sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Moinho do Maneio

 



Há um lugar com casinhas de pedra que parecem de brincar. Com redes espalhadas à beira rio a convidarem-nos a baloiçar ao sol, à sombra, às estrelas, ao amor e à paixão, ao colo e à intimidade. Aos afectos. Com uma piscina onde podemos ser piratas e sereias em água doce e lagartixas e camaleões ao sol. Com pequenos socos com o melhor bolo de chocolate do Mundo, sumo de framboesas naturais e figos da Índia descascados, iogurtes com granola bons e pão a saber a pão e queijo de cabra e uma vista sobre o rio. Ah, o rio!

Há um lugar com um rio e uma canoa à espera de ser estreada, mesmo que já a tenhamos estreado antes, porque são sempre novas águas a correrem em direcção à pequena represa e os sapos assustam-se à nossa passagem e mergulham à nossa frente - flop!- e somos os três na canoa a cantar alto e a rir às gargalhadas ou é só ela, Pocahontas de Penamacor a remar em direcção a um mar que sabemos que existe lá longe mas que existe, e estamos sempre a caminho dele, mesmo que o rio seja no interior.

Existe um lugar com burros a zurrar e que correm quando lhes acenamos cenouras e cães amigáveis e educados a abanar a cauda, que recompensamos às escondidas com sobras do jantar. Onde pomos a tocar nas aparelhagens antigas de CD Maria Callas e Tom Jobim e as noites são,também por isso, mais estreladas.

Há um lugar onde cozinhamos comida caseira e sopa de tomate para comer nas mesas fora da porta e fazemos chá para beber ao serão, enquanto jogamos jogos de tabuleiro sem sentir falta de televisão nem rede de telemóvel porque o tempo e o silêncio são presentes dos céus.

Há um lugar onde nos recebem e se despedem de nós com o mesmo sorriso aberto e verdadeiro e onde damos por nós a cantar muitas vezes baixinho, a trautear músicas, porque quando estamos felizes cantar faz parte de quem somos. Há um lugar único em Portugal onde a minha família entra família e sai ainda mais família, mais conectada, mais íntima, mais simbiótica.

Há um lugar chamado Moinho do Maneio

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

O Mundo divide-se...

... entre as pessoas que ainda andam de chinelos e as que já andam de calçado fechado/botas

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Ana explica à avó como dá a volta ao pai...

"Sabes, avó, não pode ser asim à bruta. tem que ser assim tipo jazz..."
A minha mãe: "Como assim tipo jazz?!"

"Começa assim devagarinho, sem darmos por nada e quando avança é que ganha ritmo, entendes? 

terça-feira, 28 de setembro de 2021

Ana com febre*

Eu para mámen: "o pediatra mandou intercalar Benuron com Brufen: começamos com qual?"
Ana, em modo drama Queen: "misturem os dois na Bimby, velocidade dez e façam um cocktail..."




*É uma gastroenterite. 

"Do que gostaste mais do fim-de-semana fantástico, Ana?"

Da música que tu e a tia cantaram da Tieta daquela parte "Tieta do agreste, lua cheia de tesão, é lua, estrela, nuvem, carregada de paixão"
(faz uma pausa)

O que é tesão, mamã?" #anaamaior 

Gostava de morrer velha.




Gostava de morrer velha. Velha, velhinha. Ainda melhor, gostava de morrer velha e de velhice. Como se a vida quisesse pedir a conta final e fechar a despesa, satisfeita e de papo cheio, pronta a levantar o rabo da mesa e sair de mansinho, olhos fechados, memórias arrumadas, papo cheio, sensação de fecho da loja.

Contas feitas, fecharia os olhos, papudos e enrugados, com aquele esverdeado que todos os olhos dos velhos ficam, verde árvore para se poder regressar à terra com a copa a tocar no céu e largariam a VT, acho que se diz assim nos programas de televisão, com os momentos mais felizes que acumulei.

Nesse pequeno trecho, de uma vida longa, apareceriam os burros do @moinhodomaneio, as ondas do mar negro do cabelo da Anabela sem mariquice nem nhonhozice a darem-nos as boas vindas de verdade, o ribeiro que desbravamos com a canoa azul e gargalhadas amarelas de sol, os saltos da minha filha no trampolim e os risos a chegarem bem alto no espaço, caudas de sereia na piscina, agora a Eillen e eu a gargalharmos, à ceia, enquanto cantamos a banda sonora da Tieta do Roque Santeiro depois de jogarmos Remmy a beber chá de caramelo e a comer broas de mel e estas manhãs preguiçosas em que quero sair para o pequeno almoço e a Ana dorme no meio de nós, as persianas de madeira azul a rebentarem para nós deixarmos entrar o sol e a vida que é vivida no presente, que deve ser vivida como um presente. Uma cauda de sereia a secar à porta, no fim.

Queria morrer velhinha agarrada ao papel colorido da vida que desembrulhei, contemplando o passado que foi um presente, mete-lo debaixo do braço e dizer adeus, estava tudo óptimo, obrigada, sim?

domingo, 26 de setembro de 2021

O Mundo divide-se...

 ...... entre as pessoas que acordam com o humor certo e não querem conversa de manhã e as outras.

