terça-feira, 12 de abril de 2016

Não fui eu, foi a Ana...



Então Ana, para que levas a frigideira na mala, filha?

Para se a avó e o avô se portarem mal...



(Fiuuuuu...)

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Encontrei a melhor metáfora possível para o Bairro do Amor



Don't stop us now! <3

Abril, quadripolarizações mil# 11




"Olá!
Envio duas quadripolarizações da Jordânia (mar morto e deserto em Wadi Rum)  (...)Eu gosto de ver as quadripolarizações, mas não faz muito a minha cena mandar fotos minhas para a net. Neste caso, decidi fazê-lo por duas razões. Primeiro, por carinho para com o blogue, o bairro e a ursa. Segundo, por amor à Jordânia. 

Conforme contei na minha mensagem, o pessoal de lá é bom demais... e a Jordânia constitui-se hoje em dia como um oásis de paz para as gentes que vivem os conflitos nas redondezas. A Jordânia não tem petróleo, vive essencialmente do turismo. Como as pessoas sabem que a situação na região é perigosa, julgam que a Jordânia é afetada, mas não é. É dos sítios mais seguros para onde tenho viajado. Eu gostava de contribuir para a divulgação deste destino. Gostaria que ao menos a Jordânia se aguentasse nas canetas lá para aqueles lados, e que seja um porto seguro para os que fogem. E fomos tão bem recebidos pelos jordanos, que são dos povos que ainda sabem o que é dar boa hospitabilidade (nós aqui já fomos mais hospitaleiros do que somos, acho eu).

Por isso, muito agradecia se mostrasse no seu blogue a quadripolarização da Jordânia e de caminho referisse às pessoas que eu lhe contei que é um destino maravilhoso e seguro (já que não poderá falar na primeira pessoa)."

Obrigada, querida India. Fiquei cheia de vontade de visitar a Jordânia. Quem sabe em breve? ;)


  • Conheça todos os países já quadripolarizados aqui.

domingo, 10 de abril de 2016

No dia dos irmãos... deixem os filhos únicos em paz!



Descendo de uma longa estirpe de filhos únicos. Mentira, é só a minha geração da família que está pejada de filhos únicos mas, quase 36 anos de experiência na óptica do utilizador, permitem-me pedir-vos encarecidamente que... deixem os filhos únicos em paz!

1- "Os filhos únicos são mal educados"
A educação não depende do número de filhos: depende dos estilos parentais, do contexto em que nascem os filhos, do suporte familiar e do apoio social, das experiências de vida e de crescimento das crianças e dos vários contextos psicossociais onde ela está inserida.
Sim, há filhos únicos mal educados. E filhos com irmãos também. As birras, os maus humores, as fases todas do Freud e do Piaget, as emoções, as atitudes não são exclusivas dos filhos únicos. "Ah, mas os filhos únicos de três anos são narcisistas e auto-centrados!" Pois, pois. "E os filhos de três anos com irmãos berram por atenção e querem-na sempre quando o foco não está sobre si mas no irmão". Ah, isso não é taxativo! Para os filhos únicos também não. Os filhos únicos habituam-se com a atenção exclusiva e direccionada? Ah, mas os filhos com irmãos reclamam-na amiúde. As crianças têm necessidade- todas as crianças, todos os seres humanos- de um espaço e um tempo exclusivos, de uma atenção exclusiva e direccionada de vez em quanto.
"Atribuir a culpa exclusiva da "má educação" aos pais de filhos únicos é insultuoso, porque dá a entender que, com todos os recursos concentrados apenas num petiz, ainda assim não foram competentes o suficiente para os saber educar. É triste dizerem isso porque os meus pais fizeram um óptimo trabalho!"- defende a Carla e com muita razão. A Patrícia acrescenta "Eu sempre fui muito bem educada e nunca faltei ao respeito a ninguém. Nós somos fruto da educação que recebemos: quer sejamos filhos únicos quer tenhamos 10 irmãos".
Ah, mas os filhos únicos querem sempre atenção! Calem-se, pá, os filhos únicos muitas vezes querem é que os deixem em paz! 

2- "Os filhos únicos não sabem partilhar"
A partilha ensina-se. A maioria dos filhos únicos que conheço foi ensinada a partilhar e a retirar prazer da partilha. Regra geral, a quantidade de recursos (brinquedos, material didático, etc) é grande e exclusiva, a responsabilidade por a preservar em bom estado é do próprio filho único e não há qualquer ansiedade face sentimento de propriedade "fuçangueiro" das coisas. Eu podia dar sem medos, partilhar sem medos, porque sempre tive tantas coisas ao meu dispor, que se perdesse "momentaneamente" ou para sempre o usufruto de determinadas coisas, não era grave nem era o fim do Mundo. 
Diz a querida Bebiana que " no limite, para fazermos amigos para brincar, tínhamos que partilhar!". 
Eu acrescento que uma vez que os pais de filhos únicos são muito conscientes sobre os estereótipos de filho único fazem um esforço, racional, e adoptam estratégias pedagógicas de forma a evitar, contrariar e combater todos esses clichés!
Outra das evidências que corrobora essa teoria de que os filhos únicos são egoístas egocêntricos em oposição aos filhos com irmãos que cresceram altruístas e magnânimos com um instinto de partilha e de altruísmo inatos é a quantidade de filhos com irmãos que, após a morte dos pais, não se zanga/corta relações/entra em conflitos a propósito de heranças e... partilhas. 
A Márcia, membro honorário do maravilhoso Clube do Filho Único Quadripolar,  remata tudo com uma ideia essencial: "Fui ensinada a partilhar: partilha é uma opção, nunca uma obrigação!"

3- "Os filhos únicos são mimados"
A Bebiana, outro dos membros deste clube, diz com muita razão que "Não é o mimo que estraga. Mimar é amar. O que estraga é a educação". E o mimo é uma coisa má?

4- "Coitados, dos filhos únicos são uns tristes solitários!"
Regra geral, as pessoas tendem a confundir o facto de um filho único crescer sem pares (irmãos) com o facto de crescer sozinho. Cresci sem irmãos mas não sem pares: tinha as minhas primas, as minhas vizinhas de rua, as minhas amigas da escola (e do hospital). E cresci com os adultos. Não me venham com as tretas que cresci sozinha!
Se algumas vezes me senti só? Pois sim mas não era um estado permanente, uma tristeza sem fim. Acredito que, ocasionalmente, os filhos com irmãos também se sintam. Acho que não é um sentimento exclusivo. 
A Bárbara defende que "eu brincava algumas vezes sozinha e nunca me senti só. Acho até que pode estimular a criatividade e fazer as crianças explorarem novas formas de brincar". Concordo em absoluto, a capacidade de estar só é, no meu ponto de vista, fulcral enquanto momento de construção da identidade e da imaginação. 
Por sua vez, a Maria João defende que "a solidão é, quanto a mim, sentir-se só e desalentada. Estar só não é a mesma coisa que sentir-se só. Enquanto filha única eu estava (estou, por vezes) só, mas nunca me senti só". É isso. 

