quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Looks por menos de €10 # 1

Eu acho que a blogosfera fashion não é democrática. Ora se faz publicidade ao Freeport, ora à Bimba e à Lola, ora à Inditex. Ninguém- repito: ninguém!- se lembrou dessa fasquia que tanto faz pela confecção de roupa nacional, esses que acordam cedo, se montam em carrinhas brancas, palmilham o país de banca em banca, toldo em toldo, megafone em punho, voz bem colocada: os ciganos.
Pois bem, cá está Pólo Norte para repor a justiça social e lutar pelos direitos de quem gosta da marca Lello. E, porque hoje me deu para isto, e porque "é quinta-feira, yeahhhh", foi manhã de calçar sabrinas fechadas (levar sandálias para lá é sinónimo de trazer os pés pretos de surro que doem!) e palmilhar... a FIC (Feira Internacional de Carcavelos).
Assim, Pólo Norte lança o primeiro post de looks por menos de 10 € (Mónica Lice, cuida-te!).
Vamos lá ver as peças:
Camisola azul bebé

Apeteceu-me usar o Instagram porque é mais fashion, mas vocês acreditam que a camisolinha é azul bebé, não m'acreditam?
É da Petit Patapon (original, contrabando do bom, ok?) e pode-se conjugar com tudo: calças, saias, fofos (adoro chamar fofos aos macacões), vestidos com decote, saias de peitilho, fatos de macaco e afins. Se estiver calor até com a fralda do bebé e pernas ao léu combina. O preço? 2,5 €. 
Não sendo barato, no contexto Lello, é da Petit Patapon e a cagança até na feira se paga, ok?


Body branco

 Se "com um vestido preto, nunca me comprometo", a minha filha "com um básico branco vai aprender a procurar roupa na Primark e na Blanco". 
Também é da Petit Patapon (ainda mais original, atentos à etiqueta!) e pode-se conjugar com tudo o referido na peça anterior. Com a vantagem desta peça ser um 2 em 1: pode servir de body interior. Também a 2,5 €. Um must have no closet de bebés de mães pelintras como eu. 



Macaquinho branco

É uma peça mais masculina que feminina mas "a macaquinho quase dado, não se olha a paneleirices".  Pode-se conjugar com qualquer parte de cima das anteriores. Como tem pezinhos, dispensa meias e sapatos, logo é uma mega pechincha. Quanto, fregueses? Quanto? 1 €. Ah, poizé!



Vestido cor-de-rosa às florinhas

Se não apetecer vestir e despir coordenados de outras peças, conjuntinhos e afins, aqui está a solução: enfia-se um vestido. Não há que pensar no que é que combina, basta enfiar pela cabecita da cria e já está. Vestido com forro, ar chique e caro e que- garanto-vos!-vai sacar elogios! E olhares de "esta gaja gasta um balúrdio em roupa para a miúda, devem ganhar bem e sair cedo, os cabrões! A miúda estreia roupa quase todos os dias, viva o luxo! Em calhando,o parvo do marido sustenta aquela vaidade toda, dela e da filha, e ela à conta. Soberba é o que ela é.. E puta, claro! "
Mais 1 €. Vão buscar!



Quadripolarize a sua praia- Lagoa de Albufeira




"Olá Pólo,
aqui vai uma foto, o prometido é devido, lagoa de Albufeira.
Carmen"

sábado, 1 de setembro de 2012

O tio que morreu sem nunca ter vivido em mim

Parecendo que não, sou uma pessoa de família. As minhas raízes minhotas e uma cultura matriarcal criaram-me assim: próxima, parte de um clã, preocupada, presente, familiar como se pertencesse a uma família cigana. 
Na minha família metemos o bedelho na vida uns dos outros. Damos palpites. Cagamos sentenças e postas de pescada. Criticamos. Temos chaves de casa suplentes uns dos outros. Toques especiais de campainha para nos anunciarmos.  A nossa família somos todos, cada um dos nove (agora dez, que a Ana é a bebé comunitária) e a identidade de cada um transporta este sentimento de pertença à família. 
Talvez por isso, durante anos, me fez confusão o total distanciamento ao outro lado da minha família, a do meu pai. Os meus avós paternos morreram antes de eu ser gente. Os dois meio-irmãos do meu pai, mais velhos 25 anos que ele, completos desconhecidos. O meu pai ausente durante décadas. 
Durante anos foi como se eu vivesse neste universo da família materna, desconhecendo que se pertence a dois lados, a duas genealogias, a duas histórias. 
Há tempos conheci um primo direito. O mais próximo de mim em termos etários. Reconheci-lhe (reconheci-me?) expressões, feições, trejeitos. A genética é uma coisa lixada. 
Hoje soube que o seu pai, meu tio, morreu. Não senti nada, para além de um enorme lamento por não ter sentido nada. Fui acreditando, durante anos, que um dia haveríamos de nos conhecer. De retomar a história. De ouvir, da boca dos intervenientes, episódios da vida da minha avó, essa louca que desistiu da universidade para casar, que desistiu do casamento para viver um amor proibido, que desistiu de ser dondoca no Algarve, de um primeiro casamento, de filhos criados, para vir para a capital viver com um marialva, que veio a ser meu avô. 
Fui acreditando que o futuro me traria a oportunidade de encontrar estes tios, de lhes reconhecer também expressões faciais, gostos, parecenças. Que iriam haver mais dias pela frente, dias em que seria possível dar voz, dar tempo passado, rugas aquelas pessoas que jazem,imóveis, em fotografias a preto e branco. 
Mas o meu tio morreu sem nunca ter vivido em mim. E acabaram-se os dias pela frente. Já não há mais oportunidades. Mais tempo. Mais dias. 

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Morra a gata. Morra. Pim.

Hoje foi o dia em que soube que se quiser desactivar o airbag do Smart tenho que adquirir uma cadeirinha da marca. Isto seria tudo lindo e maravlihoso se não tivesse já comprado um carrinho trio que inclui o ovo que, aparentemente, serve para todos os carros. Excepto os da Mercedes. 
Fodida Furiosa com a coisa lá fui saber o preço da cadeirinha Smart que sou obrigada a comprar se quiser transportar a criança. 350 euros. Assim, 70 biscas, à antiga. Praguejei muito e adiei a compra. (Dará para  encaixar  miúda no porta bagagens?)
Decidi aliviar a frustração procurando aqueles estores com ventosas para tapar o sol e pespegar no vidro de carro de Mámen. Ainda fodida com a história do Smart Ainda frustrada com a história do Smart não me contive quando só encontrei estores cheios de bonecadas, 99 % dos quais em que a protagonista é... a Hello Kitty (estou a cuspir no chão neste momento depois de ter escrito estas duas palavrinhas).
A partir de agora serei conhecida no Toys R' Us do Cascaishoping como a "maluca que gritou: Morra a Gata. Morra. Pim!"
Pólo Norte- muito gosto e puta que pariu este dia. 

O Mundo divide-se entre... (edição escatológica)

... as pessoas que não levam leitura para a casa-de-banho e os outros.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Quadripolarize a sua praia- Praia de Miramar




"Olá querida Ursa,

Depois de ter visto no domingo no facebook o desafio da quadripolarização da praia, hoje lembrei-me disso e toca a quadripolarizar a minha...
Ou isso, ou então, como manter um puto de 7 anos ocupado enquanto não pode ir para a água...
A praia quadripolarizada foi a praia de Miramar em VNGaia.
Espero que tenhas gostado.

