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segunda-feira, 12 de outubro de 2015

A quadripolarização mais emocional de todas






"Ola Ursa,
Em anexo as fotos da Quadripolarização da terra da sua família materna (Poiares – Ponte de Lima), visto que ainda não estava devidamente quadripolarizada.
Ao dispor.
Carolina Rocha"

Esta quadripolarização esteve em suspenso alguns meses. Cada vez que botava os olhos na fachada da Quinta da Torre- onde a minha avó nasceu, onde eu passei em cima de uma vaca até ao posto, onde descasquei milho e lhe reirei as barbas para fazer chá, onde cheirava ao pão de milho quente da minha tia Carminda, onde soava a buzina da carripana do pão que nos trazia rosquilhas que comíamos com o mel das abelhas que ali viviam, onde me ria das tropelias do Toné, o caseiro da quinta- cada vez que botava os olhos nestas fotografias dava-me vontade de chorar. 
Sempre achei que não tinha uma terra. Sou um bocadinho de todos os sítios onde fui feliz. Mas toda a gente tem um chão, um ponto de partida, onde o GPS da vida se inicia, terra onde assentam as raízes mesmo que os troncos ramifiquem Mundo fora, onde o som da pronúncia soa a casa, a lar. Toda a gente tem uma terra. A minha é esta. Minho no seu mais verde melhor. 

 E esta é a quadripoilarização mais emocional de todas. Obrigada, Carolina!

" O coração de mãe fica branco (sem pinga de sangue) quando um filho dá um grande trambolhão."


A frase é da Isabel Minhós no meu livro favorito do planeta Tangerina. E não poderia traduzir melhor o que senti na sexta-feira. 
A Ana tinha chegado à feira, bem disposta e faladora, cheia de energia e boa disposição. Era um princípio de noite feliz, a três, a ajudar no projecto bebé d'A SEITA. Jantámos cá fora no recinto, com luzinhas e ambiente de arraial, comemos arroz doce no final, a Ana feliz e saltitona, as suas gargalhadas a embalar-me. 
Fui para a banca ajudar o Sérgio. A Ana foi brincar com o pai, nuns bancos corridos dentro do pavilhão. Ao longe ouvia-se ruído de fundo, copos cheios de vinho de Bucelas a tilintar, gente a rir, frases no ar, vozes felizes de sexta-feira à noite. De repente um barulho. Estiquei a cabeça, apurei o ouvido, não ouvi nenhum choro. O meu marido a correr na minha direcção, a cabeça da Ana pousada no seu peito, o corpo sem sentidos. Eu fora de mim, controlada e robótica, a minha voz como se fosse de outra pessoa: "Ana! Ana, filha! Ana, acorda, filha! Ana". A Ana abriu os olhos e estendeu-me os braços, os seus olhos mortiços, nunca tive tanto medo na minha vida, a Ana a vomitar uma vez, duas. A Ana a chorar baixinho, sem berros, sem pavor, baixinho. Eu a passar por cima do chão sujo dos detritos alimentares, a correr, a ir ter com os bombeiros, eu modo autómato, eu sem ver ninguém, a cabeça da Ana no meu peito, a Ana mais leve e mais pesada que nunca. ~
A minha voz, calma e controlada, a falar por mim, eu sem qualquer controlo no controlo que todos viam. O INEM, a Ana a não querer mobilizar-se na maca, eu a dar-lhe colo, outro vómito, choro baixinho, eu a mantê-la alerta e consciente, "Ana de que cor é esta gavetinha da ambulância?", "Ana, vamos cantar uma canção?", "Ana, quando é que fazes anos?, "Vamos contar até 20, Ana, minha Ana?". O meu coração às pintinhas, "Ana, não morras!", "Ana, fica bem, Ana", "Ana, meu amor, és a minha vida". 

