sábado, 30 de abril de 2016

Senhoras educadoras, não sejam rabugentas!



Algumas ficaram aborrecidas. Outras ofendidas. Outras indignadas. Outras tristes. A maioria sentiu-se incompreendida. Houve quem me viesse confrontar "Ó minha croma, chica esperta, esperteza de hortaliça, mafarrica, ingrata, pobre e mal agradecida, besta (risquem o que não interessa) diz-nos lá tu que sugeres? Estamos curiosas!"
Temi pela minha materno-vida a pensar que em breve o meu post iria ser partilhado no grupo de facebook das "educadoras ecofriendly amantes de artesanato feito com cápsulas de nespresso" ou - pior!- no grupo de facebook das "educadoras da corrente pedagógica da massa de cotovelo" e isto ia acabar num cagaçal que nunca antes visto. Well, ou quase, vá, que sou especialista em ser odiada em grupos de facebook! Pior que tudo, que as educadoras da minha filha (este ano já foram duas) lessem o meu post e que na segunda feira, à laia de retaliação, levasse bolinha vermelha na tabela do materno-comportamento e não me pudesse levantar da mesa do lanche partilhado (hey, espero que ao menos dêem comida depois da materno-socialização a que vou estar sujeita!) sem comer o pão-de-ló todo que não sabe a nada por conta das mães celíacas, alérgicas ao glúten, à lactose, ao chocolate, à farinha 33 e ao fermento Royal. 
Agora vem a parte que vos irá desiludir na vossa impressão feita sobre mim: eu gosto muito de educadoras de infância! Vá, até podia calhar não gostar, há profissões das quais não gosto como de jornalistas (a culpa é do meu pai!), agentes da guarda nacional republicana ou instrutores de condução. Acontece que gosto. E respeito muito e até sinto uma certa admiração que para mim as crianças são como os puns, só aguento a minha, quanto mais 20 ou 30 duma vez!
Mas lá por gostar de educadoras de infância não significa que considere que (a maioria delas) seja brilhante em tudo o que faz. Também amava a minha avó de paixão e não era por isso que ela se tornava numa brilhante cozinheira, estão a ver a cena?
Já vi festas de Natal fantásticas (a sério, se quiserem ver que festas de Natal maravilhosas não são coisas conceptuais e existem mesmo ide assistir a uma do Colégio do Amor de Deus, em Cascais, só assim a título de exemplo) e já vi festas de Natal que fazem chorar o Jesus, a Maria, o José e as estrelinhas do céu e as pedrinhas da calçada. No que concerne aos presentes do dia da mãe, a verdade é que 95% das coisas que vejo as minhas amigas receberem são (como é que hei-de dizer isto sem melindrar ninguém?!) pa-vo-ro-sas! Me-do-nhas!
Epá, pode ser tudo com muito boa intenção, pode ser tudo com amor e carinho (também pode ser a despachar que a maioria dos putos de JI que conheço estão-se a borrifar para estar concentrados a fabricar presentes e querem é ver-se livres da estucha) mas um trambolho feito com muito amor e carinho não deixa, ainda assim, de ser um trambolho. E, minhas senhoras, se eu sei o que são trambolhos feitos com amor e carinho, ora perguntem à minha própria mãe!
Na verdade, a cena dos presentes reciclado enjoam. Ninguém acha verdadeiramente bonito caixas feitas com fundos de garrafas de plástico de 50 cl de água nem pout pourri encafuados em frasquinhos de Compal essencial. É feio! E só não vai para o lixo nas primeiras arrumações graças à culpa judaico cristão que herdamos no pack oxicitocina pós-parto, tá? Já ninguém aguenta bijuteria foleira feita com cápsulas nespresso e nenhuma mãe usa, de ânimo leve, um colar de cápsulas de café roxas esmagadas ao pescoço para ir trabalhar, ok?
Dizem-me vocês: ah, mas não temos ideias, recursos financeiros, tempo, recursos de material  (risquem o que não interessa) para fazer coisas diferentes. Concedo em alguns casos. No entanto, o bom gosto não tem que ver com materiais nobres ou ideias espetaculares. Amigas, vocês são educadoras no tempo do Pinterest, tá? É só um bocadinho de dedicação a pesquisarem ideias giras! Quem se podia queixar de falta de ideias era a minha educadora Teresa, em 1984, não vocês! Façam uma coisa simples e rápida que não mace os miúdos: um queque embrulhado numa caixa de pasteleiro desenhada por eles, why not? Um saco de pano para as mães irem às compras pintado livremente (beijinho à educadora da filha da Ana Corrêa que teve esta ideia!). Uma porra de um marcador de livros original usando a fotografia deles. 
Ou, como fez este ano um certo psicólogo que conheço, levem-nos à serra plantar uma árvore , à qual poderão dar o nome da mãe. E que, quer mãe quer filhos, poderão visitar sempre que lhes aprouver. Diz que (a maioria das) as mães gostam de prendas eternas. Eu contento-me com bolos. 

De nada. 

Muro das laMÃEtações # 3




Muro das laMÃEtações # 2


"Achei que devia partilhar esta fantástica obra feita pelo meu filho de 6 anos, mas que podia ter sido feita pelo meu sobrinho de 6 meses. Ou o meu cão."- Mãe Anónima 1

Muro das laMÃEtações # 1


"Placard da minha filha. Exposto na respectiva sala..." -  Alice Cavalinhos

Os meus amigos podem não ser melhores que os vossos, mas terão certamente um sentido de humor mais peculiar # 36


sexta-feira, 29 de abril de 2016

PROGRAMA QUADRIPOLAR | Fim-de-semana de Dia da Mãe

Sábado

LISBOA


Manhã: É já amanhã que vamos correr ou caminhar por um hospital pediátrico em Lisboa a propósito da 5ª Corrida/Caminhada D. Estefânia - Dia da Mãe.  A partir das 9h30,  junto ao passeio marítimo de Alcântara - Belém, há actividades especialmente dedicadas às crianças:  levem os bonecos ao hospital da bonecada, pintem as caras nas pinturas faciais, façam um desenho para oferecer a mãe, recebam abraços grátis, divirtam-se com os doutores palhaços e no final, assistam ao mini concerto do Ricardo Reis Pinto. O que importa é que estejam presentes a apoiar esta causa.


Domingo


Manhã: pequeno almoço almoçarado para as mães especiais no Stone Obidos Hostel, o mais recente projecto entusiasmante para lá das muralhas.  Reservem já! booking@stoneobidoshostel.pt // 966 878 927. Mais informações aqui.



Tarde: primeira prova de karting solidária do Bairro do Amor. As receitas deste evento reverterão para o desafio semestral do Bairro do Amor. Mais informações aqui e inscrições através do email leiria@bairrodoamor.com

Senhoras educadoras, não queremos mais colares feitos com macarrão!