Beijinhos

Su"

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O plantel do Estoril-Praia que se ponha a pau ou ainda bem que acabou a volta à França em bicicleta

Hoje estacionei o carro em Cascais. Paguei parquímetro e fui à minha vida. No regresso, ali estava ele, o belo do carro quinado no pára-choques.Pensei logo para mim que algum filho da puta me tinha batido e fugido mas eis quando vejo o carro estacionado ao lado com a amolgadela respectiva. 
Ok, o cabrão bateu e estacionou, desprezando a esfoladela que tinha dado no meu. Nem um bilhete, nada. Decidi esperar que o condutor voltasse ao carro. Esperei até ao final da hora de vigência do bilhete do parquímetro. Nada. Eis que chega uma senhora que tinha estacionado perto de nós e se oferece como testemunha, confirmando que assistiu ao "xoxo" e que o homem (só podia ser gajo) bateu, desprezou mesmo a batida e foi à vidinha dele. Acrescentou que o mesmo envergava uma t-shirt amarela. UI, O QUE ELA ME FOI DIZER...
A partir daí foi o descalabro: interpelei todos os homens de camisola amarela que por mim passaram (e não foram assim tão poucos, credo. O amarelo esta na moda, é?) Mámen dizia-me que estava com um semblante tão desfigurado que mesmo que o condutor se aproximasse, assim que eu o interpelasse, ele não acusaria a propriedade do carro e preferia ir a pé para casa. 
Duas horas depois desisti. Assim que vi o comboio ali na estação e Mámen, armado em espirituoso, me disse "olha, amarelo!" e eu desatei a fitar o trem, tipo touro a mirar pano vermelho, achei que já me estava a passar mesmo. Para além do mais, era hora do banho da miúda e havia outro "amarelo" para limpar. Deixei bilhete entalado no pára-brisa do carro com o meu contacto mas, até agora, nada. 
Fui mais tarde fazer participação na brigada de trânsito. Amanha vou à seguradora. 
Mas amanhã, pelo sim pelo não, evitem vestir amarelo. 

O Mundo divide-se entre... # 79

... as mulheres que em miúdas usaram calças de licra com um elástico tipo estribo a segurar as plantas dos pés e saias da lambada e as outras.

La famiglia e heranças surreais

Aquilo não era um candeeiro. Era O CANDEEIRO. Jazia na casa da minha tia-avó que nos visitava todos os Agostos, depois de um ano inteiro emigrada em Londres. 
A minha tia-avó era uma das minhas pessoas favoritas em criança. Primeiro, porque sacava notas amachucadas escondidas no soutien para mas dar às escondida do meu tio. Depois, porque cedia aos meus caprichos mais extravagantes de mini-diva, como naquele Natal de 1988, em que me ofereceu um casaco de peles verdadeiras. Que a minha mãe- essa grande desmancha-prazeres- só permitiu que visse a luz do dia no Carnaval, a propósito de uma máscara de viúva Porcina. E em terceiro lugar, por causa dO CANDEEIRO. 
O candeeiro era, aos olhos de uma criança, um objecto fascinante. Tinha uma mulher nua no meio que, iluminada, fazia chorar a gaiola onde estava encarcerada. Uma visão romântica da luminária, bem sei. Sempre que chegava a casa da tia ia a correr para a sala, sentava-me no sofá ao lado da mesinha onde repousava o candeeiro, ligava-o e ficava largos minutos a contemplá-lo.
Hoje foi o "welcome lunch" de família da Ana.  Prendas de uns e de outros para a miúda, para mim, para mámen. E, depois de um discurso da minha tia sobre a minha infância, ali estava ele, herança quadripolar. 
Apresento-vos a nova peça de design vintage, da categoria "tão-mau -que-passa-a-ser-bom-onde-é-que-vou-enfiar-este-trambolho?", que mora cá em casa- O CANDEEIRO:



(Se fizerem questão filmo O CANDEEIRO em plena actuação com as suas lágrimas de óleo. É pedirem!)


A melhor prenda de maternidade recebida


Mámen é que sabe...

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Como fazer uma endoscopia a um recém nascido em 5 passos

1- Ir até ao Registo Civil fazer o cartão de cidadão
2- Perceber que a fotografia do documento só é válida se o bebé tiver os olhos abertos
3- Decidir acordar um bebé que é uma santa e só come e dorme
4- Uma hora e meia depois a criança continua a dormir (depois de descalça, sem fralda, lambida, com uma roca a chocalhar-lhe ao ouvido e tudo o que possam imaginar)
5- Esperar pela hora do biberão , simular que se enfia a tetina na boca da miúda,retirar-lha e... olhos abertos. E estômago e fígado à vista através das goelas abertas.

Ana- cidadã desbocada (com fotografia a comprová-lo) desde 2012.

É o que me farto de dizer: "Alcabideche a cidade,já!"

"Estado de Graça"- 27/08/2012

O humor nacional não descobriu Cascais, não. Nem Estoril. Tão pouco Sintra.
Alcabideche a cidade, já!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Top 6 de prendas de maternidade

Depois de meses de baby shower blogosférico e não só (by the way, amanhã actualizo o blog com as prendas que leitores do blog me fizeram chegar, enquanto estava na maternidade) foi a vez de me maravilhar com as prendas pós maternidade.
Para além de roupa para a Ana eis as prendas mais cool recebidas:

  • Um vale de massagem + cabeleireiro (da minha mãe) 
As mães sabem tão bem o que é bom.
  • Chocolates de leite (da minha amiga de infância Cláudia) + trufas belgas (da minha amiga Marianne)
Chocolate serve como terapia de compensação pelas dores da cesariana. Só quem passou por isto percebe o que uma coisa tem que ver com a outra...
  • Um girassol artificial (da minha melhor amiga e agora comadre Catarina)
Como sabe que eu não gosto de receber flores, resolveu a coisa levando-me um gigante girassol artificial. Levava-o na mochila e quando me entrou pelo quarto dentro parecia o Robin Hood de flecha em riste. Memória impagável a que me criou!
  • Um aquecedor de biberons portátil que se liga ao isqueiro do carro (também da Catarina)
A verdade é que nós não aquecemos o leite. Damos-lo à temperatura ambiente (e a pediatra aprovou, ok? Dispenso comentários com palpites!). Pensamos usar o termo sobressalente (ofereceram-os dois) para armazenar café e aquecermos Nescafé nas viagens com este aquecedor , vidros embaciados e todo o fétiche a que temos direito. "I can see clearly, now the rain is gone". 
  • Urso que simula sons intra-uterinos (prenda do namorado da minha mãe)
O peluche é fofinho (dentro do género) e simula sons intra uterinos (coração da mãe, líquido amniótico, placenta e o que mais se lembram) e segundo o pedopsicólogo cá de casa é uma prenda útil. A verdade é que eu tenho visto que a miúda não liga peva ao boneco. Mas entra no meu top 5 de prendas. Porquê? Porque aqueles sons são diuréticos e levam-me a fazer xixi de 10 em 10 minutos. Talvez seja este o segredo de ter emagrecido tanto depois de parir. 
  • Luz de presença ( Catarina é a maior!)
Prenda extremamente útil. Antes de a termos eu andava cheia de nódoas negras de empecilhar com todos os objectos que se transformavam em obstáculos às 6 da manhã, hora em que vou buscar a miúda para lhe dar o leite. Graças a esta prenda não corro o risco de fazerem queixa de Mámen à APAV ou à UMAR. Não dava mais um mês antes da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco me vir retirar a guarda da pequena. Obrigada luz de presença!

domingo, 26 de agosto de 2012

Ana- a bilingue

Oiço pelo intercomunicador:

"Esta amiga uma pessoa inquieta-se: é magra mas é ensocada, não é, riquinha? E agora vamos-te trajar para ficares muito prezada. Não olhes para mim assim,com esse ar discreto. Eh lá!!! Isso foi um fofó?"

Pronto, estou tramada: ele fala com ela em açoriano e eu não percebo um boi. Neste caso, uma gueixa.



(Alguém me traduz?)

Quadripolarize a sua praia- La plage d'argent


"Bom-dia, alegria!
Na saga da quadripolarização das praias, porquê pensar pequenino? Porquê quadripolarizar as nossas praias quando a Ursa pode governar o mundo balnear do planeta, pá?
A Ursa esteve em Porquerolles (escrevi mal na areia, mas mal tinha espaço para escrever tamanho era o número de gente a tostar ao sol), mais concretamente na La plage d'argent, coisa boa portanto, atendendo a que estamos em crise no nosso país. Peço desculpa pela qualidade não ser melhor, mas os franciús estavam todos a ocupar o lugar e ficaram curiosos pela única gaja de fato de banho (aqui a burra da je) andar a escrever na areia e a tirar fotografias.
Um bjim para ti e para a tua prole,

sábado, 25 de agosto de 2012

"Epá, não sabes músicas de embalar? Canta a da Joana, pá!"- disse ele

Pólo Norte (afinando o instrumento vocal)- "Ah, essa eu sei! Joana... pensar que estivemos tão perto, dos sonhos agora desperto, só não quero ouvir, o sim que dirás...ás...ás... ás...ás...Oh, Jooooooaaannnnna!"

