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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que em criança acreditavam que havia sopa* de tudo o que diziam as receitas e as outras. 


(uma colher de "sopa de farinha", duas colheres de "sopa de leite" e por aí fora...)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Tão bom, tão bom, é demais, é tão bom!


~

Disneyworld Orlando- Flórida checked!

Obrigada "Justina!" ;)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Para aí uns 89. Sou uma alma velha

"Quantos anos teríeis se não soubésseis a vossa idade?"

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Eu não sei o que me aconteceu...



- pensei no supermercado, quando aquele rapaz loiro de olhos azuis me perguntou "arroz carolino ou agulha?". 
Ali estava eu, 35 anos, adulta. Não sei como passou tudo tão rápido, como carga de água o tempo me engoliu e me tornei nesta pessoa de 35 anos, casada, com uma aliança no dedo em vez do anel do humor cuja pedra mudava de cor conforme o meu temperamento e fio de prata com medalhinha à mummy em vez do colar de couro com a medalha que comprei em Sevilha com o João, aquela medalhinha creepy com o olho de holograma a aparecer conforme o ângulo através do qual o olhávamos. Eu a escolher se o arroz que levava nas compras era agulha ou carolino (who cares?) ao invés de escolher se agora ouvia agora a cassete dos Pearl Jam ou dos Nirvana. 
Às vezes dou por mim, estupefacta, a constatar no que me tornei. Acontece-me normalmente, de manhã, enquanto me olho ao espelho na casa de banho e me resigno com mais um cabelo branco no cocuruto (porque raios os cabelos brancos aparecem à frente e são mais espetados e fortes?) ou quando recebo emails do Jardim de Infância dela dirigidos "aos encarregados de educação". O que vale é que, na maioria das vezes, em que começo a constatar isto (e a deprimir), a miúda loira interrompe-me os pensamentos, com ranho para eu assoar ou um gancho no cabelo para arranjar e acabam-se as questões metafísicas. Toda a gente sabe que nada na vida é mais prioritário que limpar a ranhoca aos filhos, sob pena das camisolas acabarem todas com nódoas nas mangas que não há detergente que as salve.
Diz que sou eu: adulta, 35 anos, a ficar grisalha (doem-me os dedos só de escrever isto), encarregada de educação de uma criatura de 3 anos, cujo ranho lhe limpo de bom grado, ganchos lhe ajeito como quem nunca fez outra coisa na vida senão cuidar de penteados infantis e com capacidade de decisão para escolher se o arroz que se leva para a despensa é agulha ou carolino. 
Talvez seja só eu, que ando numa crise existencial, em negação de como o tempo me engoliu e de repente me confronto com o facto de já não ser mesmo uma miúda, ser adulta (oh céus!), mulher, mãe sem me lembrar da coisa ter sido gradual e reflectida. Talvez, no fundo, quisesse mesmo acreditar naquilo que dizem as revistas e as frases inspiradoras, de que os 30 são os novos 20 (não são!) e de como as mulheres ficam mais sábias e apuradas com o passar dos anos (ahahahah!). Só que não. 
Ali estava eu, a decidir entre o agulha e o carolino ("leva os dois!"), a sacar da carteira de "senhora" com fotografia de passe da miúda lá dentro (sim, sou mesmo uma mãe!), a pagar com cartão multibanco com o meu nome lá escrito, a dar de caras com a requisição da mamografia ("Ah, a Liliana tem mesmo que a fazer! Aos 35 anos tem que se começar a fazer este tipo de controlo..."- dissera-me a médica na véspera).  
Às vezes (muitas) queria voltar a poder usar o anel com a pedra do humor, o colar creepy do olho, a carteira com abertura de velcro e a achar que as mulheres de 35 anos eram velhas, "senhoras", vá. 
Entretanto, continuo em negação a pensar que para o jantar de hoje uso o agulha para fazer arroz de marisco e o carolino para a sobremesa de arroz-doce. Ainda bem que trouxe os dois.
Oh diabo, no que me tornei.


domingo, 17 de janeiro de 2016

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas para quem o jantar de domingo é reston* e as outras.