5- "Coitados, quando forem mais velhos vão ter que tomar conta dos pais sozinhos"
Cuidar é amor. Cuidar dos pais na velhice é uma tarefa e uma escolha individual de cada pessoa. Não há- como aliás em tudo o resto- verdades absolutas quanto a isto. Sociologicamente, em muitas famílias, os irmãos empurram essa responsabilidade uns para os outros (por "n" razões: emigração de vários irmãos, por falta de condições de habitabilidade, por falta de disponibilidade temporal e impossibilidade de conciliar vida profissional com essa tarefas, por falta de recursos emocionais, por incompatibilidades entre irmãos, e por aí fora...) e a tarefa acaba por recair apenas num ou numa entidade externa como lares de idosos e casas de repouso. A única diferença é que os filhos únicos sabem, à partida, que a responsabilidade de cuidarem dos pais ou de encontrarem recursos que providenciem estes cuidados será exclusivamente deles. E têm toda uma vida para projectarem essa como a única opção e para projectarem ou explorarem recursos nesse sentido, sem partirem de falsas premissas e sem darem como certas opções dos irmãos face ao mesmo tema. Cuidar dos pais na velhice é uma tarefa e uma escolha individual de cada pessoa- repito. O filho único saberá, tal como o filho com irmãos, qual o papel que quer, deseja ou poderá desempenhar nesse caminho. 

6. "Os filhos únicos têm tudo o que querem e nunca têm que lutar para conseguir nada"
Sim, nunca nenhum filho único herdou roupa dos primos. Sim, os filhos únicos chegam a uma colónia de férias cheia de outras crianças e os pais obrigam toda a gente a ser seu amigo. Sim, os filhos únicos têm todos uma mota aos 16 e um automóvel as 18, porque os filhos únicos são todos filhos de gente muito rica. Sim, os filhos únicos entram todos nas universidades que querem, encontram todos os empregos de sonho, nunca têm que fazer concessões ou sacrifícios. O Mundo verga-se e faz uma vénia a cada filho único que nasce. Ide-vos copular, sim?!
 O  facto de se ser filho único não define uma pessoa por si só e o rótulo de "filho único" já não quer dizer nada nem prediz ou vaticina o futuro de uma criança só porque sim. A maioria dos "filhos únicos " são injustamente rotulados e a expressão filho única encerra, sobre ela, um injusto estereotipo.  As crianças são o que a genética e o ambiente permitirá que sejam, independentemente te terem irmãos ou não. 

7- "Não te sentes triste por não teres irmãos?"
Tanta quanto me sinto triste por não ter nascido de  cabelos pretos e olhos verdes, Ou do meu grupo sanguíneo ser O-RH +. Ou de não ter nascido neta do Champallimoud. 
Nunca tive irmãos, logo, não posso sentir falta de um contexto que desconheço. A CArla conta, com graça, como reage quando um iluminado lhe diz " Não deixes o teu filho ser como tu: dá-lhe um irmão, um filho não é de ninguém!". Diz a Carla que "as pessoas assumem que é triste ser filha única. A questão e a parte doente de quem acredita isso é que eu não sou triste. Eu sou feliz sem irmãos mas as pessoas acham que eu digo isso porque "não entendo". Eu não digo que ter irmãos não deve ser tremendamente feliz. Mas eu sem irmãos também o sou. Quem não entende, afinal? Custa assim tanto perceber isso?" A Patrícia diz que " Quando me dizem isso respondo: ser como eu? Tipo ser fixe, confiante e uma boa pessoa?! Sim, vou deixar!" 
8- "Como só queres ser mãe de uma filha única? Um filho único não é nada!"
Sim, tendes razão: um filho único é imprestável. Vou já deitar esta fora. Ah, não? Então vou já mandar vir mais 2 ou 3 na esperança de virem salvar a honra desta e darem sentido à sua existência. Gosto tanto de ser mãe e da minha experiência de maternidade que acredito que deve ser fabuloso ter um rancho de filhos com as experiência positivas todas a multiplicar. A questão é que, para mim, ter um filho único traz-me toda essa realização de que preciso para ser feliz, todas essas experiências estão concentradas naquela bichinha, sou tremendamente feliz com esta experiência única de maternidade, logo, parem de me perguntar quando mando vir um irmão para a Ana, como se a minha família estivesse incompleta. Não está. A minha filha única é tudo para mim e preenche-me totalmente como os vosos dois ou três filhos também o farão a vós. Parem de me querer multifilhosevangelizar. "Fechaste a loja, Pólo Norte?" Não, não fechei. O meu útero foi mesmo uma maravilhosa experiência de loja pop up: abriu em todo o seu esplendor para a Ana e fechou para todo o sempre. Deixam-me agora em paz?

9- "Os filhos com irmãos são melhores pessoas"
Gandhi era filho único. Já Hitler tinha sete irmãos. Afinal, não há verdades absolutas, não é?


Obrigada à Maria João, à Patrícia Diogo, à Márcia Castro, à Bebiana Pereira, à Carla Snow e à Bárbara Estanislau pelo maravilhoso chat de focus group que deu origem a este post. Um maravilhoso brinde  PARTILHADO de filha única para filhas únicas: cheers!)

sábado, 9 de abril de 2016

Quatro pessoas, quatro histórias. a mesma motivação

I


"Sabes, quando me separei, sai de casa com a J. e as nossas roupas. Ela dormiu 6 meses num colchão de encher. Quando tive dinheiro comprei-lhe um colchão e uma cama. Ela deitou-se a rir. Acordou a rir de felicidade. Não há coisa mais bonita no mundo... vou ali chorar um pouco de felicidade!"

II


Conversa de chat com uma amiga que está de" lua-de-mel" nas ilhas Phi Phi.
"Não devias estar mazé a pinar em vez de quereres dar colchões?"
"A questão é mesmo essa, estou de férias com esta vista e um belo de um colchão em casa, sou uma sortuda! "

III
"Como prenda de aniversário a mim própria, fiz agora a transferência do valor de um colchão"

IV

  • "Faz 4 meses que morreu o meu pai. Pela primeira vez não comprei prenda do dia do pai.... dou-a às meninas"

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E foi assim, que em menos de doze horas, estas pessoas integraram um grupo de 49 pessoas que possibilitaram a compra de 35 colchões. Obrigada a todos! Estou sem palavras desde ontem à noite.

