domingo, 14 de dezembro de 2014

Les villes sont mortes. Vive les villes.

Eu fico muito nervosa quando passo em Cascais. fecham-se lojas de comércio tradicional, as lojas que eram uma manta de patchwork desta vila, contavam nas montras as histórias, o tempo e o crescimento dos últimos anos, o crescimento que também as matou. 
De Cascais da minha infância resta pouca. A Ana nunca saberá que no lugar da igreja universal do reine de Deus foi um dia o Oxford, onde fui ao cinema sozinha pela primeira vez. Havia também os cimenas São José e o cinema do Pão de Açúcar, que agora se chama Auschan. Não há, neste momento, nenhum cinema na vila. Só nos shoppings, todos iguais, todos homogeneizados com letterings e estratégias de marketing, pipocas em copos de design, gomas que passam nos crivos do HACCP e afins. Não há cinemas na vila e a Ana nunca saberá o bom que é sair do cinema com as amigas e ir a pé até à praia da Rainha, a minha preferida em Cascais, fazer a análise crítica do filme. 
Fecham lojas em Cascais, todos os dias. A baixa está uma lástima, com montras vazias com autocolantes de mediadoras imobiliárias e eu fico triste. A Rua Direita foi tomada por lojas indianas, marroquinas e chinesas, a venderem recuerdos portugueses fabricados na Tailândia, galos de Barcelos em tons de pastel e imagens da nossa senhora de Fátima com luzes de discoteca.
Fechou o Oxford, fechou a pastelaria Cisne e a Lua-de-Mel, a Cenoura do canto do Visconde da Luz já morreu há que séculos e  o Tchipepa anunciou que ia fechar no Verão passado. 
E eu que vou ao mercado todos os sábados de manhã, que frequentava a Lua de Mel, que prefiro os croissants do Gianni a todos no Mundo fico triste porque estão a esvaziar as vilas, a plastificarem as fachadas dos prédios, normalizando as terras, exterminando o patchwork da diversidade do comércio tradicional, criando terras bonitas e com as ISOs todas para quem ver de fora dizer que são bonitas, sim senhora, para ganharmos reconhecimento nas revistas de turismo lá de fora, que se os estrangeiros dizem que isto é bom é porque deve ser mesmo, estamos no bom caminho. 
Construam-se menos hotéis para quem vem e revitalizem-se as vilas e as cidades para quem permanece. Devolvam-se as terras a quem as pertence. A quem a elas pertence. 

(a propósito disto)



sábado, 13 de dezembro de 2014

Us

Olhei-a ao longe. Alta, magra, com um sorriso que tem brilho como se sorrise com o olhar, a alma, o coração. Chama-se Ana e não se podia chamar outro nome.
Conheci-a porque escrevo neste blog. Porque um dia, há exactamente seis meses atrás, pedi aqui ajuda para uma desconhecida, minha e dela, alguém a quem não conhecíamos o rosto nem o tom de pele, a altura ou o tom de voz, apenas a história. Ela ajudou-a e ajudou-me a ajudá-la e, ainda que ela não saiba, ajudou-me muito mais a mim.
Olhei-a ao longe. Envergava uma camisola gira com a palavra "Us", a Ana, com uma pronúncia que amo, do norte, de casa, a tirar fotografias nesta festa da Móvel Vivo, a loja de decoração mais quadripolar do Mundo, num fundo com o logotipo desenhado pelo Bruno, a msterialização do Bairro do Amor.
Em seis meses fizemos muitas coisas juntas, eu e esta Ana, fomos a um bairro social, tirámos medidas a paredes, recrutámos uma colaboradora, visitámos casas de clientes, comemos picanha numa noite divertida, planeámos esta festa, desabafámos, perdemo-nos mesmo tendo GPS, rimos, ficámos com nós na garganta, arrumámos caixotes de cartão no armazém a altas horas de madrugada e, no meio disso tudo, tornámo-nos amigas.
Olhei-a ao longe. A palavra na camisola a ecoar-me o pensamento. Podemos conhecer mil pessoas mas poucas são as que nos tocam, as que se tornam parte de nós, fazem parte do plural que também somos. São "us". E a Ana é.
Sophia de Mello Breyner disse um dia que alguma poesia faz realmente sentido quando o sentido das palavras coincide com o seu significado. 
Nada mais simples, vide infra...
Us. 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O dia em que deixei de acreditar no Pai Natal





