sábado, 14 de novembro de 2020

First things first

"Depois o X. fez pirraça a todos e disse que a tia dele é youtuber e eu, ohhh, quero lá saber, deves ter a mania e olha a minha mãe tem uma amiga que é apicultora. Toooma!"

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

domingo, 8 de novembro de 2020

Sou mãe: posso

 Perguntaram-me quando estou a pensar dizer à Ana que o pai Natal não existe, visto que tem 8 anos e se calhar já é too much.

Respondi que antes de descalçar essa bota tenho que lhe desvendar que o signo dela não é unicórnio.

É leão.

Do belo


Marta C. Gonzalez foi a primeira bailarina do Ballet de Nova York nos anos 60. Hoje, com Alzheimer, dão-lhe a ouvir o Lago dos Cisnes. Esta foi a reacção.
(via Zita Neto)

sábado, 7 de novembro de 2020

Fácil assim

 Estão dez pessoas à mesa e junta-se um fascista.

Ninguém se levanta.

Estão onze fascistas à mesa.

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Os amigos da minha filha são melhores que os dos vossos

"Mãe, nem te contei sobre o disfarce mais assustador de sexta-feira"

"Ahhh, conta, conta, Ana!"

"Foi o do A. Foi sem máscara e disse que estava mascarado de menino assintomático de covid-19 e que nos ia contagiar a todos..."




GANHOU!

Provocaçãozinha básica para leitores séniores deste blog

 A sorte que é morar neste concelho. Vai que me tinha calhado, sei lá, por exemplo: a Bobadela?! #cascaisrula #aoestedabobadela #cadabobadelaumaminhoca

domingo, 1 de novembro de 2020

8 anos

 



Porque é que não há comida azul? Porque é que os chás e o atum vêm em latas e as salsichas e o grão em frascos? Os búzios namoram com as conchas? Porque é que os famosos querem ser famosos se depois não gostam que os reconheçam e falem com eles? Porque é que os homens baixos não usam sapatos de salto alto? Os nervais têm poderes mágicos debaixo de água? Porque é que há queijo de vaca, cabra, ovelha e não há de porco? Porque é que o Japão que é uma ilha inventou o sushi para conservar o peixe e os Açores inventaram pacotes de leite e queijo? Porque é que há quem ache que o mundo não é redondo e embirram é com as crianças que acreditam em fadas? Se me dizem que as fadas não existem porque nunca as viram porque é que acreditam em Deus se também nunca o viram? Há países onde não há quatro estações do ano: como será a quinta estação do ano? Primaveral ou outoverno? Porque é que não há uma dança típica portuguesa para um casal dançar como o tango na Argentina e o flamenco em Espanha? Se há bonsais, não deveria também haver animaisais? Porque é que põem actores sem deficiência numa cadeira de rodas a fingir que têm deficiência se isso é tão estupido como pintar um actor branco para fingir que ele é castanho? Porque há um dia da igualdade se toda a gente sabe que devíamos era ter um dia da diferença? O papa é o CEO da igreja? Porque é que não há flores com as pétalas verdes? Porque é que há países onde o cabelo das mulheres tem que ser tapado por causa dos olhos dos homens: não deviam eram tapar os olhos deles? Porque é que se nasce a chorar em vez de a rir? Não devíamos aprender língua gestual na escola? Porque é que os cozinheiros mal criados é que têm programas na televisão em vez de serem os simpáticos e gentis? As fadas, os unicórnios e o Pai Natal vivem todos no mesmo Bairro? Como é que os meninos cegos constroem puzzles e fazem legos? Se os filhos nascem da barriga das mães, as mães quando têm que morrer não deviam murchar na barriga dos filhos?

Ana: há oito anos a abanar o meu Mundo.

sábado, 31 de outubro de 2020

Covidias

 A semana foi lenta e pesada.

O covid é um incêndio de proporções infindáveis: tu sabes que ele existe, ficas em estado de alerta, ligas as notícias e ouves números e vês como ele avança e quão mais perto está de ti, dos teus, pensas que podes regar o teu quintal, molhares as mãos de álcool gel como quem molha telhados e árvores, tapar a boca e o nariz com máscaras como quem atira cobertores para cima de pequenos focos de incêndio, para abafar o fogo, para acabar com o oxigénio que alimenta as labaredas.
Tu podes fazer tudo isto na tua casa como na tua vida até ao dia em que percebes que não controlas o vento e que uma pequena fogalha voou e incendiou um canto do teu quintal e tu não tens culpa nenhuma, tu usaste os cobertores, tu regaste o telhado e arde, arde o teu quintal, o teu telhado, as tuas paredes, talvez ardas tu porque não controlas o vento e o incêndio chegou.
Esta semana o incêndio aproximou-se do meu trabalho, andámos as duas, esbaforidas, a entregar cobertores, a encher jerricans, a distribuir regadores e mangueiras para onde outrora havia todas as condições para nascerem flores, agora só desejamos que ali o fogo não pegue. Porque se pegar talvez a combustão seja mais rápida, talvez as cinzas sejam inevitáveis.
Trabalhar assim é um acto, sobretudo, de fé, porque há os outros lá fora e o vento sopra contra todo o nosso cuidado, trabalho e vontade.
“Precisamos de oxigénio”- disse-me a Ana, pela manhã. E viemos beber um café aqui à serra porque temos que viver neste equilíbrio difícil entre temer o oxigénio que alimenta o fogo e desejar o mesmo oxigénio que nos permite respirar.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

De vez em quando, quando preciso mesmo, volto aqui

O Mundo divide-se...

... entre as pessoas que, em criança, fizeram visitas de estudo à Central de Cervejas e os outros.

