segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

"Já fui ao Brasil, Praia e Bissau, Angola, Moçambique, Goa e Macau, ai fui até Timor num peniiiico voaaaador!"

A expectativa era grande.
Toda a gente já sabe que eu sou uma festivaleira popularucha. Jantámos cedo e fizemos morangos com chantilly para mim e pipocas para eles: já se sabe que Festival da Canção pede doces.
Sentámo-nos e começámos a assistir, na esperança que um novo fôlego viesse com este convite a compositores portugueses mais ou menos conhecidos e com cantores paridos por concursos de talentos.
Torci logo o nariz à coisa estar organizada em duas eliminatórias. A ideia, provavelmente, será rentabilizar o espectáculo em dois domingos seguidos mas perde o encanto uma pessoa ter que acompanhar um espectáculo às prestações, sem saber realmente qual a canção vencedora para nos representar na Eurovisão. Mas siga.
O formato do espectáculo era mais ou menos o mesmo que o de uma gala dos tais concursos de talentos. O Festival da Canção merecia um espectáculo à séria, numa sala de espectáculos icónica, com uma plateia cheia e vestida a rigor, com um Eládio Clímaco e uma Ana Zanatti dos tempos modernos, vestidos a rigor e por detrás de um palanque com um microfone. E não- lamento!- a Sónia Araújo e o Malato não estão nem lá perto...
A ideia do painel de jurados foi assim, como hei-de explicar: meh. Foi giro rever a Gabriela Schaaf  do "Hoje há Conquilhas, amanhã não sabemos" e do "Ai quem me dera ter um homem muito brasa pra pegar na mala e levar pra casa" (de quem eu já escrevi aqui), a Dora, o Tozé Brito e o Ramón Galarza e uma pessoa comenta que está tudo envelhecido e meio gasto (menos a Dora. Dora filha: quero o segredo da marca dos teus cremes,milher!) mas depois não percebe porque chamam o Nuno Markl para estas coisas (se for por causa da "Caderneta de Cromos" que até já acabou há duas décadas na rádio assumam de vez o convite e encaixem-nos na RTP Memória) nem a Inês Lopes Gonçalves, de quem até aprecio o estilo no "5 para a meia-noite" mas que tinha tanta lógica estar ali no meio como o Macaco Adriano. Devolvam-me um juri de Bragança e outro na Região Autónoma da Madeira e um de Portalegre e nem o Júlio Isidro salva a honra a este convento.
É nestas alturas que penso que estou uma conservadora cheia de bafio, uma saudosista pior que o Markl e os morangos já nem me caiem bem no goto. E tento concentrar-me no mais importante: as músicas. As músicas!
Eu adoro a Márcia- este é já um disclaimer. Mas achei-a tão desconfortável naquele papel como estava dentro daquele vestidinho branco. Foi assim uma facadinha no meu coração marciano. Next!
Depois vieram umas meninas vestidas à anos 70, todas elas folhos, todas elas revivalismo, com uma melodia que não ficava no ouvido e eu comecei a ficar pessimista. 
Não sei quem é o Fernando Daniel mas mámen garante que é o irmão mais novo que o Miguel e o André. Eu não faço puto ideia de quem é o Miguel e o André mas acenei que sim com a cabeça, que o homem punha música na Rádio Lumena há 30 anos. Outro que não me convenceu. 
Deolinda Kinzimba tem aquela voz de soul que promete mas não há milagres e a música também não era espectacular. Que Santa Rosa Lobato de Faria nos proteja, senhores!
O Rui Drummond é um mistério para mim. O homem canta bem, é giro que é, tem um ar querido como tudo e eu até voltei a lembrar-me da Schaaf ("para pegar na mala e levar para casa, lalalala") mas... não pega. Nunca resulta. 
A seguir veio uma senhora igual à senhora que me fez o piercing em 1998 a cantar um "ingalês" e eu estava quase a cortar os pulsos e já disposta a enfardar o mega fail do meu bolo de grelos. 
Finalmente, a noite estava salva: Luísa Sobral- despretensiosa e honesta- estava em cena. Uma melodia maravilhosa e uma letra linda, como sempre nos habituou, muito ao estilo Luísa Sobral (é preciso muita pinta para se criar um estilo próprio) e se ignorar que o Salvador Sobral tinha uma farpela 5 números acima do dele e uns trejeitos a cantar que parecia que lhe estava a dar uma travadinha e pequenos acidentes isquémicos cerebrais em catadupa, tenho que dizer que fiquei mega fã da canção. Só que... não era uma música festivaleira. Era uma bela balada mas faltava-lhe orquestra, ritmo, refrão que ficasse no ouvido ("Chamar a música, música, tê-la aqui tão peeeeerto") e uma apoteose final ("Há sempre um sonho, até ser diiiiiiiiiiiiiia"). 
A noite foi salva pela Kika e dois muchachos IL Divo luso-brasileiros numa música com uma letra muito Giftiana mas- finalmente!- uma música festivaleira. Claramente, a melhor das oito que assistimos mas, ainda assim, não perfeita, longe do ideal. 
O Festival da Canção não serve para muito nem sequer é um evento que nos eleve a auto-estima por aí além quando vamos lá fora à Eurovisão. Mas deu-nos, ano após ano, alegria e memórias musicais, forneceu-nos temas para karaokes até ao ano 2080, letras que interpretamos vigorosamente em viagens longas com amigos, sorrisos de cada vez que nos lembramos delas. 
Para este Festival da Canção tinha a mesma expectativa. Não espero ganhar nada numa Eurovisão que tem um concorrente romeno deste calibre.

