terça-feira, 10 de setembro de 2013

[Pardais na cidade]- repost

[Ser psicóloga inexperiente tem destas coisas: as psicólogas caloiras- como eu já fui- não conseguem evitar envolver-se emocionalmente nas vidas dos seus pacientes. Aconteceu com as minhas colegas, aconteceu com os meus professores da faculdade e (voilá!) aconteceu comigo.
             

Tinha enterrado a Ana Lúcia nas catacumbas das minhas memórias de psicólogazinha sensível, vulnerável e emocional; seis anos cimentados de psicologia organizacional e juras pela minha saúdinha que nunca mais voltaria a ser a brilhante psicóloga social que um dia almejei vir a tornar-me.
           
Trabalhar com adolescentes institucionalizados quando se tem 20 e poucos anos, se acabou de sair da universidade e a diferença de idades é tão ridícula que te confundem com colegas no primeiro dia de aulas, tem destas coisas: a Ana Lúcia era o meu calcanhar de Aquiles.
         
Todos os dias de manhã lá estava ela: à varanda do quarto do lar à espera de me ver passar, rampa abaixo a caminho do meu gabinete. Assobiava infalivelmente e saudava-me com um "Bom Dia, alegria!" ruidoso e alegre, como se o dia dela ficasse com mais sol só por me ver chegar. Tinha 16 anos, uns curiosos olhos azuis e uma espontaneidade a que eu apelidava de "incontinência verbal".
       
Fui psicóloga da Ana Lúcia durante dois anos: ofereci-lhe caixas de pílulas às escondidas, dei-lhe a roupa da Bershka que as outras meninas da idade dela tinham e que a instituição não tinha verbas para comprar, comemorei o 18º aniversário com ela à sucapa nos Jardins de Belém empaturrando-a de bitoques e gelados e tudo o que não era costume mas a que ela tinha direito, acompanhei a aventura do primeiro desgosto de amor, coloquei-a e estagiar numa fábrica de confecção e (envergonhada!) obriguei-a a devolver ao ex-futuro patrão os sutiens que ela tinha roubado e vestido em camadas.
           
Um dia, quis seguir com a minha vida para a frente: arranjar outro trabalho, progredir na minha carreira, deixar a instituição e abraçar um novo desafio profissional. Mas ser psicóloga inexperiente tinha-se, de repente, tornado em mais que uma profissão.
       
No meu último dia de trabalho subi a rampa para sair, pela última vez, do portão. Olhei para trás e fitei a janela do lar que no dia seguinte teria a Ana Lúcia à minha espera. Não me despedi de ninguém. Não disse adeus à Ana Lúcia. Não chorei sequer: o nó na garganta sufocava-me.
       
Ontem, ao descer pela Rua Augusta, uma mão cheia de anos passados, dou de caras com a Ana Lúcia: magra, desnorteada, ansiosa. Os mesmos olhos azuis. O mesmo ar de menina catita que não cresceu.
      
O trânsito não entupiu. O tempo não parou. As lojas não fecharam. O fadista de rua não parou de cantar. O homem estátua continuou impávido e sereno.
            
Mas ali estava ela, o pardalito comum da cidade, que ninguém vê mas que um dia viveu a cantar na minha gaiola. Que alegrou as minhas manhãs. Que fez com que a psicologia fizesse sentido e deixasse de fazer sentido, outra vez. Que fez de mim a psicóloga inexperiente e emocional que eu não queria ser.
           
A Ana Lúcia que vive numa pensão com a mãe que pede esmola ali mesmo ao pé do Arco da Rua Augusta, confinada à sua cadeira de rodas.
A Ana Lúcia que cheirava mal porque ontem lhe acabou o shampoo 2 em 1.
A Ana Lúcia que namora com o empregado paquistanês de uma loja de kebabs do Martim Moniz.
A Ana Lúcia que não sabe como procurar emprego.
A Ana Lúcia que não lê um livro há mais de dois anos.
A Ana Lúcia que esteve desaparecida três dias porque fugiu do lar, logo após a minha saída.
A Ana Lúcia cuja irmã mais nova está grávida pela segunda vez a viver num lar de acolhimento porque o namorado a espanca.
A Ana Lúcia cujo cunhado entornou ácido por cima da mãe.
A Ana Lúcia que não tem uma almofada no quarto onde dorme com a mãe e o padrasto.
A Ana Lúcia que se limpa com a toalha de banho comum aos três.

E jantámos à grande: eu e a Ana Lúcia. Gostamos ambos de bitoque. Chafurdámos pão na gema do ovo estrelado, não obstante a minha dieta. Dei-lhe uma almofada e uma fronha no IKEA. E tolhas de banho coloridas, e gel e poufs-esponjas. E um shampoo. E tive vontade de a trazer para casa mas sei que os pardalitos da cidade precisam de voar pelos céus, ainda que muitas vezes desorientados.

Deixei-lhe o meu número de telemóvel. Como se precisasse de construir uma casa de pássaros de madeira no alto de uma árvore e prender um GPS na patinha do passarito. Porque ontem, quem recebeu mais fui eu. Ontem esteve um dia de sol maior: um pardalito da cidade cantou só para mim. ]

terça-feira, 3 de setembro de 2013

O Mundo divide-se entre...

... quem diz afia e quem diz apara-lápis.

Ao Mámen: ia escrever sobre bandas sonoras e relações mas a escrita levou-me até aqui. Já sabes o que a casa gasta.




O nosso amor é antigo e às vezes ganha musgo e mofo e essas coisas chatas de amores velhos e depois tu vens e limpas tudo e dizes, com aquele ar de quem tem certezas, que o nosso amor não é feito de velharias de emoções, de trastes de sentimentos e tudo fica quase novo outra vez. Não aquele amor novo, a estrear, aquele novo que se tem medo de manusear, de experimentar, de tocar, aquele novo que só dá vontade de contemplar para não estragar; mas antes, um quase novo de amor em excelente estado. O nosso amor é uma antiguidade, disseste-me outro dia e eu fiquei a pensar que és tolo quando dizes que não tens jeito para as palavras, especialmente quando não te esforças para teres jeito para as palavras. 
O nosso amor é antigo e foi restaurado vezes e vezes sem conta, com a perícia e a astúcia de quem restaura um traste sabendo que, de facto, por debaixo do pó, das amolgadelas e da tinta gasta, há algo especialmente- e especialmente porque tem valor emocional- valioso. 
O nosso amor tem um factor x, passou controlos de raios-x, actos x de x-actos e resultou na dupla de cromossomas x mais perfeita de sempre. 
O nosso amor passou dias de sol, de guerra, de pó, de sal saboroso nas peles bronzeadas, de testemunha de gente que partiu, de gente que chegou e o nosso amor ficou sempre. Porque o mais importante no amor, muitas vezes, é ficar quando há todas as razões para partir. O nosso amor partiu, colou, reconstituiu cacos e está, remendado, para uso mas é isso que o torna tão especial, tão pouco vulnerável, tão sem medo de se partir, um amor resistente como aquelas panelas de aço inoxidável. O nosso amor tem garantia vitalícia. Sabes porquê? Porque vai durar para sempre. 

Amo-te. 

Feliz aniversário para nós, meu amor. 

sábado, 31 de agosto de 2013

Rúben Patrick, o meu amor está p'ra Norte...



Foi o Ruben Patrick que tirou. Casa de Grieg, em Bergen. O meu honey bunny Pipoco, quadripolarizou a Noruega. 



domingo, 25 de agosto de 2013

Férias 2013- dia 3: Paris está a arder

No terceiro dia o nosso amigo deixou-nos à nossa mercê e o programa das festas foi todo feito a três: Quartier Latin, crepes de nutella, Jardins do Luxemburgo, crepes de chocolate preto, Panteão, gauffres, até que mámen se lembrou que na véspera não tinha visto em detalhe Notre Dame e quis voltar. Em péssima hora. 
Chegados a Notre Dame o rapaz teve o seu orgasmo católico: estava a haver uma missa ao vivo na catedral. Emocionado, avisou-me que ia comungar com a filha ao colo e pediu-me que o acompanhasse ao lado, munida do iPhone para registar o momento com a câmara do meu telemóvel. Assim fiz. 
Chegados à frente do padre, eu de telemóvel em riste, ele com ar muito compenetrado, vira-se o padre, aponta a hóstia e sussurra um "Le corps du christ"... para mim. 
Completamente apanhada de surpresa, olhei para a hóstia e fiquei uns 30 segundos a pensar nos pecados todos da minha vida e que não me tinha confessado desde o tempo em que pesava 50 Kg. Ok, eu sou uma católica não praticante mas, caraças, sei as regras da coisa: não pidia tomar a hóstia, caramba! O padre, ao ver a minha cara surpresa, não foi de modas e empurrou-me a hóstia pela goela abaixo. Tumbas!
Meio perturbada, afastei-me para um dos poucos cantos menos atafulhados da catedral e fui orar, juntamente a mámen que já orava de forma concentrada. Com a cabeça toda quinada e a ideia dos pecados todos por confessar, estive ali uns bons 2 minutos a auto-flagelar-me até me cheirar a esturro. Literalmente. 
Mámen continuava a orar e eu só sentia calor e um cheiro a porco queimado.Pensei que era castigo divino, psicossomatização até que uma japonesa me alertou, com um ar muito aflito: o meu cabelo estava a arder. 
Ou seja, depois de um maravilhoso e eficaz alisamento marroquino, o cabelo ardia-me e encaracolava com o calor do fogo das putas das velinhas a que me tinha encostado, inadvertidamente. 
Mámen, de olhos arregalados, desviou-se com a miúda para evitar algum acidente e só dizia: "pára de dar saltinhos e apaga isso com a mão, caramba!". Olhamesta, han? Para além de queimar o cabelo o estupor ainda me queria queimar as manitas? Tá legal... Vai tu!
A japonesa a esta hora arrastava-me uns dois metros, para ser prestável, com um ar nipónico-aflito assistindo à minha histeria misturada com o auto-controlo para não largar uma série de palavrões cabeludos, pois ainda tinha hóstia colada nos dentes e estava dentro de uma igreja. Só me saía um "fo...rra! fo...rra! fo...rra!" até, finalmente, sentir água na marmita. Nunca a expressão água benta foi tão literal como naquele dia. 
Saímos de Notre Dame num ápice. Mámen foi a cantarolar para a miúda a canção idiota dos GNR até chegarmos às Plages de Paris para um final de tarde fabuloso. Calou-se, quando o ameacei que era menina para o fazer aparecer morto a boiar no Sena.
A mim só me vinha à ideia do título do maldito livro que tinha trazido na mala. De facto, "Paris já está (va) a arder!.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Férias 2013- dia 2: novas tradições sobre as pontes do Sena e mentiras corcundas

