terça-feira, 11 de janeiro de 2022

A pessoa tenta sr modernaça e acompanhar as tendências e tudo e tudo

 

A rapariga é linda de morrer, o miúdo é fofo que dói mas... que quarailho de maneira de arrumar os livros é esta?






Alguém me explique como se eu fosse a suburbana saloia que sou...

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Sim, mostrámos a Casa de Papel à miúda

 

Ana ouve na televisão comentário político onde se diz que "Rio afirma-se nos debates eleitorais"
Esbugalha os olhos e pergunta-nos, incrédula:
"O Rio vai-se candidatar às eleições?"
Sim? (Nós, confusos)
Suspira, com os seus botões: "A Lisboa é que dava uma boa presidenta..."
...

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Parabéns tia Cinda!

 É por sua causa que começamos o ano sempre em festa. Foi a última dia meus tios a nascer mas foi sempre a primeira tia a chegar em todos os momentos da minha vida. É aparentemente serena mas interiormente ansiosa mas tem o condão de fazer com que nós achemos que tem sempre tudo sobre controlo. Na verdade, tem.

É como uma segunda mãe para mim e sempre que imagino como deve ser ter uma irmã tenho como referência a relação dela com a minha mãe. É uma segunda avó para a Ana, que não podia ser mais cúmplice dela, mais compatível, mais tudo. É a Titocas da Ana, a minha tia Cinda.

É doutorada em comida pré feita nos corredores dos hipermercados mas é a melhor costureira do Mundo. Quando era pequena preparava-me sempre banhos de espuma com gel da Avon e deixava-me ficar na banheira até ter as mãos engelhadas. Deixava-me comer delícias do mar directamente do congelador e fazia a melhor salada russa do Mundo, inundada de maionese. Na adolescência encobriu-me namoros e curtes em Monte Gordo e tem o condão do chantilly dela nunca falhar. Deu-me a minha prima, aos nove anos e meio, que foi a melhor coisa que me podia ter dado.

Adora dióspiros, lia livros de cordel quando éramos as duas miúdas, afinal só temos 18 anos de diferença, desenhava-me umas bonecas que eu adorava mas que deixariam Picasso às voltas na tumba, dava-me sempre a mão quando dormíamos juntas, até eu adormecer. Mesmo que ficasse com as mãos dormentes.
Na verdade nunca deixou de dar.

Há um ano não lhe pudemos cantar os parabéns e tivemos medo de nunca mais o podermos fazer.
Mas este ano, aos sessenta acabadinhos de estrear, cá está forte, gira e plena. Ela diz que teve sorte mas a sorte foi toda nossa!

Parabéns, minha tia!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Andorinha

 Em 2021 senti-me profundamente triste. E aflita. E impotente E devastada. Tive terror em perder a minha tia e perdi o meu tio num momento de terror. Confortei a minha prima. Alimentei o meu outro tio. Percebi definitivamente que nunca mais retomarei relações com a minha outra prima Tomei conta de muita gente e pouca de mim. Fui promovida na pior altura para o ser. Trabalhei horrores. Tive muitas mudanças no trabalho até que apareceu a Ana Lúcia para me serenar. Serenou. Ajudei a organizar uma manifestação pela vida independente. Gritei num megafone. Fiz uma vigília e dormi à porta da Assembleia da República. Reforcei a certeza de que o meu casamento é para sempre e que há amores para a vida toda (até podem não haver casamentos, mas amor há!). Perdi a Joana. Dei centenas de horas de formação. Vi a Monalisa. Tive o melhor jantar do ano aos pés da Torre Eiffel. Vi, finalmente, toda a Casa de Papel. Tive pouco com amigos. Voltei a organizar campos de férias. Diverti-me tanto na Isla Mágica. Fui vacinada. Falhei nos exames de rotina da mama mas compenso em breve. Passei o dia da mãe com a minha mãe sem máscara e viseira. E com a Ana. As três na Lx Factory. Vi um espectáculo de flamenco ao vivo. E comemos tantas tapas, os três felizes em Sevilha. Comovi-me na Eurodisney. Namorei muito no Verão com tinto de Verano e Manchego. No meu aniversário um conjunto de bandalhos bons juntou-se no mato para me cantar os parabens. Foi tão importante para mim. Comi marisco em São Martinho do Porto. Fui feliz em Elvas com a Inês e o Bruno. Recebi os meus sogros em tranquilidade. Li pouco. Fui a Itália em trabalho e conheci gente incrível A Ana fez a sua primeira comunhão. A minha mãe esteve sempre por perto e isso é tudo para mim. Fui feliz com a Eillen a cantar a banda sonora da Tieta. Fiz yoga no Moinho de Maneio. A Ana cresceu, cada vez mais pessoa inteira e boa. Aprendi a jogar Rummy. Permiti-me a falhar e abracei a vulnerabilidade com auto-compaixão. Em 2021 fui uma andorinha sempre em vôo numa constante tentativa de regresso a casa.

Tudo o que importa reter de 2021



quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Foi um ano tão mau

 Foi um ano tão mau. Não me apetece fazer redução da minha dissonância cognitiva e dizer que não foi mau, que afinal foi apenas duro, desafiante, de crescimento, difícil. Não foi. Aliás, até pode ter sido isso tudo mas foi, sobretudo e sobre tudo, mau.

