quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Nesta casa não se Halloweena porra nenhuma! - II

Nesta casa somos pelo "Pão por Deus". Nesta casa somos por acordar cedo e agarrar no taleigo, humidade no ar, taleigo numa mão, na outra uma luva, um chapéu de chuva, amanhã um porta-moedas catita, o que for. 
Nesta casa somos por bater às portas dos vizinhos, batermos nos pesados batentes das portas, truz-truz: "Pão por Deeeeeeuuus!". 
Nesta casa somos por acelerar o passo para percorrermos o maior número de casas durante a manhã ("Querem um doce ou uma moeda?" antes da sirene dos bombeiros anunciar o meio-dia ("As duas coisas menina Glória! Ó mãe não me belisques! Porque é que chamamos sempre meninas às senhoras da idade da avó?), hora do fim do Pão por Deus, depois disso recolher obrigatório, saco despejado em cima da mesa, separar doces, rebuçados para um lado, línguas de gato à parte, nozes e castanhas para outro, figos secos para outro, chupa-chupas melados colados ao saco, pastilhas gorila lá no meio. Beijinhos de açúcar: ahhhh, adoramos beijinhos de açúcar!
Nesta casa somos por contar as moedas, preferir muitas e mais pequenas que poucochinhas e maiores, a infância não tem lógica valorativa só quantitativa.  Somos por desdobrar as notas dobradas meticulosamente pelas "meninas", tiradas do meio dos seios fartos, dos porta-moedas antigos, encher o bucho ao "migalheiro"
Nesta casa somos pelo "Pão por Deus" e, ainda que nos tirem o feriado, amanhã haverá pão taleigo para a Ana, carteirinha tosca e primeiras palavras ensaiadas "Pãããdêês?"
Nesta casa, amanhã, a Ana terá quem a leve, já pela mão, formosa e segura ao seu segundo Pão por Deus. 

O Mundo divide-se entre...

... quem gosta de coentros e os outros.

Um soneto à minha sogra

Hoje que é o teu dia
Que tenhas muita alegria
E o coração sempre em brasa
Diz que é dia da bruxa
Aguenta com esta estucha
Monta-te na vassoura e baza.


( a versão inicial substituía a terceira estrofe por "Que este dia depressa corre" e o "baza" por outro verbo no imperativo. Que remava com "corre", obviamente.)

Os meus amigos podem não ser melhores que os vossos, mas terão certamente um sentido de humor mais peculiar # 21

´

(O que eu me ri, senhores...)

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Gentes dos Açores chamadas à recepção!

É normal vocês não gostarem de coentros porque há um escaravelho aí chamado "frade" que cheira igual à erva aromática?

É que preciso de arregalar os olhos face à recusa do homem cá de casa em comer coentros e de gozar com ele mas gostava de estar devidamente esclarecida. 

Obrigada. 


Shame on me: estou viciada no "Carga de Trabalhos"


Ainda do Matthew e da minha fé na Humanidade...

"Olá Pólo Norte
Eu agradeço a sua iniciativa, mas o meu objectivo não é pedir dinheiro às pessoas. Eu quero puder proporcionar algo em troca dos donativos. O meu filho não vai morrer se não fizer a cirurgia. A vida dele vai melhorar significativamente se ele a fizer e há pessoas com problemas bem mais graves a precisar de donativos.
Por isso a minha ideia original é fazer uma escultura gigante para ser vista por todos. O objectivo é ter empresas a patrocinar o evento para que através dos patrocínios arranjarmos o dinheiro para fazer a cirurgia.
Se puder ajudar na realização deste ou outro evento do género deste isso seria fantástico. Nem que seja uma campanha de sensibilização para este projecto, em que eu me prontifico em fazer esculturas para crianças em troca de donativos.
Sei que pode parecer um pouco estranho mas espero que compreenda.
Obrigado uma vez mais."



Ideias?

O pão por Deus da Ana. E do Matthew.

A Ana é uma menina saudável e eu rezo, todos os dias, para que assim continue para sempre. 
Já eu nasci com imensos problemas de saúde e sei a diferença que fizeram na minha vida e naquilo que eu sou hoje uma quantidade de ajudas técnicas como botas ortopédicas e ortóteses várias (aparelhos, talas, palmilhas, canadianas e cadeiras de rodas para os pós-operatórios) que, na minha altura, a segurança social comparticipava numa grande percentagem. O resto os meus pais custeavam, com a ajuda de avós e tios, mas num esforço grande. Hercúleo. 
No entanto, a Ana, menina saudável, que balouça automaticamente ao som dos primeiros acordes de qualquer música, repete em eco as gargalhadas que ouve dos pais, testa as primeiras palavras repetindo sons vários e fazendo indecifráveis trava-línguas e se acalma assim que ouve a minha voz a serená-la quando chora, quer ajudar. 
Por isso, este ano as moedas do Pão-por-Deus da Ana (as recolhidas junto da família, dos colegas de trabalho dos pais, das madrinhas e afins) vão direitinhas para a conta do Nuno e destinados ao aparelho do Matthew. 
O valor pode ser irrisório (que as avós já compraram roupa para o pão por Deus e ficam de fora) mas grão a grão, enche a galinha o papo. 

Quem se junta? (versão Halloween tb conta)

Chegou o dia em que vos venho pedir likes (aguentem-me!)



O Nuno não pede dinheiro. O Nuno pede ajuda para divulgarem a ideia dele para que, com o seu trabalho, consiga fazer o seu bebé ouvir música, gargalhadas e a voz dos pais. 
Conto com os vossos likes?

Todos aqui


Quadripolaridades de uma rapariga ex-loira

Pintei o cabelo de castanho e a minha filha não reagiu. 
Não sei se fique contente por a miúda não me estranhar se triste porque não reparou que pintei o cabelo, raça da gaiata, sai mesmo ao pai.

Depos da poesia imobiliária*

... a alegoria mobiliária:


Um x-acto: se fazem favor!


(* aqui)

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Depois de Assunção Cristas se lembrar que não quer mais que dois animais por apartamento*

... proponho que os portugueses se lembrem que não querem mais que dois assessores por ministro.

Quem está comigo?



(*Aposto que não é imune à toxoplasmose).

O Mundo divide-se entre...

... quem prefere os tintos do Douro e quem prefere os Alentejanos.

Tenho muita lata



Para além do drama dos caderninhos (e já que ela ressuscitou do além e antes que se chibe) há uma outra utilidade que eu preciso sempre muito, como do pão para a boca: latas.
Para o café tenho 5 latas. Obviamente que não tenho café em todas elas: numa tenho chá, noutra pacotes de açúcar, noutra paus de canela, noutra pacotes de adoçante e numa última, obviamente, café. As pastilhas estão noutro pote (também gosto de potes, aguentem-me!) e sempre que mámen tenta ir buscar café acerta para aí à quinta. Gosto de latas, nada a fazer.
Gosto de latas para colocar bolachas, pacotes de chá, sacos de chá. cubos de açúcar, para guardar biscoitos, para guardar as coisas da costura que eu nunca faço, latas para os bombons, latas para os sabonetinhos, latas para as cartas de papel que ainda recebo, latas, latas, latas. Tinha esta panca meia canalizada só para as latas de cozinha até perceber que tenho uma amiga ainda pior que eu: a Sandra. A Sandra tem ainda mais lata que eu (metaforicamente falando, claro!), na mala umas 4 ou 5:  lata-estojos com duas latinhas lá dentro, lata com smint, lata com pensos rápidos, entre outras funcionalidades latosas. 
Tal como a caderno-mania a lato-mania não tem uma explicação lógica nem funcional. O estupor a que eu chamo marido Mámen diz que se juntar as latas todas que eu e a Sandra temos nas respectivas casas dá para fazer um ferro-velho. 
Não estou sozinha na lato-mania, pois não? Acusem-se. 

A CONHECER | MUIPITI

O pai fica sempre zangado e acha que a miúda não deve ser ostracizada nos diferentes meios onde se move. 
A mãe é contra-corrente. 

 Perguntam vocês: Pólo Norte, como foi a Ana vestida ao seu primeiro grande evento de moda (Lisbon Kids Market)? 




