sexta-feira, 22 de junho de 2018

Carta à auxiliar da sala do Jardim de Infância da minha filha



Querida Fernanda,

No fim do ano lectivo, o último da Ana antes de ingressar no primeiro ciclo e, por isso, o último em que acompanha a minha Ana queria agradecer-lhe.

Sabe, é que muitas vezes as pessoas- os pais incluídos- se esquecem do papel das auxiliares. Eu- às vezes- também mas hoje não.


Queria agradecer-lhe o papel que teve durante este ano na vida da minha filha. Não foi um papel auxiliar nem secundário, foi um papel insubstituível e principal.


Foi a Fernanda que acolheu. todas as manhãs, a minha Ana na sala. Que lhe deu bons dias risonhos. Colo nos dias em que estava mal disposta. Que a conduziu à reunião de tapete. Que lhe ajeitou ganchos a escorregar no cabelo liso e escorrido.

Foi a Fernanda a primeira a alertar-nos para o impacto que a minha doença estava a ter no comportamento da Ana. A dizer-nos que a sentia triste, preocupada, meia deprimida.  Foi a Fernanda que resolveu muitas birras da Ana não querer ficar na escola de manhã, sabendo-me doente e de cama em casa e querendo ficar comigo, a tomar conta de mim, numa parentalizacao precoce que nunca lhe permitimos. Foi a Fernanda que lhe deu colos, que a abraçou, que limpou uma diarreia somática, que lhe fez companhia quando a tristeza da Ana não lhe apetecia brincar com os outros meninos, que nos atendeu todos os telefonemas - sem se mostrar enfadada ou aborrecida - depois do pai a deixar na escola para nos certificarmos que tinha, enfim, serenado. Foi a Fernanda que introduziu a Ana nas brincadeiras das colegas sem a forçar, que a juntou e foi facilitadora na sua relação com as meninas com um perfil comportamental semelhante ao dela, que a incentivou a escalar e a saltar à corda, que lhe desinfectou esfoladelas nos joelhos, arranjou penteados porque o pai não tem lá muito jeito e foi a Fernanda que se mostrou sempre de coração partido face à reação da Ana à minha incapacidade de ter uma vida normal, de regressar à nossa vida normal, de termos a vida virada do avesso.

No tempo lectivo foi a Fernanda que a virava sempre do lado certo, que conversou com a Ana na hora do recreio, que a escutou e ouviu, que a serenou e lhe prometeu que isto tudo ia passar. A Ana contava-nos isso e garantia-nos o quanto acredita em si.

E a Fernanda nem sabia que ia passar (nem nós ) mas passou. 
Também graças a si.


À Fernanda que anteontem, depois de dois períodos lectivos difíceis, de um 2018 particularmente duro para toda a nossa família e perante a falta de talento desportivo da Ana, crashou a prova de corta-mato a meio para a resgatar do último lugar.

Obrigada por tudo e por tanto, Fernanda. Nenhuma palavra consegue transmitir a gratidão que o meu coração de mãe lhe dedicará para sempre. Obrigada por amparar a Ana num ano em que lhe doeu tanto na alma crescer.


Cresceu mais forte e segura, muito graças a si. Não é o seu trabalho que aqui enalteço: foi a sua capacidade e generosidade de cuidar e amar a Ana quando e onde ela tanto precisou. Obrigada por lhe ter limpado as lágrimas, feito sorrir e lhe ter dado, todas as vezes sem nunca o negar, o colo que a minha ausência não me permitia e nem em casa, muitas vezes, tinha força anímica para compensar. 

Nem sempre foi fácil mas nunca a vi de má cara e sabemos que a Ana não é uma miúda simples e fácil de compreender. Oh como a admiro! Ensinou-a pelo exemplo de amor, generosidade, humanidade e afecto e deu continuidade ao trabalho que tentamos fazer em casa. É tão boa nesse papel, sabe?!



Foi uma excelente companheira de equipa juntamente com a educadora mas- principalmente- connosco. Aceitou o compromisso de fazer da minha Ana uma menina melhor, todos os dias, sem ter expectativas do que era ser melhor, apenas respeitando a direcção, os gostos, interesses e personalidade que ela foi demonstrando. Respeitando e apoiando a Ana na sua essência, sem a querer mudar. 



A Ana é a nossa semente, minha e do pai. Todos os dias a regamos para que cresça saudável e feliz. Mas foram ambas- a Fernanda e a Helena também- que todos os dias úteis, das nove às quatro da tarde, na nossa ausência, lhe abriram a janela da infância e lhe mostraram o sol. Porque o vosso amor foi fotossíntese para esta Ana, a minha Ana, agora mais forte e em flor.


Obrigada por tudo. Por ser exactamente a pessoa em quem a minha filha procurou o colo que a minha ausência não permitia ser eu a dar. Que a minha doença não estava a ser capaz de providenciar nas doses necessárias. O seu colo não é auxiliar, foi educador, de amor e afecto e teve um papel principal.

Um papel que nunca esqueceremos.

Um beijinho nosso. Um beijinho com sabor a colo de mel. A um colo principal.
Liliana- mãe da Ana“

sábado, 21 de abril de 2018

Inter-rail hospitalar- Ser optimista mas a culpa é da puta cadeira



Chegou Dezembro e as coisas não melhoravam. Médica de família diagnostica hérnia discal  (detectada numa TAC numa ida à urgência do hospital) e compressão do nervo ciático.

Nesta altura as idas às urgências com dores alucinantes eram tantas que as empregadas do Hospital já atribuiam desconto de funcionário do Hospital a mámen. 

Farta de injecções de voltarem e relmus e com uma overdose de mentol de Transact experimentei o quiropata, que não se revelou eficaz no meu caso. 

As compras de Natal foram feitas num só dia e, numa fase final, já usando a cadeira de rodas do Cascaishopping, o que- vendo o copo meio cheio- me deu prioridade numa série de filas das lojas. Noite de Natal a ganir baixinho (de dores até porque os presentes correram muito bem) e tirando o facto de mámen ter levado a minha Bimby para arranjar para vir a tempo de confecionar a ceia de Natal, que este ano era cá em casa, e de lhe terem assaltado o carro e roubado a bicha, pronto, tirando isto e as dores foi um Natal pois. 

