioga para tentar apagar da cabeça as imagens da véspera
2º lanche
1 dose de fluoxetina
coragem q.b. para voltar a sintonizar o TLC novamente ao jantar

Fui a primeira a desejar-te "Feliz Ano Novo" mas poupei-te à cantoria...



Parabéns, Zé!
Para ti ergo a minha taça!

sábado, 21 de julho de 2012

Idiotice em três actos

Encontrei uma ex-colega de escola na padaria.

Acto I

Colega- Então, novidades?

Pólo Norte (neste momento portadora de uma barriga imponente) - Nada de especial, tirando estar à espera do grande dia.

Colega- Vais casar?

...





Acto II

Colega- E planos para as férias de Verão?

Pólo Norte (olhando chocada para a imponente barriga)

Colega- Vais ter o bebé, né?

Pólo Norte- Não, vou pedir um clister de hélio para reforçar o perímetro abdominal e transformar-me num balão...





Acto III

Colega- Onde vais ter o bebé? Vais levar epidural ou vai ser tudo ao natural?

Pólo Norte- Vai ser cesariana com anestesia geral.

Colega- Então, vá. Gosto em ver-te. Uma hora pequenina e desfruta o momento.

...

...

...

It's the postman! It's the postman!


A tia Andreia, presidente da seita Quadripolar, não podia deixar de quadripolarizar a Ana. 
Ou, neste caso, tripolarizar. 

Amámos!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

O carteiro toca uma vez...

Eles dizem "Havaiana"... Eu oiço "Lá vai Ana!"





Obrigada à Quézia, que me lê do outro lado do Atlântico. Valeu!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O Mundo divide-se entre... # 76

... as pessoas que em criança tiveram como animal de estimação grilos que viviam em gaiolas coloridas de plástico e os outros.

Orgasmo lésbico, mojitos, psicóloga especializada em comportamento de massagistas, máquinas de fazer pipocas e afins

Saí de casa dos meus avós em 2005. Desde então, tenho lutado, ano após ano, para que no Natal e no meu aniversário a família mais próxima não me ofereça coisas para a casa. O argumento é o mesmo desde há sete anos: não é a casa que faz anos, sou eu. E os avós, a mãe e a tia sempre perceberam a coisa. 
Mámen está formatado e, desde que me conhece, que consegue ser o tipo mais exímio na arte de acertar nas prendas. 
O namorado da mãe, por sua vez, encontra-se no extremo oposto. À pála disso já recebi um pijama da Hello Kitty e, o ano passado, ofereceu-ME um comando extra para a Wii, justificando que era para a minha mãe "ir lá a casa" jogar comigo. Grande cabrão!
Este ano a família começou a sondar-me. "Ah, ainda te faltam os intercomunicadores? Queres como prenda de aniversário?" ou "Vi uns fatinhos giríssimo na "Laranjinha". Queres um vale de oferta como prenda de anos?". 
Resposta: não! Sou eu quem faço anos, não é a Ana. "Ah, quem meus filhos beija, minha boca adoça!"- respondeu, ofendida a minha mãe. Disse-lhe que sim senhora, que tinha razão, que no aniversário dela ir-LHE-ia oferecer  um vale de oferta da Lanidor para que ME pudesse comprar roupinha à vontadex. "Para ti? Isso tem lá algum jeito?", ripostou, ofendida. "Ah mãe, quem tua filha beija, tua boca adoça!". 
Ontem fui "enjoiar" a prenda da minha amiga Xuxi. Aparentemente, a minha amiga mais recente mas a única que acertou na mouche. Tive um orgasmo proporcionado por uma mulher. 
Ok, ela era massagista e o  orgasmo foi de foro muscular mas, a verdade, a verdadinha, foi que, se retirar a parte em que ela me contou a vida dela  toda e pediu um bocadinho de terapia de marquesa, as duas horas de esfreganços, óleos, drenagens e apertos vários foram das melhores coisas que me fizeram nos últimos meses. E note-se que a duração da massagem era, originalmente, de 45 minutos. Xuxi, obrigada! És ab fab, dear!
Cheguei a casa a levitar. Agarrei num copo cheio de gelo e emborquei um mojito sem álcool enviado pela minha amiga Xana. Outra que sabe da vida! 
Aos 32 anos, percebo aquela coisa de que os amigos, às páginas tantas, nos conhecem melhor os gostos e os desejos que a família. Quase que posso jurar que o novo aspirador oferecido pela minha mãe ("ah, não queres prendas de mãe, então levas com prendas de dona-de-casa, para aprenderes!") se ria para mim, ao fundo da sala, ainda dentro do caixote. Bem como a nova máquina de fazer pipocas.
E eu nem gosto de pipocas. 

domingo, 15 de julho de 2012

"Os livros da Anita"- by mámen

Hoje, estendi a toalha no areal. Antes disso, escavei um fosso onde encaixar a barriga e dois pequeninos para as minhas "wonderland boobies".  Deitei-me de barriga para baixo e comecei a babar.

