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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Ana, a mercenária

Estamos a caminho da consulta com o pediatra e reparo que carrega a pasta com as receitas do bolo de cenoura que anda a vender:

“Que é que foi? Pensavas que o Dr. Mário ia escapar-se a comprar-me uma?!”


...

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Ana, a valente

A Ana veio trabalhar comigo no sábado. Estava chocha desde a véspera e quando lhe toquei ardia em febre. A tosse tinha dado lugar à febre e eu tinha a certeza que vinha aí a terceira amigdalite do último ano e arranquei para o hospital. 

Falo sempre com ela de igual para igual “Ana: és capaz de ter uma amigdalite e os bichos que moram na tua garganta têm que morrer de vez. “ Ela começou a chorar baixinho e a murmurar que não queria outra injecção de penincilina. 

Eu abracei-a e olhei-a nos olhos: ”se se confirmar a amigdalite e havendo a alternativa do antibiótico durante uma semana e no pressuposto que ficas boa de uma maneira ou de outra, tu podes decidir, Ana” 
Que decidirias tu, mãe?
 “A injeccao porque nunca tive medo de agulhas e porque sempre tive pressa de deixar de estar doente. Mas tu é que sabes de ti, Ana. Tu é que decides, mesmo. 

 E quando entrámos nas urgências o médico simpático fez uma zaragatoa e confirmou a amigdalite. 

“Agora vem a pergunta chata, mãe...” e eu pedi-lhe que perguntasse à Ana e ele olhou-me com desdém “por amor de Deus, mãe, a criança ainda não tem maturidade para decidir” e a Ana interrompeu-o e disse “a injeccao de penincilina!”

 E ele ficou com os olhos muito grandes de espanto e admiração. “Tem que ser para passar rápido! Dói muito mas é o melhor” e a enfermeira disse que nunca tinha visto nada assim, e o médico colou-lhe um autocolante na camisola e deu-lhe uma luva cheia a imitar um balão em forma de pica-pau e eu dei-lhe a mão enquanto ela chorava com a agulha a entrar-lhe na pele e no fim ela aterrou no meu colo quieta e cansada e deu-me um dos momentos mais orgulhosos da minha existência como mãe.

 Isto de ser mãe também dói muito e muitas vezes mas é sempre o melhor.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Desistir nem sempre é fracassar


A Ana falava das suas aulas de música no conservatório. Estava entusiasmada a falar desta nova linguagem que eu não domino: breve, semibreve, mínima, colcheia. Eu sorria, enternecida, quando a minha amiga que partilhava a conversa connosco acrescentou “Oh, Ana, tu começas tão entusiasmada nas actividades. Vê lá se desta vez não desistes!” 

E eu fiquei ali a pensar nessa conversa de toda uma vida que insiste, persiste e não desiste e esse filho da puta de otimismo tóxico que me enoja horrores de tu vais conseguir, só energia positiva e de insiste, persiste e não desiste. Eu não quero que a minha filha se sinta obrigada a não desistir.

Se o desporto a faz sentir frustrada, não lhe dá prazer, lhe baixa a auto-estima ela pode e deve desistir. E procurar outro onde se sinta confortável e feliz. Ou parar e não procurar nada.

Se escolher uma área académica no décimo ano que perceba que não é afinal a praia dela, em que tenha que aprender disciplinas que não lhe digam nada, que a orientem para um caminho que não é o que ela espera, que desista. Que volte atrás e recomece. Ou só que páre.

Se um dia tiver um trabalho em que se sinta miserável, em que não lhe apeteça levantar-se de manhã para ir trabalhar, então, que se foda e desista.

Se um dia tiver um namorado ou um marido que não a trate condignamente, que não preste, então que ganhe coragem e desista.

Desistir não é covardia. Desistir não é falhar. Desistir é decidir.

Decidir que chega, que não se quer, que se quer melhor ou apenas diferente. Decidir que se quer mudar. 

Decidir o curso da nossa vida.

Portanto se a Ana achar que as breves e semicolcheias não lhe dizem nada e que não respondem à sua curiosidade e à necessidade de conhecer e compreender o Mundo, então que desista. E recomece. Ou só pare. Pare apenas. Todas as vezes que for preciso.

O encanto da vida passa por começar, experimentar, desistir, recomeçar, continuar. Parar.

E decidir sempre com a alma e o coração. Com coragem e bravura. Mesmo que seja decidir que desiste. 

Que desista, pois então.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

No fim morremos todos

38 anos e sete meses menos dois dias.


Já penso na minha própria morte (durante mais de duas décadas não pensei nela), na minha mortalidade e finitude.



O futuro está sempre na sombra e no encalço do presente. Li um dia que somos velhos quando temos mais memórias que sonhos, mais recordações do que projectos e planos, mais lá atrás, caminhos e estradas velhos conhecidos que atalhos desconhecidos por explorar. Estou cheia de sonhos simples e concretizáveis e guardo com alfazema num canto do meu coração todas as memórias de afectos e amor. Tudo o resto não tem espaço em mim, nem o rancor nem o ódio, nem coisas tóxicas nem nada que não me tenha acrescentado. O meu coração tem apenas memória RAM para o passado bom e o futuro de paz e leveza, que é isso que espero enquanto for envelhecendo. Dizem aos mortos "que a terra te seja leve" mas eu acho que deviam dizer aos vivos que o ar lhes seja leve para que o pensamento, os sonhos e os planos voem livres como o vento. Um céu leve.



Deixei de saber só o que não quero e passei a ter uma clara noção do que quero. Quero a saúde minha e dos que amo, quero quem me quer bem por perto, a intimidade reservada para as gargalhadas de quem me ama na mesma proporção do que eu os amo. Quero reciprocidade e merecimento. Quero relações fáceis e simples, sem cobranças nem julgamentos,sem truques na manga nem agendas secretas,sem cerimônias nem formalidades.Quero ser eu,sem pensar no que dizem os outros. E quero só quem me quer assim, quem goste de mim como sou e não me queira, projecte ou fantasie diferente ou à sua medida. O meu molde é torto, único e nunca me conseguirei encaixar.



Quero sentar-me com as pernas à chinês no passeio se estiver cansada, não me importar com maneiras socialmente impostas, dizer vernáculos e rir alto, usar decotes e não fazer fretes e quando me disserem que já não tenho idade para isto, poder fazer um pirete e cagar-me para o facto da idade não me perdoar.



A vida não é um juiz do certo ou do errado, não traz reguada incorporada e no fim morremos todos. Quero fazer o que sempre fiz: o que me dá na real gana, o que me faz sentir-me fiel aos meus valores e leal às minhas crenças.



Quero morrer livre.Sempre livre

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

A minha vontade sempre que alguém me pede uma bio

Liliana: ursa, palhaça, blogostar do borboto, influencer da Bobadela, unicórnia wanna be e artista da cassete pirata

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Etiópia quadripolarizada!


[Obrigada queridos João e Anthony!]