Acordar em Monmartre com uma vista fabulosa sobre Paris é indescritível. Baguete fresquinha na bancada de kitchenette, um petiti dejeneur simpático e rumámos a Sacré Coeur. Escadarias infindáveis, nicles de monsierus gentiles a oferecerem-se para ajudar a subir com o carrinho do bebé e percebemos porque é que a basílica se chama de sagrado coração: com o cansaço com que chegámos ao cimo das escadarias tem mesmo que ser um coração sagrado para aguentar a arritmia.
Ouvimos um harpista maravilhoso a tocar o "Imagine" sob protestos de mámen que achava que com tanta música francesa era trés estúpido o homem tocar Beatles e seguimos para a Place du Terte, onde por cada metro quadrado um artista de rua queria, à viva força, recortar-me o perfil do rosto e emoldurar, Imagine-se... logo a mim, cujo pior perfil é, exactamente, o de ladex! Descemos pelo funicular e fomos até ao Trocadero e embarcámos num passeio a pé que nos rendeu umas boas horas, junto à rive gauche, estreando os quase 2,5 Km de paredão entre o Museu d'Orsay e a Ponte de l'Alma, reservado aos peões e cheio de actividades ao ar livre para se ir fazendo. Muito cool, mesmo!
Entretanto, saloios, vimos a Pont des Arts e os famosos cadeados do amor e decidimos que queríamos cumprir o ritual. Subimos, tínhamos a Ana ao colo, veio uma rajada de vento e em vez de ser a chave do cadeado que foi atirada ao rio, foi mesmo o chapéu da Ana que lhe voou da cabeça e se mergulhou. Como somos uns trengos, começámos a bater palmas e os três (nós e o nosso amigo) a fotografar o chapéu a boiar no rio. Logo, ditámos uma tendência e saímos da ponte a gargalhar, enquanto víamos dois casais de chineses a sacarem dos chapéus das suas crianças e a seguirem o nosso ritual. Acreditariam que era uma forma supersticiosa de garantir juízinho na cabeça às crianças para sempre?
Chegámos a Notre Dame, cansados, eram 18h45m e... a catedral tinha acabado de fechar a porta da entrada. Como mámen ficou catolicamente desolado eu resolvi a questão: sugeri-lhe que mentisse ao segurança que estava na porta da saída e lhe pedisse para entrar pela saída, pois perdera o chapéu da miúda. Mámen disse logo que isso não era uma cena lá muito católica, mentir para entrar na catedral, mas eu contra-argumentei que não se tratava de uma mentira: nós perdêramos mesmo o chapéu, era verdade. O facto do porteiro subentender que perdêramos o chapéu lá dentro já não era responsabilidade nossa.
Quinze minutos depois mámen e Ana voltaram, encantados da vida, da sua visitinha expresso a Notre Dame. Os sinos tocaram eram sete horas, num rebater imponente. O Corcunda deveria estar zangado comigo e com a treta que eu arquitectei para possibilitar a visita, pelo menos foi a história que ouvi mámen, divertido, a contar à Ana, sempre sonso, para me fazer sentir culpa judaico-cristâ pela mentira que lhe deu jeito.. a ele. Ainda o ameacei que ia chibar-me ao porteiro e acusá-lo da trafulhice e que a mentira tem perna curta. Ele acrescentou "tem perna curta e... é corcunda".
Estuporê!

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Férias 2013- dia 1: La cucaratcha em Paris

Terceira directa para fazer malas, colocar roupa a lavar e a secar às 3 da manhâ e eram seis da matina e estávamos a caminho do aeroporto. Na mão da Ana, já cheia de pica, jazia o presente que a Pat dos Bicharocos Carpinteiros lhe oferecera na véspera: umas maracas falantes que cantam la cucaracha, falam mexicano e arriba por aí fora. O brinquedo é mesmo giro mas tem um pequeno senão... não tem botão de on e off, activando-se com o movimento. Fomos, portanto, a ouvir mexicanices durante o percurso Cascais-Lisboa. 
Chegadas ao aeroporto  primeira surpresa: as coriscas que vieram em representação do arquipélago açoriano à festa da Ana, com o patrocínio da SATA, tinham perdido o avião devido a valores muito altos que se levantaram. Mais concretamente, 20 centímetros de altura de valores, garanto-vos, que quando vi os sapatos que uma e outra compraram fiquei com vertigens. Lavoisier é que tinha razão: nada se cria, nada se perde e tudo se transforma e a chatice de um voo perdido e de um voo de substituição atrasado valeu-nos gargalhadas e muitos dedos de conversa com sotaque micaelense na esplanada do aeroporto da Portela. Opá, amamos aquelas duas atoleimadas! (sigam o périplo das suas aventuras aqui: é de chorar a rir!)
Fizemos o check in, alegremente, sorrimos face à iminência de termos prioridade em todas as filas dali em diante à custa da miúda, despachámos toda a bagagem, excepto o carrinho da miúda, a mala com os seus pertences e as maracas, para se entreter. 
A saga começou logo no primeiro tapete: tirar todos os tatarecos da mala da Ana e- novidade!- beber um bocadinho de todos os líquidos, para mostrar que não eram substâncias nocivas. A esta hora, mámen já tinha avançado com a miúda e coube-me a mim ser a escanção de serviço: umas golfadas de 5 qualidades de sopa, 2 bocados de duas garrafas de água distintas, um gole de xarope de maçã reineta e juro que temi que eles me obrigassem a testar ali, ao vivo e a cores, os supositórios de benurom que também levava, para um caso de emergência. A esta hora mámen ria-se da minha cara aziada.
Dentro do aeroporto, o mundo maravilhoso das filas prioritárias: podia-me habituar a isto para sempre! À chegada do avião, despachámos o carrinho da Ana e lá dentro enfiámos a maraca falante, numa pequena bolsa e entrámos num avião da companhia aérea mais assustadora da história das companhias aéreas lácoste. Fixem este nome para não reservarem voo aqui: Air Meditérrené. 
Assim que entrámos, receberam-nos com os rebuçados de mentol e eu devia ter suspeitado que era por causa das tosses mas não: comi e calei. Durante todo um voo de horror: cadeiras apertadíssimas, um corredor minúsculo, ar mega saturado intervalado de rajadas de ar condicionado (don't ask!), a recusa de uma mantinha quando a pedi ao comissário de bordo e o pior de tudo: não se viu um dente nem um esgar de sorriso em qualquer membro da tribulação. Pensei que ia dormir sossegadinha o resto da viagem, fazendo companhia aos meus dois emplastros que assim que sentaram o rabo nos bancos, adormeceram de imediato mas não... Fiquei com vontade de fazer xixi. Levantei-me e maldizi as sopas da miúda, as garrafas de água e até o golaço de xarope de maçã reineta que, ainda antes de eu ter tempo de chegar ao minúsculo wc, deu de si. Foda-se, aquilo é para a prisão de ventre da miúda e ela só toma uma colher de café! Eu tinha acabado de deglutir um grande golo. 
Estávamos quase a aterrar quando desocupei a casa de banho. A vantagem é que todos os doces que ingeri nas véspera da viagem a propósito das festas de aniversário da Ana não me terão engordado uma grama, garanto-vos. 
Charles de Gaulle recebeu-nos com uma temperatura amena. A partir de agora tudo iria correr bem. Fomos para as passadeiras aguardar pela bagagem e eu fui para a passadeira de bagagem fora de formato para recolher o carrinho da Ana, quando um francês me chamou. Eu falo francês tão bem quanto mandarim, portanto, imaginem a cena deplorável para eu tentar perceber de que reclamava o homem. Às tantas, com muita linguagem gestual à mistura, lá entendi que me pedia para desapertar todos os fechos da bolsa do carrinho e então percebi: o monsieur tinha apanhado um cagacê com a maraca falante, pudera... Lá lhe acenei com aquilo, apontei para a miúda ao longe no colo do pai e tenho a certeza que o homem me chamou nomes feios assim que eu virei as costas. 
Mámen, às gargalhadas, continua a dizer que o homem teve medo que eu tivesse um anão mexicano evadido no carrinho da miúda, tal a quantidade de vocabulário hispânico que tem a porra da maraca. 
Mas, enfim, estávamos em solo parisiense! Uh lá lá! Ou seria: arrriiiibbbaaa?