Mámen (com voz de apresentador de circo): "Ainda antes de Anita no ballet ou Anita vai à quinta, apresento-vos a minha filha: Aaaaanita vai ao bunker".


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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Porque hoje é dia 13...

Mamonas assassinas

Este post tem sido adiado sucessivamente. Primeiro, porque sei que vai gerar polémica, em segundo lugar porque as minhas hormonas já não são o que eram e corro o risco de ser gratuitamente mal-educada e, em terceiro, porque escrever sobre isto implica alguma pachorra e bom senso. Mas eis que chegou o dia. 
Tema: amamentação.
Preparados? Eu não faço intenções de dar mama à minha filha. Pronto, já disse.
Poupem-se as pessoas que estão já de dedos no teclado a quererem-me esclarecer sobre a cartilha de benefícios da amamentação que eu já a conheço de cor: o poderoso factor imunológico do leite materno, a vinculação (discutível a meu ver e olhem que eu sou psicóloga e o pai da cria pedopsicólogo, tá?) afectiva que se cria nos momentos de amamentação, a portabilidade e acessibilidade das mamas no que diz respeito ao transporte do leite, a melhoria do desenvolvimento neuro-psicomotor infantil e cognitivo, o possível aumento do QI (ainda bem que a minha mãe não me amamentou senão imaginem a sobredotada incompreendida que eu seria?!), a promoção de um melhor padrão cardio-respiratório durante a alimentação, a diminuição mais rápida do volume do útero e consequente emagrecimento por parte da mãe, o menor risco de hemorragia no pós-parto e, claro, o factor anticoncepcional da coisa. Para não falar do factor economicista da coisa. 
Pronto, agora que vos provei que conheço, de cor, as vantagens da amamentação vou repetir: não pretendo dar de mamar à Ana e é por opção. E só mudarei de ideias caso a obstetra me diga, peremptoriamente, que a vida da minha filha ficará comprometida se não o fizer. O que, até ver, não será o caso. 
E, sim, poderia disfarçar e dizer que "não posso amamentar" e que tenho muito desgosto por isso. Que, assim que parir, terei que tomar um antibiótico fortíssimo para curar a puta da infecção que me persegue há meses e que, devido à gravidez, não posso tomar. E que não o poderia tomar também se estivesse a amamentar. E esse argumento até é verdadeiro. 
Mas a verdade, a verdadinha, é que nunca fiz intenções de amamentar. Por inúmeras razões que vão desde as fúteis e estéticas às de comodismo. Às de egocentrismo e incapacidade de abnegação total. Às de necessidade de não anular o meu bem estar emocional em troca de leite directamente vindo da fonte para a minha filha. E, porque, fundamentalmente, é uma decisão passiva de ser uma escolha e há alternativas em que eu acredito. E escolho-as, conscientemente. 
