"A mãe está a sentir o bafo frio da morte... lol "
"Então, não te apoquentes que o coronovírus dá é febre e calor... ahahahah"
...
sábado, 7 de março de 2020
Ao telefone com a pessoa de quarentena em 3 actos
Acto I
"Ai, Liliana: que o resto da família vai para a casa do R. e eu vou ficar sozinha..."
"Olha: é bom! Já viu que vai descansar a cabeça?"
Acto II
"Opá tu não brinques! Que eu nem ao supermercado fui e aqueles ingratos agora não podem entrar aqui e não tenho nada de jeito no frigorífico para comer..."
"Olha: é bom! Já viu uma oportunidade para fazer dieta?"
Acto III
"Opá, e vai que eu morro? Tu desculpa-me lá qualquer coisa, ouviste?
"Vamos lá ao que interessa: o importante agora é fazer as partilhas dos ouros e definir o que é que é para cada neta, está bem?"
sexta-feira, 6 de março de 2020
Vá, vocês chegam lá, que eu bem sei...
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Assuntos de Família
quinta-feira, 5 de março de 2020
Trabalhar em Chelas
No café:
"Ai filha, estou aqui numa angústia que não posso. Amanhã vou ao ginecologista fazer um papa-colorau".
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Só desgostos
Ceci nest pas un club du livre #sqn
Em 2102, nos tempos áureos disto, e numa daquelas ideias absolutamente irrealistas (estava grávida de alto-risco e culpo as hormonas pela ideia) lembrei-me de sugerir que fizéssemos um clube do livro quadripolar. O Prezado fez um marcador bacano, que enviávamos por email aos participantes,, criámos um grupo de facebook e tudo e tudo.
Não deu em nada.
Em 2018 retentei. Mas não tenho a disciplina necessária para gerir uma coisa destas. Novo fail.
Acontece que eu sempre quis muito fazer parte de um clube do livro. Daqueles a sério, como nos filmes, com gente que sabe da poda, com autores convidados a falarem das histórias por detrás dos livros que escreveram, com editores a distribuírem temas, questões e as cartas do jogo e com pessoas com quem, aparentemente, não temos nada em comum excepto termos lido o mesmo livro.
Aconteceu ontem, um dia particularmente duro para mim, em que me apetecia tudo menos socializar, mas a Paula e a Maria estavam lá também e, enfim, mais vale estar triste acompanhada por pessoas fixes que triste e miserável com a cabeça debaixo dos lençóis.
Havia ainda um plus: a Alice Vieira modera estes clubes de livro e tooooda a gente sabe a reverência que eu tenho pela Alice Vieira.
E foram duas horas bem passadas, entre livros, histórias por detrás da história e acepipes e volto lá no próximo mês, com novo livro lido e espero que serena, que foi como saí de lá ontem.
As palavras podem salvar. Ou, pelo menos, afogar algumas dores.
O próximo encontro acontecerá na primeira quarta-feira de Abril, pelas 18h30 na livraria Menina e Moça. O livro a ler é "Torto Arado" de Itamar Vieira Junior.
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Sugestões quadripolares
quarta-feira, 4 de março de 2020
Um dia irei escrever coisas assim
"O que me inveja não são esses jovens, esses fintabolistas, todos cheios de vigor. O que eu invejo, doutor, é quando o jogador cai no chão e se enrola e rebola a exibir bem alto as suas queixas. A dor dele faz parar o mundo. Um mundo cheio de dores verdadeiras pára perante a dor falsa de um futebolista. As minhas mágoas que são tantas e tão verdadeiras e nenhum árbitro manda parar a vida para me atender, reboladinho que estou por dentro, rasteirado que fui pelos outros. Se a vida fosse um relvado, quantos penalties eu já tinha marcado contra o destino?"
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The Polo's next top blogger
A parábola que se transformou numa metáfora e a morte de uma das principais figuras de estilo
Há exactamente sete anos andava fascinada com esta história. Contei-a aqui mas posso voltar a resumi-la:
"Nos anos 70, Marina Abramovic viveu uma intensa história de amor com Ulay. Durante 5 anos viveram num furgão realizando todo tipo de performances. Quando sentiram que a relação já não valia aos dois, decidiram percorrer a Grande Muralha da China; cada um começou a caminhar de um lado, para se encontrarem no meio, dar um último grande abraço um no outro, e nunca mais se ver.
Vinte e três anos depois, em 2010, quando Marina já era uma artista consagrada, o MoMa de Nova Iorque dedicou uma retrospectiva a sua obra. Nessa retrospectiva, Marina compartilhava um minuto de silêncio com cada estranho que sentasse a sua frente. Ulay chegou sem que ela soubesse... e foi assim."
Ulay morreu esta semana.
