quinta-feira, 31 de março de 2016

A CONHECER| Companhia da Traparia

O Luciano é daquelas pessoas- afortunadas- que nasceu com carisma. E esbanja carisma, talento, desenvoltura e boa energia. 

Por isso, quando me apresentou a sua Companhia da Traparia não fiquei surpreendida: do Luciano não se espera outra coisa que não o melhor!

E agora estou à espera que, no Dia da Mãe, um certo marido se resolva a encomendar uns sapatos de quimono para a mãe e para a filha. 




Mámen, não te sintas pressionado, OK?




À leitora do Quadripolaridades que estava hoje às compras num mini-mercado ao pé da esquadra da polícia na Expo...



... confirma-se: era mesmo aquilo! 

Sonhos de ali-bá-bá e os 40 ilustradores

Toda a gente vai ouvir falar (pelo menos até Junho) do desafio semestral do Bairro do Amor.

Uma vez que não conseguiremos pintar os quartos todos onde dormem as habitantes da instituição de acolhimento que vamos humanizar, pensámos numa solução igualmente colorida e inspiradora: pendurar uma ilustração por cima de cada cama.

Muitos ilustradores das networks dos vizinhos Bairro do Amor responderam, de imediato, ao repto e temos já apalavradas as 40 ilustrações, cujos autores podem conhecer aqui!

Chegaram hoje as primeiras sete ilustrações às nossas mães e reitero que sou fã, mega fá, do talento, da criatividade, da inspiração e do traço da Célia e da Susana das Tinimi.

Ora digam lá de V. justiça?



(Podem conhecer um bocadinho mais do trabalho das Tinimini aqui)

Não, ser feliz não é uma escolha.

Em calhando não teres gás para pôr a água a ferver nem comes ovo nem batata cozida, mazé!

Aviso já às pessoas que acreditam que "arrisca-te a viver", "a minha felicidade apenas depende de mim" e apreciam discursos auto-motivadores que este post não é para elas. 

Estamos na era do "ser feliz é uma escolha" e das frases inspiracionais e dos mantras e de mimimi. Educar os filhos para a ideia de "querer é poder" é perigoso e injusto. 

Quando estava a terminar o curso, no tempo dos dinossauros, escolhi estudar a "Teoria da Crença no Mundo Justo" de Lerner e escrever toda a minha monografia em torno dessa teoria aplicada a um determinado grupo de indivíduos. Não vos querendo dar uma estucha de Psicologia Social a teoria, de forma resumida e simples, defende que o ser humano tem uma motivação intrínseca que o leva a acreditar que "coisas boas acontecem a pessoas boas e coisas más acontecem a pessoas más, ou seja, cada um colhe aquilo que merece".  

Por isso, quando nos achamos boas pessoas achamos que coisas boas nos vão acontecer, E que, por essa razão, querer é poder numa lógica de eu sou boa pessoa, logo, mereço coisas boas, logo vou projectar que me acontecem coisas boas, logo, as coisas boas vão mesmo acontecer. 

Do ponto de vista das estratégias de sobrevivência emocional faz sentido que o ser humano desenvolva esta estratégia para sentir que controla o Mundo, para sentir ânimo e força anímica, numa espécie de fé.  Mas não pode, racionalmente, gerir a sua vida com base nesta premissa sob pena de acabar frustrado e deprimido, como se o problema se não conseguir alcançar o que deseja fosse inteiramente seu, vivendo numa culpa e auto-ressentimento sem fim. Querer não é poder. Pode sê-lo, às vezes, quando as circunstâncias e o que não controlamos sopram ventos favoráveis. Mas não é taxativo. 

AGENDA QUADRIPOLAR | Feira sem regras em Coimbra

Quando aqui escrevi acerca do encanto que senti pela dinâmica da Feira sem Regras em Coimbra nunca pensei que, um mês depois, o Bairro do Amor- através das suas vizinhas de Coimbra- estivesse a participar numa. Mas assim será!

No próximo sábado, a partir das 09h da matina, lá estarão as vizinhas Neuza, as duas Danielas, a Paula, a Joana e as três Anas (connosco é tudo à grande!) com a primeira banca sem regras do Bairro do Amor.

Será épico: teremos à venda livros autografados da minha querida amiga Joana Roque, broa e bolo de chocolate da avó celeste da Ana Mingatos, livros, muffins de ananás da Daniela Neves, DVDs, bijuteria, malas, roupa, peluches, bolinhos de canela em saquinhos feitos pela Daniela Braz, sacos com batatas e  limões do quintal da avó da Paula Ascenção e cacarecos vários. 


Para além de todo o espírito bairrista que já arrancou com a preparação da Banca solidária o melhor de tudo isto é que todo o dinheiro angariado com esta venda reverterá a favor do desafio semestral do Bairro do Amor (podem conhecê-lo melhor aqui). 

De que estão à espera para nos visitar? Apareçam, deixem-nos um sorriso, tirem fotos connosco, gritem: "O Bairrrroooo é lindo!" 