Mais sobre o desafio a que nos propusemos este semestre no Bairro do Amor aqui e aqui

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Abril, quadripolarizações mil #6


"Quadripolarizar a Cidade do Cabo e os seus pinguins: checked. Vera"

Beijinhos gigantes, Veríssima! :P

  • Conheça todos os países já quadripolarizados aqui.


terça-feira, 5 de abril de 2016

Abril, quadripolarizações mil #5



"Provavelmente ja recebeste uma quadripolarizaçao de Luanda. Mas aqui vai uma do Mussulo, Luanda. Porque hoje esta um dia fantastico de praia. Sandra Ferreira."

Beijinhos, Sandra! <3

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Pavlov explica

Vou jantar com as minhas melhores amigas (evento raro, uma vez que ambas vivem fora de Portugal) ao meu novo restaurante preferido de todo o sempre.

Ao longo do dia, de cada vez que me lembrava do compromisso, salivava, num acto reflexo, que nem um camelo,

Dói-me o maxilar. Juro.

O conceito de "porcarias" é relativo, certo?

Ao pequeno-almoço ele vê no lava-loiça o prato sujo e examina-o: "Levantaste-te a meio da noite com fome?"

Eu: "Yep!"

Ele: "Que é que comeste?"

Eu: "Bulgur com tomate e por cima queijo quark e limão."

Ele: "Estás doente?"

Eu: "Não, temos que ir mesmo é às compras que só havia porcarias no frigorífico..."


Abril, quadripolarizações mil #4




"Olá Ursa! Tu queres, tu tens, sul de Luanda quadripolarizado! Não deu para ir à ilha, marginal e afins porque foi dia de peregrinação dominical à praia de sangano, a caminho parámos no Miradouro da Lua e pronto, é como se também lá tivesses estado! A Banda loves you! Beijinhos "

Mantenhas para a banda, querida Ana!

domingo, 3 de abril de 2016

Abril, quadripolarizações mil #3



"E como o prometido é devido, já comecei a quadripolar o México! Começo com San Pedro Garza Garcia, onde vivo.... Segue-se Monterrey...."

Beijinhos, guapa Carina Machado!

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Não deixes para hoje, o que podias ter bebido ontem

Queria pôr iscas em vinha de alho.
Não tinha vinho rasca em casa e achei por bem não abrir garrafas boas para temperar iscas.
Vi uma garrafinha pequena de cerveja sem rótulo ali e tumbas... usei-a.

Mámen está amuado desde as oito da noite.

(Espero que as iscas de amanhã- as que foram temperadas com a cerveja trapista que mámen estava a guardar para uma ocasião especial- me ajudem a fazer as pazes com o meu marido.)


Abril, quadripolarizações mil #1


O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que são fãs de "Game of Thrones" e as outras.

quinta-feira, 31 de março de 2016

A CONHECER| Companhia da Traparia

O Luciano é daquelas pessoas- afortunadas- que nasceu com carisma. E esbanja carisma, talento, desenvoltura e boa energia. 

Por isso, quando me apresentou a sua Companhia da Traparia não fiquei surpreendida: do Luciano não se espera outra coisa que não o melhor!

E agora estou à espera que, no Dia da Mãe, um certo marido se resolva a encomendar uns sapatos de quimono para a mãe e para a filha. 




Mámen, não te sintas pressionado, OK?




Sonhos de ali-bá-bá e os 40 ilustradores

Toda a gente vai ouvir falar (pelo menos até Junho) do desafio semestral do Bairro do Amor.

Uma vez que não conseguiremos pintar os quartos todos onde dormem as habitantes da instituição de acolhimento que vamos humanizar, pensámos numa solução igualmente colorida e inspiradora: pendurar uma ilustração por cima de cada cama.

Muitos ilustradores das networks dos vizinhos Bairro do Amor responderam, de imediato, ao repto e temos já apalavradas as 40 ilustrações, cujos autores podem conhecer aqui!

Chegaram hoje as primeiras sete ilustrações às nossas mães e reitero que sou fã, mega fá, do talento, da criatividade, da inspiração e do traço da Célia e da Susana das Tinimi.

Ora digam lá de V. justiça?



(Podem conhecer um bocadinho mais do trabalho das Tinimini aqui)

quarta-feira, 30 de março de 2016

O mundo divide-se entre...

... as pessoas que têm códigos PIN dos cartões mutibanco com a combinação de dia/mês ou dia/ano de uma data especial e as outras.

Agora já se pode dizer sem ser em sussurro



Vou ser tia. Não ponho aspas porque os filhos das minhas melhores amigas são meus sobrinhos sem aspas, sobrinhos carregadinhos de amor, sobrinhos sem metáforas, sobrinhos substantivos por direito próprio. 
Vou ser tia e já gosto muito deste sobrinho que me ajudou a mim e à mãe dele a reencontrar um caminho comum, onde as diferenças que entretanto amplificámos voltaram a ser apenas diferenças, visões diferentes do Mundo para permutarmos quando as certezas nos toldam a lucidez e as opiniões auto-centradas nos fazem transbordam de nós próprios e não caber aqui nada mais. 
Vou ser tia, depois de seis anos em que esperávamos uma notícia, uma chamada de skype, um telefonema inter-continental a anunciá-lo, depois de muitos sacrifícios, muitas hormonas, muitos procedimentos clínicos e, já para o fim, muito silêncio como se ao não falarmos das coisas elas tivessem o condão de não magoar, de não existir. 
Vou ser tia e ouvi o coração do meu sobrinho no CTG, cavalo indomável, príncipe-corsário-rei-pirata. Vou ser tia e vi a silhueta dele num monitor ecográfico e chorei, pela primeira vez, com um bebé numa barriga que não a minha, um bebé especial não porque o esperámos muito, tanto, não porque é (como todos os nossos bebés) um bebé comunitário, não porque é filho dela, da minha melhor amiga, mas porque é ele, o meu sobrinho sem aspas, não outro qualquer, aquele que chegou neste tempo e neste espaço, para nos trazer a todas um terceiro Agosto feliz. 
Um sobrinho A(o nosso)gosto. 
Vou ser tia e estou muito, mas mesmo muito, feliz. 

segunda-feira, 28 de março de 2016

Até me pode rapar o cabelo, benz'óDeus!

Aquele dia em que adicionas o teu cabeleireiro no facebook e reparas que ele também é cabeleireiro do Albano Jerónimo. E do José Fidalgo.


Ah, santas mãozinhas!

sexta-feira, 25 de março de 2016

Quem nunca sonhou com os livros das Gémeas?