Foi no Natal de 1988, lembro-me bem. Os meninos da escola já não acreditavam no Pai Natal e eu achava que eles eram todos tolos. O Pai Natal aparecia-me todos os anos, a seguir ao jantar de bacalhau cozido, batatas e couves, assim que a aletria e os mexidos assentavam nos nossos estômagos, Era uma coincidência brutal: o meu pai saia para comprar cigarros, acabavam-se sempre aquela hora e desencontrava-se sempre com o velho de barbas, que tinha umas feições familiares mas a cara da minha imaginação. E trazia-me prendas, e tocava o sino no quintal da minha avó, logo assim que entrava o portão) será que se tinha cruzado com o meu pai que saira minutos antes?) e dava-me um beijinho, um abraço e deixava-me prendas. Vinha sempre com pressa, tinha montes de outros miúdos para visitar, mas nunca falhava. 
Passados outros minutos regressava o meu pai, sempre desapontado pela infeliz coincidência de nunca se cruzar com o velho de barbas, sempre ansioso para ouvir os meus relatos entusiasmados da maciez da barba, da fofice da barriga que parecia mesmo uma almofada, da alegria de ver com os olhos que ele existia mesmo e que isso me deixava numa posição privilegiada face aos meninos da escola, que duvidavam da sua existência. Eram parvos! 
Os meus pais separaram-se e nunca ninguém me disse, oficialmente, que o Pai Natal não existia. Ele deixou de aparecer, naquele Natal de 1988, mas não doeu muito, não doeu tanto como a ausência do meu pai, do seu ritual de ir comprar cigarros a seguir ao jantar, da falta que me fez não ter ninguém que ouvisse o relato a viva voz do meu sonho de Natal, tão real e feliz. Resignei-me. No silêncio do primeiro Natal triste da minha vida, resignei-me.
E fiquei orfã de dois pais vivos: o meu e o Natal. E depois disso fiquei parva e realista, como todos os outros meninos. Sem a magia da ingenuidade e da força de acreditar. 
Mataram-me, pela primeira e incontornável vez, o verdadeiro espírito do Natal. 

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

BUCKET LIST | AVEIRO


Dormir num barco-casa na ria de Aveiro - done
Tomar um pequeno almoço de pão de vale de Ílhavo- done
Mamar uma tripa de ovos moles pela manhã- done
Almoçar numa loja de mariscos que nem é restaurante mas que tem o marisco mais fresquinho do Mundo- em processamento
done
Emborcar uma tripa de ovos moles de sobremesa- done
Beber café no Casablanca- done
Respirar a maresia de Aveiro- done
Andar de barco à vela- done
Passear no Rossio- done
Apresentar as casas da Costa Nova à Ana- done
Aquecer as mãos num braseiro público- done
Beber vinho quente no Quebramar enquanto oiço músicas de Natal- done
Passear no Rossio e nas margens da ria- done
Descobrir lojas giras perdidas nas ruas- done
Ser cobaia e fazer o sacrifício de provar todos os sabores de licor disponíveis no frigorífico da mãe de uma amiga que se dedicou a esse negócio- done
Comer leitão da Palhaça- done
Comer as natas da Costa Nova- done
Levar a Ana a tirar uma fotografia com o Pai Natal- done
Comprar uma barrica de ovos moles para trazer para a minha mãe- done
Ir a uma feirinha de artesanato de rua que não vende porcarias feitas com cápsulas da Nespresso- done
Visitar o Museu do Brincar- done
Apanhar laranjas e limões directamente do quintal de uma amiga- done
Comer uma tripa de chocolate só para desenjoar- done
Ter um encontro feliz sem combinações prévias com uma pessoa querida- done
Comprar flor de sal da Ria- done
Tirar perto de 500 fotografias a tudo o que achei bonito- done
Matar saudades de amigos de infância-done
Ouvir a Ana tocar num tamborzinho típico de madeira e dançar ao mesmo tempo na calçada da Praça do Peixe- done
Sentir um nó na garganta e raízes no coração na hora de ter que voltar- done
Trazer comigo reservas de Aveiro-inspiração para os próximos tempos- done

PPC feat. As minhas receitas feat. Bairro do Amor

E se o Quadripolaridades tivesse, pela primeira vez, postais personalizados?