Perder pessoas, mas perder a sério, não o deixar ir, não o decidir cortar relações, perder sem escolha e definitivamente, nunca pode fazer de qualquer ano que seja algo menos do que terrível.
Tudo o que possa ter sido bom e que muitas vezes damos por adquirido- estou com saúde e a minha mãe e filha também, tenho emprego e salário, tenho casa e não tenho contas por pagar, tenho uma relação amorosa saudável e um marido com saúde e emprego- é um alívio mas não apaga o terror que foi este ano.
Sinto-me em catarse, como no fim de uma tragédia onde tens que lutar cheia de adrenalina, sem dispersar, sem tempo para merdas, e no fim, campo de batalha vazio, podes finalmente sentar-te e chorar.
Comecei o ano a perder a minha tia e eu não sei perder gente e acho que nunca irei aprender. Quando ela voltou, do lado de lá do covid nos cuidados intensivos, lembrei-me do dia em que ela emigrou. Eu tinha 5 anos e fui levá-la ao aeroporto. Ela despediu-se com lágrimas nos olhos e começou a subir as escadas rolantes. Eu, cá em baixo, segurada por um adulto que não me lembro quem era, a gritar: " não vás, tia, não me deixes, tia!". E ela foi. Foi talvez o primeiro trauma da minha vida, esse dia, embora tivesse tido tantos motivos para trauma, as hospitalizações, as noites sozinha internada, as saudades da minha mãe, o meu pai que nunca mais voltou, esse por opção. É a falta de escolha que me mata por dentro. A inevitabilidade da vida. Quando a minha tia voltou do covid senti que estávamos, finalmente, de contas saldadas: ela tinha fintado o sentido das escadas rolantes e voltava finalmente para trás, para não me deixar sozinha. 

Em Julho, o meu tio subiu nessas escadas para sempre. E eu nem consegui gritar "não vás, tio, não me deixes, tio!" nem ninguém me segurou.

2021 foi um ano de merda, desculpem o discurso depressivo. Para 2022 não quero nada. Só que mais nenhum dos meus parta sem poder regressar. Escadas rolantes paradas.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Dores (maternais) de crescimento

 A gente anota o primeiro dia em que se sentam, em que lhes nasce o primeiro dente e depois em que lhes cai também, em que dão os primeiros passos, do primeiro dia de creche e depois, todos os anos, de escola. A gente anota a primeira palavra dita e a primeira escrita, o primeiro desenho de figura humana e o inaugurar de tantos estadios.

Há sempre o encanto desmesurado nos inícios, nos princípios, nos começos, nas primeiras vezes.
Mas são muitos os dias que são os últimos dias em que fecham ciclos.

Este foi, provavelmente, o último dia em que a Ana assomou à janela para esperar o Pai Natal.
Há uma beleza nostálgica no fim de ciclos. Foi incrivelmente bom viver a magia do velho de barbas nove anos com ela: ser o pai, acompanhá-la a escrever-lhe, ir de mãos dadas com ela aos CTT por as cartas, ano após ano, tocar o sino escondido da na cozinha, segui-la na correria de tentar vislumbrá-lo, ouvi-la a jurar que o viu no céu porque só os olhos das crianças vêem o invisível.

De janela aberta anoto aqui a luz do balão para sinalizar o spot, a caixa de take away com bolachas e cenouras porque há covid e ele tem que levar o repasto porque já não se come ao postigo e o sorriso de quem desconfia que não é real mas que escolhe em acreditar.

A magia não fechará a janela, mesmo que tenha sido esta a última vez.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Tudo sobre controlo

 

É Natal, é Natal
Estou na cozinha
Tem tudo pra correr mal
Se correr, como sozinha
Falta-me ovos aqui
A receita de Azevias está acolá
Se tudo ficar uma bosta
Ainda sei fazer um chá
É Natal, é Natal
Quanto tempo levedam as filhós?
Dúvidas quem não as tem?
Ah! Não têm as avós!
É Natal, é Natal
Na cozinha não tenho um dom
Mas estão todos feitos ao bife
Se não comerem e disserem que está bom!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Crescemos sempre até ao fim


Quando nos morre alguém, como no dia de hoje há dez anos, sentimos que não vamos sobreviver. A garganta fica com um nó, o coração apertado, os olhos pequenos de tanto chorar: tudo em nós encolhe, minga, sufoca.
O grande desafio de se crescer (eu não acredito em envelhecer, acho que crescemos até ao fim) é este: crescer implica expandir, abrir, ocupar mais espaço, ficar maior e a morte dos que amamos faz precisamente o contrário, diminui-nos, fecha-nos, insignifica-nos face à grandeza do amor. Por isso, dizia eu, o grande desafio de crescer é fazermos o pino e, com o mundo de pernas para o ar, encontrarmos o equilíbrio novamente sem as referências do amor que nos guia na vida, voltarmos a endireitar os quadros nas paredes, a olhar sem lágrimas as fotografias nas molduras, a endireitar a vida com o peso estranho da ausência que levita.
Cada pessoa que parte esvazia-nos, entristece-nos para sempre, numa tristeza que aprendemos a convidar para comer connosco à mesa e dormir e acordar ao nosso lado na cama, porque negar, evitar não a vai fazer desaparecer, porque aceitar ajuda a crescer, ainda assim. Um dia, desgostos somados, crescemos tudo e fazemos contas ao amor, às memórias felizes, à saudade e, outra vez, aos desgostos somados.
Crescemos a acreditar em finais felizes mas só há tristeza em qualquer fim.
Eu achava que não se sobrevivia à morte, há treze anos, há dez no dia de hoje, há cinco, neste Julho que passou e como estava enganada.
As pessoas dizem que se envelhece porque crescer deixa de ser bom e em expansão e passa a ser duro, com perdas e a mingar mas, ainda assim, trata-se sempre de crescer.
Crescemos até ao fim porque sobrevivemos sempre à morte.