E, meus amigos, eu própria não fui alimentada a mama (secou o leite à minha mãe) e sobrevivi à prematuridade, a 1600 Kg de peso à nascença, a uma doença gravíssima, a uma cirurgia com 15 dias de idade no Hospital Pediátrico de Coimbra (salvé, Dr. Torrado da Silva!) porque na Estefânia se recusaram a operar-me e a uma meningite no pós-operatório. Tirando as sequelas que ficaram (ortopédicas e urológicas) eu sou aquela que nunca ficou constipada, nunca teve uma dor de ouvidos ou garganta. Sou a pessoa mais resistente que possam imaginar! Quanto ao QI? Epá, sempre fui uma excelente aluna, nunca chumbei a uma cadeira que fosse, quanto mais um ano? Sou perspicaz e espertíssima! Quanto à vinculação com a minha mãe? Esta dispensa explicações.
Resumindo: eu sou a prova provada que, embora o leite materno seja a situação ideal, o leite adaptado não compromete o desenvolvimento de uma criança e o seu sucesso enquanto adulta. 
E, quanto mais a gravidez avança, mais certezas eu tenho quanto a este ponto: a Ana será alimentada a leite adaptado. Não dependerá de mim de duas em duas horas mas sim de ambos os pais. Porque, depois da gravidez, passamos a ser uma equipa. E criará uma relação igualmente vinculativa com ambos os progenitores e não uma privilegiada comigo. E, sabem que mais, para mim a parentalidade só assim faz sentido. 
O plano é, fundamentalmente, eu poder aliviar os 9 meses de exaustão que estou a carregar nos ombros e não perpetuá-los com a amamentação. Poder dormir quando for a vez do pai dar o biberão. E serão vezes igualmente repartidas porque, nesta família, o bebé não será da mãe e ao pai não caberá apenas a tarefa de "ajudar". O plano é não correr o risco de stressar com possíveis dores, encaroçamentos e frustrações do bebé não "pegar" nas ditas cujas. Não ter que fazer algo que encaro como sacrifício e não como prazer. Ou, como escreveu alguém numa caixa de comentários mais abaixo: "mais vale um biberão com amor do que uma mama com sacrifício".
Não condeno as escolhas de nenhuma mãe. Por mim, tirem fotografias às barrigas cheias de estrias, tenham partos em casa, dispensem médicas e contratem doulas, comam placenta, tenham partos debaixo de água, façam cesariana por opção, dispensem epidurais, amamentem até à adolescência, usem leite materno para fazer bolos, coloquem as fotografias dos vossos filhos na Internet. Cada um sabe o que é melhor para si e o que eu valorizo não tem que ser o que os outros valorizam. Não temos que nos reger todos sob a mesma batuta. Importante é que as escolhas que cada um toma sirvam a cada um, que lhes proporcionem bem estar e felicidade. Portanto, quando alguém me perguntar porque não amamento a resposta é simples: "PORQUE NÃO QUERO!". 
O que eu quero é usufruir, com a alegria que as escolha que faço (fazemos) me irão proporcionar, a maternidade. Neste caso, porque nas minhas mamas mando eu.
E eu é que decido. 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Save Pólo Norte!