 Este ano, o Polar Post Crossing  conta com o apoio das meninas da Tinimi  e com a doçura da Joana Roque e conta com uma edição de postais solidários. Sim, isso mesmo, cada postal, desenhado pelas Tinimini, conta com uma receita de bolachas de Natal da autoria da Joana Roque, autora do blog As Minhas Receitas

As inscrições do PPC já fecharam mas qualquer um pode comprar os postais, para usar no PPC ou não! Escrever postais é tão boooom!

São, assim, vendidos em packs de 4 postais e o valor integral da sua venda reverte a favor do Bairro do Amor. 

Encomendem AQUI!


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Explica lá isso do Bairro, Pólo Norte!

Quem Somos

O Bairro do Amor é  uma instituição particular de solidariedade social (IPSS), sem fins lucrativos, criada em 2014, com o objectivo de melhorar a qualidade de vida e potenciar a inclusão social de pessoas ou grupos em risco de exclusão social, através de uma estratégia de participação comunitária.

Todos os anos é escolhida uma área de intervenção a trabalhar com maior foco. A intervenção de 2015 assentará no apoio à infância.
Em paralelo, a comunidade do Bairro do Amor será responsável por ajudar a proporcionar um final feliz a 12 histórias, uma por mês, sinalizadas e escolhidas, uma a uma, pelos seus associados, numa óptica de participação colectiva, fomento e respeito pelo sentido cívico.

O que queremos fazer?

  • Promover o apoio técnico, económico, pedagógico, psicológico e social dos seus beneficiários;
  • Promover a auto-responsabilização pela inclusão social de grupos de risco com vista à sua autonomia funcional;
  • Formar e capacitar pessoas em risco de exclusão social para a obtenção de recursos que lhes permitam uma inclusão efectiva;
  • Democratizar o acesso a plataformas, ferramentas e recursos que possibilitem uma maior e melhor preparação para enfrentar e superar as condicionantes que dificultam uma inclusão social real ;
  • Desenvolver um sentimento comunitário e de incentivo à participação cívica em prol da intervenção social junto dos seus associados.

Como se podem juntar a nós?

Tornando-se sócios aqui ou inscrevendo-se na bolsa de voluntários aqui.
Envolvendo-se.

    We have a dream



    O Bairro do Amor sempre existiu.
    Martin Luther King disse um dia “I have a dream”. Por aqui pelo Bairro “we have a dream”. Tínhamos todos, cada um de nós, este sonho: o de participarmos activamente no Mundo, agirmos sobre ele, habitá-lo como se fosse um bairro,  E depois reconhecemo-nos e todos os sonhos individuais se cruzaram naquele que é um sonho colectivo, uma aspiração comunitária. E percebemos que embora cada um de nós tivesse este sonho trancado em si, bastou abrirmos as janelas e irmos à varanda das nossas vontades e batermos com os olhos nos outros vizinhos. E de repente, janelas abertas, éramos muitos, num sonho comum. Vizinhos uns dos outros neste bairro do amor.
    E convocámos reuniões de condomínio a céu (e sol) aberto, deixámos palavras escritas nas caixas dos correios uns dos outros, partilhámos segredos e sonhos, sempre sonhos, como quem partilha o lugar onde esconde a chave sobressalente (é que nem sempre fica debaixo do tapete de entrada).
    E a 4 de Dezembro passámos a existir como um todo e reunimo-nos à volta do coreto, de mãos dadas a ver o sonho materializar-se neste bairro. O Bairro que sempre existiu em mim, no Paulo, na Filipa, na Maria, na Flávia, na Rita, no Rui, na Sandra, na Ana Araújo, na Bé, na Ana Luísa, na Mariana, na Ana Póvoas, no Bruno e- quem sabe?- também dentro de si. “Vizinho de nós”.
    Porque, como diz o cantor, “há sempre lugar para mais alguém!”
    Contamos consigo?

