terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Coisas que ficas a saber quando recuperas o teu iPhone passado mais de um mês

A Flávia esteve em Cascais dia 20 de dezembro e convidou-te para um café, a casa da tua amiga de cuja chave tens e alojaste pessoas tem um código de alarme que se não for activado faz um cagaçal do caraças (too late), feliz natal de montes de gente, amigas com férias marcadas em conjunto e como fiquei em silêncio assumiram que quem cala consente, o anfitrião de Roma queria ter-te ido apanhar ao aeroporto, o ex namorado mandou sms a reagir ao corte de cabelo, houve uma festa muita gira de Réveillon para a qual foste convidada e não sabias, o teu sobrinho Ben perdeu o peluche que lhe deste e está inconsolável.

Aparentemente, tudo se resolveu sem mim.

Sou tão #sqn importante, caraças. 

sábado, 26 de janeiro de 2019

Gente quadripolar que vale a pena conhecer


Em 2014 tinha a cabeça a mil e a fervilhar cheia de ideias, projectos e de gente gira à minha volta e a minha actividade online vivia uma fase desenfreada e lembrei-me de fazer um projecto em que partilhava pessoas que eu considerava interessantes,que tivesses histórias de vida, testemunhos ou apenas ideias interessantes e que eu achava uma pena que o Mundo inteiro não conhecesse. 

"Gente" era uma série de pequenas histórias, ao jeito dos Humans of New York, que eu coleccionava numa página de facebook. Era uma ideia que me entusiasmava mesmo até ao dia em que o Pedro, um dos intervenientes do projecto- actor que me foi apresentado pela Eunice- se suicidou. 

Com o seu desaparecimento, a ideia perdeu o brilho e eu o fôlego. 

No início deste ano, na sequência deste post e do imenso feedback que recebi de quem me lê, decidi que ia regressar a este blog (sem pressões, nem obrigações) e que ia voltar aqui a reunir todo o conteúdo que tenho produzido ao longo dos anos e que anda espalhado por grupos e páginas de facebook, instagram e blogs paralelos. Afinal, este é o meu canto. 

Amanhã encerro o grupo "Gente" lá no facebook, depois de hoje ter transcrito para aqui todos os posts que lá jaziam, agora todos arquivados na etiqueta "100 quadripolares que vale a pena conhecer". 

Que este ano me traga mais pessoas inspiradoras e inspiracionais, normais e humanas, cheias de virtudes e vícios: gente. 

The show must go on. 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

O Mundo divide-se entre...




O amor que fica



No outro dia, a propósito dos 20 anos de namoro com o Rui, perguntaram-me se eu acreditava em almas gêmeas. 
Não acredito. 

Amei 3 homens na vida: um demasiado platonicamente, um demasiado carnalmente e fiquei com o que amei na medida certa e no equilíbrio entre as duas margens. 

Poderia ter tido uma relação duradoura e feliz com qualquer um dos outros 2 com quem não fiquei, tivessem as circunstâncias e os tempos sido diferentes, e eu ter sido diferente nesses tempos. 

Não se esquecem os grandes amores: arrumam-se nas gavetas recônditas do coração, mete-se cheirinho de alfazema para prevenir maus cheiros e bolor, dobra-se bem dobrado e, em alguns casos, fez-se como com as toalhas de linho e embrulham-se em turcos antes de arrumar, para garantir que ficam acondicionados e preservados. Que não se estragam. Mesmo que saibamos que não os voltaremos a usar. 

Antes achava que não: que os amores passados eram roupa usada, velha, descartável. Mas depois o tempo passou e eu passei pelo tempo e vislumbrei claramente quem eram os amores da minha vida e o quanto lhes quereria bem para sempre, mesmo que já não os tivesse a eles nem eles a mim. 