"Quando um filho fica doente, o coração de mãe fica às pintinhas (e muito mais pequenino…)

Pulseira laranja no hospital desconhecido para nós, eu sozinha com a Ana, o pai em pranto para trás, em missão, não podíamos deixar dois cadeirantes pouco autónomos sozinhos na feira, o meu telefone a avisar a falta de bateria, eu com vontade de chorar, a minha carcaça sempre calma, imperturbável, não podia mostrar à Ana que estava com medo, paralisada de medo, em pânico, no maior terror que já sentira na vida. "Ana vamos ver uma máquina divertida?" "Dói-me a cabeça, mãezinha!" Aquele "mãezinha" a esmagar-me o peito, a minha filha ao meu colo, sempre ao meu colo, a chorar baixinho, nunca gritou, a médica a sugerir que lhe dessemos um xarope para a acalmar enquanto fazia a TAC, eu em pânico, o estigma da TAC, eu por fora a dizer que não, que ela iria ser colaborante, que não era preciso. A Ana, pequenina, três anos de gente, a pousar a cabeça numa almofada demasiado grande para ela, a entrar na máquina da TAC, quietinha a olhar para cima, "amanhã não há escola, Ana, vamos ficar as duas em casa, só as duas, no quentinho, a brincar a tarde toda". 
A Ana a sair, o meu colo como uma fechadura para a chave que é a Ana, a médica a mandar dar-lhe soro de 5 em 5 minutos, a Ana a não querer, ele a entrar a correr, meu amor, a abraçar-me, a beijar-me a fronte, ele sabia que eu precisava de colo, meu querido. A Ana outra vez, a ficar com sono, nós a deixarmos adormecer aos bocadinhos, a acordá-la pontualmente, a Ana cansada, exausta, do susto, do medo, dos berros que nunca chegou a largar. A minha grande amiga Rosa a mostrar porque o destino a escolheu para ser madrinha da Ana, a fazer-me companhia, a olhar de soslaio para o meu colo, a entreter-me o medo com conversa. A médica a mandar-nos ficar lá algumas horas sob observação. E ali ficámos os três com a Ana, devagarinho e sem pressas, com todo o tempo do Mundo para, finalmente, a médica nos confirmar que o traumatismo crânio encefálico fora ligeiro, a recomendar-nos vigilância apertada nas próximas 24 horas, a dar-nos todas as instruções, a Ana a poder dormir sem interrupções, no meu colo, perto do meu coração às pintinhas pretas, muitas, todas juntas, a fazer um buraco negro de medo, de vazio. 
Nós a regressar a casa, a Ana a dormir no meio de nós. Nós a vê-la dormir, numa insónia partilhada, num silêncio entre o alívio e a preocupação. Amanhece. A Ana combalida, a Ana a não lhe apetecer comer, a Ana a apetecer-lhe brincar, finalmente, O fim-de-semana a passar, a Ana a voltar ao normal. O meu corpo a sintonizar outra vez com a minha alma, a minha voz a ganhar vida, o meu coração a despintar. A Ana a ficar boa. A Ana a rir, as gargalhadas novamente a embalarem-me, a Ana a devolver a vida aos meus dias, o meu coração ao meu corpo.  

 "Mas o coração de mãe volta a crescer  quando um filho se sente finalmente melhor!”

Ninguém o explica melhor, que a Isabel Minhós, no seu ""Coração de mãe". O meu está novamente a bater ao compasso doas gargalhadas da minha filha Ana, meu amor maior. 

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Ahhh, Veneza!


"Bom dia minha querida!
"Olhaaa quadripolarização fresquinhaaaa!"
Em Veneza! :)
Beijinhos e saudades!
Anabela"


beijinhos, minha Anabela!

terça-feira, 6 de outubro de 2015

A tripulação de bordo da Ryanair mostra que tem, efectivamente, um grande sentido de humor


Ahahahahahahahahaha! É a raspadinha quadripolar, ó fregueses!


(Obrigada à hospedeira voadora não identificada- a seu pedido! 
É sempre bom termos infiltrados quadripolares a bordo. Beijinhos. )

Honduras? Checked!



Obrigada Alda! Honduras já cá canta!


Conheçam a cruzada quadripolar aqui.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Lua-de-mel quadripolarizada, lua-de-mel abençoada




Um beijinho para a Ana o o seu recém-esposo que em lua-de-mel na Tailândia não se esqueceram de afirmar a sua quadripolaridade!

Que sejam felizes (e quadripolares) para sempre!



Conheçam a cruzada quadripolar aqui.

domingo, 4 de outubro de 2015

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que não tiraram fotografia ao seu boletim de voto para pespegar no facebook e as outras.