    (Tudo sobre o Bairro do Amor- o projecto mais emocionante onde já estive envolvida aqui: http://obairrodoamor.wordpress.com/)

    Aos 4 de Dezembro de 2014



    No bairro do amor a vida e um carrossel
    onde hã sempre lugar para mais alguém
    o bairro do amor foi feito a lápis de cor
    pra gente que sofreu por não ter ninguém

    No bairro do amor o tempo morre devagar
    num cachimbo a rodar de mão em mão
    no bairro do amor hã quem pergunte a sorrir
    será que ainda ca estamos no fim do Verão

    Eh pá, deixa-me abrir contigo
    desabafar contigo
    falar-te da minha solidão
    Ah, é bom sorrir um pouco
    descontrair um pouco
    eu sei que tu compreendes bem

    No bairro do amor a vida corre sempre igual
    de café em café, de bar em bar
    no bairro do amor o sol parece maior
    e hã ondas de ternura em cada olhar

    O bairro do amor é uma zona marginal
    onde não hã prisões nem hospitais
    no bairro do amor cada um tem de tratar
    das suas nódoas negras sentimentais

    Eh pá, deixa-me abrir contigo
    desabafar contigo
    falar-te da minha solidão
    Ah, é bom sorrir um pouco
    descontrair um pouco
    eu sei que tu compreendes bem

    terça-feira, 2 de dezembro de 2014

    A CONHECER | Tales of Light

    You're the captain of my love

    Desde que sou mãe tenho feito várias sessões fotográficas para ir registando o crescimento da Ana. À falta do César, o fotógrafo oficial de Cascais, tenho escolhido profissionais cujo trabalho acompanho. Tenho tido a sorte de me cruzar sempre com fotógrafos de enorme talento e cujo trabalho admiro, destaco a Olga da Little People, Big Smiles, a Sofia da Magma, a Selma Veiros e o Paulo Barros Cardoso que adoro. Recomendo todos!

    Mas, não sei se porque à medida que a Ana cresce se tem vindo a tornar cada vez mais gira e com salero, a última sessão realizada pelo enorme Ricardo do Tales of Light entrou para o top 1 e arrebatou-me o coração com tanto amor.

    Obrigada Ricardo, isto não é trabalho: é sensibilidade e amor.







    Marcar uma sessão fotográfica com o melhor fotógrafo de famílias nacional

    Quem? Ricardo Silva do Tales of Light 
    Contacto: http://www.ricardosilvafotografia.com/ricardo-2-2/
    Saber mais? http://www.ricardosilvafotografia.com/

    quinta-feira, 27 de novembro de 2014

    A CONHECER | Agendas que enchem corações




    "Olá Polo Norte, 


    Eu sou a Filipa, uma Pólete assumida. Escrevo-te agora porque sei da tua vertente solidária. Sou mãe de dois filhos, o Lourenço que tem quase dois anos, faz em Dezembro, é quase da idade da Ana. E o Sebastião, que está quase a fazer dois meses. 

    Quando estava grávida do Sebastião, soube que tinha uma cardiopatia, transposição dos grandes vasos, as artérias aorta e pulmonara estavam trocadas. Quando o Sebastião nasceu, tivemos que desfazer esta confusão que a natureza fez, uma semana depois de nascer o Sebastião foi operado (uma cirurgia que durou um dia inteiro! nem te conto como estava o meu coração!) , e depois de quase um mês de internamento o Sebastião está aqui fino, todo kickass para as curvas. Erro da natureza corrigido, o Sebastião tem uma rica, longa e saudável vida pela frente.

     O meu filho foi operado no Hospital de Santa Cruz, e apresentou-me uma realidade que eu não conhecia, a Cardiologia Pediátrica deste hospital. Foi muito bem tratado, o Hospital tem uma equipa assim absolutamente TOP, recursos humanos espectaculares. Maaaas, no que às infra estruturas e logística diz respeito este hospital tem algumas limitações. 

    A Associação Coragem Minicor (http://associacaocoragem.webnode.pt/), formada por pais, medicos, enfermeiros e amigos, tem vindo a ajudar no que é necessário. Participou na renovação dos cuidados intensivos de que o meu filho beneficiou, ajuda na aquisição de equipamento e apoia pais durante o internamento dos filhos. 

    Esta é uma realidade cruel, sabias que um em cada cem crianças tem uma cardiopatia (das mais às menos graves, claro!)? 

    Este hospital é dos poucos a nível nacional especializado em cardiologia pediátrica e recebe crianças de todo o país, com elas chegam os pais, desterrados às vezes durante meses (eu não tive esse problema, moro perto!), há pais que não têm condições económicas para a estadia, os apoios sociais são limitados, e chega a haver pais que dormem no chão ao lado dos filhos durante semanas, a Associação Coragem apoia estes pais. 