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Está neste momento no duche a lavar-se com a parte de esfoliação da esponja

Ana despe-se para tomar banho. Vejo um unicórnio pintado a caneta de feltro preta em tamanho XXL no ombro, bem carregado, bem grande.
Pergunto-lhe o que é aquilo: "Foi o X. É uma tatuagem!"
Fico furiosa e digo que a tinta entra na corrente sanguínea e mando-a marchar até ao duche e ai-de- ti-que-isso-não-saia.
Volta atrás: "Só para te descansar e tenho medo que tenhas ficado a pensar isso mas quero que saibas que isto não é tinta de tatuagem mesmo, tá?!"

... 

Apartas o cabelo ao meio

"Apartas o cabelo ao meio, agarras um pedaço de cada vez e penteias devagar. Depois das duas partes penteadas, juntas tudo e penteias por inteiro, de uma só vez". Sempre que me vejo em frente do espelho da casa de banho, a pentear o cabelo, sempre sem excepção, oiço a voz da minha avó nesta ladainha: "apartas o cabelo ao meio...".

Eu era adolescente e as hormonas tinham tomado conta do meu cabelo, outrora liso, agora cheio de jeitos e rebelde, muito fino e muito basto, sempre a enriçar e a fazer nós. Às vezes pensava em cortá-lo para me poupar ao trabalho de o desembaraçar todas as manhãs, enervava-me, irritava-me, apetecia-me escová-lo à bruta, partir os nós e o cabelo com ele mas depois a voz, paciente, da minha avó: " apartas o cabelo ao meio...".

A minha avó sempre me pediu que não cortasse o cabelo e sempre que eu desesperava em frente do espelho vinha por trás e tirava-me a escova da mão impaciente e começava a pentear-me: "apartas o cabelo ao meio".

Um dia, era eu universitária e numa manhã de bad hair matinal a minha avó penteava-me, sem pressa e dizia-me a ladainha "apartas o cabelo ao meio..." e eu sorri e atirei "esse conselho dos cabelos aplica-se a todos os problemas, 'vó: temos sempre que os apartar e desembaraçar aos poucos, pedaço a pedaço e depois, com tudo com menos nós e embaraços, dar uma escovadela final, né?" E a minha avó riu e disse "nos cabelos e na bida, tem que ser sempre assim: apartar sempre ao meio, agarrar um pedaço de cada vez e desembaraçar cada pedaço para depois juntar tudo e passar uma escovadela no fim e ficar tudo certinho".

Tenho saudades das mãos da minha avó na escova, da escova no cabelo, da expressão "apartar" e da vida ser dita com "b" de bela e de boa. E talvez seja por isso que eu nunca corto o cabelo: para nunca me esquecer como se resolvem os problemas na vida ou talvez apenas para, sempre que me olho ao espelho, nunca deixar de ouvir a voz da minha avó pela manhã. 

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Adivinhem de onde é a nova professora

A Ana traz como trabalho de casa uma canção do Outono para decorar.
Está ali em looping, muito concentrada: "“E se a fuolha cai, deixa caire, e se o bento fuoge, deixa fugire, se a fulhinha tenhe suono, bamos deixá-la dormire”.
Oh Ana: tu estás a cantar isso bem?
"Não compliques: estou a cantar como a professora canta!"

... 

domingo, 19 de setembro de 2021

 Quando engravidamos projectamos os nossos filhos rodeados de amigos e pessoas com quem possam aprender e ensinar afectos. 

Eu imaginei os amigos da Ana e eram invariavelmente os filhos dos meus amigos, como se eu lhe pudesse assim garantir a melhor linhagem de amizade. Não aconteceu comigo como não acontecerá com tanta gente. No meu caso não só porque as minhas amigas com filhos vivem fora de Portugal (excepção feita à Marta e à Inês: avé!) e as amigas de sempre que cá vivem não sejam mães como- mais importante ainda!- a Ana me deu uma lição importante que quem manda nos afectos dela não sou eu, é a própria. 

O Duarte apareceu assim (como a Ana Leonor, a Leonor, os Afonsos, o Tomás e a Lara) e foi a Ana que trouxe a novidade de crianças incríveis para a nossa família. O Duarte é querido, sensível, criativo, divertido e uma boa pessoa e, provavelmente, o amigo com quem a Ana mais aprende coisas importantes sobre e para a vida. E com o Duarte vem a Susana e o Diogo, com a Ana Leonor a Elisabete e o Ricardo e tanta gente boa e bonita que Ana nos traz e somos nós que temos que aprender com ela, e éramos nós que nos tínhamos que ter projectado mais abertos para o Mundo e mais humildes.

 Ontem foram à estreia da Pequena Sereia no Politeama, tiraram a fotografia com o Filipe Lá Féria e a Ana vinha eufórica e feliz (obrigada Susana!).

Os filhos ensinam-nos tanto ou mais sobre afectos do que nós a eles, afinal.

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

É já a seguir!

 "Mãe, agora que não adotámos um cão podíamos mesmo adotar um porquinho bebé. Ou uma cabrinha, vá..."

