quinta-feira, 18 de outubro de 2018

100 Quadripolares que vale a pena conhecer # Artur (7)




Conheci-o no dia da festa pública do primeiro aniversário da Ana: a ele e a toda a família- e não são poucos- loucos o suficiente para se enfiarem os seis num dia de calor extremo e virem dar-me um beijo a Lisboa directamente vindos de Tavira.

Nunca mais me esqueci.

A mãe- a Fátima- é uma mulher ímpar: mãe de (agora) cinco filhos, educa-os com o mesmo rigor, exigência, cuidado, disciplina e amor desde o mais velho- este Artur- ao mais pequeno Valentim, com um ano acabado de completar. E é um exemplo de educadora, o que se reflecte em todos eles mas hoje o post é para o Artur, o meu "sobrinho" chef, afoito e corajoso, destemido e criativo, bravo e rigoroso.

O Artur começou a interessar-se por cozinha no secundário, tendo concluído o Curso de Gestão e Produção de Pastelaria na Escola de Hotelaria e Turismo de Faro, ao qual se seguiu um primeiro estágio curricular em grande, no The Oitavos na Quinta da Marinha como parte da equipa do então Chef  Pasteleiro Joaquim Sousa (o Chef que criou aquela sobremesa da flor negra que abria no prato e correu todos os facebooks, instagrams e masterchefs deste Mundo). 

Em 2014 acabou  o Curso e entrou no Belcanto do José Avillez onde estagiou  durante 3 meses, seguindo-se de um estágio no El Celler de Can Roca em Girona, que tem 3 estrelas Michelin e era naquele ano o “Melhor Restaurante do Mundo” pela 50 Best Restaurant. 

Foi aqui que começou a entrar mais na parte "salgada" da cozinha e trabalhou em quase todas as secções do restaurante incluindo o Laboratório. Regressou a Portugal e em 2015 foi pela primeira vez até Copenhaga para experimentar uma semana intensiva no Relae, e onde, mesmo em tão curto espaço de tempo,  despertou para a importância da origem do produto, a sua caminhada até chegar ao restaurante, à sustentabilidade e ao “foraging” (consiste em recolher plantas, ervas, frutas, cogumelos selvagens).



Claro que nem tudo são rosas, ou não fosse isto a vida, e foi também neste ano que teve uma experiência péssima que quase o fez desistir desta área e onde o chefe queria servir lavagante com 3 dias de cozido e onde não havia qualquer sentido de hospitalidade, respeito pelos ingredientes e sobretudo, respeito pelos clientes. Este episódio afectou bastante o Artur, um tipo franzino e sério, sem tempo a perder e em 2016 pensou como alternativa o ensino, tendo começado a dar aulas na Escola de Hotelaria e Turismo de Faro. No entanto, Artur é "hands on", não é galinha de capoeira, é de campo e das bravas e logo, logo, começou a trabalhar no Restaurante Vistas no Monte Rei Golf & Country Club, tendo na sequência desta colaboração sido seleccionado para a final ibérica do San Pellegrino Young Chef of the Year 2018, que reuniu os 10 melhores jovens cozinheiros de Portugal e Espanha (com a participação de apenas dois portugueses). 

Rumou novamente à capital, o Artur intrépido, tendo ajudado a abrir a Confraria do Polvo, que aqui recomendei e cuja colaboração ter-se-ia mantido se não tivesse sido chamado pelo Noma, o melhor restaurante do Mundo, onde se encontra a estagiar há quatro meses. 