Mámen (ar incrédulo)- " Tu não dás uma para a caixa? A sério? Era a música da Joana come a papa!"

Baby bear? Are you talking to me?

Outfit patrocinado pela tia Xana.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Programa de recuperação pós parto quadripolar # 3

Nova modalidade desportiva

A miúda é uma santa. Come e dorme. E, no meio, ainda nos brinda com uns maravilhosos sorrisos involuntários,  que nós ignoramos que são involuntários e achamos que nos são dirigidos. 
O único problema é a cena do arrotar. A pequena bebe o leite todo de seguida, à garganeira, e depois quer é dormir. 
Ontem já estava cansada de lhe dar bacalhaus nas costas para ela arrotar. Passei-a a Mámen. Mámen ficou cansado de a massajar. Passou-a a mim, novamente. Tivemos nesta troca de bebé do colo de um para o do outro durante uns minutos. Foi, precisamente, na travessia de um colo para outro que D. Ana decidiu arrotar que nem uma porca. Parecia o Barney Gumble. 
Vamos patentear esta nova modalidade desportiva, com efeitos comprovados num mais rápido arrotar. Apresentamos-vos o "baby- ping- arrotating- pong". 

Percebes que o teu "leito do amor" passa a ser outro tipo de "leito do amor" quando...

..  de manhã, ao invés de acordares nua e aos pés da cama repousarem meias de liga e boxers arrancados na euforia do momento, encontras um babete bolsado e olhas para o lado e vês Mámen com uma chucha espetada no alto da pinha.


quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A propósito do post ali de baixo sobre o Santini

Deixem-me explicar-vos uma coisa, os gelados do Santini de Cascais são os melhores do Mundo, essencialmente, por uma razão: comer um gelado do Santini de Cascais não é, apenas, deglutir fruta congelada.
É uma experiência.
Uma experiência que não se pode repetir no Santini de São João do Estoril nem no do Chiado. Ir ao Santini pressupõe escolher o nosso sabor preferido e descer a Avenida Valbom, devagarinho. Parar na Galileu, ali ao lado, e espreitar os livros disponíveis. Em pequena, esta paragem rendia-me sempre uma "Anita". 
Continuar a descer, sonhar que um dia se ganha o Euromilhões e se compra a "Casa da Pérgola", ali ao lado da loja Viva, e continuar a ver as montras. Parar lá ao fundo, antes da Loja das Meias, e comprar uma revista na tabacaria do lado esquerdo. Virar ali na rua da Lucullus e fazer o caminho inverso, ainda a saborear o gelado (afinal, pedem-se sempre dois sabores). Subir a Rua Direita e mirar os vendedores de rua. Acabar de comer o gelado sentada em cima do muro das escadas de acesso à praia da Rainha. Com sorte, tendo como banda sonora um qualquer cantor que toque para os turistas, ali ao lado, na esplanada. No ar o cheiro a maresia. Gaivotas no céu.
É por isto que os Gelados do Santini de Cascais são os melhores do Mundo. Entendem?

(Seguidos dos da Mabi, comidos em Milfontes e dos do Emanha saboreados com vista para o relógio gigante da praia da Figueira da Foz). 

domingo, 19 de agosto de 2012

Quadripolarize a sua praia- Praia do Ancão

Solidários com o facto da Pólo Norte ainda não ter retirado os agrafos daquela que foi, em tempos, a sua barriga e é hoje uma coisa mal engembrada que não se pode passear, por enquanto, em bikini, os queridos quadripolares iniciaram o movimento "Quadripolarize a sua praia!".
E, que comece o regabofe:


"Olá!
Botoxland quadripolarizada!
Beijinhos da Storyteller e da Mini-Storyteller (sombra)"

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O Mundo divide-se entre... # 77

... as mulheres que assumem que já fingiram orgasmos e as outras.

Checked?


Wishlist de pós-parto 

Coisas que me podem dizer:

 - "A menina, apesar de nascer antes do termo, é super saudável e nem precisou de ir para a incubadora. Que sorte, han?"- CHECKED
- "Já que não vais amamentar, trouxe-te uma Angelica para brindarmos à Ana"- NOT
- "Estás com um ar menos quinado, pá!"-CHECKED
- "Era para te trazer chocolates ou bombons mas olha lembrei-me de te trazer uma caixinha de sushi!"-CHECKED
- "É para a semana, depois de retirares os pontos, que vais tirar uma tarde para irmos fazer uma massagem violenta e depois um circuitinho de spa? Queres que inclua umas drenagens linfáticas?"- CHECKED
- "A tua mãe está incrivelmente tranquila e a respeitar o vosso espaço. Quem diria?"- NOT
- "A miúda é fofinha"-CHECKED
- "Já marquei cabeleireiro para irmos juntas fazer o alisamento japonês e pintar o cabelo"- CHECKED
- "Já que não vais amamentar, trouxe-te um vinho verde fresquinho para brindarmos"-CHECKED
- "Wow, a Ana tem os olhos do pai!"CHECKED
- "Filha, podes marcar a tarde de spa com mámen que eu fico-te a tomar conta da menina"- CHECKED
- "Olha, e a mariscada, marcamos quando?"- NOT (YET)
- "Já agendaste o regresso às sessões de depilação definitiva?"- NOT (YET)
- "Que sorte que tiveram! A menina é tão boazinha: é só come e dorme!"- CHECKED
- "Finalmente vamos poder beber uma sangriazinha fresquinha!"-CHECKED

Coisas que não me podem dizer (entenda-se por "CHECKED" o facto de se ter verificado que ninguém se atreveu a dizer-mo): 

- "Mas se já pariste, porque é que ainda tens pança?"-CHECKED
- "A menina é linda! Nunca vi um recém-nascido tão bonito..."- NOT (É oficial, as famílias tornam-se hiperbólicas!)
- "Que pena não teres conseguido ter parto normal. Parir é amor..." - CHECKED
- "Quantos pontos levaste? Olha que quando fui eu isso infectou tudo, rebentaram e eu fiquei com uma cicatriz tenebrosa"- NOT (bardamerda, sim?)
- "Tens ali para te visitarem pessoas que não querias que te viessem visitar à maternidade, mando-as entrar?"- CHECKED
- "Mas não vais MESMO dar mama?"- NOT (enfermeiras do camandro, pá!)
- "Tem cuidado, que tens ar de quem vai ficar com uma depressão pós-parto!" CHECKED
- "Credo, que miúda cabeluda!"- CHECKED
- "Devias ter retocado as raízes do cabelo antes do parto!"- CHECKED
- "Nem o colostro????"- NOT
- "Já a registaste? Ficou mesmo Ana sem segundo nome próprio?"- CHECKED 
- "Posso ver o teu penso?"-  CHECKED
- "Olá mamã! Que agora deixas de ser a Pólo Norte e passamos a chamar-te de mamã!"- NOT (tenho amigos tão engraçadinhos!)
- "Estás com um aspecto terrivel!"- CHECKED 
- "Afinal os teus sogros, depois de terem garantido que não vinham agora visitar-vos mas antes no Natal, decidiram aparecer de surpresa e vão ficar hospedados em tua casa!"- CHECKED 
- "Posso ver como ficou a tua cicatriz da cesariana?"- CHECKED 
- "Mas ela é assim tão chorona? Ui, estás feita. Agora é que vais ver como elas mordem!"- CHECKED 
- "Devias aproveitar 9 meses de abstinência, adoptar uma vida saudável e nunca mais beberes álcool" - CHECKED 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Aos 9 de Agosto de 2012 (carta à Ana que aqui chegou)