Depois do burko-laço lançado pela mãe, a Ana lança a tendência "étnico-chique"

Capulana Muipiti (obrigada Rita e Anabela pelo presente!)
Camisola com gola à Camões oferecida pela avó (duma marca cujo nome não decorei mas de uma das 30000 que começa por Maria)
Sapatos de presilha e fivela do armazém do calçado em Benfica (baratos, baratos!)
Meias não me lembro de onde
Produção: Sofia para MagmaPhoto
Modelo: Ana Norte Mámen


(* Tio Pipoco, o étnico-chique is the new snob-chic)






Vestir as crianças com a nova tendência: étnico-chic


Quem? Muipiti
Onde? online
Contacto: Pelo email muipiti@muipiti.com
Saber mais? http://www.muipiti.com |
https://www.facebook.com/Muipiti-229552627188834/?fref=ts

Ana, a fazer panelinha com a mãe desde 2012

Ontem chegou uma encomenda da minha sogra com o pão por Deus da Ana. Independentemente das nossas diferenças a muitos níveis a maior mesmo revela-se no que concerne aos gostos. Portanto, ontem quando abri a caixa de cartão de correio verde com camisolas mescladas, um cachecol demasiado colorido, uma malinha de crochet não teci qualquer comentário e passei tudo para a Ana que, curiosa, me rondava a ver o que vinha dali. 

Adivinham do que ela gostou mais? 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Mámen, let's go?


A EXPERIMENTAR | Taverna da Taça Virada

I hate as modernas tascas e tabernas antigas. Sim, velha do Restelo, me assumo: não gosto de reinvenções da roda. Não gosto de novas padarias a quererem recriar as padarias antigas, gosto de padarias antigas. Abomino o "The World Need Nata" e pelo-me por pastéis de Belém em Belém: o Mundo se quiser provar que cá venha! Gosto do Santini de Cascais o resto só serve para afastar os lisboetas da minha terra e desimpedirem a loja e encurtarem-me as filas. Aguentem-me!
Por isso, esta nova moda de modernas tascas e tabernas antigas irrita-me, solenemente. Acho, sinceramente, que já fui a todas as aclamadas novas tabernas e tascas de Lisboa. Taberna e tasca antigas cheiram a madeira da pipa, cheiram a vinho tinto, têm empregados com um pano da loiça ao ombro (que também pode servir para limpar as mesas, os copos e as chávenas que são colocadas a aquecer em cima da máquina de café: fuck ASAE!) um assobio perfeito, ali como na Ginginha do Rossio (nem página de FB têm: toma!), bebe-se a ginginha tradicional num copo de três, nada da paneleirice de clichés forçados, de toalhinhas imaculadas de xadrez, de canecas de barro compradas no Chinês, naperons de crochet nas mesas, decoração vintage (vómito!) e artifícios vários- já disse que não aguento esta moda de recuperar as coisas antigas com artifícios vários? Não aguento. 
Tabernas, tabernas daquelas de verdade, assim de repente, para além da Ginginha do Rossio recomendo "O Henrique" em Alcabideche ou "O Camões- o rei das lamujinhas" aqui na Amoreira.. Quereis tascas antigas? Aguentem o estômago e o fígado, preparem-se para mesas de contraplacado e cadeiras desconfortáveis e regalem-se com uma aguardente caseira e um croquete de sabe-se lá o quê, não intelectualizem, sabe bem. Se quiserem uma coisa mais burguesa tendes ali a Taverna dos Trovadores, em São Pedro de Sintra, burguesa, é certo, mas sem pretensões de querer imitar o antigo, em bom. 
No entanto, ontem consegui gostar de uma taberna nova, uma taberna que não quer imitar nada, que quer ser uma taberna no espírito tascoso da coisa, uma taberna sem pretensões de imitar o antigo, uma taberna portuguesa, que só vende produtos portugueses, com uma decoração naturalmente despreocupada e sem necessidade de decoradores de interiores a fazerem de conta que "este objecto aqui e ali, colocados estrategicamente ao acaso, um a seguir ao outro, vai criar uma cenário negligé e typical, vintage e old-school". Uma taberna actual normal como, aliás, a Taberna Tosca, outra da qual sou fã. 
Na Taverna da Taça Virada, ali para os lados do Alto de Santo Amaro, há toalhas de papel nas mesas, há um empregado que assobia de mangas arregaçadas e sem fardas a imitar o antigo, caldo verde e limonada (mas só na altura em que os limões estão mais maduros), croquetes e pastéis de bacalhau, pataniscas e jolas. Também há artefactos de barro (arregalar de olhos) mas compensado com a existência de peixinhos da horta! 
Só não há coca-cola, que ali só se vendem produtos portugueses. Como antigamente... ;)




(Update- Chamada a atenção pela minha amiga Luna reponho a justiça dos factos e assumo aqui que a Taberna Ideal é a Taberna Ideal, a única dentro deste conceito snob-vintage-blherck que vale a pena...)

É um blog? É uma página de FB? Para mim é um FBlog...

E encontrei-me nas palavras de outrém:

Quando eu soube que estava grávida, já lá vão mais de 5 anos, a minha vida parou por uns breves grandes instantes. O bebé tinha sido planeado e antes mesmo de biologicamente se poder saber o veredicto, eu já o sabia. Sabia-o de tal forma que contei a várias pessoas próximas que viria aí um bebé, uns quinze dias antes de fazer o teste. Começava aqui o rol de certezas absolutas sobre a maternidade e ...acabava aqui também. A certeza confirmou-se, e como estava a dizer o mundo parou de girar, e as minhas certezas também. A felicidade é uma coisa estranha. O medo é um ladrão de felicidades. Ainda assim utilizei-o em benefício próprio - ao medo. Há uns dias, sem nenhum porquê em especial, dei por mim a pensar sobre o que leva alguém a querer ter filhos. É que antes de os termos a vida é santa. Depois disso, há algo que nos eleva a um estádio de transe constante, onde só com muito jogo de cintura nos conseguimos abstrair de imagens horrendas que volta e meia insistem em nos vir à cabeça. Atrevo-me a dizer que nem um cocktail de lexotans e xanaxs é capaz de recolocar uma mãe no estado relaxado pré-maternidade. Um filho é algo precioso demais. E o demais extrapola qualquer bom senso. E o que é trabalhoso não é educar um filho. O trabalhoso é gerir uns olhos doces que nos olham com a certeza de que estes mesmos olhos não nos podem dominar o tal do bom senso que entretanto extrapolou. Dizem por aí umas vozes que os filhos não nos pertencem. Mas o filho é meu. E se ele estivesse aqui para falar diria "a mãe é minha". Continuariam a dizer as vozes que os filhos são do mundo. Mas eu também sou filha. Também sou do mundo. É bom saber que nos encontramos no mesmo lugar!"

Obrigada, Mariana!