Benelux quadripolarizado! Yeahhhh!

Post bruto como a potassa # 1

Estou de gravidez de alto risco desde o dia em que soube que estava grávida. Os primeiros quatro meses e meio foram um reboliço: spotting, princípio de aborto, vómitos 23h por dia, perda de peso, 12 horas de trabalho diário seguidas, infecção urinária, cansaço imenso e mau estar generalizado. Para além das coisas normais: sonolência comatosa, náuseas O rastreio genético do primeiro trimestre chegou com resultados inconclusivos por falha da médica que se esqueceu de anexar a ecografia morfológica. Níveis de stress nos píncaros. O primeiro trimestre? Uma grande merda.  
Ah, o segundo trimestre é sempre o melhor. No meu caso: não! A infecção urinária manteve-se, rachei uma costela, as dores nas costas alcançaram níveis de dor insuportáveis, senti falta da vesícula biliar pela primeira vez desde que a tirei, o fluxo de trabalho e o stress não me deixavam ganhar peso e o bebé estava manifestamente pequeno. Tive que passar a ser seguida em consultas de ortopedia, neurologia e urologia. Para além das comuns de obstetrícia. A azia e a obstipação comuns a quase todas as grávidas já eram um mal menor. Finalmente saíram os resultados do rastreio genético de segundo trimestre e respirámos de alívio. Mas por pouco tempo porque a ecografia morfológica seguinte acusou uma suspeita de mal formação congénita e vivemos uns dias de angústia até comprovarmos que não, que a miúda é saudável e mais rija que a própria mãe. Baixa médica e obrigatoriedade de repouso, logo para mim que sou meio hiperactiva. Segundo trimestre? Checked. Passo a outro e não ao mesmo. 
Chegou o terceiro trimestre! E com ele uma pielonefrite, pois a infecção urinária contínua que tenho desde o início da gravidez decidiu subir aos rins. E um internamento de mais de uma semana. Soro, antibiótico intra-venoso. Possibilidade de parto prematuro e injecções para induzir maturidade pulmonar na miúda. Necessidade de fazer esvaziamento da bexiga de hora a hora (inclusive à noite). Noites inteiras sem dormir um sono seguido, medicação fortíssima e necessidade quase esquizofrénica de uma assepsia total na hora de fazer xixi. Obrigatoriedade de fazer análises semanais ao sangue e à urina e prescrição de cesariana com anestesia geral para a hora "A". Já não falo nas dores nas costas que se intensificam, nas câimbras, nas dificuldades de respirar e de fazer digestão à noite e, finalmente, no peso que não permite uma postura confortável de qualquer forma e feitio. E ainda não chegámos ao fim. 
Quando as pessoas me dizem com certezinha absoluta e convictas, mesmo, de que a realidade delas deve ser generalizada, que "ainda vais ter saudades de estar grávida", apetece-me mandá-las cagar à mata e limparem o dito cujo a folhas de urtigas. Eu conheço-me! Algum dia, no meu perfeito juízo, eu terei saudades de me sentir doente, sem energia e um trapo durante quase 9 meses? Não me lixem, caraças!
Epá, inveja, muita inveja de quem teve gravidezes santas e de quem adora a experiência da gravidez. Mas não é o meu caso, lamento. "Ah e tal, é um sacrifício que fazes pela tua filha e vais ver que no fim vale a pena!". Óbvio, não sou masoquista e sei que a minha filha vale este esforço e sacrifício. Mas não deixa de ser um sacrifício, tá? Estou grávida, mas não passei a ser politicamente correcta, tá?
E, sim, a gravidez tem coisas boas, especialmente no que diz respeito ao aspecto emocional. É emocionante ouvir o coração dela cada vez que faço um CTG, tentar decifrar pedaços do seu corpo nas ecografias e senti-la mexer-se dentro de mim. É bom saber que agora estou sempre acompanhada e projectá-la no tempo e no espaço. E viver a dois um projecto destes é maravilhoso para uma relação conjugal, sim!
E, sim, sinto-me feliz nesses momentos mas sei que estou a  viver essa felicidade no tempo certo e, daqui a uns meses, não vou vivê-la com retroactivos. 
Daqui a uns meses vou estar feliz com outras coisas: a descoberta do seu rosto, dos seus primeiros traços de personalidade, com o desenvolvimento da Ana, os sorrisos, as vocalizações, as primeiras conquistas. 
Não sou de nostalgias. E não, não me venham dizer para não cuspir para o ar, porque (guess what?) eu conheço-me melhor que ninguém! 
Tal como se voltarem a reler este post, posso-vos garantir uma coisa: não falhei num único prognóstico. 
Estamos entendidos?

quarta-feira, 11 de julho de 2012

TPA: definição

A tensão pré-aniversário (conhecida pela sigla TPA) é uma síndrome que atinge pessoas lúcidas e que ocorre, em maior ou menor grau, nos anos que sucedem o 30º aniversário . É caracterizada por uma irritabilidade e ansiedade mais acentuadas, bem como manifestações físicas, como por exemplo azia, náuseas e cefaleias. Decorre do aumento de peso, aparecimento de primeiros cabelos brancos ou mesmo início de calvície no que diz respeito ao sexo masculino, menor resistência depois de uma noitada, primeiras rugas de expressão e gravidade nas maminhas, no caso das mulheres e do perímetro abdominal, no caso os homens. 
Sintomas associados: depressão, necessidade de fazer um corte de cabelo, ansiedade generalizada com recurso a compras desenfreadas no shopping, necessidade de recorrer a confabulação no que se refere à verbalização do número de anos a celebrar, transtorno do pânico, transtorno quadripolar. 
Causas médicas: acumulação de dias no couro.  

(Pronto, como diz mámen "estou às portinhas da morte"!)

terça-feira, 10 de julho de 2012

O pânico da escritora grávida: a folha do álbum em branco (depois da versão censurada não sei mesmo o que escreva)


Para a maternidade quero:


