segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Acredita piamente no Pai Natal (e não lhe mente)

 “Mas às vezes gosto de um bom drama”

Como não amar a honestidade da Ana na carta ao pai Natal aos 8 anos?!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

O day after

“A sério, mãe? A sério? Opá e se a Luz* me quer fazer a folha?! A sério, mãe? Que se lixe a Luz! Vou desmaiaaaarrrrr!”




[*a Luz é a namorada da Carlos Manuel na série...]

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Isto acontece sempre quando a miúda já me está a dormir

 



Amanhã de manhã tem um micro-AVC.

Não me queixo de monotonia

"Olha sabes com quem eu gostava de casar quando fosse crescida?"
Não, Ana. Com quem?
"Com o Carlos Manuel. "- e arreda para o quarto deixando-me na ignorância, a pensar quem raio no ano de 2012 botou o nome de Carlos Manuel ao filho e a rever mentalmente todos os meninos da escola.
De repente faz-se-me luz.
Carlos Manuel:





segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Estamos há meia hora a rir

A minha mãe e a minha filha a jogar stop electrónico. Tema "rios". Letra "J".


Salta a Ana: Rio de Janeiro!

...

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Nossa senhora da gataria me proteja

 Comprámos duas guppies fémeas e introduzimos no aquário que estava com imensos guppies. De repente começam a ser dizimados e eu "ai caraças, queres lá ver que as putas das peixas me estão a comer os outros todos e o camandro!"

Ontem à noite olho para o aquário e se isto não é uma aparição da Nossa Senhora da gataria, acho que ...






...

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

A maior mentira do Mundo

 Para além da pai Natal, da fada dos dentes, dos unicórnios e das fadas que vivem no quarto dela e que se chamam Oriana, Ruby e Violeta, do signo dela ser unicórnio com ascendente em arco-íris, tudo coisas em que ela ainda acredita; no quinto aniversário da Ana estávamos no quintal e apareceu um daqueles aviões a dizer "festa de espuma no Tamariz" e ela, que ainda não sabia ler, perguntou-me o que dizia a faixa e eu respondi, por impulso: diz "feliz aniversário, Ana!".

Foi a euforia total.

Desde então, todos os aniversários, ela relembra o feliz episódio rematando: "Adoro sempre os teus presentes, mamã, mas nada bate aquela vez em que alugaste um avião para me dar os parabéns..."

Vou levar isto para a tumba, só para que saibam...

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

O Mundo divide-se entre...

... quem anda a googlar cenas da monarquia britânica e os outros.


[Amantes de "The Crown" unidos!]

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

domingo, 8 de novembro de 2020

Do belo


Marta C. Gonzalez foi a primeira bailarina do Ballet de Nova York nos anos 60. Hoje, com Alzheimer, dão-lhe a ouvir o Lago dos Cisnes. Esta foi a reacção.
(via Zita Neto)

domingo, 1 de novembro de 2020

8 anos

 



Porque é que não há comida azul? Porque é que os chás e o atum vêm em latas e as salsichas e o grão em frascos? Os búzios namoram com as conchas? Porque é que os famosos querem ser famosos se depois não gostam que os reconheçam e falem com eles? Porque é que os homens baixos não usam sapatos de salto alto? Os nervais têm poderes mágicos debaixo de água? Porque é que há queijo de vaca, cabra, ovelha e não há de porco? Porque é que o Japão que é uma ilha inventou o sushi para conservar o peixe e os Açores inventaram pacotes de leite e queijo? Porque é que há quem ache que o mundo não é redondo e embirram é com as crianças que acreditam em fadas? Se me dizem que as fadas não existem porque nunca as viram porque é que acreditam em Deus se também nunca o viram? Há países onde não há quatro estações do ano: como será a quinta estação do ano? Primaveral ou outoverno? Porque é que não há uma dança típica portuguesa para um casal dançar como o tango na Argentina e o flamenco em Espanha? Se há bonsais, não deveria também haver animaisais? Porque é que põem actores sem deficiência numa cadeira de rodas a fingir que têm deficiência se isso é tão estupido como pintar um actor branco para fingir que ele é castanho? Porque há um dia da igualdade se toda a gente sabe que devíamos era ter um dia da diferença? O papa é o CEO da igreja? Porque é que não há flores com as pétalas verdes? Porque é que há países onde o cabelo das mulheres tem que ser tapado por causa dos olhos dos homens: não deviam eram tapar os olhos deles? Porque é que se nasce a chorar em vez de a rir? Não devíamos aprender língua gestual na escola? Porque é que os cozinheiros mal criados é que têm programas na televisão em vez de serem os simpáticos e gentis? As fadas, os unicórnios e o Pai Natal vivem todos no mesmo Bairro? Como é que os meninos cegos constroem puzzles e fazem legos? Se os filhos nascem da barriga das mães, as mães quando têm que morrer não deviam murchar na barriga dos filhos?

Ana: há oito anos a abanar o meu Mundo.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

De vez em quando, quando preciso mesmo, volto aqui

O Mundo divide-se...

... entre as pessoas que, em criança, fizeram visitas de estudo à Central de Cervejas e os outros.

Regresso às aulas da Ana: uma análise histórico-estatística

 


Fazendo uma análise regressiva onde se pode verificar que no primeiro ano me enganei na data (era 2018, btw), no segundo fiz tudo certinho, agora no terceiro não reparei que ela só levava uma meia, estou em crer que, tendo em conta a análise das probabilidades, para o ano volto a acertar. 

Menos mal, que é o último ano da primária e dava-me jeito acabar em bem. 

