sábado, 28 de agosto de 2021

Airbag sofa

A Ana foi buscar todas as almofadas de casa- repito: todas- e estofou o sofá, gritando para mim, na cozinha:

- "Camiiiiinha feita, mamã!" 

Saturday night lalalalala



Que comece a desgraça!

[Primeira vez em 9 anos que vai beber Pepsi ao jantar: não me julguem! É a noite da loucura, pá!]

terça-feira, 24 de agosto de 2021

O meu blog não deu um programa de rádio...

Mas tive um convite para publicar um livro com o best of do Quadripolaridades. 

Ando há meses a empurrar com a barriga a decisão. 

Alguém ainda lê livros de blogs? Qual a vantagem de ter tudo compilado num livro? Não é um bocado arrogante achar que estes textos trapalhões todos podem tornar-se num livro? É que um livro é uma coisa séria. Qual a motivação para se escrever um livro? O ego? O meu ego precisa disto? Eu até já plantei uma árvore, escrevi um livro em miúda e fiz uma filha. Motivações de dinheiro? Eu trabalho, nunca quis viver de dividendos do blog. Anyway, entre o que fica para a editora e o distribuidor, compensa mais fazer macramés com a miúda e vender online. E depois tenho que ir aos programas da manhã divulgar o livro e toda a gente sabe que eu curto tanto eventos televisivos como arrancar as unhas devagarinho, uma a uma. Ou injeções nos olhos. E... e...

Por outro lado, o Prezado mandou-me um draft da capa e... 





Digam-me lá coisas. Vocês: os que vêm aqui, não os que só vão às redes sociais. Que esses contentam-se com os bonecos do meu instagram. 

domingo, 22 de agosto de 2021

A pessoa dispersa e quando dá por ela já lá vão anos.

 


 A pessoa dispersa e quando dá por ela já lá vão anos. Pensa voltar a escrever com regularidade num só sítio para conseguir apanhar todas as postas de pescada e sentenças defecadas no facebook, no instagram e no twitter e mais houvesse- é como calha, nunca fui muito estruturada-  e reunir tudo de forma organizada, compilada e “escorreita”, como diz o açoriano cá de casa.

Às vezes a pessoa pensa “caraças, como é que eu conseguia?” aquilo de escrever todos os dias, várias vezes por dia com trabalhos difíceis em departamentos de recursos humanos, com vidas sociais agitadas, com dramas familiares e depois com a miúda pequena, se bem que toda a gente sabe que a miúda era praticamente um lémur, só comia e dormia e exibia os seus lindos e enormes olhos azuis, i did “know nothing, John Snow”, que é como quem diz Pólo Norte, sim, que ainda sou a Pólo Norte, a ursa e fico um bocado cheio de fernicoques quando me chamam “Quadripolaridades”, NÃO CONFUNDAM O NOME DO BLOG COM O NOME DA PERSONAGEM, TÁ?. Agradecida.

A modos que isto de ter coisas aqui e ali para públicos distintos, ai que os velhos ainda estão todos no facebook, que se lixe, então ainda sou velha e são bués e eu gosto de escrever para muita gente que se quisesse escrever para meia dúzia de gatos pingados escrevia postais para a malta cá de casa; ai que os novos e cool estão todos no instagram, ai mas espera aí, eu também ainda estou aqui cheia de genica e continuo muito cool e gosto mesmo da cena das imagens bonitas com o texto a acompanhar; a modos que a malta old school dos blogs já nem sabe para que lado se virar, Deus me guarde e me livre do Tik Tok, que se Kapinha é o Rei do Tok Tok, agora pensem lá…

Mas, honra seja feita, se não fosse ter alcançado os 10 000 seguidores no Instagram (o número de visitas médio que eu tinha à uma da tarde, todos os dias, somado no blog nos tempos áureos que, ok, não correspondem, ao número de visitantes mas de visitas e toda a gente sabe que as actuais dos meus ex faziam muito F5) não teria ganho aquele bónus do swipe up para encaminhar as pessoas para aqui, logo, este come back não teria acontecido.

Já disse que não alinho no tik tok, não já?