        

Maaaaaassss ("não condeno esta paixão!")... ao menos, criem músicas que venham a fazer parte do imaginário da minha filha, tá?





sábado, 18 de fevereiro de 2017

Não me merecem


Mámen sobre os meus queques de grelos: "Parece que tenho velcro nos dentes. Arranha-me os dentes, é isso! Tirando isso não desgosto.
(pausa a passar a língua nos dentes)
Mas também não gosto."

Por falar em bolos deliciosos..*

Não posso deixar aqui de registar que, a propósito do aniversário da minha mãe, provei o bolo mais delicioso de sempre com a conjugação de ingredientes mais saborosa ever e que- a partir de agora- vou querer repetir em cada festa de aniversário cá de casa.

O seu a seu dono:







Bolo de pistachios, framboesas e mousse da Sofia do Les Gourmandises de Sophie




(*é a chamada "saída de fininho" do tema dos bolos)

São grelos, senhor: são grelos!


Nham. Nham 


Isto é capaz de ser sintomático de como as coisas acontecem na minha vida

Era uma vez uma miúda que viu num status da sua amiga Joana Roque um crumble de maçã.
 Vai daí e foi procurar a receita ao seu blog e enquanto vagueava por lá deu de caras com um bolo de agrião com muito bom aspecto. 
 Foi ao frigorífico e seguiu a receitinha todinha. Nos entretantos, já com o bolo no forno, entra o seu marido na cozinha e exclama:

- "Ena, pá! Bolo! É de quê?

- "De agrião"- exclamou a miúda orgulhosa.

- "Mas nós não tínhamos agriões em casa..-"- constatou o espertinho da hortaliça

"Temos, sim! Comprámos esta manhã no mercado de Cascais"

- "Hum... comprámos grelos, lembras-te?"

- "Vamos comer e vamos gostar, ok?! E nem um piu sobre o assunto, bale?"


...