Inventámos o nome de uma síndrome

Tenho uma amiga cujo ex-namorado, ressabiado, passa os dias no Speaker's Corner do seu mural de facebook a destilar ódio, indirectas e bocas que dão um bocadinho de pena para ver se a atingem ou se ela se pica.
O engraçado é que ela não o bloqueou no facebook mas fez-lhe aquilo de não aparecerem no seu mural os status dele e prossegue a sua vidinha, sem curiosidade nenhuma sobre o que ele escreve e sem sequer lá ir, fresca e fofa na sua vida.
Ele- attention seeker- continua a esbracejar muito, acreditando que chega até ela- mas só somos mesmo nós, azamigas dela, a assistir de camarote àquele triste desempenho.

Referimo-nos agora, entre nós, àquela verborrea como a "Síndrome Alexandreeo". Estamos "assim" de a registar e pedirmos que a incluiam no DSM-V 

A minha vida é uma miséria

Sabem quando vão a leilões e atiram um número ao ar em voz alta e depois ficam cheios de cagufa com medo de ninguém licitar a seguir?!
Sabem esse nervoso miudinho de profundo enrascamento e aflição?
Há três horas apareceu no meu feed uma fotografia amorosa de um cãozinho e eu comentei “adoro”.
Achava eu.

O meu corrector automático escreveu “adoto” e agora estou a braços com a senhora que encontrou o bicho e ninguém o está a licitar a seguir. 

terça-feira, 14 de setembro de 2021

Feliz terça-feira!

 


Uma senhora velhinha mandou-me, pelo meu marido, um gorro de crochet muuuito mal feito e disforme de presente.
Andei a mirar aquilo uns bons dias. Feio que dói.
Hoje ia ter com a senhora e pensei que seria querido da minha parte pôr o gorro na marmita para lhe mostrar agradecimento pela gentileza.
Cheguei e ela olhou para a minha mona com um ar espantado:
"Porque é que está a usar na cabeça o cesto que lhe fiz para pôr os cremes na casa de banho?"

Primeiro dia de aulas do 4º ano





Podia fazer quarenta graus à sombra, haver uma parada de camelos e todo um desfile cénico de cactos, podia haver uma escola de samba com bailarinos desnudados e sensação térmica de deserto do Sahara que ela hoje levaria, sob qualquer circunstância, o vestido novo dos corações.
Quatro anos para conseguir uma fotografia de primeiro dia de aulas irrepreensível com data certa e todas as peças de roupa vestidas e nos livramos de unicórnios na mochila but... aqui está ela!

Quarto ano da Ana! Desejem-lhe boa sorte!  

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

As fitas


Ele perguntou "também lá estiveste internada?" e eu disse que sim, confusa. É uma névoa na minha cabeça todo o tempo em que lá estive internada, uma névoa sobreposta pelo que a minha mãe me conta, as memórias felizes que ela assistiu, o dia em que a RTP lá foi e me filmou e os domingos em que as irmãs incluiam sempre batatas fritas no menu e a Lai, a educadora, única memória de afecto que guardo. Tinha na minha memória as memórias da minha mãe a ocuparem o lugar das minhas, não sabia para onde teriam elas voado. 

Mas depois ele continuou "e as fitas? Lembras-te das fitas?" e um portal de memórias recalcadas se abriu, como se fosse uma epifania do passado, uma visão de dor que enterrei num poço da minha memória- a psicologia explica- acabava a hora da visita a seguir ao jantar que era dado demasiado cedo, acho que pelas 19h, e a minha mãe e todas as visitas iam embora e vinham as irmãs, vestidas com o hábito creme, com as fitas. 

Às vezes eu choramingava, tinha 4 anos, 5, 7, 8, era pequena, choramingava "não quero as fitas! Tenho comichão e não me consigo coçar" e elas não me respondiam, não me explicavam, não me consolavam, limitavam-se a apertar as fitas à volta do meu corpo pequen ino e prendiam com firmeza e eu ficava sem me mexer toda a noite, às vezes durante muito tempo a olhar para o tecto da enfermaria e a pensar que a comichão iria passar e que a minha mãe chegaria no outro dia e ouvir os gritos de outras meninas: "tirem-me as fitas! Tirem-me as fitas!", depois passos delas e o silêncio a calar os gritos das outras meninas. 

Eu desisti de pedir, percebi que não me ouviam, não queria que os passos se aproximassem e se pedisse apertavam com mais firmeza, nem uma palavra, às vezes eu enchia o peito de ar para ficar com mais folga e poder mexer-me melhor até mas tirarem de manhã, muito cedo, acordavam-nos as sete para lavarem o chão com lixívia e umas máquinas que aspiravam e enceravam, tudo tinha que cheirar a limpo, a doença cheira mal. 

Nunca ninguém me abraçou, consolou ou alargou as fitas, em noites apertadas e silenciosas à espera de manhãs asséticas e da minha mãe chegar outra vez. 