A história que descarril(h)ou

Tenho andado a conter-me para não escrever sobre a história de (des)amor entre a Bárbara e o Carrilho. Primeiro, porque não é da minha conta, segundo porque não se deve cuspir para o ar que isto das separações às vezes temos surpresas e em terceiro por respeito a quem está a sofrer mais com isto tudo: os filhos. 
Não há separações bonitas. O fim de um ciclo, o fim de um amor, de uma relação, a mudança de paradigma, de estrutura familiar, de número de pessoas sentadas à mesa, de número de sorrisos nas fotografias das férias, de uma voz, duas vozes, sempre certas, sempre garantidas a contar uma história à noite antes de dormir, não tem nada de feliz. 
Quando os meus pais se separaram também não foi bonito. E embora as tentativas para me protegerem nunca estive à parte do processo: ouvi gritos, ouvi discussões, vi olhos inchados de chorar, vi olhos de lamento por não conseguir fazer diferente, senti beijos doídos, festinhas de compaixão e vi o fim dos meus pais como, até ali os conhecia, unos e compactos, uma entidade superior que ali estava firme e forte, rija e imperturbável para mim. 
Quando os meus pais se separaram eu envelheci uns mil anos. Percebi que as coisas não são como acreditamos, que existem para além dos nossos olhos, vontades e desejos, que o mundo não é cor-de-rosa enquanto somos pequenos e que os adultos podem ser incrivelmente maus uns para os outros e nestas guerras para se atacarem, para se vingarem, ainda que as vontades racionais sejam proteger-nos, acabam por nos usar muitas vezes como espada, punhal ou escudo. E que a conjugalidade deveria ser uma coisa à parte da parentalidade mas, infelizmente, não é, está implícita, e a separação dos pais marca um bocadinho uma fronteira que nos separa a nós, também, de um Mundo ideal ou, se não perfeito, um mundo melhor, mais plural e mais cheio. 
Não tenho nada que ver com a separação da Bárbara Guimarães e do Manuel Maria Carrilho. Mas quando a história deles me entra pela televisão à noite tenho uma opinião. Que ninguém que amou outra pessoa deveria acusá-la de ser alcóolica (e que seja: é uma doença), desprotegendo e expondo a mãe dos seus dois filhos perante a opinião pública, assim. Que um pai de bom senso não reclama visitas às onze da noite, hora em que as crianças já devem estar a dormir, perturbando as suas rotinas- nesta alturas, há que manter hábitos, horários, fazer com que alguma coisa seja estável e previsível, que mais não sejam as horas, o tempo. Que um pai de bom senso não rotula, de forma ligeira, a mãe de "sequestrar" os filhos e quando confrontado sobre o que vai fazer a seguir, assume que "vai dormir". Ninguém que saiba o que é a palavra sequestro, no seu real significado, vai dormir sabendo que os seus filhos estão sequestrados por uma pessoa alcóolica, ainda que sua mãe. 
Não sei (não quero saber, é íntimo, de foro privado) o que motivou a relação da Bárbara a descaril(h)ar. Se foi, efectivamente, vítima de violência doméstica activou os mecanismos legais para se pronunciar. E fê-lo com discrição e classe. (Já agora: a violência doméstica é crime, sim?! Não é doença: é crime.)
Sei que a senhora não me entra pela televisão a denegrir a imagem do homem que escolheu para ser pai dos seus filhos. Talvez porque o respeito pelas crianças deverá estar acima de qualquer ego, tentativa de defesa, de ataque ao outro. Porque os filhos, mais que as relações, mais que o amor passional, nunca protegidos a cem por cento do fim da família tal como a conheceram até aqui, merecem ao menos uma coisa essencial: respeito. Amor e respeito.

domingo, 27 de outubro de 2013

É como quando vemos um quadro abstracto e interpretamo-lo com muita profundidade e depois vem o pintor e nos diz que entornou tinta na tela à toa e que a pintura é somente um borrão ao calhas. E sim, as nuvens são só nuvens não são castelos no ar.


Quando me enviaram esta imagem lembrei-me do vestido do aniversário da Ana, um arco-íris maravilhoso, que não significava nada senão um arco-íris, aquele fenómeno da natureza, sabem? Mas logo me aplaudiram os acérrimos defensores das causas homossexuais, radiantes pela mensagem implícita de apoio aos gays e lésbicas num simbólico vestido de primeiro aniversário de uma criança. 
Não que não vá incutir à Ana o respeito pelas opções sexuais de cada um, pela liberdade- que vou, está implícito no dia-a-dia, na educação que lhe dou!- mas, por acaso, ali era só um vestido simples e colorido e não uma bandeira metafórica. 
Mas depois lembro-me que há gente que lê nos meus posts aquilo que gostava que eles retratassem e não, exactamente, o que lá está escrito e desisto de explicar.
Pronto. Está bem.

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que dormiram mais uma hora esta noite e as que os filhos não têm um relógio biológico e as acordaram à hora antiga. 

(E as pessoas que escolheram esta noite para deixar as filhas a dormir em casa da avó. 
Obrigada, mummy!)

Manifesto das mulheres que não conseguem fazer dieta

A culpa é dos cafés da manhã exagerados das novelas brasileiras
A culpa é dos peixes que não puxam carroças
A culpa é dos meninos de África que morrem à fome
A culpa é das magérrimas não serem grossas

A culpa é da MRP que dá cá uma fome
A culpa é da música do queijo com goiabada
A culpa é dos estudos que dizem que o pão não engorda
Mesmo que se o barre com marmelada

A culpa é do dia da asneira
Que depressa se alastra à semana inteira
A culpa é do Biggest Loser dar a ideia
Que se perde peso de uma forma porreira

A culpa é das curvas da Jessica Rabbit
A culpa é de dizerem que as gordas são mais divertidas
A culpa é do marido não poder dizer que está mais gorda
E das palavras "diet" nos refrigerantes e outras bebidas

A culpa é da Mango ser para anoréticas
Da Zara estar cada vez mais careira
A culpa é da H&M e a Primark
Terem uma numeração estrangeira

A culpa é das amigas dizerem que a roupa assenta bem
Mesmo que se pareça um saco de batatas
A culpa é da tiróide e da cortisona
Das hormonas e de tudo menos das jantaradas

A culpa é de ter-se crescido a ver o Popeye
Das cenouras fazerem bem aos olhinhos
De para crescer ser preciso porcarias açucaradas
De iocolinos e muitos danoninhos

A culpa é do brinde do ovo kinder
E da prendinha do Happy Meal
A culpa é da publicidade americana
A culpa é de todos, são mais de mil

A culpa é da crise e da troika
Da comida barata ser a que faz mal
A culpa é da cultura mediterrânica
A culpa é dos fritos do Natal

A culpa é da Joana come a papa
Do Sebastião comer tudo com a colher
A culpa é do índice de massa gorda
Se perder mais facilmente no homem que na mulher

A culpa é de não haver microondas no escritório
A culpa é do ginásio não ficar em caminho
A culpa é do pós-parto, está claro
Mesmo que o menino já seja crescidinho

A culpa é do metabolismo preguiçoso
Não é de não se exercitar a perninha
A culpa é dos genes da mãe e da avó
A culpa é de todos, só não é minha!

A culpa é das estúpidas folhinhas de cheiro.

Começo já por assumir: eu tenho um problema com cadernos. Daqui de onde escrevo estou a avistar sete. Sete, em branco, em cima da prateleira da sala. Seis na mesinha de cabeceira. Perfazem 13. No escritório estão os rascunhados, desenhados, garatujados e afins. Já lhes perdi a conta.
Mámen diz que é uma adição. Ok, não diz assim "é uma adição", diz antes "pronto, lá está a maluquinha dos cadernos" sempre que me vê ir em direcção à secção de papelaria da FNAC ou do Continente ou da Papelaria Fernandes ou de qualquer montra que ostente caderninhos. Não se tratam de Moleskines, filo-faxes ou agendas xpto, são caderninhos, normalmente, com umas 50 folhas e capas giras.
Ele não percebe a "pancada", especialmente, porque eu raramente escrevo nos ditos, embora os continue a comprar compulsivamente. Não percebe para que quero eu cadernos a rodos se depois acabo por escrever quase tudo no computador e muito pouco (cada vez menos) à mão. Ele não percebe que um caderninho com uma capa bonita não é para se escrever. Eu vejo, gosto e apetece-me ter, para o caso de um dia me apetecer escrever. Gosto do cheiro a folhas em branco (têm um cheiro próprio, não me lixem!), de os folhear, de mirar o design das capas quase como se fossem quadros.
E ter 13 caderninhos destes em branco não é colecção. Coleccção era a minha de bloquinhos com folhinhas de cheiro, pá,. E que não servia para nada porque ia depenando os bloquinhos para trocar as folhas de cheiro e às tantas ficava com bloquinhos miseráveis com a capa e uma única folha e 343537 folhinhas a vulso, todas muito cheirosas, uma caldeação de cheiros que enjoava. 
Todas as mulheres têm panca por sapatos. Eu gosto de caderninhos. Ao menos ocupam menos espaço e são mais baratos. Ele não percebe mas eu sei, porque sei, que não sou a única. Ele diz que nunca conheceu mais nenhuma "maluquinha de cadernos" mas eu sei que elas existem por aí, por isso, manifestem-se as quadripolares que não resistem a um caderno giro, se faz favor, só naquela de lhe provar que não sou um caso isolado. Nem patológico.
Agradecida.

sábado, 26 de outubro de 2013

É isto.