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

O INCRÍVEL SENTIDO DE HUMOR DA MINHA FILHA - IV acto

A Ana deita-se ao meu lado, enquanto lhe faço cafuné. Falamos do dia, eça conta-me sobre a nova professora, que adorou a professora de inglês, que andou a brincar com os amigos no intervalo, as regras novas da escola, o amigo que demora sempre muito tempo a acabar de almoçar e do tempo que todos têm que esperar por ele, rimos, e pomos toda a conversa em dia. 
 Remato, eu, fofa que sou: "Então, de 1 a 10, quando darias ao teu dia?" 

Ela: "9" 

Eu, curiosa: " Nooove? O que faltou para dares dez?" 

Ela: "Xarope de ácer. Faltou xarope de ácer, que o que mandaste no frasquinho não chegou à última panqueca..." 


[Desisto]

Eu, sempre que alguém me diz que o facto dos miúdos usarem máscara é causador de traumas de infância...

 


O INCRÍVEL SENTIDO DE HUMOR DA MINHA FILHA - III acto


Eu: Repete lá os procedimentos sobre idas à casa de banho na escola, para ver se percebeste tudo, Ana?

Ela (enfadada): "Não toco na maçaneta da porta com as mãos, borrifo alcóol gel para o tampo, limpo o tampo com papel higiénico sem lhe tocar, atiro o papel higienico para dentro da sanita, vou buscar papel higiénico para puxar o autoclismo e atiro esse papel higiénico para a sanita outra vez, faço xixi sem tentar tocar no tampo da sanita, limpo-me, volto a puxar o autoclismo com papel higiénico para não tocar no botão da descarga, lavo as mãos e desinfecto-as com alcool gel e saio da casa de banho sem tocar na maçaneta da porta."

Eu: "Percebeste que deves tentar tocar no mínimo de coisas, certo?"

Ela: "Posso só fazer xixi de pé como os rapazes e no fim limpar a nojeira toda que ficar com papel higiénico e álcóol gel?"

O INCRÍVEL SENTIDO DE HUMOR DA MINHA FILHA - II acto


Eu: "Vá, filha: ano lectivo molhado, ano lectivo abençoado!"
Ela: "Tens noção de que "covidado" também rima, mãe?"
...

O INCRÍVEL SENTIDO DE HUMOR DA MINHA FILHA - I acto


Vamos a correr para o carro com a mochila a abarrotar e ainda um saco de pano todo eco-cenas cheio de material extra de artes, mais papel de lustro e uma cartolina, que também estava na lista.
Chove a potes.
Vamos todas desengonçadas, carregadíssimas, entramos no carro, ela olha para o saco de pano e constata, olhando para a cartolina toda molhada, num estado miserável:
- "Já viste, mãe? O terceiro ano é mesmo fixe! Ainda nem cheguei à escola e já aprendi a matéria de como fazer pasta de papel, han?"

terça-feira, 15 de setembro de 2020

O Mundo divide-se...

O Mundo divide-se entre os pais que forram os livros, mamam com as bolhas de ar, furam com agulhas, dizem palavrões e fica uma porcaria por demais e os outros.




 [Também há os que compram aquelas capinhas mas toda a gente sabe que isso não é parentalidade sofrida e com sacrifício, pré-requisitos essenciais nisto de se ser pai...]

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

A Primavera em nós

 As pessoas perguntam como fazemos para isto durar há uma vida. 

As pessoas não sabem que isto não é uma vida são várias como nos jogos de computador que para passares de nível tens que correr, cair, descobrir truques para passares à próxima etapa, morreres às vezes e não frustrares e desligares a porra toda, insistires e recomeçares tudo certinho para avançares. 

As pessoas não sabem que isto não é uma vida são três: a minha, a tua e a nossa e as três desdobram-se em todas as vidas que já vivemos e as que estão por viver, tudo o que e quem já fomos, o que somos e o que mudamos, quem seremos e a incógnita do que está por vir. 

As pessoas não sabem que o desafio é acompanhar o ritmo da mudança um do outro e de nós e das circunstâncias (e de não as conseguirmos controlar tantas vezes) e no fim crescermos para o mesmo lado e não nos desencontrarmos nos patamares, na direção em que andamos e às vezes eu abrando e tu apressas-te, outras tu paras para eu te conseguir apanhar, às vezes tomamos balanço e avançamos muito e é incrível e se estamos os dois exaustos ou quase a perder-nos sentamo-nos a conversar à sombra da árvore do bem querer, caem folhas de cansaços e chove mas nunca deixámos de ter esperança que a Primavera é cíclica e volta sempre e que devemos esperar pelas flores. 

As pessoas perguntam-nos como fazemos para isto durar há uma vida e não sabemos explicar que nunca pensámos ou decidimos que ia durar todas estas vidas, limitámo-nos a viver, a errar, a falhar e a desejar e querer insistentemente acertar e a descobrir que é na companhia um do outro que as cegonhas fazem ninho no Mundo, as andorinhas regressam sempre e o amor é um pedaço perfeito de sol. 

As vidas mudam, nós mudamos mas, ano após ano, a Primavera nunca deixa de regressar

A mámen, por ocasião do nosso 14º aniversário de casamento, esperando continuar a nunca ter que lhe pedir




"No te voy a pedir que me des un beso. Ni que me pidas perdón cuando creo que lo has hecho mal o que te has equivocado. Tampoco voy a pedirte que me abraces cuando más lo necesito, o que me invites a cenar el día de nuestro aniversario. 

 No te voy a pedir que nos vayamos a recorrer el mundo, a vivir nuevas experiencias, y mucho menos te voy a pedir que me des la mano cuando estemos en mitad de esa ciudad.

 No te voy a pedir que me digas lo guapa que voy, aunque sea mentira, ni que me escribas nada bonito. Tampoco te voy a pedir que me llames para contarme qué tal fue en el día, ni que me digas que me echas de menos. 