O amor é uma sorte bestial para a qual não basta encontrar a pessoa certa: é preciso haver o timing das vidas, as circunstâncias do destino e a predisposição certa, porque o amor dá um trabalho danado! MEC escreveu “o amor é uma coisa, a vida é outra porque a vida dura a vida inteira, o amor não” e eu não acredito nisso nem nas almas gêmeas mas acredito que o amor pode durar uma vida inteira, mesmo que não resulte em relações ou em romance.

 O respeito pela pessoa que se amou, o carinho e o bem querer mesmo à distância, os sorrisos que involuntariamente esboçamos quando nos vêm memórias à cabeça e o bem que nos fez aquele amor cá dentro, no motor do coração, são sinais inequívocos que o amor não se esgota quando encontramos o nosso final feliz. 

Amei 3 homens na vida: um eu deixei, o outro deixou-me e fiquei com o terceiro. A vida corre: feliz. O amor a geminar não derruba o amor que já murchou e voltou à terra, fertilizando-a para alimentar melhor o amor que floresce. 

Não há almas gêmeas. 

Todo o amor fica mesmo que fiquemos num só amor.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Posso respirar de alívio

O marido de uma amiga diz que eu pareço a gaja dos Da Vinci que foi ao Festival da Canção mas o ex-namorado já deu sinais de vida a elogiar o look.

domingo, 20 de janeiro de 2019

Sou só eu?

Uma pessoa bota uma fotografia de cabelo curto e recebe elogios simpáticos de montes de gente mas uma pessoa só se convencerá quando o ex-namorado de 1997 botar um like, fizer um comentário ou enviar uma mp a pronunciar-se.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

OS Ryanairalls



Os reino dos Millenials também conhecido por Modernália ou Milénioàtoa é composto por organismos heterotrófos digitais,ou seja, por organismos que não produzem o próprio alimento mas que são muita fortes em fotografá-los.

Trata-se de um reino fabuloso e complexo por apresentar um sem número de filos e espécies espantosas que vai desde os green millenials, os instagrammers aos runners e aos vloggers até que chegamos, finalmente, à espécie mais paradigmática: os ryainairalls.

Os Rayanairalls têm um pensamento nómada e um gosto enorme por viajar sem, no entanto, possuírem características de conta bancária para viajar com a dignidade e - assumamos- o conforto com que acham que merecem, sendo essa uma das principais características do grupo e que os diferencia de outros seres voadores sem asas, como é o caso dos OVNIs.

Os Ryanairalls são classificados em diversos filos, sendo muitos deles animais acéfalos que em pleno ano da graça de 2019 continuam a bater palminhas quando o piloto aterra e outras características semelhantes como a capacidade de se indignarem muito por terem que pagar por uma miniatura de martini a bordo devido ao facto desta não estar incluída no bilhete de dez euros de ida e volta para Bordéus.

Esta capacidade de esperarem ter direito a refeições do José Avillez a bordo bem como de almofadinha e mantinha e filmes e phones para depois gamarem e enfiarem nas malas de mão pelo módico preço de 7,5 euros por bilhete de ida e volta a Málaga só é superada pela fabulosa capacidade em acreditarem no poder mágico de malas que encolhem ("Não, não pode ser! Enfie lá isso bem aí na coisa de medir as malas que eu juro pela minha vizinha ceguinha, ela não veja mais já aqui, que isso tem as medidas certinhas!"  e, ainda mais, em jurarem a pés juntos que o pessoal de check in deveria " vá lá, não pode fechar os olhinhos a esta mala? É que no site dizia 40cm x 20cm x 25cm mas a feira del Relógio de Madrid estava tão boa que trouxe umas camisolas para o meu cão e gato e para o piriquito e não percebo porque me quer cobrar mais e me obriga a mandar esta mala para o porão" não para todos os passageiros com malas oversize, mas para si em particular. 