Teria uns 10, 11 anos a primeira vez que li um exemplar de "As Gémeas no Colégio de Santa Clara". Devorei todos os seguintes e ainda o "Colégio de Santa Clara". Não sei se era só eu que desejava, secretamente, que a minha mãe enriquecesse e me inscrevesse num colégio interno onde poderia viver todas aquelas aventuras.  Mas depois, cruzava-me com as alunas de um colégio interno aqui na zona e nenhuma delas tinha aquele ar aventureiro e curioso. Talvez na vida real, para além dos livros, as coisas não fossem bem assim. 

25 anos depois a Marta- minha amiga e madrinha do Bairro do Amor Porto- decide avançar com a ideia maluca da primeira Children Street Store no Porto. A equipa do Bairro do Amor adaptou o conceito e tornou o evento um bocadinho diferente: convidou instituições de acolhimento do grande Porto a virem fazer as compras e montou, literalmente, uma loja pop up na Quinta da Bonjóia. O evento, que contou com 120 crianças e jovens de 11 instituições foi um sucesso tão grande que o repetiremos, com o apoio oficial da Câmara Municipal do Porto que se tornou nossa parceira neste evento, novamente no final deste ano. 

Isto tudo poderia ter ficado por aqui e voltaríamos a rever algumas caras na próxima Children Street Store se uma das instituições não nos tivesse convidado para a sua festa de Natal, a que comparecemos com alegria. Percebemos, in loco, não porque nos tivessem pedido nada, mas porque vimos com os nossos olhos, algumas necessidades daquele Lar. 



Ao falarmos com as raparigas (a instituição acolhe apenas meninas e tem, neste momento, 39 residentes entre os 09 e os 21 anos) confidenciaram-nos alguns desejos consumistas pouco comuns em crianças e adolescentes daquelas idades: aquecedores (tinham tentado angariar valor para 4 aquecedores com rifas mas não tinham tido sucesso), tapetes para os quartos (diz que faz mesmo frio no Porto e de manhã é um martírio) e quadros de cortiça para poderem personalizar um bocadinho os seus quartos. "Só isso?"- perguntou-lhes a Marta. "Isso é o que precisamos!"- responderam humildemente. 

Numa primeira instância, com a ajuda preciosa da Vera e da Miriam, conseguimos angariar em 23 minutos o montante para comprar os aquecedores e em poucos dias a Marta fez chegar ao Lar a primeira necessidade básica. As meninas agradeceram, felizes, como se estivesse a receber um bilhete para o Rock in Rio. Eram aquecedores. Quatro simples aquecedores. 

 

Depois? Depois o Bairro do Amor está cheio de gente que acredita que quer fazer mais, que junta pode fazer mais e melhor e a magia... começou a tomar forma. ´

quinta-feira, 24 de março de 2016

Quando um filho está infeliz, nada mais importa



Imagem: Desfigura (um dos artistas que colaborou no desafio semestral do Bairro do Amor)


A primeira luz pelas frestas dos estores e as manhãs a sucederem-se. O despertador a tocar uma, duas, três vezes intercalado com movimentos bruscos para o calar. Ele a acordar primeiro que toda a família, gosta assim. Oiço-o na cozinha a beber o seu café da manhã em silêncio e a fumar o cigarro proibido, antes de eu resmungar que lhe faz mal, antes da miúda fazer coro comigo. Depois, uma a uma, acorda-nos. Desperta-nos. A cada uma da maneira que sabe que nos aborrece menos (temos ambas mau acordar). Começa o barulho e a correria. O pequeno almoço partilhado, eu a vesti-la e a calçá-la, ele a penteá-la, ela gosta assim que cada um tenha as suas tarefas, a mochila feita de véspera a tira-colo, melhorámos os nossos tempos das corridas da manhã, diminuímo-los para metade desde o início do ano lectivo, vamos a cantar até ao Jardim de Infância. 
 Saímos de casa, agora, sempre a tempo de chegarmos a horas como se as horas finalmente se tivessem acertado com as vontades e as emoções. O pai veste-lhe a bata à entrada, arranjo-lhe o cabelo e dou-lhe um beijo na palma da mão que ela encosta, de imediato, ao coração, numa espécie de amor de reserva que ela guarda naquele gesto para quando sente saudades de nós: eu e ela, nós numa cumplicidade sem fim.

quinta-feira, 10 de março de 2016

PROGRAMA QUADRIPOLAR | Speed date com Coimbra

Já não ia a Coimbra com olhos de ver há muitos anos (demasiados). Ou tenho ido em trabalho em versão expresso ou fui num fim-de-semana era a Ana acabada de nascer para aproveitar uma estadia num Hotel maravilhoso e de lá não saí o tempo tempo a descansar e a ser mimada ou Coimbra era escala de estrada para outros destinos. 
Voltei no sábado, a pretexto de uma reunião com as Madrinhas a Norte da Bobadela do Bairro do Amor. Não vi todas as pessoas que queria (e queria muito rever a minha Joana, visitar a Catarina e a escola DNA, dar um beijo à Vera) mas, ainda assim, acho que tive  5 experiências bastante giras para uma visita express a Coimbra. 

A saber:

1- Tomar o pequeno-almoço na esplanada da cafetaria do Centro Interpretativo do Mosteiro de Santa a Clara-a-velha



Não era a minha primeira vez naquela esplanada e eu cá gosto de voltar aos sítios onde já fui feliz. 
A cafetaria do Centro de interpretação estava vazia das duas vezes em que a visitei e tem para mim, uma das melhores vistas da cidade. É ampla e simples, inspiradora e secreta, espaço de refúgio e de segredos. Reuni com a Marta enquanto nos deliciávamos com umas Clarinhas (doces típicos ma-ra-vi-lho-sos!) e o não demos pelo tempo passar.  Coimbra tem aquela coisa boa de ainda não estar engolida por turistas, de se ainda conservar muito para os coimbrenses, de ser virada para dentro sem deixar de abraçar quem vem de fora.
Se vivesse em Coimbra e precisasse de um sítio calmo e tranquilo para trabalhar fora de casa, da esplanada menos despretensiosa e, ainda assim, mais cool de todas, era sempre aqui que viria. 

2- Almoçar num restaurante típico de Coimbra

Não há sugestões melhores que as dos "nativos", pelo que, quando a Diva, excelsa leitora deste blog me disse que eu ia ser bem-servida no "Pancinhas" não hesitei um minuto e pus-me a caminho entre ruas e ruelas da cidade dos estudantes. 
O Pancinhas estava cheio, e não era cheio daquelas pessoas trendy e todsas fashion-coiso. Estava cheio de mesas com famílias inteiras o que, por si só, é preditor da qualidade da comida e da simpatia dos preços. Não nos enganámos: eis um verdadeiro restaurante bbb!
Pedi uma dose que daria para o meu almoço e jantar daquele sábado e do domingo seguinte. A vitela no forno estava no ponto, tenrinha e suculenta e a simpatia do dono do restaurante foi um bónus que já é difícil de encontrar nos restaurantes das cidades grandes. 
Fica na Rua da Figueira da Foz, 150, em Coimbra. 