A SATA no meu coração!

Assim, a recolha de sangue da SATA, no dia de anos da Ana foi, de facto, um verdadeiro sucesso e contou com a colaboração de cerca de 52 funcionários e familiares. No final do dia, a SATA contribuiu com 17 litros de sangue para o banco de sangue do Hospital do Divino Espírito Santo (cerca de 37 pessoas conseguiram doar)!
E sim, a Ana não é continental-muggle, é half-azorean-blood, pelo que toda a família ficou tocada com a generosidade da companhia área e dos seus colaboradores. Agora promovidos a quadripolares sata-honorários!
Obrigada, coriscos mal amanhados e beijinhos da família pataca-falsa!

Imagens gentilmente surrupiadas à Corisca Ruim que juntamente com a Carlinha foram as embaixadoras SATA na festa da Ana. 

Imagem da tela testemunha da generosidade dos colaboradores da SATA, gentilmente gamada à Corisca Ruim

Judite, Lorenzo, Gestalt e não resisti a arrotar a minha posta de pescada

De besta a bestial ou de bestial a besta, neste caso- foi o processo sofrido por Judite de Sousa após a entrevista feita a um rapaz luso-brasileiro multimilionário. 
De acordo com a teoria gestáltica, não se pode ter conhecimento do "todo" por meio de suas partes, pois o todo é maior que a soma de suas partes. Mas o gestalt é interessante à luz conceptual da Psicologia e nas redes sociais de nada vale.
Nas redes sociais é simples, rápido e instantâneo: mete-se tudo num mesmo saco, cria-se uma opinião sobre uma pessoa com base num episódio isolado, faz-se poupança cognitiva e sumariza-se todo o percurso da jornalista a partir de um episódio, cria-se um estereótipo, de caminho exorcizam-se demónios interiores e aplica-se a teoria da frustração-agressão, metem-se informações soltas, ou melhor ainda, interpretações empíricas e confabulações sobre a vida pessoal da senhora ao barulho e voilá: Judite de Sousa na fogueira!
Vamos por partes: foi lamentável a prestação da senhora durante a entrevista. A começar pela expressão não verbal, pelo sorriso irónico e sarcástico, pelo tom de voz condescendente, inquisitivo e acusador, pela formulação de perguntas retóricas ("você tem noção?" ou "você sabe que é um privilegiado?", "é verdade que tem o sonho de ser piloto de F1?"), pela fraca gestão emocional, pela formulação de juízos de valor ("você é um verdadeiro consumista!" ou "você é muito excêntrico+") pelas perguntas fechadas não isentas e direccionadas ("porque é que você não ajuda as pessoas que lhe pedem ajuda?") e a acabar pelo não respeito pelo tempo de resposta do entrevistado ("você vai continuar por Portugal/é verdade que tem o sonho de ser piloto de F1?") e um rol de péssimas intervenções menos éticas e deontológicas por parte de Judite de Sousa.
Outra questão é o herói em que se tornou o rapaz. Lorenzo é o que lhe apetece ser, o melhor que sabe com os recursos que tem. Daí a tornar-se um herói nacional, "pôamorrrdocrrrissstoredentô", passem-me um x-acto. Em Janeiro- ai que heresia!- uma menina burguesa com sotaque de Cascais foi achincalhada em praça pública por aspirar a uma mala Chanel. Aspirar, atenção. Desejar. Sonhar com. Que era fútil, que ousava sonhar com objectos materiais em tempos de crise, com tanta gente a passar fome. Em Agosto, afinal, um rapaz que tendo dinheiro para concretizar ao invés de apenas sonhar, já é um herói por conduzir ferraris às piruetas e beber champagne francês como quem bebe águal del cano. E a liberdade de cada um sonhar ou ser o que quiser, desde que não prejudique os demais, han? 
Eu não sou a favor da Judite nem contra o "pobre" Lourenço. Eu só acho que, tal como no Gestalt, não se deve julgar o todo pelas partes. A Judite de Sousa, para mim, continuará a ser uma jornalista que me merece respeito e admiração, não ignorando que trabalhou no terreno em situações duras como no Ruanda ou na Sérvia, sem os Louboutin com que as mesmas pessoas que defendem o champagne do Lorenzo a acusam agora. Continuará a ser uma pessoa com um percurso profissional digno e que, apesar das origens humildes, subiu na vida a pulso e foi destacada, sem ser em vão, por um Presidente da República com uma Ordem de Mérito. Também é a Judite de Sousa que teve uma prestação lamentável na última sexta-feira mas- repito!- para mim, isso não a define como o todo que é. 
Já o Lorenzo é um rapaz que gasta o seu dinheiro da forma como mais lhe dá prazer. Nem herói nem ser abjecto, é um milionário a quem não reconheço mérito por ter chegado onde chegou mas a quem respeito, da mesma forma, que gostava que me respeitassem se ganhasse o Euromilhões e contratasse um sushiman particular para me cortar sashimi sempre que me desse na real gana. Não o conheço muito para além do que vi na entrevista, não conheço o seu percurso como conheço o de Judite de Sousa, pelo que, não o consigo julgar como um todo, optando assim, por não o categorizar, no meu julgamento, como um herói ou uma vítima, mas como um homem rico que tem o livre arbítrio de fazer o que quer com o dinheiro que tem, sabendo que, com toda a certeza, na realidade será um todo muito mais que isto.
Dizem que é da silly-season e misturam a má prestação episódica de Judite de Sousa com a parelha de cornos que, hipoteticamente, levou do Fernando Seara e eu sopro e reviro os olhos, querendo acreditar que não é a season que é silly: são mesmo as pessoas. 
E, respiro fundo e volto a relembrar para mim mesma a teoria do gestalt: o todo é mais que a soma das partes. 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Falha minha, auto-flagelação e tentativa de remissão

A Cláudia, autora do e'ventar foi uma peça essencial na organização da festa da Ana, membro do núcleo duro desde o dia 1, só não pode estar presente porque valores mais altos se levantaram: teve que ir beber um kima, com o pretexto de compromisso laboral, directamente a S. Miguel!

Obrigada, Cláudia! Do coração.

(E tem um blog tão giro, e é tão gira e magra e bronzeada e desportiva e em forma que a seguir aos agradecimentos largo já um: falece!!!)

Férias 2013- dia 0: We'll always have Paris

Domingo de madrugada, a sair do Clube VII, da segunda festa de aniversário depois de dois dias ininterruptos de festas da Ana. Pólo Norte esfalfada, mámen esgotado, chegamos à carrinha, emprestada pelo meu tio, e percebemos que se escafodeu o vidro lateral do carro numa das viagens de carga e descarga de coisas para a festa. 
Colocamos a carrinha na garagem, preocupados pelo facto de, nesse dia à tarde, termos que devolver a carrinha ao seu dono e este ser picuínhas. 
Os planos de domingo eram ir almoçar com a Luisinha e mummy a Lisboa, para matar as saudades que não conseguimos na festa, ir buscar os restos do lanche da festa de sexta-feira ao local onde o mesmo decorreu, arrumar os 3526 brinquedos que a Ana recebeu, limpar a casa que estava num caos, fazer malas, tudo isto em 24 horas, já que o voo para Paris seria pelas 06h da manhã do dia seguinte. No meio disto tudo queríamos dormir mais que a média de 3 horas que tínhamos feito nos dois dias anteriores. Mas nada disso, eram oito da manhã e estávamos de pé por causa do cabrão do vidro do carro. 
Encontrar uma oficina aberta a um domingo de manhã é tão "fácil" como encontrar um símbolo da Hello Kitty em qualquer divisão da minha casa. É puramente conceptual: não existe!
Tentámos a Midas, a Precision e o Diabo a quatro.: nada! Aparentemente, ao domingo, as pessoas que fazem esse tipo de arranjos não estão disponíveis. 
O meu tio é um picuinhas do caraças e eu tremia só de pensar na fita que ia ser quando visse o estado do vidro, todo quinado para dentro da porta. Já mámen pensava que iam arder os seus planos de pedir a auto-caravana emprestada ao senhor, depois de termos feito aquele bonito servicinho à carrinha. 
Fomos às oficinas mais recônditas que possam imaginar, em armazéns com ar chunga recomendados por amigos de amigos. Nada. 
Duas da tarde e liga-me o meu tio a avisar que ia buscar a carrinha às seis. A esta hora, já dominava todo um curso de mecânica e bate-chapas intensivo e perecebera que não fora o vidro que se escafodeu mas, sim, o elevador do vidro. Sistema eléctrico, portanto. Encontrámos um mecânico numa tasca do Cabreiro, recomendado por um conhecido de um compadre do irmão de um amigo, que nos deu uma esperança: bastava encontrarmos um elevador compatível num ferro-velho, que ele faria o favor de o substituir e arranjar o estrago. 
Cinco e meia da tarde e tínhamos batido todos os ferro-velho de Cascais, Oeiras e Sintra: tudo fechado ou por ser domingo ou por ser Agosto, mês das férias. A esta hora já eu soltava mais palavrões que uma peixeira do Bolhão, exausta, cheia de pó de ter que andar em voltas e reviravoltas em sítios inóspitos de janela aberta (claro que o elevador avariado tinha que ser o do lado do pendura- of course!- para ser eu a comer com o pó!) e aborrecida de termos que sair do carro à vez em sítios como a Rinchoa (não gozem!), a Abrunheira e Cabra Figa, para que ficasse sempre um de guarda dentro da puta da carrinha, de ar condicionado natural ligado, com a janela sempre escancarada. 
Foi o meu outro tio que nos arranjou uma solução provisória, eram 17h45: desmontou a porta, colocou o vidro para cima, colocou ali uma engenhoca com um prego a segurar o vidro e fechou-o, dando-nos ordens que nos calássemos bem caladinhos e forjássemos que o vidro se "avariasse" quando fosse o dono da carrinha a tocar no botão de abrir o vidro. Assim esperávamos que acontecesse. 
Eram 19h, chegou o dono da carrinha, já atrasado. Nós mais pálidos que as roupas da Simara quando mete lá os búzios dela a Iemanjá e com um sorriso altamente amarelo. 
O meu tio pega na chave, despede-se e já na porta pergunta: "Olhem lá, o vidro da carrinha não caiu? É que esqueci-me de vos avisar que o elevador está estragado e que o prendi com um pauzinho, provisoriamente, para a janela estar sempre fechada. Como esqueci-me de vos alertar, se tentaram abrir a janela, de certeza que ela caiu, não? Não é grave, foi só uma solução provisória para poderem usar a carrinha no sábado, já comprei um elevador num ferro-velho e vou substitui-lo hoje... Caiu ou não?"
Duas directas em cima, um dia inteiro a comer pó, mil oficinas ilegais e ferro-velhos duvidosos visitados, percebi que sou capaz de transfigurar o meu rosto de uma maneira que qualquer guionista de filmes de ficção científica me contrataria sem casting.Só não espumava da boca literalmente porque, de resto, toda eu parecia um monstro apático e em choque.
Mámen, meio anestesiado, sorriu, com ar de quem levou com uma cena na cabeça, ainda abananado. 
Só o ouvi murmurar, a poucas horas de embarcarmos, com restos de comida em mil tupperwares na bagageira do nosso carro por distribuir, tristes por não termos conseguido ir ter com a Luisinha, uma torre de caixas de brinquedos a atafulharem o quarto da cria, uma casa num verdadeiro caos, um dia inteiro ardido e três malas por fazer (e roupa por lavar e sacar antes de ir lá para dentro) um sussurrante: "We'll always have Paris".
...

