segunda-feira, 31 de janeiro de 2022
sexta-feira, 28 de janeiro de 2022
quarta-feira, 26 de janeiro de 2022
Aquele nível basicozinho de maturidade
terça-feira, 25 de janeiro de 2022
segunda-feira, 24 de janeiro de 2022
domingo, 23 de janeiro de 2022
Tenho uma amiga
domingo, 16 de janeiro de 2022
A estrela da serra
sábado, 15 de janeiro de 2022
sexta-feira, 14 de janeiro de 2022
quinta-feira, 13 de janeiro de 2022
Borboletas na barriga
quarta-feira, 12 de janeiro de 2022
Ten years challenge
terça-feira, 11 de janeiro de 2022
A pessoa tenta sr modernaça e acompanhar as tendências e tudo e tudo
sexta-feira, 7 de janeiro de 2022
Sim, mostrámos a Casa de Papel à miúda
terça-feira, 4 de janeiro de 2022
Parabéns tia Cinda!
É por sua causa que começamos o ano sempre em festa. Foi a última dia meus tios a nascer mas foi sempre a primeira tia a chegar em todos os momentos da minha vida. É aparentemente serena mas interiormente ansiosa mas tem o condão de fazer com que nós achemos que tem sempre tudo sobre controlo. Na verdade, tem.
É como uma segunda mãe para mim e sempre que imagino como deve ser ter uma irmã tenho como referência a relação dela com a minha mãe. É uma segunda avó para a Ana, que não podia ser mais cúmplice dela, mais compatível, mais tudo. É a Titocas da Ana, a minha tia Cinda.É doutorada em comida pré feita nos corredores dos hipermercados mas é a melhor costureira do Mundo. Quando era pequena preparava-me sempre banhos de espuma com gel da Avon e deixava-me ficar na banheira até ter as mãos engelhadas. Deixava-me comer delícias do mar directamente do congelador e fazia a melhor salada russa do Mundo, inundada de maionese. Na adolescência encobriu-me namoros e curtes em Monte Gordo e tem o condão do chantilly dela nunca falhar. Deu-me a minha prima, aos nove anos e meio, que foi a melhor coisa que me podia ter dado.
Na verdade nunca deixou de dar.
Há um ano não lhe pudemos cantar os parabéns e tivemos medo de nunca mais o podermos fazer.
Mas este ano, aos sessenta acabadinhos de estrear, cá está forte, gira e plena. Ela diz que teve sorte mas a sorte foi toda nossa!
Parabéns, minha tia!
sexta-feira, 31 de dezembro de 2021
Andorinha
Em 2021 senti-me profundamente triste. E aflita. E impotente E devastada. Tive terror em perder a minha tia e perdi o meu tio num momento de terror. Confortei a minha prima. Alimentei o meu outro tio. Percebi definitivamente que nunca mais retomarei relações com a minha outra prima Tomei conta de muita gente e pouca de mim. Fui promovida na pior altura para o ser. Trabalhei horrores. Tive muitas mudanças no trabalho até que apareceu a Ana Lúcia para me serenar. Serenou. Ajudei a organizar uma manifestação pela vida independente. Gritei num megafone. Fiz uma vigília e dormi à porta da Assembleia da República. Reforcei a certeza de que o meu casamento é para sempre e que há amores para a vida toda (até podem não haver casamentos, mas amor há!). Perdi a Joana. Dei centenas de horas de formação. Vi a Monalisa. Tive o melhor jantar do ano aos pés da Torre Eiffel. Vi, finalmente, toda a Casa de Papel. Tive pouco com amigos. Voltei a organizar campos de férias. Diverti-me tanto na Isla Mágica. Fui vacinada. Falhei nos exames de rotina da mama mas compenso em breve. Passei o dia da mãe com a minha mãe sem máscara e viseira. E com a Ana. As três na Lx Factory. Vi um espectáculo de flamenco ao vivo. E comemos tantas tapas, os três felizes em Sevilha. Comovi-me na Eurodisney. Namorei muito no Verão com tinto de Verano e Manchego. No meu aniversário um conjunto de bandalhos bons juntou-se no mato para me cantar os parabens. Foi tão importante para mim. Comi marisco em São Martinho do Porto. Fui feliz em Elvas com a Inês e o Bruno. Recebi os meus sogros em tranquilidade. Li pouco. Fui a Itália em trabalho e conheci gente incrível A Ana fez a sua primeira comunhão. A minha mãe esteve sempre por perto e isso é tudo para mim. Fui feliz com a Eillen a cantar a banda sonora da Tieta. Fiz yoga no Moinho de Maneio. A Ana cresceu, cada vez mais pessoa inteira e boa. Aprendi a jogar Rummy. Permiti-me a falhar e abracei a vulnerabilidade com auto-compaixão. Em 2021 fui uma andorinha sempre em vôo numa constante tentativa de regresso a casa.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2021
quarta-feira, 29 de dezembro de 2021
Foi um ano tão mau
Foi um ano tão mau. Não me apetece fazer redução da minha dissonância cognitiva e dizer que não foi mau, que afinal foi apenas duro, desafiante, de crescimento, difícil. Não foi. Aliás, até pode ter sido isso tudo mas foi, sobretudo e sobre tudo, mau.