3- Deambular na Feira sem Regras de Coimbra


Créditos Fotográficos: Coussier


Diz que acontece no primeiro sábado de cada mês  e fica ali no Parque Verde, contíguo ao Convento Velho de Santa Clara e Avenida Inês de Castro, ladeando pelo lado sul a Avenida João da Regras, de onde herdou o nome.
O conceito é simples: procura-se todas as quinquilharias de que nos queiramos ver livre ou artesanato que produzamos, monta-se a banca e vende-se sem grandes burocracias, legislações ou complicações. Quem quiser pode também, num estilo speaker's corner, chegar e fazer uma animação, cantar ao vivo, pintar, fazer performances circenses ou que lhe der na telha.
O acesso à feira é vedado a comerciantes profissionais. As actividades culturais, artísticas ou lúdicas podem eventualmente realizar-se nos jardins ou passeios imediatamente contíguos sem prejuízo da normal circulação de peões, desde que obtida licença prévia da Comissão de Acompanhamento da Feira, que cuidará das autorizações da(s) tutela(s) quando se revelarem necessárias.
Vale (quase) tudo e eu fiquei tão fã do conceito que estou "assiiiim" para fazer uma colecta de tralha gira e fazer uma venda que reverta a favor do Bairro do Amor!


4- Conhecer as Galerias

"As Galerias" (Galeria de Santa Clara) é um síto da moda em Coimbra: não há como fugir ao óbvio. Têm a  mesma vista que a esplanada da cafetaria do Centro de Interpretação mas de outro ângulo o que poderia não ser nada de novo para quem, na mesma manhã, tinha sido feliz ali a 90 graus.
Mas as Galerias valem o destaque pelo ambiente jovem e descontraído, pelas paredes carregadinhas de cor e arte, pela ousadia de terem criado um café que não é um café, uma galeria de arte que não é uma galeria de arte, um restaurante que não é um restaurante e um sítio que acaba por ser isso tudo com horta, jardim e tudo o que a imaginação permitir incluído.
Im-per-dível! (Mais informações aqui ).

5- Comer pastéis de tentúgal, queijadas de leite e pastéis de santa clara à beira Mondego



Enquanto esperávamos pelo comboio deliciámo-nos com as duas caixas de delícias que a Neuza nos oferecera há minutos quando nos deixara na estação e nos instruira: abram o porta-bagagem e tiremos bolos que comprei para vós! Trouxemos tudo: as nossas caixas e as que ela tinha comprado para o lanche dela e do Hugo. Veio tuuuudo! E enquanto esperávamos pelo comboio com a Rafaela, entre conversas e doses de açúcar em barda, acabámos o dia assim: felizes e adocicados, com vontade de não partir e de voltar em breve para mais tempo, mais lugares, mais sabores e mais amigos.

Coimbra tem mesmo encanto na hora da despedida!

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Joana sabes que tens Ausfahrt? :P




"Olá Polinho! 
 Segue a quadripolarização do lindo sítio onde estou desenterrada. Pertence à região da Pomerânia e estou mais perto da Suécia do que do resto da Alemanha. Dizem que isto é a Ibiza alemã... Ahahah! Só porque tem praia. 
De resto, não interessa nem ao menino Jasus, como já te tinha dito. 
 Beijooooo , Joana Ademar"

Beijinho, Joaninha! És tão gira, caraças!


sábado, 27 de fevereiro de 2016

Esfregando neve na cara da inimiga


"Ah, Pólinho, abominável ursa das neves, tás contente com granizo em Alcabideche, tás?
Toma lá neve na Islândia só para te resumires à tua frozen insignificância. "

Islândia quadripolarizada pela querida Cristiana, cujas fotografias no facebook me fazem ter uma necessidade urgente de rumar a bué, bué Norte!
Estou com uma espécie de raivinha dos dentes cheia de inveja misturada com agradecimento genuíno por esta fantástica quadripolarização!


(Todos os países quadripolarizados aqui)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

A ASSISTIR | Catarina- a Grande em "Gata em Telhado de Zinco Quente"



Arrastei-me até ao Teatro São Luiz. Achei que a minha tosse iria servir de banda sonora a todo o teatro e doía-me o corpo todo. Não pisava o São Luiz há uns 30 anos, desde que apresentei (ainda com o meu pai) um espectáculo de beneficência. Tinha boas memórias do teatro. 
Regressei para ver "A Gata em Telhado de Zinco Quente" e pensei que difícil seria ter como referência a Elizabeth Taylor e o Paul Newman e como qualquer interpretação nunca corresponderia ao estandartes. Depois? Depois apagaram-se as luzes e ainda mal me tinha refeito da agradável surpresa de ver duas tradutoras de Língua Gestual Portuguesa a trabalhar para uma (boa) parte da plateia surda e ela surgiu em palco. 
Catarina Wallenstein - sim, vestida apenas de combinação!- surge num primeiro monólogo. Com aquele ar petrarquista-boneca de porcelana-diva-que nunca se descabela. Mámen ficou logo numa agitação (estupor!) e eu também mas no sentido inverso: descabelada. Querem lá ver que uma pessoa arrasta-se doente até ao teatro para esta agora me vir escarafunchar nas trombas tanta, demasiada, exagerada beleza? Mas eu mereço?
Depois deixei-me levar naquele tom de voz, na personagem, no perfume que se sentia na segunda fila onde estávamos, nos movimentos graciosos, no enredo, nos dramas femininos daquela gata em telhado de zinco quente. 
A meio da peça já eu estava a questionar a minha própria heterossexualidade, logo eu, que sou uma menina que aprecia deveras o sexo oposto! A peça, bem encenada, com um bom ritmo, boa cenografia, excelentes interpretações arrebatou-me. Não tossi uma única vez. Para dizer a verdade quase nem respirei tal a forma como aquela Maggie, ansiosa, apaixonada, ambiciosa e sôfrega me enrolou na sua voz, nos seus gestos, nos seus dramas, nas suas não-palavras. 
Acabei a peça com uma certeza: mulher que, durante duas horas,  consegue a proeza de me fazer não olhar duas vezes para o six pack do Rúben Gomes e me faz suster a respiração, a tosse, esquecer-me da maldita gripe e desejar que a peça não acabe é menina para qualquer heterossexual convicta abandonar qualquer convicção. Elizabeth Taylor dá voltas na divo-tumba graças a esta actriz. 
Obrigada, Catarina, fui tão feliz nos últimos 35 anos, antes de não duvidar da minha orientação sexual e agora... agora fico assim, graças a ti: uma gata em telhado de zinco quente!
Falece, pá! 