Abençoada infância nos anos 80 na capital do Império


Ele: Qual a visita de estudo mais inesquecível que tiveste na primária?
Eu: Fomos à central de cervejas.
Ele (nascido e criado numa pequena ilha dos Açores): Oh, estás a gozar...
Eu: Nope


Ele (incrédulo e esperançoso em simultâneo): mas davam-vos minis de amostras de merchandising?!
...

Regresso às aulas da Ana: uma análise histórico-estatística

 


Fazendo uma análise regressiva onde se pode verificar que no primeiro ano me enganei na data (era 2018, btw), no segundo fiz tudo certinho, agora no terceiro não reparei que ela só levava uma meia, estou em crer que, tendo em conta a análise das probabilidades, para o ano volto a acertar. 

Menos mal, que é o último ano da primária e dava-me jeito acabar em bem. 

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

O INCRÍVEL SENTIDO DE HUMOR DA MINHA FILHA - IV acto

A Ana deita-se ao meu lado, enquanto lhe faço cafuné. Falamos do dia, eça conta-me sobre a nova professora, que adorou a professora de inglês, que andou a brincar com os amigos no intervalo, as regras novas da escola, o amigo que demora sempre muito tempo a acabar de almoçar e do tempo que todos têm que esperar por ele, rimos, e pomos toda a conversa em dia. 
 Remato, eu, fofa que sou: "Então, de 1 a 10, quando darias ao teu dia?" 

Ela: "9" 

Eu, curiosa: " Nooove? O que faltou para dares dez?" 

Ela: "Xarope de ácer. Faltou xarope de ácer, que o que mandaste no frasquinho não chegou à última panqueca..." 


[Desisto]

Eu, sempre que alguém me diz que o facto dos miúdos usarem máscara é causador de traumas de infância...

 


First things first

Eu: "Então como correu o dia?"

 Ela: "Foi mesmo bom!" 

Eu: "Qual foi a tua parte preferida?"

 Ela: "A parte em que comi as panquecas que me mandaste para o lanche..."

O INCRÍVEL SENTIDO DE HUMOR DA MINHA FILHA - III acto


Eu: Repete lá os procedimentos sobre idas à casa de banho na escola, para ver se percebeste tudo, Ana?

Ela (enfadada): "Não toco na maçaneta da porta com as mãos, borrifo alcóol gel para o tampo, limpo o tampo com papel higiénico sem lhe tocar, atiro o papel higienico para dentro da sanita, vou buscar papel higiénico para puxar o autoclismo e atiro esse papel higiénico para a sanita outra vez, faço xixi sem tentar tocar no tampo da sanita, limpo-me, volto a puxar o autoclismo com papel higiénico para não tocar no botão da descarga, lavo as mãos e desinfecto-as com alcool gel e saio da casa de banho sem tocar na maçaneta da porta."

Eu: "Percebeste que deves tentar tocar no mínimo de coisas, certo?"

Ela: "Posso só fazer xixi de pé como os rapazes e no fim limpar a nojeira toda que ficar com papel higiénico e álcóol gel?"

O INCRÍVEL SENTIDO DE HUMOR DA MINHA FILHA - II acto


Eu: "Vá, filha: ano lectivo molhado, ano lectivo abençoado!"
Ela: "Tens noção de que "covidado" também rima, mãe?"
...

O INCRÍVEL SENTIDO DE HUMOR DA MINHA FILHA - I acto


Vamos a correr para o carro com a mochila a abarrotar e ainda um saco de pano todo eco-cenas cheio de material extra de artes, mais papel de lustro e uma cartolina, que também estava na lista.
Chove a potes.
Vamos todas desengonçadas, carregadíssimas, entramos no carro, ela olha para o saco de pano e constata, olhando para a cartolina toda molhada, num estado miserável:
- "Já viste, mãe? O terceiro ano é mesmo fixe! Ainda nem cheguei à escola e já aprendi a matéria de como fazer pasta de papel, han?"

terça-feira, 15 de setembro de 2020

O Mundo divide-se...

O Mundo divide-se entre os pais que forram os livros, mamam com as bolhas de ar, furam com agulhas, dizem palavrões e fica uma porcaria por demais e os outros.




 [Também há os que compram aquelas capinhas mas toda a gente sabe que isso não é parentalidade sofrida e com sacrifício, pré-requisitos essenciais nisto de se ser pai...]

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Conversões

 Em idade dos cães um ano humano corresponde a sete caninos. 

Em idade de infância de 2020 oito anos de uma miúda correspondem a quantos de anos de adolescência de 1990?


É que acho que a miúda traz defeito de fabrico. 

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Eventualmente tudo passa.

Todos os clubes de futebol têm os seus flops que nos causam muita vergonha alheia


O Benfica teve o Vale e Azevedo

O Sporting teve o Bruno de Carvalho

O Grupo União Desportiva e Recreativa do Chega tem o aVentesma. 



Ufa?

"Mãe, qual é o teu sonho mais selvagem?"
[Dez segundos de olhos arregalados a processar a expressão "sonho mais selvagem"]
"O meu é que a estátua da Liberdade está viva numa selva, tem um livro de feitiços numa mão e atira labaredas daquela coisa que tem na mão como se fosse um laser tag"

...

...

...

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

A mámen, por ocasião do nosso 14º aniversário de casamento, esperando continuar a nunca ter que lhe pedir




"No te voy a pedir que me des un beso. Ni que me pidas perdón cuando creo que lo has hecho mal o que te has equivocado. Tampoco voy a pedirte que me abraces cuando más lo necesito, o que me invites a cenar el día de nuestro aniversario. 