Ele carregou com o dedo na ferida cicatrizada em vão"lembras-te das fitas?" e eu lembrei e perguntei, agora, à minha mãe se era real ou se o sonhara. "Era para vocês não caírem das camas!" e eu sei que ela acredita nisso, as irmãs diziam e ninguém questionava as irmãs- é a memória da minha mãe sobre as fitas mas não é a realidade e eu nem me lembrava que havia esta realidade mas ele perguntou pelas fitas e agora não me consigo esquecer de dormir de colete de forças grande parte da minha infância naquele hospital, do cheiro a lixívia e de tudo o que mais queria no Mundo era a hora em que chegava a minha mãe.

domingo, 12 de setembro de 2021

Históricos de google

 

Histórico do meu google: "como emagrecer comendo doces", "Beverly Hills 90210: como estão os actores agora?", "Escapadinhas de fim-de-semana", " o que se planta em setembro", "depilação com laser alexandrite", "que é feito da Ruth Rita" e "cortes de cabelo para este outono"

Histórico do Google no tablet da Ana: " tudo sobre os Illuminati"
...

Tudo o que aprendi na gravidez foi com o Lobo Antunes



"Que livros leste durante a gravidez da Ana?"- na feira do livro, lembrei-me da pergunta feita tantas vezes, por amigas grávidas e por leitoras do blog grávidas, ao longo destes anos. 

E eu sempre meio envergonhada a responder a verdade: não li nada, excepto as Crónicas do Lobo Antunes, porque estava internada e sem me poder mexer e não tinha nada que fazer. Minto, li um manual de uma enfermeira inglesa, Gina Ford, que era a guru da minha amiga Xana mas li mais por amor - para não desapontar a Xana- que por crença, que a senhora dizia que devíamos deixar os bebés dormirem sozinhos e deixarmos os putos chorarem até se calarem e se não se calassem lá poderíamos ir ao pé dos berços mas nada de acendermos as luzes para eles não nos verem e não quererem folia e voltarem a adormecer. 

Por isso digo que não li nada, mas li Gina Ford para não desapontar a Xana, por amor, nunca lhe disse que odiei a enfermeira inglesa maluca que fazia bíblias sobre bebés sem nunca ter sido mãe. 

E quando a Ana nasceu e fui fazer o primeiro biberão perguntei ao Rui "a misturar isto ponho primeiro o pó do leite ou a água?" e nenhum de nós sabia o que se punha primeiro, nem se fazia diferença a ordem com que se misturava aquilo. "Num biberão pomos primeiro o pó e depois a água e no seguinte fazemos o contrário e logo vemos se faz diferença para a miúda"- concordámos. 

Nenhum de nós leu livros e fomos fazendo sempre tentativa-erro, com a certeza, porém, que a trariamos para dormir no meio de nós, que não a deixaríamos chorar até desistir e que lhe acenderemos a luz todas as vezes que fizer escuro e ela precisar de ver o nosso rosto a dizer que tudo vai ficar bem. 

Tudo o que aprendi sobre livros na gravidez foi com o Lobo Antunes, talvez por isso ontem só tivesse comprado o seu último livro de crónicas, com a esperança que na sua arrogância para inglês ver me ensine mais sobre o mundo e sobre os afectos que enfermeiras inglesas que toda a vida trabalharam com bebés.

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

E estava óptimo. Mas hoje sinto-me a lamber todas as salinas desde Aveiro a Rio Maior.

Depois do périplo do almoço vou jantar a casa dos meus amigos Ines e Bruno que fazem o quê para jantar?

Bacalhau à Brás. 

Pode ser o último post deste blog

Fui comer uma pasta ao almoço ao Basílico no Corte Inglês.

Agarrei numa daquelas cenas de metal que costumam ter queijo ralado e carreguei. Saiu um pó e achei que eram coentros. Era pimenta.

Praguejei.

Agarrei na cena ao lado, outra coisa de metal igual com os furinhos e pensei que iria carregar no queijo. Carreguei. Era sal.

Não quis dar parte fraca, sorri e comi tudo como se nada fosse.

Acho que os meus rins vão parar, a tensão disparar e sinto que a minha boca se afogou no mar salgado e não sinto a língua como da última vez que tinha nove anos e achei que devia lamber a cuvete de gelo.

Sou menina para falecer.

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Materno skills aos 9 anos e um mês da miúda

Saber qual a quantia exacta que a fada dos dentes coloca debaixo da almofada quando lhe cai um dente- checked

Saber o ângulo que os olhos devem arregalar para impor respeito à miúda quando lhe abrir os olhos sem parecer que acabei de fumar umas ganzas nem que sou um carneiro mal morto- checked

Saber o tipo de bolachas e de leite que o Pai Natal come para lhe deixar na varanda na véspera de Natal- checked 

Treinar a cadência da expressão “che-gan-do a ca-sa con-ver-sa-mos”- checked

Saber sempre o nome da melhor amiga actualizado para poder usar com legitimidade a frase “não penses que falas comigo como falas com a tua amiga Joana”- checked 

Saber que ela está com febre sem usar termómetro e apenas encostando os meus lábios à sua testa- checked

Ter lenços de papel na carteira que aguentem saliva para poder limpar caras badalhocas da mesma forma que odiava que a minha mãe me limpasse a mim- checked 

Saber o tempo médio de um castigo para não ser rígida demais nem branda em demasia- checked 