A peça "Gata em Telhado de Zinco Quente" é inesquecível e recomendo-a a toda a gente. A toda a gente, não. A toda a gente menos às tipas que querem continuar a acreditar que nunca deixariam de ser heterossexuais. Essas, essas fiquem em casa!



Pôr à prova a sua heterossexualidade numa peça de teatro 

Quem? Peça de teatro "Gata em Telhado de Zinco Quente"
Onde? Por agora no Teatro Municipal São Luiz, Lisboa
Quando? Quarta a Sábado às 21h; Domingo às 17h30
Contacto: Pelo telefone 213 257 640
Saber mais? http://www.artistasunidos.pt/programacao/62-pecas/fora-do-teatro-da-politecnica/1001-gata-em-telhado-de-zinco-quente-de-tennessee-williams

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Entretanto, em Coimbra: dança, Constança, dança!

Constança Bulha é uma bailarina portuguesa de 11 anos, apurada para as finais da maior competição de ballet do mundo para jovens: YAGP 2016, em Nova Iorque, a decorrer entre 22 e 29 de Abril de 2016. 



Este evento ficaria muito dispendioso : inscrições, viagem, estadia etc e a família da Constança não consegue suportar o encargo. A ida às finais permitir-lhe-ia a oportunidade de obter bolsas de estudo vitais para poder sonhar com uma carreira internacional no restrito mundo da dança clássica.


 A escola de dança da Constança promoveu um crowdfunding mas estava longe de reunir o valor necessário para possibilitar a concretização deste sonho em tempo útil.





A propósito do foco de acção do Bairro do Amor em 2016 adivinhem quem vai realizar o sonho de uma menina, quem vai possibilitar que o trabalho, esforço, dedicação de uma criança de 11 anos tenha resultados directos, quem vai mostrar que com um empurrão e trabalho os sonhos se concretizam, quem vai custear integralmente o valor da ida da Constança? 

 Pois, o Bairro do Amor! ♥

Neuza Martins- a madrinha de Coimbra do Bairro do Amor e a querida Constança!






























Este é só o melhor Bairro para se viver em todo o Mundo. O me-lhor!

Meia noite e vinte e três

                                  

 Meia noite e vinte e três. Eras as horas que luziam no despertador do meu avô. Naquele dia dormi com eles, embora já tivesse nove anos. Lembro-me que me levantei da cama, meio sonolenta, fui até ao quarto dos meus avós e perguntei: "já nasceu?". Ainda não. Mas era Fevereiro e estava frio e aproveitei e infiltrei-me na cama deles.
O telefone preto, de disco, tocou naquele som metálico que os telefones agora não têm. Era a minha mãe e o meu tio. Tinha nascido, à meia noite e vinte e três. Dezassete era o meu dia e agora também o dela, o desta primirmã que iria mudar a minha vida e o meu amor para sempre, soube-o assim que o meu coração disparou com a notícia.
Sempre gostei de ser filha única (ainda gosto). Nunca senti falta de ter um irmão e nunca incorporei os estereótipos de filha única. Gosto da díade que tenho com a minha mãe, gosto do espaço que temos na nossa relação parental, está-se à larga e confortável na nossa vida. Naquele dia de 1990 eu não era  neta nem sobrinha única mas era como se fosse, pois a minha outra prima vivia distante física e emocionalmente. Na prática eu reinava naquela família, único foco de todos. E gostava. Estava bem assim.
Quando ela nasceu senti ciúmes. Chamei mais vezes a atenção. Quando ela cresceu tive que dividir foco, tive que dar o exemplo, partilhar a cama, gramar com Harry Potters e Titanics em looping (e  mais a maldita música), ser a mais velha, tomar conta dela, protegê-la, dar-lhe nas orelhas, encobri-la, quase esganá-la, ter insónias à custa dela, levá-la comigo a fazer de pau de cabeleira, introduzi-la nos festivais de Verão, ajudá-la a safar-se de sarilhos, orgulhar-me, gozar com ela, levar com todas as reclamações de estudante, partilhar a dor em mortes comuns, encontrar conselhos sensatos e ponderados para lhe dar, dar-lhe a minha filha para amar do jeito que só ela sabe, chorar quando finalmente entregou a tese, ficar de coração cheio no dia em que começou a trabalhar, ter um orgulho desmedido por ter sido ela que aquela meia noite e vinte e três me trouxe. Ela e mais nenhuma outra primirmã. Ela que me ensinou uma nova forma de amar, entre pares, um amor de calduços e belinhas, de embirrações e poucas mariquices, um amor de quatro estações no mesmo amor, um amor de sol, às vezes chuva, alguma trovoada e muitas flores, um amor de moches e estrafoganços, um amor desajeitado e bom, um amor de primas que são filhas únicas e que, por isso, tiveram necessidade de se tornar primirmãs. 

Parabéns, caçula! Gosto buéééé de ti!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A EXPERIMENTAR | Maria Albertina



O Maria Albertina é o novo restaurante bbb da linha. Não é um restaurante com decoração de capa de revista mas é castiço e pitoresco. Não é um restaurante de estrelas Michecoiso mas come-se tão bem, a carta de vinhos é tão boa, o pessoal é tão atencioso que merece estrelas, luas, sóis e palavras bonitas ditas pelos clientes.  Não é um restaurante caro mas a comida é tão fresca e simples e ao mesmo tempo engenhosa e surpreendente que uma pessoa fica ali numa espécie de dissonância. Não é um restaurante com paredes de tinta de ardósia e menus escritos a giz, empregados com fardas pretas presunçosas e chapéus estrambólicos. É um restaurante que nos faz sentir em casa, sem peneiras, nem maneirismos, sem mariquices e frufrus. 
Chegámos para jantar a um dia de semana e levávamos a cria. Num instante deram-lhe papel e lápis de cor, um prato com bonecos, um individual colorido e uma palhinha castiça e rendi-me mesmo antes do pedido vir para a mesa. "Quem meus filhos beija, minha boca adoça", já se sabe.
O peixe era fresco, tão fresco que temo que o tenha ouvido a dar o último suspiro já no prato. Estava saborosíssimo grelhado em forno de lenha: di-vi-nal! O naco de carne estava no ponto, ao passarmos a faca parecia manteiga, já não comia carne tão boa desde a última vez que estive nos Açores. O vinho da casa era muito, muito bom (bom demais que vim para casa meio atordoada) e as farófias (minha sobremesa preferida) eram das melhores que já comi. E- oh senhores- se eu sou especialista na degustação de farófias! Mámen comeu um vaso de mousse de chocolate com morangos crocantes e "berlindes" que acredito que estivesse genial. Digo isto porque o cretino nem me deixou cheirar a taça!  
No final o chef Eduardo Crespo veio cumprimentar-nos à mesa e só tínhamos palavras de parabéns para o brindar! 
Acreditamos que o Maria Albertina tem tudo para ser um sucesso. No que depender de nós, já nos rendemos. Mesmo que chame Vanessa à sua menina.



