domingo, 10 de abril de 2022
Agora pensem qual é
sexta-feira, 8 de abril de 2022
Ir
Há dias extraordinariamente ambivalentes.
De repente, há uma janela que se abre, se escancara para ti e tu ficas ali, sem saber se trepas, se a fechas e ficas ali, indecisa entre o calor de uma casa que conheces- onde te sentes em família, onde podes andar de pés descalços e sabes que há sempre comida quente sobre a mesa, abraços à tua espera - e o fresco das aventuras que te espera no outro lado do vidro, nas ruas desconhecidas cheias de desafios por desbravar. Sentas-te no parapeito da janela e olhas ora para dentro, ora para fora, o conforto de dentro, a casa e a família e todas as possibilidades em aberto de fora, tudo o que pode acontecer, a novidade, a mudança e tu até não és nada avessa à mudança. Fechas as portinholas e voltas para o calor? Ou pões uma mão de fora para testar a temperatura e, num salto de fé (é sempre de fé que se trata) saltas para o desconhecido (e se for um abismo? E se correr mal? E se ficares perdida ao frio? E se nunca encontrares o caminho para voltar? E se nunca mais houver volta?)?Há dias extraordinariamente ambivalentes em que ficas de coração partido e, ao mesmo tempo, de coração acelerado porque dói sempre quando deixas quem gostas na mesma proporção do entusiasmo e da expectativa de quem está por conheceres, de quem um dia irás gostar.
quinta-feira, 7 de abril de 2022
Respirar
Entrava o sol pela janela e eu acreditei que era um bom pronuncio. Tinha comprado lírios violetas na véspera porque acreditei que seriam bons augúrios da chegada de uma Primavera há muito ansiada. Não no calendário, cá dentro, na vida.
Quando se tem esperança tudo nos parece simbólico e um pronuncio bom, agarramo-nos a tudo: ao sol a romper as frestas da janela, aos lírios a cantar opera desde os camarotes das jarras bonitas, a manta de rosetas da minha mãe a fazer arco-íris na sala.As notícias vieram ao fim da tarde e eram boas. Quando a Dra. Mariana me ligou, desliguei o telefone e fiquei com os olhos cheios de lágrimas. A minha mãe está bem. Viva e bem.
Pensei que ia serenar e ter a paz que preciso tanto mas o meu cérebro pregou-me uma partida.
Desde então tem-me doido o peito e tenho tido dificuldade em respirar. Tenho que induzir o bocejo várias vezes para respirar fundo e sentir que respiro como deve de ser. Tenho tido pesadelos e noites pessimamente dormidas.
Tudo é compatível com uma crise de ansiedade desde segunda-feira. Ansiedade a estrear e com retroativos. Que me está a deixar exausta porque sou psicóloga e a reconheço teoricamente, sei de forma racional u estratégias para a minimizar e não consigo de forma alguma fazê-lo, como se ainda fosse preciso mais isto para eu perceber que não controlamos nada. Já tinha percebido há muito tempo, era escusado, mas o meu cérebro continua a sabotar-me e continuo cansada e a somatizar.
Não sei até quando.
As emoções são coisas sérias. As minhas estratégias de coping são sempre estratégias de resolução de problemas. Todas as minhas energias, perante um problema, são para a acção. Agora que posso descansar acho que o meu cérebro acha que se pode dar ao luxo de ficar triste, angustiado e doente com retroactivos.
Não posso fazer nada. Senão deixar toda a angustia acumulada passar.
A minha mãe está curada. Em breve o meu coração perceberá que pode relaxar e é tempo de comemorar.
Não sei quando. Sei que será quando conseguir apreciar sem sombras o sol, os lírios, a manta e, principalmente, a conseguir respirar outra vez.
Venha a Primavera.
Ana, a hiperbólica
Açorianos perceberão
Fiz a mesma pergunta agora à Ana
...
Qual a vossa palavra preferida? (do ponto de vista fonético, esqueçam lá a simbologia, ok?)
quarta-feira, 6 de abril de 2022
O Mundo divide-se...
... entre quem prefere farófias com doce de ovos e quem prefere farófias com leite creme.
terça-feira, 5 de abril de 2022
Ana, a actriz
Precisamos de reflectir urgentemente sobre o assédio, a comunicação social e a forma como tudo anda prevertido
segunda-feira, 4 de abril de 2022
Esta loucura boa de ser mãe
domingo, 3 de abril de 2022
O Mundo divide-se...
Ah, assim faz sentido!
La decadence
sexta-feira, 1 de abril de 2022
Uma hora de nerf cá em casa
Pronto, a miúda ganhou uma Nerf*
Como saber que uma criança é filha de um casal de psicólogos?
quinta-feira, 31 de março de 2022
Hospital de Santa Maria
quarta-feira, 30 de março de 2022
Melodia de só desgostos em estrogénio maior*
terça-feira, 29 de março de 2022
Ah, o sabor da pré-adolescência pela manhã
domingo, 27 de março de 2022
Se calhar tenho que a inscrever numa arte marcial
segunda-feira, 21 de março de 2022
sábado, 19 de março de 2022
Como vive uma criança sem pai?