O ano novo foi simpático, com amigos do coração cá em casa sem me deixarem mexer um dedo sequer para me pouparem- beijinhos Margarida, Luna, Paulo, Laura- queijo, enchidos,marisco e vinho (para os que não tomam medicação).

Com medo que a medicação me desse sono e eu me viesse a esquecer daquela noite entre 2017 e 2018 a minha filha e a sua melhor amiga lançaram aqueles canhões de confettis às doze badaladas. Resultou. Cada vez que faço limpezas à casa, e já passaram 4 meses, encontro cabrões de confettis nos sítios mais recondidos, tipo a boiar dentro do autoclismo casa de banho do meu quarto, que fica assim a 3 km da sala ou na gaiola do coelho que fica a 5 km da sala. 


E foi, de facto, uma meia noite inesquecível pois estava na casa de banho às doze badaladas, saí disparada para a sala (tão disparada quanto me permitiam as dores nas costas,  portanto, cheguei quase a tempo de 2019) e esquecida da miséria em que me encontro fiz ali uma tentativa para cumprir a superstição e subir para uma cadeira com uma nota, num momento trágico-cómico, pois para além de não conseguir movimentos que me permitiam subir para a dita, o meu marido tinha-se esquecido de levantar dinheiro e só tinha uma nota que- cretino!- orgulhosamente ostentava no pedestal das minhas cadeiras da AREA, que foram caras, se eu não subo ninguém sobre e... cagaram-se todos para mim. 

Ali estava eu, início de 2018, por pouco não passei a viradinha numa posição escatológica, sentada à mesa a segurar uma nota de Monopólio (que tínhamos jogado antes do Party) e mais marreca que o Bruno Carvalho naquele meme a sair do banco de suplentes.
Na verdade, acho que esse era o verdadeiro presságio para o ano de 2018: um ano quase de cagada, sem subir nem descer,na realidade sem me mexer, e com uma vida financeira tão promissora como a de um investidor do Monopólio. 

Que viesse Janeiro. Assim com'assim já tenho passe V.I.P nas urgências e mámen descontos na cafetaria do hospital.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

It's just another manic Monday, I wish it was Sunday

Fim de semana do caraças: sábado lá bati com os costados outra vez nas urgências, ao que parece os rins não estão a gostar muito de tantos anti-inflamatórios, uma pessoa não morre do mal, morre da cura e puta que pariu isto tudo. A miúda teve três festas de aniversário num só dia e uma pessoa fica a pensar que a vida social da pequena de 5 anos dá 10 a zero à sua, para este ano nem um casamento, logo nós, que gostamos de casamentos. Mámen diz que sabemos que ficamos velhos quando passamos Verões sem ir a nenhum casamento, já está tudo casado, divorciado, amantizado ou só cansado, agora festas é que pastel.
Mámen perdeu o cartão multibanco, finalmente a EDP se decidiu a arranjar a minha máquina de lavar loiça, pus em dia a cozinha, a semana passado foi tão intensa que nem vi o episódio do "This is us" e só dei conta disso agora de manhã. Nos últimos dias- ontem especialmente- estive rodeada das minhas amigas, nem sempre consigo estar com elas mas sempre que preciso delas- e preciso muitas vezes- elas vêm sem que as chame, cheias de vontade e risos, ferramentas e mangas arregaçadas, gargalhadas e colos não físicos que elas sabem que não sou uma pessoa de  colos apertados. Sou uma gaja de sorte.
Às vezes páro e impressiono-me com a capacidade que meia dúzia de pessoas que conheço têm de mudar o Mundo, uma espécie de esquadrão do bem e sinto-me afortunada, não fosse esta dor constante e fininha, parece que já não é da hérnia extrusa, parece que não é da ciática, tenho uma ressonância magnética para fazer e a lista de espera do SNS é de um ano e meto mais um comprimido para o bucho. Penso em alternativas: vou mudar a alimentação, cortar de vez os lacticínios, pensar antes de comer sem pensar, vou arranjar um exercício de que goste- e eu acho que não gosto de nenhum. Suspiro e colo um transact na perna.
O boicote à "Super nanny" soube-me pela vida e, às tantas, nem teve efeito nenhum nas audiências, nos sharings e nessas coisas que medem o sucesso dos programas. Teve em mim que gosto de saber que não compactuo, que não me importo de remar contra a maré, que não sou de largar os remos. Teve em muitas pessoas à minha volta e isso é o melhor de tudo: saberes que não podes limpar o oceano mas não desistires de limpar a tua praia, a praia onde se banham os teus filhos e os teus amigos e os filhos dos teus amigos, as pessoas com quem convives e com quem partilhas o areal, estares certa que contribuíste para a mudança daquele bocadinho de mar, aquele pedacinho de areia. A Corine de Farme retirou o patrocínio ao programa e a ´minha amiga Patrícia, companheira de luta e de inconformismo, diz que retirar valor ao programa é um indicador de que os protestos de quem não compactua surtem efeito.  Fazer a tua parte é sempre uma forma de mudares o Mundo.
Saio de casa de táxi e são sete da manhã. O taxista queixa-se do PS, que é tudo à larga, dão tudo a toda a gente, repuseram tudo, só não contrariaram o PSD naquilo de agora se pedir factura para tudo, queixa-se do Professor Beijinhos e do que ele já gastou em viagens, conta-me que no sábado foi a Loures fazer aquela coisa do furinho na orelha para deixar de fumar e que no domingo foi ao Pingo Doce com a  mulher e ainda não eram nove da manhã e já não se podiam ver um ao outro e vai daí, fumaram 5 cigarros, "ó doutora" - e eu nem tenho cara de doutora- "um gajo sabe que era para não fumar mais nenhum, que larguei 80 biscas naquilo mas no primeiro dia fumei cinco em vez de quarenta, até nem é mau, pois não?" e conta-me que também lhe mandaram cortar no café e álccol e "ó doutora"- e onde é que terá ele ido buscar esta coisa do doutora?- "eu e a minha mulher não dispensamos um copinho de vinho ao almoço, vá e uma amêndoa amarga para digestivo, até a minha mais pequena, a que tem 14 anos que a outra já abalou para o Porto para estudar, mas dizia eu, a que tem 14 anos também dá um golinho, a minha irmã fica danada da vida quando vê mas olhe, eu cá sou sincero, antes ela provar amêndoa amarga comigo que com os amigos e também um golinho por dia não é a morte do artista, nós nem temos genética para vícios".
Deixei o meu cartão multibanco com mámen e enquanto me vestia de manhã ele foi ao ATM levantar-me dinheiro. Chego à Estação do Oriente e percebo que tenho uma nota de cem euros, o taxista não tem troco, saio para tentar destrocar a puta da nota e não me safo em lado nenhum, a fila na bilheteira é imensa. Entro num café e peço uns 20 euros em comida, só há coisas desgraçadas à venda, trago pães de Deus mistos, coxinhas de frango, pão de queijo e ice-teas e- foda-se- hoje é segunda feira e tinha prometido começar a comer diferente. Volto ao táxi, pago a corrida e peço factura,noto uma "amarguinha " de boca e a esta hora o senhor pode passar a distribuir o ódio entre o PS e o Passos Coelho, assim com'assim distribui-se o mal pelas aldeias.
Corro para o comboio e percebo que fico sem dados nem saldo no telemóvel. O bilhete é electrónico e não consigo sacá-lo. Não tenho multibanco para carregar que deixei o cartão com o estupor do meu marido e respiro fundo. A cinco minutos de chegar ao comboio estou no apoio ao cliente e explico a situação que, sim senhor, me imprimem ali o bilhete, basta eu apresentar o meu cartão de cidadão.
Que ficou esquecido nas urgências do hospital anteontem.