Os meus amigos podem não ser melhores que os vossos, mas terão certamente um sentido de humor mais peculiar # 20

Grande V.!

Póletes ao Lisbon Kids Market!

A fotografia mais gira de uma pólete a quadripolarizar o Lisbon Kids Market envergando orgulhosamente um burko-laço ganha um fabuloso presente quadripolar. 

É participar, my fashion loves, é participar!


O Deus dos sonhos é mau. O meu inconsciente tem sentido de humor. Ou ambos.

Um ano e quase três meses depois de ter estado grávida e parir (e jurar para nunca mais repetir a dose)  esta noite sonhei, pela primeira vez, que estava grávida.
Diz mámen que tive um sono super agitado, resmunguei e tudo enquanto estava a dormir, lençóis em reboliço, um horror. 

Hoje de manhã contei-lhe do sonho, com os pormenores todos direitinhos: que era uma menina, loira como a Ana mas com os olhos da cor dos meus e que nós a tínhamos baptizado de (silêncio para constatar o significado daquilo que ia dizer)... Bárbara. 

100 Quadripolares que vale a pena conhecer #João (2)


"Tenho 63 anos e sinceramente ainda não consegui assentar. Nem quero."


João

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Querido Departamento de Recursos Humanos do Mini-Preço/Dia

Antes de qualquer prova psicométrica, antes de qualquer entrevista ou dinâmica de grupo ou prova situacional que hipoteticamente usem no V. recrutamento e selecção sugiro uma prova de correspondência com setinhas entre imagens de vegetais/frutos e respectivos nomes. 

Não é que não me tenha divertido quando vi a menina a pesar marmelos e a registá-los como xuxus ou a pesar batata doce e a registá-la enquanto beterraba mas é que, só no meu caso, quer num quer noutro artigo vocês ficaram a perder. Uns euritos valentes. 

Sempre ao dispôr, 

PN

Foi há uma semana no Porto- II (Obrigada Isabelinha!)

"Inspirada na acção Make the Homeless Smile, a Pólo Norte subiu ao Porto, arregaçou as mangas e fez acontecer. Acabou por não ser exactamente como estava planeado e, na minha opinião, ainda bem porque assim foi possível conhecer o comovente e inspirador trabalho dos nossos amigos da CASA - Centro de Apoio ao Sem Abrigo - Porto. Não foi nada fácil. Não chorei mas foi uma ginástica complicada para não as deixar cair. E foi tão diferente daquilo que estava à espera. Sabemos que existe mas estar lá, segurar num garrafão de groselha e servir aquela que pode ter sido a única bebida do dia é um choque de realidade doloroso. Ainda assim, o que mais mexeu comigo foi conseguir ver-me ali, no lugar daquelas pessoas porque, ao contrário do que estava à espera, não encontrei sem-abrigo mas, maioritariamente, a família que, numa noite de temporal, saiu de casa para, debaixo de um telheiro, comer um malga de sopa e um prato de massa quente. Tudo gente simpática, muito animados e sempre a disparar piadas e piropos às novas voluntárias, o que ainda arrepia mais. Não sei se consigo voltar mas gostava. Apesar do choque, saí de lá melhor, mais pessoa.


Para além da comida preparada e distribuída pela CASA PORTO foram também entregues cobertores, sacos-cama e alguma roupa mas estas pessoas precisam de tudo. Estava lá um casal que dentro de meses vai ter gémeos!, o Emanuel ainda em idade escolar, um senhor que precisa de lápis de cor e papel autocolante para fazer marcadores de livros, ouvi também pedir meias quentinhas, sapatos, casacos, e até sacos plásticos para poder levar para casa os kits de pequeno-almoço e a roupa. Há rondas todos os dias. Começam pelas 21h, no número 89, da Rua das Taipas, no Porto. Alguém tem por aí um livro para o Emanuel? Babygrows ou chupetas para os gémeos? Lápis de cor para o Maurício? Meias quentinhas para o António? Cinco euros para doar à CASA? Qualquer coisa? Alguém?"


Contactem a CASA. Aqui

Foi há uma semana no Porto (Obrigada fico eu a ti, Filipa!)


"Este fim-de-semana para mim foi épico. Participei no 1º MtHS organizado pela minha Amiga Pólo Ruth Norte.

Fiz uma viagem “frenética” até ao Porto, na companhia adorável da Rossana e da Rosa, desde Lisboa. Chuva a “céu aberto”, os 4 piscas sempre ligados, paragens obrigatórias para fazer xi-xi… e completamente motivadas pelo objectivo traçado, participar no 1º MtHS Porto. Depois de muitas voltas, à volta e à volta e à volta do Porto e da “Circunbalaçón” chegamos ao tão ansiado destino, a Boa - Centro de Apoio ao Sem Abrigo - Porto.
Fomos freneticamente recebidas na Boa, com sorrisos rasgados, corações abertos e uma Pólo Norte em êxtase, respirava-se SOLIDARIEDADE! 
Partimos para o nosso destino, na Rua das Taipas. Lembro-me que nos primeiros segundos pensei que ainda não estava no local, pensei que era apenas um local com um aglomerado de pessoas, pensei que ainda tínhamos que andar mais um pouco até ao local…foi aí que “levei um valente murro no estômago”. Eram aquelas as pessoas a quem íamos distribuir comida, cobertores e roupas. Pessoas comuns, famílias, Pais, Mães, Avós…podia ser eu, podias ser tu. Nada do que eu estava a espera ou tinha imaginado. Fiquei incrédula e muda. Senti-me mal, injusta e ingrata perante o que a vida me tem dado, tanto! Senti-me medíocre por tantas vezes pensar que “ainda me falta tanta coisa”! Naquele pequeno período de tempo, em que vi pessoas agarrarem um cobertor com a maior das alegrias, perguntar se tínhamos sapatos ou casacos quentinhos, debaixo de uma chuva imensa que teimava em não parar, senti que não tenho o direito de me queixar seja do que for. Senti-me pequena demais, mas com a certeza de que o meu coração é enorme e tem muito para dar. Senti que quero, devo e vou estar muito mais atenta. Senti que tenho o dever de ajudar mais e mais e mais. Senti que tenho uma enorme vontade de gritar ao mundo que TEMOS QUE NOS JUNTAR PARA AJUDAR! E eu quero, quero muito. 
No meio de tudo isto e de tudo o que me marcou, não me esquecerei nunca mais da imagem com que fiquei da Pólo Norte, encostada a carrinha, onde estavam as roupas e cobertores, encharcada, a água escorria-lhe pelos cabelos, cara e corpo, literalmente escorria-lhe, e ela tinha um sorriso estampado no rosto, que jamais esquecerei. Um sorriso doce, terno e profundamente enternecedor, pela alegria que a "iluminava" por estar ali a ajudar. Era uma Luz plena de Amor, eu vi!
Por tudo isto, consegui tirar o lado positivo. Abri os olhos e a mente, e decidi, sim repito, DECIDI que não vou nunca mais baixar os braços. Há sempre alguém a quem posso ajudar, seja de que forma for. Dando cobertores, dando comida, dando sorrisos, dando o meu tempo pra fazer alguém Feliz, nem que seja apenas por minutos. 
Este é o meu NÃO ao consumismo desenfreado. 
Obrigada Pólo Norte pela iniciativa, EU quero continuar. Obrigada Boa Bombarda Oficinas Artes pelo trabalho grandioso que desenvolvem. Obrigada Rossana e Rosa por serem tão óptima companhia e 2 mulheres de mangas arregaçadas para tudo o que aparece, tal e qual como eu. Já vos disse que ADOREI a partilha? Obrigada Isabel pela companhia tão simpática e prestável. Obrigada a todos com quem me cruzei. 
Obrigada a TODOS por existirem e por me fazerem sentir viva, O B R I G A D A!"

Royal rorschach

Sabes que tens um desvio qualquer quando...