Hoje é dia de Natal e não dormi à espera de te acolher. Fecho os olhos antes de sair de casa e sei que, quando voltar, seremos mais e melhores. Seremos a tua família.Seremos, finalmente, "nós".
Não estou nervosa, acreditas? Só a projectar pensamentos positivos mas eu sinto que tudo irá correr bem. Não consigo imaginar o teu rosto mas sei que te reconhecerei, de imediato, o cheiro, o toque de pele. O tempo não passa nestas horas de madrugada, Ana, e eu estou ansiosa por te reconhecer.
O Mámen deixará de ser só o Mámen e passará a ser o teu pai. Ainda assim, deixa que te diga, será sempre o meu Mámen e só por isso é que, hoje, estarás aqui. Daqui a nada acordá-lo-ei. A minha mãe, agora tua avó, está acordada também. Sinto-o, ainda que ela tenha parado de enviar mensagens há uma hora. É engraçado como hoje, mais que nunca, sinto o poder matriarcal da minha família. A minha avó paira por aqui, também, oiço-lhe a pronúncia minhota por entre as frestas da janela. Sensação matrioshka, esta.
A minha tia, a minha prima e as minhas melhores amigas estão convocadas e ser-te-ão apresentadas como as tuas tias. Irás amá-las desde o dia 1 e eu vou oferecer-lhes, desde já, um bocadinho de ti.
E agora o sol já raiou e a casa acordou com ele. As malas estão feitas e foram auditadas vezes sem conta, embora saibamos que o essencial não se transporta a tira-colo. Levamos connosco todo o amor que se consegue dedicar à alguém e que está reservado para ti. Sinto frio na barriga e está Verão lá fora.
Ontem fui ao cabeleireiro.Quero receber-te no meu melhor, bonita e arranjada, cuidada e com a auto-estima em alta. Saio de casa e tiro a única fotografia de barriga de toda a minha gravidez: a derradeira. Para um dia te poder mostrar como me fazes feliz desde sempre.
O hospital no horizonte, Ana. É daqui que o GPS da tua vida se irá orientar. Estou cheia de boas energias. Subo e trato de todas as papeladas. Todos me tratam como uma rainha e sei que serás acolhida com a recepção de princesa que te é devida.
Preparo-me para ir de encontro ao minuto em que o teu Mundo começará em mim. Sorrio. Sorrio muito porque é assim que quero que me reconheças. Anestesia. Arrisco, louca, e desisto da geral. Seja o que Deus quiser e hoje é um dia de fé. Fecho os olhos e penso com força nos meus avós, cuja fotografia repousa na mala de maternidade. Serão os teus anjos da guarda. E sei que tudo irá correr bem.
E das águas do Verão em que moraste em mim nasces, agora, pequena sereia. meu grande amor. E o teu choro é música. E o teu respirar poesia. Não te vejo logo mas reconheço-te, o teu cheiro preenche a sala, estou adormecida de mim, acordei em ti, minha pequena, minha filha. E trazem-te para eu te poder beijar e cheiro-te e sou um animal agora, a lamber a sua cria. Não sei se és linda, se és feia, sei que és saudável e nada me importa: és minha e quero-te ao pé de mim. És eu, és muito, muito eu.
E lá fora, o Mundo continua a girar. Daqui a nada o teu pai ficará anestesiado de amor ao olhar para ti, a tua avó viverá aquele que eu sei que será o dia mais feliz da sua vida e as tuas tias acolher-te-ão como fadas madrinhas, fazendo-te sentir que estão cá também para ti e que desejam que a tua vida seja como o teu mês: A (teu) gosto.
Mas agora, Ana, agora neste momento somos as duas apenas: eu e tu, ainda que lá fora me costurem a barriga como se fosse uma bainha para um acabamento perfeito de um brocado de amor. Ainda que a música ambiente do rádio tenha sido irónica só oiço o teu respirar de bichinha em sintonia com o meu. Ainda que daqui a nada todos me irrompam pelo quarto, loucos para te conhecer. Mas agora, Ana, agora sou só eu e tu. E isto é indiscritivelmente mágico.Especial.
Não sei porque te amo logo assim mas sei que não há outra opção, neste preciso instante, senão amar-te infinitamente porque o meu Mundo, afinal, também recomeça, agora, em ti.
Bem vinda a casa, Ana. Bem vinda a nós.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

A raínha leoa (post by mámen)



Nants ingonyama bagithi baba [There comes a lion]
Sithi uhhmm ingonyama [Oh yes, it's a lion]
Nants ingonyama bagithi baba [There comes a lion]
Sithi uhhmm ingonyama [Oh yes, it's a lion]
Ingonyama
Siyo Nqoba [We're going to conquer]
Ingonyama
Ingonyama nengw' enamabaal [It's a lion and a tiger]
Ingonyama nengw' enamabala (Se-to-kwa!)
Ingonyama nengw' enamabala (Asana)


From the day we arrive on the planet
And, blinking, step into the sun
There's more to see than can ever be seen
More to do than can ever be done
There's far too much to take in here
More to find than can ever be found
But the sun rolling high
Through the sapphire sky
Keeps great and small on the endless round
It's the Circle of Life
And it moves us all
Through despair and hope
Through faith and love
Till we find our place
On the path unwinding
In the Circle
The Circle of Life


It's The Circle of Life
And it moves us all
Through despair and hope
Through faith and love
Till we find our place
On the path unwinding
In the Circle
The Circle of Life

Em jeito de balanço sobre a gravidez da Pólo Norte (parte II)

Quando interiorizei que estava grávida vivi as primeiras semanas com a notícia no meu domínio privado. Vivi na qualidade da autora deste blog, não da Pólo Norte. 
Ponderei muito se deveria "engravidar" a ursa. Embora sempre tivesse visto este blog como um blog generalista e mais para o disparatado, a verdade é que os dois anos e tal de blog e a interacção adquirida através dele fizeram do "Quadripolaridades" um blog, irremediavelmente, pessoal. 
Os meus amigos dividiam-se: uns diziam para manter a ursa como estava e não a engravidar, que uma coisa era uma coisa, outra coisa era outra coisa, e uma coisa não tinha nada que ver com outra coisa. Outros achavam que não fazia sentido e que esta vivência me iria encher tanto que seria impossível que não a transferisse para o blog e para a bicha, Tinham razão.
Engravidar a Pólo Norte obrigou-me a expor mais da vida da autora deste blog. Trouxe mámen e a minha relação há tanto tempo preservada. Trouxe os meus amigos- os que têm nome próprio- aos textos. A minha família mais nua, a morte recente da minha avó e o lamento da sua falta nesta fase. Trouxe histórias passadas, razões intimistas, escolhas pessoais. Trouxe mais fragilidade minha. E trouxe a baby-bear em crescente, ainda antes de ter nome, parte integrante de mim. E depois, claro, a Ana.
Os primeiros amigos, os que defendiam que a ursa não engravidasse, continuavam a achar que os leitores do meu blog não tinham que participar nesta história. Que era demasiado importante para a partilhar com desconhecidos. Eu contrapus e não me arrependi de partilhar convosco, um só dia que fosse, mesmo que os hate comments e hate mail tenham atingido um nível lamentável e asqueroso, ainda que sem conseguirem pôr à prova as minhas hormonas. Porquê? Porque a onda de love comments, love mails, mensagens de carinho no grupo do facebook, presentes enviados  demonstraçõés de afecto várias arrumou com todas as aves agoirentas. Comoveu-me, verdadeiramente, o carinho com que a ursa é tratada na blogosfera.
Acho que engravidei a ursa em bom tempo. E que, embora alguns leitores tenham deixado de se identificar com o blog (no hard feelings, eu compreendo, a sério!), grande parte acolheu esta nova fase e integrou-a , passando a acompanhar um blog que foi, inevitavelmente, ficando diferente. Vieram muitos leitores novos, algo que me deixou surpresa. Tive receio, muitas vezes, que  a ursa perdesse o seu carisma, a sua identidade. Mas as personagens blogosféricas não podem ser estáticas quando a vida dos seus autores é dinâmica. A ursa mudou. Comigo e tal como eu. 
Em muitos posts exagerei. Saturei-vos com as piadolas que fomos vivendo porque acabei por registá-las todas aqui, ao invés de num álbum físico de papel. Noutros posts foi bruta como a potassa mas também uma ursa fica grávida, não fica choné de todo, tá? 
Assumi posições próprias. Que não gostei de estar grávida, que não irei amamentar e que não tenho a expectativa de ser a melhor mãe do Mundo, mas sim, a melhor mãe que conseguir ser. A verdade é que não procurei validação nem palmadinhas nas costas, aplausos ou solidariedade. Mantive-me fiel às minhas crenças e é assim que a ursa sempre foi. E isto, nem a gravidez, conseguiu mudar. 
Partilhei momentos bons, maus.E os leitores também partilharam as suas experiências e ponto de vista comigo. No fim de contas foi uma justa troca. 
Falhei em algumas coisas que prometi (sim, não consegui deixar de publicar as roupinhas feitas pela minha mãe e as prendas todas que fui recebendo do baby-shower blogosférico)  mas resisti à tentação de fotografar a minha barriga. Não foi muito hormonal e cutchi-cutchi não para me armar em valente e durona mas porque, efectivamente, não me senti assim. Zero lágrimas ao longo da gravidez. Nem a ver o TLC. 
Não sei o rumo que o "Quadripolaridades" tomará daqui em diante. Não sei se criarei um baby blog à parte deste. Se as hormonas irão mesmo dar de si com a Ana cá fora. Sei que este blog nunca poderá voltar a ser como era há quase nove meses atrás porque a ursa mudou. Logo se vê. 
Em vésperas de parir acho que estes meses de partilha convosco fizeram deste blog, para uma pessoas, um blog pior. Para outras, melhor. Para mim um blog diferente. Mas, ainda assim, o meu blog. Que é, cada vez mais, também vosso. E isso? Isso sente-se. 