Uma boa segunda para todos. Que a santa padroeira dos piretes me proteja.



quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Zâmbia e Zimbabwe? Checked.




"Bom dia Ursa! Estive de férias na Zâmbia com o meu marido, que trabalha lá, e não podia deixar de contribuir para a cruzada. Aqui vai uma foto das cataratas Vitória, na fronteira com o Zimbabué. Beijinhos, Maria João"


Obrigada, querida Maria João para ti e marido! <3



O planisfério está actualizado aqui e é- prometo!- este ano que eu ponho as quadripolarizações tooooodas em dia.


Se alguém me enviou quadripolarizações que não foram publicadas, a razão tem que ver com a minha falta de organização a gerir a conta de email do blog (que- juro-vos!- é uma coisa impossível). Assim, peço-vos que mas reenviem, please, please, para o email euquadripolarizo@gmail.com. 

Muitas desculpas e renovadas gracias, sim?!

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Sala de espera da consulta de Neurocirurgia, Hospital de São José, 15h23

No desespero, tiro o telemóvel do bolso e constato que existe wi-fi grátis no Hospital. 

Como se fosse salvar o Mundo viro-me para mámen e digo - alto e a bom som para toda a gente ouvir e apanhar a deixa: "Olha: há internet grátis no Hospital!" 

Nem uma reacção. Continuou tudo nos seus desabafos e conversas tétricas de sala de espera de hospital. 



Pérolas a porcos, é o que vos digo. Pérolas a porcos. 


[Lá na França é que é, aposto que se deviam entreter, primeiro mundistas e caladinhos, a ler blogs.]


Sala de espera da consulta de Neurocirurgia, Hospital de São José, 14h23

Entra um senhor e começa a distribuir fotocópias de uma associação que ninguém conhece:

"Boa tarde meus senhores. Estimo as vossas melhoras. Infelizmente tenho que vos dar esta notícia de que sofro de HIV, para os senhores mais velhos SIDA. Nunca me droguei, nunca fiz amor sem camisa de Vénus, foi quando estava na barriga da minha mãe, a placenta rebentou e ela transmitiu-me o vírus. Podem ler esse papel, é com a ajuda de senhores como vocês que este Natal a Associação onde eu trabalho nos pôde dar bacallhau com batatas para a ceia em vez de pescada. Agradeço o  vosso auxílio. É melhor pedir que roubar. Nunca roubei nada a ninguém, agradeço..."

Auxiliar interrompe-o: "Não se pode mendigar na sala de espera. Já estou farta de o avisar todos os dias, não queria ter que chamar o segurança..."

"Ai é? Ai é? Vou mazé roubar. E digo-lhe mais: de cantar não me podem impedir!"- e começa a sacar, de forma agressiva, as fotocópias anteriormente distribuídas das mãos das pessoas da sala de espera, enquanto trauteia em altos decibéis:

"Ai senhor doutor que me dói a testa
Ai senhor doutor lá em baixo é que é a festa
Trás, catrapás, de rabo e canela
Não há quem não conheça a história da Micaela

Ai senhor doutor que me dói a o nariz
Ai senhor doutor lá em baixo é por um triz
Trás, catrapás, de rabo e canela
Não há quem não conheça a história da Micaela

Ai senhor doutor que me dói a boca
Ai senhor doutor lá em baixo é que está louca
Trás, catrapás, de rabo e canela
Não há quem não conheça a história da Micaela

Ai senhor doutor que me dói o pescoço
Ai senhor doutor lá em baixo é que está grosso
Trás, catrapás, de rabo e canela
Não há quem não conheça a história da Micaela

Ai senhor doutor que me dói o peiro
Ai senhor doutor lá em baixo é que está a jeito
Trás, catrapás, de rabo e canela
Não há quem não conheça a história da Micaela

"Ai senhor doutor que me dói o pipi
Ai senhor doutor páre tudo que é aí
Trás, catrapás, de rabo e canela..."


Auxiliar em fúria: "Vou chamar o segurança!"