sábado, 17 de agosto de 2013

A festa da Ana serviu para angariar cerca de 300 doações de sangue e de potenciais dadores de medula

Serviu para perceber a amizade que as pessoas me dedicam. Para me emocionar com a dedicação e o empenho e a energia e a força de trabalho da Sandra, da Bé, da Laura, da Catarina e da Sílvia. Para dar um beijo emocionado à minha Luisinha e mãe que vieram de Guimarães para a festa. Para conhecer o Zouk, o melhor DJ do Mundo, um tipo tão fixe que nem dá para vos explicar o quanto. Para ficar com lágrimas nos olhos quando vi a Zia, o Guilherme, a Matilde e o Manel que vieram do Porto. Para ver o ar cansado da Niki a fazer algodão doce, como se não houvesse amanhã, numa mãquina caseira mas sem nunca perder o sorriso e a boa disposição. Para conhecer a Laia pela mão da Paula. Para ficar fã dos tipos do Mecanismo Criativo, o grupo de teatro mais cool de que há história. Para saber que a Paula apoia sempre a família quadripolar. Para dar um abraço e mil dedos de conversa com o Luis da Confraria da Empada. Para ser reconhecida pelo colar de arco-íris oferecido pela Bé e não por ser a loira com o maior mamaçal da festa. Para ficar enternecida com o spot da Olga, tão mimoso e querido, complementado pelas almofadas oferecidas pela tia Laura. Para elogiar a saia fashion da Rute do Alentejo que trouxe toda a família e espetadas de fruta. Para passar a ser fã da SATA. Para matar saudades da pronúncia micaelense com a Corisca e a Carlinha, vindas directamente dos Açores. Para dar um abraço apertado à Teresinha. Para gostar ainda mais de Aveiro, por conta das 3 metades mercearia. Para saber que conto sempre com a Alexandra-a Grande, o Troll of the North, a Mónica Lice, a Ana do Pedagogia do Terror, a Marta do Dolce Far Niente, a Niki Ansiedades, a Patrícia do Bicharocos Carpinteiros. para ver mámen enfardar batatas fritas da Dalimar que nem um esfomeado. Para rever a Sofia Sengo. Para gostar mais da Zon que da MEO, que nos deu pipocas. Para beber um gin escondidinha com a Silvia do Clube VII. Para dar dois dedos de conversa animados com o casal porreiraço que veio em representação da Padaria D'Avó. Para matar a sede com o melhor granizado de limão do Mundo da Blueberry. Frozen Yogourt. Para perceber que a Ana e esperta e só vai para o colo de mulheres com fibra como a Filipa Catarino. Para que a Cozinha Verde me sensibilizasse para a inclusâo das crianças celíacas e dos convidados vegetarianos nas festas de aniversário. Para ver a Carla Rocha da RFM a arrumar o estaminé no fim da festa. Para saber que Mámen, Pedro, Mário, Samuel (da Olga), António, Andrea, Rui Charroque e marido da Ilze (não me recordo do nome) são os tipos mais fixes da história dos tipos fixes. Para- finalmente!- experimentar as tãos famosas Bolas de Praia. Para ficar embevecida com o abraço da Inês Pessoa. Para fazer uma festinha (consentida!) na barriga da Cláudia só para cutucar a Maria Catarina. Para confirmar que a Dânia é cá da malta. Para me deliciar com os bolinhos caseiros da Clarisse. Para me comover com a dedicação da Ana da Miau Cookies que fez 500 bolachinhas para oferecer aos convidados da festa, Para constatar quem é que escreve que sim e promete mundos e fundos e quem é que, efectivamente, aparece e faz acontecer. Para- estúpida!- não reconhecer ai vivo a Sofia Franco, a Leonor Fernandes e a sara Félix. Para ajudar nos preparativos de casamento da Rossana, que veio do Algarve por nós. Para dar uma gargalhada com a pintura dos olhos da Ângela Vilhena, a Mary Poppins mais gira da festa.  Para perceber a grávida pieguinhas que fui a admirar a Rosália a ajudar freneticamente num dia de quase 40 graus com uma Maria Clara a encher-lhe a barriga. Para ficar com inveja da boa da Ana Para gostar ainda mais da desbocada da Lina, da Rita e da Joana. Para rever sempre, com o mesmo gosto, a minha Leonor. Para abraçar o pequeno João, que comemora nestes dias também um ano sem quimioterapia e gostar tanto da Sandra e da mana, a quem cravo já um post para o mãegyver. Para perceber que a Liliana Para perceber que o destino se encarregou (e bem) de decidir que a Rosa era a madrinha ideal para a Ana. Para me divertir a ver a minha mãe fazer uma coreografia de zumba com a neta ao colo, para delírio da plateia. Para rever a querida Tehur, sempre pronta, sempre disponível, com um sorriso de lua cheia. Para ver a Neuza emocionada por me conhecer, quando eu sou apenas uma rapariga que tem um blog. Para conhecer o Presidente da Junta de Freguesia das Cardosas, de Arruda dos Vinhos. Para ver o bolo de aniversário mais imponente do Mundo confeccionado pela Lourdes, Paulinha, Carla, Cláudia, Elsa, Raquel, Dânia, Telma, Isabel, Sílvia e Joana. para ficar triste pelo motivo que afastou a Sara desta festa. Para sentir que a causa é importante o suficiente para várias pessoas terem interrompido as suas férias e terem arrancado em direcção ao Clube VII, como a Ana e a Teresa Martins. Para beber limonada da H3 como se não houvesse amanhã. Para conhecer ao vivo póletes da Margem Sul (elas existem!) como a destrambelhada da Inês. Para ficar com um nó na garganta quando vi a Fátima e toda a sua maravilhosa prole, entre os quais a pequeníssima Mafaldinha que aguentou, estóicamente, uma viagem do Algarve a Lisboa só para estar na festa da Ana. Para assistir à formação de uma equipa de pessoas que poderia mudar o mundo que, não se conhecendo, geriu toda a parte dos comes e bebes com uma eficiência admirável, liderada pela Ana Santos, Ana Correa, a Susana , Para receber a visita dos meus amigos de cheiro, muito admirados por ouvirem pessoas chamarem-me de Pólo, mas que ali foram para provar que estão connosco em todos os contextos (obrigada Laurinha, Margarida, Paulo, Rita, Marta, Tiaguinho, Manelita, Jorge, Débora, Vicente, Cláudia, João, Sofia, Rui, Afonso, Cristina e Zé Miguel mano!). Para perceber que a minha amiga Luna é tão fixe que leva com duas estuchas seguidas de festas de anos infantil por nossa causa. Para ver a minha tia e a minha prima, tão distantes do mundo cibernáutico, a conviver com pessoas que eu só conhecia virtualmente. Para curtir milhões o ar despachado das meninas dos patins (Lisboa Troopers Roller Derby sois as maiores!). Para ficar um bocadinho invejosa por não ter uma irmã e ser tão próxima e cúmplice como as manas Maximino (Patrícia e Joana, obrigada!). Para dar um abraço à Raquel dos tererés e sentir que já a conhecia. Para ver que há pais que continuam a tarefa de educar os filhos para o altruísmo, quando vi a Francisca e a Mariana a trabalharem na festa a servir gelados de iogurte, numa missão de toda a família. Para ficar embevecida com a minúcia e preciosismo dos detalhes da decoração feitos pela Joana do Valor Fuschia. Para sorrir com o senhor grandalhão, cujo nome não decorei, que ao lado de uma senhora magrinha e com ar frágil, desmaiou a dar sangue. para ter um orgasmo de paladar a provar os suspiros com doce de ovos da Party's & Cookies Para dizer vernáculos quando a médica do IPS me recusou como dadora de sangue porque tinha uma borbulha no sobre-lábio, alegando que poderia ser herpes e ignorando as minhas explicações de que era reacção a todo o chocolate e doces que havia comido na véspera, na festa de casa da Ana.  Para oferecer kimas às pessoas e vê-las entusiasmadas com a pequena garrafinha verde. Para achar que o Andrea, homem de uma generosidade tal, será um verdadeiro PaiGyver para a Maria Clara que aí vem, em breve (e para, por causa dele, passar a gostar só um bocadinho de escoteiros). Para ser fâ de toda a família dos Bicharocos Carpinteiros. Para admirar a dedicação da Teresa que foi para a festa de máquina de costura em riste para coser gotinhas de arco-íris para enfeitar a festa. Para conhecer a menina que estava na porta a acolher os convidados e que, com um passado de leucemia, estudo actualmente medicina para poder servir os que passarão pela mesma situação no futuro. Para conhecer a Tânia, cuja vida foi irónica e trouxe para perto um caso de cancro infatil, já depois de se ter voluntariado como fotógrafa da festa da Ana. Para reafirmar que a Sacolinha é a melhor pastelaria do Mundo.Para me espantar como alguém em Angola consegue ajudar de forma tão próxima (um grande beijo Liliana Delgado!). Para dar um beijinho às meninas dos Moínhos de Maneio que ofertaram kilos de framboesas. Para ver ao vivo a barriga da Sally cuja notícia de gravidez eu acompanhei em directo através do facebook. Para babar com a Ana vestida de arco-íris, obra da mestre Rita Cutxie Cutxie. Serviu para ficar mega fã do Clube VII. Para admirar a capacidade de mobilização da Regina.Para delirar com cada fiada de bandeirolas que me chegava via CTT nos dias que antecederam a festa, obra de mais de 30 habilidosas costureiras. Para dizer à sobrinha da manelinha Colaço, a viva voz, que tem a melhor tia do Mundo. Para conhecer, finalmente, a Mac e babar com os sete bolinhos de gomas que nos preparou. Para comer à socapa uma bolachinha "Keep Calm" da Mo's Sweeties. Para relembrar que o destino foi um fixe quando colocou o Pau, a Sofia (e, sim,a conterrânea Carolina) nos nossos caminhos. Para ver muitas crianças felizes, às gargalhadas, a correr, a sujar-se, a divertirem-se. para ver pais com os olhos a brilhar com a alegria dos filhos. Para receber montes de palavras bonitas e abraços apertados e uma reprimenda de uma senhora mais velhota ("gosto muito de ler o seu blog, às vezes farto-me de rir, outras de chorar, devia era dizer menos asneiras!"). Serviu para fazer felizes as crianças da "Fundação- o Século" para onde foi toda a comidae bebida que sobrou da festa. Para perceber que estou rodeada de gente boa, que faz de mim muito, mas muito pequenina quando comparada com todos e com cada um. Para sentir que eu e mámen estamos em sintonia e numa felicidade sem fim partilhada. Para comprovar que a Ana veio ao Mundo com uma missão: espalhar "anor". Serviu para se fazer história nas nossas vidas. E fazer de mim uma pessoa que tenta ser, todos os dias, um ser um bocadinho melhor. 