    -*Depois de o meu filho ter sido tão bem tratado, sinto uma necessidade de me mexer e ajudar para que estas crianças possam ter cuidados, e os pais apoiados, acredita que só queremos os nossos filhos bem, se passamos por dificuldades azar! 

    Afinal, estas coisas não acontecem, mesmo, só aos filhos dos outros. Aconteceu ao meu. 

    Para desenvolver este projecto a Associação Coragem recolhe donativos nesta altura do ano através da venda de Agendas 2015 (dá sempre jeito uma agenda, nem que seja para oferecer a alguém agora no Natal), aqui estou eu então a pedir que divulgues esta venda. 

    Caso possas, e aches pertinente, apenas que publicasses no blogue e/ou página do facebook eu agradeço.. Podem contactar-me eu envio as agendas por correio e recebo por NIB, no fim entrego tudo à Associação. 



    Os meus filhos, eu diria, os nossos filhos, agradecem ; )



    Só mais uma coisa, bem sei que todo o ano existem pedidos para as mais variadas causas, uma pessoa põe o pé na rua e pronto. Ainda mais nesta altura do ano, mas caramba, eu conheci esta causa, vivi-a, não posso estar indiferente, pelo menos a pedir. Se não tiver efeito, tentei. Outros houve que um dia fizeram alguma coisa em prol do meu filho, seria uma grande e egoísta avestruz se agora não tentasse. 




    Para comprar as agendas, é só entrar em contacto para o meu mail: filipa.fmarques@sapo.pt. Cada agenda são 5 euros. 




    Um grande beijinho à família Polo Norte"


    Todos a comprar agendas à Filipa!

    terça-feira, 18 de novembro de 2014

    Cada um deseja o futuro do prato que preferir...


    A minha prima é gira que se farta e uma paciente do meu tio decidiu elogiá-la numa fotografia que o pai postou no seu facebook.

    Eu só acho que, mal por mal, podia ser um futuro sushi ou chicken korma, sei lá.

    segunda-feira, 17 de novembro de 2014

    A EXPERIMENTAR | Workshops ministrados pela Prochef Agency

    Foi no sábado de manhã e saímos de lá a salivar tanto, tanto, que dá para descrever. 
    O convite veio do meu Clube VII do coração que, em co-organizaçao com a Prochef Agency, dinamizou um  workshop de massas fabuloso, com a supervisão chefe José Serrano que vocês podem conhecer em http://www.thepersonalchef.pt/. 








    Fotos da autoria da minha partner no crime: Sandra Alves


    E, voilá, saí de lá com três receitas fáceis de confeccionar e que irão impressionar os meus convivas, mas assumo que fiquei a babar por mais gnocchi com trufas e frango. 
    Se quiserem que partilhe convosco, avisem!

    O Clube VII organizará mais dois workshops em parceria com a Prochef Agency sobre Hamburguers Gourmet (dia 29 de Novembro) e Doces de Natal light (20 de Dezembro). Pedidos de informação e inscrições deverão ser feitas por aqui. 

    Encontramo-nos lá?




    Frequentar um workshop de hidratos de carbono (e sem culpa)


    Quem? Workshops da Prochef Agency
    Onde? Consultar agenda
    Contacto: Pelos telefones 912 016 694 | 912 052 501
    Saber mais? http://www.prochefagency.com/

    Eu, prematura.

