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segunda-feira, 31 de janeiro de 2022
sexta-feira, 28 de janeiro de 2022
quarta-feira, 26 de janeiro de 2022
Aquele nível basicozinho de maturidade
A minha comadre vem à minha janela entregar-me um bolo de café com leite (minha ryca comadre!):
Ela: Com'assim estás sem sabor?
Eu: É para que vejas. Agora é que está a barraca montada...
Ela: E o estás a pensar fazer?
Eu: Vou ali emborcar o whisky Talisker que trouxe da Escócia e que nunca consegui provar. Assim como assim aquilo não me vai saber a nada...
Ela: Não sabe a nada mas bate!
Eu: Isso é que é visão...
terça-feira, 25 de janeiro de 2022
segunda-feira, 24 de janeiro de 2022
domingo, 23 de janeiro de 2022
Tenho uma amiga
Tenho uma amiga a quem a primirmã deu uma maquineta para aparar sobrancelhas no Natal.
Tenho uma amiga que, até ontem, não mexeu na profissional do sexo da maquineta mas que ontem, depois de uma semana adoentada e num dia de febre e sem nada com que se entreter, decidiu testar a máquina.
Tenho uma amiga que achou que a máquina não estava boa, deu--lhe uns safanões e em vez de testar a máquina noutra pilosidade corporal qualquer, decidiu testar na sobrancelha esquerda.
Tenho uma amiga que está, em pânico desde ontem, a ver tutoriais de maquilhagem com lápis de sobrancelhas porque já mandou mensagens a várias meninas das micropigmentações (todo um mundo que ficou a conhecer ontem) e dizem que o melhor é dar com o lápis mesmo até os cílios da sobrancelha voltarem a crescer.
domingo, 16 de janeiro de 2022
A estrela da serra
Subimos a serra devagar. Era fim de tarde e tínhamos esperança que quando o sol se pusesse ficasse mais frio e pudesse nevar de verdade. À medida que íamos subindo e os graus descendo, vimos que o que havia de neve era miserável, à excepção de numa pequena encosta que vislumbrávamos. Chegados à Torre percebemos tudo e fomos fazer tempo a beber um chocolate quente enquanto as senhoras faziam o fecho do café e o sol, realmente, se punha. Fomos os últimos clientes. O trânsito para descer a serra intensificava-se e nós a vê-los todos, um a um, partir.
Quando só restávamos mesmo nós ligaram os aspersores gigantes de água para que a mesma gelasse assim que batesse na dita encosta. Neve à força mas, ainda assim, neve. Neve para no dia seguinte alimentar a escola de ski. Neve, ainda assim.
E, nesse instante, em que a neve era fabricada à força da vontade do homem à nossa frente por aspersores gigantes e holofotes- e já sem nenhuma alma em redor- subimos a pista vazia, com sacos de plástico do lixo e descemos uma, duas, dezenas de vezes a encosta, com tombos e gargalhadas, escorregadelas e corridas para ver quem chegava primeiro lá baixo.
A minha filha gargalhava tão alto que era como se a Serra se fechasse para a ouvir, lua cheia no céu, três graus abaixo de zero, eco, neve e estrelas. Não perguntou porque os aspersores faziam chover água, o que eram os holofotes, porque não lhe tínhamos comprado um trenó e lhe tínhamos dado um saco de plástico para a mão. Não perguntou nada. Escorregou, subiu, voltou a escorregar, gargalhou sempre. Ininterruptamente.
Já cansados e de barriga cheia de neve, sozinhos no alto da serra e no caminho para o carro abraçou o pai. Eu fiquei para trás para os fotografar e, logo a seguir a este click, esperaram por mim e ela abraçou-me também: "Agora já descobri porque se chama serra da Estrela, mãe!". Porquê, Ana? " Porque a neve mágica é só mesmo a esta hora da noite, à luz das estrelas, não é?" Sorri e acenei. "Faz sentido. Por isso é que não fica aqui ninguém até à noite: deve ser mesmo um mistério bem guardado. Podemos combinar uma coisa os três?" Conta! " Este fica o nosso segredo: não contamos mesmo a ninguém!"
Shiiiiuu!
sábado, 15 de janeiro de 2022
sexta-feira, 14 de janeiro de 2022
quinta-feira, 13 de janeiro de 2022
Borboletas na barriga
Preciso de me rodear de coisas bonitas (e confortáveis). Não quero saber se está na moda (odeio o conceito de moda), se os outros gostam, se é consensual: se eu cismo com uma coisa, eu vou atrás.
Vale com tudo, também com objectos. Eu gosto de objectos, mais pela simbologia que pela utilidade, pelos gatilhos emocionais que me provocam.
Então eu cismei que queria redecorar a sala para enterrar 2021: trocamos os móveis de sitio, pomos coisas na arrecadação e trazemos outras que por lá andam, reforçamos as estantes porque livros é aquela coisa do first things first e, já com tudo nos novos sítios, percebemos que sobrou a parede da mesa de jantar e, de repente eu queria uma parede de pratos decorativos. Ah, está demode! Who cares? Eu quero muito.