(reston = restos de ontem)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

13-01-1999



Nem sonhas, Liliana, mas essa não vai ser uma curte. Não fiques despeitada com os colegas e amigos que dizem que não vai durar porque vocês são tão diferentes, com a cigana que vai ler na tua palma da mão que nunca se chegarão a casar, com a família que vai ter receio que acabe depois de revelados problemas de saúde, do fim da universidade, de quando chegarem as contrariedades ou quando o dinheiro da bolsa de estudo acabar e o regresso dele seja a única solução. Não tenhas medo de te entregar que vai valer a pena. Olha-o no mais profundo azul dos olhos e mergulha aí para sempre: a pele vai ganhando rugas, o cabelo loiro enchendo-se da cinza do tempo, o corpo engordando e emagrecendo, a expressão ficando menos pueril e cansada mas esse azul permanecerá. 
Os braços que hoje te abraçam pela primeira vez abraçar-te-ão vezes sem conta, segurarão no teu avô ao colo para o ajudar a passar da cadeira de rodas para a cama vezes sem fim, apoiar-te-ão das duas vezes que os enterrares, primeiro a ele, depois a ela, farão um colo que servirá de caverna escura para enterrares a tua cabeça e a tua dor e chorares lágrimas ininterruptas, ampar-te-ão de todas as vezes em que o teu corpo fraquejar com dores e medos e nunca, mas nunca te deixarão cair. Esses braços são os mesmos que te acolherão num aeroporto dos Açores quando quiseres recuperar o que é teu e entrelaçar-se-ão nos teus no esperado e definitivo regresso a casa. 
As mãos que hoje te desenham em jeito de caricatura, Liliana, serão as mesmas que te limparão lágrimas, te passarão água fresca nos olhos e na face e te ajudarão a reerguer, são as mesmas que embalarão pela primeira vez a tua filha, daqui a 13 anos e  saberão consolar birras, prender rabos de cavalo em elásticos, desenhar rabiscos nas toalhas de papel dos restaurantes para a entreter e fazer festinhas e cafuné para sempre. 
Os lábios que hoje tocam nos teus pela primeira vez beijar-te-ão o cabelo perante cada momento de dor, o pescoço em cada guerra de cócegas e brincadeiras sem fim, a fronte tua e depois da tua filha para medir a temperatura, beijar-te-ão as mãos no dia em que se ajoelhar numa praia para te pedir em casamento e o dedo anelar hospedeiro da aliança no dia em que prometer que será para sempre e beijar-te-ão, enfim, os lábios em cada despedida e reencontro, antes da separação selando um adeus que nunca o chegará a ser e na reconciliação que vos tornará mais fortes e invencíveis: o "para sempre" um do outro. Este beijo que hoje provas será teu para sempre, por todos os motivos e sem motivo nenhum. 
E quando tudo falhar, Liliana com 18 anos, quando houver incertezas e dúvidas, crises e desgostos, raiva e lágrimas, dor e revolta, vozes a gritar e zangas, luto e desesperança, quando os braços e os abraços, as mãos e o toque, os lábios e os beijos não forem suficientes mergulha no azul dos seus olhos, o mesmo azul que a tua filha herdará, e lava a alma e as certezas, refresca o coração e o amor e reabastece-te da certeza, da segurança, do conforto de que "é para sempre". 
Porque o será. 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

No último ano (adeus 2015)