É a vida que acaba. É à vida que não se sobrevive e esse é, talvez, o grande paradigma da humanidade. Do amor. 

sábado, 18 de dezembro de 2021

Electra



Os avós tinham chegado dos Açores, depois de uma distância de dois anos. A avó fala com ela muitas vezes por semana- num esforço que me enternece- para alimentar a relação, para acompanhar o crescimento da neta. Faço questão da Ana ligar de volta, contar sobre os seus dias, alegrias e inquietações. Sei a importância que os avós podem ter na vida dos netos, os meus continuam, depois de mortos, a orientar-me o caminho.
A minha mãe é a maior: ninguém a bate, ninguém está à sua altura nesta tarefa. A Ana diz sempre que é a avó aventureira e isso diz tudo sobre a relação delas, cheias de aventuras e afectos, riscos e segurança.
O meu pai não conhece a Ana, por desamor, incapacidade de se vincular.
Mas estes avós vivem longe, o caminho não se faz por estrada nem cacilheiro nem comboio nem bicicleta.
A avó liga várias vezes por semana, dizia eu, mas o avô nem por isso. Talvez por essa razão, estávamos curiosos para perceber como iriam interagir, a Ana e este avô distante e menos presente.
A meio da semana a avó perguntou insegura: "Gostas mais de mim ou do avô?" A Ana, colocada injustamente naquela posição frágil, não hesitou: "Do avô." E rematou " tens que perceber que estou a descobrir como é ter um avô e é alegre e divertido!".
Depois, foram até à feira de Natal e a Ana agarrou as mãos de dois dos homens da sua vida e pediu que atirassem ao alvo para lhe conseguirem um peluche gigante. Vibrou, torceu e no fim não ganhou o peluche.
A pontaria era má mas eles não sonham como é certeiro o sentido de orientação que estão a deixar na Ana, amada, querida, importada. A vinculação, o sentido de pertença e até a cena freudiana são mais valiosos que qualquer peluche gigante. E nunca ganham pó, por mais tempo que passe.
Ganha-se sempre no jogo do amor.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Com força e baixinho

 


Quando o avô morreu eu entrei na sala e tu choravas baixinho. Quando me viste choraste mais, com mais força, mas simultaneamente mais baixinho, e tapaste o rosto com aos mãos como se tivesses vergonha da fragilidade, embaraço da vulnerabilidade. Tinhas sido sempre crescida, durante toda a minha vida, era a primeira vez que te via pequenina, com as mãos a tapar os olhos verde azeitona, verde louro, verde teus avó, como uma criança que esconde a cara com o bibe quando fica assustada e tem medo do Mundo.

Eu também tive medo, avó, desse Mundo que veio depois do avô e que nunca mais foi o mesmo e também chorei baixinho e com força, acho que foi contigo que aprendi a chorar sem histerias, baixinho e com força, como quando tinha muitas dores e, já adultas - as duas- tu vinhas para a minha cama e te deitavas ao meu lado a embalar-me para me adormeceres a dor.

Naquele dia o avô morreu e tu não quiseste ir ao velório, nem ao funeral e ninguém percebeu porquê. Ficaste em casa a fazer comida, e tu mal conseguias fazer comida, a mão que me embalava tinha sido silenciada pelo AVC, continuava porém a fazer comida e a embalar-me, no Minho as mulheres alimentam os vivos que choram os mortos.

E nunca mais abriste a porta do teu quarto e do avô, já não havia vocês os dois, só a porta fechada, como o Mundo fechado ficou e talvez, por isso mesmo, tu tapavas o rosto como uma criança com medo tapa a cara com a fralda do bibe. Três anos depois adormeceste na sala, olhos verde louro fechados, nunca mais tinhas entrado no quarto, fizeste comida até à última refeição, a mão com o AVC, e dessa vez não acordaste, assim com força e baixinho partiste, talvez para ires fazer comida para o avô que te esperava, botas de borracha e sorriso com dentes tortos.

E eu fiquei, e deixaste-me a Ana na barriga, segredo que só descobri dias depois, para poder ter quem embalar, para me abrir as portas do teu quarto e do Mundo, para usar bibes sem tapar o rosto, para poder continuar a chamar Ana como te chamava a ti, vó Ana, para me deitar ao seu lado hoje, ela já dorme, e embalá-la, com força e baixinho, para ver se adormeço a saudade que, agora crescida, trago em mim.