Ana e as questões temporais de higiene

O "avô" vai buscar a Ana à escola e começa a apertar-lhe as bochechas e a lambuzá-la de beijinhos. 

Ana- irritada com a peganhice- reaje:

-"Pára, avô! Estás a sujar-me toda e eu acabei de tomar banho ontem..."

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quarta-feira, 30 de março de 2016

O mundo divide-se entre...

... as pessoas que têm códigos PIN dos cartões mutibanco com a combinação de dia/mês ou dia/ano de uma data especial e as outras.

Veio com três anos de atraso mas mais vale tarde que nunca

Como tenho problemas (sérios) de coluna só dou colo à Ana ou quando estou sentada ou quando estou parada. Não há cá colo enquanto caminhamos, enquanto andamos às compras, enquanto fazemos o que quer que seja que implique movimento.
A Ana habituou-se a este facto e, sempre que acusa cansaço e precisa de um colinho reclama-o junto do pai. Se estamos sozinhas pede para pararmos e descansarmos um bocadinho. Por isso, quando vi a minha amiga Raquel com o seu "selim-de-anca" (como baptizou mámen) fiquei logo fã!
E ontem a Raquel ofereceu-me um exemplar desta oitava maravilha da materno-natureza e eu estou feliz, feliz da vida. Sim, a miúda tem 3 anos e boas pernas e já devia ser auto-suficiente, não pedir colo e ainda andar ao pé-cochinho e o Diabo a quatro. Sim, eu tenho uma anca larga e já que não fiz o obséquio de parir por parto vaginal tenho mais é que dar a anca ao manifesto.
Mas, sabem que mais?  Já temos planos para hoje depois do trabalho e do jardim-de-infância irmos sassaricar ao shopping para estrear o meu selim-de-anca e o resto é conversa!

 

Expressões quadripolares#1


Créditos da expressão: minha amiga Matilde 

Agora já se pode dizer sem ser em sussurro



Vou ser tia. Não ponho aspas porque os filhos das minhas melhores amigas são meus sobrinhos sem aspas, sobrinhos carregadinhos de amor, sobrinhos sem metáforas, sobrinhos substantivos por direito próprio. 
Vou ser tia e já gosto muito deste sobrinho que me ajudou a mim e à mãe dele a reencontrar um caminho comum, onde as diferenças que entretanto amplificámos voltaram a ser apenas diferenças, visões diferentes do Mundo para permutarmos quando as certezas nos toldam a lucidez e as opiniões auto-centradas nos fazem transbordam de nós próprios e não caber aqui nada mais. 
Vou ser tia, depois de seis anos em que esperávamos uma notícia, uma chamada de skype, um telefonema inter-continental a anunciá-lo, depois de muitos sacrifícios, muitas hormonas, muitos procedimentos clínicos e, já para o fim, muito silêncio como se ao não falarmos das coisas elas tivessem o condão de não magoar, de não existir. 
Vou ser tia e ouvi o coração do meu sobrinho no CTG, cavalo indomável, príncipe-corsário-rei-pirata. Vou ser tia e vi a silhueta dele num monitor ecográfico e chorei, pela primeira vez, com um bebé numa barriga que não a minha, um bebé especial não porque o esperámos muito, tanto, não porque é (como todos os nossos bebés) um bebé comunitário, não porque é filho dela, da minha melhor amiga, mas porque é ele, o meu sobrinho sem aspas, não outro qualquer, aquele que chegou neste tempo e neste espaço, para nos trazer a todas um terceiro Agosto feliz. 
Um sobrinho A(o nosso)gosto. 
Vou ser tia e estou muito, mas mesmo muito, feliz. 

terça-feira, 29 de março de 2016

Tenho saudades



De fazer uma refeição sem ser interrompida. De fazer uma viagem longa de carro a ouvir música que gosto. De acordar, tomar um duche e despachar-me em meia hora. De ter escritório em vez de quarto de brinquedos. De tomar o pequeno almoço a ler as notícias em silêncio. De ver o fundo do balde da roupa suja. De não ter que fazer sopa todos os dias. De estranhos não me chamarem "mãe" só porque tenho uma filha. De não ter medos. Da minha barriga há 4 anos e meio. De dormir profundamente sem um inconsciente e instintivo estado de vigília permanente. De poder dizer palavrões livremente. De ter o canal de televisão ligado mais do que 10 minutos seguidos num canal de adultos (mas de adultos de verdade, não de adultos modo pornográfico!). De sair à noite sexta, sábado e domingo seguidos. De fins-de-semana românticos sem a sensação de que falta alguma coisa como quando saímos de casa e temos a sensação que nos esquecemos do fogão ligado.  De não fazer ideia de quem é a puta da Elsa (estou farta dela, ando em elsoverdose há dois anos!). De viajar sozinha sem ter medo de que o avião caia, o comboio descarrile, o automóvel embata num choque frontal e eu morra. De me servir da travessa em primeiro lugar. Do sex-appeal que uma mulher sem filhos representa para uma empresa. De entrar na Zara e não ir à secção de criança. De não ter toalhitas, chuchas, ganchos, pinypons e porcarias várias que não me pertencem dentro da mala. De me sobrar dinheiro ao fim do mês. Da minha mãe me perguntar como estou quando me liga ao invés de perguntar "como está a menina?". De procurar destinos para as férias sem me preocupar com a segurança. Do meu fabuloso sistema imunitário pré-parto. De não comer restos. De acreditar que iria ser mãe de 4 filhos e que seria tudo fácil e idílico. De procurar restaurantes e borrifar-me para a cena child friendly. De não ter brinquedos em todas as divisões. De ter os estofos traseiros e o chão do meu carro limpos. De poder combinar coisas durante as tardes de fim-de-semana sem me preocupar com as imprevisíveis horas da sesta. De não me sentir tão vulnerável. De reclamar com a conta do crédito do carro, achando-a escandalosa e sem saber o que representava a conta de um jardim de infância particular. De silêncio. De ser apenas filha e, por isso, menos adulta. Das minhas horas terem, efectivamente, 24 horas. De escrever um post ser ser interrom.. 