[Como não ser fã do SNS?! ]

Sala de espera da consulta de Neurocirurgia, Hospital de São José, 13h47

"Isto é que vai para aqui uma vergonha. Sabe, eu tive a sorte de estar emigrado num país como deve de ser, não era nada disto. Lá uma pessoa tem tratamento hospitalar de primeira. Desconta-se e bem mas é à séria. Aqui uma pessoa desconta uma vida toda e leva uma reforma de 240 euros, perdão, 280 euros para casa. Tá quieto, ó preto! 'Tá bem que tive uns anos ali num táxi em Chelas por minha conta e não descontei mas isso também foram meia dúzia de anos, não justifica esta miséria. Um dia encontrei o ministra ali no Chinês das Olaias, já o tinha transportado no taxi e ele disse-me "Olá Felisberto, como está?" "Como estou, doutor, estou numa miséria, descontei aqui uma vida toda e levo 280 biscas para casa, acha que estou bem?" "Olhe que não é nada mau" "Não é nada mau, estive na França meia dúzia de anos, a mais a minha Maria, e trazemos mais do que isto da reforma de lá." E ele que não era possível. Então, não vou de modas, agarrei na minha mulher e no outro dia de manhã fui ao café onde ele vai e vai de sacar os papéis para ele ver com os próprios olhos. "Ai, Felisberto tem razão, sim senhor!" E ficou com um melão que só visto. Aqui uma pessoa está de baixa ou  reforma-se e ainda por cima pode trabalhar. Em França, não. Um dia estava de baixa e apereceu um inspector e foi um ver se te avias: "Monsieur, ali toda a gente se trata com cerimónia, não é cá estas confianças aqui de Portugal, e perguntou se eu estava a trabalhar porque alguém me tinha visto a dar de comer à criação e foi dar com a língua nos dentes e eu que não, não senhor inspector, estava só a contar as cabeças, uma pessoa lá não pode pôr o pé em rama verde, não é como aqui que tive 7 meses de baixa e ainda fazia uns biscates ali na Picheleira. Lá é à séria. Lá trabalha-se de sol a sol mas vale a pena que uma pessoa tem um tratamento que é uma categoria. A minha filha é engenheira na Câmara de Lisboa e bem nos conta que são uns 7 numa obra de rua e só o pobre que escava é que trabalha e leva 500 biscas para casa, é uma vergonha. Este país nunca vai chegar a lado nenhum. Por isso é que eu tenho saudades de França, eu mais a minha mulher, só voltámos porque aqui, assim com'assim temos a vida facilitada e aqui sempre se dá para dar um jeito nas coisas, não há aquele controlo do Estado, é tudo à balda, mas quando venho aqui ao hospital e estou assim estas horas à espera, arrependo-me tanto de ter voltado como de ter vendido o táxi, mas pronto, foi um bom negócio, declarei menos que o que vendi e ainda meti algum ao bolso, o mundo é dos espertos já se sabe. Mas lá é fora é que é bom, não é nada disto que aqui se vê. Já foi a França, menina?"

"Já, sim senhor, Mas desculpe que lhe pergunte, Sr. Felisberto, se lá é melhor, o que é que está aqui a fazer a aumentar-nos a fila de espera?"

Sala de espera da consulta de Neurocirurgia, Hospital de São José, 13h06

“Despacito. Hino do Benfica cantado pelos UHF. Uma valsa. A vida toda. Outra vez despacito. Nothing else matter. Amar pelos dois. “Atende, atende. Ateeende. Atende o telefone, quarailho” (versão não musical). Pacman. Mais despacito.



Diz-me qual o teu toque de telemóvel, dir-te-ei quem és.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Como se sente uma pessoa medicada até à medula quando atende telefonemas, recebe visitas em casa, ouve o marido a falar ininterruptamente quando chega do trabalho e afins?

                 

O Mundo divide-se...

Egipto quadripolarizado




"Olá, Pólo Norte 😊

Tinha enviado esta foto através do instagram, mas reparei agora que pede para enviar por e-mail. Assim, aqui está o Egipto quadripolarizado (Agosto de 2017) pelas irmãs Carla e Cláudia Oliveira, no Templo de Hatshepsut."

Obrigada, manas! 


O planisfério está actualizado aqui e é- prometo!- este ano que eu ponho as quadripolarizações tooooodas em dia. 



Se alguém me enviou quadripolarizações que não foram publicadas, a razão tem que ver com a minha falta de organização a gerir a conta de email do blog (que- juro-vos!- é uma coisa impossível). Assim, peço-vos que mas reenviem, please, please, para o email euquadripolarizo@gmail.com. Muitas desculpas e renovadas gracias, sim?!

domingo, 7 de janeiro de 2018

Quase que juro que vi um DOT colado nas televisões




Eram sofás plastificados daqueles mesmo bons para se pôr uma colcha por cima que só se tira quando chegam as visitas que a vida não é isto e a sala tem que estar fechada para quando chegam as visitas que a malta cá de casa convive é na cozinha. Mesas de centro de vidro e com pés de mármore do equivalente a Estremoz lá em França, donde isto vem, provando que se "de Espanha nem bons ventos nem bons casamentos", "de França nem bons fósseis nem bons móveis" (não faço ideia de como é a paleontologia francesa mas a rima era urgente, não me lixem o post!)

Camilhas, bares de canto, muito mogno, quartos de solteiro com alçado e luzes incrustadas. Ainda abri umas gavetas a ver se estavam forradas de papel de embrulho colorido e procurei se a música ambiente vinha de cassetes da aparelhagem. Encontrei louceiros muito jeitosos para pôr o serviço de copos de Cristal D'Arques ou a colecção de bonecas de porcelana. ´


Sentada num maple, pensei cá para mim que para ser perfeito o chão tinha que estar alcatifado e que assim com'assim faltava papel de parede e eu deveria ter trazido um blusão com chumaços e uns óculos de cartão com lentes azul e vermelha para ver "O Monstro da Lagoa Negra" naqueles futuristas écrans de televisão planos, tão modernos que destoavam. 

Não, não fiz uma viagem ao passado.



Mas foi uma tarde bem passada na Conforama. 

sábado, 6 de janeiro de 2018

Chipre





"Olá Pólo Norte, quadripolarizei o Chipre, mais um país para acrescentares à tua lista! As fotos são da Petra tou Romiou ou Rocha de Afrodite. Segundo a mitologia é o local de nascimento da deusa Afrodite! M."

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Resolução de 2018: pôr em dia as quadripolarizações desde 2015




Quando tens um jantar marcado há meses e a tua filha adoece e tu tens que fazer o que tem que ser feito e ficas naquela ambivalência de "tem que ser" mas "Oh que merda", de "paciência" mas" fosga-se que timing do camandro" e resignas-te e pensas "cabrão de azar: pão de pobre cai sempre com a manteiga para baixo..." 