O Ryainairall viaja contrariado. Está chateado com tudo, basicamente: com o facto de ter que se sentir passageiro de segunda por entrar no terminal 2 do aeroporto de Lisboa, de não haver lojas duty free em barda no mesmo terminal, de ter que andar a pé até ao avião na pista, de não poder levar líquidos na mala de mão (mesmo que essa regra seja para todos, mas, nesta altura, o ryainairall já está com a mania da perseguição!), de ter subir escadas até à porta do avião, dos assentos serem apertados, de não haver lugares marcados, de não haver revistas (mesmo que nunca as leia) nem monitores, dos comissários de bordo ainda usarem Clearasil e das hospedeiras não terem rabos de cavalo perfeitos e estarem cheias de ganipas nos cabelos, da casa de banho não ter Feno de Portugal para se lavar as mãos e, finalmente, de com aquelas tão parcas condições, a companhia aérea não emitir um pedido de desculpas, por quem sois, e face ao privilégio de ter tão distinta espécie a bordo,  não lhes permitirem viajar de borla. 

Os Ryanairalls são criaturas que gostam de ir para a fila da porta de embarque para serem os primeiros a entrar para o avião mesmo que os lugares estejam pré-definidos e escritos nos bilhetes, que não fazem xixi antes de embarcarem e depois gostam de estar de pé na fila para a casa de banho do avião, que gritam da primeira fila para a última "ó amor, passa-me aí a sande mista", que viajam de avião com tanta naturalidade que aproveitam para roer unhas, arranjar sobrancelhas, pentear-se e espremer borbulhas, e que mal o avião aterra e ainda a ouvirem o aviso para permanecerem sentados desatam de imediato os cintos de segurança e fazem uma melodia de clicks, ainda antes, do derradeiro aplauso. 

Os Ryainaralls não deviam ter destino, seja ele Roma ou Manchester porque viajar na Ryainar é A  verdadeira experiência de viagem: regateia-se pesos de malas como numa medina de Marrocos, cobram-lhes por respirarem aos preços do Dubai, são levados a apostar em raspadinhas como se estivessem numa corrida de cavalos de Ascot, a experiência de ir a casas de banho é como se estivessem numa tabanca da Guiné-Bissau e são vendidos perfumes com o expertise com que se faz nas melhores perfumarias de Paris de França.

Os Ryainaralls são uma espécie maravilhosa e merecem tudo de bom que a experiência aérea lhes consiga proporcionar. 

Em particular a corneta da aterragem. 

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Comer, Orar e Amar em quadripolarês

Ambos guardámos artigos de pesquisa sobre Roma que fizemos antes de virmos. 

Tu partilhaste comigo que procuraste por um roteiro “Anjos e Demónios” da cidade. Eu ri à gargalhada com a confidência e reconheci que tinha pesquisado um roteiro “Comer, Orar e Amar”. 

Somos tão diferentes em tantas coisas: nos gostos, nos interesses, nas rotinas. Mas nunca parecemos diferentes. Parecemos sempre em sintonia mesmo quando não estamos. Tu quiseste ver cada estátua, quadro, igreja e fresco. Às vezes eu sentava-me nos bancos das igrejas, catedrais e basílicas, cansada e absorta nos meus pensamentos, enquanto tu admiravas absorto cada capela, cada altar, cada pintura, cada inscrição. 

O tempo era teu enquanto fazias algo que te fazia feliz e a minha paciência fazia parte do tempo que assim te dedico, à laia de te ver feliz também. 

Depois saíamos pelas ruas sem destino e eu parava em cada recanto terracota bonito para poder fotografar, sem medo de demorar a encontrar a luz certa ou arrastava-te por um mercado de rua cheio de nativos com roupa de feira e calçado underground e tu sorrias, paciente e pachorrento, com a minha necessidade de me misturar com as gentes. 

A paciência que me dedicavas era retribuição, sem termos que fazer contas ou cobranças. ~

O amor salda-se. 

És uma pessoa da História, da arte, da cultura e do Mundo. Eu serei sempre uma pessoa de gente e de pessoas. Completamo-nos, sem nos anularmos, só com o foco de sabermos que importante, mesmo importante mesmo, é fazermos o outro feliz. 

E no saldo final o outro é sempre cada um de nós. 

Acho que é isto o amor.

Sobre aquilo do #10yearchalleng.