Bater palmas com convicção na plateia de cada teatrinho da escola mesmo que ela tenha tanto jeito para as artes cénicas como eu- checked 

Saber exactamente o timing da contagem progressiva do "uuuuum, doooooooois...." e nunca chegar ao "trêêêês!" dando-lhe tempo para ela sair de onde está sem eu ter que me descabelar com ela- checked

Dizer com ar convicto “não te deixo comer gelados de água que isso é uma porcaria, escolhe antes um de leite”- checked 

Não me esquecer de reparar em como vai agasalhada e acrescentar, invariavelmente, um “não te esqueças do casaco, que vai fazer frio!”- checked 

 Nunca a deixar entrar no portão da escola sem lhe dizer que a amo, mesmo que às vezes, sem querer ou de propósito, a possa vir a embaraçar- checked

Conseguir abrir a puta da tampa do Ben u ron- checked



So far, so good...

It's Wednesday and I'm not in love

Bom dia a todas as pessoas menos aos patrões que decretaram o fim do tele-trabalho e que contribuem para o regresso das filas de trânsito.

Que a Nossa Senhora do IC19 ou a Santinha Padroeira da VCI vos acompanhe, sim? 

Am I alone?

 

Era eu a única criança no Mundo que pedia uma "pirâmide" na pastelaria e a minha mãe dizia que não porque era um bolo que era feito com os restos dos outros bolos e eu achava que era com os restos que as velhotas deixavam nos pratos e não com os restos da massa dos bolos?


Update 1- Acabei de perguntar a mámen e ele diz que sim: que eu era a única!


Update 2- Em boa verdade mámen diz que na ilha dele só havia Paninnis e não é uma fonte fidediga....

terça-feira, 7 de setembro de 2021

Socorro!

A escola começa dia 14.
A minha filha já escolheu o vestido para o primeiro dia de aulas, as meias(!), os sapatos, os brincos, o gancho e a máscara a condizer bem como os brincos e já pendurou este carnaval todo na maçaneta do roupeiro.

Hoje é dia 7. 

O prémio do objeto escolar mais inútil vai para a borracha nova da minha filha

A minha filha tem uma borracha a pilhas. Sim, leram bem .

A minha família e amigos dividem-se entre...

 


... os que estão ansiosos para ver o outfit de primeiro dia de aulas deste ano da Ana e respetiva mochila unicorniana ( reviroojolhos) e os que estão ansiosos para ver se eu me volto a enganar a escrever no estupor no quadro meterno-fofo com datas com o regresso ao futuro (façam zoom na primeira foto: façam!) ou só lhe calce uma meia, para não enjoar (façam zoom na terceira).
FML.

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Silly season# 2

 Há alguma ironia entre o número que MST acha que é o valor médio que ganha um recém licenciado bem preparado em Portugal e o código postal a que corresponde...

27

Contem dez minutos (das 21h30 às 21h40) e (se os vossos filhos estiverem acordados) contem quantas vezes ouvem palavra "mãe".

 

Silly season# 1

Genes de Sophia de Mello Breyner desperdiçados assim ao desbarato...

 

sábado, 4 de setembro de 2021

S.O.S

 Já disse que a Ana está a cantar as músicas do Mamma Mia em "inglês" (cof! Cof!) em looping?

Um avé às famílias monoparentais!

A uma escala laboratorial estive uma semana sozinha com a Ana em full time. Algumas conclusões:
- Acordava todos os dias mais cedo e sempre cansada. Deitava-me todos os dias mais tarde e exausta.

- Ao princípio parecia muito excitante e just girls e tudo e tudo mas ontem quando fomos apanhar o pai só me apetecia fazer um retiro de silêncio e clausura, tipo carmelita descalça. Até o voto da fome eu fazia, se ninguém me obrigasse a cozinhar.

- Tinha muitos planos para a casa ao princípio: destralhar os roupeiros, arrumar a garagem, dar um twist na decoração da sala. Tudo o que consegui foi manter a loiça lavada e as camas feitas todos os dias de manhã. E era tipo uma euforia como quando atingia todos os KPI na empresa...

- A minha mãe foi de férias com o namorado ao quarto dia da semana. Uma vénia a quem não tem os pais por perto para ajudar!

- O filtro do aquário do homem deu o berro e eu não dei por isso. Tenho algas e ranço no aquário mas os peixes ainda estão vivos, portanto, temos o mínimo olímpico no que aos pets diz respeito.

- O autoclismo estava a verter água e eu não tive força para fechar a torneira de segurança e não quis dar o flanco e pedir a ninguém. Só tinha um canalizador disponível para a semana e o Rui chegava entretanto. Temo pela conta da água

- Teletrabalho e Ana sem outro progenitor é impossível. Crashou-me duas reuniões importantes. Dei o corpo às balas e deixei-a ver mais TV que o desejava. Resultado: viu 64324 vezes o Mama Mia e agora já não quer ser chef de cozinha nem CEO nem acrobata do Chapitô a fazer números nos semáforos: quer ser cantora se musicais. E treina afincadamente em non stop.