Mas eis que as tuas amigas, lá a jantar, mostram que não tens azar nenhum: o melhor do mundo são as tuas pessoas. E isso é sorte. Melhor sorte no mundo não há. 

O que aprendeste em 6 semanas de dor ciática, Pólo Norte?




[Passa com frio. Passa com calor. Passa com descanso. Passa com caminhadas. Passa com osteopata. Para com quiropata. Passa com endireita. Passa com emplastros. Passa com alimentação macrobiótica. Passa com alimentação vegetariana. Passa com alimentação paleo. Passa com alimentação holística. Passa se não comeres. Passa com os pés de molho em vinagre de maçã logo de manhãzinha. Passa com ozonoterapia. Passa como messoterapia. Passa se deixares de beber leite.  Passa com reiki. Passa se comeres tudo sem glúten. Passa com shiatsu. Passa com auriculoterapia. Passa com aromoterapia. Passa com sexo. Passa se não disseres vernáculos. Passa com abstinência. Passa com massagem de relaxamento. Passa com massagem tui-na. Passa com acupunctura. Passa com moxabustão. Passa com fitoterapia. Passa com Naturopatia. Passa com homeopatia. Passa com pilates. Passa com piretes. Passa com caminhadas. Passa com ioga. Passa com uma promessa a nossa senhora de Fátima. Passa com um mergulho no mar gelado dedicado a Iemanjá. Passa com a perna esfregada com óleos essenciais, azeite quente (mas do bom, nada de azeite do LIDL) ou tang. Passa com lambidelas de cão (wtf?). Passa com um secador de cabelo a projectar calor na zona afectada. Passa com massagem ayurvédica terapêutica. Passa com plantas medicinais. Passa com chá de salva. Passa com erva. Passa com coca. Passa com reflexologia. Passa com o método das 3 agulhas do Professor Jin Rui. Passa com ventosas. Passa com epidural. Passa com dança de ventre. Passa com dança do varão. Passa com drenagens linfáticas. Passa se cortares o cabelo que parecendo que não isto está tudo ligado. Passa a entoar mantras. Passa a ouvir discursos do Donald Trump sem revirar os olhos. Passa sacrificando uma galinha velha. Passa com meia elástica. Passa com a almofada de massagens da Decathlon. Passa com rebuçados do Dr. Bayard. Passa com o bálsamo chinês da Tiger. Passa com bolas chinesas (!). Passa com mercúrio-cromo. Passa com Vicks. Passa com Voltaren. Passa com morfina. Passa com bagaço. Passa com tinto, branco, verde e jerupiga com peixe frito. Passa com botija de água quente. Passa com almofadas com caroço de cerejas aquecidos no microondas. Passa com chiclet. Passa comendo gindungo. Passa indo à Maya. Passa indo ao professor Mambo. Passa se te tirarem o quebranto. Passa se usares uma figa, um corno, uma mão de Fátima e um olho atrás da porta. Passa se leres a Bíblia. Passa se abrires a porta a testemunhas de Jeová. Passa se deixares de comer sushi. Passa se souberes de cor as músicas todas do Toni Carreira. Passa se vires um directo da Casa dos Segredos sem teres um AVC. Passa se saltares ao pé coxinho (esta é fácil, estás quinada da perna, remember?). Passa se te lavares com sal. Passa se deres um mergulho no rio Trancão. Passa se te filiares no PSD. Passa se te cruzares na rua com a Maria Vieira e não fizeres um esgar de riso. Passa se leres os livros da Rebelo Pinto. Passa se cheirares gasolina. Passa se gostares do que escreve o Chagas Freitas. Passa se usares o #deusnocomando. Passa se disseres "amen" depois de cada post partilhado contendo gatinhos. Passa se ouvires rádio Amália e um taxista ao mesmo tempo e de sorriso no rosto. Passa se não invejares os glúteos pós parto da Georgina. Passa se meteres na Bimby. Passa se receberes a conta da EDP sem vociferares. ]


Não passa com nada, quarailho. 

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

sábado, 15 de julho de 2017

Olh'á Croácia fresquinha!

                             



"Aqui vai a Croácia quadripolarizada. 
Mais concretamente, as cascatas do parque natural de plitvice. 
Beijinhos "

Filipa Guimarães


Obrigada, Filipa! Adorei!

Muita forte no crioulo

O meu talento ao nivel do crioulo exemplifica-se com o facto de lidar há meses com uma pessoa chamada Aminata e só passado muito tempo perceber isto.


[Sim, andei a chama-la de Aminete].

sábado, 1 de julho de 2017

O Mundo divide-se... (edição fonética)

... entre as pessoas que conhecem esta música como a música da Lasanha e as que a conhecessem como o hino da Liga dos Campeões.


             

Este será o ano novo blogosférico em que conseguirei pôr as quadripolarizações em dia: é uma promessa!



A minha querida Filomena nunca me falha. Desta feita, temos a Bielorrússia quadripolarizada!

[Temos a Europa praticamente quadripolarizada. Falta apenas quadripolarizar a Albânia, o Azerbeijão, a Bósnia Herzegovina, a Croácia, o Kosovo, a Macedónia, Malta, a Moldávia, a Roménia, a Sérvia e a Ucrânia. Sintam-se à vontade para o fazer, tá? Enviem as V. fotos para quadripolaridades@hotmail.com.]


Conheça todos os países já quadripolarizados aqui.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

O Mundo divide-se... #edição sopeira

... as pessoas que têm a tábua de engomar e o ferro ao género de instalação artística permanente no meio da sala o ano inteiro e as outras.




suspiro*

quinta-feira, 29 de junho de 2017

O Mundo divide-se... (edição fonética)

O mundo divide-se entre quem toda a vida cantou "Vamos à la praia" em vez de "Banhar-nos à praia" e os outros.

.

Ana, a zen... a crédito

Ana, canta o mantra que aprendeu na escola para se acalmar quando está destrambelhada (sim, sim: destrambelha que é minha filha, não há cá milagres!). 