    Imagem Martisses


    Nasci de quase sete meses. Mais coisa menos coisa, nos anos 80 não havia ecografias nem se falava de semanas de gestação. Quando estava grávida da Ana a minha mãe tentou fazer contas. Diz que nasci de 30 semanas, menos quatro do que veio a nascer a minha filha, também ela prematura,
    O rótulo de prematura deve ser a única coisa semelhante na minha história e na da Ana. Tudo o resto foi diferente, tão diferente, provando que não há duas histórias iguais. 
    Quando as águas rebentaram à minha mãe, naquele Julho de 1980, foi para o hospital da área de residência. Devido à prematuridade do parto não a aceitaram no banco de urgência e transferiram-na para a Maternidade Magalhães Coutinho, onde vim a nascer. Tinha 1 Kg e pouco, não me mediram, ou, pelo menos a minha mãe não se lembra. Para agravar a situação trazia de bónus uma malformação no tubo neural. Só desgraças. Ninguém deu os parabéns à minha mãe, no dia em que eu nasci,
    A minha mãe chorava. Muito. Recebeu-me no mundo entre lágrimas e soluços, depois da parteira se ter recusado a dizer-lhe o sexo do seu bebé recém-nascido porque "nem vale a pena saberes, filha, que isto é para morrer". "Isto" era eu. 
    Meteram-me numa incubadora para descargo de consciência. O prognóstico era feio. Não deixaram a minha mãe ver-me logo e quando o meu pai chegou com flores na mão, depressa deixou cair o ramo, tal o cenário de horror traçado: "Vai ter que acalmar a sua mulher que com os nervos quis levantar-se para ver o bebé, que está na incubadora noutra sala, e rebentou os pontos todos.". Mais de vinte, 
    A minha mãe berrava, queria ver-me, queria tocar-me, queria cheirar-me e não deixavam. O meu pai queria a família dele, novinha em folha, e não a podia resgatar para casa. Eu na incubadora, a perder peso, à espera que os desígnios se cumprissem: "se morrer é uma benção que Deus lhe dá". 
    Deram alta à minha mãe. Mandaram-na para casa de colo vazio. Tinha vinte anos, coitadinha, voltou para casa despejada da sua maternidade: "Vocês são novos, vão para casa e deixem-na aqui connosco que nós cuidamos dela até que se vá. Vocês são novos, depressa poderão ter outro filho". A minha mãe nunca parou de berrar, soluçar, chorar de dor, de raiva e de colo vazio. Secou-lhe o leite com os nervos. Não queria outro. Queria-me a mim.
    Em casa pararam para pensar. Resgataram-me daquele hospital onde não me faziam a cirurgia essencial para eu sobreviver devido ao meu baixo peso, ao pronúncio que a prematuridade não me deixasse resistir a uma operação tão complexa e demorada. Assinaram o termo de responsabilidade. Pediram uma ambulância emprestada ao quartel de bombeiros onde o meu pai era voluntário e levaram-me para o Hospital Pediátrico de Coimbra, onde, após uma viagem com paragens cardíacas e reanimações várias, me receberam fraquinha e pequenina, franzina e prematura mas sempre resistente. 
    Operaram-me com 15 dias de vida, ainda mais magrinha do que quando nascera, A seguir tive uma meningite. Fiquei lá por dois meses, com visitas aos fins-de-semana dos meus pais, que viviam longe e tinham que trabalhar para me sustentar. Todos os dias a minha mãe ligava para o hospital e chorava a minha distância, a minha recuperação, o seu colo vazio.
    Depois desses dois meses, pode encher o seu colo, que independentemente do peso dos filhos, fica sempre cheio. Trouxe-me para casa. Tirou-me as primeiras fotografias. Pesava, aos quase três meses, o peso normal de um recém-nascido. A minha mãe só pode ser mãe de colo cheio já eu tinha nascido há quase três meses. Nunca ninguém lhe deu os parabéns pelo meu nascimento. 
    O que ninguém sabe é que, desde sempre, estamos ligadas. Desde que saí das suas entranhas. Não houve hospitais, incubadora, fios, tubos, ambulâncias, auto-estradas e estradas nacionais, mamas secas, tempo ou distância que nos separasse ou o que quer que seja que tivesse beliscado a nossa relação umbilical, de pele, osmose, de entranhas. 
    Por isso hoje, no Dia Mundial da Prematuridade, as minhas palavras, aquelas que lhe são devidas desde aquele dia 17 de Julho de 1980 são para ela:

    "Parabéns, mãe!"

    sábado, 15 de novembro de 2014

    Afinal, caraças, temos uma música! (Obrigada, Spotify!)