Perder pessoas, mas perder a sério, não o deixar ir, não o decidir cortar relações, perder sem escolha e definitivamente, nunca pode fazer de qualquer ano que seja algo menos do que terrível.Tudo o que possa ter sido bom e que muitas vezes damos por adquirido- estou com saúde e a minha mãe e filha também, tenho emprego e salário, tenho casa e não tenho contas por pagar, tenho uma relação amorosa saudável e um marido com saúde e emprego- é um alívio mas não apaga o terror que foi este ano.
Sinto-me em catarse, como no fim de uma tragédia onde tens que lutar cheia de adrenalina, sem dispersar, sem tempo para merdas, e no fim, campo de batalha vazio, podes finalmente sentar-te e chorar.
Comecei o ano a perder a minha tia e eu não sei perder gente e acho que nunca irei aprender. Quando ela voltou, do lado de lá do covid nos cuidados intensivos, lembrei-me do dia em que ela emigrou. Eu tinha 5 anos e fui levá-la ao aeroporto. Ela despediu-se com lágrimas nos olhos e começou a subir as escadas rolantes. Eu, cá em baixo, segurada por um adulto que não me lembro quem era, a gritar: " não vás, tia, não me deixes, tia!". E ela foi. Foi talvez o primeiro trauma da minha vida, esse dia, embora tivesse tido tantos motivos para trauma, as hospitalizações, as noites sozinha internada, as saudades da minha mãe, o meu pai que nunca mais voltou, esse por opção. É a falta de escolha que me mata por dentro. A inevitabilidade da vida. Quando a minha tia voltou do covid senti que estávamos, finalmente, de contas saldadas: ela tinha fintado o sentido das escadas rolantes e voltava finalmente para trás, para não me deixar sozinha.
2021 foi um ano de merda, desculpem o discurso depressivo. Para 2022 não quero nada. Só que mais nenhum dos meus parta sem poder regressar. Escadas rolantes paradas.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2021
Dores (maternais) de crescimento
A gente anota o primeiro dia em que se sentam, em que lhes nasce o primeiro dente e depois em que lhes cai também, em que dão os primeiros passos, do primeiro dia de creche e depois, todos os anos, de escola. A gente anota a primeira palavra dita e a primeira escrita, o primeiro desenho de figura humana e o inaugurar de tantos estadios.
domingo, 26 de dezembro de 2021
sexta-feira, 24 de dezembro de 2021
Tudo sobre controlo
quarta-feira, 22 de dezembro de 2021
Crescemos sempre até ao fim
É a vida que acaba. É à vida que não se sobrevive e esse é, talvez, o grande paradigma da humanidade. Do amor.
sábado, 18 de dezembro de 2021
Electra
sexta-feira, 17 de dezembro de 2021
Com força e baixinho
quarta-feira, 8 de dezembro de 2021
É bacalhau espiritual
quinta-feira, 2 de dezembro de 2021
A melhor música de Natal
sexta-feira, 1 de outubro de 2021
Moinho do Maneio
Há um lugar com casinhas de pedra que parecem de brincar. Com redes espalhadas à beira rio a convidarem-nos a baloiçar ao sol, à sombra, às estrelas, ao amor e à paixão, ao colo e à intimidade. Aos afectos. Com uma piscina onde podemos ser piratas e sereias em água doce e lagartixas e camaleões ao sol. Com pequenos socos com o melhor bolo de chocolate do Mundo, sumo de framboesas naturais e figos da Índia descascados, iogurtes com granola bons e pão a saber a pão e queijo de cabra e uma vista sobre o rio. Ah, o rio!