Estamos fartas de molduras feitas de raminhos, pasta de papel com ar amarfanhado e molas da roupa. De garrafas PET mal aproveitadas e de eco-aproveitamentos que resultam em presentes feios como uma noite escura. Não queremos vasinhos (não temos tempo para tomar conta dos miúdos quanto mais ainda termos flores para regar). Já estamos enjoadas de pulseiras feitas de massa fimo, bijuteria com desenhos feitos por eles e que nunca usaremos para sair à rua nem que o Diabo tussa. Não queremos mais telas pintadas com pincéis grossos e tintas com cores que não combinam entre si porque as nossas salas já estão demasiado desarrumadas todos os dias para ainda nos podermos dar ao luxo de pespegar monos desses nas paredes. E também já não temos escritórios em casa onde os possamos desterrar: foram transformados nos quartos das crias, lembram-se? Não queremos ter que fingir sorrisos amarelos como quem finge orgasmos, mentirmos com todos os dentes que temos na boca a olhar para as porcarias que vocês sugerem aos miúdos para nos ofertarem. E, especialmente, não nos queremos sentir culpados por não gostarmos das prendas sem jeito nenhum que vocês convidam os nossos filhos a oferecer-nos. Não queremos fazer concursos dos presentes mais inúteis nas tertúlias com os amigos e baixarmos as nossas expectativas ao ponto de ficarmos felizes por termos recebido algo diferente "de uma embalagem de celofane transformada em passepartout que o pai recebeu no dia do Pai" (beijinho solidário Sara Pereira!)
Estamos fartas de porta-chaves e aventais pintados à pressão. JÁ NÃO AGUENTAMOS ARTESANATO FEITO COM CÁPSULAS DE CAFÉ, boa? Abaixo os trambolhos! Mesmo que sejam eco-trambolhos! Mesmo que sejam trambolhos feitos com amor e carinho. Queremos presentes feitos com amor e carinho que não sejam monos, pode ser?
Ah, e também estamos fartas de actividades nos dias das mães com as outras mães da escola. Eu não obrigo a minha mãe a conviver com as mães dos meus colegas de trabalho porque raio insistem em que eu passe uma tarde inteirinha com pessoas a quem só digo "bom dia" todos os dias de manhã? Eu não quero ser amiga das mães dos colegas da minha filha! Não quero fazer actividades desportivas com elas (não quero fazer com  ninguém, ainda menos com elas). Não quero exibir a minha motricidade fina igual à de uma foca junto de estranhas. Não quero so-ci-a-lizar, pode ser?
Queridas educadoras, na próxima segunda feira a única coisa que vos peço já nem é um presente de dia da mãe giro e original (o sonho de qualquer mãe, um presente que obedeça a ambos os requisitos: giro e original). Já nem peço que seja útil, que para isso já pedi ao homem cá de cada uma abdominoplastia. Só peço que não me abram os olhos se chegar 5 minutos depois do horário de entrada: é que só por causa das tosses vou levar a miúda a tomar o pequeno almoço fora comigo. Sozinhas. Sem mães de colegas em competição, sem sorrisos amarelos a fingir que se gosta de trambolhos, sem culpa judaico-cristã por não achar uma obra-prima tudo o que sai daquelas mãos santas.
Na próxima segunda-feira peço-vos que não me chateiam se me atrasar por ter decidido começar a semana com o doce pecado de a levar a tomar o pequeno-almoço fora, a um dia de semana, à laia de transgressão. Em honra do dia da Mãe!

E - já agora- guardem na gaveta os colares feitos com macarrão!


As melhores ideias de presentes de dia da mãe: a professora da filha da Olga explica!

"Quando se muda de vida aos 40"


Presentes de dia da Mãe: expectativa Vs realidade

Expectativa

Abdominoplastia


Realidade: "Mãe, fui com a tia ao Pingo Doce e comprámos um presente para o dia da Mãe. Posso-te dar hoje? Posso? Posso? "


Panela com tampa escorredora. Muito boa para cozinhar massa que justifique ainda mais a minha necessidade de uma abdominoplastia. Há que ver as coisas pela positiva, certo?

A avaliar pelo dia do Pai, o postal do dia da Mãe promete...

No Dia do Pai fizeram postais de parede para o pai subordinado ao mote "O que eu mais gosto de fazer com o meu pai é..."

O pai dá-lhe banho desde que nasceu. Conta-lhe, todos os dias sem excepção, histórias ao adormecer. Canta com ela no carro enquanto conduz. Transporta-a quase sempre às cavalitas. Leva-a a concertos de música para crianças, peças de teatro infantis. Cozinha com ela e faz bolachas a dois quase todos os fins-de-semana. Acompanha-a sempre no parque. Assiste a todas as aulas de natação sem nunca perder o entusiasmo. O pai tem regras rígidas quanto ao uso de tecnologia e de exposição em frente à TV e combate, diariamente, o entusiasmo pelos filmes e desenhos animados, com medo que a miúda se torne uma mona sedentária e apática.

E o que escreveu a Ana no postal de parede do dia do Pai?

"O que eu mais gosto de fazer com o meu pai é... ver televisão".





O homem ficou deprimido para lá de um mês.

Next Mother's Day don't buy me flowers: 5 sugestões de presentes verdadeiramente quadripolares

A escolha original: Poster do artista Butcher Billy que decidiu dar a citações de Bukowski um toque pop art à la Lichtenstein: estou fãzorra!



  Aqui


A escolha bucólica: Prensa e herbário para folhas e flores "Walk in the park and pick leaves" O objectivo deste presente é deixar de ter flores e folhas a murchar e a conspurcar-me o  fundo da mala, de cada vez que ela me traz um ramo de flores e folhas que apanha e eu nunca tenho coragem de deitar fora.  







AQUI


A escolha simples e acertada: Livro "Um Ano Inteiro" de Isabel Minhós  Martins do qual MEC escreveu no Público: Um livro de aventuras para todas as semanas do ano e para todos os anos da vida que se pode levar para toda a parte e ler de uma só assentada"Se o MEC diz, quem sou eu para o contrariar?

AQUI


A escolha fofa: Toda a gente sabe que para além de ser fã das imagens da Marta, tenho a honra de me ter tornado sua amiga. Também por isso, mas porque é realmente um presente fofo, fofo, não podia deixar de sugerir o conjunto  de Agenda dos sonhos + caneca "A melhor mãe do Mundo" da Martisses. 


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A escolha útil: uma abdominoplastia ou o presente pedagógico do "repara os danos que causaste, minha rica filha!"


Ignorem a fotografia com bronze dos Pirinéus do Dr. Ângelo Rebelo: this is the men! Mámen, não estejamos cá com falinhas mansas, nem com mimimis, sabes que nem gosto de receber flores e que os "bumbuns" me fazem mal à tripa. Queres surpreender-me? Avança? Sem medos! Uma abdominoplastia e estás liberado de presentes do dia da Mãe para todo o sempre. Juro!

AQUI

A boca da Ana é um túmulo. Com eco.

Ana: "Mãe, não vais receber nenhum presente do dia da Mãe. Ne-nhum!"

Eu: "Oh filha. A sério? Não fizeste nadinha na escola para mim? Nadinha?

Ana: "Não, mãe. Na-di-nha. Não vais receber nada" (pausa) "Estás a ver aquela caneca que eu pintei com o desenho da Ana e da mãe e pus brilhantes na tua camisola e depois vou oferecer? Sabes?"

(olho-a com ar de "apanhei-te!")