sexta-feira, 18 de março de 2022
Não há forma certa de lidar com a guerra, porque fomos feitos de paz
Primeiro não conseguia dormir, remexia-me na cama, levantava-me, ia à cozinha beber água, via notícias no telemóvel, ia ao Twitter, ia ao quarto da Ana olhar para ela, imaginava se fossemos nós, abandonar tudo de material, no limite só nós temos uns aos outros, tudo o resto é matéria, mas a matéria dá conforto, calor, dá afecto, somos feitos de amor, por isso não sabemos lidar com a Guerra, porque fomos feitos para a Paz.
quarta-feira, 16 de março de 2022
Cuidados de beleza em tempo de poeiras do Sahara pelos céus de Lisboa
As soccer mums são umas fraquinhas!
quinta-feira, 10 de março de 2022
Ana, a pré-adolescente
quarta-feira, 9 de março de 2022
Ana, a ecológica
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022
Ana, a pragmática
domingo, 27 de fevereiro de 2022
sábado, 26 de fevereiro de 2022
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022
Ah, o maravilhoso mundo dos trabalhos manuais que a escola manda para casa
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022
Ana, a esfalecer
domingo, 20 de fevereiro de 2022
Fui eu que fiz esta miúda
sábado, 19 de fevereiro de 2022
Croma dourada

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022
Está oficialmente para adopção
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022
Causa Própria
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022
Era o "Absolutamente Fabulosas" e a CPCJ deve estar a bater-me à porta
terça-feira, 15 de fevereiro de 2022
"Sonhos que sonhei: onde estão?" Aqui.
Em Agosto quando fomos à Eurodisney a Ana atirou uma moeda para o poço de desejos na caverna dos piratas. Eu ouvi ela a desejar baixinho, de olhos fechados, enquanto a atirava: quero voltar aqui com toda a minha família.
A minha mãe e a minha tia fazem tudo pela Ana desde o dia em que ela nasceu. Apanham-na na escola, levam-na a lanchar, ficam com ela até regressarmos de Lisboa e chegamos sempre antes de jantar, às vezes dao-lhe elas o jantar e adiantam o banho, vão às compras com ela, a passear, a fazer aventuras na natureza (aqui é a minha mãe!), Se ficamos até tarde em projetos pós laborais, reuniões, formações, lá estão elas sempre a dar suporte. E isto tudo sem nunca se queixarem, felizes por estarem com a Ana, gratas por a poderem acompanhar. E nas férias ainda ma raptam para praia, campismo, piscina e dão-lhe os melhores Verões da infância.
Partilham o dia-a-dia, todos os dias, desde há dez anos, com a Ana. Era normal que a Ana quisesse retribuir. Porque se trata de gratidão, este desejo da Ana.
Há seis meses que fazemos mealheiro: a Ana guardou todas as notas e moedas do Pão por Deus, do Natal, da venda dos seus macramés aos amigos e vizinhos, da venda no OLX de livros, brinquedos e roupa usados, eu das formações que dei fora de horas, o Rui das aguarelas que tem pintado timidamente.
Neste fim-de-semana o sonho da Ana tornou-se magicamente real.
A lâmpada do Aladino funciona mesmo. Fomos mesmo, mesmo felizes.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022
terça-feira, 8 de fevereiro de 2022
A minha mãe fez anos e eu não lhe escrevi nada
A minha mãe fez anos e eu não lhe escrevi nada.
Fiquei a consumir-me desde então porque não lhe tinha escrito nada. Não gosto de estar em falta com a minha mãe.Estava doente nesse dia. Uma infecção urinária que não passa. Mas fui deixar a Ana à escola e passei no supermercado para comprar coisas para fazer o jantar para a família, na minha casa. E depois fui à fábrica de bolos e comprei o melhor bolo de amêndoa e chantilly do mundo, com raspas de chocolate por cima. E passei no shopping para lhe comprar um presente. No espaço de uma hora, sempre a correr. Trabalhei toda a manhã e tinha febre. Na minha hora de almoço dei uma geral na casa, para que ao jantar estivesse tudo apresentável. Arrastei-me a fazer isto. E voltei a trabalhar até ao fim da tarde. Acabei o trabalho e pus a mesa bonita. Fiz bacalhau espiritual, leite creme e preparei todo o jantar. Encomendei picanha e fomos buscá-la ao restaurante.
Chegou a minha mãe com a Ana e a seguir toda a família. Foi um jantar tão bom, que quase me esqueci da febre, da infecção urinária e do cansaço extremo.
Depois ao deitar-me percebi que não lhe tinha escrito nada bonito. A minha mãe gosta de palavras bonitas, eu bem sei. E merece todas as do Mundo, porque é a mulher mais valente e inteira que eu conheço.
A minha mãe fez anos e eu não lhe escrevi nada. Na sala ainda há restos do seu aniversário, incluindo o quadro de luz que a Ana lhe preparou.
A minha mãe gosta de palavras bonitas mas ensinou-me que as palavras valem pouco quando não são acompanhadas por gestos de bem querer. Acho que estarei perdoada.
Eu tenho a minha mãe e a Ana tem-me a mim: todo o amor entre mães e filhas é por aglutinação. Não poderia ter melhor. Acho que mereço esta mãe, a minha mãe, apesar de não ter escrito palavras mas lhe ter dedicado todo o meu dia, mesmo sem estar ao seu lado.
Amar é sempre cuidar e querer bem.
Talvez as palavras estejam sobrevalorizadas.
Fico a dever-te um poema, mãe mas tenho troco, gorgeta e juros no amor infinito que sinto por ti. No bem querer.
Parabéns. Também a mim que te tenho só para mim.







