terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Comer, Orar e Amar em quadripolarês

Ambos guardámos artigos de pesquisa sobre Roma que fizemos antes de virmos. 

Tu partilhaste comigo que procuraste por um roteiro “Anjos e Demónios” da cidade. Eu ri à gargalhada com a confidência e reconheci que tinha pesquisado um roteiro “Comer, Orar e Amar”. 

Somos tão diferentes em tantas coisas: nos gostos, nos interesses, nas rotinas. Mas nunca parecemos diferentes. Parecemos sempre em sintonia mesmo quando não estamos. Tu quiseste ver cada estátua, quadro, igreja e fresco. Às vezes eu sentava-me nos bancos das igrejas, catedrais e basílicas, cansada e absorta nos meus pensamentos, enquanto tu admiravas absorto cada capela, cada altar, cada pintura, cada inscrição. 

O tempo era teu enquanto fazias algo que te fazia feliz e a minha paciência fazia parte do tempo que assim te dedico, à laia de te ver feliz também. 

Depois saíamos pelas ruas sem destino e eu parava em cada recanto terracota bonito para poder fotografar, sem medo de demorar a encontrar a luz certa ou arrastava-te por um mercado de rua cheio de nativos com roupa de feira e calçado underground e tu sorrias, paciente e pachorrento, com a minha necessidade de me misturar com as gentes. 

A paciência que me dedicavas era retribuição, sem termos que fazer contas ou cobranças. ~

O amor salda-se. 

És uma pessoa da História, da arte, da cultura e do Mundo. Eu serei sempre uma pessoa de gente e de pessoas. Completamo-nos, sem nos anularmos, só com o foco de sabermos que importante, mesmo importante mesmo, é fazermos o outro feliz. 

E no saldo final o outro é sempre cada um de nós. 

Acho que é isto o amor.

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