Há um lugar com um rio e uma canoa à espera de ser estreada, mesmo que já a tenhamos estreado antes, porque são sempre novas águas a correrem em direcção à pequena represa e os sapos assustam-se à nossa passagem e mergulham à nossa frente - flop!- e somos os três na canoa a cantar alto e a rir às gargalhadas ou é só ela, Pocahontas de Penamacor a remar em direcção a um mar que sabemos que existe lá longe mas que existe, e estamos sempre a caminho dele, mesmo que o rio seja no interior.
Existe um lugar com burros a zurrar e que correm quando lhes acenamos cenouras e cães amigáveis e educados a abanar a cauda, que recompensamos às escondidas com sobras do jantar. Onde pomos a tocar nas aparelhagens antigas de CD Maria Callas e Tom Jobim e as noites são,também por isso, mais estreladas.
Há um lugar onde cozinhamos comida caseira e sopa de tomate para comer nas mesas fora da porta e fazemos chá para beber ao serão, enquanto jogamos jogos de tabuleiro sem sentir falta de televisão nem rede de telemóvel porque o tempo e o silêncio são presentes dos céus.
Há um lugar onde nos recebem e se despedem de nós com o mesmo sorriso aberto e verdadeiro e onde damos por nós a cantar muitas vezes baixinho, a trautear músicas, porque quando estamos felizes cantar faz parte de quem somos. Há um lugar único em Portugal onde a minha família entra família e sai ainda mais família, mais conectada, mais íntima, mais simbiótica.
quinta-feira, 30 de setembro de 2021
O Mundo divide-se...
... entre as pessoas que, mal espreita o Outono, ainda andam de chinelos e as que passam logo a andar de calçado fechado/botas
quarta-feira, 29 de setembro de 2021
Ana explica à avó como dá a volta ao pai...
terça-feira, 28 de setembro de 2021
Ana com febre*
"Do que gostaste mais do fim-de-semana fantástico, Ana?"
Gostava de morrer velha.
Gostava de morrer velha. Velha, velhinha. Ainda melhor, gostava de morrer velha e de velhice. Como se a vida quisesse pedir a conta final e fechar a despesa, satisfeita e de papo cheio, pronta a levantar o rabo da mesa e sair de mansinho, olhos fechados, memórias arrumadas, papo cheio, sensação de fecho da loja.
domingo, 26 de setembro de 2021
O Mundo divide-se...
...... entre as pessoas que acordam com o humor certo e não querem conversa de manhã e as outras.
sexta-feira, 24 de setembro de 2021
Merdas que vocês fazem aos vossos filhos para serem nomeadas para ganharem a "grã ordem de mérito da maternidade abnegada, sacrificada, carmelita descalça, cheia de culpa judaico-cristão, freudiana" e que nunca pensaram que um dia descessem tão baixo ao inferno-maternal de tal modo que batessem no fundo.
quinta-feira, 23 de setembro de 2021
Apartas o cabelo ao meio
quarta-feira, 15 de setembro de 2021
Inventámos o nome de uma síndrome
terça-feira, 14 de setembro de 2021
Primeiro dia de aulas do 4º ano
segunda-feira, 13 de setembro de 2021
As fitas
Mas depois ele continuou "e as fitas? Lembras-te das fitas?" e um portal de memórias recalcadas se abriu, como se fosse uma epifania do passado, uma visão de dor que enterrei num poço da minha memória- a psicologia explica- acabava a hora da visita a seguir ao jantar que era dado demasiado cedo, acho que pelas 19h, e a minha mãe e todas as visitas iam embora e vinham as irmãs, vestidas com o hábito creme, com as fitas.