Ana: "... Que é que foi? É para o dia do Pai!"

quarta-feira, 27 de abril de 2016

[Melancolia]

[Há poucas coisas que te fazem parar a correria dos dias. Poucas coisas que gritam "STOP", que te enregelam, que te mumificam no tempo e no espaço, que fazem com que nada mais importe. Poucas coisas que fazem parar os relógios e a luz do dia ou da noite. Poucas coisas que te fazem cancelar compromissos, projetos, agendas, ideias e o fervilhar do dia-a-dia. Poucas coisas que têm o condão de te fazer ficar assim, estática e inerte, mergulhada em pensamentos, memórias, conjeturas e planos que nunca se concretizarão. 
Um dia dizem-te palavras como "cancro", "pouco a fazer", "cuidados paliativos". E tu ficas a pensar no significado que as palavras, efetivamente, têm e a desejar não compreenderes bem, perceberem mal, estares equivocado. Um dia dizem-te que o dia que dizias que esperavas para antecipar e amortecer a dor no inesperado, o dia que temes desde a infância chegou. E tu paras e bloqueias e não dizes nada e não pensas nada e não consegues fazer nada. Ficas ali, presa ao chão, a constatar que alguém que amas desde que nasceste, alguém que foi uma referência masculina na tua vida, que fez- às vezes- a vez do teu pai vive com uma bomba relógio na cabeça e que a sua vida tem um curto-prazo de validade, como os iogurtes que tens no frigorífico. 
E tens medo dos dias que virão e queres parar o tempo, fazer rewind, voltar atrás e apagar cigarros atrás de cigarros, vidas boémias, gritar àquela pessoa com trinta anos (tu com 12) que é melhor parar, que ainda vai a tempo, que há vida para além da vida à toa, que vai conseguir deixar o tabaco, o álcóol, vida para além da vida que vive e viverá perdido. E queres voltar atrás e pedir à natureza, ao destino ou aos deuses que reescrevam o guião, que apaguem aquele desgosto de amor, que dêem rumo, que não permitam que alguém viva toda a vida perdido. Que alguém não morra por amor bem sobreviva por amor, que alguém escolha viver, encontrado. 
E o teu relógio do pulso não para nem a bomba-relógio na vida daquela pessoa que já cá estava quando nasceste, que sempre aqui esteve e tu sentes-te egoísta- isto não é sobre ti- e não queres continuar a perder gente que gostas assim, até não te restar passado e o presente ser luto e dor, velhice e bombas relógio, gente que amas com curto prazo de validade. 
Como se olha nos olhos alguém que sabemos que os vai fechar em breve? Para sempre. Como se diz "que vai passar" sem querer mentir, sem querer desonrar a verdade e a crueza com que sempre se trataram, como se consola o desconsolo? 
Como se espera a morte de alguém que amamos? Não a morte lá longe, a morte certa e próxima, sem data anunciada mas prevista. Como se espera ao compasso dos dias que caminham para o fim de alguém com que sempre partilhámos a nossa existência? Como se finge que vai passar sabendo que não vai, como se consola os outros que amam em eco connosco se as palavras se calam, os pés e as pernas se paralisam, se a vontade é de não fazer nada, ficar assim, calada e inerte, à espera que tudo pare, também?! Como se prepara a morte? Como se vive à espera que nos morra alguém que já está a desaparecer de dia para dia? Lua minguante de gente. 
Como se espera a morte de uma pessoa da nossa família que nos ajudou a ser gente? Como se vive à espera da morte? Como se espera?]

quarta-feira, 20 de abril de 2016

PROGRAMA QUADRIPOLAR| 9 dicas quadripolares para visitar o Faial

1- Arrende uma casa

A oferta de hotéis nas ilhas maiores (especialmente em S. Miguel e na Terceira) é francamente boa. Nas ilhas mais "pequenas" não há uma escolha de hotéis xpto por aí além. Mas há turismo rural e de habitação muito interessante, há casas em airbnb (curiosamente quase todo explorado por pessoas do Continente que perceberam o filão e mudaram-se para as ilhas para explorar o nicho) e há arrendamento temporário de apartamentos feito por gente da terra. 
Depois de pesquisarmos casas em airbnb, de fazermos contas, de apurarmos necessidades optámos pela opção que nos daria mais garantias: pedir conselhos aos nativos, claro. Assim, a minha amiga Teresa contou-me que o Jorge, seu namorado, costumava ficar hospedado nos Apartamentos de São João, ali na rua de S. João, por detrás da Igreja Matriz da Horta, mais central seria impossível. 
Dito, feito. Por 60€/noite arrendámos uma casa bastante simpática e acolhedora com dois quartos enormes com casas de banho privadas, kitchenette equipada e wi.fi. O bónus? Um jardim muito querido com espaço para as crianças brincarem e cujos baloiços fizeram as delícias da Ana. Tudo isto com um serviço de limpeza inigualável e uma simpatia que não nos admirou. Afinal, estávamos nos Açores...

Rua de São João, 25 - A, Matriz, 9900-129, Horta Portugal | 0,9 km do centro da cidade |  Mostrar no Mapa 
Telefone: +351(927)517518 |

2- Faça de um taxista o seu amigo de viagem 

Nos Açores os táxis não têm taxímetros. Existem  preços tabelados e que são valores médios propostos. Por exemplo, uma volta à ilha do Faial (que demora aproximadamente 3h30m)  pode variar entre os 65€ (até 4 pessoas) e os 90€ (de 6 a 8 pessoas) mas depois existem visitas mais curtas como uma ida ao vulcão dos Capelinhos ou à Caldeira que custa entre 25€ e 45€ com retorno e 15 minutos de espera para visita incluídos e de acordo com o número de passageiros conforme explanado acima.
Os taxistas açorianos são bastante civilizados quando comparados com os de outras cidades e muito amáveis e prestáveis, de uma hospitalidade única como qualquer bom açoriano. Portanto, imagine que encontra um de que gosta logo à saída do aeroporto, peça-lhe o cartão e combine com ele as suas necessidades de trajectos e planeie horários: garanto-vos que são fidelíssimos e pontuais. E sérios, que é coisa que muitos dos lisboetas estranham naquelas paragens. 

Mais informações aqui. Atenção que cada ilha tem os seus tarifários, ok?

3- Faça refeições em casa. Com produtos da terra. 


No supermercado encontra facilmente massa sovada (uma espécie de pão doce que se fabrica no grupo Central) ou pão lêvedo ( que se produz  no grupo Oriental) pode barrar com manteiga dos Açores e queijo de S. Jorge (mais picante) ou queijo do Faial (mais amanteigado). O chá Gorreana é produto interno e produz-se em S. Miguel e há também café de comércio justo que se produz em S. Jorge (nós conseguimos mas foram os meus sogros que o trouxeram da ilha) e que é fabuloso!
Para entrada aconselho qualquer marisco açoriano (é o melhor marisco do Mundo) mas as lapas grelhadas, os cavacos e as cracas. 
Para as refeições principais não há como fugir à carne de vaca, que se pode comprar em qualquer talho, tão tenra que ao cortar-se parece manteiga. Tempere os bifes com pimenta da terra (o grande segredo da cozinha açoriana na minha óptica) e cozinhe-os, acompanhados de inhame ou batata doce. Se preferir peixe, nos Açores encontrará uma belíssima variedade de peixe óptimo para grelhar. Eu sou louca pelos bifes de atum ou de tubarão e as lulas recheadas à moda da minha sogra são o meu prato preferido em todo o Mundo. Para sobremesa compre fruta como as feijoas ou os araçás, se quiser fugir ao cliché do ananás ou do abacaxi, que são dulcíssimos e sumarentos. Há ilhas onde as goiabas crescem muito bem e são um must taste. Licores há para todos os gostos e feitios, refrigerante só há um que não me canso de recomendar (kima de maracujá, fecórse e se vos oferecerem como opção fanta de maracujá mandem-nos dar uma voltinha ao bilhar grande!). Desta vez provámos mais que um vinho do Pico e não nos arrependemos. Vinho de cheiro e angelica são obrigatórios! (Para quem fuma mámen diz que o "Além Mar" é um tabaco único. Eu dispenso.)