... os outros vislumbram um chapéu

 e a ti só te vem à cabeça um Galak gigante.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

[Assim deveria ser o amor]

[Todos os anos a mesma coisa: às primeiras chuvas o espanto inédito, embora repetido ano após ano, acerca das primeiras chuvas, esta chuva, que bom, que chatice, tudo molhado, chuva nos cabelos, na cara, na alma. 
A constatação idiota de que molha, alguns olham para o céu para ter a certeza que é chuva, abrem um pouco os lábios, timidamente deixam cair gotas na língua, outros viram as palmas das mãos em direcção ao céu como que para as agarrarem com força, as primeiras chuvas, as primeiras que se repetem, ano após ano, ninguém lhes fica indiferente, uma novidade velha, uma constatação inesperada e óbvia de tão pontual que nos chega, esta chuva, que bom, que chatice, tudo molhado, chuva nos cabelos, na cara, na alma. 
Todos os anos a mesma coisa: pessoas que não sabem onde enfiaram as gabardines, "é Outubro mas ainda tinha a roupa de Outono na arrecadação" e agora assim, de repente, apanhadas desprevenidas, esta chuva, que bom, que chatice, tudo molhado, chuva nos cabelos, na cara, na alma. 
Todos os anos a mesma coisa: a sensação de que já não se sabe conduzir finda a secura do Verão, as travagens que nos fazem resvalar o asfalto, marcas de pneus no alcatrão, pára-brisas a dançar, pequenos acidentes aqui, ali, carros encostados ao passeio, papéis a serem assinados debaixo da chuva miudinha, chuva picada, um turbilhão de estímulos, e chove lá fora, que bom, que chatice, tudo molhado, chuva nos cabelos, na cara, na alma. 
Todos os anos esta novidade velha, esta admiração do costumeiro e eu fico a pensar que assim, desta forma, como as primeiras chuvas, assim deveria ser o amor, que bom, que chatice, tudo molhado, amor nos cabelos, na cara, na alma. ]

Todos os anos a mesma coisa: às primeiras chuvas o espanto inédito, embora repetido ano após ano, acerca das primeiras chuvas. A constatação idiota de que molha, alguns olham para o céu para ter a certeza que é chuva, abrem um pouco os lábios, timidamente deixam cair gotas na língua, outros viram as palmas das mãos em direcção ao céu como que para as agarrarem com força, as primeiras chuvas, as primeiras que se repetem, ano após ano, ninguém lhes fica indifente, uma novidade velha, uma constatação inesperada e óbvia de tão pontual que nos chega.
Todos os anos a mesma coisa: pessoas que não sabem onde enfiaram as gabardines, "é Outubro mas ainda tinha a roupa de Outono na arrecadação" e agora assim, de repente, apanhadas desprevenidas, esta chuva, que bom, que chatice, tudo molhado, chuva nos cabelos, na cara, na alma.

O cabelo cai, cai, o cabelo vai cair...

A propósito do post anterior ontem "bati um papo" com a Vânia. 
A Vânia é portuguesa, de Cascais, andou na mesma escola que eu, a mãe é psicóloga nessa mesma escola, o pai da Vânia é chefe do meu primo Eduardo, frequento regularmente o café dos pais da Vânia (um dos espaços mais giros e míticos de Cascais),  mas nunca nos cruzámos nem nunca ouvimos falar uma da outra até que conheci o seu blog "A minha vida comigo".
A Vânia vive no Brasil, onde lhe foi diagnosticado um cancro da mama aos 31 anos, por altura dos seus primeiros planos de planeamento familiar. A Vânia queria um bebé e a vida deu-lhe um cancro. Eu acho que depois disto a Vânia está preparada para ter uma equipa de futebol: it'll be piece of cake!
Dizia eu que ontem "bati um papo" com a Vânia, muito pequenina quando comparada com ela, a sua valentia e a forma cool com que encara a doença. E daí veio a ideia de estender até Portugal a campanha da Vânia de recolha de lenços para tapar cabeças carecas, assim um pequeno ponto de partida que não vai solucionar o cancro da Vânia nem ser a cura para o cancro da mama: mas pode elevar a auto-estima de muitas mulheres com algo tão simples, afinal. 
Então, chamada quadripolar:

"Envie ou entregue lenços para cobrir cabeças onde o cabelo cai, cai, o cabelo vai cair, para a morada abaixo, em Cascais ou entreguem em mãos e conheçam um dos meus lugares preferidos na minha terra: 

Jardim da Cerveja (a/c da Vânia Castanheira)
Rua Frei Nicolau Oliveira, 28, 2750 Cascais

Quadripolares, bora fazer com que a mãe da Vânia pague excesso de bagagem na próxima visita à filha? ;)


(Visitem o blog da Vânia aqui!)

AGENDA QUADRIPOLAR | Agendar uma mamografia


Inspirada pela Vânia, que veio provar que o Mundo é uma cueca e que para além de ser a melhor amiga da Leididi, é filha da psicóloga (beijinho Ana Meira!) que me conduziu à Psicologia e do chefe do meu primo Eduardo, o mês de Outubro de 2013 será o mês em que irei fazer a minha primeira mamografia. 

Porque lembrar que o cancro existe não deve ser específico de um mês apenas mas de um ano inteiro mas pode ser este o ponto de partida para relembrar todas as pessoas (os homens também sofrem de cancro de mama, ok?) que o cancro da mama não escolhe sexo, idade, cor, raça nem tamanho de copa. E mata. 

Quem me acompanha?

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que têm que fazer desporto por obrigação e os mete-nojo.

Enquanto eu ando nestes dilemas, os meus compadres passaram-se dos carretos

 
E vai de fazerem uma produção deste calibre: Guilherme com cara de fuinha e dentes de toupeira, Cária com sombras de seios e sombra e rímel dentro de uma banheira e o meu pobre futuro genro com cara de "what the fuck? Mas assim com'ássimo ainda bem que fizerem a gentileza de me tapar as miudezas"...
Uma pessoa já não pode ir fazer um banoffee que é estas vergonhas pelo facebook...

A PROVAR | Banoffee


Ingredientes:
2 bananas
1 pacote de natas
1/2 colher (sopa) de açúcar
4 colheres (sopa) de leite condensado cozido (de compra)
10 bolachas-maria
 40 grs de manteiga derretida

Preparação:
Triture as bolachas, junte a manteiga derretida à bolacha moída e misture até formar uma massa.
Forre o fundo da taça com este preparado.
Coloque por cima da massa a banana, cortada às rodelas e o leite condensado e espalhe bem.
Cubra com o chantilly, previamente batido e polvilhe com raspas de chocolate negro.
Coloqueno frigorífico durante 3 horas para que ganhe consistência.


Bom apetite!





(Obrigada, Isabelinha, por me teres dado a provar isto. A minha dieta vivia tão bem na ignorância...)

Assim de repente acho que meter a língua numa couvette acabada de sair do congelador seria menos doloroso

Acabei de ir levantar os resultados de uma ressonância magnética à coluna, coisa séria.
Antes de se tomar medidas mais drásticas, aliás, enquanto não se tomam medidas mais drásticas, a médica prescreveu-me desporto. Mediante a minha cara de horror lá me explicou que isto é como as cápsulas de óleo de fígado de bacalhau: sabe mal mas faz bem e tem que ser!
Assim que cheguei a casa fui inspecionar desportos que eu possa fazer tendo em conta três premissas:
1- Tudo menos correr. Só a imagem de correr para não chegar a lado nenhum nem ser para conseguir apanhar um autocarro dá-me "dores de burro". Correr é monótono, chato, pesado (para quem tem peito grande), chato, aborrecido e já disse chato? É chato.
2- Tudo menos desportos colectivos, porque não tenho pachorra para me sincronizar com ninguém em aulas de grupo (já me sincronizar com o marido é o que é, quanto mais...), para atirar bolas e correr para apanhar todas as que falho, para competir com sport-cromos e afins.
3- Tem que implicar eu conseguir ter os pés em segurança, o que significa, no chão; ou seja, nadar em piscinas onde não tenha pé ou andar de bicicleta com selins standart cuja altura não permite que eu coloque as extremidades das minhas longuíssimas pernas os pés no chão quando preciso, não é para mim.
Posto isto, assim de repente só me lembro de desportos automobilísticos. e por razões que para aqui não são chamadas, estou inibida da prática da condução.
Não é que eu não queira fazer a porra do desporto mas, a verdade, é que não me restam opções.. :P

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Você é uma shoes-chic ou uma shoes-chunga?