 No te voy a pedir que nos vayamos a recorrer el mundo, a vivir nuevas experiencias, y mucho menos te voy a pedir que me des la mano cuando estemos en mitad de esa ciudad.

 No te voy a pedir que me digas lo guapa que voy, aunque sea mentira, ni que me escribas nada bonito. Tampoco te voy a pedir que me llames para contarme qué tal fue en el día, ni que me digas que me echas de menos. 

 No te voy a pedir que me des las gracias por todo lo que hago por ti, ni que te preocupes por mi cuando mis ánimos están por los suelos, y por supuesto, no te pediré que me apoyes en mis decisiones. Tampoco te voy a pedir que me escuches cuando tengo mil historias que contarte. 

No te voy a pedir que hagas nada, ni siquiera que te quedes a mi lado para siempre. 

 Porque si tengo que pedírtelo, ya no lo quiero. "

Frida Khalo

 Frida Kahlo

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Aos 8 anos e 24 dias tornei-me na mãe que sempre temi vir a ser

 "E que tal perguntares isso ao teu pai, fofinha?"



Adult goals: eu Vs minha filha

 A Ana repara que a tia usa sempre saltos altos e pergunta-me porque não os uso. Explico-lhe que prefiro calçado confortável mas que quando era pequena queria muito ser crescida para poder usar saltos altos.

Responde-me de rajada:

"Tu querias crescer para usar saltos altos, mãe? Que falta de imaginação! Eu quero crescer para poder beber café. E vinho. Café e vinho. Ah, e tinto de verano!"


...



Estou a criar uma potencial viciada. 

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Let's talk about sex, baby # acto III

Aproveito para lhe explicar que por causa das questões relacionadas com o sexo e a reprodução é que os órgãos genitais das meninas e dos meninos são considerados “zonas íntimas”, aquelas que ela não deve deixar ninguém tocar e tal. 

 Fica ali um minuto em silêncio, a remoer:

 “Pára tudo: então se o rabo não entra nada nisso de se fazer bebés é uma zona íntima porquê? “ 


Omfg.

Let's talk about sex, baby # acto II

Explico-lhe a cena do “encostanço” a.k.a. cópula e olha-me com um ar muito distinto: 

 “Tens noção que os adultos são muito nojentos?” ...

Let's talk about sex, baby # acto I

"Mãe, já percebi bem aquilo do óvulo e do espermatozóide se juntarem para formar um bebé mas explica-me lá melhor aquela parte do encostanço..." 

Here we go

1 de Setembro de 2020

sábado, 29 de agosto de 2020

Pandemia files

 

"A vida só é possível reinventada"- Cecília Meireles


Adoptei uma gata. E dois guppies que agora são uns três mil. Aprendi que é possível o tele-trabalho. E por isso a trabalhar no zoom e no teams. Aderi à netflix e abençoada a hora. Deixei de fazer dieta porque só consigo passar uma provação de cada vez. Li muitos livros. Aprendi a fazer um tear e fi-lo. Desliguei-me do telemóvel e desgostei do Facebook. Ouvi mais música e descobri mais cantores. Aprendi a fazer pão. Não deixei de comprar flores porque a beleza também alimenta. Lavei mais vezes as mãos em meses do que no resto da minha vida. Ensinei uma data de coisas à Ana. Arrumei a arrecadação. Fiz sestas. Comprei tecidos para a minha tia me costurar almofadas novas. E comprei loiça nova. Passei a andar sempre descalça em casa. Deixei crescer o cabelo e passei a seca-lo ao ar. Aprendi a fazer doce de ovos e bolo de noz. Vivi várias situações de ansiedade e nenhuma provocada pela pandemia. Não fiz nem uma única compra online. Poupei dinheiro até, que depois me serviria para as férias. Escrevi mais e melhor e não mostrei a ninguém. Concorri a um concurso de escrita que sei que não vou ganhar mas já ganhei só porque dei o passo de o tornar público. Precisei de desligar as notícias e reduzir o ruído de informação. Precisei de me afastar de muitas pessoas para me concentrar nos verdadeiramente meus. Comprei um termómetro. Deixei de ter certezas sobre a incerteza e reafirmei a minha convicção de que cada um faz o melhor que sabe com os recursos que tem. Adoptei um bonsai e ainda não o matei. Bebi menos café. Mantive vivos um vaso de amores perfeitos e um manjerico. Plantei uma horta cá em casa. Dormi mais. Pensei pouco nas desgraças. Redecorei os quartos. Senti saudades do mercado de fruta e flores. Mudei muito. Deixei de me sentir uma traidora comigo mesma ao assumir que mudei. 


Não sobrevivi apenas. Consegui a proeza de poder dizer que vivi.

É um avião?

É um unicórnio morto e esculachado? É um arco-íris com problemas hormonais? É uma farfalota pimpinela que nunca se depilou depois de ter corrido naquelas corridas que atiram tintas para o trombil dos participantes?


Não: é a mochila da minha filha.


Ponho água fresca numa jarra


Antigamente odiava todas as rotinas: eram chatas, aborrecidas, previsíveis e enfadonhas. Eu sou feita do imprevisível, do flexível, do não planeado, da surpresa da vida, do improviso. 

 Depois, tal como uma criança que vê um infindável número de vezes o mesmo filme de desenhos animados, comecei, devagarinho,a apreciar saber o que vai acontecer. Gosto de saber que regra geral encontro pessoas civilizadas que usam máscara e não põem em risco a saúde pública, de comprar legumes sempre numa banca e fruta noutras duas, de visitar as peixeiras que acham que eu tenho sempre cara de quem compra sardinhas (e, na verdade, eu prefiro carapaus), que o senhor dos ovos dê sempre um ovo à Ana e o das flores a tente corromper com uma geribera para mudar de clube de futebol, de beber um café da Luísa e no inverno de comer pão com chouriço. 