Fui à feira da ladra e comprei dois, a Manuela de Guimarães disse que me dava uma série deles mas eu cismo com pratos com um tema específico: fauna e flora. E eu, a dizer que, caraças, não me chamasse eu Liliana se não haveria de ter um prato com uma borboleta azul.
Procurei por todo o lado e nada do bendito prato. Existia apenas na minha cabeça.
Hoje ele trancou-se no quarto à tarde, enquanto eu reunia em teletrabalho e, quando já quase noite vim à tona de trás do computador, ali estava na parede da minha sala: o prato com a borboleta azul.
O meu marido decidiu, a um dia de comemorarmos 23 anos de namoro, criar a fauna, a flora e pintar o princípio do Mundo em pratos na parede para mim.
Começou, como há 23 anos, a criar para mim uma Primavera completa.
Obrigada, Rui.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2022
Ten years challenge
Há dez anos tinha sabido há dois dias que estava grávida. Estava em Nova Iorque, a comemorar 13 anos de namoro no dia 13, porque casar os anos de namoro equivale a bodas de algodão doce.
Há dez anos conheci a Eileen e o Florin, e não imaginava que ia ganhar uma amiga irmã para a vida. Percorremos a quinta avenida a cantar a concrete jungle, fizemos a rota do sexo e a cidade com cosmopolitans e tudo a que tínhamos direito e tive um jantar romântico num rooftop com a cidade que não dorme inteiramente aos nossos pés. Nevava e era mágico.
Há dez anos era eu e a minha circunstância, tudo girava em torno de mim, egocêntrica e auto-centrada, a tentar encontrar quem eu era, como funcionava o Mundo e deslumbrada com a vida, a liberdade, os trinta acabados de completar.
Hoje sou eu, aos quarenta anos, na minha sala, num subúrbio de Cascais, depois de jantar bochechas de porco cozinhadas muito lentamente em vinho tinto, aquecimento ligado, gata a fazer tropelias, a minha mãe a fotografar o melhor ângulo da neta, a Ana a brincar com pedaços de madeira presos em fitas de cetim, a Ana a beber o seu "café", depois de ter dormido com tranças porque sonha ter o cabelo aos caracóis.
Talvez isto seja uma espécie de ten years challenge mas hoje, aqui, sou mais feliz que em Nova Iorque há dez anos, especialmente porque cada vez mais é tudo menos sobre mim e mais sobre o Mundo, a incrível normalidade da vida, enfim. O amor em mim
terça-feira, 11 de janeiro de 2022
A pessoa tenta sr modernaça e acompanhar as tendências e tudo e tudo
A rapariga é linda de morrer, o miúdo é fofo que dói mas... que quarailho de maneira de arrumar os livros é esta?
Alguém me explique como se eu fosse a suburbana saloia que sou...
sexta-feira, 7 de janeiro de 2022
Sim, mostrámos a Casa de Papel à miúda
Ana ouve na televisão comentário político onde se diz que "Rio afirma-se nos debates eleitorais"
Esbugalha os olhos e pergunta-nos, incrédula:
"O Rio vai-se candidatar às eleições?"
Sim? (Nós, confusos)
Suspira, com os seus botões: "A Lisboa é que dava uma boa presidenta..."
...
terça-feira, 4 de janeiro de 2022
Parabéns tia Cinda!
É por sua causa que começamos o ano sempre em festa. Foi a última dia meus tios a nascer mas foi sempre a primeira tia a chegar em todos os momentos da minha vida. É aparentemente serena mas interiormente ansiosa mas tem o condão de fazer com que nós achemos que tem sempre tudo sobre controlo. Na verdade, tem.
É como uma segunda mãe para mim e sempre que imagino como deve ser ter uma irmã tenho como referência a relação dela com a minha mãe. É uma segunda avó para a Ana, que não podia ser mais cúmplice dela, mais compatível, mais tudo. É a Titocas da Ana, a minha tia Cinda.É doutorada em comida pré feita nos corredores dos hipermercados mas é a melhor costureira do Mundo. Quando era pequena preparava-me sempre banhos de espuma com gel da Avon e deixava-me ficar na banheira até ter as mãos engelhadas. Deixava-me comer delícias do mar directamente do congelador e fazia a melhor salada russa do Mundo, inundada de maionese. Na adolescência encobriu-me namoros e curtes em Monte Gordo e tem o condão do chantilly dela nunca falhar. Deu-me a minha prima, aos nove anos e meio, que foi a melhor coisa que me podia ter dado.
Adora dióspiros, lia livros de cordel quando éramos as duas miúdas, afinal só temos 18 anos de diferença, desenhava-me umas bonecas que eu adorava mas que deixariam Picasso às voltas na tumba, dava-me sempre a mão quando dormíamos juntas, até eu adormecer. Mesmo que ficasse com as mãos dormentes.
Na verdade nunca deixou de dar.
Na verdade nunca deixou de dar.
Há um ano não lhe pudemos cantar os parabéns e tivemos medo de nunca mais o podermos fazer.
Mas este ano, aos sessenta acabadinhos de estrear, cá está forte, gira e plena. Ela diz que teve sorte mas a sorte foi toda nossa!
Parabéns, minha tia!