 No te voy a pedir que me des las gracias por todo lo que hago por ti, ni que te preocupes por mi cuando mis ánimos están por los suelos, y por supuesto, no te pediré que me apoyes en mis decisiones. Tampoco te voy a pedir que me escuches cuando tengo mil historias que contarte. 

No te voy a pedir que hagas nada, ni siquiera que te quedes a mi lado para siempre. 

 Porque si tengo que pedírtelo, ya no lo quiero. "

Frida Khalo

 Frida Kahlo

sábado, 29 de agosto de 2020

É um avião?

É um unicórnio morto e esculachado? É um arco-íris com problemas hormonais? É uma farfalota pimpinela que nunca se depilou depois de ter corrido naquelas corridas que atiram tintas para o trombil dos participantes?


Não: é a mochila da minha filha.


Ponho água fresca numa jarra


Antigamente odiava todas as rotinas: eram chatas, aborrecidas, previsíveis e enfadonhas. Eu sou feita do imprevisível, do flexível, do não planeado, da surpresa da vida, do improviso. 

 Depois, tal como uma criança que vê um infindável número de vezes o mesmo filme de desenhos animados, comecei, devagarinho,a apreciar saber o que vai acontecer. Gosto de saber que regra geral encontro pessoas civilizadas que usam máscara e não põem em risco a saúde pública, de comprar legumes sempre numa banca e fruta noutras duas, de visitar as peixeiras que acham que eu tenho sempre cara de quem compra sardinhas (e, na verdade, eu prefiro carapaus), que o senhor dos ovos dê sempre um ovo à Ana e o das flores a tente corromper com uma geribera para mudar de clube de futebol, de beber um café da Luísa e no inverno de comer pão com chouriço. 

Em psicologia chama-se “segurança do previsível” e eu gosto muito de chamar mercado a este mercado e saber que para a Ana é e será sempre o “mercado das flores”. 

 Há uma felicidade segura em viver aqui e uma previsibilidade encantadora em ter flores frescas em jarras espalhadas pela casa todos os fins de sábados de manhã.

terça-feira, 25 de agosto de 2020

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

This could be the end of everything





 I walked across an empty land

I knew the pathway like the back of my hand

I felt the earth beneath my feet

Sat by the river, and it made me complete
Oh, simple thing, where have you gone?

I'm getting old, and I need something to rely on

So tell me when you're gonna let me in

I'm getting tired, and I need somewhere to begin
I came across a fallen tree

I felt the branches of it looking at me

Is this the place we used to love?

Is this the place that I've been dreaming of?
Oh, simple thing, where have you gone?

I'm getting old, and I need something to rely on

So tell me when you're gonna let me in

I'm getting tired, and I need somewhere to begin
And if you have a minute, why don't we go

Talk about it somewhere only we know?

This could be the end of everything

So why don't we go

Somewhere only we know?

Somewhere only we know
Oh, simple thing, where have you gone?

I'm getting old, and I need something to rely on

So tell me when you're gonna let me in

I'm getting tired, and I need somewhere to begin
And if you have a minute, why don't we go

Talk about it somewhere only we know?

This could be the end of everything

So why don't we go?

So why don't we go?
Ahh

Ohh
This could be the end of everything

So why don't we go

Somewhere only we know?

Somewhere only we know

Somewhere only we know

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Férias nas Caldas # III acto

“Tu explicas-me sempre as coisas, mãe! Explica-me porquê? Tu dizes sempre que “não” não é resposta. Então porquê?!” 

Porque não, Ana. 


“Mas porque é que não podemos levar chupas de pilinhas de presente para a avó e a tia? Porquê?” ...

Férias nas Caldas # I acto

 

O meu nome é Pólo Norte, estou a passar férias próximo das Caldas da Raínha e a minha filha não quer trazer nada de recuerdo para além de um pénis com as cores de arco-íris e uma coroa no topo.

Obrigada, artesãos das Caldas!
...

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

#deusétuga | Ai, eu estive quase morta no deserto e Santarém aqui tão perto

 A música é com Porto e a voz profunda do Sérgio Godinho mas "perto" é mais que um state of mind: é uma dimensão física também. E o distrito vizinho é Santarém e tirando a capital do Gótico, o lavar de vistinhas com os agro-betos da Feira do Cavalo da Golegã, um namorado que tive em Almeirim e que me apresentou as caralhotas (é um pão regional,tá? Mas é também uma chalaça brejeira e a pessoa completou 40 anos mas continua uma adolescente que se ri com piadas parvas: aguentem-me!), a paixão platónica que tenho com a cidade de Tomar e um torricado que me ficou para sempre na memória comido com a minha amiga Clarisse em Benavente, nunca me tinha dedicado a explorar as entranhas do distrito de Santarém. Posto isto, para efeitos de estilo literário o título do post faz muito sentido, sim?

Alcanena: a capital da pele

Fomos directos a Alcanena. Não sabíamos nada de Alcanena mas queríamos ir ao Centro de Ciência Viva da Foz do Alviela, pelo que, metemo-nos a caminho e chegámos num dia especialmente duro. Na verdade é especialmente "mal-cheiroso" mas "duro" fica menos ofensivo para o alcanenenses. Percebemos que a culpa é da indústria dos curtumes aliada ao mau funcionamento da estação de tratamento de águas fluviais, segundo nos contou um senhor com quem metemos conversa num café. Demos uma volta pela cidade e descobrimos que em Minde, uma localidade pertencente ao concelho, há uma língua própria: o minderico e ficámos com mais curiosidade de explorar "a capital da pele" mas num dia com menos calor e odor. 