Faz sentido analisarmos isto e colocarmos algumas coisas em perspectiva





Os filhos dos meus amigos podem não ser melhores que os dos vossos, mas terão certamente um sentido de humor mais peculiar # 5

Fomos ao workshop de ilustração de Dia do Pai com duas amigas queridas: a Margarida e a Rita. 
Chegados ao colégio, já sentados e prontos para dar início aos trabalhos, a Margarida chama a filha Laura (da mesma idade e grande amiga da Ana):

Margarida: "Vá Laura, vamos lá desenhar o pai!"

Laura: "Mãe, podemos antes desenhar o John Lennon?"

...

...

...

"Felizmente há Luaty"







segunda-feira, 28 de março de 2016

Até me pode rapar o cabelo, benz'óDeus!

Aquele dia em que adicionas o teu cabeleireiro no facebook e reparas que ele também é cabeleireiro do Albano Jerónimo. E do José Fidalgo.


Ah, santas mãozinhas!

White mum's problems



De repente ali estava eu. Trancada dentro do carro, no estacionamento do supermercado. Janelas como os olhos:  ambos fechados. O mais profundo e apreciado silêncio. 
Há sempre uma certa culpa em nos queixarmos dos filhos. Ou, então, sou eu que não sei lidar com a culpa materno-judaico-cristã que me persegue. Custa-me queixar-me dela, custa-me admitir que às vezes fico tão cansada, e não é do trabalho, de casa, é mesmo dela, sinto desconforto em reclamar em voz alta como se não tivesse o direito de acusar este cansaço eu, com um casamento porreiro, com um marido que é pai na mesma proporção que eu sou mãe, com uma rede de apoio familiar fabulosa, mãe de filha única, no fundo, uma privilegiada. Só que fico. 
Depois penso nas mães solteiras, nas mães com um rancho de filhos todos seguidinhos, nas mães cujos marido não participam equitativamente nas tarefas do dia-a-dia das crianças, nas mães emigradas e sem rede de apoio familiar ou social, nas mães com filhos não saudáveis e dependentes, nas mães com filhos com doenças terminais à cabeceira das suas camas, mães sem terem nada para dar de comer aos filhos, mães refugiadas a transportar filhos bebés em botes e sinto aquele bichinho da culpa. Se há "white people's problems" eu acredito que também existem "white mum's problems".
Às vezes -muitas vezes, tantas que não digo a ninguém-  fico ali a moer a culpa deste cansaço e depois lembro-me dela não querer levantar-se, da otite, de não querer aquelas calças, da gastroenterite viral, de reclamar que saias castanhas são para rapazes (reviro os olhos!), de não querer lavar os dentes, de não querer parar de comer pasta de dentes, de querer torradas com pão aparado, mas agora já não quer torradas, quer cereais com leite, ah, afinal sem leite, não quer o cinto da cadeirinha do carro,não quer sair da cadeirinha do carro, não quer dormir a sesta, reclama por mais um episódio do Jake e os Piratas, não tem sono, adormece, a sesta passa num esfregar de olhos, depois não quer acordar da sesta, não quer sair de casa e ir visitar a avó, quando a vou buscar não quer sair da casa da avó, não quer ir para o banho, não quer shampoo no cabelo, não quer sair do banho, não quer vestir o pijama da Dra. Brinquedos, o da Frozen está para lavar, mais choro, mais reclamações, mais birras, não quer o jantar no prato cor de laranja, só bebe a água no copo cor-de-rosa, tens que comer proteínas e vegetais e fruta e tudo, mais estratégias para lhe dar a volta, não quer ir para a cama, quer só uma história, só mais uma, mais nove, adormece e é fim-do-dia, sábado e eu só me apetece deitar-me no sofá com tudo às escuras em silêncio- porque é sábado, é um privilégio. 
E depois quando é dia de semana, como hoje, deixo-a um bocadinho na minha mãe e venho ao supermercado e revejo tudo isto na minha cabeça e os dias são assim, a correr e cansados, com birras e lágrimas de crocodilo, com negociações constantes e "não queros" mais a culpa judaico-cristã e a psicologia positiva e as mindfulness things do não se berra e não se bate e sou uma mãe racional mas...