Em jeito de balanço sobre a minha gravidez (parte I)

Quando soube que estava grávida fiquei feliz primeiro. E assustada logo a seguir. Acho que comigo não poderia ser de outra forma: sinto, logo, penso.
Ter um filho era um projecto abstracto. Nunca fui daquelas mulheres que sempre sonharam ser mãe e que acreditavam que a realização plena só poderia vir com a maternidade. Mas também nunca fui daquelas pessoas que dizia que nunca queria ter filhos. Era algo que eu projectava no futuro mas sem data marcada. Sou má a fazer planos. Sou boa a lidar com o que a vida me dá.
Quando soube da notícia não a quis guardar para mim, quis partilhá-la. Primeiro com a Xana e a Catarina, as minhas duas melhores amigas. Depois com a minha prima. A minha mãe e os pais de mámen. E o resto da família nuclear que, no meu caso, é uma família alargada. A Cláudia, a Vanda, a Inês, o Pedro, a Rosa. Não queria guardar segredo. Queria partilhar com a minha gente as emoções à medida que as ia sentindo. Mesmo que corresse mal, eu não tinha medo de contar. A minha gente está lá para mim: para o bem e para o mal. E assim foi ao longo de todos estes meses.
A minha relação com mámen ficou melhor. Cada dia que passa e cada centímetro de barriga que cresceu foi sempre um incentivo para nos tornarmos mais cúmplices. Razão tem a minha amiga Xana que diz que a gravidez e a maternidade funcionam como uma "lupa" das relações pré-existentes: se a relação é estável e madura só tende a fortalecer-se e a ficar mais consistente. Se já há problemas e se está em fase pouco recomendável, não tende a melhorar. Amo-o mais que nunca e sei que, independentemente da nossa conjugalidade, será o melhor pai que eu poderia ter escolhido para a minha filha, a melhor escolha de parentalidade possível.
Acho que esta gravidez veio no tempo certo da minha vida, da vida dele e, essencialmente, da nossa relação. O destino é sábio. Desconfio que seremos todos e juntos felizes para sempre.
A família transformou-se. A vida de um bebé regenera as células familiares. A minha mãe vive um momento de pura realização e eu sinto que a minha filha não vai ser só a minha filha, vai ser a neta dela, a sobrinha-neta dos meus tios, a sobrinha-afilhada da minha prima. Tenho pena, muita pena, que os meus avós não possam assistir a este momento e é a única sensação agri-doce que sinto em termos emocionais. No entanto, penso que a Ana será um bem precioso para todos e pertença de todos porque um clã é um clã e há sempre espaço para se amar mais um. Estou expectante para ver como será a vida de todos daqui em diante, com esta nova pessoa que não será minha, mas do Mundo. 
Não gostei de estar grávida. Sou uma mulher de resultados, de metas e pouco de processos. Não confundir gravidez com maternidade. Estou radiante por vir a ser mãe mas dispensava estes meses de gravidez. Não acho que a gravidez é um bicho papão nem quero generalizar a minha gravidez ao universo de todas as gravidezes. A minha foi uma seca e não me vai deixar nenhumas saudades, à excepção da pele maravilhosa com que fiquei e da rapidez com que o meu cabelo e as unhas cresceram.. Não estou nostálgica por vê-la chegar ao fim, sou pouco dada a saudosismos: estou, antes, expectante pela nova fase que aí espreita.
A verdade é que, não as apreciando, fui aprendendo a aceitar as mudanças que se verificaram. E se, ao princípio, tudo me parecia mais doloroso e menos suportável, à medida que o tempo passou e a interacção com o bebé foi estreitando passei a gostar mais do processo. Os sentidos são poderosas armas para se viver uma gravidez melhor: vê-la na ecografia, ouvi-la no CTG ou senti-la a mexer-se na minha barriga foi sempre uma sensação de que a causa maior era ela e que não tinha outra solução senão amá-la em abstracto e providenciar-lhe uma estadia, senão agradável do ponto de vista médico, ao menos bem humorada, bem disposta e vivida com amor.
Em muitas coisas fui uma grávida igualzinha a todas as grávidas: tive receio, medo constante que alguma coisa corresse mal, todas as semanas consultei as tabelas na Internet para saber o que estava a acontecer dentro do meu corpo e com a bebé, perguntei coisas estúpidas à médica, passei a visitar blogs de pessoas que tiveram filhos há pouco tempo, pedi conselhos às minhas amigas mães e a cada susto procurei informação desenfreadamente na Internet. Fiz coisas tão parvas como consultar a tabela chinesa para adivinhar o sexo do bebé  e outras superstições tais que, em estado não grávido, me fariam revirar os olhos e querer cortar os pulsos, de tão tontas que são.
Na grande generalidade não sei se fui uma grávida típica ou atípica. Sei que fui autêntica e genuína e não alinhei em clichés, em culpabilizações por estar a pensar diferente das normas vigentes nem me esqueci que antes de ser grávida existo enquanto pessoa e mulher. Acho que ser mãe não se vai soprepôr a nenhum destes papéis, quando muito, colocar-me-á outros desafios. Apetece-me agora ser eu, sem limitações físicas e biológicas, e com a Ana nos braços. Sem medos. Estou pronta para o que der e vier.
Se ainda tenho receio? Todos os dias. Mas antes disso, lá está, sinto-me feliz.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Baby-shower blogosférico must go on!






 A Ana mimou a minha Ana até mais não. Amei tudo! Obrigada, as Anas são as" máiores"!!!

Queres ser mais papista que o papa? Nem por cima das minhas hormonas...

O médico giro ( e , claro, o único dos 23237349 médicos que me viram em episódio de urgência e me apanhou com a depilação por fazer, Murphy vai cagar à mata!) já conhece as minhas piadas. Hoje, enquanto me via a fazer o CTG, não me deixou largar a piada da antena e adiantou-se:

Médico giro ( a piscar-me o olho em tom de provocação, tipo"já não me apanhas na curva")- Então, vamos lá ver se a Ana está sintonizada...

Pólo Norte- Ah, hoje o Dr.até já dá com o sinal de wireless...



Pólo Norte- 1 Médico giro- 0

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Tudo sobre a preservação de células do cordão umbilical

Hoje, com o devido consentimento, publico a resposta que a querida Dra. Muxy-Muxy me deu a um e-mail chato e cheio de perguntas parvas de pré-mãe e que acho importante partilhar com toda a gente. Porque é claro e transpoarente e pode contribuir para mais pessoas ponderarem optar pelo Banco Público ao invés dos Bancos Privados, como será o nosso caso.