- Substituir o "vai pedir ao pai" por "sim, tudo o que quiseres, desde que me deixes trabalhar, por favor!" rendeu-me três almoços de Telepizza, o fim de todos os meus boiões de máscara capilar, uma oficina de arte no quarto dela e um tapete cheio de pastel da mala de arte do pai dela (pastel do caro: vai-me matar!), alguma roupa em tie dye porque me queria ajudar a fazer uma máquina de roupa e eu gritei as instruções da sala para a cozinha e ela confundiu o amaciador normal com o amaciador com lixívia, o descaroçamento dos rolos de papel higiénico porque ela viu no YouTube Kids como fazer arte com os rolos e agora tenho papel higiénico desmoldado em todas as casas de banho e outras artes que tais.

- Viva o co-sleeping.

- Não sei como há pessoas que, sendo o outro progenitor saudável, rejeitam a partilha da guarda parental.

- Objetivo alcançado: sobrevivemos as duas!

- Independência e tal mas trabalho em equipa é que é: o casamento está subvalorizado! Viva o Rui.

Posso hibernar uma semana agora, Mamma Mia? 

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Too soon?

O Lux vai reabrir.
Margarida Martins está no desemprego e ainda com mais experiência em selecionar fruta.
Venham os bons velhos tempos!

Casamentolimpíadas: rumo à prata!

 O segredo de um casamento é, no fim do dia, da semana, da vida, no fim de vários caminhos, atalhos e desvios, no fim do tempo e do espaço arranjarmos um ponto fixo de intersecção para nos encontrarmos.

O segredo de uma relação é querermos a mesma coisa mesmo quando queremos coisas diferentes mas, no fim, querermos no limite que resulte, que fiquemos juntos, que continuemos.

O segredo de uma relação é darmos ao outro o que o outro precisa, não apenas o que queremos dar ou, aliás, o segredo é precisamente passarmos a querer dar exactamente o que o outro precisa. Não se dá ao outro o que gostaríamos que nos dessem a nós: damos ao outro exactamente o que o outro precisa e estamos predispostos a dar porque precisamos urgentemente de fazer o outro feliz. E o outro para ele somos sempre nós e queremos o mesmo. Ama-se em espelho.

O segredo de uma relação é não sermos estrangeiros nem turistas na vida do outro: é aculturararmo-nos, aprendermos uma língua comum, termos um visto, uma autorização de residência, depois nacionalizarmo-nos e podermos finalmente fazer casa no peito do outro.




O segredo de uma relação é amar o outro como ele é. Não como o romantizamos, não como queríamos que ele fosse, não como o projectamos: amá-lo exactamente como ele é.
Este ponto de encontro entre o que queremos e o outro quer, o que precisamos e o outro precisa e entre amar o que o outro é, real e cru, este ponto de encontro é a solução do teorema de Pitágoras do amor.

Há 15 anos que, às vezes, tentamos perceber o que o outro quer e precisa. Há 15 anos que, especialmente, nos amamos tal e qual como somos. Há 15 anos que tentamos muito, com vontade, energia, investimento, intuição. Consistência e coerência. Persistência e constância. E por isso resulta ou tem resultado, diz-me tu: porque sou eu e tu e o plural que se encontra neste cruzamento com coordenadas GPS que temos marcadas na pele, na alma, no bem querer.

O segredo de um casamento é não fazer puto de ideia de qual é o segredo e ir com impulso, intuição e fé.

Feliz 15º aniversário de casamento, Rui. Amar-te é simples, fácil e natural. Ser amada por ti é tudo o que quero e preciso. Ser uma pessoa melhor para tu amares orienta a bússola dos meus dias.

Norte. Sul. Este. Oeste.

O meu ponto de encontro és sempre tu.

sábado, 28 de agosto de 2021

Airbag sofa

A Ana foi buscar todas as almofadas de casa- repito: todas- e estofou o sofá, gritando para mim, na cozinha:

- "Camiiiiinha feita, mamã!" 

Tão delicada, benzáDeus!

"Mãe, eu sei que talvez esteja a exagerar mas agora bebemos a Pepsi e não viramos a cara a um concurso de arrotos, pois não?

Saturday night lalalalala



Que comece a desgraça!

[Primeira vez em 9 anos que vai beber Pepsi ao jantar: não me julguem! É a noite da loucura, pá!]

10 "loucuras" que a Ana quer fazer comigo na ausência do "meu marido" (que, por acaso, é o pai dela) ditadas pela própria

"1- Fazer uma maratona de filmes da Disney
2- Fazer maluqueiras culinárias (com o meu talento culinário é um jantar normal, portanto...)
3- Fazer um Carnaval no Verão como no Brasil (?)
4- Ir ao cinema ver o Boss Baby ou o Dartacão
5- Fazer um bolo de cenoura que é a minha especialidade
6- Deitar tooooda a roupa velha do pai fora (que tem muitas dificuldades em deitar coisas fora: muaaahahahahahah!)
7- Jardinar e dar um jeito à horta (SOCORRO!)
8- Comer pizza no sofá e dormirmos no sofá
9- Fazer um spa caseiro
10- Podemos comer pizza ou não?