Seguimos, então, para o nosso destino programado: o Centro de Ciência Viva da Nascente do Alviela, também conhecido por Carsoscópio. Comprámos bilhete para este centro (erradamente, como viríamos a descobrir depois mas lá chegaremos) e começámos a visita. O tema principal do centro aborda as nascentes dos rios, as águas subterrâneas, o impacto da poluição e... os morcegos. O que prova que karma is a bat, tendo em conta a minha experiência traumática com morcegos há uns anos (não chamem o SOS animal que o crime já prescreveu, por Deus! E eu já sou uma mulher crescida e madura: se fosse hoje surtava sem reação mesmo.) A Ana adorou o simulador gigante (embora eu e mámen consideremos que a linguagem devesse estar mais adaptada ao público infantil), colocar óculos 3D para assistir ao filme e fazer todas as experiências sobre o impacto da poluição nas águas subterrâneas e depois foi o delírio com toda a informação sobre morcegos. Para mim foi bom porque oscilei entre a náusea e a vontade de bolsar e fiquei sem apetite até ao jantar, o que dá jeito para a dieta.

Saímos do CCV que fica mesmo ao lado da praia fluvial de Olhos d´Água (sim, confesso: o Toy fez um concerto na minha cabeça o tempo todo!) e ... mergulhámos. E que spot fantástico, caramba! Adorei, adorei, adorei! Água limpíssima e fresquíssima, peixes a passarem entre nós, gente civilizada e a respeitar a distância social, casas de banho e acessos dignos e bar de suporte e staff disponível. Não só recomendamos como queremos voltar antes do Verão acabar!


Olhos d'Água (o Toy é um sábio!)

Tancos, Almourol, Vila Nova da Barquinha e Constância

Chegámos a Tancos e não resisti à piadola de que deveriam ter por lá à venda t-shirts a dizer "I went to Tancos and all I didn't get was a lousy military weapon" mas, ironias à parte, Tancos é um lugar super arranjado e bonitinho. Mas o nosso objectivo era ali ao lado: Almourol. Estacionámos o carro e fomos a correr para a pequena embarcação que nos ia levar até ao Castelo (4€ por bilhete de adulto e a Ana não pagou. O bilhete inclui a travessia de barco que demora uns 4 minutos e a entrada no castelo. Há um acesso por terra mas, pelo que percebi, é proibido chegar de outra forma que não seja via rio). 

Mega "ohhhhhh" à aproximação do barco ao castelo, numa vista tão bonita como instagramável. Tudo lindo. Quarenta e cinco minutos dentro das muralhas e de visita ao castelo e voltámos para terra. Constatámos, nesta altura, que tínhamos deixado o carro aberto, com o cartão-chave lá dentro e que não tinha sido sequer tocado por nenhum transeunte. Tenho, agora, um belíssimo contra-argumento para sempre que o meu marido quiser armar-se em recalcado e referir-se ao carro como "a minha bomba" explicar-lhe que se calhar não e bem assim, já que fomos a Tancos e nem por misericórdia lhe roubaram o bote... (desculpem! Eu sei...)

Era hora de almoço e alguém nos tinha recomendado a Tasquinha da Adélia, em Vila Nova da Barquinha. E que excelente sugestão! Comemos imenso os três - por um preço obsceno de barato (16€) - grelhada mista no ponto, bebidas, sobremesas e cafés. Demos uma volta pela zona ribeirinha (que bonita!) que tem um parque verde muito giro com vista para o Tejo e seguimos para Constância

Constância (que antigamente se chamava Punhete!) é muito catita de um determinado ângulo. Só que depois há o ângulo das indústrias que descaracterizam aquilo tudo e a vista da ponte é tão bonita e uma pessoa vai ali tão feliz quando, de repente, leva um chapadão de realidade ao ver milhares de troncos no chão e as chaminés altas das fábricas de celulose e produção de pasta de eucalipto. Glup!


Acho que se percebe de onde vem o nome original...
Acho que se percebe de onde surgiu o nome original...


Mas decidimos explorar a vila e começámos pelo Jardim Horto de Camões (1,5€/entrada por adulto). Uma senhora simpática tratou de nos cobrar a entrada e logo se afastou para podar algumas das trepadeiras do jardim, deixando-nos explorar à nossa vontade. Regra geral apreciamos esta liberdade mas desta vez foi estranho porque nos sentimos perdidos e não havia uma narrativa explícita e congruente que nos fizesse viajar pela epopeia do filho mais famoso da terra e de toda aquela flora que representava essa viagem. Claro que aproveitámos para falar de Camões à Ana mas sentimos que havia tanto potencial e estava um bocadinho mal explorado. Valeu-nos o canteiro com uma coleção imensa de trevos de quatro folhas que fez as delícias da miúda. 

Seguimos para o Centro de Ciência Viva- Parque de Astronomia que estava fechado para o almoço e só voltaria a abrir passadas duas horas, o que nos fez desistir mas prometer que aqui voltaríamos. O borboletário tropical era ali ao lado e estava também no nosso roteiro. Só que não: está fechado temporariamente por causa da covid e tivemos que nos contentar com uma actividade sobre insectos na ecoteca pública, que estava um bocadinho confusa. A esta altura estávamos um bocadinho desiludidos com a "vila -poema"(sim, o tejo e o zêzere abraçam-se mas estava tuuudo fechado!) e decidimos, num impulso, ir refrescar as ideias ao açude de Santa Margarida ali ao lado mas ficámos pelo caminho e tratámos de chafurdar num tanque público ali ao lado. Foi genial!

Estávamos "auguados" de rios e barragens e águinha em geral e ... Ferreira do Zêzere e barragem de Castelo de Bode. Mega wow! A Ana já não queria ir embora ("e se dormissemos no carro, mamã?") e foi a muuuuuito custo que a arrastámos para o nosso próximo destino, só depois de prometermos que vamos passar um fim-de-semana a Castelo de Bode mais para a frente. 

Acabámos uma das tardes na Praia Fluvial da Ortiga e, meus amigos: fabulosa! Pouca gente, super limpinha, sem confusão. Super mas super mesmo recomendamos!