Alguém tem que vos dizer isto: não, migas, não são vocês que estão melhores que há dez anos naquilo do #10yearchalleng.

São as máquinas digitais com filtros.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Os Mini Stars eram poetas, pá!


“Meu maior sonho é dar a volta ao Mundo. Ir ao Egipto ver os faraós, fazer amigos porque a viajar- uó uó- nunca estamos sós. Ir a Paris ver a Torre Eiffel e ver o Papa e a cara dele, quando me vir de mochila às costas na Praça de São Peeeedro!”


[As viagens são muito mais giras vistas a partir das stories do instagram do Quadripolaridades: espreitem por lá!]

domingo, 13 de janeiro de 2019

Porque hoje é dia 13...

Somos de datas simbólicas embora, na realidade, todos os meses, desde o primeiro, assinalamos o dia 13. Digo assinalamos porque nem sempre festejamos. 

Houve dias 13 de festa, claro, a maior parte deles, mas também houve de cansaço extremo, de chegar ao fim do dia de trabalho e de sermos engolidos pela rotina e só desejarmos feliz mesário já deitados na cama, antes de dormir. Houve dias 13 miúdos, de estudo, vésperas de frequências, de férias escolares dele nos Açores e minhas em Monte Gordo, de jantares de refeições macrobióticas na cantina velha da cidade universitária. Houve dias 13 dele sair tarde do café Chocolat em Cascais ou da Zara onde teve que trabalhar depois das aulas para pagar as propinas e a sobrevivência durante os últimos anos da faculdade . Houve dias 13 de desemprego, de trabalhos duros, de salários em atraso e de flores roubadas em quintais de vizinhos, de não sabermos como ia ser a nossa vida no mês seguinte. Houve dias 13 na primeira casa alugada e na segunda e um dia 13 numa casa vazia com um bebé de um mês no colo, olhos marejados, depois de nos assaltarem a casa e nos levarem tudo. Houve dias 13 sem dinheiro para o fim do mês e dias 13 de aumentos salariais e jantares em sítios que sempre sonhámos ir como o 100 maneiras. Houve dias 13 a guardar o segredo excitante de que tínhamos um bebé na barriga e o dia 13 de Agosto de 2012 em que passámos finalmente a ser 3 numa bolha de amor, pais: nós. Houve dias 13 separados, zangados, desiludidos um com o outro, apartados e sem sermos marido e mulher e dias 13 de reencontro e reconciliação. Houve dias 13 de aliança de namoro no dedo e depois aliança de casados e até sem aliança antes de tudo voltar a ser como é agora. Houve dias 13 na primeira casa comprada e a partilharmos uma hipoteca, dias 13 de luto e de dor de pessoas que fomos perdendo e dias 13 banais, de esparguete com carne guisada sem glamour porque a vida não é sempre purpurinas. Houve dias 13 em NYC num rooftop no dia em que comemorámos 13 anos e casámos os anos de namoro.

 E houve aquele dia 13 no terraço do bar do ISCTE em que ele me roubou um beijo e mudou os meus dias 13 para sempre. Venha o próximo. 

São 20 anos de dias 13. 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

A EXPERIMENTAR | LA VECCHIA ROMA


Esqueçam tudo o que acham que sabem sobre cozinha italiana. Tudo o que comemos de italiano em Portugal é uma fraude. 

A orgia romana gastronómica é aqui no @la_vecchia_roma.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

De Roma com amor




Ontem deambulámos pela cidade. Está frio. Comemos ao peso a comida típica. Sentamo-nos numa esplanada a beber um café que sabia a café. Deixámos anoitecer. As ruas são pouco luminosas mas seguras. Entrámos num dos monumentos mais famosos e sentámo-nos a ouvir uma celebração num idioma bonito. Voltámos a passear pelas ruas e nunca deixámos de nos sentir em casa numa espécie de dejá-vue. Respira-se histórias de muita trama por aqui mas o amor está sempre à espreita. Onde estamos nós?! 

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