- anestesia geral para estar inconsciente
- que ninguém me deseje uma "hora pequenina" porque a cesariana está marcada e a duração é a mesma para todas as cesarianas
- que quando acordar estejas mega saudável, operacional, lavadinha, limpinha, pouco vermelha e enrugada e que te pareças o menos possível com o joelho de uma velha gorda pintada por Rubens
- que sejas parecida comigo mas com os olhos, as pestanas e a pele do teu pai
- que não sejas muito chorona porque, depois desta gravidez, eu não mereço
- que ninguém me minta e diga que és linda. Toda a gente sabe que os recém-nascidos não devem nada à beleza e tu não serás excepção
- conseguir ter bom senso para aturar as tuas avós que vão estar impossíveis que só elas sem ser mal-educada
- resistir a perguntar à tua avó dos Açores para quando está marcado o voo de regresso
- não ter que responder à pergunta "porque é que não dás de mamar?" sem ser bruta como a potassa
- não ter visitas na maternidade sem ser da família mais próxima e não ter que fazer sala acabada de parir, provavelmente inchada, descadeirada e com as hormonas em centrifugação
- uma garrafinha de qualquer bebida alcóolica para brindar ao fim da gravidez
- uma pratada de sushi para celebrar o teu nascimento
- a promessa do teu pai me pagar uma abdominoplastia.


(Mámen: a censurar textos escritos com honestidade para a filha desde 2012)

Os homens aprendem depressa

(Mámen a ressacar ser blogger por um dia)

Mámen- Quando a bebé nascer dás-me a nova password do blog para eu anunciar o seu nascimento?

Pólo Norte- Logo se vê. Se eu te deixar, o que me dás em troca?

Mámen- Uma cesariana?




(Oh fuck, o gajo é esperto!)

De hoje a uma semana é o meu aniversário!

Mãe: De hoje oito fazes anos! Queres alguma prenda em especial?

Pólo Norte: Uma cesariana.

Mãe: És tão parva! Vá, não queres mesmo algo em alternativa à cesariana que eu não te posso dar?

Pólo Norte- Um cheque-oferta 2 em 1: cesariana seguida de laqueação de trompas, aproveitando a mesma anestesia.

...

Eu não sou burra, eu estou grávida, tá?

Eu tinha neurónios. Não sei se vocês davam por isso mas eu tinha-os. Estavam cá e eram muitos e bons. Tantos que às vezes chocavam uns com os outros e faziam curto-circuito, resultando umas vezes em posts completamente destrambelhados, noutras em grandes calinadas.
Adiante, eu tinha neurónios. 
Depois fiquei grávida. E, agora, cada vez mais grávida. E os neurónios evaporaram-se. Estou lerdinha que dói. Burrinha de todo. 
Nos dois últimos posts escrevi que o "Comendador Nabais" isto e aquilo. Era "Nabeiro" que eu queria ter escrito, ok? Antes disso, lá me armei aos cucos a falar do marido da Isabel Angelino, o "Dr. Angélico Ribeiro". Que, afinal, se chama "Ângelo Rebelo". 
E vocês comentam sem me fazer o reparo? Nadinha? Nem uma chamadinha de atenção? Oh pá, vocês das duas uma: ou são mesmo queridos e não me querem melindrar ou têm medo das pragas que eu rogo de diarreias e catedráticas gastroenterites. Mas, pronto, quando for assim, ó fregueses, vocês reclamem! 
Mas com jeitinho. 

NOTA- Descansem-me lá as pessoas que já foram mães: os neurónios voltam, NÃO VOLTAM?

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Diálogo de uma noite de Verão

Mámen chega a casa e depara-se com Pólo Norte com um semblante exasperado. 

Mámen- Eh lááá, que mau astral... O que posso fazer para te animar? Queres ir fazer compras ao shopping?

Pólo Norte (com ar apático)- Não.

Mámen- Queres que encomende sushi? Que te massaje os pés? Que te faça cafuné?

Pólo Norte (desprovida de qualquer energia)- Não, obrigada.

Mámen- Vá lá, diz lá o que posso fazer para melhorar o teu humor. A sério, vá!

Pólo Norte (simulando uns segundos de reflexão)- Uma cesariana?

Percebes que Ana não é um nome muito na moda em pleno ano 2012 quando...

(No Banco)

Gestora de Conta- Então, essa gravidez já está avançada...

Pólo Norte- É verdade. Está quase.

Gestora de Conta- E tem corrido tudo bem?

Pólo Norte- Hum, mais ou menos. Estive internada com uma infecção mas já estou a ficar fina.

Gestora de Conta- É uma menina, não é? Acho que já me tinha dito...

Pólo Norte- Sim, é uma rapariga!

Gestora de Conta- Como é que se vai chamar?

Pólo Norte- Ana.

(Gestora de Conta esboça um sorriso de satisfação)

Gestora de Conta (em sussurro e a piscar-me o olho)- Desculpe-me a ousadia mas...I love Pólo Norte!

...

...