(No forno ainda. Rezem por mim.)


terça-feira, 31 de janeiro de 2017

100 Quadripolares que vale a pena conhecer- Luciano (34)- post póstumo

Com 2016 findado restou em nós (em mim?) a secreta esperança do fim da chacina dos que nos são queridos. 
Morreu esta madrugada uma das minha almas gémeas e são tão poucas- agora- cada vez menos. Luciano era um artista em todas as facetas que o sentir artista encerra. Não era artista de substantivo, era artista de adjectivo e nenhuma palavra o adjectivava melhor, à excepção de, talvez, poeta. 
Era poeta dos trapos, alfaiate de palavras, génio do vernáculo e alquimista das palavras directas e sem duplos sentidos, das verdades nuas e expostas sem pudores, das coisas a ser como exactamente são, sem paninhos quentes nem metáforas, sem eufemismos nem justificações delicodoces. 
Luciano era único como somos todos mas mais único que quase todos, no seu destemor de ser quem é sem medos, de abraçar a sua vulnerabilidade, de cabeça erguida pelo percurso percorrido e pelas vértebras muito direitas de quem tem um espinha dorsal do caraças e uma verticalidade ímpares. 
Luciano dos fados, Luciano dos poemas à moda de Bocage, Luciano Montijense de alma e coração, Lisboeta por opção. Luciano das agulhas, Luciano do activismo contra as hipocrisias, Luciano das politiquices, Luciano das verdades. 
Luciano rir-se-ia se hoje visse o mural do seu facebook cheio de RIPs e palavras fofas. Pudesse ele e apontaria o dedo a quem hoje o chora publicamente, enfrentando-os nos olhos, perguntando porque chora se não quiseram saber durante meses à força das agendas cheias e dos dia-a-dias ocupados. Pudesse ele e chamaria os bois pelos nomes e as cabras pelos epítetos. E poria a mão na anca e bateria o pé e discutiria sem medos. Luciano comover-se-ia se hoje visse alguns silêncios no seu mural de facebook e pudesse ler algumas mensagens privadas a perguntar que merda de brincadeira de mau gosto vinha a ser esta, mensagens de quem não acredita nisto, de quem a julga uma partida do Luce e responderia a sorrir, meio pueril, o artista. 
"Vícios públicos, virtudes privadas"- pudesse eu dizer-to outra vez, querido Luce, estupor da minha vida, era tão fácil entendermo-nos, rirmo-nos das mesmas coisas, troçarmos da mesma hipocrisia, termos fé nas mesmas descrenças. 
E a puta da morte, indiferente aos anos civis, efectivamente, não morre. Morres assim e a vida tem cada vez menos força. 
Menos arte e poesia. 

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O Mundo divide-se entre...

... quem diz carrapito e entre quem diz puxo.

Pólo Norte descobre um dos segredos mais bem guardados da Humanidade*

Uma pessoa penteia-se bem penteada. Uma pessoa maquilha-se. Uma pessoa até põe uns pózinhos na cara para parecer mais rosadinha e com um ar bem saudável. Uma pessoa veste uma camisa com um decote bonito para o colo ficar apresentável.  Uma pessoa treina o seu melhor sorriso sem mostrar os dentes ao espelho. Uma pessoa sai de casa confiante. 

Uma pessoa  chega e tira uma senha. Uma pessoa percebe que tem 30 pessoas à espera de serem atendidas antes de si. Uma pessoa senta-se. Uma pessoa levanta-se. Uma pessoa vai beber um café e esborrata o batom que tinha posto de manhã. Uma pessoa compra uma revista. Uma pessoa coça a cabeça (e despenteia os cabelos) enquanto lê as fofocas. Uma pessoa começa a marcar pastilha elástica para se entreter. Uma pessoa mete conversa com a pessoa do lado. Uma pessoa começa a ficar cansada. Uma pessoa recosta-se à cadeira desconfortável. Uma pessoa esfrega os olhos e bezunta a fronha toda de rímel. Uma pessoa encosta o braço ao apoio da cadeira, leva a mão à bochecha outrora pintada com os pózinhos saudáveis para segurar a cabeça. Uma pessoa tem vontade de fazer xixi mas não há wc no serviço. Uma pessoa está desesperada, descabelada, desmaquilhada, desmiolada e destrambelhada quando, finalmente, é chamada. 

Uma pessoa está tão exaurida que o único consolo é que descobriu, finalmente, um dos segredos mais guardados da Humanidade. 