Em psicologia chama-se “segurança do previsível” e eu gosto muito de chamar mercado a este mercado e saber que para a Ana é e será sempre o “mercado das flores”. 

 Há uma felicidade segura em viver aqui e uma previsibilidade encantadora em ter flores frescas em jarras espalhadas pela casa todos os fins de sábados de manhã.

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Mapa astral: recomeço em Pólo Norte com lua em Jorge Palma e sol em Sérgio Godinho




O desafio de crescer (envelhecer?) é a inevitabilidade de nos confrontarmos com o fim. 
Quando somos jovens é só começos: o início da escola, o início das férias, o início do desporto novo que se quer experimentar, a primeira vez que se sai para dançar com os amigos, o primeiro estado ébrio, o primeiro beijo, o primeiro amor e o primeiro desgosto de amor seguido de um segundo amor que sabe sempre a primeiro porque todos os novos amores são primeiros. 

À medida que crescemos ficamos com menos perspectiva de novos começos porque há muitas continuidades e isso pode ser incrivelmente seguro, contentor e bom mas não é o espanto da descoberta, da sensação da primeira vez. 

À medida que crescemos há mais fins e menos inícios. Cada vez mais. De fases, de relações de amizade ou de amor, de projectos profissionais, de crenças, de certezas, de vidas. E muitos destes fins sem continuidade, apenas com o deserto do vazio ali à espreita. Morrem-nos sonhos, morrem-nos desejos, morrem-nos pessoas. 

O principal desafio de crescer é tentarmos encontrar continuamente inícios. Por isso estes não são dias de fim de Verão, são dias de início que eu ainda estou para descobrir de quê. Mas são de início porque eu estou a crescer, sinto-o nos ossos e na alma. Crescer e não envelhecer. 

Procuro o início.

Procuramos.

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

E às tantas renovamos votos numa capela montados numa vassoura e o padre é o Hagrid

Faço anos de casada para a semana. 

Estou de férias (aguentem e não enguicem!) e começo a ver sítios fixes: 

"Ah, podemos ir para Santa Cruz! Olha mas em Montargil também não se está mal... E se formos doidos e arrancamos para o Gerês? Fixe, fixe, já viste as promoções das viagens para a Madeira? Porto Santo também fica logo ali ao lado. "


 Não tarda muito estamos em Hogwarts.

terça-feira, 25 de agosto de 2020

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

O meu nome é Pólo Norte ...

... e combinei picnicar ao almoço com a madrinha da minha filha uma coisa simples porque só tinha panados e ela rissois à mão mas depois podíamos ir tomar café e um pão com chouriço ali à praia das maçãs mas estava tanta gente que as Azenhas do mar são já ali e um café no spot novo é que era e se, já agora, fôssemos molhar ali os pés ao Magoito mas não arranjamos lugar para estacionar e assim como assim a Foz Do Lisandro é já ali e a água estava uma sopinha e por falar em sopinha bora jantar à Ericeira? 

 Digam olá à Pólo Norte.

sábado, 22 de agosto de 2020

Não sou médica. De nada.

Durante os últimos meses algumas pessoas têm-me perguntado qual a minha opinião sobre a covid e porque não escrevo sobre ela e a partilho. 

Aqui vai a síntese em 5 pontos: 

 1- a covid é um facto. Factos não são susceptíveis de opiniões.
 2- a haver pontos que possam levantar questões que carecem de opiniões, elas devem ser dadas por especialistas. De saúde, tendo em conta que a covid é uma doença. Neste caso médicos.
 3- não sou medica. 
 4- cinjo-me à minha insignificância e leio de fontes seguras: não de bloggers, opinion makers ou influencers. 
 5- já disse que não sou médica? 


De nada.

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Não me lixem: é desporto!

Vir à ikea num dia com mais gente do que o expectável a 45 minutos de fechar conta como caminhada, marcha ou corrida de obstáculos?

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

This could be the end of everything





 I walked across an empty land

I knew the pathway like the back of my hand

I felt the earth beneath my feet

Sat by the river, and it made me complete
Oh, simple thing, where have you gone?

I'm getting old, and I need something to rely on

So tell me when you're gonna let me in

I'm getting tired, and I need somewhere to begin
I came across a fallen tree

I felt the branches of it looking at me

Is this the place we used to love?

Is this the place that I've been dreaming of?
Oh, simple thing, where have you gone?

I'm getting old, and I need something to rely on

So tell me when you're gonna let me in

I'm getting tired, and I need somewhere to begin
And if you have a minute, why don't we go

Talk about it somewhere only we know?

This could be the end of everything

So why don't we go

Somewhere only we know?

Somewhere only we know
Oh, simple thing, where have you gone?

I'm getting old, and I need something to rely on

So tell me when you're gonna let me in

I'm getting tired, and I need somewhere to begin
And if you have a minute, why don't we go

Talk about it somewhere only we know?

This could be the end of everything

So why don't we go?

So why don't we go?
Ahh

Ohh
This could be the end of everything

So why don't we go

Somewhere only we know?

Somewhere only we know

Somewhere only we know

Como envolver o marido na decoração da casa? A Pólo Norte explica.

"Queres papel de parede de que cor?" 

 "Azul anil com relevo." 

"Azul anil? Não gosto nada..." 

"Sabes que o azul anil estimula a líbido e o papel de parede é para o nosso quarto?" 






Ali está ele, alegremente, a procurar papel de parede azul anil com relevo.