Amanha faço comida eu.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

É bacalhau espiritual


A melhor amiga da Ana agora mesmo, na primeira comunhão:
"Liliana, vamos comer bacalhau santificado?"

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

A melhor música de Natal

 

Começo eu: "Noite Branca" dos Anjos *
Agora vocês!


[* Não mete coca mas mete casacos de cabedal fake com cortes miseráveis dos anos 90 e se é para azeitices antes o bonzão do Sérgio que os trinados da Mariahzinha]

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Moinho do Maneio

 



Há um lugar com casinhas de pedra que parecem de brincar. Com redes espalhadas à beira rio a convidarem-nos a baloiçar ao sol, à sombra, às estrelas, ao amor e à paixão, ao colo e à intimidade. Aos afectos. Com uma piscina onde podemos ser piratas e sereias em água doce e lagartixas e camaleões ao sol. Com pequenos socos com o melhor bolo de chocolate do Mundo, sumo de framboesas naturais e figos da Índia descascados, iogurtes com granola bons e pão a saber a pão e queijo de cabra e uma vista sobre o rio. Ah, o rio!

Há um lugar com um rio e uma canoa à espera de ser estreada, mesmo que já a tenhamos estreado antes, porque são sempre novas águas a correrem em direcção à pequena represa e os sapos assustam-se à nossa passagem e mergulham à nossa frente - flop!- e somos os três na canoa a cantar alto e a rir às gargalhadas ou é só ela, Pocahontas de Penamacor a remar em direcção a um mar que sabemos que existe lá longe mas que existe, e estamos sempre a caminho dele, mesmo que o rio seja no interior.

Existe um lugar com burros a zurrar e que correm quando lhes acenamos cenouras e cães amigáveis e educados a abanar a cauda, que recompensamos às escondidas com sobras do jantar. Onde pomos a tocar nas aparelhagens antigas de CD Maria Callas e Tom Jobim e as noites são,também por isso, mais estreladas.

Há um lugar onde cozinhamos comida caseira e sopa de tomate para comer nas mesas fora da porta e fazemos chá para beber ao serão, enquanto jogamos jogos de tabuleiro sem sentir falta de televisão nem rede de telemóvel porque o tempo e o silêncio são presentes dos céus.

Há um lugar onde nos recebem e se despedem de nós com o mesmo sorriso aberto e verdadeiro e onde damos por nós a cantar muitas vezes baixinho, a trautear músicas, porque quando estamos felizes cantar faz parte de quem somos. Há um lugar único em Portugal onde a minha família entra família e sai ainda mais família, mais conectada, mais íntima, mais simbiótica.

Há um lugar chamado Moinho do Maneio

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

O Mundo divide-se...

... entre as pessoas que, mal espreita o Outono, ainda andam de chinelos e as que passam logo a andar de calçado fechado/botas

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Ana explica à avó como dá a volta ao pai...

"Sabes, avó, não pode ser asim à bruta. tem que ser assim tipo jazz..."
A minha mãe: "Como assim tipo jazz?!"

"Começa assim devagarinho, sem darmos por nada e quando avança é que ganha ritmo, entendes? 

terça-feira, 28 de setembro de 2021

Ana com febre*

Eu para mámen: "o pediatra mandou intercalar Benuron com Brufen: começamos com qual?"
Ana, em modo drama Queen: "misturem os dois na Bimby, velocidade dez e façam um cocktail..."




*É uma gastroenterite. 

"Do que gostaste mais do fim-de-semana fantástico, Ana?"

Da música que tu e a tia cantaram da Tieta daquela parte "Tieta do agreste, lua cheia de tesão, é lua, estrela, nuvem, carregada de paixão"
(faz uma pausa)

O que é tesão, mamã?" #anaamaior 

Gostava de morrer velha.




Gostava de morrer velha. Velha, velhinha. Ainda melhor, gostava de morrer velha e de velhice. Como se a vida quisesse pedir a conta final e fechar a despesa, satisfeita e de papo cheio, pronta a levantar o rabo da mesa e sair de mansinho, olhos fechados, memórias arrumadas, papo cheio, sensação de fecho da loja.

Contas feitas, fecharia os olhos, papudos e enrugados, com aquele esverdeado que todos os olhos dos velhos ficam, verde árvore para se poder regressar à terra com a copa a tocar no céu e largariam a VT, acho que se diz assim nos programas de televisão, com os momentos mais felizes que acumulei.

Nesse pequeno trecho, de uma vida longa, apareceriam os burros do @moinhodomaneio, as ondas do mar negro do cabelo da Anabela sem mariquice nem nhonhozice a darem-nos as boas vindas de verdade, o ribeiro que desbravamos com a canoa azul e gargalhadas amarelas de sol, os saltos da minha filha no trampolim e os risos a chegarem bem alto no espaço, caudas de sereia na piscina, agora a Eillen e eu a gargalharmos, à ceia, enquanto cantamos a banda sonora da Tieta do Roque Santeiro depois de jogarmos Remmy a beber chá de caramelo e a comer broas de mel e estas manhãs preguiçosas em que quero sair para o pequeno almoço e a Ana dorme no meio de nós, as persianas de madeira azul a rebentarem para nós deixarmos entrar o sol e a vida que é vivida no presente, que deve ser vivida como um presente. Uma cauda de sereia a secar à porta, no fim.