... é segunda-feira e estou exausta, de olhos fechados no estacionamento do supermercado, trancada no carro, numa espécie de sessão de mummy meditação mas sem cânticos mantras de "oooooommm" e com um ar alucinado e vontade de enfiar uma pastilha no bucho e dormir até ela atingir a maioridade, numa espécie de "mãe adormecida".

Só por causa das tosses hoje levo lasanha congelada para o jantar. 

Que se foda!

Entretanto conhecemos uma escola que é a cara da Ana. A 30 Km de distância.

O colégio Piloto Diesel fica na Gago Coutinho e eu tinha uma curiosidade enorme de a conhecer. Primeiro porque lá trabalha a Marta, grande dinamizadora do MEM e autora deste blog, que sigo atentamente há muito tempo. Depois porque o edifício antigo e imponente me chama sempre a atenção quando passo por lá. E depois  porque tem o meu parque preferido de Lisboa mesmo ao atravessa da rua, uma benesse espectacular!
E lá fomos: salas amplas e luminosas, espaços desimpedidos e com boa energia e a

Era uma família muito engraçada, não tinha planos para o fim-de-semana de Páscoa nem nada...

Há filhos que trazem desenhos do Jardim de Infância para casa.

A minha traz gastroenterites virais.



(E partilha-as generosamente com a mãe.)




domingo, 27 de março de 2016

Sabes que andas a ver Masterchefs, Masterchefs Juniors e Masterchefs All Star em demasia quando...

...ao preparar o pequeno-almoço, na tua própria cozinhas, te cortas e gritas: "Enfermeiro!" enquanto espetas o dedo em riste.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Quem nunca sonhou com os livros das Gémeas?

Teria uns 10, 11 anos a primeira vez que li um exemplar de "As Gémeas no Colégio de Santa Clara". Devorei todos os seguintes e ainda o "Colégio de Santa Clara". Não sei se era só eu que desejava, secretamente, que a minha mãe enriquecesse e me inscrevesse num colégio interno onde poderia viver todas aquelas aventuras.  Mas depois, cruzava-me com as alunas de um colégio interno aqui na zona e nenhuma delas tinha aquele ar aventureiro e curioso. Talvez na vida real, para além dos livros, as coisas não fossem bem assim. 

25 anos depois a Marta- minha amiga e madrinha do Bairro do Amor Porto- decide avançar com a ideia maluca da primeira Children Street Store no Porto. A equipa do Bairro do Amor adaptou o conceito e tornou o evento um bocadinho diferente: convidou instituições de acolhimento do grande Porto a virem fazer as compras e montou, literalmente, uma loja pop up na Quinta da Bonjóia. O evento, que contou com 120 crianças e jovens de 11 instituições foi um sucesso tão grande que o repetiremos, com o apoio oficial da Câmara Municipal do Porto que se tornou nossa parceira neste evento, novamente no final deste ano. 

Isto tudo poderia ter ficado por aqui e voltaríamos a rever algumas caras na próxima Children Street Store se uma das instituições não nos tivesse convidado para a sua festa de Natal, a que comparecemos com alegria. Percebemos, in loco, não porque nos tivessem pedido nada, mas porque vimos com os nossos olhos, algumas necessidades daquele Lar. 



Ao falarmos com as raparigas (a instituição acolhe apenas meninas e tem, neste momento, 39 residentes entre os 09 e os 21 anos) confidenciaram-nos alguns desejos consumistas pouco comuns em crianças e adolescentes daquelas idades: aquecedores (tinham tentado angariar valor para 4 aquecedores com rifas mas não tinham tido sucesso), tapetes para os quartos (diz que faz mesmo frio no Porto e de manhã é um martírio) e quadros de cortiça para poderem personalizar um bocadinho os seus quartos. "Só isso?"- perguntou-lhes a Marta. "Isso é o que precisamos!"- responderam humildemente. 

Numa primeira instância, com a ajuda preciosa da Vera e da Miriam, conseguimos angariar em 23 minutos o montante para comprar os aquecedores e em poucos dias a Marta fez chegar ao Lar a primeira necessidade básica. As meninas agradeceram, felizes, como se estivesse a receber um bilhete para o Rock in Rio. Eram aquecedores. Quatro simples aquecedores. 

 

Depois? Depois o Bairro do Amor está cheio de gente que acredita que quer fazer mais, que junta pode fazer mais e melhor e a magia... começou a tomar forma. ´

quinta-feira, 24 de março de 2016

Entretanto...

Ana regressa da escola eufórica, Conta que uma das colegas comemorou o aniversário, levou bolo e que ela o comeu. 

Ao ver-me intrigada porque sei que não gosta de doces, ela apressa-se logo a justificar-me:

"Mãe este bolo eu comi porque era aquele meu bolo preferido, sabes?!"