Ana: "I am happy,
          I am good,
          I am happy,
          I am good,
         CETELEM, CETELEM, CETELEM, ji
         Ariuru, ariuri, ariuri, jim"


Nós: "Ó filha, tens a certeza que é  CETELEM?"

Ana: "Claro que sim: o professor de meditação cantou isto o ano todo!"

Nós: "Epá, filha. Não deve ser CETELEM, tu ouve lá melhor isso..."

Ana: "É CETELEM, sim! Que eu sei, que eu é que estou lá a ouvir..."


Reunião de pais, a educadora convida-nos para fecharmos a dita com a música da meditação. Afino a minha melhor voz  e dou-lhe com alma:

         "I am happy,
          I am good,
          I am happy,
          I am good,
         CETELEM, CETELEM, CETELEM, ji
         Ariuru, ariuri, ariuri, jim"


Fica tudo a olhar para mim.





Não era.

...

...

...

Vamos lá voltar à quadrievangilização que já estavamos cheios de saudades




"Olá Pólo Norte,

quadripolarizei o Chipre, mais um país para acrescentares à tua lista!
As fotos são da Petra tou Romiou ou Rocha de Afrodite. Segundo a mitologia é o local de nascimento da deusa Afrodite!

M."

Querida M., desculpa o atraso na publicação de tão nobre quadripolarização, ainda mais com um país à estreia: mea culpa!

Graças a ti temos  agora 91 países quadripolarizados: é muita fruta! Obrigada!



[Chipre quadripolarizado. Todos os países quadripolarizados aqui]

quinta-feira, 4 de maio de 2017

O Mundo divide-se (edição "fuck my life")

O Mundo divide-se entre as pessoas que já enviaram um email com a frase "junto envio-lhe um peido" ao invés de "junto envio-lhe um pedido" e as outras. 

sexta-feira, 21 de abril de 2017

O Mundo divide-se entre...

... quem perante alguém a espirrar diz "santinho" e entre quem diz "saúde".

terça-feira, 7 de março de 2017

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que contam os dias que tem cada mês socorrendo-se dos nós dos dedos e as outras.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O Mundo divide-se entre...

... quem diz carrapito e entre quem diz puxo.

Pólo Norte descobre um dos segredos mais bem guardados da Humanidade*

Uma pessoa penteia-se bem penteada. Uma pessoa maquilha-se. Uma pessoa até põe uns pózinhos na cara para parecer mais rosadinha e com um ar bem saudável. Uma pessoa veste uma camisa com um decote bonito para o colo ficar apresentável.  Uma pessoa treina o seu melhor sorriso sem mostrar os dentes ao espelho. Uma pessoa sai de casa confiante. 

Uma pessoa  chega e tira uma senha. Uma pessoa percebe que tem 30 pessoas à espera de serem atendidas antes de si. Uma pessoa senta-se. Uma pessoa levanta-se. Uma pessoa vai beber um café e esborrata o batom que tinha posto de manhã. Uma pessoa compra uma revista. Uma pessoa coça a cabeça (e despenteia os cabelos) enquanto lê as fofocas. Uma pessoa começa a marcar pastilha elástica para se entreter. Uma pessoa mete conversa com a pessoa do lado. Uma pessoa começa a ficar cansada. Uma pessoa recosta-se à cadeira desconfortável. Uma pessoa esfrega os olhos e bezunta a fronha toda de rímel. Uma pessoa encosta o braço ao apoio da cadeira, leva a mão à bochecha outrora pintada com os pózinhos saudáveis para segurar a cabeça. Uma pessoa tem vontade de fazer xixi mas não há wc no serviço. Uma pessoa está desesperada, descabelada, desmaquilhada, desmiolada e destrambelhada quando, finalmente, é chamada. 

Uma pessoa está tão exaurida que o único consolo é que descobriu, finalmente, um dos segredos mais guardados da Humanidade. 




[*Está assim desvendado porque é impossível alguém ficar decente nas fotografias do cartão de cidadão.]

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Foi um hygge que se nos deu!

      Resultado de imagem para hygge decor funny





Com a mudança de casa tentámos decidimo-nos a destralhar.

Muito convicta- depois de mil contas do instagram visitadas e revisitadas, depois de imagens e imagens do pinterest percorridas, de me deliciar com o ar relaxado, zen e pacífico das bloggers/instagrammers/pinteresters e senhoras com ar de quem não dá um pum com canecas de chá nas mãos e mantas brancas/cinza/bege de lãs XL de ovelhas felizes da Escócia profunda em cima dos joelhos, a viver em casas brancas, com móveis brancos, sofás brancos, tudo alinhado, tudo arrumado, filhos imaculados, quartos das crianças sem brinquedos que parecem capas de revista de decoração, cozinhas de bancadas livres, paredes sem furos nem quadros (a tendência é poucos quadros e todos em cima de móveis baixinhos e encostados às paredes) e casas de banho com sabonetes naturais e orgânicos sem corantes nem conservantes fabricados em casa por mulheres no seu décimo primeiro dia de ovulação em noites de lua cheia- eu queria uma casa hygge.

Eu queria uma casa hygge, minimalista, sem ruído visual/sonoro/auditivo/sensorial, imaculada e zen para ficar com aquele semblante feliz e pacífico das senhoras dos blogs/ instagram/pinterest com ar de quem não dá um pum.

A casa nova era o melhor pretexto para destralhar. Comecei por partilhar com mámen a ideia e de lhe mostrar alguns exemplos de ambientes que gostaria de reproduzir.

Começou logo a complicar: "mas essa gente não vê televisão? Onde é que eles enfiam a televisão? Num armário fechado?". Revirei os olhos e expliquei-lhe que poderíamos viver sem televisão e tal, que até era bom e ele lembrou-me as vezes em que precisamos de limpar a casa/trabalhar em silêncio/estar concentrados a fazer uma tarefa e que somos salvos pelo Disney Channel a hipnotizar entreter a miúda. Ok, concedo na televisão. "Mas olha lá: e os livros? Essa gente com cara de quem não come para não fazer migalhas não lê? Onde é que eles enfiam os livros?" Pronto, estragou tudo que se há coisa que eu levo a  sério são os meus ricos livrinhos e sim, tínhamos que comprar estantes q.b. que livros são mais de mil. "E se forrássemos os livros todos de brancos para ficar visualmente clean?"- atrevi-me, num delírio. Lançou-me um olhar gélido e disse-me que poderia deixar essa tarefa para a reforma, pois que era um excelente passatempo para esperar a morte.