Queria morrer velhinha agarrada ao papel colorido da vida que desembrulhei, contemplando o passado que foi um presente, mete-lo debaixo do braço e dizer adeus, estava tudo óptimo, obrigada, sim?

domingo, 26 de setembro de 2021

O Mundo divide-se...

 ...... entre as pessoas que acordam com o humor certo e não querem conversa de manhã e as outras.

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Merdas que vocês fazem aos vossos filhos para serem nomeadas para ganharem a "grã ordem de mérito da maternidade abnegada, sacrificada, carmelita descalça, cheia de culpa judaico-cristão, freudiana" e que nunca pensaram que um dia descessem tão baixo ao inferno-maternal de tal modo que batessem no fundo.


Começo eu: maçãs, cortadas e presas com um elástico, não vá a menina não ter dentes para morder uma porra de uma peça de fruta e fruta oxidada é que nem por sombras. Ali, taco a taco, com palitos de cenoura magistralmente cortados para o lanche. Repito: palitos de cenoura.

Agora vocês.
[Sem julgamentos, tá? It's my daughter and eu estrago if I want it...]

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Apartas o cabelo ao meio

"Apartas o cabelo ao meio, agarras um pedaço de cada vez e penteias devagar. Depois das duas partes penteadas, juntas tudo e penteias por inteiro, de uma só vez". Sempre que me vejo em frente do espelho da casa de banho, a pentear o cabelo, sempre sem excepção, oiço a voz da minha avó nesta ladainha: "apartas o cabelo ao meio...".

Eu era adolescente e as hormonas tinham tomado conta do meu cabelo, outrora liso, agora cheio de jeitos e rebelde, muito fino e muito basto, sempre a enriçar e a fazer nós. Às vezes pensava em cortá-lo para me poupar ao trabalho de o desembaraçar todas as manhãs, enervava-me, irritava-me, apetecia-me escová-lo à bruta, partir os nós e o cabelo com ele mas depois a voz, paciente, da minha avó: " apartas o cabelo ao meio...".

A minha avó sempre me pediu que não cortasse o cabelo e sempre que eu desesperava em frente do espelho vinha por trás e tirava-me a escova da mão impaciente e começava a pentear-me: "apartas o cabelo ao meio".

Um dia, era eu universitária e numa manhã de bad hair matinal a minha avó penteava-me, sem pressa e dizia-me a ladainha "apartas o cabelo ao meio..." e eu sorri e atirei "esse conselho dos cabelos aplica-se a todos os problemas, 'vó: temos sempre que os apartar e desembaraçar aos poucos, pedaço a pedaço e depois, com tudo com menos nós e embaraços, dar uma escovadela final, né?" E a minha avó riu e disse "nos cabelos e na bida, tem que ser sempre assim: apartar sempre ao meio, agarrar um pedaço de cada vez e desembaraçar cada pedaço para depois juntar tudo e passar uma escovadela no fim e ficar tudo certinho".

Tenho saudades das mãos da minha avó na escova, da escova no cabelo, da expressão "apartar" e da vida ser dita com "b" de bela e de boa. E talvez seja por isso que eu nunca corto o cabelo: para nunca me esquecer como se resolvem os problemas na vida ou talvez apenas para, sempre que me olho ao espelho, nunca deixar de ouvir a voz da minha avó pela manhã. 

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Inventámos o nome de uma síndrome

Tenho uma amiga cujo ex-namorado, ressabiado, passa os dias no Speaker's Corner do seu mural de facebook a destilar ódio, indirectas e bocas que dão um bocadinho de pena para ver se a atingem ou se ela se pica.
O engraçado é que ela não o bloqueou no facebook mas fez-lhe aquilo de não aparecerem no seu mural os status dele e prossegue a sua vidinha, sem curiosidade nenhuma sobre o que ele escreve e sem sequer lá ir, fresca e fofa na sua vida.
Ele- attention seeker- continua a esbracejar muito, acreditando que chega até ela- mas só somos mesmo nós, azamigas dela, a assistir de camarote àquele triste desempenho.

Referimo-nos agora, entre nós, àquela verborrea como a "Síndrome Alexandreeo". Estamos "assim" de a registar e pedirmos que a incluiam no DSM-V 

terça-feira, 14 de setembro de 2021

Primeiro dia de aulas do 4º ano





Podia fazer quarenta graus à sombra, haver uma parada de camelos e todo um desfile cénico de cactos, podia haver uma escola de samba com bailarinos desnudados e sensação térmica de deserto do Sahara que ela hoje levaria, sob qualquer circunstância, o vestido novo dos corações.
Quatro anos para conseguir uma fotografia de primeiro dia de aulas irrepreensível com data certa e todas as peças de roupa vestidas e nos livramos de unicórnios na mochila but... aqui está ela!

Quarto ano da Ana! Desejem-lhe boa sorte!  

