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terça-feira, 26 de abril de 2022

domingo, 8 de novembro de 2020

Do belo


Marta C. Gonzalez foi a primeira bailarina do Ballet de Nova York nos anos 60. Hoje, com Alzheimer, dão-lhe a ouvir o Lago dos Cisnes. Esta foi a reacção.
(via Zita Neto)

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

This could be the end of everything





 I walked across an empty land

I knew the pathway like the back of my hand

I felt the earth beneath my feet

Sat by the river, and it made me complete
Oh, simple thing, where have you gone?

I'm getting old, and I need something to rely on

So tell me when you're gonna let me in

I'm getting tired, and I need somewhere to begin
I came across a fallen tree

I felt the branches of it looking at me

Is this the place we used to love?

Is this the place that I've been dreaming of?
Oh, simple thing, where have you gone?

I'm getting old, and I need something to rely on

So tell me when you're gonna let me in

I'm getting tired, and I need somewhere to begin
And if you have a minute, why don't we go

Talk about it somewhere only we know?

This could be the end of everything

So why don't we go

Somewhere only we know?

Somewhere only we know
Oh, simple thing, where have you gone?

I'm getting old, and I need something to rely on

So tell me when you're gonna let me in

I'm getting tired, and I need somewhere to begin
And if you have a minute, why don't we go

Talk about it somewhere only we know?

This could be the end of everything

So why don't we go?

So why don't we go?
Ahh

Ohh
This could be the end of everything

So why don't we go

Somewhere only we know?

Somewhere only we know

Somewhere only we know

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Sobre liberdade no dia de hoje e fugindo um bocadinho além das questões patrióticas




Quando o Papa Francisco esteve em Marrocos foi homenageado com um espetáculo em que um muçulmano canta uma oração em árabe, um judia em hebreu e uma cristã canta a Ave Maria de Caccini. Ao fim, a mistura das vozes numa sintonia perfeita, relembrando que a liberdade religiosa é possível. 

Nada me parece mais perfeito para relembrar no dia de hoje. 

sábado, 6 de outubro de 2018

Vamos falar de chá






Tinha onze ou doze anos, lia o Clube das Chaves e as Gémeas no Colégio de Santa Clara e ainda estava a aprender a lidar com as maminhas que me tinham aparecido e ainda a porra da menarca preconce e todas aquelas hormonas parvas que apareceram sem avisar. 

Os rapazes gostavam de jogar futebol mas era inverno, no início dos anos 90 não havia cá pavilhões gimnodesportivos nem campos cobertos e os rapazes-maçados!- tinham encontrado como alternativa à diversão via futebol:apalpar os rabos às meninas que, no intervalo,passavam nos corredores em direcção à sala. 

Eu tinha onze ou doze anos, via o "Agora Escolha" e às vezes o "Já Tocou" mas sentia-me uma miúdinha por dentro e quando, nesse Inverno, olhei para a fila de rapazes perfilados e encostados às paredes de ambas as laterais do corredor da C+S não queria acreditar que me iriam apalpar a mim, nem sequer era uma boazona, meia geek e segui segura. Fui apalpada no rabo, nas mamas e onde mais calhou naquele caminho que me pareceu infinito, enquanto gritava de horror, o coração a palpitar depânico, humilhada e reduzida a distração de rapazes que não podiam jogar futebol porque estava a chover enquanto se riam do pânico em mim gerado. Atrás de mim outras iguais a mim, a serem tratadas de igual forma. 

Abeirei-me de uma  "contínua" que minimizou o episódio, com condescendência para os rapazes "oh filha, já se sabe como são parvos os rapazes desta idade: vocês não liguem!" e me fez sentir ridícula e mariquinhas. Na sala de aula falei à professora que em tom de gozo me sugeriu que "olha, responde-lhes com a mesma moeda: apanhem-nos quando estiverem sozinhos e apalpem-nos todos" e fiquei incrédula: eu não queria apalpar ninguém, tinha onze ou doze anos, ouvia New Kids on the Block, não me interessava o corpo dos rapazes parvos da minha escola, nem castigá-los tocando-lhes arbitrariamente. Em casa falei à minha mãe que- como sempre com a assertividade que a caracteriza- me instruiu para no dia seguinte ir, com algumas das minhas outras colegas que tinham sido apalpadas, ao Conselho Directivo fazer queixa de cada um dos rapazes que conseguira identificar. Na sala do Conselho Directivo as duas professoras que receberam o nosso grupinho ouviram-nos atentamente para nos sugerirem o mesmo "vocês já sabem que os rapazes são mesmo parvo: não lhes liguem! As portas estão abertas para o exterior no inicio e no fim do corredor, vocês saiam e façam o caminho por fora e assim não se sujeitam a que eles vos apalpem". Uma de nós, penso que a Susaninha ainda terá retorquido que estava a chover, contornar o corredor por fora implicaria que nos molhássemos sem termos culpa nenhuma dos apalpões e fomos abafadas por um "mas vocês querem ser apalpadas ou não? Estamos a dar-vos uma alternativa...". 