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Ontem à noite, a seguir ao jantar, para efeitos de digestão bebi chá de Gordon's

Sou só eu que quando fico alcoolizada fico com cócegas na parte de dentro do buço e dos lábios?

Agradecida.

Misérias da minha vida

Obrigarem-me a fazer a narração de powerpoints, sendo que eu sou uma pessoa com voz de garrafão mal lavado.

Tenho uma amiga

... que foi convidada para dar formação online no âmbito de uma prestigiada instituição. Penteou-se decentemente, pôs um baton e escolheu um fundo que não o da estante, para fugir aos clichés. 

Tinha tudo para dar certo não fosse a puta da caneta BIC ter rebentado um minuto depois da formação começar, ficar com a mão toda cagada de tinta, com o stress começar a limpar a mão à camisola, dar-lhe uma comichão da bochecha e coçar e dar alegremente todo o resto da formação com manchas de tinta em toda a tromba. 

Suspeito que não me a voltam a convidar.

terça-feira, 26 de maio de 2020

É para verem a fé que estes canastrões têm em mim

Eu: a pessoa que informa no facebook que descobriu uma app de troca de casas durante as férias e cujos amigos mandam links complementares via mp de mais apps de trocas de CASAIS durante as férias.


Tá bonito.

segunda-feira, 25 de maio de 2020

"Uma pessoa compreende o Mundo, pouco a pouco, e depois morre"




“Uma pessoa compreende o Mundo, pouco a pouco, e depois morre” - in “as velas ardem até ao fim”. 
 Nos últimos meses aprendi tanto, cresci tanto, aprendi tanto sobre mim e sobre o Mundo, abriram-se tantas luzes, desfizeram-se tantos nós. Tem sido um processo tranquilo e sereno ao contrário de todas as outras vezes em que cresci à força, puxada por episódios marcantes específicos: a separação dos meus pais, a morte dos meus avós, o nascimento de Ana, a morte do meu tio. 

 Desta vez é diferente, é de dentro que o crescimento vem, não é nada externo, consigo projectar-me,pensar mais fundo como quem inspira, sentir melhor. 

 Faço quarenta anos dentro de dois meses, o equador da vida e já não me sinto a envelhecer, como se fosse uma coisa pesada e fatídica, sinto-me só finalmente a crescer sem ser à bruta, à força, com estaladas da vida e abanões do destino. Crescer como cresce uma planta já depois de ter caule e folhas e flores, crescer para os lados, tornar-me mais robusta e forte, melhor. Uma pessoa compreende o Mundo, pouco a pouco. Pouco a pouco, é mesmo assim. Para compreender tudo bem. Tudo certo e melhor.

 E depois poder, enfim, morrer como quem (se) apaga (n)uma estrela.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

"Não estamos todos no mesmo barco, estamos todos na mesma tempestade"*




Sou psicóloga social. Já tinha estudado isto mas nunca pensei viver isto. Nasci seis anos depois do 25 de Abril, o tempo da liberdade poder entrar na escola primária, o tempo de amadurecimento necessário para adquirir aprendizagens estruturadas, consolidar conhecimentos, o tempo da liberdade amadurecer o suficiente para se poder alfabetizar. 

Nasci numa família polarizada, até regionalmente: do lado materno avós do Minho, avô analfabeto porque a escola era perda de tempo e tinha mais é que ajudar na venda da família e avó que frequentou um período da primeira classe, o suficiente para aprender a ler e depois foi servir para casa de uns senhores, vieram para Lisboa à procura de uma vida melhor e mal ou bem conseguiram-no, apesar do meu avô trabalhar toda a vida numa serração de pedra e a minha avó ser ama de crianças pequenas, que povoavam sempre a nossa casa; do lado paterno avós algarvios, de boas famílias, burgueses, a minha avô chegou a frequentar Direito em Coimbra, curso que abandonou para casar uma primeira vez com o pai dos meus tios, tendo-se apaixonado, mais tarde, pelo meu avô, por quem deixou tudo e vieram para Lisboa à aventura, o meu avô tinha um cargo alto na Lisnave e um comportamento baixo nas casas de fado e bordéus da capital, ao ponto de hoje as fotografias do casamento deles estarem todas recortadas pela minha avó e só constarem ela e o seu belo vestido para contarem a história. Consta que sambou sobre o seu túmulo. 

Nunca soube o que era pobreza extrema, racionamento de bens, censura nos jornais, escola para meninos e para meninas, cantar o hino de Portugal, ter aulas sob o olhar sordido de Salazar numa moldura e ter que me guardar e ser virgem até ao casamento, sob pena de desonra de toda a família.Quando eu nasci as crianças já tinham escolaridade obrigatória, o trabalho infantil estava criminalizado, as mulheres não tinham que se casar por vontade dos pais nem que suportar casamentos com pulhas, só porque sim.
Sou filha da União Europeia dos doze e depois dos quinze, até que lhes perdi a conta, da promessa de uma vida melhor, da Guerra do Golfo, de anos 90 de prosperidade, do "tens que tirar um curso para seres alguém", do 11 de Setembro, da legalização da interrupção voluntária da gravidez, das viagens baratas pelas Easyjets desta vida, dos homens reclamarem papéis igualitários de parentalidade, das mulheres ascenderem a lugares profissionais de poder e todas as possibilidade são reais para uma grande maioria das pessoas deste país. 

Herdei a liberdade e guardei-a como um dado adquirido, inquestionável e irreversível. 