E no caminho para um novo distrito despedimo-nos do distrito de Santarém com a visão, até então, da vila mais bela de Portugal: Dornes (é de mim ou tem nome de terra de Game of Thrones?). O que é aquilo senhores? Tanta mas tanta mas tanta mas tanta mas tanta beleza! Já disse tanta beleza? Agora era eu que já perguntava a mámen se podíamos dormir no carro e ficar ali mais dois ou três dias ou o resto das férias, vá...O homem não cedeu, mesmo que eu lhe tivesse acenado com a ideia de pintar a torre templária pentagonal e a igreja maravilhosa e para isso ele precisaria de algum tempo, mas mesmo assim resistiu e eu fiquei como a santa padroeira de Dornes: num pranto. Agora só penso em voltar!

Seguimos viagem para o distrito de Castelo Branco com a certeza de que somos uns totós e não exploramos como deve ser lugares deslumbrantes que temos mesmo aqui no distrito vizinho e a certeza reconfortante de que identificámos lugares que queremos voltar e explorar como destino principal durante escapadinhas de fim-de-semana. Voltaremos: é uma promessa. 


Almourol


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Top do distrito de Santarém:

Pólo Norte- Dornes

Mámen- Ferreira do Zêzere

Ana- Ólhos d'Água


[Fotografias, dicas, segredos e detalhes do nosso #giroquadripolar é no instagram.com/quadripolaridades: batam à porta, sim?]

#deusétuga: prelúdio

 

                   


Etapa 1 | Lisboa- Évora- Santarém- Portalegre- Castelo Branco- Guarda- Bragança- Vila Real- Viana do Castelo-Braga- Porto- Aveiro- Coimbra e Leiria (os outros quatro serão picados antes do final do ano)


Havia muitos planos para as férias deste ano: eu faria 40 anos, a festa seria de arromba, estaria obviamente mais magra porque estaria focada na dieta, na Páscoa teríamos ido à feira de Sevilha com a Ana e agora em Julho receberia o subsídio de férias depois de quase um ano num trabalho tranquilo e do qual gosto muito e partiríamos- os três- para Nova Iorque abraçar a minha soul sister Eileen. Depois road 66 e seria um Verão inesquecível. 

Mas veio a pandemia e lá se foram os planos. 

Eu tenho muita resistência à frustração (aliás, frustro pouco porque nunca dou nada por certo e garantido: sou das que nunca compra bilhete de ida e volta) e não planeei mais nada. Logo se vê. 

Então ele propôs-me, até ao final do ano, darmos um giro quadripolar, uma espécie de volta a portugal de bólide e mostrarmos todos os distritos do país à miúda, uma road trip como adoramos, com improviso e aventura mas em Portugal. Começaríamos em força agora no Verão a cumprir 14 distritos do total de 18 (a esta hora, de certeza que estão a dizer baixinho o nome de todos).

Pensei que era fixe a título de prémio de consolação mas, afinal, a ideia pareceu-me cada vez mais emocionante. 

No instagram do Quadripolaridades criei umas stories com o esqueleto do percurso que planeávamos percorrer e fomos pedindo e anotando as centenas (foram mesmo centenas) de sugestões que as pessoas que vivem ou conhecem bem cada sítio por onde iríamos passar nos iam dando. Ou seja, a excitação começou ainda antes de apertarmos os cintos. 

Planear uma viagem é sonhar no plural. Eu recolhi todas recomendações, ele anotou e organizou e a Ana projectou tudo no mapa, que lhe comprámos na Bertrand. Mapa em papel: a loucura. Eu ouvi pessoas, ele estruturou os dias, ela tornou tudo realidade.

E, logo após o meu aniversário partimos. Foram um quase 2000 Km percorridos, muitos dias na estrada, muitas aventuras, muitas stories, diretos e posts de partilha no instagram e agora, na recta final da road trip e já a curtir o descanso dos guerreiros, arranjo tempo para deixar aqui tudo registado. Para quem quiser aproveitar algumas das dicas mas, sobretudo, para que eu não me esqueça. 

Para a Ana construímos um diário de bordo com o roteiro detalhado, as histórias todas, com aguarelas dos sítios pintadas pelo pai e cartas escritas à mão por mim. Acho que lhe oferecemos um pequeno tesouro que resume a herança maior que lhe queremos deixar: mundo vivido. 

Apertem os cintos: a saga quadripolar #deusétuga vai começar. 

[É escusado dizer que custeámos esta viagem porque, como sempre, a nossa opinião não está à venda. Assim sendo, estamos à vontade para dizer o que gostámos e o que nem por isso, sítios mesmo imperdíveis e outros que benza-a-Deus. Agora não é uma realidade absoluta: é a nossa opinião. Mas, como sempre, é uma opinião livre. ]