Nesse dia, em que percebemos que ninguém iria chamar os rapazes ao conselho directivo,que ninguém os ia repreender ao corredor, que só dependia de nós fugir e não deles serem obrigados a conter-se e castigados pela acção; nesse dia fomos reduzidas à insignificância por outras mulheres, contínua, professoras, presidente do concelho directivo.

Tinha onze ou doze anos mas, nesse dia, percebi que as mulheres são as maiores inimigas delas mesmas. 

sábado, 1 de setembro de 2018

Hoje choveu

Hoje choveu pela primeira vez desde que cá estamos. Não se avista o Pico no horizonte tal é a neblina. Ficámos por casa a jogar marralhinha em família. Comemos massa sovada com doce de Figo que sobrou dos mais de 2 quilos que um senhor roubou numa figueira alheia e nos veio vender à porta. Fingimos que não desconfiamos. Tenho aftas de tanto queijo ilha comido e acho que esgotei o Stock de kimas de maracujá de toda a ilha! Amanhã há festa na Caldeira e a vila vai ficar mais sossegada e vazia. Estamos preguiçosos e só cozinhámos ovos fingidos para o jantar. Andei a ver mantas tricotadas pela minha sogra e acabei por herdar uma linda, linda. Os cagarros sobrevoam o nosso telhado e ouvimo-los cantar em coro com as gaivotas que anunciam tempestade no mar. Está um calor insuportável e uma humidade típica de que já não me lembrava. Podia ser um dia chato mas não. É um dos melhores dias das férias. Sem pressas nem destinos para onde ir, sem relógios nem rotas. Vir por muitos dia permite desfrutarmos do dia-a-dia, provar esta rotina boa. Ele põe no rádio velho o CD de uma banda da terra que já não existe. No ar ouve-se a minha música açoriana preferida. Está perfeito. Ninguém mexa. 




[Ainda sinto os pés no terreiro
Onde os meus avós bailavam o pézinho
A bela Aurora e a Sapateia
É que nas veias corre-me basalto negro
E na lembrança vulcões e terramotos

Por isso é que eu sou das ilhas de bruma
Onde as gaivotas vão beijar a terra

Se no olhar trago a dolência das ondas
O olhar é a doçura das lagoas
É que trago a ternura das hortênsias
No coração a ardência das caldeiras.

Por isso é que eu sou das ilhas de bruma
Onde as gaivotas vão beijar a terra

É que nas veias corre-me basalto negro
No coração a ardência das caldeiras
O mar imenso me enche a alma
E tenho verde, tanto verde a indicar-me a esperança.] 

terça-feira, 3 de julho de 2018

E agora vamos lá falar de coisas sérias. Muito sérias.



"KAFKA NA FRONTEIRA EUA-MÉXICO

Passei a tarde a informar-me sobre o que juridicamente está em causa na situação das crianças separadas dos pais nos EUA. Este é o meu principal mecanismo de preservação: informar-me para procurar manter a sanidade mental e a sensação possível de controlo do que se passa à minha volta. O que concluí é absolutamente kafkiano.
Ora atentem:

- Como o que está em causa é uma prática administrativa (policy) e não uma norma geral e abstrata, não é possível litigar contra isto de uma só vez ou instaurar uma providência cautelar única para parar este horror. É preciso litigar caso a caso.


- Como não estão em causa cidadãos americanos, o Estado americano não é obrigado a pagar um advogado a estes desgraçados. Portanto, se não houver uma ONG que lhes deite a mão, ficam sem aconselhamento jurídico naquele que é seguramente o pior momento das suas vidas. No limite, podemos ter crianças de colo a representarem-se a si próprias em tribunal.

- Os funcionários do Border Patrol estão a explorar a situação de vulnerabilidade destes pais e destas mães para os pressionarem a assinar a papelada para a deportação voluntária, dizendo-lhes que assim reencontram os filhos mais rapidamente. São depois imediatamente postos em aviões de regresso ao país de origem, sem terem sido ouvidos por um juiz que aprecie se há perigo de vida no país de origem caso sejam deportados (non-refoulement), e sem os filhos (já aconteceu; link para artigo do New York Times nos comentários). É que um menor nunca pode consentir numa deportação voluntária, tem sempre de ser ouvido por um juiz. Portanto, temos os pais de volta ao país de origem e os filhos nos EUA, sem que os pais tenham qualquer ideia de como reavê-los. Com a agravante de que, uma vez deportados, nunca mais serão elegíveis para o estatuto de refugiado porque reconheceram que entraram ilegalmente no país, cometeram um crime. No máximo, podem vir a obter um providência cautelar contra a deportação, mas estão sempre numa posição jurídica muito frágil, podendo ser deportados por funcionários do Border Patrol menos escrupulosos ou que não estejam para se maçar a ver a papelada (já aconteceu; link para artigo do New Yorker nos comentários).