Queijo e vinho é só aos 18, certo? Mesmo sem o pai aqui, certo? Só para confirmar... " 

Não sei se ela achava que íamos mandar vir strippers

Acabámos de deixar o pai. Chegamos a casa, a minha mãe está cá connosco um bocadinho da tarde e depois vai namorar, ficamos finalmente só as duas e a alminha olha-me com olhar desafiador:
"Então, agora sem o teu marido, que loucura vamos fazer?"
...

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Covil das fêmeas

 Mámen vai passar, a partir de hoje, uma semana fora a dinamizar um campo de férias para miúdos com deficiência (btw, se estiverem por Santa Cruz e os virem ofereçam uma mãozinha, que todas as mãozinhas são poucas...)

Ana acorda e diz-me: " Mekié, mãezinha, hoje à noite já mandamos abaixo umas pizzas as duas?"

Se calhar tenho que começar a repensar nos pecados que cometo

O calor faz-me perceber que não me vou adaptar lá muito bem ao Inferno.

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Só para que conste: estou gorda e em Lisboa

O meu ex namorado mandou-me uma sms a dizer que me viu hoje. No Algarve.
Eu: "Então e que tal? Pareci-te bem?"
Ele: "Vi-te ao longe mas estás em grande forma. Emagreceste?".

Para não lhe dar um desgosto, acabei de lhe perguntar sugestões para um copo em Vilamoura... 

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Soooooltem a parede #2

  A rúbrica "Quadripolarizações" saiu do arquivo. 


[Se alguma vez enviaram uma fotografia que não chegou a ser publicada- por desorganização desta que vos escreve- reenviem-me para quadripolaridades@hotmail.com. E desculpem, tá?]

Filha da mãe


A Ana a levantar a mesa e a levar a loiça do jantar para a cozinha.
Eu a mirá-la desde a casa de banho.
Pára a meio do corredor, onde acha que está num ângulo morto e leva o meu copo com um restinho de sangria à boca para provar.
Cospe-se toda a tentar fazer o mínimo barulho possível e segue para a cozinha.
Estou há uma noite de insónia a tentar perceber se finjo que não vi ou se lhe dou um raspanete bué hipócrita porque achei um piadão à puta da lata da bicha...

terça-feira, 24 de agosto de 2021

Citação do dia

"Qualquer ser que apareça como salvador da pátria é mau para a Democracia. A Democracia salva-se em conjunto. Não é uma personagem que salva a Democracia. Isso cheira a outra coisa. Eu não quero ser essa pessoa". 

 Vice-Almirante Gouveia e Melo

Soooooltem a parede

 A rúbrica "O Mundo divide-se" saiu do arquivo. 

O meu blog não deu um programa de rádio...

Mas tive um convite para publicar um livro com o best of do Quadripolaridades. 

Ando há meses a empurrar com a barriga a decisão. 

Alguém ainda lê livros de blogs? Qual a vantagem de ter tudo compilado num livro? Não é um bocado arrogante achar que estes textos trapalhões todos podem tornar-se num livro? É que um livro é uma coisa séria. Qual a motivação para se escrever um livro? O ego? O meu ego precisa disto? Eu até já plantei uma árvore, escrevi um livro em miúda e fiz uma filha. Motivações de dinheiro? Eu trabalho, nunca quis viver de dividendos do blog. Anyway, entre o que fica para a editora e o distribuidor, compensa mais fazer macramés com a miúda e vender online. E depois tenho que ir aos programas da manhã divulgar o livro e toda a gente sabe que eu curto tanto eventos televisivos como arrancar as unhas devagarinho, uma a uma. Ou injeções nos olhos. E... e...

Por outro lado, o Prezado mandou-me um draft da capa e... 





Digam-me lá coisas. Vocês: os que vêm aqui, não os que só vão às redes sociais. Que esses contentam-se com os bonecos do meu instagram. 

Afinal, 16,5€ de portagens tinha sido suficiente

No fim-de-semana vamos a Elvas, há uma feirinha com carrosséis e carrinhos de choque a 2,5€ a ficha, ela acaba de andar e diz "adorei isto! Foi o dia mais feliz de sempre!"


Chegámos da Eurodisney há uma semana...

União Cultural e Recreativa de Dinossauros da Blogosfera

 A Jonas ainda cá anda e a Helena também. 

Já dá para jogar à sueca. Em bom. 


[Vou actualizar ali de lado].

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Ano da (des)graça de 2021

 Olhei para as estatísticas aqui do estaminé reaberto há menos de 24 horas e posso assegurar-vos com segurança...



As 'ssoas ainda lêem blogs!


[Obrigada!]

Escala ascendente de dor, segundo Pólo Norte

 1-  Dor de dentes

2- Gota

3- Cólica biliar

4- Lombalgia aguda

5- Enxaqueca severa

6- Hipertensão intracraniana

7- Depilação com cera quente na farfalota pimpinela

8- Dor de parto

9- Cólica renal

10- Regressar de férias

Sigam-me para mais exemplos do inexorável estilo de consolo maternal que dou à minha filha

 A Ana foi mordida por uma abelha na maçã do rosto, ali perto do olho. 

A maçã do rosto incha, eu tenho um vislumbre de Betty Grafstein e apresso-me a consolá-la: "filha, descobrimos o botox dos pobres!"