domingo, 9 de agosto de 2020

Aos 9 de Agosto de 2020, à Ana por ocasião do seu 8º aniversário

Sabes, Ana, este era um aniversário que eu ansiava. Oito anos é uma idade importante para mim e não é pelos melhores motivos. Mas sabes que te conto sempre a verdade do Mundo, mesmo que a verdade doa. Tinha 8 anos quando eles se separaram. Sei que não me ouves falar do meu pai mas eu gostava muito dele antes de desgostar isto tudo que desgosto. É estranho desgostarmos de um pai, não é? Percebo-te bem na medida em que tens o melhor e mais dedicado pai do Mundo. Dizia-te eu que tenho gravados os meus 8 anos como o ano em que os meus pais se separaram mas, na verdade, o que conta é que esse foi o ano em que me senti desamada pela primeira vez. Talvez por isso ansiava que chegassem os teus 8 anos, felizes e tranquilos, seguros e, especialmente, amados, cuidados e queridos incondicionalmente, por todos. Como se pudesse, através de ti, dar colo à menina de 8 anos que fui, dar-lhe beijinhos nas esfoladelas da alma, apagar o desamor sentido à estreia. A psicologia explica e um dia posso-te explicar tudo, vantagem de quem tem pais psicólogos, né? Crescer dói sempre, filha. Porque implica escolher e aceitar escolhas circunstanciais que a vida nos atira sem que peçamos. E todas as escolhas implicam um ganho do que se escolheu mas também uma perda do que se deixou por escolher. Aceitar e viver bem com isto é o maior desafio da nossa existência. Assim que perceberes que é assim que funciona tudo será mais fácil. Não te posso spoilar a vida, Ana, porque isto é absolutamente imprevisível e dinâmico. Essa também é a parte que tem graça. Desejo que cresças forte e segura. Não segura de ideias, que elas evoluem. Nem de dogmas ou convicções. Nem sequer de quem tu és porque vamos sendo diferentes pessoas ao longo da vida. Mas segura incondicionalmente de que és amada por nós e que nunca sairemos de perto de ti. Nunca será o último aniversário que, por nossa escolha, passaremos contigo. Como foi o meu oitavo, o último em que desconheci o desamor. Não aches que isto não é um final feliz porque sou tua mãe e tu consertaste, célula a célula da minha vida, a forma como vivo o amor. Como amo e sou amada. Eu ensino-te a verdade do Mundo mas tu retribuis-me com toda a verdade sobre o amor.

terça-feira, 26 de maio de 2020

Feliz Ano Novo, Marta!




A Marta celebrou o seu aniversário em quarentena.

A Marta tem um coração bonito com raízes profundas de valores e afectos e ramos que são abraços que nos dá com os olhos, o sorriso grande e também os braços.

 Um coração bonito onde podemos fazer ninho e voar de lá e voltar sem cobranças nem exigências porque a Marta é toda ela Primavera, como o é o mês que escolheu para nascer.

A Marta fez anos e ele dedicou-lhe a primeira aguarela que pintou em muitos anos porque a Marta tem coração de flores.

E a sua amizade cheira a tulipas, borboletas, andorinhas e sol.

É para verem a fé que estes canastrões têm em mim

Eu: a pessoa que informa no facebook que descobriu uma app de troca de casas durante as férias e cujos amigos mandam links complementares via mp de mais apps de trocas de CASAIS durante as férias.


Tá bonito.

Ana, a precisar de relaxar

"Ai, mãe, preciso mesmo de um banhinho de impressão".

segunda-feira, 25 de maio de 2020

"Uma pessoa compreende o Mundo, pouco a pouco, e depois morre"




“Uma pessoa compreende o Mundo, pouco a pouco, e depois morre” - in “as velas ardem até ao fim”. 
 Nos últimos meses aprendi tanto, cresci tanto, aprendi tanto sobre mim e sobre o Mundo, abriram-se tantas luzes, desfizeram-se tantos nós. Tem sido um processo tranquilo e sereno ao contrário de todas as outras vezes em que cresci à força, puxada por episódios marcantes específicos: a separação dos meus pais, a morte dos meus avós, o nascimento de Ana, a morte do meu tio. 

 Desta vez é diferente, é de dentro que o crescimento vem, não é nada externo, consigo projectar-me,pensar mais fundo como quem inspira, sentir melhor. 

 Faço quarenta anos dentro de dois meses, o equador da vida e já não me sinto a envelhecer, como se fosse uma coisa pesada e fatídica, sinto-me só finalmente a crescer sem ser à bruta, à força, com estaladas da vida e abanões do destino. Crescer como cresce uma planta já depois de ter caule e folhas e flores, crescer para os lados, tornar-me mais robusta e forte, melhor. Uma pessoa compreende o Mundo, pouco a pouco. Pouco a pouco, é mesmo assim. Para compreender tudo bem. Tudo certo e melhor.

 E depois poder, enfim, morrer como quem (se) apaga (n)uma estrela.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Ana, a mercenária

A Ana decidiu ocupar o tempo de quarentena criando pequenos caça.-sonhos. Vende-os (obviamente!) às minhas amigas, numa de juntar dinheiro para as férias (foi assim que no ano passado pagou as entradas de toda a família na Isla Mágica). É a pessoa mais poupada do Mundo.

É, também, super empreendedora e orientada para a tarefa.

Acabou uma série de caça-sonhos e decidiu publicá-los na sua conta de instagram. Uma seguidora decide fazer o quebra-gelo.

Apreciem:


Juro que sou mãe dela!


Tarefa do dia da Ana: transformar a sua biblioteca da sala num arco-íris. 

Não sei o que me mais espera mas tenho medo...

O mundo divide-se entre...

... quem organiza os livros na estante por tamanho dos livros e quem organiza por ordem alfabética de autores.

segunda-feira, 30 de março de 2020

Covifado

Depois do incrível samba da quarentena do Brasil e da fabulosa ópera da quarentena de Itália, temo o faduncho colectivo de homenagem à luta pela Covid-19.

sábado, 28 de março de 2020

quinta-feira, 26 de março de 2020

O meu nome é Pólo Norte e sou vítima de cozinho-bullying

Mámen e Ana voluntariam-se, muito diligentes e solícitos, para fazer o jantar (idiotas!).

Ouço-os aos risinhos na cozinha.

Abeiro-me e a Ana pergunta-me, muito séria: "Sabes qual foi o último filme de terror que eu e o pai vimos, mamã?"

Aceno que não.

Responde-me com ar de gozo: "Chovem almôndegas!"



Estão há vinte minutos a rirem-se da minha cara.

Petit noms fofinhos que mámen me chama

O meu excelso esposo brinda-me, regularmente, com uma lista imensa de petit noms fofinhos.