Dei por mim, triste e melancólica, a pensar em tudo o que poderia ter sido se se abraçassem e tivessem caminhado juntos na mesma direcção da Muralha da China. Teriam só conhecido uma margem- a mesma- os dois ao invés de cada um conhecer cada pedacinho do lado oposto. Teriam perdido Mundo? Teriam ganho Mundo?
Terá acontecido o mesmo com eles? Digo isto no sentido de acontecer de forma interna. Em que se tornaram no caminho individual? No que se poderiam ter tornado no plural?
O amor pode, não resistindo, persistir? E quando a vida e o amor são coisas diferentes? E todas as possibilidades que não passaram disso? E toda a história que se concretizou sobre uma não concretização?
Muitas vezes, o amor é uma coisa e a vida é outra e isso é, simultaneamente triste e belo de tão triste que é. Uma contradição absolutamente estúpida.
Ulay morreu esta semana e com ele morreu tudo o que poderia ter acontecido.
terça-feira, 3 de março de 2020
Sistema de senhas prioritárias para o Coronovirus atribuídas a...
- Pessoas que escrevem "-mos" em verbos conjugados na primeira pessoal do plural
- Pessoas que escrevem "estives-te"
- Pessoas que dizem "as alterações climáticas são uma treta, é tudo para ganhar dinheiro" e depois queixam-se que chove muito no verão ou que faz calor no inverno
- Machistas, racistas, xenófobos, fanáticos religiosos, políticos e clubisticos.
- Pessoas que não distinguem o “à” do “há”
- Malta que cutuca no nosso braço enquanto falamos
- Pessoas que dizem "ha-des" e eles "idem"
- Pessoas que dizem 'colocar' em vez de 'pôr'
- Pessoas que escrevem "fodasse"
- Gente que partilha imagens motivacionais da treta
- André Ventura
- Pessoas que dizem ouvistes, falastes, Hades, Tufone, Pugrama...
- Pessoas que estacionam no lugar reservado a pessoas de mobilidade condicionada
- Homens que dizem “a minha Maria” quando se referem às mulheres
- Locutores de rádio super bem dispostos e felizes e a rir imenso logo às 8 da manhã.
- Malta que escreve "voçês"
- Toureiros e todos os que contribuem para isso
- Gente que diz "prontos"
- Pessoas que dizem “eu não sou racista mas"
- Pessoas que ainda têm jerricans cheios em casa
- Fachos
- Mulheres que usam unhas de gel pontiagudas
- Terraplanistas
- Pessoas que começam a frase por "- Epá, estás mais gordo..."
- Pessoas que frequentaram a “universidade da vida”
- Pessoas que embarcam no medo e espalham rumores e fake news sem sequer tentar verificar idoneidade da informação
- Anti-vaxs
- Pessoas que lêem Pedro Chagas Freitas
- Pessoas que usam 's como plural e desconhecem o uso do genitivo
- Malta que diz sande e téni
- Pessoas que atendem o telemóvel durante espetáculos ou no cinema
- Coachs da vida
- Pessoas que mandam indirectas no Facebook
- Pessoas que tentam meter-se na frente dos outros na fila do supermercado
- Condutores de fim-de-semana
- Aquele youtuber que acabou com a namorada num vídeo
- Homofóbicos e misóginos
- Pessoas que publicam fotos suas, acompanhadas de grandes pensamentos filosóficos (#sóquenão) e terminam os textos com "e mais não digo..."
- Os "arquitectos" que projectam WC públicos com menos de 1 m2, onde tens que encostar as pernas à sanita para conseguir entrar e fechar a porta! Ah!! E quem se lembra de instalar os sensores de luz, como se tivéssemos todos uma antena de meio metro na cabeça, para fazer aquilo disparar e não ficarmos de rabo para o ar a esbracejar!
- Homens que fazer mansplaining
- Pessoas que têm tanta pressa de entrar no elevador que bloqueiam a passagem de quem tem de sair para lhes dar lugar
- Gente de claques de futebol
- Pessoas que dizem "ele até diz umas verdades!" e esquecem as barbaridades politicas associadas
- Pessoas que compraram todas as máscaras e deixaram os imunodeprimidos a ver navios
- Quem diz "Amarei-te" e afins!
- Epidemiologistas de sofá.
(aceito mais sugestões na caixa de comentários)
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Actualidades
O Mundo divide-se entre...
... as pessoas que usam o relógio no pulso direito e as outras.
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O Mundo divide-se...
Pertenço ao grupo de risco do coronovírus
Se quinar não me vão "atravessadas" na garganta as pessoas a quem não disse que amava nem as pessoas a quem me falta pedir desculpas: vão todas aquelas a quem não mandei para aquele sítio cabeludo.
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Autopsicoterapia
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