4-  Cumpra todos os clichés 


Está a ver aquele cliché que diz que nos Açores há as 4 estações no mesmo dia? Não é cliché! Leve roupa fresca que o tempo é sempre mais quente no que diz respeito à temperatura, mas a humidade no ar é manifestamente superior e é raro o dia em que não sejamos brindados com um pequeno aguaceiro. Sim, o tempo nos Açores é verdadeiramente quadripolar!
Quanto a clichés para visitar no Faial, recomendamos uma visita à Caldeira (linda, linda!) e não perca a visita ao vulcão dos Capelinhos com uma paisagem ímpar de cortar a respiração. Vá beber gin ao Peter's (à noite com a afluência dos marinheiros a coisa pode ter especificidades muito próprias), suba ao Monte da Guia, ao Monte Carneiro e à Ponta da Espalamaca, aprecie a praia de Porto Pim e as suas areias negra e deslumbre-se com um passeio pela Marina da Horta. Não se negue a nadar com golfinhos ou a ver baleias ou ainda a mergulhar com tubarões (recomendo as empresas Dive Azores, ou o próprio Peter's). O Faial vive-se, devagarinho como o tempo que passa devagar e intensamente como o amor que sempre perdurará em quem visitar estas ilhas.








5- Mas não deixe de arriscar entrar em novas portas

Nós adoramos encontrar novos sítios, ouvir dicas dos habitantes da ilha, entrarmos em portas entre-abertas e mal sinalizadas. Foi assim que descobrimos a "CASA"- um dos nossos novos spots preferidos nos Açores. A CASA é uma casa de chá, um bar, um terraço com esplanada, um jardim com esplanada, uma sala de concertos, enfim, é um espaço multi-usos charmoso e eclético, sempre surpreendente, onde fomos ao entardecer para beber um chá (e a carta de chás é imensa) e onde voltámos para uma refeição ligeira de tostas com pão da terra, queijo de cabra, mel e alecrim que nos ficará, durante muito tempo, na memória. 
E foi também assim, à descoberta, que nos maravilhámos com a fantástica nova igreja dos Flamengos, cuja fachada foi preservada e recuperada ao máximo e fundida numa nova igreja moderna e progressista numa obra de arquitectura fa-bu-lo-sa! Imperdível!








6- Passeie sem destino nem trajecto planeado, Alguma coisa irá acontecer. 


Nós alugámos um carro por um dia (40€ por 24h) e decidimos partir sem destino. Chegámos a Flamengos e vimos um arraial. Parámos e logo um aldeão nos informou: "Senhores, as sardinhas e o pão são por conta do Divino Espírito Santo".  Este povo é muito religioso e, no Grupo Central, logo após a Páscoa começam as festas em honra do Senhor Espírito Santo, onde as comunidades celebram as graças que Este lhes dá e honram a sua benção. Ali ao lado tocava a banda filarmónica (os açorianos têm uma tradição musical fortíssima), um senhor vendia galos e galinhas que os crentes ofertaram para o efeito, um conjunto de pessoas assava sardinhas, outro servia pratos das mesmas prontas com pão e uma mesa no meio da estrada convidava todos a juntarem-se e a partilharem aquela refeição improvisada. Assim fizemos e não abandonámos a festa sem antes entrarmos no pequeno império (capelas onde se guardam as coroas do Divino Espírito Santo) e mámen cumprir as tradições religiosas açorianas com a filha, o que sempre me comove muito. 
Ah, isso acontece só nos Flamengos? Não. Acontece em várias freguesias das diferentes ilhas e sem dia e horas marcados. É partir à descoberta e misturar-se com os habitantes das ilhas 






7- Aproveite a localização do Grupo Central

O Grupo Central, infelizmente, está pouco divulgado (sou suspeita, é o meu grupo preferido nas ilhas!). Mas, especialmente as ilhas do triângulo (Pico, Faial, S. Jorge), têm uma localização privilegiada. Se o tempo o permitir (e o tempo nem sempre o permite) e os horários dos barcos forem favoráveis aos planos de rota, as viagens de barco são uma mais-valia: em 3 horas conseguimos chegar a S. Jorge (com escala feita na Madalena- Pico) e numa hora e quinze minutos alcançamos o Pico. Aos fins-de-semana os horários permitem que se parta às sextas-feiras e se regresse aos domingos ao final da tarde. A viagem? Isso não vos posso garantir. Já vi várias vezes toninhas (golfinhos mais pequenos) a brincarem com as ondas que os nossos barcos fazem e a nadarem ali ao nosso lado, já vi o mar tão agitado que percebi porque existe um livro chamado "Mau tempo no canal" e a minha pobre mãe já quase que viu S. Jorge por um canudo, No Verão, regra geral, a coisa corre sempre bem. No resto do ano contem com uma divertida e surpreendente imprevisibilidade. 

8- Confie nos ilhéus.
Os açorianos são pessoas especiais. Regra geral bem dispostos e solícitos, fazem da sua hospitalidade bandeira. Os açorianos gostam de receber e abrem, literalmente, as portas das suas casas, a quem vem por bem. E eles conseguem perceber quem vem, realmente, por bem. Por isso, não desconfie se um açoriano convidar o seu filho para beijar uma coroa do Espírito Santo que tenha acabado de receber em sua casa, se lhe oferecer para lhe dar boleia de volta à cidade se o encontrar a regressar cansado depois de um trilho pedestre ou se reforçar a sua sandes com queijo extra por mera simpatia. Os açorianos são, na sua maioria, orgulhosos da sua naturalidade e os melhores guias turísticos das sua lhas, não se importando de desvendar segredos e spots que não vêm nos guias nem se negando a dois dedos de conversa em qualquer esplanada. Não há estranhos que não tenham potencial de se tornarem amigos para um açoriano. 
Um aviso, há duas coisas que irritam os açorianos: referirem-se ao continente como "Portugal", uma vez que pertencemos todos ao mesmo país e perguntarem a um açoriano que não micaelense porque carga de água ele não tem "sotaque açoriano". É que isso não existe, tá? (o que nós, aqui no continente, chamamos de "pronúncia dos Açores" é apenas o sotaque de uma ilha- S. Miguel. Para terem noção e a título de exemplo: no Faial fala-se de forma muito parecida com a que se fala em Coimbra).