Descobrir um restaurante bom, bonito e barato na Linha

Quem? Restaurante Maria Albertina
Onde? Rua Ary dos Santos, 62, Parede
(antigos Viveiros da Madorna)
Contacto: Pelo telefone 21 453 2667
Saber mais? https://www.facebook.com/maria.albertina.madorna 

O Mundo divide-se entre...

.... as pessoas que se manifestam publicamente contra o Dia dos Namorados e as pessoas que se manifestam publicamente contra as pessoas que se manifestam publicamente contra o Dia dos Namorados. 

Pizza para o jantar de Dia dos Namorados, Pólo? Isso lá é jantar romântico?!




Gordurinha romântica do queijo, extra cogumelos petrarquistas, calorias em cupido a baterem palmas.
Sabem lá vocês o que é um jantar romântico... :P

Poucas coisas me deixam sem palavras...




sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que em criança acreditavam que havia sopa* de tudo o que diziam as receitas e as outras. 


(uma colher de "sopa de farinha", duas colheres de "sopa de leite" e por aí fora...)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Hoje foi um dia incrivelmente bom!

Durante três dias uma equipa de voluntários do Bairro do Amor dedicou-se a um projecto de pintura da sala de espera da Polícia Judiciaria destinada a crianças vítimas de pedofilia num projecto conjunto de humanização de espaços levado a cabo por voluntários do Bairro do Amor em parceria com a equipa técnica do sector lúdico do IAC (Instituto de Apoio à Criança). 

É nesta sala que as crianças conhecem o investigador que as irá acompanhar ao longo do processo e com quem se pretende que criem uma relação de confiança. É aqui que as crianças, começam a ser avaliadas, através da forma como se comportam, brincam, se expressam e interagem com o investigador, com os brinquedos que têm à sua disposição, ou com a parede de ardósia que também foi pintada numa das paredes.

Porque vítimas de crimes de sexuais existem em todas as idades, esta sala é também usada por adolescentes, pelo que, o desafio era que o Bairro do Amor criasse um ambiente heterogéneo e do agrado de todos. 

Depois de estudos sobre o efeito das cores na psicologia infantil, contactos com os psicológicos forenses, a nossa ilustradora voluntária Marta Tex desenhou uma ilustração que passa, agora, a decorar todas as paredes desta sala. A cor base da sala é o verde água, pois esta é uma cor calma, tranquilizadora. Deste espaço, outrora cor de laranja e verde fluorescentes, emergem agora árvores, folhas, animais da floresta, estrelas, flores e uma lua cheia de esperança em dias que se deseja que passem a ser carregadinhos de sol.

 O Bairro do Amor custeou todo o material necessário para esta intervenção bem como foi o responsável pela mobilização de voluntários. A articulação com o sector lúdico do IAC foi preciosíssima, reforçando a ideia que a troca de sinergias entre instituições é um modelo de sucesso!

Hoje foi o dia de darmos por finalizado o projecto com a finalização da decoração possibilitada por sócios do Bairro do Amor quer através do pagamento das suas quotas, quer através de donativos específicos para este efeito ou mesmo através da doação de mobiliário e peças de decoração que compuseram a sala. E como ficou composta!

Sentimo-nos no "Querido mudei a casa" mas sem marcas, sem decoradores e sem Gustavo Santos. Só com pessoas de coracão gigante a mostrarem que quando se juntam a desejar, a agir e a querer, quando se unem esforços, tudo se concretiza! 

O Bairro do Amor agradece aos vizinhos voluntários e talentosíssimos pintores de paredes Maria Esteves Pereira, Marta Rosa, Ana Lourenço, Vera Abecassis, Maria João Nogueira, Teresa Alves, Isabel Ésse, Teresa Martins, Diogo Santos, Rita Mendes, Filomena Evangelista, Leonor Noronha, Alexandra Mithá Ferreira, Catarina Mithá Benguela, Patrícia Albuquerque e Marta Guerra!

O beijinho estende-se à madrinha de Lisboa do Bairro Raquel Lourenço, à Leonela Santos, Márcia Machado, Sara Marchante Delgado, Neuza Martins, Teresa Mendes e à Mónica Carvalho (obrigada pelo pronto contributo, mil obrigadas, o grosso do que ali está existe graças a Vós!), à Joana Saraiva que doou o cadeirão maravilhoso, à Alice Vieira que ofereceu o urso Jotinha (que fez o maior sucesso!), à Bárbara Lourenço que ofereceu o pc, à Patrícia Nunes que doou o pouf e à Teresa Mendes que doou o varão e costurou os cortinados que serão colocados ainda esta semana. Um abraço ao Rui que embarca nisto tudo connosco, conduzindo carrinhas, montando móveis e sofás complicados e serenando ansiedades.

 O beijinho mais especial vai para à nossa artista residente Marta Tex! E um abraço cúmplice à Dra. Isabel Apolónia e restantes os colegas inspectores que tão bem nos souberam receber e incentivar ao longo de todo o projecto.

 Um bem-haja a todos!




Saiba mais acerca do Bairro do Amor em http://www.bairrodoamor.com/
Visite o facebook da Associação aqui.
Torne-se sócio ou voluntário aqui.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

À beira do divórcio. Culpem o arroz.

Ana senta-se à mesa e (espertalhona!) percebe que há celeuma por casa do arroz: "Isto é arroz com quê, mãe?"

Bufo e respondo: "Arroz árabe à moda da mãe"

Viro as costas para ir buscar uma travessa à cozinha e ouço o pai: "É arroz taliban, filha!"

...

...

...

O meu marido intelectualiza mais que o teu

Levo para a mesa o arroz.
Ele pergunta (cauteloso): "Isto é o quê?"
Respondo com um tom muito seguro e confiante: "Arroz árabe à minha maneira"
Ele sorri com ar de gozo enquanto contempla o prato.
Continuo: "Arroz com todos. Arroz desconstruído. Arroz inovador. Arroz bué-bom-come-e-cala".
Ele sorri novamente e diz em tom trocista: "Ok, Tudo o que quiseres mas não lhe chames arroz árabe!"
"Porquê?"- respondo com ar muito ofendida.
"Porque os árabes não comem carne de porco e isto está cheinho de bacon. Que tal, parece-te uma boa razão?"

...

...

...