"Para que servem as células do cordão? Fundamentalmente para dois grandes grupos de doenças: as genéticas e as neoplasias do sangue ( linfomas e leucemias)
Ora para as primeiras o cordão do próprio interessará pouco uma vez que transportará a mesma doença.
Para as segundas existe nalguns casos um fundo genético, nestes o cordão do próprio volta a ser inútil, mas noutras não. Ok pareceria então lógico que se tu tens um cancro das células do sangue que são produzidas na medula, destróis a medula doente e usas as células do cordão para fazer uma medula nova. Se as células forem do próprio não existe rejeição logo o sucesso seria, teoricamente, muito maior que o transplante de dador " estranho". O que se passa é que nao foi isto que ocorreu. Os transplantes do próprio têm por múltiplas razoes menos sucesso que os outros, estando documentados, até ao momento dois ou três casos apenas.
Neste contexto o que parece interessar é aumentar até infinitos mil o pool de dadores de um banco de acesso universal para ue todos os meninos que um dia precisem tenham um dador disponível.
Fui clara?
Mais dois exemplos:
Tu podias dizer então e se eu depois der um irmão à Ana e ele precisar de um cordão e tiverem usado o dela? Bom primeiro nao podes ter a certeza que a Ana seria compatível com o irmão e neste caso mais uma vez quantos mais dadores houver no publico maior a possibilidade,segundo ela poderia sempre doar medula ao irmão se fosse preciso.
E no caso do jogador do Benfica. O Carlos Martins. O que se passou com o Gustavo foi que o seu sistema imunitário destruiu a sua medula, ora se pusesses lá uma medula igual corrias o risco que o sistema imunitário voltasse a fazer o mesmo.
Espero ter ajudado. "

Sobre a diferença entre as células do cordão e o tecido, respondeu-me ainda a pediatra mais fixe da blogosfera:

"A diferença é a seguinte: o sangue do cordão permite a recuperação de células pluripotenciais do sistema hematopoietico ( pumba, palavrão médico), o que em português quer dizer células fantásticas com capacidade de se transformar em qualquer tipo de célula do sistema sanguíneo. Isto limita a utilização do cordão às doenças do sangue. O tecido do cordão permitiria a recuperação de células pluripotenciais mesenquimatosas, lá está a gaja armada em parva outra vez, pensas tu, verdade mas só um nadinha, que são células que podem transformar-se em qualquer célula do tecido conjuntivo: ossos, músculo, ligamentos. O que, em rigor, acontece é que isto é ainda do domínio da ficção cientifica. Teoricamente é uma boa ideia mas na pratica não se sabe se vai resultar ou não. É ainda do planeta do se cá nevasse fazia-se cá ski. Mas de facto não neva."


Mais posts bons sobre esta matéria aqui, aqui e aqui. E aqui.
Porque quem sabe, sabe.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A melhor parte da minha gravidez

A minha prima, a que vai casar em Setembro, está grávida de semanas.

Prima (entusiasmada)- Então, conta-me lá tu, que já estás veterana na matéria: qual é a melhor parte da gravidez?

Pólo Norte- O princípio de tudo.

Prima- O primeiro trimestre?

Pólo Norte- Não: a concepção.

Oh, I miss NY!



Pólo Norte <3 Empire States Building!

domingo, 5 de agosto de 2012

"Dita-me lá a mensagem de anúncio do nascimento da Ana que queres que envie para os amigos quando chegar a hora, se fazes favor!"- pede-me mámen.

"Nasceu Ana Norte-Mámen, recém-nascida igual a todos os outros, nem mais bonita nem feia, com cara de joelho e de quem prometemos não vir a dizer, no futuro, que é sobredotada ou hiperactiva. O peso e a altura não vos interessa para nada, por isso, poupamos-vos a detalhes. Visitas em casa sob marcação. Beijinhos e abraços."


(Acho que ele irá censurar esta versão também...)

sábado, 4 de agosto de 2012

Já pariste, Pólo Norte?

Resposta

Wishlist de pós-parto (aos meus amigos que estão autorizados e notificados para me irem visitar à maternidade*)

Coisas que me podem dizer:

 - "A menina, apesar de nascer antes do termo, é super saudável e nem precisou de ir para a incubadora. Que sorte, han?"
- "Já que não vais amamentar, trouxe-te uma Angelica para brindarmos à Ana"
- "Estás com um ar menos quinado, pá!"
- "Era para te trazer chocolates ou bombons mas olha lembrei-me de te trazer uma caixinha de sushi!"
- "É para a semana, depois de retirares os pontos, que vais tirar uma tarde para irmos fazer uma massagem violenta e depois um circuitinho de spa? Queres que inclua umas drenagens linfáticas?"
- "A tua mãe está incrivelmente tranquila e a respeitar o vosso espaço. Quem diria?"
- "A miúda é fofinha"
- "Já marquei cabeleireiro para irmos juntas fazer o alisamento japonês e pintar o cabelo"
- "Já que não vais amamentar, trouxe-te um vinho verde fresquinho para brindarmos"
- "Wow, a Ana tem os olhos do pai!"
- "Filha, podes marcar a tarde de spa com mámen que eu fico-te a tomar conta da menina"
- "Olha, e a mariscada, marcamos quando?"
- "Já agendaste o regresso às sessões de depilação definitiva?"
- "Que sorte que tiveram! A menina é tão boazinha: é só come e dorme!"
- "Finalmente vamos poder beber uma sangriazinha fresquinha!"

Coisas que não me podem dizer:

- "Mas se já pariste, porque é que ainda tens pança?"
- "A menina é linda! Nunca vi um recém-nascido tão bonito..."
- "Que pena não teres conseguido ter parto normal. Parir é amor..."
- "Quantos pontos levaste? Olha que quando fui eu isso infectou tudo, rebentaram e eu fiquei com uma cicatriz tenebrosa"
- "Tens ali para te visitarem pessoas que não querias que te viessem visitar à maternidade, mando-as entrar?"
- "Mas não vais MESMO dar mama?"
- "Tem cuidado, que tens ar de quem vai ficar com uma depressão pós-parto!"
- "Credo, que miúda cabeluda!"
- "Devias ter retocado as raízes do cabelo antes do parto!"
- "Nem o colostro????"
- "Já a registaste? Ficou mesmo Ana sem segundo nome próprio?"
- "Posso ver o teu penso?"
- "Olá mamã! Que agora deixas de ser a Pólo Norte e passamos a chamar-te de mamã!"
- "Estás com um aspecto terrivel!"
- "Afinal os teus sogros, depois de terem garantido que não vinham agora visitar-vos mas antes no Natal, decidiram aparecer de surpresa e vão ficar hospedados em tua casa!"
- "Posso ver como ficou a tua cicatriz da cesariana?"
- "Mas ela é assim tão chorona? Ui, estás feita. Agora é que vais ver como elas mordem!"
- "Devias aproveitar 9 meses de abstinência, adoptar uma vida saudável e nunca mais beberes álcool".


(* Se estás a ler, és meu amigo pessoal e a pensar "ela não me falou nada acerca disto" é porque não estás notificado e eu depois combino um dia, FORA DO HOSPITAL, onde terei todo o gosto de te apresentar a baby bear e me possas ver novamente a espalhar magia, em vez de vestida de camisa de noite com o logótipo do hospital e toda esculachada da cesariana, ok?)

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Agora a versão pedagógica (só porque a Jonas pediu)

Diz a Jonas: "Este post é pouco pedagógico..... só dizes o que não queres ouvir. Devias ser mais pedagógica e escrever, ponto por ponto, tudo o que queres que as pessoas te digam nesta altura do campeonato."

Portanto cá vai o que quero que me digam nesta altura do campeonato:






































(Ah, o silêncio!)