Às vezes eu choramingava, tinha 4 anos, 5, 7, 8, era pequena, choramingava "não quero as fitas! Tenho comichão e não me consigo coçar" e elas não me respondiam, não me explicavam, não me consolavam, limitavam-se a apertar as fitas à volta do meu corpo pequen ino e prendiam com firmeza e eu ficava sem me mexer toda a noite, às vezes durante muito tempo a olhar para o tecto da enfermaria e a pensar que a comichão iria passar e que a minha mãe chegaria no outro dia e ouvir os gritos de outras meninas: "tirem-me as fitas! Tirem-me as fitas!", depois passos delas e o silêncio a calar os gritos das outras meninas.
Eu desisti de pedir, percebi que não me ouviam, não queria que os passos se aproximassem e se pedisse apertavam com mais firmeza, nem uma palavra, às vezes eu enchia o peito de ar para ficar com mais folga e poder mexer-me melhor até mas tirarem de manhã, muito cedo, acordavam-nos as sete para lavarem o chão com lixívia e umas máquinas que aspiravam e enceravam, tudo tinha que cheirar a limpo, a doença cheira mal.
Nunca ninguém me abraçou, consolou ou alargou as fitas, em noites apertadas e silenciosas à espera de manhãs asséticas e da minha mãe chegar outra vez.
Ele carregou com o dedo na ferida cicatrizada em vão"lembras-te das fitas?" e eu lembrei e perguntei, agora, à minha mãe se era real ou se o sonhara. "Era para vocês não caírem das camas!" e eu sei que ela acredita nisso, as irmãs diziam e ninguém questionava as irmãs- é a memória da minha mãe sobre as fitas mas não é a realidade e eu nem me lembrava que havia esta realidade mas ele perguntou pelas fitas e agora não me consigo esquecer de dormir de colete de forças grande parte da minha infância naquele hospital, do cheiro a lixívia e de tudo o que mais queria no Mundo era a hora em que chegava a minha mãe.
domingo, 12 de setembro de 2021
Tudo o que aprendi na gravidez foi com o Lobo Antunes
sábado, 11 de setembro de 2021
sexta-feira, 10 de setembro de 2021
E estava óptimo. Mas hoje sinto-me a lamber todas as salinas desde Aveiro a Rio Maior.
Bacalhau à Brás.
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quarta-feira, 8 de setembro de 2021
Materno skills aos 9 anos e um mês da miúda
Saber qual a quantia exacta que a fada dos dentes coloca debaixo da almofada quando lhe cai um dente- checked
Saber o ângulo que os olhos devem arregalar para impor respeito à miúda quando lhe abrir os olhos sem parecer que acabei de fumar umas ganzas nem que sou um carneiro mal morto- checked
Saber o tipo de bolachas e de leite que o Pai Natal come para lhe deixar na varanda na véspera de Natal- checked
Treinar a cadência da expressão “che-gan-do a ca-sa con-ver-sa-mos”- checked
Saber sempre o nome da melhor amiga actualizado para poder usar com legitimidade a frase “não penses que falas comigo como falas com a tua amiga Joana”- checked
Saber que ela está com febre sem usar termómetro e apenas encostando os meus lábios à sua testa- checked
Ter lenços de papel na carteira que aguentem saliva para poder limpar caras badalhocas da mesma forma que odiava que a minha mãe me limpasse a mim- checked
Saber o tempo médio de um castigo para não ser rígida demais nem branda em demasia- checked
Bater palmas com convicção na plateia de cada teatrinho da escola mesmo que ela tenha tanto jeito para as artes cénicas como eu- checked
Saber exactamente o timing da contagem progressiva do "uuuuum, doooooooois...." e nunca chegar ao "trêêêês!" dando-lhe tempo para ela sair de onde está sem eu ter que me descabelar com ela- checked
Dizer com ar convicto “não te deixo comer gelados de água que isso é uma porcaria, escolhe antes um de leite”- checked
Não me esquecer de reparar em como vai agasalhada e acrescentar, invariavelmente, um “não te esqueças do casaco, que vai fazer frio!”- checked
Nunca a deixar entrar no portão da escola sem lhe dizer que a amo, mesmo que às vezes, sem querer ou de propósito, a possa vir a embaraçar- checked
Conseguir abrir a puta da tampa do Ben u ron- checked
It's Wednesday and I'm not in love
Am I alone?
