9- Não compare as ilhas (todas são melhores que as restantes em alguma coisa)


As ilhas são todas tremendamente belas e tremendamente diferentes.
Cada ilha é única e especial, por isso, é uma parvoíce perguntarem a alguém que as conhece a todas qual é a mais bonita. Não há resposta para essa pergunta.
Se me perguntarem a mim direi que S. Miguel tem um equilíbrio perfeito entre a cidade e a natureza e uma beleza natural muito diversificada e toda ela de se tirar o fôlego, S. Jorge é a ilha mais "crua", a mais natural, a com menor intervenção humana, a mais apetecível para aventureiros e exploradores e tem o sítio mais bonito dos Açores (a Caldeira de Santo Cristo), o Pico é a mais imponente e rústica, a mais caseira e com cheiro a vinhas, a de beleza mais agreste, a Terceira tem as pessoas mais maravilhosas, festeiras, divertidas e o sentido de comunidade com que mais me identifico.
Ah, e o Faial, Pólo Norte? O Faial é a ilha onde mais me sinto em casa nos Açores, simultaneamente pequena e bela, arejada e luminosa, transpira azul por todos os poros. A Horta é uma pequena cidade cosmopolita e de charme, uma cidade boutique. O Faial é a ilha mais mimosa. 





Fomos em trabalho e aproveitámos para levar a nossa filha para visitar os avós. Queremos agradecer a Azores Airlines que patrocinou a minha viagem e a de mámen, ao abrigo da sua estratégia de responsabilidade social e sem a qual teria sido impossível a ASBIHP (associação com a qual colaboramos) realizar acções nas escolas de pessoas portadoras de deficiência no sentido de sensibilizar e informar as comunidades educativas com vista a uma real inclusão sócio-escolar destes cidadãos. Obrigada, Azores Airlines!

terça-feira, 19 de abril de 2016

Pensamentos avulso e meramente metafísicos após 5 dias nos Açores

À medida que as pessoas vão envelhecendo perdem aquela coisa bonita do "fazer cerimónia".

À medida que as pessoas vão envelhecendo ficam com uma certa fixação na cena digestiva/intestinal/escatológica. 

Descuidares-te e largares puns e arrotos sonoros, indiscriminadamente, em público e sem qualquer pudor de dez em dez minutos, não é culpa do medicamento x. 
É só porcaria tua. 

Existem milagres da genética. 
Existem mesmo. 

Expressões quadripolares #2


domingo, 17 de abril de 2016

Sabes que não há originalidade para baptizar os filhos como a açoriana quando...

... estás a ser atendida por uma senhora no supermercado e a plaquinha com o nome diz...

"Pilia".

...

...

...

Ups, I did it again!

Ou como dizia a outra senhora "não há coincidências"...

"Sai um gin com cheirinho!"

Entramos para beber uns gins. Há imensa gente à porta (mais do que lá dentro) e assim que entro sustenho a respiração pelo nariz. Mámen ri-se e diz-me para não intelectualizar que faz parte da experiência. 
Faço um riso amarelo e sentamo-nos.  A música é gira mas eu estou com problemas de respiração. Também não consigo respirar pela boca que o cheiro nauseabundo a sovaco de marinheiro e velejador arranha na garganta. 

Percebo agora a afluência ao Peter's... no passeio cá fora. 

(Experiência o caralhinho. Que sem respirar nem pelo nariz nem pela boca não há cá experiência que nos valha...)

sábado, 16 de abril de 2016

Mámen- o romântico

Mámen quer aproveitar que os meus sogros vieram visitar-nos e podem tomar conta da Ana à noite para irmos a um programa a dois.

Onde me quer levar?

a) Mamar mais uns gins no Peter's
b) "Ver as estrela"s no cimo do Monte Espalamaca
c) Ir comer com um festival de coros. Sacros

...

...

....

Sabes que tudo está no sítio certo, no tempo certo quando...

... estás sentada no Peter's a beber gin (sem mariquices) num dia de sol com vista para o Pico. O teu marido pega na tua filha às cavalitas e contam bandeirolas e riem alto.
Fechas os olhos e felicidade não é mais que isto. Isto chega.

A diversão por estes lados ou "o cunhado-todo-poderoso"

A família de mámen vive numa ilha pequena em que a maioria das pessoas não só se conhece como tem contacto telefónico uns dos outros.
O meu cunhado tem um estabelecimento comercial e colocou câmaras de vigilância ligadas a uma aplicação do seu próprio telemóvel, numa espécie de Big Brother ilha. 
À noite entretém-se a enviar sms aos habitantes bêbados que aproveitam para fazer aliviar a bexiga à porta ou nas paredes da loja. Um minuto depois de eles abrirem a braguilha, apitam-lhes os respectivos telemóveis: 

-"Ó porco de merda, vai já a casa buscar o balde e o mapa* e limpa essa porcaria que aí fizeste !"







(*mapa  = esfregona)

Nos bolos-rei isto seria chamado de fava

Sogro: Vim no barco. Estava a enjoar e decidi tirar uma sandes de carne assada da marmita e vir comer cá para fora e apanhar um ar fresco. A tua sandes de carne estava bem boa, com molhinho e tudo.

Sogra: Eu nem pus muito molho. Embrulhei no guardanapo e nem pus muito molho para aquilo se aguentar na viagem.

Sogro: Espera lá que estava escuro! Mas, mas... aquilo tinha guardanapo?

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Açores das Arábias

Em cada igreja da Horta que passamos (e ainda vão sendo algumas) a Ana deslumbra-se e começa a conjunturar: "Este é o castelo da Yasmeen", passa noutra iluminada "este é mesmo o palácio da Elsa", chegamos à matriz e repara num sol na fachada "Mãe, este é do Rapunzel, só pode..."

No caminho de regresso volta a passar no "castelo da Yasmeen" e encontramo-nos com o padre, homem robusto e possante, velho amigo de mámen e cumprimenta-o com o maior dos sorrisos: 

- "Olá, Sr. Sultão!"

#karmaisamotherinlaw

Alugámos um apartamento muito simpático no Faial: quartos com casa de banho privativa, cozinha equipada, jardim com baloiços para a miúda.

Ficámos retidos noutra ilha, acomodados pela SATA num hotel de duas estrelas que não estava à espera da enchente e nos deu peixe cozido com batatas para o jantar.

Quem ficou a pernoitar no nosso apartamento?