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

As fitas


Ele perguntou "também lá estiveste internada?" e eu disse que sim, confusa. É uma névoa na minha cabeça todo o tempo em que lá estive internada, uma névoa sobreposta pelo que a minha mãe me conta, as memórias felizes que ela assistiu, o dia em que a RTP lá foi e me filmou e os domingos em que as irmãs incluiam sempre batatas fritas no menu e a Lai, a educadora, única memória de afecto que guardo. Tinha na minha memória as memórias da minha mãe a ocuparem o lugar das minhas, não sabia para onde teriam elas voado. 

Mas depois ele continuou "e as fitas? Lembras-te das fitas?" e um portal de memórias recalcadas se abriu, como se fosse uma epifania do passado, uma visão de dor que enterrei num poço da minha memória- a psicologia explica- acabava a hora da visita a seguir ao jantar que era dado demasiado cedo, acho que pelas 19h, e a minha mãe e todas as visitas iam embora e vinham as irmãs, vestidas com o hábito creme, com as fitas. 

Às vezes eu choramingava, tinha 4 anos, 5, 7, 8, era pequena, choramingava "não quero as fitas! Tenho comichão e não me consigo coçar" e elas não me respondiam, não me explicavam, não me consolavam, limitavam-se a apertar as fitas à volta do meu corpo pequen ino e prendiam com firmeza e eu ficava sem me mexer toda a noite, às vezes durante muito tempo a olhar para o tecto da enfermaria e a pensar que a comichão iria passar e que a minha mãe chegaria no outro dia e ouvir os gritos de outras meninas: "tirem-me as fitas! Tirem-me as fitas!", depois passos delas e o silêncio a calar os gritos das outras meninas. 

Eu desisti de pedir, percebi que não me ouviam, não queria que os passos se aproximassem e se pedisse apertavam com mais firmeza, nem uma palavra, às vezes eu enchia o peito de ar para ficar com mais folga e poder mexer-me melhor até mas tirarem de manhã, muito cedo, acordavam-nos as sete para lavarem o chão com lixívia e umas máquinas que aspiravam e enceravam, tudo tinha que cheirar a limpo, a doença cheira mal. 

Nunca ninguém me abraçou, consolou ou alargou as fitas, em noites apertadas e silenciosas à espera de manhãs asséticas e da minha mãe chegar outra vez. 

Ele carregou com o dedo na ferida cicatrizada em vão"lembras-te das fitas?" e eu lembrei e perguntei, agora, à minha mãe se era real ou se o sonhara. "Era para vocês não caírem das camas!" e eu sei que ela acredita nisso, as irmãs diziam e ninguém questionava as irmãs- é a memória da minha mãe sobre as fitas mas não é a realidade e eu nem me lembrava que havia esta realidade mas ele perguntou pelas fitas e agora não me consigo esquecer de dormir de colete de forças grande parte da minha infância naquele hospital, do cheiro a lixívia e de tudo o que mais queria no Mundo era a hora em que chegava a minha mãe.

domingo, 12 de setembro de 2021

Tudo o que aprendi na gravidez foi com o Lobo Antunes



"Que livros leste durante a gravidez da Ana?"- na feira do livro, lembrei-me da pergunta feita tantas vezes, por amigas grávidas e por leitoras do blog grávidas, ao longo destes anos. 

E eu sempre meio envergonhada a responder a verdade: não li nada, excepto as Crónicas do Lobo Antunes, porque estava internada e sem me poder mexer e não tinha nada que fazer. Minto, li um manual de uma enfermeira inglesa, Gina Ford, que era a guru da minha amiga Xana mas li mais por amor - para não desapontar a Xana- que por crença, que a senhora dizia que devíamos deixar os bebés dormirem sozinhos e deixarmos os putos chorarem até se calarem e se não se calassem lá poderíamos ir ao pé dos berços mas nada de acendermos as luzes para eles não nos verem e não quererem folia e voltarem a adormecer. 

Por isso digo que não li nada, mas li Gina Ford para não desapontar a Xana, por amor, nunca lhe disse que odiei a enfermeira inglesa maluca que fazia bíblias sobre bebés sem nunca ter sido mãe. 

E quando a Ana nasceu e fui fazer o primeiro biberão perguntei ao Rui "a misturar isto ponho primeiro o pó do leite ou a água?" e nenhum de nós sabia o que se punha primeiro, nem se fazia diferença a ordem com que se misturava aquilo. "Num biberão pomos primeiro o pó e depois a água e no seguinte fazemos o contrário e logo vemos se faz diferença para a miúda"- concordámos. 

Nenhum de nós leu livros e fomos fazendo sempre tentativa-erro, com a certeza, porém, que a trariamos para dormir no meio de nós, que não a deixaríamos chorar até desistir e que lhe acenderemos a luz todas as vezes que fizer escuro e ela precisar de ver o nosso rosto a dizer que tudo vai ficar bem. 

Tudo o que aprendi sobre livros na gravidez foi com o Lobo Antunes, talvez por isso ontem só tivesse comprado o seu último livro de crónicas, com a esperança que na sua arrogância para inglês ver me ensine mais sobre o mundo e sobre os afectos que enfermeiras inglesas que toda a vida trabalharam com bebés.