A) Merceditas
B) Sapatos de presilha e fivela de Verão
 
A) Carneiras
B) Sapatos de camurça
 
A) Sapatos pé de feijão
B) Sapatos de presilha e fivela de inverno
 
A) Alpercatas
B) Sapatos de lona
A) Menorquinas
B) Sandálias
 
A) Galochas
B) Botas de borracha
 
 
 
Conte as respostas A) e B).
 
Resultados:
 
Maioria de Respostas A)- Shoes-Chic
Maioria de respostas B)- Shoes-chunga

Perguntam-me ainda... e conheces menorquinas?

Oi?

Claro que as minhas amigas póletes logo me elucidaram acerca daquilo das Merceditas...


Quando me perguntaram se eu não queria comprar umas Merceditas para a Ana, ocorreu-me algo assim:


Must have da estação mummy-matchy-matchy*

 
Catálogo burko-laços by Pólo Norte & Friends
 
 
 
(* a seguir aos turbantes do Mãegyver by Friends, já se sabe...)

Eu fui ao Oporto Kids Market- II

Outro fenómeno a que assisti no Oporto Kids Market foi ao das mães se vestirem como as filhas. Não era propriamente terem uma peça a combinar (isso acho giro!) mas as mães vestirem-se como se fossem meninas: com macacões de ganga com fitas de cetim a atarem nos ombros ao género dos fofos dos bebés e vestidos tipo bibes aos quadradinhos com bolsos. Ainda esperei ver alguém de babygrow ou gola à Camões na sua própria interpretação fashion mas eu não percebo nada de moda, como se sabe.
Para além de tudo o mais, ir ao Kids Market fez-me sentir com obesidade mórbida. Sim, porque isto de mães com desculpas de aumento de peso pós parto até a criança ter 5 anos só mesmo em Alcabideche, na minha rua e no número da minha casa. Eu bem vi que havia lá gente que de frente parecia que estava de lado e até me cruzei com a primeira dama da Invicta e mais aquela senhora que namorou com o Ricardo Trêpa e fiquei com uma autoestima do tamanho das coxas delas: magérrima.
De repente, tive uma epifania e descobri a moda das modas que as mães não magérrimas ainda não tinham descoberto no OPK: o burko-laço matchi-matchi.
O burko-laço é a arma mais poderosa na pinha das meninas e protege as suas privacidades e as suas identidades contra malucos, tarados e afins, uma vez que lhes esconde completamente o rosto e é um número acima dos modelos laço XXL. A ver a título exemplificativo:

Ninguém diz que é uma imagem exemplificativa da Ana, pois não?
 
Ora, o burko-laço para além de muito fashion-útil na cabeça das meninas é super giro na cabeça das mães, madrinhas e tias, especialmente quando como é o meu caso, sou uma mega blogo-star fashion e não quero ser reconhecida na rua, especialmente nestes eventos, pois há sempre alguém que larga um "C'orror, estás tão anafadinha!" e não há necessidade.
O burko-laço é uma poderosa arma para a autoestima pois faz as mães menos elegantes terem a cabeça sempre erguida (pudera, com o peso daquilo...) e não serem discriminadas no mundo de pandant da blogo-maternidade.
 
E tu, camarada, tens mais de 18 anos, já és mãe e pesas (só um bocadinho) mais de 50 Kg?
Adquire já o teu burko-laço! 

Isn't ironic?

A minha avó dizia que eu saía a ela: com tanta sorte no jogo como no amor e que isso não era para todas.
Nunca jogo em nada, nunca concorro para ganhar nada mas, a verdade, é que sempre que o faço calha ser premiada.
E como não há coincidências o título do livro do prémio que ganhei fala por si:

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Eu fui ao Oporto Kids Market

E vai-se a ver gostei muito. A Filipa Cortez Faria organiza eventos como ninguém e está já admoestada para um dia organizar o casamento da minha filha, tudo em giro, com bom gosto, sem sobressaltos, tudo perfeito que até faz espécie.
Ir ao Kids Market é mais do que ir às compras: é perceber toda uma dinâmica de mercado de marcas, estratégias de vendas e de desenvolvimento de produtos e, para além disso tudo, é uma experiência sociológica.
A moda é moda por isso mesmo, ainda me lembro do tempo das estatísticas na faculdade, naquela matéria da média, da moda e da mediana. A moda é moda porque é o valor mais frequente de um conjunto de dados e este fim-de-semana confirmou-se.
Estavam centenas de criança na moda e a moda repetia-se, com pequenas variações de stand para stand mas com "valores frequentes", a saber: gola à Camões, laçarote XL no cabelo e meias pelo joelho. Não deixando de ser fashion e mignon e tudo o mais, a verdade é que parece que as crianças foram todas clonadas: gola à Camões, laçarote XL e meias pelo joelho por todo o lado. Encontrar uma menina sem esta indumentária num evento destes é quase um exercício tão hercúleo como encontrar o Wally e eu fiquei aliviada por não ter levado a Ana comigo, pois já aqui falei como ela me deixa mal vista nestas coisas sociais, com golas à Camões todas babadas e badalhocas com açordas de bolacha maria incrustadas, laçarotes sempre a escorregar-lhe da pinha e a balouçar nas pontas dos cabelos até lhe tarapem os olhos, tipo pála à Camões a fazer pandent e pernas roxinhass de frio à custa da má circulação e de uma pele tão fininha que mete dó.
No entanto, como não gosto de me sentir fashion-exluída, assim que voltei para casa voltei a tentar introduzir uma gola à Camões para a miúda porque se não for a bem, Ana, será a mal mas não me vais deixar ficar mal vista neste mundo da fashion-maternidade.

Babete impermeável à Camões




A PROVAR | Broa de Avintes

A Broa de Avintes deveria ser elevada à categoria de património mundial.



(Obrigada Isabel e Marco, pela generosidade e hospitalidade. Na próxima FESTA DA BROA contem comigo!)

Lembram-se do primeiro "Make the Homeless Smile" quadripolar?



Aconteceu.

Não foi bem assim, como o que nos inspirou, por uma série de razões entre as burocráticas, as de segurança e as climatéricas. Mas não deixou de ser inspirador. Muito inspirador.
Durante a tarde de sexta as pessoas foram deixando cobertores, mantas, sacos de cama e roupa no BOA- Bombarda Oficina de Artes (se não conhecem a dinâmica do BOA não sabem o que estão a perder). Quando cheguei e até por volta das 21h30 ainda fui tendo oportunidade de receber algumas das pessoas generosas que ali acorreram e à saída ainda recolhi dois grandes sacos de gente que estacionou o carro em segunda fila, me reconheceu e traficámos, aos primeiros pingos de chuva, cobertores por abraços. Obrigada a todos!
Depois, seguimos para a Rua das Taipas, onde funciona a CASA, nossos parceiros e começou a chover muito. Torrencialmente.
O que se seguiu foi muito emocionante: uma fila ordeira de pessoas à espera da chegada das nossas carrinhas, sopa quente debaixo de um telheiro dada por uma pólete, bebidas servidas por mim e por outra, cobertores e roupa distribuídos por mais três, cafés servidos por outra, pão fornecido pela melhor padaria do Porto (Padaria de Santo António: sois enormes!), uma pólete que ia tirar fotografias e que nunca agarrou na câmara porque aquelas imagens, demasiado privadas e íntimas, testemunhas duma pobreza material mas não espiritual deveriam ser preservadas e não expostas, substituídas por palavras, aqui palavras que valeram mais que imagens, conversa entre todos como se da rua se fizesse uma mesa virtual em redor da qual se trocam memórias, histórias de vida, lamentos e esperanças, vidas cruzadas.
Na sexta-feira passada, cabelo escorrido da água da chuva, roupa colada ao corpo de tão molhada conheci a D. Gracinda que me pediu roupa para os netos pequeninos (e a Ana com tanta...), o Maurício que depois de receber o cobertor só pedia lápis de cor para poder pintar marcadores de livro que vende "para angariar uns trocos", pessoas que preferiam meias quentes a casacos porque o Mundo se percorre de pé e a Fátima e sus muchachos, que oferecem todas as suas sextas-feiras à noite aos que têm como tecto as estrelas.
Na sexta-feira passada eu, a Rosa, a Elisa, a Rossana, a Sandra, a Filipa, a Isabel em nome das várias pessoas que se juntaram à causa distribuímos cobertores em troca de sorrisos. Mas, apesar da chuva a fustigar-nos os ossos, viemos estupidamente aquecidas. Almas quentes e a sorrisos guardados, mesmo que tímidos, que curiosos, que pobres nos bolsos e ricos de vida. Mas agradecidos.