Estúpido.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Mini-saia, Bairro do Amor e ASBIHP

"Ah e tal a Mónica não pode ter pintado de casaco de cabedal vestido!" Pois não, pintou só um bocadinho. Mas é porque está a amamentar. Porque, avaliando pelo frio que está dentro da Associação, até podia pintar vestida de édredon... 

Leio o blog da Mónica desde o tempo em que ela assinava como "A Lice" e o Mini-Saia era um estreante nisto dos blogs.

Entretanto fomos acompanhando as lides blogosféricas uma da outra. Vi o Mini-saia crescer e tornar-se no sucesso inquestionável que é hoje e o sucesso da Mónica é, provavelmente, o mais merecido da blogosfera: porque a Mónica trabalha de forma séria, responsável, dedicada, preparada e muito profissional.

Não me lembro quando conheci pessoalmente a Mónica. Talvez na festa de primeiro aniversário da Ana, um calor impossível naquele dia 9 de Agosto e ali estava ela, discreta e low profile como sempre, a vir dar-me um beijinho, sem necessidade nenhuma dali acorrer, nem filhos tinha e toda a gente sabe que festas infantis são uma seca para quem não tem filhos. Mas não, a Mónica veio e a presença dela aconchegou-me como sempre me aconchega de cada vez que a chamo e ela, sem piscar os olhos, acorre para fazer acontecer.

No "Lenços de Solidariedade" a Mónica esteve todo o dia no batente connosco, sempre discreta, sempre contida, como é apanágio da Mónica mas o sucesso do evento deveu-se em grande parte à sua credibilidade junto das marcas, à sua rede de contactos que confia tanto nela que nunca lhe falha e à sua atitude sempre cool.

Gosto mesmo da Mónica, já disse?

Quando ouviu a história da Mariana, a Mónica fez questão de enviar por mim uma encomenda porque a Mariana era mais que a sua cadeira, era uma miúda de 20 anos. E fê-lo sem que a tivesse cravado, sem que, na altura, me tivesse preocupado mais do que entregar a cadeira. Fê-lo porque é atenta e sensível, genuinamente boa pessoa.

Tenho na Mónica alguém com quem posso sempre contar: no backstage, na sombra, na maior das descrições. E, ainda assim, a Mónica é uma das blogger mais bem sucedidas em Portugal mas não tem manias, peneirices nem pruridos.

E a propósito da comemoração dos 10 anos do Mini-Saia, a Mónica podia ter feito 10 giveaways, oferecido 10 cabazes de produtos de beleza, organizado 10 mega eventos de moda, oferecido 10 consultas de personal style, corrido 10 mil quilómetros, bebido 10 mil sumos detox até ficar verde. Podia ter feito o que lhe desse na telha, que a vida e o blog são delas e o número de seguidores da Mónica nem precisa que a Mónica assinale estes dez anos de blog para continuar a lê-la diariamente, como faz há dez anos.

Ontem a Mónica juntou-se aos voluntários do Bairro do Amor e às Tintas Barbot para fazer acontecer. Todos juntos começaram a pintar a sede da ASBIHP- Associação de Spina Bífida e Hidrocefalia de Portugal, ali na zona J em Chelas.

À ASBIHP (com a qual eu colaboro) falta tudo: roubaram a placa com o nome da sede para usarem numa grelha de churrasco ali ao lado, as janelas não estão calafetadas e faz tanto frio lá dentro que nem vos passa pela cabeça, a GEBALIS está há 3 meses para intervir no wc e escorre água numa das paredes, a carrinha da instituição é tão velha que o tablier está preso por fita isoladora e há cogumelos que nascem no chão da carrinha (é real!).

A ASBIHP é um lugar meio triste para se trabalhar e para se estar, restando-nos o bom humor de quem ali recorre, a energia que se assiste quando ali são dinamizados workshops, o espírito cool quando trabalhamos na SEITA e o sorriso do Filipe, administrativo mais fixe do Mundo, quando nos recebe.

Não conseguimos (ainda) transformar a ASBIHP no que desejamos. Mas podemos ir fazendo, devagarinha, pequenas acções que tornem a vida de quem trabalha e usufrui da ASBIHP menos "deprimente". Foi este o mote para que a Mónica desafiasse as tintas Barbot  para dar cor à sede da ASBIHP.

Quando bloggers usam a sua visibilidade para causas sociais, trazendo marcas (a que dificilmente as instituições teriam acesso por outras vias)  como as Tintas Barbot a apoiarem instituições de solidariedade social, quando usam a sua visibilidade para combaterem a invisibilidade de algumas instituições, quando a sociedade civil se junta voluntariamente, quando todos sonham, desejam e concretizam... a magia acontece!

Obrigada Mónica pelo impulso e por decidires sair da sombra. Se nada fizesses, serias insensível. Se fizeres, também serás criticada, estamos ambas cientes. Para as instituições que todos os dias se debatem com inúmeros problemas e que precisam de ajuda, é importante que corras esse risco. Não por ti, cujo blog não precisa de promoção por via da solidariedade, mas para que as coisas, de facto, aconteçam. Sei que, assim, inspirarás outros a agirem, a meterem mãos à obra, a concretizarem. És a maior!

Obrigada aos voluntários Ana, Nuno, Rui, Marta, Nonô, Patrícia Nunes e Patrícia Albuquerque pelas mãos.

(Em breve fotografias do resultado final)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Dramas capilares: terceiro acto

Fui ao cabeleireiro anteontem à noite e saí de lá como se pertencesse aos Duran Duran.
Ontem acordei tipo Cassandra do "Sai de Baixo".
Graças a Deus que hoje está melhor.:


Assinado: Hermione de Alcabideche



So far, so good

Report biagem ao Porto: um avião perdido, uma unha lascada, meia com malha, ida ao wc da gare para vestir as calcas que levava para a conferência de amanha, óculos esquecidos e não recuperados no wc da gare, um ex namorado avistado mas já dentro do comboio. 

Nada mal, tratando-se de quem sou. 

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Quadripolaridades a facilitar terapia de casal desde 2016

Eu perguntei se havia mais pais a quem os filhos embaraçavam no hospital mostrando-se sãos como um pero após queixas e choros em casa. 
E apareceu o melhor casal quadripolar de sempre a fazer catarse:



Acordei e o meu cabelo está muito melhor

Dos Duran Duran passei à Cassandra do "Sai de baixo".

                         

...

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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Todos juntos: "But I won't cry for yesterdayyyyyy!"

Fui ao cabeleireiro. Pedi um brushing mas com volume.


Gente que nasceu pós anos 90: googlem Duran Duran.












Fuck!

domingo, 17 de janeiro de 2016

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas para quem o jantar de domingo é reston* e as outras.


(reston = restos de ontem)
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