sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

É Carnaval, Ana, espero que não me leves a mal

Querida Ana, 

Não sei se vais adorar o Carnaval como a tua avó ou detestar tanto quanto a tua Tidinha mas, por enquanto, cá vou cumprindo os rituais de mãe. 
O ano passado fantasiaste-te de vaca ou, como diz o teu pai, de "guexa". Este ano serás uma Minnie, contra o meu gosto que acabei de abrir a minha página de facebook e dei de caras com umas 34364748 Minnies diferentes. Isto de ser mãe não é nada fácil: se por um lado quero que te mascares do que mais gostas (e, caramba. se adooooras o raio da Minnie) por outro lado acho que ficarias tão mais engraçada vestida com uma qualquer outra fantasia mais original. 
O teu pai quer que vás de Minnie desde o princípio. Defende que o Carnaval é das crianças e que as fantasias as devem fazer felizes a elas e não servir como montra de vaidades dos pais e tentativa de individualização dos mesmos. Yeahhh, ele tem razão (tem quase sempre). 
Mas, filha, o Carnaval são dois dias e não te vai custar muito alinhares na máscara que a mãe te está a fazer para o outro dia, certo? Bem sei que não é de Minnie nem de Noddy nem de Pocoyo nem de Caricas que são, basicamente, os bonecos que identificas e que adoras. Mas é fofinho, filha, faz-me lá a vontade. 
Prometo que, em troca, deste Carnaval em diante não te faço sinais gigantes no buço com eyeliner, não te maquilharei como uma traveca e não te vestirei kispos em cima dos vestidos esvoaçantes. E se te mascarar de princesa prometo- aqui perante muitos leitores- que não te vou comprar vestidos pinguços e tiaras de plástico manhoso. 
Portanto, tem paciência para esta tua mãe. Só este Carnaval, em que o teu vocabulário ainda não chega para me contrariares. 
Um beijo da tua mãe

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Chove em nós

Já não são os nossos avós: são os pais. Depois do pai da Xana, um cinquentão saudável e charmoso ter morrido no balneário do seu ginásio, da mãe da Rosa aos 51 anos ter sucumbido a um AVC, desta feita foi o pai da Catarina,
Morreu para muitos um homem importante. Um ícone da Guiné-Bissau.
Acho que não conheço muita gente que tenha conhecido heróis. Talvez, a Calinhas, avó da Catarina, que conheceu Fernando Pessoa e tem um livro autografado por ele. Fico sem fólego de cada vez que me lembro disto. Mas eu falo de heróis vivos, pessoas reais, que vestem calças de ganga e usam cachecóis do Sporting quando assistem aos jogos directamente do sofá. Eu conheci.
Conhecer o Pepito, era conhecer um herói. Casou-se à revelia dos pais e, assim que nasceu a primeira filha, a família aterrou numa Bissau recém-independente, de onde era natural e onde queria mudar o (seu) mundo. Foi o pai da reforma agrária na Guiné, um político social por vocação e o maior impulsionador do desenvolvimento comunitário daquele país. Não queria dar peixe às pessoas mas ensiná-las a pescar. Não queria substituí-las, queria dar-lhes ferramentas. De Norte a Sul da Guiné, tabanca a tabanca, toda a gente sabia quem era o Pepito, o branco mais preto de que há memória. Viu-lhe ser pilhada a casa e a vida mil vezes e voltou a erguer tijolos, mobílias e a dignidade mil e uma. Dizia que "desistir é perder, recomeçar é vencer". Recusava ser comparado com o Che Guevara afirmando que "Morrer pela revolução é fácil, viver pela revolução é que é difícil". Ele viveu.
Morreu para muitos um homem importante. Um ícone da Guiné-Bissau.Para nós morreu o pai da Catarina, o pai de um de nós. 
Sentiremos a falta do seu sorriso franco de cada vez que nos recebia em Oeiras ou em São Martinho, das histórias da Guiné e do ar embevecido quando ficava criança outra vez só por brincar com a neta com quem dançava música africana e embalava em crioulo. Sentiremos falta do tom propositadamente sério para nos intimidar, do porte de gigante e dos olhos vivos de cada vez que se falava do Sporting. Sentiremos falta da sua presença no quintal com vista para a baía em almoçaradas cheias de gentes vindas de todos os lados do Mundo com quem acabávamos por confraternizar porque a sua casa era como o seu coração: aberta a quem viesse por bem. 
Hoje não chove lá fora mas chove em nós. Morreu para muitos um homem importante.Para nós morreu o único herói que conhecemos e, mais importante que tudo, morreu um pai. O pai de um de nós.