Obrigada a todos!

Das gracinhas que o pai lhe ensinou o fim-de-semana

Ontem, mal entrei no carro, mámen fez questão de me mostrar as gracinhas que ensinou à Ana no fim-de-semana a dois.

Depois de me ter deliciado com o "Miauuuuu!" no timming correcto no final do "Atirei o Pau ao Gato" e de hoje me ter sossegado com os dejectos matinais porque, afinal, a pizza não deu cabo da miúda, achei que as surpresas tinham acabado.

Silly me.

A Ana tem um comboio, oferecido pelos tios Pedro e Inês, igual a este:

 
Uma das particularidades do comboio é que o banco se levanta e serve para armazenamento de brinquedos assim:
 
Aparentemente, esta função é assim interpretada pelo comum dos mortais. Não pelos membros da minha família.
 
Porque, acabei de ver a Ana num exercício fabuloso: mámen ensinou-a colocar o pé dentro do esconso do banco e a agarrar-se à pega, transformando o comboio num maravilhoso skate.
 
Sou capaz de perceber agora de onde resultou a nódoa negra na bochecha. E de fazer queixa dele a quem nos convidou a ambos para entrar no comboio de novidades que aí vem...
 

E o périplo no Porto começou assim

Eu e a minha amiga Sandra ficámos incumbidas de ir comprar uma estante ao IKEA de Matosinhos para o stand da Limetree. Saímos do Palacete Pinto Leite e o GPS decidiu não colaborar, pelo que, perguntámos indicações ao primeiro taxista com que nos cruzámos.
- "Bom, dia, sabe-nos indicar como chegar ao IKEA (iquêá)?
- "Ao quê há, meneina? Num percebo..."
- "Ao I- quê-á. "
- "Ó meneina, isso num temos aqui. Bocêsses saum donde? Lisboua? Debem estar baralhadas..."
-"Sabe, aquela loja de móveis baratos, está a ver?"
- "Ahhhhh! O IKEA (i-quei-ia)! Já podia ter dito..."
(engolindo em seco pela lição de pronúncia sueca dada por um taxista do Porto"- Sim, sim, onde fica, sabe?"
(mão na testa e ar aborrecido)- "Tchiiiii, isso fica muito luonge!"
 
Respirar fundo, passar ao taxista seguinte, e ao transeunte seguinte, e ao condutor de autocarros seguinte e a resposta continha sempre três palavras: "Tchiiiiii!" (a sério, toda a gente faz "Tchiii" no Porto quando tem que dar uma orientação?), "VCI" (lê-se bêcêi) e "Circunvalação" (lê-se circunvalação).
 
Uma hora e meia depois, rotunda do AKI, rotunda do Norteshopping e uns 34 "tchis" depois lá percebemos: em primeiro lugar que estávamos, efectivamente, a 15 minutos do local de partida em linha recta e em segundo lugar que o IKEA do Matosinhos está muito mal sinalizado (custava dizer nuns cartazes que era na saída do Porto de Leixões e sentro do Mar Shopping?) 
 
Já com o tempo contado fizemos as compras a correr e viemos tentar colocar a estante no porta bagagem. Claro que, Deus irónico como é, não colocou nenhum homem nas redondezas para pedirmos ajuda pelo que fizemos um remake daquela cena do fim-de-semana com o morto em versão Expedit.
 
 


Meia hora depois, a estante estava no carro, nós a apreciar a pastelaria refinada da confeitaria Petúlia e a beber um cimbalino: "Porto, se prepare que eu vou-lhe usar!"

E usámos.

Devia ser a única pessoa que ainda não conhecia a Sabrina

~

Mas fiquei "biggifã".

O marido (quase) perfeito

Fui ao Porto e mámen e Ana ficaram, sozinhos, a pernoitar duas noites seguidas sem mim.
Há pouco, quando cheguei, tinha a casa limpa e arrumada, quadros pendurados na parede (estavam por pendurar há meses), fotografias colocadas em molduras que estiveram vazias semanas seguidas, casa de banho limpa, roupa lavada em dia e até (imaginem!) um novo ambientador da Zara Home a estrear.
 
Não tivesse visto uma caixa de pizza no caixote do lixo (e a certeza que a partilhou com a filha), tentado ignorar a nódoa negra que a miúda tem na bochecha ("ah, ela estava a correr atrás de mim e bateu contra a porta mas só chorou um bocadinho") e se ele fosse cirurgião plástico em vez de psicólogo juro que vinha para aqui armar-me em cagona e meter-vos pirraça de que tinha o marido perfeito.
 
Sendo assim, calo-me, fico a morder-me toda para não me armar em mãe histérica e dizer-lhe que aparece morto no Tejo se a bochecha da miúda não estiver melhor amanhã e fico a remoer sobre que porcaria de sabores tinha a pizza, e expectante pelo cocó da manhã da Ana...
 
Sou uma ingrata, é o que é.

Fui ao Porto e voltei...


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

A ver se me passa a neura...

Coisas boas da vida:

- Sushi;
- Partir pinhas com uma pedra e comer os pinhões;
- Soprar com uma palhinha para dentro de um copo cheio e fazer bolhinhas;
- Abrir a boca para as nuvens num dia de chuva;
- Sushi;
- Sushi;
- Assistir a uma crise de soluços de alguém;
- Rir até doerem os abdominais;
- Rebentar aquelas coisas de plástico com bolhinhas de ar;
- Sushi;
- Dormir até se babar a fronha da almofada;
- Beber ginger-ale com gelo e limão bem acompanhados numa esplanada;
- Flirtar;
- Sushi;
- O sabor do sal da água do mar nos lábios quando voltamos à tona de um mergulho;
- O último dia de trabalho antes das férias;
- Sol a aquecer a pele;
- Sushi;
- Sushi;
- Encaixar-se no ombro de alguém e adormecer enroscadinho;
- Sushi;
- Tocar em lençóis passados a ferro com as pernas depiladas ;
- O cheirinho dos bebés;
- Restaurantes japoneses;
- Pauzinhos para comer comida japonesa;
- Sushi;
- Dizer o que se pensa;
- Contracções no estômago quando passamos depressa de carro sobre uma lomba;
- Partir para uma viagem sem planos;
- Ir apanhar fruta e comê-la directamente da árvore;
- Sushi;
- Uma botija de água quente nos pés em dias friorentos,
- Usar lingerie sexy por baixo de roupa enfadonha;
- Cascais;
- Cagar no acordo ortográfico;
- Beber chá verde com hortelã;
- Sushi;
- Spots secretos com as melhores vistas sobre Lisboa;
- Sushi;
- Descalçar os sapatos que nos apertam depois de uma noitada a dançar;
- O estado ébrio;
- Um travesseiro da Piriquita quentinho;
- Sushi;
- O silêncio;
- Não ter medo do caos;
- Sushi;
- Matar saudades de alguém;
- A voz da nossa melhor amiga quando precisamos de a ouvir;
- O olhar de confiança das nossas mães;
- Beijinhos na testa para nos medirem a febre;
- Banhos de espuma;
- Sushi;
- Gente que não é "normal";
- Segredos bons connosco mesmos;
- Gente que é "normal" e conseguimos desnormalizar;
- Covinhas nas bochechas;
- Dizer coisas non sense;
- Pisar o risco do proibído;
- Sushi;
- Procrastinar;
- Escrever textos mentalmente e conseguir transcrevê-los para o papel;
- Sushi;
- Não ter nada que nos preocupe;
- Pensar grande e ter um projecto que nos obrigue a planear viver mais uns anos;
- Cachecóis quentinhos a aconchegarem-nos o pescoço;
- O colo do meu avô;
- Lugares que nos trazem recordações;
- Vozes roucas;
- Sushi;
- Os mesmos doces de Natal na mesa todos os anos;
- A pele do rosto da minha avó;
- Ver a cara de alguém que gosta de uma prenda que acabámos de lhe oferecer;
- Usar óculos de sol glamourosos;
- Sushi;
- Dizer um palavrão cabeludo quando tem que ser;
- Sushi;
- Ter vontade de escrever;
- Beijos bem dados;
- A voz da Ana a chamar-me de "mãe"
- Cafuné;
- Andar de baloiço em parques interditos a adultos;
- Fazer o que não deve ser feito;
- Sushi


- Amanhã voltar a ouvir a pronúncia do (meu) Norte.
...