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

E estava óptimo. Mas hoje sinto-me a lamber todas as salinas desde Aveiro a Rio Maior.

Depois do périplo do almoço vou jantar a casa dos meus amigos Ines e Bruno que fazem o quê para jantar?

Bacalhau à Brás. 

Pode ser o último post deste blog

Fui comer uma pasta ao almoço ao Basílico no Corte Inglês.

Agarrei numa daquelas cenas de metal que costumam ter queijo ralado e carreguei. Saiu um pó e achei que eram coentros. Era pimenta.

Praguejei.

Agarrei na cena ao lado, outra coisa de metal igual com os furinhos e pensei que iria carregar no queijo. Carreguei. Era sal.

Não quis dar parte fraca, sorri e comi tudo como se nada fosse.

Acho que os meus rins vão parar, a tensão disparar e sinto que a minha boca se afogou no mar salgado e não sinto a língua como da última vez que tinha nove anos e achei que devia lamber a cuvete de gelo.

Sou menina para falecer.

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Materno skills aos 9 anos e um mês da miúda

Saber qual a quantia exacta que a fada dos dentes coloca debaixo da almofada quando lhe cai um dente- checked

Saber o ângulo que os olhos devem arregalar para impor respeito à miúda quando lhe abrir os olhos sem parecer que acabei de fumar umas ganzas nem que sou um carneiro mal morto- checked

Saber o tipo de bolachas e de leite que o Pai Natal come para lhe deixar na varanda na véspera de Natal- checked 

Treinar a cadência da expressão “che-gan-do a ca-sa con-ver-sa-mos”- checked

Saber sempre o nome da melhor amiga actualizado para poder usar com legitimidade a frase “não penses que falas comigo como falas com a tua amiga Joana”- checked 

Saber que ela está com febre sem usar termómetro e apenas encostando os meus lábios à sua testa- checked

Ter lenços de papel na carteira que aguentem saliva para poder limpar caras badalhocas da mesma forma que odiava que a minha mãe me limpasse a mim- checked 

Saber o tempo médio de um castigo para não ser rígida demais nem branda em demasia- checked 

Bater palmas com convicção na plateia de cada teatrinho da escola mesmo que ela tenha tanto jeito para as artes cénicas como eu- checked 

Saber exactamente o timing da contagem progressiva do "uuuuum, doooooooois...." e nunca chegar ao "trêêêês!" dando-lhe tempo para ela sair de onde está sem eu ter que me descabelar com ela- checked

Dizer com ar convicto “não te deixo comer gelados de água que isso é uma porcaria, escolhe antes um de leite”- checked 

Não me esquecer de reparar em como vai agasalhada e acrescentar, invariavelmente, um “não te esqueças do casaco, que vai fazer frio!”- checked 

 Nunca a deixar entrar no portão da escola sem lhe dizer que a amo, mesmo que às vezes, sem querer ou de propósito, a possa vir a embaraçar- checked

Conseguir abrir a puta da tampa do Ben u ron- checked



So far, so good...

It's Wednesday and I'm not in love

Bom dia a todas as pessoas menos aos patrões que decretaram o fim do tele-trabalho e que contribuem para o regresso das filas de trânsito.

Que a Nossa Senhora do IC19 ou a Santinha Padroeira da VCI vos acompanhe, sim? 

Am I alone?

 

Era eu a única criança no Mundo que pedia uma "pirâmide" na pastelaria e a minha mãe dizia que não porque era um bolo que era feito com os restos dos outros bolos e eu achava que era com os restos que as velhotas deixavam nos pratos e não com os restos da massa dos bolos?


Update 1- Acabei de perguntar a mámen e ele diz que sim: que eu era a única!


Update 2- Em boa verdade mámen diz que na ilha dele só havia Paninnis e não é uma fonte fidediga....

terça-feira, 7 de setembro de 2021

Socorro!

A escola começa dia 14.
A minha filha já escolheu o vestido para o primeiro dia de aulas, as meias(!), os sapatos, os brincos, o gancho e a máscara a condizer bem como os brincos e já pendurou este carnaval todo na maçaneta do roupeiro.

Hoje é dia 7. 

O prémio do objeto escolar mais inútil vai para a borracha nova da minha filha

A minha filha tem uma borracha a pilhas. Sim, leram bem .

A minha família e amigos dividem-se entre...

 


... os que estão ansiosos para ver o outfit de primeiro dia de aulas deste ano da Ana e respetiva mochila unicorniana ( reviroojolhos) e os que estão ansiosos para ver se eu me volto a enganar a escrever no estupor no quadro meterno-fofo com datas com o regresso ao futuro (façam zoom na primeira foto: façam!) ou só lhe calce uma meia, para não enjoar (façam zoom na terceira).
FML.

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Silly season# 1

Genes de Sophia de Mello Breyner desperdiçados assim ao desbarato...

 

sábado, 4 de setembro de 2021

S.O.S

 Já disse que a Ana está a cantar as músicas do Mamma Mia em "inglês" (cof! Cof!) em looping?

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Casamentolimpíadas: rumo à prata!