...

(Caixa Geral de Depósitos quadripolarizada- checked)

A leitora mais quadripolar de todas

Casa-se.
Vai de lua-de-mel.

"A bordo do aviao da Tap com destino a Miami e aparece-me isto no ecran :) "
 "Ora então na Ocean Drive com vista para as palmeiras :) "


"E agora com vista para o outro lado, o restaurante cubano propriedade da Gloria Estefan onde almocei hoje e onde ontem almoçou o Mourinho (e ele nem quis quadripolarizar isto!!)
"Olha o nome do sitio onde almocei hoje em Miami beach :)"

" Nas Bahamas- só para ti!"

E, nos intervalos do mel, quadripolariza tudo a que tem direito.

Kelle, és a máior! Pumba, Miami está quadripolarizado!!

domingo, 8 de julho de 2012

O baby-shower blogosférico está ao rubro!


A tia Turista já nos tinha surpreendido uma vez. Mas desta? Desta superou-se!

Pólo Norte e Ana Norte Mámen estão que não se pode! In love!

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Novo conceito de vá para fora cá dentro





Tenho um jardim em casa. E quase que oiço passarinhos.*

 (Ou, como a gravidez me avariou, de todo, a marmita)

quinta-feira, 5 de julho de 2012

O carteiro toca uma vez...

E um galo minhoto canta cá em casa...

Obrigada, Ana Paula! Do coração!

O Mundo divide-se entre... # 75

... as pessoas que moram num terra com coreto e as outras.

Ecografias, Rorschach e Kelly Family

Não querendo bater mais no ceguinho- mas já batendo- acho que, no fim desta gravidez, terei equivalência a uma licenciatura em Medicina já com especialidade em Obstetrícia só por causa do meu "currículo relevante" na óptica do utilizador.
Mámen não falhou a uma única consulta, logo, a nenhuma ecografia. Tendo em conta a gravidez de alto risco fiz imensas ecografias e, depois de de todas elas, saí de lá com a sensação de que ou todas as mães são umas iluminadas e percebem imenso de imagens ecográficas ou sou mesmo eu que sou uma péssima mãe e quase nunca enxergo mais que uma mancha de Rorschach.
"Olhe aqui a bexiga!"- oiço a médica. E vejo uma mancha preta. "Está a ver as bochechas dela?". E lá está um vulto sombreado.
Claro que mámen sai de lá sempre com um sorriso Pepsodent que lhe perdura o resto do dia. Diz que sim, que vê tudo, e ainda remata mais detalhes. "Ohhh, ela tem o nariz arrebitado!" ou "Viste as mãos dela a mexerem na boca?".
Eu? Eu calo-me para não parecer uma mãe da treta mas a verdade é que não vejo quase nada. Mas acredito em tudo o que a médica diz que essa tem uma licenciatura a sério.
Mas ontem? Com quase 2 Kg, já só se consegue ver a miúda aos bocados, que a imagem ecográfica já não consegue revelar o todo. E ainda foi pior. Não percebi patavina do que estava a ver.
Mámen? Que sim, que a filha é linda, que viu tuuuuudo!
Não sei se é verdade, se é para se armar aos cucos ou para me aborrecer. Mas quase que juro que, enquanto conduzia para casa, o ouvi trautear esta música:

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Para espirituoso, duas espirituosas (e meia)

A propósito disto e por instrução da minha amiga Xana, autora de pérola que se segue e da qual me apoderei, hoje ao almoço Pólo Norte abraçou mámen e vai de lhe responder à letra.

Pólo Norte- Mámen, tenho que te confidenciar uma preocupação que me anda a assombrar...

Mámen- Então? O que é que  se passa agora???

Pólo Norte (olhando para baixo para a barriga que teima em expandir-se)- Sinto-te, de dia para dia, cada vez mais distante...

Evidências que Deus é homem. E engenheiro.

Evidências que Deus é homem e engenheiro: o tempo de gestação é de 9 meses.
Sendo que os últimos 3 servem, basicamente, para a engorda da mãe e do feto.

Se Deus fosse mulher isto despachava-se, no máximo, em 6 meses, e sem grandes cálculos.
De cer-te-zi-nha!

domingo, 1 de julho de 2012

Sabes que és quadripolar quando...

alguém te diz "É um badá, um badeum, badá" e tu continuas a cantar a letra non sense sem te enganares e com uma alegria esfuziante. 
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