    Conhecemo-nos em 1998. Começámos a namorar em 1999. Namorámos muitos anos. Casamos. Descasámos. Recasámos. Tivemos a Ana. A Ana e o pai tem uma música na banda sonora das suas vidas. Eu e a Ana temos uma música na nossa relação umbilical. Mas, quando nos perguntavam, a mim e a ele qual era a nossa música perdíamos num sem número de músicas que se ouviam no final dos anos 90, início de 2000 e não chegávamos a qualquer conclusão.
    Hoje, a ouvirmos o Spotify lembrámo-nos de procurar álbuns cujos CDs tínhamos quando começámos a namorar, E esta música, enterrada nas catacumbas da nossa memória, começou a tocar nas colunas do computador, tão longe das colunas da minha aparelhagem gigantone no meu quarto de solteira, tão longe do auscultador do meu telefone de disco para onde ele me ligava dos Açores antes de dormirmos, mas tão nossa.
    E olhámos um para o outro, enquanto arrumávamos a cozinha a ouvir a música, aquela música, e a letra saia-nos dos lábios, tão fresca, tão presente, tão perto, tão nosso. E dançámos agarrados, entre loiça no escorredor, pão a fazer na máquina e a Ana a dormir a sesta. Tão longe da vida dos tempos de namorados. Tão mais felizes.
    Hoje reencontramo-nos com a nossa música.
    Aguentem a fofi-melosó-parolice!



    A che serve piangere
    Rinunciare a vivere
    Resta qua se ti va
    Non pensare, abbracciami
    Lasciami sognare
    La tua pelle morbida
    Voglio accarezzare
    E finche non avro
    Anche l'anima
    Io saro sempe
    Sulla tua scia
    Non puoi fuggire
    Perche sei mia
    Perche ti voglio
    Perche mi vuoi
    Un mondo si apre
    Intorno a noi
    E se vorrai crederlo
    Io saro l'angelo
    Che non ti abbandonera
    Quando sul tuo viso
    Non vedra risplendere
    Dolce il tuo sorriso
    E finche non avro
    Anche l'anima
    Io saro sempre
    Sulla tua scia
    Non puoi fuggire
    Perche sei mia
    Perche ti voglio
    Perche mi vuoi
    Tutto sarai per me
    Perche ti voglio
    Perche mi vuoi
    Un mondo si apre intorno a noi
    Un mondo si apre intorno a noi

    Uma pessoa acorda com um cenário parecido com este



    (A Ana quer comer de beijos a Maria Emília)

    quarta-feira, 12 de novembro de 2014

    A EXPERIMENTAR | VOLTAR SEMPRE À DEPILAÇÃO A LASER ALEXANDRITE NA DORA

    Quatro sessões depois e tenho a pele como um peitinho de frango: li-si-nha! Deixei de ser a Ursita Wurst cá do burgo. 
    A Dora diz que tenho eu cá voltar para garantir que as hormonas não são mais espertas que o laser mas eu até não me importo porque sempre que vejo a Dora meter os óculos de soldadora e agarrar na manápula da máquina de laser como se fosse uma manete de uma bomba de gasolina escangalho-me a rir às gargalhadas de tal forma que ganho o dia.
    A Dora continua boa. E gira. Irrita-me um bocado. Os gajos é que ainda não a descobriram senão garanto-vos, minhas amigas, que o gajedo andava todo depenado.
    E eu hoje enchi-me de coragem e perguntei à Dora se ela fazia um desconto cartão jovem, preço especial amigo, para uma série de pessoas que me enviam emails a perguntar pelos serviços dela e contactos. Dito, feito, almoçámos juntas e entre uma espetada de lulas e um doce espectacular ali no restaurante "Apeadeiro" de computador em cima da mesa, bolámos uma fantástica promoção.


    A Dora diz "quadripoletes" em vez de póletes e não me apeteceu corrigi-la, que é por causa das tosses!
    As marcações devem ser feitas,,  por e-mail (doracrsilva@gmail.com) porque ninguém avança para tratamento sem questionário de despiste e no assunto do email devem dizer "Dora- a miúda que a pele adora!. Pronto, a Dora não sabe desta parte do código-pólete mas vai ficar a saber!
    Isto não é um concurso mas ficam a saber que se quiserem conhecer e likar na página da miúda devem ir aqui. Ah, o desconto só é válido para marcações realizadas até ao fim do mês de Novembro.
    Se não quiserem agasalhem-se no pelume que o Inverno promete ser rigoroso (blherckkk!).


    Sempre às ordens.

    terça-feira, 11 de novembro de 2014

    Uh lá lá!


    "Minha querida Polo, mais um pontinho para a Cruzada Quadripolar. É o Castelo de Villandry no Vale do Loire em França Gosto bues de ti beijokas. Teresa"

    Bisous, querida Teresa!
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