[*Está assim desvendado porque é impossível alguém ficar decente nas fotografias do cartão de cidadão.]

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Adivinhem a reacção do hygge-herege cá de casa...


Foi um hygge que se nos deu!

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Com a mudança de casa tentámos decidimo-nos a destralhar.

Muito convicta- depois de mil contas do instagram visitadas e revisitadas, depois de imagens e imagens do pinterest percorridas, de me deliciar com o ar relaxado, zen e pacífico das bloggers/instagrammers/pinteresters e senhoras com ar de quem não dá um pum com canecas de chá nas mãos e mantas brancas/cinza/bege de lãs XL de ovelhas felizes da Escócia profunda em cima dos joelhos, a viver em casas brancas, com móveis brancos, sofás brancos, tudo alinhado, tudo arrumado, filhos imaculados, quartos das crianças sem brinquedos que parecem capas de revista de decoração, cozinhas de bancadas livres, paredes sem furos nem quadros (a tendência é poucos quadros e todos em cima de móveis baixinhos e encostados às paredes) e casas de banho com sabonetes naturais e orgânicos sem corantes nem conservantes fabricados em casa por mulheres no seu décimo primeiro dia de ovulação em noites de lua cheia- eu queria uma casa hygge.

Eu queria uma casa hygge, minimalista, sem ruído visual/sonoro/auditivo/sensorial, imaculada e zen para ficar com aquele semblante feliz e pacífico das senhoras dos blogs/ instagram/pinterest com ar de quem não dá um pum.

A casa nova era o melhor pretexto para destralhar. Comecei por partilhar com mámen a ideia e de lhe mostrar alguns exemplos de ambientes que gostaria de reproduzir.

Começou logo a complicar: "mas essa gente não vê televisão? Onde é que eles enfiam a televisão? Num armário fechado?". Revirei os olhos e expliquei-lhe que poderíamos viver sem televisão e tal, que até era bom e ele lembrou-me as vezes em que precisamos de limpar a casa/trabalhar em silêncio/estar concentrados a fazer uma tarefa e que somos salvos pelo Disney Channel a hipnotizar entreter a miúda. Ok, concedo na televisão. "Mas olha lá: e os livros? Essa gente com cara de quem não come para não fazer migalhas não lê? Onde é que eles enfiam os livros?" Pronto, estragou tudo que se há coisa que eu levo a  sério são os meus ricos livrinhos e sim, tínhamos que comprar estantes q.b. que livros são mais de mil. "E se forrássemos os livros todos de brancos para ficar visualmente clean?"- atrevi-me, num delírio. Lançou-me um olhar gélido e disse-me que poderia deixar essa tarefa para a reforma, pois que era um excelente passatempo para esperar a morte.

A ver as casas de banho dos ambientes por mim seleccionados no pinterest dei por ele a rir às gargalhadas: "Tu estás a gozar comigo? Esta gente não tem papel higiénico à vista! Não têm caixote do lixo para meter papel nem piaçabas? Ou não limpam os rabos ou têm problemas de canalização e lá se vai o hygge deles cá com uma pinta..." Respirei fundo., Respirei muito fundo.

Fomos ao quarto da Ana e começámos a olhar com o filtro do hygge para aquilo. O hygge reforça a ideia de desapego e minimalismo e o quarto da Ana é um souk de Pinipons, Barbies, Nenucos e Legos. Um atentando a qualquer hygge que se preze, portanto. "Bem, poderíamos reduzir o número do brinquedos, não achas?" "Sim, sim. Tiras a TV da sala, gamas-lhe brinquedos e depois é melhor tapares as tomadas de casa e preparares-te para uma dolorosa e hygge conta de pedopsiquiatra, boa ideia, sim senhora". Estúpido, a boicotar o meu hygge!

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que se queixam do frio e as pessoas que se queixam das pessoas que se queixam do frio.

domingo, 22 de janeiro de 2017

Eu sabia que, para além do fétiche das meias de berloquinhos, isto ainda haveria de me servir para alguma coisa

Ando a querer aprender a fazer aquelas coisas tipo caçadores de sonhos com aquela corda branca, tudo zen e trendy*.