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quinta-feira, 14 de abril de 2016

Dia-1: Os Açores nunca me farão estremecer*

 Uma viagem nossa para os Açores nunca começa no dia 0. Porque para isso era preciso que corresse tudo nos conformes, aquela coisa de correr tudo como planeado, sem sobressaltos, coisa para gente organizadinha, previsível, enfadonha e… sortuda!
Na ante-véspera da partida lembrei-me de olhar para os documentos do voo e para a validade do meu cartão de cidadão. Expirada há 3 meses. Assim como o passaporte (expirado há um ano). E todos os documentos possíveis inviabilizados.
Tive um micro-segundo de pânico, “ai jasus, ai jasus, que vai o pai e a filha e eu fico em terra” e depois procurei soluções. Onde? No facebook. Claro: “ó da guarda, ó da guarda: há alguém que me acuda?”. Entre pessoas que tinham a certeza que eu não podia viajar com os documentos provisórios se no dia seguinte fosse renovar o cartão de cidadão, a pessoas que não só tinham a certeza como já tinham viajado com os documentos provisórios em voos domésticos como era o meu caso, a pessoas que não senhora, tens que fazer um cartão de cidadão com extrema urgência, outras a dizerem-me que me davam um BI dos antigos se eu pedisse e ficava tudo legal, outras a sugerir-me que viajasse com o cartão caducado que ninguém dava por isso e outras a dizerem-me que se fossem a mim ficavam mas é em terra que era um sinal dos Deuses (que no meu caso não estão loucos, são mesmo uns alcoólicos de primeira apanha), li de tudo. 
Na manhã seguinte, segui os conselhos mais prudentes e com menor grau de risco, não fosse o homem embarcar-me com a miúda rumo aos meus sogros e bye bue, Pólo Norte, evadiam-se para a terra do queijo para não mais voltar. Meti-me a caminho de Lisboa depois da Eva (uma distinta leitora deste blog) me ter feito passar a gostar mais de escuteiros/escoteiros e ter feito a boa acção do dia/mês/ano indo para a loja do Cidadão das Laranjeiras às 08h30 da matina e ficando a guardar-me senhas consecutivas para eu poder ser atendida antes das 11h (só nessa hipótese os cartões de cidadão com extrema urgência conseguem ser emitidos e entregues no próprio dia). Entre sms e para-arranca na A5 e na 2ª circular eu fui a senha 10, a 17, a 23, a 37 e, finalmente, a 43 (a ver se não me esqueço de jogar com estes números no Euromilhões). Entrei na loja do Cidadão das Laranjeiras como quem corta a meta de uma maratona e fiz o cartão de cidadão em 11 recordistas minutos! Literalmente.
Ignorei que a senhora me sacou 1 cm da altura (podia ter subtraído um ano na data de nascimento mas não, deu-lhe para ali, promovendo-me a hobbit, portanto), não intelectualizei, bebi um café com a Eva (obrigada, minha querida!) e fui trabalhar. Às cinco e meia lá estava, no edifício J do Campus de Justiça e em 30 minutos tinha o cartão de cidadão novo. Tudo direitinho. Tudo despachado. Tudo (estranhamente) demasiado fácil.
Cheguei a casa tarde, fizemos as nossas malas umas três horas antes de termos que sair de casa rumo ao aeroporto (a Ana já tinha feito a dela três dias antes pois andava numa ansiedade que só visto) porque nós somos recordistas a fazer malas, dormi ali num intervalo e eram seis da manhã e estávamos a ir para o aeroporto. Frescos e fofos. 
Check in fácil e rápido. A cadeira da Ana ainda nos garante prioridade no embarque. Ana feliz e bem disposta, tendo em conta as horas a que saíra da cama. Comprámos-lhe um livro para a viagem, Família controlada, ordeira e tranquila.
Entrámos no avião e tirámos a fotografia da família feliz. Cintos de segurança postos, a  estucha das regras de segurança, o plano de fazer uma soneca até à ilha e ahhhh… Uma hora depois no mesmo sítio mas com a Ana menos bem disposta, toda recostada em 63423 almofadas e a fazer tendas com as mantinhas da SATA. A capitão avisa que há uma avaria num dos computadores de bordo e pede-nos que desembarquemos para a equipa de manutenção proceder à reparação e a testes. Saímos (carregados com a Ana mais almofadas mais mantas que isto é filha do pai dela, tem o gene da acumulação), a Ana ao nosso colo olha para a Portela de frente e faz a pergunta sacramental: “Chegámos aos Açores, mãe?”.
Voltamos às portas de embarque, a Ana estava mais impaciente, já estávamos por tudo (até bagels comemos, imaginem, e comer bagels nesta família é bater no fundo) e duas horas depois chamaram-nos para um novo embarque. Here we go again. A Ana sentou-se, a hospedeira querida achou que a miúda não tinha mantas que chegassem e ofereceu-lhe mais uma e outra almofada (e a Ana confidenciou-lhe a nossa real pelintrice confessando que em casa temos imensas iguais- a culpa é de mámen que traz sempre uma em cada voo que isto quem nasceu para pelintra nunca sonhará com uma casa de sonho que não esteja toda mobilada com móveis do IKEA) e… mais 1 hora na pista, a Ana em modo burro do Schrek (“Já chegámos? Já chegámos? Já chegámos?”) e nós nem a pista de outro ângulo haveramos visto  quando veio a constatação final: o avião estava mesmo com uma avaria e o voo cancelado.
Nisto já eu ligava para a Santa Romina- padroeira dos sata-aflitos- e percebera que hoje não chegaria à ilha. Uma hora e meia à espera das malas nos tapetes, carregada com 6278254 almofadas e 3521459 mantas, Ana a perguntar “isto é o aeroporto dos Açores, pai?!”, cheias de fome, já na converseta com todos os passageiros (beijinho ao moço que ganhou o “The Voice” que conseguiu controlar o vozeirão para lhe dar o “amok” que nos apetecia a todos) e duas alternativas: ou ficaríamos num hotel muuuuito simpático de Lisboa (e eu, pelintra para não destoar, disse logo que em último recurso pois que sim, de borla até injecções nos olhos, ir agora a casa sujar loiça é que não!) ou iríamos para S. Miguel e logo se via.
Como nesta casa lidamos bem com os imprevistos, o que nos estava mesmo a chatear era a barrigada de fome com que estávamos todos e queríamos era tratar disso que a barriga não tem culpa da miséria, alinhámos na segunda opção.
E é assim, que 35 euros de extrema urgência de um cartão de cidadão que não precisava da extrema urgência, menos 1 cm no lombo, doze horas depois (na verdade treze mas agora estou em horário açoriano e aguentem-me!), 3 aviões, 2 ilhas, 3 fatias de pizza no bucho patrocinada pelos vouchers da SATA,752 fotografias depois e progressivamente de família feliz a família mal encarada, muita kima de maracujá na fraqueza que dei cabo do stock do carrinho do avião, 2524329 almofadas e 4724328 mantas depois estamos na ilha. Não na que deveríamos estar, mas isso agora não interessa nada!
Na prática vamos ter que correr atrás do prejuízo (viemos em trabalho!) mas é tudo uma questão de perspectiva: a nossa jornada começa amanhã. Hoje é o dia -1, portanto.

Coriscas mal amanhadas do meu coração, tirem as kimas da friza: cheguei!

Amanhã? Amanhã logo se vê! Adaptando a máxima daquela grande filósofa, Elsa de Arendelle: os Açores nunca me farão estremecer*…

(* Pelo sim, pelo não, nunca fiando, vou ver a previsão sismológica para a manhã...)

terça-feira, 12 de abril de 2016

Ah deixa-me- só naquela de fazer as coisas atempadamente e como deve de ser uma vez na vida- arrumar os documentos direitinhos para viajar...

Cartão de cidadão fora de validade. Há 3 meses.


Viajo depois de amanhã.

À atenção das mães veteranas #1

Gostaria muito de saber como se faz para os collants das criaturas não ficarem todos lixados ali na zona dos joelhos? Quilhados mesmo assim entre o corcomido e o gasto, mesmo que sejam collants novos e comprados nas lojas dos crescidos.  Compram-se joelheiras?