De repento isto: estamos todos num Big Brother colectivo, confinados a quatro paredes, com relações a desgastarem-se, conflitos a emergirem e a gestão emocional à prova. Só não nos filmam e ainda bem, porque muitos de nós ainda não percebemos bem isto e continuamos a andar de pijama o dia todo, com carrapitos mal engembrados no cocuruto e a comer desenfreadamente, porque a fome emocional é uma realidade. É mesmo. 

Vejo, claramente, a adensarem-se duas facções: a dos optimistas do "estamos todos no mesmo barco" e a dos pessimistas do "isto está pior é para mim e não sei do que eles se queixam, cambada de privilegiados". Que também se traduz no "vamos ficar todos bem " versus o "vamos todos morrer". 

Boas notícias: isto há-de passar (e nessa perspectiva, sim, se o que vier a seguir implicar o extermínio do vírus sem que seja substituído por algo pior ou mais mortífero, tudo há-de ficar melhor genericamente), o que não quer dizer que fiquemos todos bem. Os que morreram ou vierem a morrer entretanto, não ficam bem merda nenhuma, nem as sua famílias, vamos lá deixar-nos de lalaland.

Más notícias: eventualmente, vamos todos morrer. Mesmo que não seja agora, mesmo que não seja disto. A mortalidade é um facto com o qual teremos todos que lidar. Pode é não ser já, já, o que até nos dava imenso jeito que temos uma data de coisas em atraso para pôr em dia, nomeadamente, viver para além de sobreviver. 

No entretanto vivemos uma situação ímpar e excepcional. Temos, pela primeira vez de forma colectiva na minha geração, noção da nossa vulnerabilidade, do pouco controlo que detemos sobre o Mundo e da nossa própria mortalidade. De que, afinal , não somos omnipotentes e que não basta desejar muito para que as coisas se concretizem, porque há o mundo lá fora, alheio à nossa vontade, a borrifar-se para ela. Estamos, pela primeira vez, a passar verdadeiras privações, nós os filhos da década de 80, das fronteiras abertas, da livre circulação de pessoas e mercadorias, da moeda única, da queda do muro de Berlim, das facilidades e do imediatismo. Tumbas: baixem lá a garimpa. 

E se tudo isto nos custa muito, a pior privação de todas é a perda gradual da nossa liberdade. E isso, meus amigos, é transversal para todos. 

Portanto não vamos comparar misérias como os velhotes nas salas de espera dos centros de saúde a dizerem que as suas doenças é que são mesmo, mesmo beras, as dos outros são só mariquices. A mim dói-me mais na pele uma unha encravada que o cancro de quem não conheço. É triste mas é verdade. Como é verdade que estamos todos na merda. 

"Ah, estamos todos no mesmo barco!" Não estamos. Quem está, neste momento, nos cuidados intensivos de um hospital. com a vida em risco e ligado a um ventilador não está no mesmo barco que eu, aqui na minha casa confortável a escrever um post, com uma chávena de chá ao lado. Quem está em lay off ou com uma situação profissional incerta não está, com certeza, na mesma situação que um funcionário público que continua a receber o seu salário por inteiro e com o conforto de saber que o seu posto de trabalho o espera. Quem está em tele-trabalho com filhos pequenos, a quem ainda tem que acompanhar na tele-escola, não está no mesmo barco que o tipo solteito, sem filhos. em tele-trabalho. 

E o inverso. 

Eu, aqui na minha casa confortável a escrever um post, com uma chávena de chá ao lado mas com a minha mãe e a minha tia, enquanto profissionais de saúde, a sairem todos os dias para irem trabalhar e privada do contacto com ela, a ver a minha filha triste que dá dó por não as poder abraçar não estou no mesmo barco que a minha amiga que até vive com os pais e que tem todo o agregado familiar controlado, exposto ao mínimo de riscos e numa unidade contentora. A funcionária pública que não tem que se preocupar com a perda do trabalho pode ser a senhora que é vítima de violência doméstica e que agora está confinada a quatro paredes na presença contínua do seu agressor ou a pessoa com deficiência que teme ver-se preterida na atribuição de ventiladores em caso de escassez de recursos, pelo facto de ter uma deficiência. E o tipo solteiro, sem filhos, em tele-trabalho pode estar a enfrentar todo este stress absolutamente sozinho, num processo angustiante de solidão e sem ter com quem partilhar as angústias e treinar estratégias de coping. 

Sabemos pouco, muito pouco da vida dos outros. Da vida exterior mas, especialmente, da interior. Dos seus termos de comparação, do que se estão a ver privados face ao que tinham como dado adquirido, das suas dinâmicas familiares, personalidades, dos seus dramas pessoais. Do seu quadro de referências e valores. 

Talvez eu não me devesse queixar. A minha avó materna andou descalça toda a infância, o meu avô paterno deu cabo dos ossos a trabalhar toda a vida com botas de cano alto e água; a minha avó paterna desistiu da faculdade porque teve que casar e o meu avô paterno viveu toda vida com o castigo de ser um pulha do pior. 

Mas que me consolam as desgraças deles? Porque dever-me-ia sentir reconhecida por ter acesso a sapatos, a uma profissão intelectual, à possibilidade de completar um curso? Essa não é a minha história. Esse não é o meu percurso. Ninguém sente falta do que nunca teve: sente-se sempre falta do que perdemos. E todos, de uma forma ou outra, estamos a perder coisas: saúde, tempo, emprego, afetos das famílias, controlo financeiro, controlo emocional, qualidade de vida, concentração, capacidade de multitasking, saúde mental, rotina, estrutura, organização, previsibilidade, companhia, segurança. Paciência. 

Não é tempo de juízos de valor. Nem de comparações. Nem de competições de quem leva o prémio do mais miserável. Seremos sempre privilegiados face a outros em determinados indicadores e circunstâncias. Seremos sempre desfavorecidos face a outros face a outros indicadores e circunstâncias. As dores são coisas muito íntimas e pessoais. 