(Um beijo, Catarina. Gosto tanto mas tanto de ti.)



terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

I love Cocó e Cocómen!


"Quadripolarizei Delhi, Pólo Ruth Norte! (a folha era manhosa, tinha texto atrás, mas foi o possível!)"

प्रिय Cocó eu amo vocêses, pá!


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que aproveitam o pretexto do Dia de S. Valentim para (continuarem) a namorar e as que afirmam que não passam cartão nenhum à data.

(ninguém assume que gosta!)

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O mundo divide-se entre...

... as pessoas que ao sairem da sala de recolha de bagagem do aeroporto da Portela vão pela rampa do lado direito e as que seguem pela rampa do lado esquerdo.

Porque hoje é dia 13...


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Quadripolarizações em grande





"Cara Ursa!
já te leio há uns anos, e o meu namorado ouve-te :) (porque eu leio-te em voz alta de vez em quando...sim eu sei...podia dar-me para coisas piores).
Este ano quadripolarizámos para ti a costa do Vietname na totalidade (fizemos de mota Ho Chi Min/Hanói e passámos uns dias em Halong Bay, é daí a foto que te enviamos) e seguimos para Moscovo, por isso acabámos por quadripolarizar também a Rússia (com -23º)!!! Vê isto como uma retribuição às gargalhadas que nos fazes dar!!! :)"

Obrigada Marisa e ouvidos do namorado da Marisa!

E se houver uma música que tu desconfias que foi escrita a pensar em ti: qual será?

Eu tenho a mania que um dia o Woody Allen vai pôr o meu nome nos créditos no fim de um filme.
Não só é estúpido, porque eu não conheço o Woody Allen, como é perfeitamente idiota porque eu faço isso há séculos, desde que vi o Match Point, e continuo a achar que um dia- truca!- lá me vou surpreender com o meu nome escarrapachado na tela do cinema.
O mesmo acontece com os agradecimentos dos CD's, assim que rasgo o papel transparente, saco do caderninho da capa do CD, folheio-o até ao fim para ver se o meu nome aparece. Até agora nada, mas estou convicta que vai chegar o dia.
Mas agora não há ninguém, mas mesmo ninguém, que me convença que esta música não foi escrita a pensar em mim. O Jorge Palma é que (ainda) não descobriu...

sábado, 8 de fevereiro de 2014

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

T(r)inta anos. Mais 4 a vulso.




Soma de dias, de noites, viagens de terra e de mar, de ar, cabeça nas nuvens, nas ondas, pés na terra, na areia, na rocha-calhau, olhares no céu, nas estrelas, na cidade acabada de estrear, o mesmo oceano, cagarros na caldeira, gaivotas, pombas sujas e pardais em cima de fios de electricidade, caminhos de terra batida, canadas de cima, canadas de baixo, ruas alcatroadas, avenidas esburacadas, coretos e estátuas, tascas e cafés gourmet, lapas grelhadas, iscas com elas, "áquela!", "como está?", tu e você (agora, às vezes "o senhor"), cabelos loiros, fios esbranquiçados, o fumo da mesma marca de cigarros além-mar, espaços a fio, lugares comuns, cafés e bicas, "Desculpe? Senhóra?", idas, regressos, lençóis esticados, corpos em conchinha, ouriços do mar em travessas e caracóis num pires, enfim o amor pleno, mitose celular, olhos em eco, tu e eu no singular que é o nosso plural, Ana, Ana em ti, colo de milhafre, filho, pai, meu amor. 
T(r)inta anos: agarra no pincel e usa a tinta do tempo e faz dela a pintura que te apetecer, obra prima de uma vida cheia (de luas, de graça), tua, nossa. 
T(R)inta anos. E como o tempo dá-nos a confiança para nos equilibramos, desta feita, faz mais um quatro também.

Feliz Ano Novo, meu amor maior. 

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Cambodja? Done.


"A pedido das monissimas, a Sof quadripolarizou o Cambodja. Ao fundo estão os templos de Angkor, a paisagem mais famosa lá do sítio...

Beijinhos para a ursa maior e menor.


O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que ao preencherem o boletim do Euromilhões escolhem números que coincidem com datas de aniversário dos ente queridos e as quem escolhem números ao calhas.
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