Não querendo parecer nervosinha (mas já estando)

Pessoas que me rodeiam, por favor:

- Não me perguntem "estás grávida?" com ar de grande admiração quando tenho uma barriga que me chega à boca e estou prestes a bolsar a miúda;
- Parem de me desejar "uma hora pequenina"quando estão carecas de saber que estou de cesariana programada e que a mesma dura um período de tempo fixo e determinado;
- Calem-se com o "está quase!" porque não me confortam nada, nesta fase.Cada dia parece que tem 100 horas e o tempo nunca demorou tanto a passar, ok?;
- Não tentem animar-me com "nunca tiveste a pele tão boa!" ou "estás com uma cara tão bonita!" quando já ando toda "descadeirada", a uma velocidade de 1 Km/hora e não durmo uma noite inteira há mais de  mês;
- Não me contem, tim-tim por tim-tim, as vossas histórias de rebentamento de águas enquanto pinavam às 42 semanas nem as entradas em trabalho de parto com contracções depois de 72 horas a ganir. Para além de ir parir via cesariana, honestamente, nesta fase estou-me a cagar para vocês. I don't care, ok?;
- Não me mostrem as vossas barrigas estriadas, as cicatrizes das vossas cesarianas e as banhas com que ficaram depois da gravidez. Deprimir por antecipação não me vai fazer bem, boa?;
- Não me consolem com "o teu umbigo não saltou para fora" ou "já viste a tua sorte, não tens a risca preta!", quando estou de baixa desde Maio. Antes o pipo de fora, carago!;
- Não partilhem as mudanças biológicas que permaneceram após a gravidez., a sério. Não quero saber se depois da gravidez ficaram  a cagar de semana a semana, com hérnias discais ou frígidas.;
- Não me digam "ah, quando ela vier cá para fora é que vão ser elas. O pior ainda está para vir". Vocês não sabem, MESMO, o pior que foi esta gravidez. Vão por mim e calem-se, por favor!;
 - Não me repitam 60 vezes por dia "quando ela estiver cá fora, esqueces tudo o que passaste". Vão bardamerda, sim? Nove meses doente não se esquecem com um pós-parto. Só com Alzheimer, mesmo. 

Agradecida. Sempre vossa,

Pólo Norte

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Humor leitoso

Fomos à mega-store da Pré Natal: eu e a minha futura ex-caçula (prima).
Quando reparámos que, dentro da loja, há um espaço com esplanada e máquina de vending de bebidas gratuitas, como pelintras que somos, montámos arraial.
Pólo Norte tira o seu café.
Pólo Norte tira o segundo café para ela.

Pólo Norte (olhando em redor e vendo uma mãe a amamentar um bebé ali ao lado)- Vê lá se queres um café pingado...

terça-feira, 31 de julho de 2012

Aos 31 de Julho de 2012 (carta à Ana que aí vem)

Querida Ana, 

O teu mundo começa em mim. 
Sou a tua casa de partida para uma vida que se avizinha, tal jogo da Glória, Monopólio, talvez. 
Sou a linha condutora da tua vida, o teu início, a estrada que te prepara a pole position, as boxes onde poderás voltar sempre que precisares de combustível para correres em direcção à meta. À vitória. 
Sou o som do tiro que dá aviso de partida para a vida, o árbitro que não permitirá falsas partidas, o treinador que acordará todos os dias de madrugada para te acompanhar nas tentativas, nos erros, nas melhorias de tempos, na superação. Sou quem te irá aplaudir na corrida, animar nas subidas íngremes e esperar na meta. Quem te ensinará a sacar da rolha de champagne no pódio. 
Sou quem te permitirá todas as possibilidades, quem te incentivará em todas as tentativas, quem te mostrará que a vida será o jogo que quiseres jogar, com cronómetros que se ajustarão ao teu próprio tempo e ritmo, porque tu farás girar o Mundo.
Sou a que, no final das competições da vida, se orgulhará das camisolas amarelas, que pendurará as medalhas na parede, as taças na prateleira. Quem guardará, no final de cada graduação, o respectivo cinto colorido nas gavetas da memória. 
E espero-te, Ana, como se a vida, desde que moras em mim, fosse uma permanente véspera de Natal. Arrumei a minha casa emocional, limpezas profundas, lixo no respectivo caixote, trastes da arrecadação. Pintei as paredes do meu coração, brancas e alvas, para te acolherem. E escolhi a decoração do amor, enviei convites aos amigos que permanecerão para ti, cheira a festa no ar e a mesa está posta com a magia com que brindas a minha alma desde que te concebo em mim. 
Espero-te, Ana. E o teu mundo começará em mim. 

O Mundo divide-se entre... (home edition)

E vocês: se pudessem dividir o Mundo entre facções de pessoas, como o dividiriam?

(a caixa de comentários é vossa)

As minhas tias

Já falei dA minha tia aqui. A minha tia é uma figura de referência incontornável na minha vida. 
Relembrando, era a minha tia que me desenhava as bonecas mais pirosas, me comprava as prendas mais caras, me ensinou a pintar com lápis de cor "sempre para o mesmo lado" e, sim, foi a responsável por me ter dado umas luvas sem dedo iguais às da Ninon e da Rosali. E era ela que fazia aumentar o meu índice de popularidade na escola não só pelas prendas que mandava de Londres como pelas roupas que ela própria me costurava, modelitos únicos. A minha tia é a rainha da comida pré-feita, dos congelados e das coisas fáceis. Da descomplicação.
A minha tia deu-me a minha prima, irmã-emprestada, irmã-dada, irmã. E a minha tia torna, todos os dias, a minha vida melhor.
Tenho outra tia na minha vida. A minha tia-avó é outra pérola. Vive em Londres há 40 anos e acolhe-me sempre com o mimo de quem não me vê crescer, com a magia de quem é avó por procuração. A minha tia-avó aparou-me golpes de capricho inimagináveis como aquela vez em que, com 8 anos, e armada em diva, lhe pedi como prenda de aniversário um casaco de peles para o meu tamanho. De peles verdadeiras. E ela não se fez rogada. Escusado será dizer que levei uma reprimenda daquelas da minha mãe e só usei o casaco uma única vez para me mascarar de viúva Porcina. Oh, vil tristeza!
A minha tia-avó tem sempre notas embrulhadas e devidamente guardadas no soutien que saca, às escondidas do meu tio, e me esconde na mão, enquanto ma fecha. Tem o sorriso e os olhos do meu avô e histórias divertidas para contar. Muitas delas que sempre o envergonhavam. 
As minhas tias são pára-choques da minha vida, foram atenuantes de regras e castigos e serão sempre forças propulsoras de sonhos e caprichos. Parte integrante de mim. 

segunda-feira, 30 de julho de 2012

"Nem todos os patinhos sabem bem nadar"- reagiu mámen. E nem eram patinhos. Eram passarinhos, pá!

Numa de competir com mámen, o tipo que conheço com maior criatividade e habilidade, decidi fazer uns quadros para o quarto da bebé. Coisa muito simples e cujo efeito final não me deixou nada envergonhada. Recebi elogios, até. Coisa única já que na escola primária a minha mãe topava sempre os meus trabalhos de expressão plástica afixados na parede, ainda que não estivessem assinados, tal era a mixórdia de cola, papéis de lustro mal cortados e pintura fora dos limites que ostentavam. 
No liceu a situação não sofreu grandes melhorias: eu fui aquela que, em Trabalhos Manuais, moldou uma bola de barro, espetou-lhe um cotovelo para tornar a bola côncava e criou o famoso e sempre recordado cá em casa "Cinzeiro sempre em pé". 
Mas pronto, os quadros ficaram bem e eu fiquei cheia de moral. Tanta que me decidi aventurar no fabrico de pássaros de tecido. Consegui um tutorial na internet e meti mãos à obra. Afinal, às tantas é possível que a onda maternal me tenha trazido mais paciência, habilidade, inspiração.
Fiz um:

Hummm. Fiz o segundo:


E à terceira foi de vez:


"Foi de vez? Como foi de vez?" - perguntam-me vocês. "Ficaste satisfeita com o resultado final?"
Não. Desisti. Porque a onda maternal pode trazer muito boas intenções. 
Mas não faz milagres. 

domingo, 29 de julho de 2012

Se fores ao Festival Sudoeste...


... aposta as tuas fichas no da ursa!