Não precisamos de compreender, apenas de aceitar e empatizar. 

Não estamos todos no mesmo barco. Estamos todos em canoas frágeis e nunca aprendemos a navegar. Crescemos com GPS e ninguém nos ensinou a orientar-nos pelas estrelas ou sequer a ler bússulas. Estamos, sim, todos, todinhos debaixo da mesma tempestade. 

Concentremo-nos em remar. Com foco e resiliência, sem olhar para os barcos e os remos dos outros. 

Não vamos ficar todos bem e vai doer a muitos. 
Mas a tempestade há-de passar. 

[*Obrigada à minha amiga Paula que me deu o mote para este post]



quarta-feira, 8 de abril de 2020

terça-feira, 7 de abril de 2020

Entretanto, numa galáxia não muito distante chamada Açores

Foto: Raquel Gama do grupo de fb "Fãs do Tiaguim"


Como sobrevivem os açorianos, perdão, as açorianas à quarenta?

Barricam-se em casa?
Fazem receitas de massa sovada e bolo lêvedo e partilham fotografias nas redes sociais?
Empurram kimas de maracujá de penálti?
Vão fazer os seus passeios higiénicos para os pastos verdejantes mantendo as devidas distâncias sociais com as vaquinhas?
Fazem almoços de espírito santo via zoom?
Passeiam na marginal ao largo do perímetro das ilhas?


Não!

Juntam-se em torno de uma causa bem maior: o Tiaguim. 

Como? 


Perguntar-me-ão os incautos leitores continentais quem raios é o Tiaguim? Pois bem, o Tiaguim é o Director Regional de Saúde dos Açores e as açorianas estão loucas por ele, ao nível de o terem decretado healthy sex symbol.

E Dr. Tiago Lopes, doravante designado por Tiaguim (diminutivo micaelense de Tiago, a.k.a. Tiaguinho) serena os ânimos açorianos, entretendo as pequenas com directos a ler os relatórios do dia,gerando debates sobre quais as melhores gravatas, inspirando coberturas de arroz doce e mantendo todo um povo unido em grupos de visualização enquanto faz as melhores recomendações para os tempos de pandemia. 

Numa terra de sismos, vulcões, furacões, tempo instável e muito isolamento social forçado à custa de greves da SATA e do mau tempo no canal, as açorianas não precisem que lhes ensinem como lidar com merdas difíceis. 

Precisam é de festa: e não há festas como as dos Açores!

segunda-feira, 6 de abril de 2020

O mundo divide-se entre...

... quem organiza os livros na estante por tamanho dos livros e quem organiza por ordem alfabética de autores.

sábado, 28 de março de 2020

Nova estratégia de mámen: embebedar-me.

O mundo divide-se entre quem prefere vinhos do Douro e quem prefere vinhos alentejanos.

quarta-feira, 25 de março de 2020

Ora venham daí os vossos sinais de fumo, 'nha gente!

Como tornar ainda mais radical a experiência de isolamento social?

 Bloqueando o telemóvel e não saber onde se meteu o cartão do PUK.

terça-feira, 24 de março de 2020

Quem não tem cão, caça com unicórnio

Mamen não sabe onde meteu a embalagem e começa à procura de uma máscara para sair à rua. 

 Sugestão da Ana, muito séria e solicita : “se não encontrares podes usar a minha máscara de unicórnio..."


Relembro:




sexta-feira, 20 de março de 2020

quarta-feira, 11 de março de 2020

O Mundo divide-se...

... entre as pessoas que sabem o que significa quarentena e os estúpidos.

terça-feira, 3 de março de 2020

segunda-feira, 2 de março de 2020

Confessem lá sobre as saudades que vocês tinham de uma quadripolarização




"Oi!
Ouvi dizer que te faltava a Ucrânia, portanto aqui tens a praça central de Kiev! A panorama ficou um bocado tremida porque isto foi na manhã depois de descobrir o vodka ucraniano...

De bónus, tens Prypiat, do alto de um prédio de 16 andares (bem contados, que subi a pé), com o sarcófago de Chernobyl a ver-se ao fundo! Tive de pedir o papel ao guia e deixá-lo na zona de exclusão, não fosse estar contaminado. xD

Beijinhos quadripolares radioactivos

Ana C."


Querida Ana: finalmente o teu email publicado e a Ucrânia quadripolarizada. Yeahhh!

[Conheçam todos os países já quadripolarizados aqui.]

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

As minhas amigas dizem-me que é o Universo a pôr-me à prova. Mas o Universo está cheio de calorias, caraças!

A pessoa assume publicamente que está de dieta para ver se a pressão social a faz ter vergonha na cara.

Vai ao instagram e tem um pedido de amizade de quem?


terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Operação #milfnocomando

No ano em que vou celebrar os meus 40 anos (pqp) decidi embarcar na operação #milfnocomando e perder peso, que a miúda vai fazer oito anos e a desculpa do pós-parto já não pega...

A modos que, a par da dieta, tenho começado lentamente a fazer exercício (odeio! Tenho rabo de chumbo e mamas grandes que não se compadecem com corridas, sim, porque aquilo da Marisa Cruz a saltar à corda na boínha sem as mamas quase a vazarem-lhe os olhos era completamente fake e impraticável). 

Hoje, de manhã, fui para o Guincho de bicicleta e encontrei uma amiga e estive ali à conversa com ela, devidamente equipada. Chique que só eu.