Obrigada a todos!

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Aos 9 de Agosto de 2013, à Ana por ocasião do seu primeiro aniversário

A vida, minha filha, pode ser como o arco-íris um fenómeno óptico mas, aceita-o, Ana, a vida às vezes é mesmo uma ilusão. Dizem que o arco-íris resulta da separação da luz solar no seu espectro contínuo quando o sol se reflecte sobre gotas de chuva. É assim a vida, Ana, por vezes temos que a dividir em momentos, categorizá-la em emoções, deixar que a luz de dias felizes brilhe sobre as lágrimas que escoam dos nossos olhos, os teus azuis para te lembrar que as lágrimas são apenas ondas de um mar maior, imenso e infinito, que o teu olhar-barragem-oceano é sempre maior e mais valente. 
Eu sei que todos te dirão que o arco-íris, como a vida, se vê, mas eu peço-te, minha Ana, que caminhes mais longe: escuta-o, toca-o, lambe-o, respira-o, vive-o.  Olha-o. de frente, e lembra-te de que cada cor existe para te lembrar do essencial:

Encarnado- cor do coração. Nada vale mais na vida que o amor: o amor que há um ano só me dedicavas mim, que hoje sentes pelo teu pai, avó, tias.  O amor pelo incerto do futuro que pode ser o que tu quiseres, filha, basta só isso: quereres! O amor do Jobim, numa bossa nova ouvida numa noite de Verão enquanto contas estrelas cadentes e um homem que a vida te reservará te sopre uma dessas estrelas nos lábios. como quem pede um desejo. O amor pelo próximo, pelo outro sem que saibamos quem é, o amor pelo igual a ti, o amor desinteresseiro só porque a tua missão é tão banal e especial: fazer do Mundo um lugar melhor.

Laranja- cor do fogo. Na vida, o calor das emoções faz-nos agir. Sente muito, Ana: sente medo, sente ansiedade, sente borboletas na barriga e tremores na voz, sente nós na garganta, sente lágrimas a quererem evadir-se, sente gargalhadas que não consegues silenciar, sente sorrisos involuntários, sente o calor do rubor da face, a voz a querer-te falhar, sente dormente do corpo, sente sismos no coração, sente os pés doridos do bom que é caminhar a descobrir pedaços do Mundo. Sente a vida, filha, nada temas. 

Amarelo- cor do sol. Permite-te ao Verão, não desconfies quando a vida te der sol, fecha os olhos e transforma-te num girassol de Van Gogh, encara-o de frente, sente o calor a bronzear-te a alma, sem que precises de creme protector emocional. Junta-lhe sal, sal de um mar aqui tão perto, o mar de tua mãe, o mar do teu pai, tão diferentes mas o mesmo Atlântico. Sol e mar, sol e sol, sol como quem torna a vida bronzeada e divertida. Solarenga. 

Verde- cor dos pastos dos Açores, cor dos campos do Minho. Rega, todos os dias, o amor pelo passado que eu guardei embrulhado em memórias ternas para te oferecer, devagarinho, como quem oferece uma caixa de bombons que deve, lentamente, ser saboreada. Conserva as memórias do teu bisavô que, todos os dias, percorria metade de uma ilha de piratas, para acender um farol. Conserva as lembranças do teu bisavô a trabalhar, duro, na pedra, risos nos lábios, a tocar realejo, a entrançar vime para os cestos, pés descalços- Conserva as memórias da tua bisavó e os brincos de princesa, no quintal e nas orelhas, o cheiro  a pão aquecido nos bicos do fogão, vou tentar reproduzir para ti, minha filha, o calor do seu corpo junto ao meu em noites de doenças chatas, o cafuné, o embalar, conserva-as através de mim, Ana, vou-tas dar de herança, prometo. Conserva as pronúncias cantadas das ilhas e do Norte. o brilho do ouro dos piratas saqueadores do Atlântico e dos fios nos peitos fartos das dançarinas de rancho, o negro do basalto e das vestes das noivas do Minho, o verde da caldeira e do Gerês.

Azul- cor do mar. Sempre que a vida for dura, Ana, lembra-te de respirar fundo e lembra-te da maior lição que o teu pai nos deu: o mar é já ali.

Anil: a náo-cor- Desconstrói tudo o que dás como certo. Afasta-te do evidente e vê-o de longe. Relativiza. Não queiras saber todos os truques por detrás das ilusões. Não aceites verdades absolutas. Desconfia de quem tem mais respostas que perguntas. Ama Magritte. 

Violeta- cor das flores na beira da estrada. O melhor na vida é o mais simples: um abraço de um amigo, um festinha das mãos enrugadas da tua avó. ligares o rádio ao calhas e estar a passar a tua música favorita, adormeceres numa cama com lençóis lavados, perfumados e esticadinhos, o cheiro da maresia pela manhã, reconheceres o perfume de alguém que ames num desconhecido que passa, beberes água fresca da fonte num dia de muito calor, a tua mãe, eu. a preparar-te de surpresa o teu prato favorito, viajar sem destino, o colo do teu pai mesmo que aches que já não cabes nele, fazer um novo amigo sem contar com isso, o cheiro da lareira numa noite fria de Inverno, chegar a casa e descalçar os sapatos. 

E no fim dos dias, Ana, quando já souberes todas estas lições de cor, minha filha, e não te restar mais nada senão procurar o pote de ouro no fim-do-arco-íris, não deixes de o procurar mas, lembra-te que, tal como o poeta fez com a sua estrela, assim poderás fazer com o pote de ouro da tua vida: põe-no, tu,  lá! 

terça-feira, 6 de agosto de 2013

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que nunca receberam uma declaração de amor por blogo-procuração via Quadripolaridades e a Marta.

domingo, 4 de agosto de 2013

Oh fuck, sou, oficialmente, " a mãe da bebé" !