A resposta "usam-se meias pelos joelhos" não se pode aplicar dado a minha filha morrer de frio, ficar com as pernas roxas e entrar praticamente em hipotermia, tá?

Muito grata,

Mãe caloira



Uma mãe conhece sempre o filho que tem...

A minha sogra (no Skype): "Querem que leve alguma coisa para comer?"

Eu (em modo educada): "Não deixe estar, não se mace. Não merece a pena, logo nos desenvencilhamos! "

Sogra: "Podes chamar o Rui aí ao computador, se fazes favor?"

Eu: "Sim, só um bocadinho que ele está ao telefone, está bem?"

Sogra: "Ah, não há problema, nos entretantos vou ali à gaveta buscar papel e caneta para anotar..."

...

...

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Não fui eu, foi a Ana...



Então Ana, para que levas a frigideira na mala, filha?

Para se a avó e o avô se portarem mal...



(Fiuuuuu...)

Joana Vasconcelos em ascensão

A Ana decidiu, por auto-recriação, fazer a mala de viagem que levará para os Açores.
O que meteu lá dentro?

Uma chucha.
Um pacote de ice-tea.
Os morangos que estavam no frigorífico.
O Gilberto (urso).


E uma frigideira. Das pequenas, de panquecas.
Mas, ainda assim, uma frigideira.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Encontrei a melhor metáfora possível para o Bairro do Amor



Don't stop us now! <3

Abril, quadripolarizações mil# 11




"Olá!
Envio duas quadripolarizações da Jordânia (mar morto e deserto em Wadi Rum)  (...)Eu gosto de ver as quadripolarizações, mas não faz muito a minha cena mandar fotos minhas para a net. Neste caso, decidi fazê-lo por duas razões. Primeiro, por carinho para com o blogue, o bairro e a ursa. Segundo, por amor à Jordânia. 

Conforme contei na minha mensagem, o pessoal de lá é bom demais... e a Jordânia constitui-se hoje em dia como um oásis de paz para as gentes que vivem os conflitos nas redondezas. A Jordânia não tem petróleo, vive essencialmente do turismo. Como as pessoas sabem que a situação na região é perigosa, julgam que a Jordânia é afetada, mas não é. É dos sítios mais seguros para onde tenho viajado. Eu gostava de contribuir para a divulgação deste destino. Gostaria que ao menos a Jordânia se aguentasse nas canetas lá para aqueles lados, e que seja um porto seguro para os que fogem. E fomos tão bem recebidos pelos jordanos, que são dos povos que ainda sabem o que é dar boa hospitabilidade (nós aqui já fomos mais hospitaleiros do que somos, acho eu).

Por isso, muito agradecia se mostrasse no seu blogue a quadripolarização da Jordânia e de caminho referisse às pessoas que eu lhe contei que é um destino maravilhoso e seguro (já que não poderá falar na primeira pessoa)."

Obrigada, querida India. Fiquei cheia de vontade de visitar a Jordânia. Quem sabe em breve? ;)


  • Conheça todos os países já quadripolarizados aqui.

Aviso aos noivos: não gastem dinheiro em lembrancinhas!*

Na altura parti a cabeça para não dar uma inutilidade como bibelots ou frasquinhos de pout pourris aos convidados.

Mandei vir, de uma loja especializada, em Londres umas velas perfumadas muito giras, super clássicas, sem os nossos nomes gravados nem nada (estavam na etiqueta do embrulho, que se poderia retirar, e ninguém dava por ela).

Para as crianças encomendei, da mesma loja, uma edição limitada de frasquinhos para soprarem bolas de sabão. Em miniatura, lindos, lindos.

Na semana passada, uma das minhas melhores amigas informou-nos que tinha andado a limpar a porcaria da arrecadação (atentos à expressão!) e que se queria ver livre dos cacarecos, tendo feito uma escolha para cada uma de nós com as ditas porcarias, a ver se as queríamos reaproveitar.

Pergunta para o público: a mim calhou-me, entre outras coisas, o quê?

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(Única sugestão que vos dou: esta.)

domingo, 10 de abril de 2016

No dia dos irmãos... deixem os filhos únicos em paz!



Descendo de uma longa estirpe de filhos únicos. Mentira, é só a minha geração da família que está pejada de filhos únicos mas, quase 36 anos de experiência na óptica do utilizador, permitem-me pedir-vos encarecidamente que... deixem os filhos únicos em paz!

1- "Os filhos únicos são mal educados"
A educação não depende do número de filhos: depende dos estilos parentais, do contexto em que nascem os filhos, do suporte familiar e do apoio social, das experiências de vida e de crescimento das crianças e dos vários contextos psicossociais onde ela está inserida.
Sim, há filhos únicos mal educados. E filhos com irmãos também. As birras, os maus humores, as fases todas do Freud e do Piaget, as emoções, as atitudes não são exclusivas dos filhos únicos. "Ah, mas os filhos únicos de três anos são narcisistas e auto-centrados!" Pois, pois. "E os filhos de três anos com irmãos berram por atenção e querem-na sempre quando o foco não está sobre si mas no irmão". Ah, isso não é taxativo! Para os filhos únicos também não. Os filhos únicos habituam-se com a atenção exclusiva e direccionada? Ah, mas os filhos com irmãos reclamam-na amiúde. As crianças têm necessidade- todas as crianças, todos os seres humanos- de um espaço e um tempo exclusivos, de uma atenção exclusiva e direccionada de vez em quanto.
"Atribuir a culpa exclusiva da "má educação" aos pais de filhos únicos é insultuoso, porque dá a entender que, com todos os recursos concentrados apenas num petiz, ainda assim não foram competentes o suficiente para os saber educar. É triste dizerem isso porque os meus pais fizeram um óptimo trabalho!"- defende a Carla e com muita razão. A Patrícia acrescenta "Eu sempre fui muito bem educada e nunca faltei ao respeito a ninguém. Nós somos fruto da educação que recebemos: quer sejamos filhos únicos quer tenhamos 10 irmãos".
Ah, mas os filhos únicos querem sempre atenção! Calem-se, pá, os filhos únicos muitas vezes querem é que os deixem em paz! 

2- "Os filhos únicos não sabem partilhar"
A partilha ensina-se. A maioria dos filhos únicos que conheço foi ensinada a partilhar e a retirar prazer da partilha. Regra geral, a quantidade de recursos (brinquedos, material didático, etc) é grande e exclusiva, a responsabilidade por a preservar em bom estado é do próprio filho único e não há qualquer ansiedade face sentimento de propriedade "fuçangueiro" das coisas. Eu podia dar sem medos, partilhar sem medos, porque sempre tive tantas coisas ao meu dispor, que se perdesse "momentaneamente" ou para sempre o usufruto de determinadas coisas, não era grave nem era o fim do Mundo. 
Diz a querida Bebiana que " no limite, para fazermos amigos para brincar, tínhamos que partilhar!". 
Eu acrescento que uma vez que os pais de filhos únicos são muito conscientes sobre os estereótipos de filho único fazem um esforço, racional, e adoptam estratégias pedagógicas de forma a evitar, contrariar e combater todos esses clichés!
Outra das evidências que corrobora essa teoria de que os filhos únicos são egoístas egocêntricos em oposição aos filhos com irmãos que cresceram altruístas e magnânimos com um instinto de partilha e de altruísmo inatos é a quantidade de filhos com irmãos que, após a morte dos pais, não se zanga/corta relações/entra em conflitos a propósito de heranças e... partilhas. 
A Márcia, membro honorário do maravilhoso Clube do Filho Único Quadripolar,  remata tudo com uma ideia essencial: "Fui ensinada a partilhar: partilha é uma opção, nunca uma obrigação!"

