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quinta-feira, 25 de abril de 2019

Sobre liberdade no dia de hoje e fugindo um bocadinho além das questões patrióticas




Quando o Papa Francisco esteve em Marrocos foi homenageado com um espetáculo em que um muçulmano canta uma oração em árabe, um judia em hebreu e uma cristã canta a Ave Maria de Caccini. Ao fim, a mistura das vozes numa sintonia perfeita, relembrando que a liberdade religiosa é possível. 

Nada me parece mais perfeito para relembrar no dia de hoje. 

terça-feira, 23 de abril de 2019

Ana, a confiançuda

Mámen em reunião até tarde. Eu e Ana jantamos, tomamos banho e enroscamo-nos no sofa

Ouço uma vozinha; "E agora um drinkezinho. mamã?!

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Anúncio do apocalipse

"Mãe quero falar-te sobre o meu aniversario."

" Xinapá, Ana, ainda falta muito : é só em Agosto. "

 “A pergunta é: Vais tu fazer o meu bolo de aniversário, não vais?

#fml

segunda-feira, 15 de abril de 2019

sábado, 13 de abril de 2019

Ana, a sismóloga

Entrei no quarto dela e estava um caos.

 Preparada para a repreender atiro: “Ana, que vem a ser isto?!” 

Apanhada, riposta: “Um simulacro?

terça-feira, 9 de abril de 2019

Quem define o que é preconceito terá que ser sempre o alvo deste

Começou no Carnaval: a mãe de uma pessoa para quem trabalho (gosto muito de ambas) queixava-se no facebook de que as pessoas estavam muito sensíveis a propósito dos comentários indignados e cheios de razão face a uma notícia de uma escola que tinha mascarado os seus alunos de negros, com peles pintadas, saias de palha e artefactos tribais. 

A senhora indignava-se e quando lhe expliquei sobre apropriação cultural recusou-se a aceitar os meus argumentos, contrapondo que agora se vê “racismo em tudo”. Falei-lhe de racismo flagrante e racismo subtil com toda a boa vontade. 

Continuava irredutível: que era uma forma de se mostrar a diversidade étnica e cultural, dizia a senhora e batia o pé. Contrapus para a realidade que eu e ela conhecemos: se numa escola decidissem mascarar os alunos de pessoas com deficiência, espetando-os em cadeiras de rodas ou dando-lhes canadianas, ela que é mãe de uma pessoa com deficiência, como se sentiria? Que era incomparável, que toda a vida nos mascarámos de chineses e indianos e qual era o mal. Eu continuava: porque não mascararem-se de pessoas com deficiência? Não era, pela mesma lógica, uma forma de sensibilização para a diversidade funcional? 

Às vezes as pessoas têm que se remeter à sua insignificância face a temas que não as melindram, sendo humildes o suficiente para respeitarem os assuntos que melindram outrem. Não interessa se a intenção é ou não racista (normalmente é, mesmo que velada e inconsciente, é muitas vezes racismo subtil e está tão enraizada que nem damos por ela...), a questão é que se ofende, se melindra, se tem impacto generalizado na população de negros: é racismo. Mesmo que não compreendamos. Não temos que compreender (quem não consegue compreender). Temos que ser humildes e aceitar. E pedir desculpas, retratando-nos. 

Isto a propósito do boneco negro que hoje jazia no iscte para gestão da raiva. “Ah, o boneco podia ser Branco”. Ah, mas não era. “Ah, mas é irrelevante, para o efeito, até podia ter sido um saco de boxe”. Mas não foi. “Ah, é apenas um ser inanimado de uma cor”. Pois mas a cor não é laranja ou roxo: representa uma figura humana negra. “Ah vocês vêem racismo em tudo!” Não está centrado no sujeito, isto do racismo, mas no objecto.

 Nós podemos vê-lo ou não, desde que eles o sintam: é racismo. 

Tal como seria discriminação se o boneco, de todos os bonecos que se pudessem ter escolhido para o efeito, estivesse sentado numa cadeira de rodas. 

Aceitem. 

Retratem-se.

domingo, 7 de abril de 2019

Português quadripolar

Gosto de viver em Portugal porque todos os outros lugares são estrangeiros e estranhos.

 Com isto não quero dizer que não goste dos outros países, à excepção que eles não são casa, não têm uma caixa multibanco a cada esquina e estão carregados de estímulos, novidades e coisas para serem descobertas que se tornam cansativas porque não são conhecidas e dominadas. 

Aquela brincadeira de sair da nossa zona do conforto é muito engraçada, mas assim que estamos desconfortáveis, estranhos ou estrangeiros, não procuramos outra coisa senão sentirmo-nos em casa. 

O mundo é capaz de se dividir entre quem desfaz a mala de viagem nos quartos de hotel e pendura a roupa que traz no guarda-roupa bem como coloca livros em cima das estranhas mesas de cabeceira e os outros. 

O pior de ser português é o ritmo do cinema, a má condução, as adaptações dos reality shows e os comentadores dos jornais online. O melhor de ser português é, à parte do café, o ser bairrista seja dentro do nosso bairro quando estamos a ver as marchas populares, seja a defender a nossa cidade quando temos jogos de futebol ou seja a assumirmo-nos portugueses buzinando a cada camião que passa com uma bandeirinha portuguesa no espelho dianteiro quando viajamos de carro pela Europa. 

Nós gostamos muito de pertencer aqui e como uma mãe relativamente a um filho, gostamos muito de nos queixar do nosso país mas ai de quem não seja daqui ou venha de fora e diga mal dele.

 Meu rico Portugal: quanto mais conheço os outros, mais gosto de ti. 

Somos portugueses em muitas coisas mas as mais importantes são este bairrismo e a paixão pela comida, seja ela de que província for, nisso estamos unificados, não há nenhum lado no Mundo onde se coma melhor que em Portugal. 

E não tem que ver só com a comida, mas com o sol que ilumina a esplanada, o som do mar aos nossos pés, os miúdos a correrem à volta da mesa em segurança, o cheiro a maresia e aos primeiros cremes protectores e o bitoque até pode ser uma merda. 

Tanto nos dá: haja pão para molharmos na gema do ovo estrelado e uma cerveja geladinha e ficamos felizes. 

Sabem aquela coisa da “felicidade está nas pequenas coisas”? Foram os portugueses que o descobriram.

Eu também.

quinta-feira, 4 de abril de 2019