Andei a pesquisar tutoriais no youtube, a procurar onde se fazem workshops e perguntar a conhecidos onde posso aprender.

Encontro um workshop jeitoso em Lisboa e partilho com ele que me vou inscrever.

Olha para mim com um ar super ofendido:

-"´Tás a gozar comigo?! Vais pagar para aprender a dar nós quando EU sou escuteiro?!"




[update: sussurraram-me aqui ao microfone de ouvido que se chama "macramé"]

Filha de psicólogos? Pois.

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Imagem da campanha publicitária "Restaurant Freud"
  




Estava a passar a sopa com a varinha mágica e caguei  sujei os azulejos todos por detrás do fogão.

Mámen começou-se a rir do cagaço que apanhei e eu, para desviar a conversa, olhei para os azulejos  com um ar muito entendido e comecei a interpretá-los como quem olha para uma prancha de rorschach:

- Hum, parece mesmo folhagem da selva amazónica.

Mámen alinhou na palhaçada. Esfregou o nariz, mudou de voz e disse:

- Ah, eu vejo manchas de um felino.

Nisto entra a Ana na cozinha e olha muito séria para nós. Explicamos-lhe o jogo e perguntamos-lhe o que vê ela.

Resposta pronta:

- Porcaria.

...

...

...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Há algoritmos inteligentes. E depois há os meus...


[Vide post anterior.]

De noite todos os gatos são pardos. E de dia também, granda porra!

cat crazy wow kitten spinning


Disclaimer número 1- não sou uma animal lover. Não sou, pronto, já disse. Não que seja uma animal hater, credo, que horror! Mas não sou aquele tipo de pessoa que se derrete com bichinhos, que pára na rua para fazer festinhas a gatos vadios nem que têm um impulso imediato para resgatar todos os cães abandonados com que se cruza. Também gosto demasiado de chicha para um dia ponderar vir a ser vegetariana e nem me passa pela cabeça deixar de comer carne (Aliás, de cada vez que penso na alcatra dos Açores salivo. Pavlov explicará.) Em minha defesa, também vos afianço que não consigo fazer mal nem a um insecto. E se vir um animal em apuros sou incapaz de não o socorrer, que não sendo uma animal lover, sou sensível. E desde que pari que deixei de comer leitão à conta disto

Disclaimer número 2- Depois da minha cadela Laica ter morrido fiquei com dificuldade em afeiçoar-me a animais de estimação (a Psicologia também explicará.) E só cedi aos gatos porque a minha filha adoooora bichos e sei as vantagens de crianças e animais coabitarem.




Tenho azar com os bichos. Com gatos, mais propriamente. O Freud de Mámen morreu de velhice e deixou-o num pranto. A seguir tivemos a Tuvy que morreu de uma doença manhosa e eu jurei que nunca mais queria gatos.
A Mimi foi a minha primeira excepção. Maria Emília era uma gata distinta que o pessoal da empresa resgatou da rua e me empandeirou. Eu disse que não, que não era uma "animal lover" mas ninguém me ligou. Um dia, mámen e Ana foram buscar-me ao trabalho e a Ana apaixonou-se pela gata. Trouxemo-la para casa. Mimi tinha problemas: atirava-se contra os vidros das janelas, miava muito, esgravatava a porta e todas as janelas da casa. Queria, desesperadamente, sair. Ora eu não percebia aquela fixação da ingrata: tinha cama, comida (da húmida!) e roupa lavada lá em casa. A Ana adorava-a de paixão. Nas férias levavamo-la connosco e acompanhava-nos para todo o lado para onde íamos. Mas o que a gata mais queria na vida era bazar. A veterinária disse-nos que parecia que ela tinha uma psicopatologia qualquer (claro, com tantas gatas no Mundo a gata maluca tinha que me calhar a mim!) e aconselhou-nos a colocá-la num quintal com outros animais. Foi assim que tivemos que a colocar na casa de uma pessoa da família, onde vive feliz desde então e não nos liga peva quando estamos lá de visita. A Ana continua a ficar desgostosa com tanta ingratidão. E eu voltei à minha conviccão: acabaram-se os animais cá em casa.
Mas depois abandonaram o gato à minha porta. Literalmente. E a senhora da loja de animais estava a passar na rua nesse preciso momento e "Óóoo, fica lá com ele! Eu amadrinho-a! É tão bom para a Ana e mimimimi". Ficámos. Baptizámo-lo de Papo-Seco (baptizou a Ana, honra lhe seja feita).
Papo-Seco era um lord na minha casa. O gato mais lord que possam imaginar.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Aos 13 de Janeiro de 2017 por ocasião da comemoração do nosso 18º aniversário de namoro