Diz ele que pelo menos actualizei a minha lista de "eu já". PQP!

Quarta-feira difïcil. Tenho trabalho externo na Moita e assim que chego ao sïtio o segurança pergunta-me de onde venho. Obviamente que lhe respondi "Lisboa" em vez do nome da instituição que represento, o que originou um revirar de olhos tão "dah" que, desconcertados, estacionámos no lugar dos deficientes e ainda estávamos a puxar o travão de mão, já o senhor estava colado ao vidro do meu lado da janela, tal rebarbado quando apanha namorados a pinarem dentro de um veïculo, a roçar-se na porta e a grunhir que não poderíamos estacionar ali. 
Decidimos "desestacionar" e enquanto fazíamos marcha atrás para não atropelarmos o segurança que para ali andava a cirandar batemos num carro estacionado. Muitos vernáculos e papeis assinados depois seguimos, finalmente, para o nosso compromisso, onde permanecemos até ao final da tarde, altura em que voltámos para Lisboa para deixarmos o carro de serviço e respectiva amolgadela. 
Mámen tinha ficado de me apanhar e nunca mais chegava. Liguei-lhe e respondeu-me afogueado que estava na segunda circular com o carro aos solavancos. assim que estacionou o bote para me apanhar, o bote não mais voltou a pegar sem ser aos soluços. A luz que acendia, segundo o manual, era a do catalizador (no idea do que se trata) e a intenção do senhor meu esposo era voltarmos para Cascais aos saltinhos. Claro que, neurótica como sou, fui ler o manual todo, googlei problemas com o catalizador no icoiso e percebi que o pior dos cenários era o carro incendiar. Claro que fiz logo o filme todo, nós esturricadinhos, a Ana no nosso funeral conjunto, a Ana em adulta a contar "a minha mãe saiu da Moita e foi para a Chamusca" e não larguei mais o travão de mão.
Passado uma hora chegou o reboque que pedimos. O senhor perguntou se queríamos que chamasse o táxi da companhia mas eu- estúpida!- achei que era uma boa oportunidade de experimentar andar de reboque e vai de subir para o bicho. E começou a saga.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Ah, as maravilhas de se trabalhar na Zona J...

Estou há meia hora para sair para almoçar. Não posso. Há uma rusga e de cada vez que meto a cebecita de fora da porta há um polícia que me grita "P'ra deeentro!" com voz de comando.
Lá fora uns agentes com bom ar envergando armas. Um manancial de gente encostada a uma parede a serem revistados, parece um verdadeiro código de barras.
Estava eu apoquentada que hoje tinha que ir dar formação para a Margem Sul à tarde...
(Se não voltar, sou capaz de ter levado um balázio. Deixo aqui escrito que não autorizo mámen viúvo a exilar-se com a miúda nos Açores, ok?)

terça-feira, 15 de outubro de 2013

De todas as coisas irreversíveis na minha vida

O baixo ventre com estrias e com a cicatriz da cesariana;
A barriga com  a cicatriz dos dois pequenos furos da laparoscopia;
A pele que já não tem aquela luz dos 20 anos;
Os quilos a mais que se instalaram no pós parto;
Os cabelos que ficaram com jeitos devido às putas das hormonas e deixaram de ser lisos;
Os pés escanifobéticos à custa de operações de correcção ortopédica na infância,
As pernas que se moldaram aos gessos que as cobriam durante meses;
As unhas mais quebradiças e fracas...
 
... eu dou o corpo às balas a todas as mudanças. Assumo-as sem mágoas.
 
Mas, porra,depois de um fim-de-semana em que faço a enésima tentativa para me alambazar com o cozido à portuguesa da minha tia regado com uma boa vinhaça sem ficar mal disposta e cheia de dores de estômago, caguei para tudo o que escrevi anteriormente.
 
O que eu queria mesmo era ter a minha vesícula de volta!


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Nuno Crato, as NEE e vamos todos fazer-lhe um boneco

"No nosso país, se considerarmos um conjunto de variáveis que afetam o desenvolvimento de uma criança com necessidades educativas especiais (NEE), tal como, as atitudes da sociedade em geral em relação à diferença, a falta de consenso quanto a determinados conceitos essenciais para a compreensão dos seus problemas, a falta de conhecimentos que permitam elaborar intervenções eficazes para estas crianças e a falta de recursos necessários para implementar essas intervenções, verificamos que não só as crianças com NEE se confrontam com enormes desafios e com o fantasma do insucesso sempre a pairar-lhes por cima, mas também que os seus pais sentem o peso enorme de um stress contínuo que, tantas vezes, os leva ao desespero ou a um sentimento de incerteza incontornável.
"Nesta matéria, Nuno Crato provou que assim é. Que o sistema educativo não parece voltado para a educação das crianças com NEE ao afirmar, numa entrevista televisiva, que os alunos com NEE seriam uma espécie de "convidados indesejáveis", assim se deduz, reduzidos a uma "questão administrativa" nas turmas onde se encontram "integrados". O ministro da Educação negligencia assim os direitos destes alunos, designadamente o direito a uma educação de qualidade, pautada pelos valores que regem o movimento da inclusão e, fundamentalmente, pelo princípio que a nossa Constituição prescreve, o da igualdade de oportunidades.
O que Nuno Crato não percebe é que a vontade de interação ou pertença motiva-nos a colaborar com os outros e a desenvolver atitudes que levam à defesa dos interesses e dos direitos de quem mais necessita. Diria que este é um princípio indelével que nos torna solidários, mais, que nos torna humanos. Os valores sociais e de cooperação devem projetar-nos para além do individualismo, para além da vaidade e subserviência políticas. Devem remeter-nos para uma consciência de solidariedade, para um sentido de comunidade em que todos nos sintamos interdependentes, conscientes do papel que cada um tem na sociedade onde se insere. Assim, o poder passa a ser, deve ser, muito mais do que a necessidade de dominar, de subjugar, de submeter seja quem for à sua vontade, neste caso, ao sacrifício, no oráculo da educação, de milhares de crianças com NEE. O poder deve ser um espelho da competência, da criatividade, da mestria, da obra e do reconhecimento público de quem o exerce. Nuno Crato, neste caso, não o soube ou não o quis exercer. Inclino-me mais para esta última premissa, pois exercer o poder, no caso da educação de alunos com NEE, significaria fechar cursos de especialização desnecessários em muitas instituições de ensino superior do país, contratar mais professores de educação especial e outros quadros técnicos especializados, reduzir o número de alunos por turma, alocar mais horas para que os professores pudessem, em colaboração, elaborar intervenções eficazes, alterar a legislação, dispensar técnicos superiores do seu ministério que não o estarão a aconselhar devidamente, enfim todo um conjunto de decisões que exigiriam muita coragem. Só que a coragem é inimiga do servilismo. "

In Diário de Notícias

Um grupo de pais de crianças com NEE e de crianças sem NEE decidiu responder à letra e com imagens ao senhor ministro, tendo escrito uma carta aberta ao próprio. Resposta por enquanto nem vê-la. Para lhe mostrar que estes números têm rosto enviam 100 recados de hora a hora como post it.
Conheçam os filhos da minha amiga Sandra e a filha da Marcelina, alguns dos rostos por detrás do movimento:





 
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