De resto a vidinha vai uma miséria franciscana: casa, trabalho, pandemia;  a miúda já fez nove anos , minha ryca filha, toda a gente sabe que continua a mais bonita, inteligente e maravilhosa de todos os filhos do Mundo, deve estar a guardar-se para a adolescência para me copular a idade da menopausa e tornar a minha vida insuportável, já não vai bastar as hormonas e os calores; mais pandemia, trabalho, casa; mámen continua um santo a aturar todas as minhas merdas com toda a classe do Mundo, ainda não me divorciei e ainda também não me deu nenhuma crise de meia idade; mais casa, pandemia e trabalho; a minha mãe continua fantástica mas proibiu-me de escrever sobre ela e a minha sogra já sabe da existência não só deste blog como das redes sociais, portanto, CALÔ, ninguém abre a bocarra; mudei de trabalho e estou numa fase de não saber bem o que quero para os próximos tempos mas sei do que sou capaz, isto dos 40 tem essa coisa de bom, a pessoa não consegue controlar o decurso do Mundo e percebe a sua infinitude perante os imponderáveis e imprevistos da vida que não consegue controlar mas conhece-se a si cada vez melhor; de resto estou um bocadinho para o gorda mas uma pessoa não consegue resistir a uma pandemia, à escola em casa, aos ciclos de teletrabalho, a máscaras a fazerem acne no queixo, à propagação de pseudo escritores como o Chagas Freitas e o Raul Alma Dele e ao Kapinha no Tik Tok sem se consolar com comida.

De resto cá vamos, enquanto a Margarida Rebelo Pinto continuar sossegadinha sem escrever mais livros, a malta aguenta-se com a cabeça entre as orelhas.

Acho que voltei.

 

P.S.- I still hate Hello Kitty.

P.S. 2- Ainda estou a decidir se recupero o arquivo do blog ou não. Digam-me de vossa justiça. 

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Ana, a poliglota

Voltámos de férias e a Ana desafia-nos para uma noite de jogos. 

Agarra no Jogo do Joker que recebeu no aniversário e diz que não quer jogar mas só encarnar no Vasco Palmeirim (é fãzorra) e começa a fazer as perguntas em voz alta:

-  "Qual a primeira mulher cientista que ganhou um Nobel? Opção A: Mariah Carey. Opção B: lalala" e segue com 4 opções sem lógica nenhuma.

 Matamos a cabeça para adivinhar. "Lê lá isso melhor!" "Lê lá isso outra vez!" "São mesmo essas as opções aí escritas?" Que sim, que sim. Ainda perguntamos "é um Emmy ou um Nobel?". Diz que é um Nobel e insiste: "Opção A: Mariah Carey blá blá..." 

Era a Marie Currie. 

Mariah Carrey em inglês lido pela Ana, fecorse!

domingo, 8 de agosto de 2021

Aos 9 de Agosto de 2021, à Ana por ocasião do seu 9º aniversário

Há nove anos era sobre mim. 

 Sabia que este era o último dia em que não seria mãe, o último dia em que seríamos dois, o último dia em que a minha vida seria diferente, não sabia eu do quê, mas diferente de certeza. 
Não me enganei. Mas não sabia nada, ainda assim. Porque quem está grávida de primeira viagem nunca consegue sequer imaginar um ínfimo com o que vai contar. 

Neste dia, há nove anos, eu não sabia. Achava que deveria ser bom. Nunca conheci nenhuma mãe com saúde mental não ser extraordinariamente feliz nesse papel. Portanto, iria ser bom, de certeza. Fosse lá isso da maternidade o que viesse a ser. Mas depois foi. Ou melhor, fui. Fui mãe, fomos três, foi a vida a dar a maior cambalhota de sempre. 

E essa foi a grande mudança: deixei de conjugar o verbo ser no singular e passei a fazê-lo num plural, apertado e simbiótico, do qual nunca deixarei de fazer parte. Nunca mais serei uma. Nunca mais serei só eu. Porque todas as células do meu corpo respiram para proteger e amar aquele ser pequenino, neste dia há nove anos, ainda mais pequeno, escudado pela minha carne, sangue, ventre, útero, entranhas. 

Amanhã finalmente cá fora, exposta ao Mundo mas, ainda assim, desde então, todos os dias engolida pelo meu amor, cuidado, preocupação e afecto. Protecção. 

 Há nove anos eu achava que já era mãe. E era. Mas nisto da maternidade todos os dias contam, todos os dias somo amor, instinto e a essência duma existência maior, mais robusta, mais fibrosa que só nasceu quando te pari, Ana. 

Amanhã fazes 9 anos mas hoje celebro eu 9 anos desde a minha despedida de ser uma, desde que deixei de existir só. Ser mãe é deixar de ser singular. Que passaste a ser o meu plural.

 Há nove anos que já não é sobre mim. E ainda bem, Ana. 

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Últimos preparativos para a festa de aniversário

Estou a fazer a lista das compras para o lanche e a rever em voz alta a ementa: " Bolo de bolacha, pipocas, mini hambúrguers, espetadas de fruta, sumo..."

 "Mãe: e se esquecessemos isso tudo e substituíssemos tudo por camarão?! "

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