A São João resiste

"Guarda-redes O médico disse-me que os guarda-redes são mais afectados por depressões do que os outros jogadores. É por estarem parados muito tempo. Porque quase nunca marcam golos, só tentam evitá-los. Não conseguem levar uma equipa à vitória, só evitam a derrota. A inversão do ónus. Nunca fazem mais do que a sua obrigação. Yep."

E continua a ser a melhor nisto. A melhor. 




[Vou atualizar ali do lado direito a lista dos blogs resistentes bons...]

Pareço aquelas velhotas do campo quando visitam a terra e perguntam pelas "meninas" do seu tempo

 Chego aqui e os meus blogs preferidos morreram todos. 


Alguém me pode indicar blogs de carcaças velhas que tenham resistido? Mas dos bons que se a pessoa já não aguentava misérias antes dos 40, agora ainda menos...

 

Agradecida.


domingo, 22 de agosto de 2021

A pessoa dispersa e quando dá por ela já lá vão anos.

 


 A pessoa dispersa e quando dá por ela já lá vão anos. Pensa voltar a escrever com regularidade num só sítio para conseguir apanhar todas as postas de pescada e sentenças defecadas no facebook, no instagram e no twitter e mais houvesse- é como calha, nunca fui muito estruturada-  e reunir tudo de forma organizada, compilada e “escorreita”, como diz o açoriano cá de casa.

Às vezes a pessoa pensa “caraças, como é que eu conseguia?” aquilo de escrever todos os dias, várias vezes por dia com trabalhos difíceis em departamentos de recursos humanos, com vidas sociais agitadas, com dramas familiares e depois com a miúda pequena, se bem que toda a gente sabe que a miúda era praticamente um lémur, só comia e dormia e exibia os seus lindos e enormes olhos azuis, i did “know nothing, John Snow”, que é como quem diz Pólo Norte, sim, que ainda sou a Pólo Norte, a ursa e fico um bocado cheio de fernicoques quando me chamam “Quadripolaridades”, NÃO CONFUNDAM O NOME DO BLOG COM O NOME DA PERSONAGEM, TÁ?. Agradecida.

A modos que isto de ter coisas aqui e ali para públicos distintos, ai que os velhos ainda estão todos no facebook, que se lixe, então ainda sou velha e são bués e eu gosto de escrever para muita gente que se quisesse escrever para meia dúzia de gatos pingados escrevia postais para a malta cá de casa; ai que os novos e cool estão todos no instagram, ai mas espera aí, eu também ainda estou aqui cheia de genica e continuo muito cool e gosto mesmo da cena das imagens bonitas com o texto a acompanhar; a modos que a malta old school dos blogs já nem sabe para que lado se virar, Deus me guarde e me livre do Tik Tok, que se Kapinha é o Rei do Tok Tok, agora pensem lá…

Mas, honra seja feita, se não fosse ter alcançado os 10 000 seguidores no Instagram (o número de visitas médio que eu tinha à uma da tarde, todos os dias, somado no blog nos tempos áureos que, ok, não correspondem, ao número de visitantes mas de visitas e toda a gente sabe que as actuais dos meus ex faziam muito F5) não teria ganho aquele bónus do swipe up para encaminhar as pessoas para aqui, logo, este come back não teria acontecido.

Já disse que não alinho no tik tok, não já?

De resto a vidinha vai uma miséria franciscana: casa, trabalho, pandemia;  a miúda já fez nove anos , minha ryca filha, toda a gente sabe que continua a mais bonita, inteligente e maravilhosa de todos os filhos do Mundo, deve estar a guardar-se para a adolescência para me copular a idade da menopausa e tornar a minha vida insuportável, já não vai bastar as hormonas e os calores; mais pandemia, trabalho, casa; mámen continua um santo a aturar todas as minhas merdas com toda a classe do Mundo, ainda não me divorciei e ainda também não me deu nenhuma crise de meia idade; mais casa, pandemia e trabalho; a minha mãe continua fantástica mas proibiu-me de escrever sobre ela e a minha sogra já sabe da existência não só deste blog como das redes sociais, portanto, CALÔ, ninguém abre a bocarra; mudei de trabalho e estou numa fase de não saber bem o que quero para os próximos tempos mas sei do que sou capaz, isto dos 40 tem essa coisa de bom, a pessoa não consegue controlar o decurso do Mundo e percebe a sua infinitude perante os imponderáveis e imprevistos da vida que não consegue controlar mas conhece-se a si cada vez melhor; de resto estou um bocadinho para o gorda mas uma pessoa não consegue resistir a uma pandemia, à escola em casa, aos ciclos de teletrabalho, a máscaras a fazerem acne no queixo, à propagação de pseudo escritores como o Chagas Freitas e o Raul Alma Dele e ao Kapinha no Tik Tok sem se consolar com comida.

De resto cá vamos, enquanto a Margarida Rebelo Pinto continuar sossegadinha sem escrever mais livros, a malta aguenta-se com a cabeça entre as orelhas.

Acho que voltei.

 

P.S.- I still hate Hello Kitty.

P.S. 2- Ainda estou a decidir se recupero o arquivo do blog ou não. Digam-me de vossa justiça. 

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