Ali estava elas, 20 anos, não mais. Bronzeadíssimas, coxas sem celulite, barrigas tonificadas e "bordas" sem estrias enfiadas em bikinis brasileiros, cabelos soltos e ar de anúncio de penso higiénico. 
Nos ouvidos os phones dos telemóveis de última geração, percebia-se que a ouvir sons veronis, intercalados com gargalhadas histéricas e um arsenal de raquetes e cartas de Uno para matar o tempo. Falavam alto e chamavam sobre si todas as atenções, enquanto se esfregavam, lascivamente, em cremes de bronzear, as putas giras das pitas. 
Cheguei à praia sozinha, fato de banho (que ainda não me atrevo ao bikini), tão branquela quanto é possível estar-se no princípio de Agosto (vir à praia até às 10h da manhâ e depois das 17h não contribui lá muito para o bronze), cabelo preso num carrapito no alto da pinha e ar da trintona que já sou. Sem phones mas munida com o livro que o Prezado me ofereceu no meu aniversário, óculos de sol de massa e ar de intelectual trintona de esquerda. Olhei-as de soslaio, com ar de superioridade, naquela de "deixem passar a veterana charmosa", quando me lembrei que "charmosa" é só o pior adjectivo-eufemismo ever para "velha".  Deitei-me na toalha e durante umas duas horas fui transparente para elas. 
Pensei: "raios das miúdas, giras, magras, as peles tão frescas, grandes cabras, já fui onde of them, mas há tanto tempo, caraças!" Tentei resolver o ressabiamento interno pensando que estou em vantagem, já fui assim, já estou noutro patamar da vida e tal, não tenho horas para chegar a casa nem uma mesada que me obrigue a dividir, como elas, um maço de tabaco para dez, não tenho trabalhos de casa para fazer, nem férias de frete com os meus pais, faço o que me apetece, eu é que mando em mim, tomem, embrulhem e levem para casa". 
Mas depois chegou mámen e a miúda, mais o arsenal de cremes factor 100, "não lhe dispas a T-shirt", encher a pequena piscina com água do mar para ela brincar, balde, pá e ancinho da Imaginarium, pequena lancheira térmica com o iogurte para o lanche,iogurte no cabelo da miúda, no meu, bolacha maria na mão da criança, bolacha maria na água do mar na piscina, bolacha maria salgada, enfim, "não comas areia, Ana!", "não tires o chapéu, Ana!" e a miúda a gatinhar em direcção às raparigas que se desviaram, divertidas, e soltaram um "Deixem passar a mãe da bebé", perante o meu ar desgovernado e comecei a achar que, não vale mesmo a pena entrar em negação: quero o meu rabo rijo, barriga tonificada e os meus 20 anos de volta!
Buáááá!

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Casar por amor. A mais do que um homem.

Quando casei, aos 26 anos, houve duas razões principais para o fazer naquela altura: o facto de estar apaixonada pelo homem que escolhi para casar e de achar que a relação de namoro precisava de um novo desafio e de avançar; e, a segunda razão foi o facto de fazer questão que o meu avô, meu pai do coração, já bastante doente com uma doença degenerativa que o levou à morte menos de dois anos depois dessa data, pudesse assistir àquele momento. E casei.
O meu avô já não me pôde acompanhar na passadeira encarnada rumo ao altar, como eu sempre idealizara. Eu queria, não me importava de ser eu a empurrar-lhe a cadeira mas ele recusou, determinantemente, justificando que preferia ver-me a entrar ao compasso da música e com as mãos livres a segurar o ramo de malmequeres. E ali ficou, junto ao altar na sua cadeira de rodas, a assistir de primeira fila ao que foi um dos dias mais felizes das nossas vidas.
Quando foi a hora de abrir o baile, ele continuava com os olhos brilhantes. Na ausência do meu pai e com a impossibilidade de o fazer com o meu avô, o pai do noivo tomou as honras da casa, dançando comigo enquanto a minha mãe fazia o mesmo com o noivo. Sempre fomos muito desenvencilhados.
No entanto, ainda a valsa tocava, desprendi-me da pista e fui em direcção ao meu avô. Sentei-me no colo dele, sem fazer muita força, de mansinho, abracei-me ao pescoço e juro que senti que ali dançávamos os dois, num ritmo muito lento de pescoço e corações, a música estava dentro de nós.
E é esse abraço que ainda hoje sinto quando preciso do colo do meu avô. O seu respirar quente na minha nuca, as mãos doridas e enrugadas nas minhas costas, o sorriso e os olhos rasos de água a olharem para mim. Agora, por mim.
Por isso, embora tenha já lido imensas críticas a esta filha que, embora não tendo sequer namorado, decide organizar um casamento sem noivo, só para poder ter oportunidade de dançar vestida de noiva com o seu pai, doente oncológico terminal, eu não deixo de me comover. Faria i-gual-zi-nho, no caso dela.


     

quarta-feira, 31 de julho de 2013

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que leram os livros da Alice Vieira na infância (e até têm um preferido*) e os outros.



(* por aqui: "Úrsula, a maior!")

Os pobrezinhos na Comporta da "Questina"

Das várias ideias engraçadas que ontem foram surgindo no hipotético evento dos pobrezinhos que poderiam ter tomado de assalto a Comporta da Kica, eis algumas com que contribuí:


  • Só permitido o acesso ao evento de pessoas com dois nomes próprios que não combinam nem à lei da bala
  • Pedido de patrocínio de transporte de camioneta da carreira à junta de freguesia (pedido de galhardetes incluído)
  • Ideias para "o comer": rissóis de delícias do mar, croquetes, folhados de xalcixa. minuins, pipis, tremoços, túbaros e sandes de courato e de panado, pataniscas e peixinhos da horta..
  • Ideias para as bebidas: mines, vinhos de pacote com torneirinha e "sevenaps" para as patroas que não bebem cerveja e que apreciam "panachés".
  • Ideias de confecção: camping gaz ou bidões de plástico cortados ao meio a serir de assadores. 
  • Dress code feminino: "As mulheres devem levar bata sobre o fato de banho, e usar a t-shirt na cabeça a fazer de chapéu." (ideia da Maria Esteves) Unhacas de gel serão apreciadas!
  • Dress code masculino: os homens devem ir de calções até aos sovacos, camisolas de alças e chinelo de dedo. Bonés, claro! E unhaca do dedo mindinho crescida ao natural. 
  • Logística: geleiras azuis para o acondicionamento e "tamparueres" para aproveitamento das  sobras (não se diz restos, que uma pessoa é pobre mas não é miserável...)
  • Menu infantil: papo-secos com margarina (vá, eu meto a cunha na Vaqueiro! ;) 
  • Divertimentos: raquetes para se jogar na areia, concursos de chapões e caça ao gambuzino, versão mosquito
  • Momento de cantigas: Liliana Márise da novela da TVI e o meistre Quim Barreiros
  • Media: directo de "O Preço Certo- especial marcas brancas na Comporta" apresentado pelo Fernando Mendes
(O que ontem me ri, senhores! Impagável...)

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Feliz Dia dos Avós

Deseduca com amor e bem querer. Enche os teus olhos com mais lágrimas de alegria do que aconteceu com os teus filhos. Atropela as outras para conseguires um lugar na primeira fila no espectáculo de Natal da escola. Leva-lhe o pequeno-almoço à cama sem os acordares com gritos de alvorada. Dá-lhe sobremesa mesmo que não tenha comido o jantar todo. Deixa-as sentarem-se às tuas cavalitas a pentearem e porem-te rolos mesmo que tenhas zelado sempre pela tua masculinidade. Deixa-os ganhar no Monopólio. Deixa-os ganhar em todos os jogos de tabuleiro. Monta-lhes uma tenda no quintal. Deixa-os tomarem banho de mangueira, fazerem de um velho tanque de roupa uma piscina ou saltarem à volta dos aspersores da relva ligados. Ensina-lhe a oração "anjinho da guarda". Tricota-lhes as camisolas da moda. Cose-lhes os farrapos da moda, ignorando que o rasgado é que está in. Goza com as expressões deles. Deixa-os fiacarem no mar até as palmas das mãos ficarem todas enrugadas. Usa "bué" só para ser os divertires. Aproxima-os do mais próximo de voar, empurrando-os com força num baloiço. Faz almoço especial e de propósito para eles, diferente do almoço de todos. Carrega-lhes a mochila quando os vais buscar à escola. E a lancheira. E o saco com os bonecos de pvc. E, se lhe doerem os pés, leva-os ainda ao colo. Dá-lhes prendas no aniversário, no Natal, no dia da Criança, no Pão por Deus. E em todos os outros dias em que te apetecer. Aprimora as tuas receitas e encontra a tua especialidade preferida para cada um deles. Começa a temer a morte porque, já agora, dava jeito vê-los a avançar um bocadinho mais na vida. Faz os teus primeiros check-ups. Deixa de fumar porque eles te pediram. Baba quando eles balbuciarem os primeiros "a-bó" ou "bô". Deixa-te abraçar sem medo de mariquices. Ensina-os a andarem de bicicleta. Conhece-lhes os gostos mais estranhos e faz-lhes torradas aquecidas com manteiga derretida nos bicos do fogão e leite com chocolate "espertinho". Adopta um cão para lhes dares um amigo, sem medo de alergias ou das responsabilidade de teres que o passear. Finge que não os ouves aos risinhos, em vez de estarem a dormir, a altas horas da madrugada em dia de dormirem na tua casa. Vai a correr comprar um peixe dourado para substituir outro que, entretanto, morreu, para eles não lhe darem pela falta. toca, às escondidas, nas cornetas e realejos deles. Ensina-lhes a pedir desejos a estrelas cadentes. Fecha os olhos quando eles te derem beijinhos lambuzados. Molha a colher da cefé em açúcar e oferece-lha. Arma-te em mágico e e encontra-lhes rebuçados atrás das orelhas. Telefona-lhes todos os dias. Guarda moedas para lhes encheres o mealheiro. Oferece gelados à revelia dos pais. Ignora quando eles fazem bolhinhas, a soprarem ar através de uma palhinha, para dentro do copo de sumo. E ri-te, às escondidas, com o disparate. Mantêm com eles os vossos pequenos segredos. Em noites de trovoada, trá-los para a vossa cama, no meio de vós. Faz o teu próprio cartão "Toys R' us". Fala-lhes dos teus pais e dos teus próprios avós. Deixa-os brincarem com água e farinha. Rouba fotografias deles, à sucapa, dos albúns dos pais. Encobre tantos disparates quantos conseguires. Enche a casa de molduras com retratos deles. Percebe que o teu coração se pode bifurcar por cada um deles que te nasce. Sorri sempre que correm para ti. Ama sem medos.
Ama antes, muito antes, de educar. 