Vale tudo: Li, Lilica, Licas, Lica, Lilicosa, Grunguinha, Grungui, Grungosa e, quando eu estou furibunda, sai-lhe sempre uma interjeição que eu oiço como Jumarruá, e cuja origem nunca percebi nem nunca lhe perguntei porque, enfim, quando ele me chama isso eu estou sempre puta da vida.

Hoje à hora de almoço, depois da cena das almôndegas e de eu ter usado a cartada do "vocês são uns ingratos, eu dou o meu melhor, beca beca", ele virou-se para a Ana e disse "não cutuques a Jumarruá" e eu voltei atrás e esclareci, de uma vez por todas, onde raio tinha ele desencantado aquele petit nom fofinho.




É Juma Marruá.

Preferia ter-me mantido na ignorância. [Cabrão!]



Ana, a ingrata quase vegetariana

Tenho sobras de frango e quero aproveitá-las de alguma maneira. Tenho a ideia peregrina de fazer almôndegas de frango. Não ficam, propriamente, geniais (que toda a gente sabe que não fui bafejada com o talento da mão para a cozinha). 

Ponho o almoço na mesa. 

Mámen dá uma garfada, arregala os olhos e continua a comer em silêncio, para não me cutucar. 

Ana mete a primeira almôndega de frango à boca, mastiga durante muito tempo, enrola a comida na boca e, finalmente, engole, fazendo uma expressão de puro enjoo. 

Arregalo-lhe eu os olhos. 

Defende-se de imediato: "Tens noção que morreu uma galinha para isto, mãe?"


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quarta-feira, 25 de março de 2020

Ana, a sopeira católica

Mámen e Ana a fazerem o jantar.


Sopa na bimby a terminar. Apita a bimby e mámen destapa a tampa e verifica, com uma concha, a consistência da sopa, verificando a necessidade de juntar mais água para diluir a dita. Vira-se para a Ana e estende-lhe um copo, instruindo-a:

"Vai ali buscar água para baptizar um bocadinho a sopa"

Ana, olha confusa para o copo, destapa outra vez a bimby, olha muito séria para a sopa e arrisca:

"Eu te baptizo em nome do pai, do filho e do espírito santo. "






Estamos há uma hora a chorar a rir.

Hino de todas nós

Todas cabras

Já recebi de outra a dizer "Suplente de primeiiiras".


...

As minhas amigas prestam menos que as vossas

Depois de ler o meu último post aqui uma das minhas melhores amigas envia-me uma mensagem de whatsapp. 

"Se isso do mámen passar a ficar disponível em breve for para a frente, digo já: Primeiiiiiras".













 Putas.

terça-feira, 24 de março de 2020

Quem não tem cão, caça com unicórnio

Mamen não sabe onde meteu a embalagem e começa à procura de uma máscara para sair à rua. 

 Sugestão da Ana, muito séria e solicita : “se não encontrares podes usar a minha máscara de unicórnio..."


Relembro:




sexta-feira, 20 de março de 2020

quarta-feira, 18 de março de 2020

Coping em tempos de cólera


Há pessoas que quando estão assustadas, com medo, ansiosas ou frágeis congelam. Ficam ali a cismar, sem conseguir agir, enterradas nas preocupações, com insónias e falta de apetite. A maioria das pessoas que conheço ficam assim e acho que, por serem a maioria, se considera que esta é a forma socialmente desejável de se sentir (mostrar?) sofrimento. 

Já eu quando estou triste, angustiada, preocupada, perdida ou ansiosa tenho duas respostas: primeiro começo a ser hiperactiva e exploro todas as opções que consigo controlar de forma desenfreada até as esgotar; segundo não dispenso nenhuma gota extra de energia sobre coisas que não controlo. E durmo, muito, como se o meu cérebro se quisesse poupar, numa espécie de reboot e armazenar energia para quando ela for mesmo útil. As pessoas não são muito empáticas por quem não se mostra down, na merda e - muito menos- por quem dorme durante o caos. 

Eu durmo. 

Pensei que seria essa a minha resposta a este stress que o vírus trouxe à vida de todos mas, Maslow existe, e fiquei doente ( e não foi somático: fiquei mesmo doente). E por isso (e por ser grupo de risco) estou em isolamento e numa serenidade que complica a maioria das pessoas que conheço. As estratégias de coping são as respostas de cada pessoa para lidar com situações extremas de stress externas ou internas. 

Não há estratégias padrão ou universais para lidar com o stress. Tal como há diferentes formas para se fazer bolos. 

Não julguemos quem se orienta para a regulação da emoção como não julguemos quem adopta estratégias de resolução do problema. É, mais que nunca, a altura de aproveitarmos o período de isolamento para nos conhecermos melhor uns aos outros, com o tempo que o dia a dia, o trânsito, os relógios e o que fazemos para jantar, não nos permite. 

Mas, sobretudo, aproveitemos este tempo para nos conhecermos melhor. A nós próprios. 

E seja qual for a forma que tenhamos disponível para nos auto-regularmos e pormos o bolo no forno. Há poucas coisas melhoras na vida que o cheirinho a bolo quente a sair do forno. E a certeza de que somos capazes de ultrapassar o stress e sairmos ilesos disto. E comermos o bolo sem culpa. Com o prazer de estar vivos. 

Estaremos.

terça-feira, 17 de março de 2020

Nobody sait it was easy but caralho, men!






Há uma semana fomos almoçar ovos rotos ao rubro e eu ofereci às minhas amigas os presentes de Natal  atrasados:  umas canecas tolas feitas por mim. Adiamos encontros, andamos sempre de agendas desencontradas e damos por garantidas novas oportunidades de estarmos juntas, de nos abraçarmos, de partilharmos comida na mesma mesa, de rirmos cara a cara. 