"Que bolo, Ana?!"

"Ah mãe: o pão de Lopes*..."

...

...

...


(*pão de ló)

Quando um filho está infeliz, nada mais importa



Imagem: Desfigura (um dos artistas que colaborou no desafio semestral do Bairro do Amor)


A primeira luz pelas frestas dos estores e as manhãs a sucederem-se. O despertador a tocar uma, duas, três vezes intercalado com movimentos bruscos para o calar. Ele a acordar primeiro que toda a família, gosta assim. Oiço-o na cozinha a beber o seu café da manhã em silêncio e a fumar o cigarro proibido, antes de eu resmungar que lhe faz mal, antes da miúda fazer coro comigo. Depois, uma a uma, acorda-nos. Desperta-nos. A cada uma da maneira que sabe que nos aborrece menos (temos ambas mau acordar). Começa o barulho e a correria. O pequeno almoço partilhado, eu a vesti-la e a calçá-la, ele a penteá-la, ela gosta assim que cada um tenha as suas tarefas, a mochila feita de véspera a tira-colo, melhorámos os nossos tempos das corridas da manhã, diminuímo-los para metade desde o início do ano lectivo, vamos a cantar até ao Jardim de Infância. 
 Saímos de casa, agora, sempre a tempo de chegarmos a horas como se as horas finalmente se tivessem acertado com as vontades e as emoções. O pai veste-lhe a bata à entrada, arranjo-lhe o cabelo e dou-lhe um beijo na palma da mão que ela encosta, de imediato, ao coração, numa espécie de amor de reserva que ela guarda naquele gesto para quando sente saudades de nós: eu e ela, nós numa cumplicidade sem fim.

terça-feira, 22 de março de 2016

Hoje Bruxelas

"Já foram ditas todas as palavras para salvar a Europa. Só falta salvá-la!"

Nuno Rogeiro parafraseando Almada Negreiros

domingo, 20 de março de 2016

Dia das madrinhas

A "madrinha da Igreja" não era a minha madrinha da baptismo. A madrinha da igreja era a madrinha de todos nós: mãe e tios e minha também, por afinidade. Madrinha de todos os filhos da minha avó: uns por baptismo, outros de crisma, outros de casamento, e, de caminho, ainda tinha sido parteira de, pelo menos, dois deles. 
A "madrinha da igreja" era assim chamada não porque fosse fervorosa devota mas porque via junto ao adro, na "casa da cruz", uma casa emblemática do sítio onde vivemos. 
A "madrinha da igreja" chamava-se Ana (como quase todas as mulheres da minha vida) mas nunca ninguém a referia assim. Era a "madrinha" nome próprio para todos nós. 

sábado, 19 de março de 2016

Spice dads

Um grande bem haja ao Mámen, ao Paulo e ao Pedro que escolheram como mães dos seus filhos três tipas que decidiram ir celebrar o dia do Pai na cantina da Comunidade Hindu de Portugal
Começou por ser um almoço para "Spice dads". 
A avaliar cá por casa percebeu-se, agora à noite, a experiência de almoço detox de dia do Pai que tivemos.

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Presentes do Dia do Pai

Sabem aquelas mães que oferecem aos pais dos filhos presentes daqueles que elas próprias queriam para si e que irão meter a unha assim que possível? Sabem aquelas mães assim mulas mesmo?
Acuso-me!

Eu ajudei a Ana nesta compra. Comprámos no LIDL e já nos divertimos muuuuito a fazer massa de todas as formas e feitios. Agora estamos é em sério risco de nos tornamos numa Garfield-family mas isso agora não interessa nada! :P
 
A Ana foi ao IKEA e escolheu o arquivador o que denota uma elevadíssima capacidade de atenção ao detalhe. Ou talvez não, o pai é tão desorganizado com os papéis que qualquer criança de 3 anos percebe mesmo qual o presente ideal!