Comecei o ano na companhia de um dos meus casais preferidos no Mundo. Fui aos Açores e diverti-me muito nos Açores. Comprei 10 quilos de queijo-ilha. O queijo-ilha estava a 8 euros/quilo. Suicidou-se uma pessoa da minha família. Descobri que o amor não salva tudo. O amor nem salva o próprio amor. Fui Charles. Fui tudo o que me apeteceu. Os supermercados começaram a cobrar-me sacos de plástico. Recebi convite para o casamento da minha amiga Rita no México. Pintei o cabelo várias vezes. Cortei-o. A minha primirmã arranjou o seu primeiro emprego. A Ana começou a falar que se desunha. Não se cala um minuto. Arranjei um trabalho muuuito longe de casa. Morei sozinha numa cidade que (ainda) não me diz nada. Voltei para a minha casa. Percorri milhares de quilómetros. Conheci a minha Marta Tex num workshop no IAC. Comi ovos moles à colherada. Tomei como minha causa a luta pela celebração da diversidade. Mascarei a Ana de Branca de Neve. Vi As Obras Completas de William Shakespeare em 97 Minutos. Conheci o (meu) Luce. Pisei o palco do Tivoli. Desejei voltar a ter a minha Nikon. Não comecei a correr. Ministrei mais de 500 horas de formação.  Escrevi crónicas para a Lifecooler. Um dos meus tios esteve à porta da morte. Acompanhei o outro a algumas sessões de radioterapia.  Voltei à Tocha e conheci a Vera, a Neuza, a Clara e a Bárbara. Fui a 4 formações de Socorros Pediátricos e Suporte Básico de Vida. Tenho para mim que se alguém se finar ao meu lado terei um ataque de pânico. Conheci a Cristina Roquete e gosto tanto dela. Tive medo que morresse o bebé de uma amiga minha. Conheci a Alice Vieira e tive aí, provavelmente, o melhor dia deste ano. Voltei a visitá-la na sua casa, meses mais tarde. Fui professora convidada numa universidade e dei cabo da cabeça dos alunos. Fui ao Porto mais de uma dezena de vezes. Apanhei uma moca involuntária à custa de Valium. A minha filha esperou-me à porta sempre que me atrasei. Atrasei-me muitas vezes. Levei a Ana, pela primeira vez, ao cinema. Juntas vimos a Cinderela. Fui ao Mercado do Bom Sucesso mas apaixonei-me pela Lionesa. Dormi na mansão de Francelos da Flávia.  Perdi muitos comboios. Provei os éclairs da Leitaria da Quinta do Paço e fiquei fã. Fui convidada para ir ao "Moda Lisboa". Não fui. Tive menos tempo para tudo, incluindo para escrever no blog. Bebi margaritas com a Marta, o Filipe e o Luis. O Bairro do Amor, os seus voluntários, as suas actividades e as pessoas que dele beneficiaram comoveram-me muitas, muitas vezes. Senti muita raiva de quem não era a favor do acolhimento dos refugiados. Apanhei Maios. Fiz uma viagem de comboio de longo curso com a mãe da Maria e do Miguel e gostei mesmo, mas mesmo mesmo, foi da Vera.  Organizei uma caça aos ovos da Páscoa para a Ana. Fui a um sábado de manhã fazer compras numa cestinha de verga ao mercado das Caldas da Rainha. Namorei numa rede debaixo de estrelas na Casa do Moleiro. O Bahaus fechou para sempre. Não aderi à corrente dos 21 dias sem açúcar. Não comecei a correr. Comi tripas com ovos moles em Aveiro. Chorei ao oferecer à minha filha um colar de pinhões igual aos que a minha avó me fazia. Emocionei-me ao ver a minha filha e o meu marido dentro de uma bola gigante no Clube do Vimeiro. Lançámos um projecto que me continua a apaixonar por celebrar a diversidade: "O Mãe Decide". Conheci a minha querida Marta Pereira e nunca mais a larguei. Descobri onde se come a verdadeira francesinha (café Inovador, na Maia). Deixei de beber leite. Reencontrei a Ana Póvoas, a Ana Santos, a Titá, a Bárbara, a Ângela, a Elisabete e conheci a Teresa e a Ana Tavares. Reencontrei, inesperadamente, o Padre Cruz e senti-me em paz. Assisti à festa de bodas de ouro dos meus tios. Apareci nas páginas centrais de um jornal. E foi vestida. Passei uns dias espectaculares na Casa da Meia Lua em Vilamoura. A Ana sentiu saudades minhas todos os dias. E eu da Ana. Petisquei ao final da tarde numa esplanada da Galeria de Paris. Voltei à Lello e não paguei entrada. Dormi no sofá da Teresa em Rio Tinto. Dei um minúsculo contributo para que o Francisco tivesse um novo andarilho e voltasse a andar. Morreu a tia Nina