A ver as casas de banho dos ambientes por mim seleccionados no pinterest dei por ele a rir às gargalhadas: "Tu estás a gozar comigo? Esta gente não tem papel higiénico à vista! Não têm caixote do lixo para meter papel nem piaçabas? Ou não limpam os rabos ou têm problemas de canalização e lá se vai o hygge deles cá com uma pinta..." Respirei fundo., Respirei muito fundo.

Fomos ao quarto da Ana e começámos a olhar com o filtro do hygge para aquilo. O hygge reforça a ideia de desapego e minimalismo e o quarto da Ana é um souk de Pinipons, Barbies, Nenucos e Legos. Um atentando a qualquer hygge que se preze, portanto. "Bem, poderíamos reduzir o número do brinquedos, não achas?" "Sim, sim. Tiras a TV da sala, gamas-lhe brinquedos e depois é melhor tapares as tomadas de casa e preparares-te para uma dolorosa e hygge conta de pedopsiquiatra, boa ideia, sim senhora". Estúpido, a boicotar o meu hygge!

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que se queixam do frio e as pessoas que se queixam das pessoas que se queixam do frio.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Há algoritmos inteligentes. E depois há os meus...


[Vide post anterior.]

De noite todos os gatos são pardos. E de dia também, granda porra!

cat crazy wow kitten spinning


Disclaimer número 1- não sou uma animal lover. Não sou, pronto, já disse. Não que seja uma animal hater, credo, que horror! Mas não sou aquele tipo de pessoa que se derrete com bichinhos, que pára na rua para fazer festinhas a gatos vadios nem que têm um impulso imediato para resgatar todos os cães abandonados com que se cruza. Também gosto demasiado de chicha para um dia ponderar vir a ser vegetariana e nem me passa pela cabeça deixar de comer carne (Aliás, de cada vez que penso na alcatra dos Açores salivo. Pavlov explicará.) Em minha defesa, também vos afianço que não consigo fazer mal nem a um insecto. E se vir um animal em apuros sou incapaz de não o socorrer, que não sendo uma animal lover, sou sensível. E desde que pari que deixei de comer leitão à conta disto

Disclaimer número 2- Depois da minha cadela Laica ter morrido fiquei com dificuldade em afeiçoar-me a animais de estimação (a Psicologia também explicará.) E só cedi aos gatos porque a minha filha adoooora bichos e sei as vantagens de crianças e animais coabitarem.




Tenho azar com os bichos. Com gatos, mais propriamente. O Freud de Mámen morreu de velhice e deixou-o num pranto. A seguir tivemos a Tuvy que morreu de uma doença manhosa e eu jurei que nunca mais queria gatos.
A Mimi foi a minha primeira excepção. Maria Emília era uma gata distinta que o pessoal da empresa resgatou da rua e me empandeirou. Eu disse que não, que não era uma "animal lover" mas ninguém me ligou. Um dia, mámen e Ana foram buscar-me ao trabalho e a Ana apaixonou-se pela gata. Trouxemo-la para casa. Mimi tinha problemas: atirava-se contra os vidros das janelas, miava muito, esgravatava a porta e todas as janelas da casa. Queria, desesperadamente, sair. Ora eu não percebia aquela fixação da ingrata: tinha cama, comida (da húmida!) e roupa lavada lá em casa. A Ana adorava-a de paixão. Nas férias levavamo-la connosco e acompanhava-nos para todo o lado para onde íamos. Mas o que a gata mais queria na vida era bazar. A veterinária disse-nos que parecia que ela tinha uma psicopatologia qualquer (claro, com tantas gatas no Mundo a gata maluca tinha que me calhar a mim!) e aconselhou-nos a colocá-la num quintal com outros animais. Foi assim que tivemos que a colocar na casa de uma pessoa da família, onde vive feliz desde então e não nos liga peva quando estamos lá de visita. A Ana continua a ficar desgostosa com tanta ingratidão. E eu voltei à minha conviccão: acabaram-se os animais cá em casa.
Mas depois abandonaram o gato à minha porta. Literalmente. E a senhora da loja de animais estava a passar na rua nesse preciso momento e "Óóoo, fica lá com ele! Eu amadrinho-a! É tão bom para a Ana e mimimimi". Ficámos. Baptizámo-lo de Papo-Seco (baptizou a Ana, honra lhe seja feita).
Papo-Seco era um lord na minha casa. O gato mais lord que possam imaginar.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Uma quadripolarização especial



Esta é a minha melhor amiga.
Quando percebi que ela estava apaixonada por um muçulmano torci o nariz, desconfiei muito, e só não agoirei porque gosto tanto dela que não podia torcer para que desse errado uma coisa que ela queria tanto que desse tanto certo.
Não acolhi o novo membro do clã como ele merecia. Deixei o meu preconceito, os meus estereótipos, o meu etnocentrismo dominar-me durante muito tempo, mais do que o razoável, demais o suficiente para me envergonhar.
Foi um processo moroso o de dar hipótese à pessoa em detrimento da sua religião, dos seus costumes, dos seus hábitos.
Hoje gosto muito dele. Mais do que alguma vez imaginava. Senti-o verdadeiramente quando, passados muitos anos, no último Verão nos abraçámos na maternidade. Ela não viu o abraço. Mas foi um abraço muito bonito e sincero, muito sentido.
Partilhei com ele um dos dias mais bonitos das suas vidas. Talvez o mais bonito de todos. Estava lá, não só testemunha de uma sobrinha especial, como a participar naquela bênção.
A minha sobrinha é filha de uma judia e de um muçulmano como se fosse um prenúncio do entendimento israelo-árabe, mais do que tolerância: de celebração da diversidade.
Esta quadripolarização do Líbano aconchega-me mais do que todas as outras. É a quadripolarização de uma amizade sem fronteiras. Que derruba todos os preconceitos, estereótipos, intolerância e sentimentos que, hoje, muito me envergonham.
À sua maneira, é uma quadripolarização de amor.