18 anos.
Pode, finalmente, sair à rua em traje de festa.
Pode disfarçar os restos de acne que acusam a sua recente adolescência, colocar maquilhagem para parecer mais adulto e sorrir com o sorriso de sempre, feliz por existir. Por resistir.
Pode não se arrepender dos erros, pode lembrar-se de cada aprendizagem, pode colecionar memórias de dias solarengos e chuvosos, pode sentir nos ossos e nas rugas a passagem do tempo. E sentir-se confiante por tudo o que viveu e o que tem para viver,
Pode assinar os seus papéis, ser encarregado da própria educação, gerir a sua vida sozinho.
Pode beber para comemorar, ter porte de arma para matar intrusos, militar-se no partido do felizes para sempre.
Pode fazer uma tatuagem na pele com a certeza que nunca se vai arrepender, fazer um piercing só por rebeldia, sentir-se crescido, adulto e confiante.
Pode votar nas suas opções, conduzir em todos os seus caminhos, ser responsabilizado pelas suas decisões.
Pode, este amor, ser independente, decisor, livre.
Pode ser o amor de sempre. Desde o primeiro dia. Com todas as suas perfeições e imperfeições. Toda a vida vivida. Toda a essência que o fez chegar aqui.
Pode fazer tudo o que lhe der na real gana.

Amor Maior.
Pode ser, exactamente, como sempre foi.

[Parabéns a nós.]

domingo, 8 de janeiro de 2017

A CONHECER| Stone Óbidos Hostel


A Cristina lê este blog há imenso tempo mas há uma coisa, mais importante que isso, que me unirá à Cristina para sempre: no dia 9 de Agosto de 2012 ambos fomos, pela primeira vez, mães. A Ana e o Dinis nasceram exactamente no mesmo dia e isso cria aquela sensação de empatia para sempre.

Ora, a Cristina é uma mulher audaciosa e sem medo de arriscar e eu desejo- mesmo muito- que a sorte proteja os audazes.

E que bafeje a Cristina e o seu Stone Óbidos Hostel, um hostel muito querido às portas das muralhas de uma das vilas mais bonitas de Portugal.



Image may contain: indoor

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A propósito ou não dos festivais do chocolate, da vila natal e das feiras medievais , é indiferente, Óbidos é maravilhoso durante o ano inteiro.

Conheçam este projecto tão querido aqui.

sábado, 7 de janeiro de 2017

A ASSISTIR | Histórias de Papelão - Edição Super-Heróis

Fomos, em família, a uma das edições e ficámos fãs.
O cenário é simples e faz-se com meia dúzia de adereços de cartão que são o mote para o desenrolar da história, feita de improviso, numa maravilhosa estratégia de interação com o público pequenino.
A Ana gritou sugestões, foi ao palco, vibrou e bateu palmas razão pela qual não perderá esta edição que, puxando o tema dos super-heróis, promete valentes gargalhadas!

Encontramo-nos por lá?


´
Pôr à prova a imaginação dos mais pequenos numa peça de teatro de improviso

Quem? Peça de teatro "Histórias de Papelão"
Onde? Teatro Turim- Benfica
Quando? 6 a 29 de Janeiro aos sábados às 16h e aos domingos às 11h
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