O espaço vazio



Passei, exactamente, vinte e quatro dias do Pai neste vazio. O último que comemorei tinha oito anos e era um dia bonito de Primavera, lembro-me bem, ou talvez seja esta fotografia- em que, sentada numa cadeira de rodas, carrego o último presente de dia do Pai que teve destinatário- que mo lembre. 
A partir daí sempre o mesmo suplício quando Março trazia este dia, sem ninguém que o fizesse ganhar sentido ou forma, sem ninguém que fosse a razão de o celebrarmos, este dia, o dia em que o calendário ficava vazio de mim, espectadora da celebração. 
Não é fácil crescer assim, fugindo à norma e à maioria, não nos juntando ao sentimento colectivo, não tendo razão para fazer trabalhos bonitos na escola primária, não tendo mãos para receber presentes à chegada a casa, não tendo, já adulta, compromissos de almoços ou jantares com o pai. Fica, assim, uma espécie de vazio que, no meu caso, durante anos tentei preencher avidamente com quem estava disponível e o mais preparado possível para "fazer a vez". 
O meu avô foi, de facto, o melhor avô do Mundo mas nunca conseguiu ser o meu pai. Não é possível que um avô seja pai, não acredito nisso. Um avô pode amar até ao infinito, pode ser uma referência masculina, pode exercer um modelo parental mas um avô é um avô, tem um tempo e um espaço geracional que o separa de nós e isso não é mau- na maioria das vezes é até o que faz os avós mais doces e pachorrentos, mais apaziguadores com os modelos de educação e mais flexíveis, mais amorosos e emocionais, a saber amar com a intuição e o empirismo seguro que não está acessível aos pais. Não me interpretem, por isso, mal nem me vejam como ingrata: o meu avô foi o melhor avô do Mundo mas não podia, nunca, ter feito a vez do meu pai ou aspirado a substituí-lo. 
A minha mãe foi, igualmente, a melhor mãe do Mundo. Às vezes oiço mulheres como a minha mãe dizerem que "foram mãe e pai",  também já cheguei a pensar isso da minha, assumo. Hoje não creio nisso. A minha mãe nunca fez a vez do meu pai nem nunca "foi mãe e pai" pela única razão de que essa responsabilidade, essa tarefa, esse papel, o de pai- o de meu pai- só poderia ter sido desempenhado por uma única pessoa, aquele homem que se foi embora e desistiu da parentalidade, a confundiu com conjugalidade, que entregou a gestão da minha vida, da minha educação, da rega do meu amor à minha mãe, que é, de facto, a melhor mãe do Mundo mas que, por motivos óbvios, nunca poderia ter tido a responsabilidade, a ousadia, a pretensão de ser pai. O meu pai. Aquele pai. 
Durante anos tentei preencher este espaço vazio ora com o meu avô ora com a minha mãe, numa tarefa inglória e injusta, conturbada e frustrante. 
A verdade é uma: o meu pai não soube ser pai e constato-o hoje, sem mágoas nem rancores, sem recalcamentos ou raiva. Com algum lamento e pesar pela filha do pai que eu gostaria de ter experimentado ser (e alguma curiosidade de como teria sido) e pelo pai que ele poderia ter sido se as vontades, a motivação, a predisposição e as circunstâncias o tivessem permitido. Só que não. 
Não tenho o melhor pai do Mundo, nunca o terei. Aprendi a viver bem com esse facto como uma árvore que cresce amputada mas que cresce, que ganha troncos e flores, que vê assistir, com espanto e serenidade, aos primeiros frutos. 
Hoje, muitos anos depois, e após de ter escolhido o melhor pai do Mundo para a minha filha, estou em paz. Em paz porque, não foi minha culpa, não foi minha responsabilidade, em nada contribuí para o falhanço do meu pai como pai. Em paz porque me tornei em alguém que fez as pazes com o passado e todos os dias gosta mais do presente em que se tornou o presente e sente esperança e alegria no futuro em que acredita, Em paz porque não tenta encaixar nada nem ninguém no espaço vazio que ele deixou. Já não é preciso. Sei quem sou e porque sou. 
Celebro, hoje, o dia do Pai em mim. Celebro, hoje, este espaço vazio que o meu pai deixou. E a segurança de que não preciso que ninguém o preencha. E a certeza de que ele ficará vazio para sempre, sem tristeza nem lamento. Porque este espaço vazio lembra-me quem sou, no que me tornei, recorda-me do melhor avô que nunca aqui conseguiria encaixar por ter outra forma, ser outra figura geométrica do meu amor. Lembra-me da melhor mãe do Mundo que é tão grande que neste espaço nunca poderia caber.
E lembra-me da serenidade do tempo, dos 24 anos passados a tentar preenchê-lo em vão e da aceitação de que há espaços vazios que assim têm que permanecer, com todas as memórias não concretizadas do que poderiam ter sido, com todo o vazio e silêncio que sempre ficou. Não é preciso preenchê-lo. Já não.
Este espaço vazio construiu a minha identidade, trouxe-me certezas e reconciliações, aceitação e paz. Este espaço vazio está cheio de mim. Este espaço vazio lembra-me como cheguei aqui, quem sou e porque o sou. Talvez tivesse sido uma pessoa diferente se o espaço tivesse preenchido, talvez com mais memórias positivas, com mais âncoras positivas, acredito que feliz. Mais feliz? Não sei. Diferentemente feliz.
Este espaço vazio lembra-me o que me custou chegar aqui a este ponto cardeal da minha vida. Hoje resolvida e feliz. Mesmo feliz. 

segunda-feira, 14 de março de 2016

Dentro de momentos



"Maijomenos" assim.


Dramas de segunda-feira de manhã

Parti um dente. 
Tenho a língua toda cortada de passar no dente partido e que ficou com uma ponta que parece uma lâmina. Tenho a língua em chagas. 
Hoje falo na televisão. 

Agora o dilema: não vou já ao dentista e logo à tarde falo como se tivesse tido um AVC grave ou vou já ao dentista e sujeito-me a que me dêem uma anestesia e logo a tarde falo como se fosse uma pessoa com o freio da língua preso, com fenda palatal, sem céu da boca e que ainda por como cima teve um AVC?