 O segredo de um casamento é, no fim do dia, da semana, da vida, no fim de vários caminhos, atalhos e desvios, no fim do tempo e do espaço arranjarmos um ponto fixo de intersecção para nos encontrarmos.

O segredo de uma relação é querermos a mesma coisa mesmo quando queremos coisas diferentes mas, no fim, querermos no limite que resulte, que fiquemos juntos, que continuemos.

O segredo de uma relação é darmos ao outro o que o outro precisa, não apenas o que queremos dar ou, aliás, o segredo é precisamente passarmos a querer dar exactamente o que o outro precisa. Não se dá ao outro o que gostaríamos que nos dessem a nós: damos ao outro exactamente o que o outro precisa e estamos predispostos a dar porque precisamos urgentemente de fazer o outro feliz. E o outro para ele somos sempre nós e queremos o mesmo. Ama-se em espelho.

O segredo de uma relação é não sermos estrangeiros nem turistas na vida do outro: é aculturararmo-nos, aprendermos uma língua comum, termos um visto, uma autorização de residência, depois nacionalizarmo-nos e podermos finalmente fazer casa no peito do outro.




O segredo de uma relação é amar o outro como ele é. Não como o romantizamos, não como queríamos que ele fosse, não como o projectamos: amá-lo exactamente como ele é.
Este ponto de encontro entre o que queremos e o outro quer, o que precisamos e o outro precisa e entre amar o que o outro é, real e cru, este ponto de encontro é a solução do teorema de Pitágoras do amor.

Há 15 anos que, às vezes, tentamos perceber o que o outro quer e precisa. Há 15 anos que, especialmente, nos amamos tal e qual como somos. Há 15 anos que tentamos muito, com vontade, energia, investimento, intuição. Consistência e coerência. Persistência e constância. E por isso resulta ou tem resultado, diz-me tu: porque sou eu e tu e o plural que se encontra neste cruzamento com coordenadas GPS que temos marcadas na pele, na alma, no bem querer.

O segredo de um casamento é não fazer puto de ideia de qual é o segredo e ir com impulso, intuição e fé.

Feliz 15º aniversário de casamento, Rui. Amar-te é simples, fácil e natural. Ser amada por ti é tudo o que quero e preciso. Ser uma pessoa melhor para tu amares orienta a bússola dos meus dias.

Norte. Sul. Este. Oeste.

O meu ponto de encontro és sempre tu.

Casamentolímpicos: rumo à prata

 


O segredo de um casamento é, no fim do dia, da semana, da vida, no fim de vários caminhos, atalhos e desvios, no fim do tempo e do espaço arranjarmos um ponto fixo de intersecção para nos encontrarmos.
O segredo de uma relação é querermos a mesma coisa mesmo quando queremos coisas diferentes mas, no fim, querermos no limite que resulte, que fiquemos juntos, que continuemos.
O segredo de uma relação é darmos ao outro o que o outro precisa, não apenas o que queremos dar ou, aliás, o segredo é precisamente passarmos a querer dar exactamente o que o outro precisa. Não se dá ao outro o que gostaríamos que nos dessem a nós: damos ao outro exactamente o que o outro precisa e estamos predispostos a dar porque precisamos urgentemente de fazer o outro feliz. E o outro para ele somos sempre nós e queremos o mesmo. Ama-se em espelho.
O segredo de uma relação é não sermos estrangeiros nem turistas na vida do outro: é aculturararmo-nos, aprendermos uma língua comum, termos um visto, uma autorização de residência, depois nacionalizarmo-nos e podermos finalmente fazer casa no peito do outro.
O segredo de uma relação é amar o outro como ele é. Não como o romantizamos, não como queríamos que ele fosse, não como o projectamos: amá-lo exactamente como ele é.
Este ponto de encontro entre o que queremos e o outro quer, o que precisamos e o outro precisa e entre amar o que o outro é, real e cru, este ponto de encontro é a solução do teorema de Pitágoras do amor.
Há 15 anos que, às vezes, tentamos perceber o que o outro quer e precisa. Há 15 anos que, especialmente, nos amamos tal e qual como somos. Há 15 anos que tentamos muito, com vontade, energia, investimento, intuição. Consistência e coerência. Persistência e constância. E por isso resulta ou tem resultado, diz-me tu: porque sou eu e tu e o plural que se encontra neste cruzamento com coordenadas GPS que temos marcadas na pele, na alma, no bem querer.
O segredo de um casamento é não fazer puto de ideia de qual é o segredo e ir com impulso, intuição e fé.
Feliz 15 aniversário de casamento, Rui. Amar-te é simples, fácil e natural. Ser amada por ti é tudo o que quero e preciso. Ser uma pessoa melhor para tu amares orienta a bússola dos meus dias.
Norte. Sul. Este. Oeste. O meu ponto de encontro és sempre tu.

sábado, 28 de agosto de 2021

Airbag sofa

A Ana foi buscar todas as almofadas de casa- repito: todas- e estofou o sofá, gritando para mim, na cozinha:

- "Camiiiiinha feita, mamã!" 

Saturday night lalalalala



Que comece a desgraça!

[Primeira vez em 9 anos que vai beber Pepsi ao jantar: não me julguem! É a noite da loucura, pá!]
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