- Na “melhor das hipóteses”, os pais não assinam o tal papel da deportação voluntária. São então criminalmente perseguidos por terem entrado ilegalmente no país, podendo eventualmente pedir o estatuto de refugiados nesse âmbito. Mas o seu processo corre sempre separadamente do dos filhos, ou seja, não há nenhuma garantia de que ambos fiquem ou ambos sejam deportados. Se estão tão horrorizados como eu e querem dar meios a quem pode lutar contra isto, este link permite repartir equitativamente uma doação por várias ONG que estão no terreno a lutar contra esta crueldade inominável.

- No seu estilo tão típico, o Trump assinou uma executive order para pôr fim à separação de famílias. Ou seja, é um herói porque vem resolver o problema que ele mesmo criou. O mais provável, segundo as ONG no terreno, é que essa executive order permita a detenção conjunta de pais e filhos enquanto os pais aguardam julgamento. O que é bom porque, uma vez que essa prática é ilegal, isso dá a quem está no terreno um ato jurídico concreto para atacar. E continua a colocar-se o problema da reunião familiar: não há nenhum sistema no terreno para o fazer. É inacreditável mas é mesmo verdade: os EUA separaram estas famílias sem terem um plano sobre como as reunir novamente. As ONG no terreno relatam que às vezes conseguem localizar as crianças porque os processos de entrada no país têm números sequenciais aos dos pais. Mas nem sempre. As crianças estão já espalhadas pelos EUA e ninguém sabe muito bem onde. Ou seja, isto está longe de estar resolvido e a batalha jurídica destas famílias está longe de ter acabado! Além de tudo isto, têm ainda pela frente a batalha pelo estatuto de refugiados.


- Não, o decreto executivo do Trump não resolve absolutamente nada. Significa, "na melhor das hipóteses", que as famílias passam a poder ficar detidas em conjunto indefinidamente, enquanto os pais aguardam julgamento penal e enquanto não são ouvidos por um juiz de imigração sobre o seu pedido de asilo. Não sei bem em que mundo paralelo isto pode ser uma boa notícia...

- O motivo pelo qual as famílias estavam a ser separadas na fronteira é o chamado Flores Settlement, que determina que um menor não pode ser detido em instalações destinadas à detenção de adultos por mais de 20 dias. Este acordo contém toda uma série de proteções para os menores detidos pelas autoridades de imigração que a administração Trump quer assim fazer cair. Estamos a falar da proibição de estes partilharem quarto e casa de banho com adultos que não conhecem, da obrigação de terem acesso a cuidados médicos dignos, entre muitas outras normas de proteção. Revogar isto não é solução para nada! Não se deixem iludir pela propaganda do Trump! As ONG no terreno vão certamente litigar contra isto.

- Acresce que este decreto executivo só vale para o futuro, ou seja, impede novas separações familiares. Quanto àquelas que já aconteceram, nada se prevê quanto à reunião familiar. Aliás, nem se sabe bem como fazê-lo em termos práticos porque, muito simplesmente, está o caos instalado e ninguém sabe bem onde estão as crianças. A maior parte dos pais e das mães desconhece o seu paradeiro. Para aqueles que se apresentaram num posto fronteiriço e pediram asilo, sendo depois detidos por entrarem ilegalmente no território (sim, isso mesmo que leram!), geralmente os processos de asilo dos pais e dos filhos têm números sequenciais e por isso as ONGs no terreno conseguem localizar as crianças de forma mais ou menos simples. Para aqueles que foram detidos já em território americano e só depois separados, sabe Deus!

- Tudo isto para dizer que nada está resolvido, que a batalha jurídica destas famílias e das demais que venham a ser detidas em conjunto vai durar meses ou anos e que não podemos desmobilizar. Estar atento, estar informado, contribuir na medida das nossas possibilidades para ajudar quem está no terreno a lutar contra a barbárie -- é esta a nossa "to do list"!

- O nosso interesse e contributo continuam a fazer todo o sentido! Não desmobilizar até que TODAS as crianças estejam de volta aos braços dos pais!

Aqui fica o link para ajudarmos estas famílias: 

Da minha amiga Inês Melo Sampaio Antunes que trabalha no Tribunal de Justiça Europeu 
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