Feliz dia, a todos os avós!

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Os Açores... na festa da Ana!

Quando comecei a organizar a festa da Ana, queria ter o condão te poder trazer a Lisboa todos os leitores queridos do meu blog. 

Impossibilitada de o fazer alegrei-me quando percebi que a Marisa Barroca e a Isabel Coimbra faziam diligências para encontrar um autocarro que me trouxesse as gentes do Norte. Percebi que a Fatima Agostinho podia fazer um car sharing trazendo a Daniela Braz do Algarve. Vem uma menina do Alentejo, outra de Coimbra, a Daniela Ferreira de Bragança. A Luz vem do Funchal!

No entanto, porque tenho um tipo dos Açores cá em casa, conheço o peso da insularidade. E sabia que era quase impossível trazer leitoras dos Açores para nos ajudarem a apagar a vela! 

 No entanto, tal como fiz para muitos lados, tentei fazer alguma coisa. E eis que me chegou esta resposta: 

"Cara Pólo Norte, 

 nome do Grupo SATA, acuso a receção da sua mensagem de e-mail e agradeço o seu pedido que mereceu a nossa melhor atenção. 

 Gostaria de lhe transmitir que o seu pedido se enquadra na ativa postura de responsabilidade social que assumimos, pelo que estaremos em condições de oferecer o nosso apoio com a cedência das duas viagens solicitadas no percurso Ponta Delgada/Lisboa/Ponta Delgada. " 



A Corisca Ruim e a Carlinha vêm à festa da Ana!

Obrigada, SATA! Ficámos de coração cheio!

quarta-feira, 24 de julho de 2013

PROGRAMA QUADRIPOLAR | PARIS

Diz a minha Bé: 
"Transporte: para uma semana, julgo que os bilhetes de 10 viagens para o metro são uma boa opção - custam 13,30€ os 10
Do aeroporto CGD para o centro tens o comboio RER B até à gare du Nord (cerca de 9€ pessoa)  e depois é ver onde fica a casa em Montmatre e apanhar o metro até lá. Há sempre os táxis mas custam cerca de 50€ + preço bagagem. Tens ainda oRoissyBus que passa pelos terminais 1, 2 e 3 do aeroporto a cada 15 minutos, e pára em frente ao palácio Garnier (Ópera de Paris). O preço do trajeto é cerca de 10€ por pessoa.
Alguns apontamentos, uns já te disse, outros não :)
  
Passagens Cobertas - uma espécie de ruas cobertas cheia de lojinhas - a chic Vivienne -  4, rue des Petits Champs, 5, rue de la Banque, 6, rue Vivienne, 75002 Paris e as mais pitorescas Jouffroy (10-12, boulevard Montmartre – 9, rue de la Grange Batelière, 75009 Paris), Verdeau - 6, rue de la Grange Batelière – 31, bis rue du Faubourg Montmartre, 75009 Paris ePanoramas - 11-13, boulevard Montmartre – 151, rue Montmartre, 75002 Paris

Todo o bairro de Montmatre

Todo o bairro de Sant German de Prés - não é nada turístico mas foi das zonas de Paris que mais gostei, tem um “charme-Parisiense”. Lá viveram Simone de Bouvoir e Jean Paul Sartre. Na  Boulevard du Saint Germain, procura os cafés  Flore e Deux Magots. Muito giros. 

Subir ao terraço do Arco do Triunfo -  muita gente nem sabe que dá para subir e a vista é muito boa.

  • fazer um cruzeiro no Sena quase ao final do dia quando o sol se põe (a partir das 20h)- o passeio é muito bonito e vês quase todos os monumentos no passeio, no verão havia imensas pessoas a aproveitar o final do dia, numa espécie de praias junto às margens, (o vinho e o queijo....). Esta é uma das empresas: www.bateauxparisiens.com 
  • Pont de L'Archevechê - onde há a famosa tradição de levar um cadeado e prender na ponte para simbolizar o amor eterno (fica por trás da notre dame), e é onde se tem a melhor vista da cabeceira de Notre Dame. Eu subi às torres para ver de perto as gárgulas mas não sei se com Ana será tão viável

Dicas Doces e boas: 


Carette - na Place du Trocadero é a patisserie Parisiense  que fabrica os "Macaroons dos Parisienses" (eles não gostam tanto da Ladurée), já ganharam vários prémios internacionais na doçaria. 


Ir ao Angelina beber chocolate quente, dizem ser o melhor de Paris  http://www.angelina-paris.fr/en/#/home/

Chocolaterie Jacques Genin - que tem o eleito melhor mil folhas de Paris http://jacquesgenin.fr/

Beber um café com gelado no mais antigo restaurante do mundo - Le Procope no Quartier Latin http://www.procope.com/
Lanchar nos  Les Deux Moulins 15, Rue Lepic, 75018 PARIS 18 - este café foi onde filmaram o Amélie (eu não bebi nada)

Comer muitos crepes, são maravilhosos (banana com nutella uiiii- os melhores e mais baratos comi perto da Bastilha)

Usar e abusar do Monoprix - espalhado pela cidade, tem boas opções para levar comida na mochila (levar um pareo para servir de toalha, não deve haver cidade melhor na Europa para aproveitar os jardins fazendo picnics

Dependendo dos monumentos que visites, faz contas se vale a pena comprar um cartão dos museus/monumentos. Não é barato, só compensa se se visitar muita coisa, e dá prioridade de entrada que no verão vale ouro. Ou se está numa de vivenciar mais a Cidade e ir ao sabor do que mais gostares por lá...."


Mais sugestões a acrescentar a estas, mas daquelas boas, boas, agradecem-se!

Angola? Done!



"Tanto tempo andei a congeminar a quadripolarização e hoje, sem contar, a coisa deu-se! (Mais depressa te tivesse eu enviado o email de ontem...)
Ora aqui tens, querida Ursa: a Portuguesita já com cores de África (bem sei que não parece, mas acredita em mim!) no candongueiro, a dominar uma Cuca (cerveja nacional)!
Comentário do motorista: "Tia, vê lá, não vai me vender em Portugal!". Portanto, olha, diz que o moço não está a venda! ;)

Beijinhos!"

Obrigada e um granda beijo aí para a banda, "tia" Susana!
Pólo Norte <3 you!


segunda-feira, 22 de julho de 2013

Mapas de representação cognitiva: pólo norte vs mámen

Acabei por comprar o champô sem sal no Boticário, onde não entrava há décadas por preconceito de perfumaria barata e com cheiro a lavanda. No entanto, depois de não encontrar marca Scala de porra nenhuma e o tal Tresemmé liso keratina estar esgotado nas prateleiras do Continente do Cascaishopping, não tive outra solução. O meu cabelo estava mais lambido do que se tivesse sido lambido por uma manancial de vacas açorianas. 
Comprei um champô de cereja do Boticário, assim sendo, a um preço simpático e fui muito bem atendida pela funcionária que também tinha o cabelo com alisamento marroquino e me fez aquele olhar de solidariedade de cabelo lambido. 
Cheguei a casa, fui tomar banho, lavei o cabelo, sequei-o e o cheirinho a cereja manteve-se. 
Comentário de mámen, como se fosse um chef daqueles do MasterChief Alcabideche:

- "Elá, o teu cabelo cheira a ginjinha. 
Muita bom esse champô!
 E olha que não é uma ginjinha qualquer, cheira mesmo à de Óbidos..."

...

...

...

(eu mereço?)

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que, ao deixar cair pão, este cai com a margarina para cima e as que o respectivo pão cai com a manteiga para baixo.