3- "Os filhos únicos são mimados"
A Bebiana, outro dos membros deste clube, diz com muita razão que "Não é o mimo que estraga. Mimar é amar. O que estraga é a educação". E o mimo é uma coisa má?

4- "Coitados, dos filhos únicos são uns tristes solitários!"
Regra geral, as pessoas tendem a confundir o facto de um filho único crescer sem pares (irmãos) com o facto de crescer sozinho. Cresci sem irmãos mas não sem pares: tinha as minhas primas, as minhas vizinhas de rua, as minhas amigas da escola (e do hospital). E cresci com os adultos. Não me venham com as tretas que cresci sozinha!
Se algumas vezes me senti só? Pois sim mas não era um estado permanente, uma tristeza sem fim. Acredito que, ocasionalmente, os filhos com irmãos também se sintam. Acho que não é um sentimento exclusivo. 
A Bárbara defende que "eu brincava algumas vezes sozinha e nunca me senti só. Acho até que pode estimular a criatividade e fazer as crianças explorarem novas formas de brincar". Concordo em absoluto, a capacidade de estar só é, no meu ponto de vista, fulcral enquanto momento de construção da identidade e da imaginação. 
Por sua vez, a Maria João defende que "a solidão é, quanto a mim, sentir-se só e desalentada. Estar só não é a mesma coisa que sentir-se só. Enquanto filha única eu estava (estou, por vezes) só, mas nunca me senti só". É isso. 

5- "Coitados, quando forem mais velhos vão ter que tomar conta dos pais sozinhos"
Cuidar é amor. Cuidar dos pais na velhice é uma tarefa e uma escolha individual de cada pessoa. Não há- como aliás em tudo o resto- verdades absolutas quanto a isto. Sociologicamente, em muitas famílias, os irmãos empurram essa responsabilidade uns para os outros (por "n" razões: emigração de vários irmãos, por falta de condições de habitabilidade, por falta de disponibilidade temporal e impossibilidade de conciliar vida profissional com essa tarefas, por falta de recursos emocionais, por incompatibilidades entre irmãos, e por aí fora...) e a tarefa acaba por recair apenas num ou numa entidade externa como lares de idosos e casas de repouso. A única diferença é que os filhos únicos sabem, à partida, que a responsabilidade de cuidarem dos pais ou de encontrarem recursos que providenciem estes cuidados será exclusivamente deles. E têm toda uma vida para projectarem essa como a única opção e para projectarem ou explorarem recursos nesse sentido, sem partirem de falsas premissas e sem darem como certas opções dos irmãos face ao mesmo tema. Cuidar dos pais na velhice é uma tarefa e uma escolha individual de cada pessoa- repito. O filho único saberá, tal como o filho com irmãos, qual o papel que quer, deseja ou poderá desempenhar nesse caminho. 

6. "Os filhos únicos têm tudo o que querem e nunca têm que lutar para conseguir nada"
Sim, nunca nenhum filho único herdou roupa dos primos. Sim, os filhos únicos chegam a uma colónia de férias cheia de outras crianças e os pais obrigam toda a gente a ser seu amigo. Sim, os filhos únicos têm todos uma mota aos 16 e um automóvel as 18, porque os filhos únicos são todos filhos de gente muito rica. Sim, os filhos únicos entram todos nas universidades que querem, encontram todos os empregos de sonho, nunca têm que fazer concessões ou sacrifícios. O Mundo verga-se e faz uma vénia a cada filho único que nasce. Ide-vos copular, sim?!
 O  facto de se ser filho único não define uma pessoa por si só e o rótulo de "filho único" já não quer dizer nada nem prediz ou vaticina o futuro de uma criança só porque sim. A maioria dos "filhos únicos " são injustamente rotulados e a expressão filho única encerra, sobre ela, um injusto estereotipo.  As crianças são o que a genética e o ambiente permitirá que sejam, independentemente te terem irmãos ou não. 

7- "Não te sentes triste por não teres irmãos?"
Tanta quanto me sinto triste por não ter nascido de  cabelos pretos e olhos verdes, Ou do meu grupo sanguíneo ser O-RH +. Ou de não ter nascido neta do Champallimoud. 
Nunca tive irmãos, logo, não posso sentir falta de um contexto que desconheço. A CArla conta, com graça, como reage quando um iluminado lhe diz " Não deixes o teu filho ser como tu: dá-lhe um irmão, um filho não é de ninguém!". Diz a Carla que "as pessoas assumem que é triste ser filha única. A questão e a parte doente de quem acredita isso é que eu não sou triste. Eu sou feliz sem irmãos mas as pessoas acham que eu digo isso porque "não entendo". Eu não digo que ter irmãos não deve ser tremendamente feliz. Mas eu sem irmãos também o sou. Quem não entende, afinal? Custa assim tanto perceber isso?" A Patrícia diz que " Quando me dizem isso respondo: ser como eu? Tipo ser fixe, confiante e uma boa pessoa?! Sim, vou deixar!" 
8- "Como só queres ser mãe de uma filha única? Um filho único não é nada!"
Sim, tendes razão: um filho único é imprestável. Vou já deitar esta fora. Ah, não? Então vou já mandar vir mais 2 ou 3 na esperança de virem salvar a honra desta e darem sentido à sua existência. Gosto tanto de ser mãe e da minha experiência de maternidade que acredito que deve ser fabuloso ter um rancho de filhos com as experiência positivas todas a multiplicar. A questão é que, para mim, ter um filho único traz-me toda essa realização de que preciso para ser feliz, todas essas experiências estão concentradas naquela bichinha, sou tremendamente feliz com esta experiência única de maternidade, logo, parem de me perguntar quando mando vir um irmão para a Ana, como se a minha família estivesse incompleta. Não está. A minha filha única é tudo para mim e preenche-me totalmente como os vosos dois ou três filhos também o farão a vós. Parem de me querer multifilhosevangelizar. "Fechaste a loja, Pólo Norte?" Não, não fechei. O meu útero foi mesmo uma maravilhosa experiência de loja pop up: abriu em todo o seu esplendor para a Ana e fechou para todo o sempre. Deixam-me agora em paz?

9- "Os filhos com irmãos são melhores pessoas"
Gandhi era filho único. Já Hitler tinha sete irmãos. Afinal, não há verdades absolutas, não é?


Obrigada à Maria João, à Patrícia Diogo, à Márcia Castro, à Bebiana Pereira, à Carla Snow e à Bárbara Estanislau pelo maravilhoso chat de focus group que deu origem a este post. Um maravilhoso brinde  PARTILHADO de filha única para filhas únicas: cheers!)

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