No dia seguinte voltámos a estar juntas num momento tristíssimo de uma de nós e mais uma vez suspendemos todos os planos e priorizámo-nos. 

Eu, que não acredito em premonições, olho para as mensagens toscas que escolhi para cada uma delas. e para o facto de uma fatalidade nos ter juntado um dia depois, como um prenúncio dos tempos que, hoje, vivemos. Vai passar.

 Nobody said it was easy (But caralho, men), vamos ter que gritar namastoda-se muitas vezes, mas enfim, sobreviveremos porque, no fim de contas, somos todos paleolitic survivers. Não vai ser fácil mas vamos superar. Vamos ter que viver dentro de casa, experimentar big brothers familiares duros e vamos ficar insuportáveis. Mas vivos, que é o que se quer. 

Enquanto escrevo este post olho para a caneca que ficou por entregar à querida MEP e sorrio. A caneca que reza assim “Jesus ama-te porque não convive contigo”. Que com este convívio não nos deixemos de amar. Pelo contrário: que sobrevivamos com mais amor, mais sentido de urgência no amor, menos adiamentos de planos, de afectos, de beijos, abraços, olhos nos olhos e gargalhadas ao vivo que nunca mais daremos por garantidas. 

A vida dá-nos sempre hipóteses de fazermos melhor. 
Faremos.

quinta-feira, 12 de março de 2020

Ana, a confusa

"Ai mãe, a minha vida é uma confusão: como a catequese e o yoga são um dia a seguir ao outro nunca sei quando é que é para dizer ámen ou namaste"

...

quarta-feira, 11 de março de 2020

O Mundo divide-se...

... entre as pessoas que sabem o que significa quarentena e os estúpidos.

Ana, aos sete anos e bué dias



Chamo a Ana para tomar banho.

"Ó mãe, agora não dá! Estou no meu momento."

Volto a chamar, segunda vez.

"Deixa-me lá momentar mais um bocadinho, vá!"

Zango-me e começo a contar 1,2,2 e meio já para a banheira e ela segue à minha frente, injustiçada:

"Estás a ser momentosa!"

...

segunda-feira, 9 de março de 2020

Ana, a literal

 A professora da miúda reuniu a turma e fez uma brilhante e apaziguadora explicação sobre o Coronovirus, terminando com a recomendação mais inteligente de todas: o importante é lavar as mãos e bem e sem ser a despachar. 

Para ilustrar isto, deu como referência que eles devem lavar as mãos enquanto cantam duas vezes a canção dos "Parabéns a você". 

A modos que cheira-me que não há coronovirus que se cole à Ana pois, para além dela cantar desde a primeira estrofe do "Parabéns a você" até à última "uma salva de palmas", continua sempre com o "Obrigada, meus amigos, do fundo do coração, por me terem cantado esta linda canção", faz a onomatopeia dos aplausos, do sopro da vela olhando- se no espelho e no, fim, já a secar as mãos, reclama sempre com um "devíamos pôr uma vela aqui ao pé do lavatório para pedir um desejo quando acabo de lavar as mãos, não achas, mãe?"

São só 27538 minutos a lavar as mãos, coisa pouca. 

...

A minha vida é um prato de ovos rotos.




Uma espécie de metáfora da minha vida: batatas fritas alinhadas, presunto do melhor, o ovo no ponto certo mas o que mais queres na vida é desmanchar a gema do ovo, remexeres em todos os ingredientes, desalinhares todo o prato e chafurdares-te. 

A minha vida é um prato de ovos rotos.

sexta-feira, 6 de março de 2020

Calma



Aos 20 anos a gente quer arrumar a vida: introduzir sonhos em Excel, somar conquistas, acumular experiências, encontrar as fórmulas certas para cada operação e que no final as contas todas batam certo. Se pudermos introduzir gráficos que provem que não há margem de erro é tratar, analisar e discutir os dados, tanto melhor. Não queremos que haja dúvidas de que estamos certos. 

Esperamos aos trinta anos termos a folha de Excel imaculada e depois percebemos que a matemática não depende só de nós: há falhas de electricidade, vírus nos computadores da vida, actualizações no próprio Excel de versão 1.1 e quando passamos a dominá-la, já vai na 7.1. e estamos sempre atrasados, desactualizados, perdidos. Errados nas contas. Irremediavelmente errados. São as primeiras pessoas significativas que nos morrem, as casas que não conseguimos comprar, as rendas de aluguer que aumentam, as viagens que sonhámos fazer para as quais o dinheiro não chega, a vida que desgasta as relações, os empregos que já não são para a vida e a consciência plena de que há muitas coisas que dependem dos nossos conhecimentos em Excel mas há a sorte, o mundo, o acaso e tudo aquilo que não controlamos. A electricidade que falha. 


Aos 30 fechamos as macros e as folhas e de repente somos mães e dizem-nos que a vida vai mudar e romantizam e é um paint irreal e ultrapassado. De Excel a paint- imagine-se o fail. E vendem-nos as aguarelas de que vamos tomar conta dos filhos e de repente são os filhos que tomam conta de nós, do nosso tempo, energia e planos. É duríssimo. “A maternidade é um esvaziar-se que transborda tudo”- li algures. É isto.



Aos 40 a gente até quer desarrumar a vida. Para os 40 quero um word onde possa escrever e deletar, activar o corrector automático e ignorar as sugestões, mudar estilos e números de fontes, contar palavras e arriscar em negritos, itálicos e sublinhados naquilo que importa. Construir a minha história. A minha. Mesmo que tenha -rev01 ou _rev100 na extensão dos nomes dos ficheiros guardados. Não preciso de contas nem cores. Só da história contada de forma corrida. A minha história.


Se tudo falhar que não me falte papel e caneta. 

Nunca me esqueci de como é bom escrever à mão. O difícil é recomeçar. 
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