 [Líbano quadripolarizado. Todos os países quadripolarizados aqui]

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Eu avisei que em 2017 ia rebentar com o rácio de quadripolarizações por mês


"Quadripolarizámos o Japão!
Achei que o castelo Himeji, o "cisne branco", ficava bem na tua colecção. "

Beijo enorme com uma pontinha de inveja, querida Luisa.
Mil obrigadas com sabor a sushi!

 [Todos os países quadripolarizados aqui]

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Pai Natal kinky

O primo lá de casa prontificou-se.
Fizemos o plano: ele ausentar-se-ia, discretamente, por altura das sobremesas. O fato de Pai Natal estava no meu quarto para onde ele se escapuliria. Saia pela janela do meu quarto e aparecia a passear pelo quintal, fazendo algum ruído, até que a Ana o vislumbrasse e começasse a euforia.
Dir-lhe-ia um adeus, corria até à janela do quarto da Ana onde dava cabo do leite do copo e mordiscava a bolacha e roubava a cenoura e deixava lá toooodas os presentes que nós, convenientemente, levaríamos para a sala, onde a pequena os abriria.
Correu tudo como planeado, foi o êxtase e correu tudo perfeitamente.

Ontem ao jantarmos, nós os dois sozinhos e a fazermos o debriefing das festas:

Eu: "Epá, o Hugo foi brilhante!"

Mámen: "Por acaso, foi. Foi perfeito. Até do sino ele não se esqueceu..."

Eu: "Ele trazia sino? Eu estive a tirar o fato e as botas de Pai Natal do saco dele e não vi sino nenhum..."

Mámen: "Trazia, pois. Foi com o sino que a Ana deu sinal da presença dele..."

Eu: "Estranho... Onde é que ele desencantou o sino?"

(Mando um sms ao primo a perguntar onde é que o tipo foi desencantar o sino"

Resposta: "Ah, estava um no teu quarto..."


...

...

...



segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

O Mundo divide-se entre...

... quem passa TODAS as refeições dos primeiros dias do ano novo a morfar os restos das Festas e os outros.


E a estrear o ano quadripolar


... Israel finalmente quadripolarizado pela querida Andreia!

<3


 [Todos os países quadripolarizados aqui]

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Loucas são as noites que passo sem dormir

Duas noites seguidas. Duas insónias.
Um pensamento recorrente: que será feito da Pomba Gira?



(Freud explicará?)

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Finalmente o Mundo tridivide-se entre...

... Hillary Clinton, Donald Trump e... Pedro Dias.

O Mundo divide-se entre...

... a possível vitória de Hillary Clinton nas eleições de hoje e a possibilidade do Mundo deixar de se dividir no quer que seja.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

domingo, 30 de outubro de 2016

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Bronquite: definição

Bronquite-  nome feminino inflamação e/ou infeção da membrana mucosa da árvore brônquica

(quadripolarês)-  brônquios copulados, sensação de cuspir os pulmões, tosse de cão cheia de gosma, sintoma de quem se está quase a finar.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Quadripolarização durante despedida de solteira? Done!


"Olá Pólo,
Finalmente segue a quadripolarização de Maastricht, na Holanda.
Tirei a foto na minha despedida de solteira, daí aquele belo ovo a adornar a paisagem, com que tive de andar todo o dia!
Coloquei "we ❤ pólo norte!" Porque efectivamente é assim, eu e 4 amigas, tudo emigrado na Holanda, somos tuas leitoras assíduas! (Ana M.,  Ana R., Liliana, Magda e Joana).
Espero que gostes! 
Bjinhos

Ana M"


Adorei, querida Ana! Que cuides dos tempos de casada que aí vêm como cuidaste desse ovo: com cuidado e zelo.

Beijinhos enormes para ti e para a outra Ana (vivam as Anas), a minha xará Lilas, a Magda e a Joana


 [Todos os países quadripolarizados aqui]

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Só por causa das tosses...

Lombok(Indonésia)-Kuta, Selong Balanak Beach

Lombok(Indonésia) -Sengigi Beach

Os amigos das outras pessoas trazem-lhes ímans, canecas e t-shirts deprimentes como recuerdos das férias.
As minhas quadripolarizam-me os sítios como se espetassem uma bandeira de amizade quadripolar pelos sítios por onde passam.

Obrigada, querida Marta.


 [Todos os países quadripolarizados aqui]

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

O Mundo divide-se entre...

... quem está de férias em Agosto e os outros.

E assim começa Setembro...


E Singapura- pelas mãos da querida Marta na infinity pool do Marina Bay Sands- está quadripolarizada!

Obrigada, Martinha!


[Todos os países quadripolarizados aqui]

sábado, 13 de agosto de 2016

quarta-feira, 15 de junho de 2016

O Mundo divide-se...

... entre as pessoas que preferem areia e as que preferem as rochas.



[Mámen: esta é para ti!]

Gabão? Eh lá!






"Olá Polo Norte. 
 Tarda mas não falha. 
 Podes juntar o Gabão à lista. 
 E resume-se a isto: plataformas, petróleo, calor, água quentinha, pé na areia e muita praia. Bisous.

Andreia Silva"

Conheça todos os países já quadripolarizados aqui.

terça-feira, 14 de junho de 2016

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Georgia on my Mind




"Querida Pólo,
Sou leitora quase diária do blog e adoro a cruzada quadripolar!
Este ano contribuí com a Geórgia e a Arménia!!! Espero que seja a primeira!
A primeira foto é do lago Sevan, na Arménia (destaque para as montanhas com neve lá atrás!) e a segunda é uma vista da capital da Geórgia, Tbilisi. Viajei um pouco por estes países, de norte a sul.
A viagem foi óptima e recomendo, as montanhas do Cáucaso são lindas mesmo!

Um grande beijinho,
Matilde"


Obrigada, querida Matilde! Graças ao teu duplo contributo, na Europa só nos restam, agora, 17 países por quadripolarizar! Yey!

  • Conheça todos os países já quadripolarizados aqui.
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