Obrigada à Joaninha, que se lembrou da Pólo Norte na Zambujeira do Mar.

terça-feira, 24 de julho de 2012

A LER | Amor em tempos de cólera


Livro de Agosto: "Amor em tempos de cólera" 

(Kima patrocinada pela Almofariza e pela Susana. Leque patrocinado pelo Pipoco Mais Querido.)

Sabes que estás "grávidobcessiva" quando...

... vês este anúncio e pensas automaticamente na resposta "universalmente" óbvia:



 - "PARIR"?

Lanche gourmet? A ursa explica


Obrigada Titá! Nham. Nham.
(O frasco chegou meio entornado mas não alterou o sabor do doce, garanto-te!)

Nunca mais serei apelidada de pé de chumbo

Com as cãibras que estou a ter ponho-me, estática, de pé e num instante serei uma guru de breakdance.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

A LER | 10 Sugestões de casal Norte-Mámen

Porque já estávamos a dispersar e nunca chegaríamos a um consenso, abusei do meu poder de Presidenta do Clube e fiz uma shortlist. Mámen quis meter o bedelho. Daqui tem que sair um livro.
Em que número votam?


1- "A queda de um Anjo"- Camilo Castelo Branco
2- "Dom Camilo e seu Pequeno Mundo"- Giovannino Guareschi
3- "Amor em tempos de cólera"- Gabriel Garcia Marquez
4- "Como água para chocolate"- Laura Esquivel
5- "Presságio de fogo"- Marion Zimmer Bradley
6- "O Fio das Missangas"- Mia Couto
7- "Feliz Ano Velho"- Marcelo Rubens Paiva
8- "Os contos"- Eça de Queirós
9- "Alice no País das Maravilhas"- Lewis Carroll
10- "Orgulho e Preconceito"- Jane Austen

(Que vote na caixa de comentários quem quiser participar)

Pólo Norte prepara o plano de dieta pós-parto (e eu quero lá sentir-me blogoexcluída?!)

O que deve ingerir para recuperar a forma



Inspire-se nesta dieta, que deve ser iniciada após o nascimento da criança e seguida durante o período de amamentação (ou abiberonção, vá!)

Jantar
Preparar 1 sopa de legumes 60 g de carne magra ou peixe ou 1 ovo
Sintonizar a televisão no TLC no programa "Hoarding: Buried Alive"
Ver antes de jantar
Guardar a sopa inteirinha no frigorífico
Preparar um chá
Ceia
1 água das Pedras
Contar carneirinhos baratinhas para adormecer

Pequeno-almoço
Lembrança da casa badalhoca que se viu na véspera à noite no TLC
Eno digestivo
1 copo de água para acompanhar
Meio da manhã
Tentar sintonizar novamente o TLC
Perceber o que é o stress pós-traumático lembrando-se do esterco do programa da noite anterior
1 chávena de chá para a azia


Almoço
Arriscar comer 1 sopa de legumes
Lembrar-se das ratazanas a passear em cima do lixo na casa porca da noite anterior
Correr para o wc e vomitar
Arriscar nos sais de fruta


1º lanche
1 água com gás
1 sessão de ioga para tentar apagar da cabeça as imagens da véspera
2º lanche
1 dose de fluoxetina
coragem q.b. para voltar a sintonizar o TLC novamente ao jantar

Fui a primeira a desejar-te "Feliz Ano Novo" mas poupei-te à cantoria...



Parabéns, Zé!
Para ti ergo a minha taça!

sábado, 21 de julho de 2012

Idiotice em três actos

Encontrei uma ex-colega de escola na padaria.

Acto I

Colega- Então, novidades?

Pólo Norte (neste momento portadora de uma barriga imponente) - Nada de especial, tirando estar à espera do grande dia.

Colega- Vais casar?

...





Acto II

Colega- E planos para as férias de Verão?

Pólo Norte (olhando chocada para a imponente barriga)

Colega- Vais ter o bebé, né?

Pólo Norte- Não, vou pedir um clister de hélio para reforçar o perímetro abdominal e transformar-me num balão...





Acto III

Colega- Onde vais ter o bebé? Vais levar epidural ou vai ser tudo ao natural?

Pólo Norte- Vai ser cesariana com anestesia geral.

Colega- Então, vá. Gosto em ver-te. Uma hora pequenina e desfruta o momento.

...

...

...

It's the postman! It's the postman!


A tia Andreia, presidente da seita Quadripolar, não podia deixar de quadripolarizar a Ana. 
Ou, neste caso, tripolarizar. 

Amámos!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

O carteiro toca uma vez...

Eles dizem "Havaiana"... Eu oiço "Lá vai Ana!"





Obrigada à Quézia, que me lê do outro lado do Atlântico. Valeu!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O Mundo divide-se entre... # 76

... as pessoas que em criança tiveram como animal de estimação grilos que viviam em gaiolas coloridas de plástico e os outros.

Orgasmo lésbico, mojitos, psicóloga especializada em comportamento de massagistas, máquinas de fazer pipocas e afins

Saí de casa dos meus avós em 2005. Desde então, tenho lutado, ano após ano, para que no Natal e no meu aniversário a família mais próxima não me ofereça coisas para a casa. O argumento é o mesmo desde há sete anos: não é a casa que faz anos, sou eu. E os avós, a mãe e a tia sempre perceberam a coisa. 
Mámen está formatado e, desde que me conhece, que consegue ser o tipo mais exímio na arte de acertar nas prendas. 
O namorado da mãe, por sua vez, encontra-se no extremo oposto. À pála disso já recebi um pijama da Hello Kitty e, o ano passado, ofereceu-ME um comando extra para a Wii, justificando que era para a minha mãe "ir lá a casa" jogar comigo. Grande cabrão!
Este ano a família começou a sondar-me. "Ah, ainda te faltam os intercomunicadores? Queres como prenda de aniversário?" ou "Vi uns fatinhos giríssimo na "Laranjinha". Queres um vale de oferta como prenda de anos?". 
Resposta: não! Sou eu quem faço anos, não é a Ana. "Ah, quem meus filhos beija, minha boca adoça!"- respondeu, ofendida a minha mãe. Disse-lhe que sim senhora, que tinha razão, que no aniversário dela ir-LHE-ia oferecer  um vale de oferta da Lanidor para que ME pudesse comprar roupinha à vontadex. "Para ti? Isso tem lá algum jeito?", ripostou, ofendida. "Ah mãe, quem tua filha beija, tua boca adoça!". 
Ontem fui "enjoiar" a prenda da minha amiga Xuxi. Aparentemente, a minha amiga mais recente mas a única que acertou na mouche. Tive um orgasmo proporcionado por uma mulher. 
Ok, ela era massagista e o  orgasmo foi de foro muscular mas, a verdade, a verdadinha, foi que, se retirar a parte em que ela me contou a vida dela  toda e pediu um bocadinho de terapia de marquesa, as duas horas de esfreganços, óleos, drenagens e apertos vários foram das melhores coisas que me fizeram nos últimos meses. E note-se que a duração da massagem era, originalmente, de 45 minutos. Xuxi, obrigada! És ab fab, dear!
Cheguei a casa a levitar. Agarrei num copo cheio de gelo e emborquei um mojito sem álcool enviado pela minha amiga Xana. Outra que sabe da vida! 
Aos 32 anos, percebo aquela coisa de que os amigos, às páginas tantas, nos conhecem melhor os gostos e os desejos que a família. Quase que posso jurar que o novo aspirador oferecido pela minha mãe ("ah, não queres prendas de mãe, então levas com prendas de dona-de-casa, para aprenderes!") se ria para mim, ao fundo da sala, ainda dentro do caixote. Bem como a nova máquina de fazer pipocas.
E eu nem gosto de pipocas. 

domingo, 15 de julho de 2012

"Os livros da Anita"- by mámen

Hoje, estendi a toalha no areal. Antes disso, escavei um fosso onde encaixar a barriga e dois pequeninos para as minhas "wonderland boobies".  Deitei-me de barriga para baixo e comecei a babar.

Mámen (com voz de apresentador de circo): "Ainda antes de Anita no ballet ou Anita vai à quinta, apresento-vos a minha filha: Aaaaanita vai ao bunker".


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