sábado, 30 de novembro de 2019

Quasi-fecho de 2019

O final de 2019 foi uma espécie de auto-redenção. 

Decidi deixar de procrastinar e tomar a rédea de muitas coisas pendentes e para as quais me faltava energia, motivação ou fé de que conseguiria fazer, avançar ou mesmo alcançar. Depois voltei a ficar doente e tinha tudo para me auto-boicotar e - oh senhores!- se eu sou especialista no auto-boicote. 

Mas bastou mexer uma peça para tudo se desalinhar e eu ter-me visto na obrigação de agir. Tipo dominó. Mesmo. 

Foi o novo trabalho, que trouxe uma nova rotina, uma nova colega (gosto tanto dela), novos assuntos, novas aprendizagens. E, de repente, um novo eu se debruçou perante mim mesma. E vieram coisas a seguir. 

Num instante (relativo) resolvi de forma assertiva o problema de saúde, sem hesitações nem pudores. Decidi que não queria gastar energia com relações difíceis e deixei gente para trás sem arrependimento nem temores mas também sem zanga nem raiva ou rancor. E decidi que ia recuperar a única amizade antiga cuja perda me feria estruturalmente e estamos num processo apaziguador e quentinho de reaproximação. Decidi que escrever me fazia mesmo falta e ressuscitar o blog, sem pressões nem auto-cobranças, com a liberdade que tanto me dá prazer. E comprar um sofá grande, enorme, onde possamos ver televisão os três aninhados e enrolados uns nos outros e jogar jogos de tabuleiro lá em cima sentados à chinês e tudo o que nos apetecer. E escolhi a forma como quero entrar nos meus 40 anos. 

Falta agarrar em um ou dos temas pelos cornos, mas sinto que estou a caminho. E agora voltei a ser loira que é como me sinto mais eu e, sendo a questão mais frívola de todas, talvez represente tudo aquilo que vos quero dizer. Fez-se assim uma espécie de luz: dentro e fora da cabeça. 

Em mim.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Ana, a tocar-me nas feridas desde 2012

"Mãe, tens medo de tigres?"

 Não.

"E de alturas?"

 Não.

"E de cobras?"

 Não.

"E de sítios fechados?"

 Não.

"E de ratos e ratazanas?"

 Não.


 (Faz a pausa e um sorriso de quem tem uma carta invencível na manga)

" E da avó?"

domingo, 24 de novembro de 2019

sábado, 23 de novembro de 2019

Ana, a anti-discurso motivacional

"A avó disse que bastava eu querer muito uma coisa e tornava-se possível mas é tão mentira: bem que eu podia querer lamber o meu próprio cotovelo que tinha cá uma sorte..."

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

A primeira quadripolarização do come back





"Olá Pólo Norte. 

Tirei esta foto em Maio, no Quirguistão, no dia em que dormi com uma família nómada, num yurt. Não cheguei a enviar porque o blogue estava sem actividade, mas agora que voltou (felicidade!), vamos dar continuidade a esta cruzada quadripolar! Continue desse lado, que nós, deste, lemos e agradecemos. 

 Beijinhos"

Obrigada, Matilde! Grande beijinho.

Conheça todos os países já quadripolarizados aqui.

O Mundo divide-se ...

... entre as pessoas que acham que as piores reuniões da vida são as de pais nas escolas das crias e as que acham que são as de condomínio com os vizinhos de prédio.

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Ana, o espírito santo dos livros

"Mãe, hoje ressuscitei dois livros da biblioteca da escola"

Isto é capaz de ser uma metáfora da vida

Há uns tempos andava com problemas intestinais (é a vida, babes, sou de carne e tripas: aguentem-me!). Mas o que me irritava mesmo a molécula é que estava com um olfacto super apurado e, para todo o lado onde quer que fosse, toda a gente me parecia ter mau hálito. Um péssimo hálito. Um horrendo e persistente pivete.

Sustinha a respiração e tudo para ver se não levava com os bafos de onça alheios. 

Comentei isto do problema do meu olfacto apurado com mámen.

E parece que, foi-se a ver e o mau hálito era meu.  


 ...


Lição a reter: se tudo de parece mal cheiroso e tu és o único denominador comum, o inferno é capaz de não ser os outros.
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