Durante os 2 primeiros meses esteve na produção e em algumas das estações a ajudar no serviço e preparações para serviço, que a vida de cozinheiro não é só glamour.  No entanto, o Artur brilha por onde passa, e no final do segundo mês foi convidado por um dos Sub-Chefs a fazer parte do Laboratório de Fermentação, Investigação e Desenvolvimento e ainda por lá anda, feliz e contente. Neste momento está a desenvolver produtos novos para o Menu de Peixe e Marisco que será servido a partir de 9 de Janeiro de 2019.
Se por um lado assisti orgulhosa e embevecida, como uma tia a sério, ao pulsar do Artur pelas cozinhas deste Mundo, por outro, não vejo a hora dele voltar a Portugal e marcar um jantarinho parolo e saloio à tuga e cozinhar só para mim!

Artur. Nome de Rei. Anotem que ainda vão ouvir falar muito dele.

Julio Isidro é o maior!

Ontem à noite no canal "My cuisine" foi regalar-me a vê-lo a oferecer a uma apresentadora de televisão francesa uma "sandes de coirato"!


Haja hospitalidade!

O segundo dia de missa da Ana# terceiro acto*

Na hora da saudação de paz na missa, as pessoas começam-se a saudar e a cumprimentar e ouço a Ana para os colegas da catequese que se sentaram ao lado:

"A minha mãe diz que não sou obrigada a dar beijinhos!"


[*Ia escrever um post sobre o assunto do dia mas a Ana explica tudo melhor que eu.]

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

O segundo dia de missa da Ana# segundo acto

Meto uma moeda no porta-moedas da Ana para ela a poder dar na altura do ofertório.

Aproxima-se o rapazinho com o saco, vejo a Ana abrir o porta-moedas, olha com surpresa para a moeda de um euro, deposita-a pouco convicta no saco,olha para o rapazinho e pergunta:

"Podes dar-me o troco?"

...

...

...

O segundo dia de missa da Ana# primeiro acto



O senhor padre começa a falar para os meninos da catequese em tom pedagógico A dada altura pergunta: - "Quem é o vosso melhor amigo?"


Todos os meninos em coro: "Jesuuuuuuuus. "


Ana numa vozinha esganiçada: "A Biiiiiiiaaaaa!"

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Sexta-feira da terceira semana # 4 e último acto

Ambiente tenso dentro do carro a caminho da escola.

Mámen "tenta desanuviar" e começa a cantarolar:

"É sexta-feira
Yeahhh
Menti à minha mãe a semana inteira
Yeahhhh
Bola amarela não é bom
bom, bom, bom 
Não, não, não, não"




Estou entregue aos bichos.

Sexta-feira da terceira semana #3

A Ana esboça um sorriso entre o nervoso e o desafiante, olho para o mámen com ar de "tu diz qualquer coisa, se faz favor" e ele dirige-se à filha com um:


"Estás-te a rir? Tem cá uma graça! Vê lá se te cai um dentinho..."


Pois

Sexta-feira da terceira semana #2

Eu: "Mas porquê é que te portaste mal na segunda-feira e só me contas hoje? Estás-me a mentir. "

Ana (ofendida)- "Eu não! Só não te contei..."

Eu (a tentar manter o tom pedagógico mas já coiso)- "Oh, Ana: estás a brincar comigo? Não me contaste porquê?"

Ana - "Para teu bem..."

Eu (em choque)- "Para meeeeu bem?"

Ana- "Sim, para teu bem! Ias ficar triste com o meu comportamento cinco dias...

Eu: "E?.."

Ana (mega sorriso): "E? E assim só ficas um..."

Sexta-feira da terceira semana #1

Ana de manhã: "Mãe, que diz é hoje?"

Eu: "Sexta. Porquê?"

Ana (a enrolar): "Ah, esqueci-me de dizer que houve um dia desta semana em que me portei pouco bem."

Eu: "Pouco bem? Pouco bem como?"

Ana: "Assim um bocadinho para o mal..."

Eu: "Ana, não acredito! Em que dia da semana? Ontem?"

Ana: "Ahhhn, não: na segunda-feira."

Eu:" E só me dizes hoje?!"

Ana: Então, hoje é que é  o dia que a professora pinta as bolinhas e as manda para casa...
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