Facebook for dummies ou análise projectiva de usuários de facebook

Usuários com perfil de casal- Casal de namorados ciumentos, ou em alternativa, casal de namorados em que um dos cônjuges é ciumento e quer controlar amigos, likes, pertença a grupos e, claro, mensagens. E em que o outro é totó. Ou em que há um dos cônjuges que não quer ter página, não quer ter facebook mas quer ter acesso à conta do outro, como quem não quer a coisa, usando o argumento "mete lá o meu nome que eu não tenho conta e assim, quando me apetecer ver qualquer coisa, uso o teu. E o outro é totó.

Usuários que postam, sucessivamente, fotografias do grupo "Receitas Rápidas" ou "Livro de Receit@s"- Gente que está a cumprir a "Dieta dos 30 dias" ou gente que troca receitas via mural público do facebook ou gente com fome. Muita fome.

Usuários que postam imagens de montagens de cestas com rosas azuis e frases escritas em Comic Sens como "para perfumar o teu fim-de-semana" nos murais de outras pessoas- Senhoras na menopausa, que não estão a tomar os suplementos vitamínicos necessários

Usuários que postam "Pela Força, pelo carisma e carinho que possui" Te admiro! Prêmio mulher bem mais que bonita! A brincadeira é a seguinte...assim que for selecionada, tem que escolher 10 mulheres do seu Facebook, que você acha que merecem o prêmio. Copie e cole isso no mural delas, seja sincera! se for selecionada mais de 3 vezes, saberá que é verdadeiramante bonita. Se quebrar a brincadeira nada vai te acontecer, mas é sempre bom saber que alguém te acha linda...por dentro e por fora. Eu escolho você!!!"- Senhoras, sozinhas e carentes, que necessitam de ouvir palavras bonitas por parte das outras pessoas e que, já agora, dão a dica acerca do que querem ouvir. Passa ao mesmo e não a outro.

Usuários que postam fotografias com pôr-do-sol, virgulas e pombinhas- Floribelas recalcadas!

Usuários que postam fotografias de imagens do sagrado Coração de Jesus ou da  Nossa Senhora da Agonia com as palavras "Boa noite queridos amigos e amigas! Hoje é o dia nacional do amigo, envio meu melhor amigo para vocês."- Me-do! 

Usuários que postam fotografias a segurar vegetais extra-terrestres, mais concretamente, uma courgette maior que a neta quando nasceu (a saber comp. 53cm, diâmetro.47cm e peso.2,850kg)- Sogro da Pólo Norte

(Estou aqui a ponderar se falo sobre o facebook de senhora minha sogra...)

domingo, 21 de julho de 2013

Mónaco? Uh lá lá!



Um grande bisous para os chiques e giros Filipa e Pedro que cumpriram a "dolorosa" tarefa de quadripolarizar o Mónaco...

Pólo Norte inveja-vos- é certo!- mas <3 you!

quinta-feira, 18 de julho de 2013

A vida em perspectiva durante um alisamento marroquino

Tirei a manhã para mim. Tinha escrito que  não fosse a necessidade de domar de vez o meu cabelo, encontrar um novo emprego que me faça feliz, comprar uma máquina fotográfica nova e andar de balão arriscaria a dizer que a vida, até, não me corre nada, mas mesmo nada mal.Comecei pelo mais fácil: fui fazer um alisamento marroquino. 
Dei por mim em silencio durante três longas horas e meia enquanto, madeixa a madeixa,  me impregnavam um químico no cabelo e depois, novamente, madeixa a madeixa, me pranchavam o mesmo. A vida ali, em perspectiva, no espelho de um cabeleireiro kitch. 
Sou uma mulher. Na primeira manhâ dos meus 33 anos percebi que não me posso esconder. Posso ter cara de miúda, humor duvidoso de adolescente mas a vida fez de mim uma mulher. Cresci à força de não pensar muito nesse crescimento. O tempo, efectivamente, passou. Não sou uma senhora, ser uma senhora deve ser muito chato, mas sou uma mulher. Gosto do que vejo reflectivo no espelho, da pessoa em que me tornei. 
A minha vida já foi como o meu cabelo: eriçava-se muito facilmente. Por mais que a penteasse com as mãos, por mais que insistisse com escovas diversas, a estúpida criava nós nas pontas e, depois, de repente, já estava todo embaraçada, às vezes, um ninho de ratos. 
Durante muito tempo, na vida como nos cabelos, fui resistente a cortar os nós, tinha medo do cabelo mais curto, de outra moldura para o rosto, de perder a minha identidade, de mudar tanto que depois não me reconhecesse no espelho. Nessas alturas, agarrava na prancha, altas temperaturas e fazia o tratamento de choque, alisava a minha vida, como o meu cabelo, à força e à velocidade da energia. Do calor. 
Aos 33 anos, aceito cortar as pontas, sem grandes lamentos. Corto tudo o que pode provocar nós e dificuldade em desembaraçar. Anseio pelo ar saudável, pescoço mais fresco, sentimento de leveza. 
Aos 33 anos sei o que quero da vida, sem grandes tentativas nem erros, atitudes assertivas e sem medo do compromisso, do irreversível, pelo menos a médio prazo. O alisamento marroquino dura mais ou menos 4 meses. E o cabelo, como a vida, está, exactamente, da forma que eu quero e gosto. 
Estou mesmo contente. É que o cabelo é uma coisa muito importante para uma mulher. 

"Nem bem passado nem mal passado. Médio."

Já não me lembrava porque não fazia festa de aniversário há quatro anos mas hoje recordei-me: é um stress!
Primeira questão: convidados. Eu gosto de muitas pessoas diferentes. Com backgrounds diferentes, com estilos diferentes, com interesses e gostos diferentes, com idades diferentes, enfim, pessoas que podem não ter, rigorosamente, nada que ver umas com as outras.
Depois: tenho sempre um galo tramado para organizar festas. tenho boa intenção, boas ideias mas a minha pontaria é sempre a pior. 
Em terceiro lugar: fico sempre com o amargo de boca de não conseguir dar a atenção exclusiva e o tempo necessário a cada um dos convidados. 
Mas desde 2009 que já não havia festa de aniversário quadripolar e este ano apeteceu-me. Tumbas. 
Consegui sentar monárquicos e republicanos do bloco de esquerda na mesma mesa, pessoas com 63 anos e miúdos de 10, anárquicos e agentes da GNR, ex-alunos do Ramalhão e ateus com ódio profundo à religião, pessoas só crente em medicinas alternativas e acupunturas e fisioterapeutas mega científicas, psicólogas e malucos, gente muito caladinha e estouvados, adolescentes aborrecidos e crianças cheias de sono à mesma mesa. Ou melhor, em duas. Já lá iremos...
O restaurante escolhido é um dos meus preferidos. Vou lá frequentemente com mámen e somos muito bem servidos. Há uma semana que reservei mesa e avisei que seríamos um grupo grande. Hoje, quando lá chegámos não se lembravam da marcação. Assim, tivemos que esperar que preparassem as mesas e nos instalassem em duas mesas distintas. Começou bem. 
Passada meia hora de nos sentarmos (excepto dois amigos que esperaram para aí uma hora que colocassem mais dois lugares numa das mesas) nada de couverts nem bebidas em cima das mesas. A coisa ficou tão feia que acabei eu por ir à cozinha e servir às mesas pãozinho, sangrias e garrafas de água na minha própria festa de anos. A recolher os pedidos, a dona do botequim, uma brasileira perua, quase que me comia vida, danada que estava por eu lhe estar a dar negócio. Bufava, soprava, não esboçava um sorriso de simpatia e ainda se lembrou de me repreender porque eu devia ter confirmado o menu, depois dela me ter sugerido escolhermos à carta há uma semana atrás. Respirei fundo, sorri e acenei. Caramba, tenho 33 anos, não me posso dar ao luxo de criar rugas. 
Entretanto, enquanto a dona do restaurante afirmava, muito assertivamente, que os bifes de alcatra viriam para a mesa médios, sem opção de bem ou mal passados por parte dos clientes, eu começava a stressar. A Ana, que hoje me presenteou com um monumental mau humor durante todo o dia, decidira que não queria ir para o colo de ninguém, excepto o meu e de mámen, que éramos precisos a recolher pedidos e a agilizar o serviço às mesas da minha própria festa de aniversário... num restaurante!
Contei todos os convidados e pedi os respectivos pratos e, passadas quase duas horas de termos chegado ao restaurante,  as pessoas começaram a jantar. Todas excepto eu, pois na contagem dos convidados e na conferência dos pedidos, esqueci-me de contar comigo (loira!), pelo que, fiquei sem jantar. Pedir, áquela hora, outro prato seria coisa para estar servida amanhã ao lanche, pelo que, o jantar de aniversário dos meus 33 anos fica marcado como o não-jantar de aniversário, ou melhor, o dia 0 da dieta dos 30 dias da Agata Roquette, até porque estou, efectivamente gorda. 
O livrinho da nutricionista, prenda do namorado da minha mãe, atesta essa opinião. 

(Amigos, valeu ter-vos revisto a todos no meio daquela confusão. Irei marcar, com cada um de vós, cafés exclusivos para pormos toooda a conversa em dia. Fica confirmado que, se depois desta festa, ainda gostarem de mim vocês são MESMO os maiores! Obrigada a todos!)

(Dona brasileira do restaurante: até nunca mais! E desculpe ter feito a minha festa no seu restaurante, sim? Desculpe a maçada! Não se zangue, vá!)

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Quem tem medo do Lobo Mau? A partir de agora eu!





"Não me convences com o teu paleio de chacha, deves-te achar a última bolacha!". Pura poesia!
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