Depois andei 1 quilómetro e duzentos metros e espatifei-me na areia do piso e fui meia hora a dizer vernáculos e a soprar as palmas das mãos, evidentemente a andar com a bicicleta pela mão, que me doía o ego.

Voltei a fazer 1 quilómetro e quatrocentos metros e uns ciclistas gajos buzinaram-me. Ainda pensei que estava com o rabo mais pequeno e que me estariam a mandar piropos mas não, tinha era o pneu de trás completamente vazio.

Voltei tudo a pé de bicicleta a tira-colo, de mãos esfareladas, pneu nas lonas e língua suja de tantas asneiras ditas.

Perdi tempo e dignidade.
Peso é que não. 

sábado, 1 de fevereiro de 2020

Panquecas com xarope de misérias

Ofereceram-me uma máquina própria, fiz a massa direitinha, sem me enganar numa só medida de farinha, açúcar e leite. À primeira porção de massa percebo que me esqueci de untar a superfície da máquina, a puta da massa enrola, cola-se tudo às bordas e desisto com a grande javardice da massa a parecer argamassa colada no raio de um metro de toda a bancada. 

Nas panquecas, como na vida

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Impulse

Quando um ex te adiciona no facebook e começa a pôr likes em todo o teu histórico de fotografias de perfil isso é impulse?

sábado, 11 de janeiro de 2020

Matrafona fora de época

Por motivos que não interessam para aqui, mámen ficou de fazer a minha mala para o fim-de-semana com a ajuda da Ana e depois irem ter comigo ao trabalho para seguirmos para a nossa escapadinha de fim-de-semana.

Tenho a dizer-vos que será um longo fim-de-semana vestida de matrafona de Torres Vedras com colares de macarrão pintados pela miúda e contas de plástico para ainda ser mais tcharam. E a dormir em pelota porque os pijamas ou as camisas de noite estão sobrevalorizados.

É possível que não haja fotografias...

(Eu mereço?)

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

A primeira quadripolarização do come back





"Olá Pólo Norte. 

Tirei esta foto em Maio, no Quirguistão, no dia em que dormi com uma família nómada, num yurt. Não cheguei a enviar porque o blogue estava sem actividade, mas agora que voltou (felicidade!), vamos dar continuidade a esta cruzada quadripolar! Continue desse lado, que nós, deste, lemos e agradecemos. 

 Beijinhos"

Obrigada, Matilde! Grande beijinho.

Conheça todos os países já quadripolarizados aqui.

sábado, 9 de novembro de 2019

Pólo Norte assiste a um evento numa importante sociedade de advogados: uma experiência em três actos

Prelúdio: a que cheira a Opus Dei?

Entro no imponente edifício e o ar cheira tão bem que desconfio que meteram ambientadores da Rituals nas condutas do ar condicionado. Mal comparando, é mais ou menos como os pobres metem naftalina nos urinóis da casa de banho dos homens: tresanda mas como aroma zara home meets opus dei.

Primeiro acto: o desconhecimento de que lá fora no Mundo nem todos os sobrenomes têm duplas consonantes e a pelintrice existe e é real

“Qual é o sobrenome para confirmar aqui a inscrição? “ 
Respondo: Sintra.
Resto da população procura o meu nome nos "S".
Estes senhores andaram aqui aos papéis a procurar no C. Estou a deixá-los à beira da loucura porque não me encontram e não assumem que podem haver pelintras entre a plateia.


Antes do intervalo: viva a meritocracia

Um rapaz imberbe que diz "imeeenso" três vezes por frase e falta-lhe o fôlego para discursar apresenta-se: “O meu nome é Cristóvão Sebastião Bernardo Casais de Furão e sou o Presidente da Fundação xpto...”

Reações não verbais da plateia: "Uau! Tão novo e já Presidente de uma coisa deste gabarito, vamos lá ouvir com atenção..."

Rapaz no seguimento do discurso: “... a Fundação foi criada pela Dra. Isabelinha Constança Carlota Casais de Furão”.

Reações não verbais da plateia: "Aaaaaaahhhh!"

Segundo acto: também podiam ser injeções nos olhos

No coffee break apontam-me para a mesa dos comes e bebes e perguntam-me o que quero. Não encontro em lado nenhum a opção "x-acto". 

Terceiro acto: tanto arquivo morto em atraso lá no trabalho e eu aqui

Desisto e vou para o trabalho. E eu hoje até estou com baita preguiça e nem me apetecia ir trabalhar.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Fui convidada para ir dizer coisas ao Programa da Cristina

A primeira vez que me convidaram queriam que eu falasse de maminhas. 

Desta vez queriam que eu falasse de partos.

Temo que me peçam para falar nos desafios de integração da minha filha na creche quando ela estiver a entrar na Universidade.

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Os encantos de trabalhar na zona oriental de Lisboa (a verdadeira, não a chatice do Parque das Nações)



Para ser melhor tinham acrescentado um "s" e escrito "já fostes!". Ou "Incha Pacheco!" Ou "Tumbas! Vai buscar" ou "É bem feita porque o cão tem a mania que é espertalhão!". Ficam aqui as sugestões. De nada.


"A poizé!Velhinho mas pago, enquanto os nossos estão a crédito!"

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Isto é para os apanhados do "Sai de Baixo", tenho a certeza.

Estou num daqueles cabeleireiros de shopping para gente que tem um horário de trabalho incompatível como cabeleireiros de horário regular. 

 A senhora que me cobriu a miséria das brancas chama-me "quérida" e "xuxu". 

O senhor que me faz o brushing diz que o meu cabelo é uma "chiqueza". 

 Sinto-me o Caco e estou à espera que a Neide Aparecida entre por aquela porta com o espanador em riste.
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