Um AVC grave, já disse?

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sexta-feira, 11 de março de 2016

A identidade nacional da Ana

Ana no parque a brincar com uma menina mais velha. A menina pergunta-lhe o nome, a Ana responde e pergunta o da nova amiga e começam em amena cavaqueira.

- Ana, tu és inglesa ?
- Não.
 - Então és portuguesa ?
- Sim, sou portuguesa mais ou menos porque o meu pai é açoriano!

...

Depois fico doente e penso que, de facto, cada qual tem o marido que merece



Não participo em nenhum grupo de facebook para além dos que dizem respeito às minhas actividades de voluntariado. Regra geral não tenho pachorra para perguntas idiotas sobre urgências pediátricas de mães para mães ao invés de consultarem os pediatras dos filhos, de donas de casa que pedem conselhos para a ementa da ceia de Natal (é bacalhau, polvo ou peru, minhas solhas!) ou pessoas que querem comprar coisas online e não lêem as legendas das fotos. Há uma ou dos excepções onde permaneço à data deste post. Aconteceu num desses. 

Um grupo de facebook onde uma das participantes desabafava que estava possessa com o marido porque lhe tinha encomendado determinado artigo e ele trouxera do supermercado um análogo, mas de marca, que custara o quintuplo do preço.

Segue-se um chorrilho de comentários solidários, ali como numa mesa de café ou numa paragem de autocarros, sempre muito semelhante,  sempre muito estereotipada, do tipo "ah, o meu é igualzinho!", "se o meu fosse às compras todos os dias estaria falida!", "o meu é tão mau a fazer compras que nunca me passa pela cabeça pedir-lhe sequer que o faça", "se for sozinha despacho-me muito mais depressa e gasto muito menos", seguindo-se, sem excepção, de comentários assentes em generalizações abusivas como "pfff, homens!", "homens, não se poide viver com eles, não se pode viver sem eles", "se queres fazer uma coisa bem, fá-lo por ti mesma",  "xinapá, homens nas compras é um perigo" e, finalmente alguns "Ah eu já desisti!".

Não resisto e comento.

A Catarina tem razão

"Como me acontece quase todas as semanas fui contactada para dar umas sugestões para uma revista destinada a turistas em Lisboa. A partir de agora é isto que vou responder a este tipo de inquéritos:

 Cara xxxxx,

 Aqui vai a minha resposta que talvez não seja bem o que queria mas é o que o que a minha consciência neste momento de fúria me dita.

 O que eu gostaria de recomendar:

 Restaurante Palmeira ( fechou em novembro para dar lugar a um projecto de alojamento turístico)
Mercearia Alves (em processo de despejo para dar lugar a um projecto "que ainda não sabemos bem o que será" mas aposto que acabará em alojamento turístico).
Loja da Fábrica de Sant'Anna (em processo de despejo para a construção de um hotel)
Jamaica ( em processo de despejo para dar lugar a um hotel).

 Como quando sair a revista nenhum destes espaços deve existir, sugiro então:

 Macdonald's chiado ( a abrir em frente à Brasileira)
Starbucks da estação do Rossio
E para comprar souvenirs talvez a Zara (ou qq outra loja do grupo inditex que ocupa metade da artéria comercial mais chic de Lisboa, a Rua Garrett) ou as lojas falsas de Bangladeshis na baixa de Lisboa que vendem belíssimas recordações feitas na China (na realidade são um negócio de imigração ilegal ).
 Ah, e não se esqueçam de comprar azulejos antigos roubados na feira da ladra até eles desaparecerem das fachadas dos prédios de Lisboa que acham tão típicos.

 Se o turismo serve para destruir a cidade que eu amo, então gozem as suas consequências.

Só não sei porque não ficaram em casa - de certeza que tb têm lá muito disto. Qualquer questão ou dúvida sobre isto, pode ligar-me. Obrigada Catarina Portas"

na página de facebook da Catarina Portas

À Rosa.