da minha amiga Catarina. Contei com a Mafalda e as duas gerações anteriores à Mafalda para o filme do Bairro do Amor. O Home e a Marge dos Simpsons estiveram para se divorciar. Continuei a ter problemas com telemóveis. Voltei a S. Martinho do Porto com a minha amiga Catarina. O Jorge Jesus foi para o Sporting. Comemorei 35 anos numa festa de aniversário intimista e muito aconchegante. Em 24 horas os meus amigos ajudaram-me a angariar dinheiro suficiente para levar dez pessoas a uma colónia de férias. E com o dinheiro que sobrou organizámos um baptismo de surf. A Inês prescindiu de um iPhone para se juntar à causa. O Quaresma despiu-se para uma capa de revista. Dei formação a mais de 500 pessoas. Escolhi o Jardim de Infância da Ana. Apresentei a A. à Inês e sei que elas farão história nos direitos das mulheres. Ajudei a pintar paredes de uma sala especial da Polícia Judiciária. A Ana teve um traumatismo craniano e eu pensei que ir morrer de aflição. A minha MEP aturou-me mais do que o suportável (obrigada, chouriça!). Vi pessoas a lutarem pelos direitos dos caracóis. E miúdos a fazerem jogo simbólico em Portalegre brincando aos motins. O Cavaco decidiu pôr crianças a bater continência no Palácio de Belém. Nunca deixei de me sentir grata pela vida que tenho.  Improvisei na organização de festas de aniversário e dei o meu melhor para ver a minha filha feliz. Preparei gelatina azul. Brindei com a Bé, a Rosa e a Rossana num final de tarde em Agosto. Mataram o leão Cecil. A Ana comemorou 3 anos. Dei sangue. Fui prelectora numas jornadas científicas. O Ricardo fez a sessão fotográfica mais mágica do Mundo com a minha ilha. Conheci a livraria Dejá Lú (e fiquei fã). Morreu a Maria Barroso. Fiz limpezas e ajudei a pintar casas que passaram a ser o lar de pessoas refugiadas de guerra. Voltei ao Zoo. A Ana entrou no Jardim de Infância e isso foi muito importante para nós todos. Viajei na Ryanair e ia tendo uma apoplexia. A Joana Amaral Dias despiu-se numa capa de revista e fez ela muito bem. Bebi uma bjeca à frente da praia mais carismática do mundo com o Ricardo e a Mónica. Enjoei-me da Elsa e da Ana. Fui ao pão por Deus com a Ana. Ainda não aprendi a dançar. Nem a fazer ponpons. O Passos Coelho foi Primeiro-Ministro. O Passos Coelho deixou de ser Primeiro-Ministro. o António Costa é o Primeiro-Ministro. A Ana aprendeu a nadar. Criámos A SEITA. Andei de balão de ar quente e foi uma das experiências mais fantástica do ano (obrigada Andreia!).  Falhei o Festival da Castanha de Marvão mas abracei a Catarina em robe. Fui feliz em Benavente e em Samora Correia. Fui a spas e não foram suficientes. Assisti a um espectáculo de ópera. Experimentei comida libanesa. Namorei à sucapa em Tavira. Houve atentados terroristas em Paris e temi pelo meu amigo Rúben. Continuei sem pêlos graças à Dora. Fiz de ponte entre a Vera e a Joana e tive uma manhã de véspera de Natal quentinha. Fui apanhar sol com a Rita e o Luis  ainda sem rampa mas com a ajuda do Luis da Marta. Ajudei a organizar uma festa de Natal e a angariar 50 cabazes para 50 famílias bem como brinquedos para os miúdos da ASBIHP (obrigada Rosa, Paula e Lego!). Cozinhei aletria e mexidos em homenagem à minha avó. Senti a falta dela e do meu avô todos os dias. Todos. Congeminei com a São João o melhor presente de Natal de todos os tempos. Ganhei um aspirador robot. A minha Bimby continua avariada (o preço do arranjo é pornográfico!) e já me ajeito com os tachos e as panelas. Levámos a ASBIHP à televisão. Vi o Bairro do Amor organizar o evento mais espectacular do ano graças à Marta e suas martetes: a Children Street Store. Fui jantar à Vila Presépio com a minha trupe bairrista. Assisti à primeira festa de Natal da minha filha. Comovi-me por a Ana acreditar no Pai Natal. Decidimos onde vamos renovar os nossos votos de casamento. Matei saudades de Aveiro. Não corri nem um metro. Bebi vinho quente no Xmas Club.  Ainda não provei bagas nem sementes. Acabei o ano a ouvir discos de vinil numa festa de garagem com as mesmas pessoas com que  o comecei. Coleccionei estes momentos todos. Fui feliz.

2014 foi assim
2013 foi assim
2012 foi assim