[Conheci-te com a sensação estranha de te reconhecer num encontro que soube a reencontro sem nunca te ter visto antes. Não, não me acontece frequentemente. Sou distraída e caótica, ligo a pormenores insignificantes e não reparo em elefantes dentro de uma sala. O teu sobrenome não me dizia nada, não se fez nenhuma espécie de click e atribuo até a alguma burrice não me ter sequer questionado se haveria alguma relação entre ti e aquele que todos sabemos. Sou má de nomes, de apelidos, de horários a cumprir e de timmings para arrancar com projectos. Sou caótica e cheia de ideias, quero concretizar tudo e perco-me nos planos, frustro e sigo em frente. 
Aquela notícia no jornal também não me dizia nada. Não sei o nome das mães das pessoas de quem gosto, admiro ou reconheço. Não procuro saber mais sobre elas do que o que elas me contam ou do que as vivências em comum me permitem, ocasionalmente, saber. Não percebi de imediato que a vassoura que voou para o sítio onde vivem as bruxas boas era dela, tua também. Sou má a dizer que lamento, fico sem jeito mas sinto-o. Não fui capaz de te dizer, escrever nada de jeito e fiquei a remoer até hoje. Não que sintas falta das minhas palavras em concreto, sou apenas uma pessoa que te reconheceu sentada num banco de madeira a contemplar a franja curta e os olhos compridos, a barriga cheia de graça. Há poucas pessoas que reconheço, como há poucas pessoas em cuja pele desejaria morar- um dia que fosse- para saber como é ser-se assim plácida e etérea, criativa e estruturada, cheia de si com toda a sua graça em esplendor. 
Depois ela disse-me "não sabes? é neta de sincrano, filha de fulana", com um ar muito admirado, mas eu sou mesmo assim não sabia, não to soube dizer que triste fiquei quando soube da vassoura que voou, não por ser a vassoura de quem era, mas por ser a vassoura de quem era a ti. E fiquei feliz por seres para mim apenas tu, rosa em flor, que sustenta a raiz e o caule de quem foram os outros a quem te julgam pertencer sem se lembrarem que agora também pertencem a ti, de igual forma, com igual força, porque tu és tu. 
E depois nasceu ele e eu não te soube dizer como sorri ao vislumbrar o pequeno rosto naquela fotografia no facebook e como fechei os olhos e lhe desejei coisas boas, vida augusta, irmãs felizes, pais mais completos, como um pomar de frutas estrambólicas, frutas feitas com agulhas grossas, fios de lãs quentinhos, frutas com cheiro a bebé novo, a estrear.
Queria ter-te escrito algo bonito desde Janeiro e nunca o fiz, estava tudo aqui na minha cabeça, acabei do o ditar agora para os dedos a baterem no teclado. Não sei se alguma vez o lerás. Deixarei que o destino ou o acaso decidam se um dia lerás ou não este post, certa estou que não to reencaminharei. Não me sinto à vontade para to fazer chegar. Afinal, sou apenas uma pessoa que te viu uma vez mas que te reconheceu a ti e à tua capacidade de fazeres com que uma estranha se importe contigo e te deseje, em sussurro, novelos de coisas boas sem fim. ]

quinta-feira, 10 de março de 2016

PROGRAMA QUADRIPOLAR | Speed date com Coimbra

Já não ia a Coimbra com olhos de ver há muitos anos (demasiados). Ou tenho ido em trabalho em versão expresso ou fui num fim-de-semana era a Ana acabada de nascer para aproveitar uma estadia num Hotel maravilhoso e de lá não saí o tempo tempo a descansar e a ser mimada ou Coimbra era escala de estrada para outros destinos. 
Voltei no sábado, a pretexto de uma reunião com as Madrinhas a Norte da Bobadela do Bairro do Amor. Não vi todas as pessoas que queria (e queria muito rever a minha Joana, visitar a Catarina e a escola DNA, dar um beijo à Vera) mas, ainda assim, acho que tive  5 experiências bastante giras para uma visita express a Coimbra. 

A saber:

1- Tomar o pequeno-almoço na esplanada da cafetaria do Centro Interpretativo do Mosteiro de Santa a Clara-a-velha



Não era a minha primeira vez naquela esplanada e eu cá gosto de voltar aos sítios onde já fui feliz. 
A cafetaria do Centro de interpretação estava vazia das duas vezes em que a visitei e tem para mim, uma das melhores vistas da cidade. É ampla e simples, inspiradora e secreta, espaço de refúgio e de segredos. Reuni com a Marta enquanto nos deliciávamos com umas Clarinhas (doces típicos ma-ra-vi-lho-sos!) e o não demos pelo tempo passar.  Coimbra tem aquela coisa boa de ainda não estar engolida por turistas, de se ainda conservar muito para os coimbrenses, de ser virada para dentro sem deixar de abraçar quem vem de fora.
Se vivesse em Coimbra e precisasse de um sítio calmo e tranquilo para trabalhar fora de casa, da esplanada menos despretensiosa e, ainda assim, mais cool de todas, era sempre aqui que viria. 

2- Almoçar num restaurante típico de Coimbra

Não há sugestões melhores que as dos "nativos", pelo que, quando a Diva, excelsa leitora deste blog me disse que eu ia ser bem-servida no "Pancinhas" não hesitei um minuto e pus-me a caminho entre ruas e ruelas da cidade dos estudantes. 
O Pancinhas estava cheio, e não era cheio daquelas pessoas trendy e todsas fashion-coiso. Estava cheio de mesas com famílias inteiras o que, por si só, é preditor da qualidade da comida e da simpatia dos preços. Não nos enganámos: eis um verdadeiro restaurante bbb!
Pedi uma dose que daria para o meu almoço e jantar daquele sábado e do domingo seguinte. A vitela no forno estava no ponto, tenrinha e suculenta e a simpatia do dono do restaurante foi um bónus que já é difícil de encontrar nos restaurantes das cidades grandes. 
Fica na Rua da Figueira da Foz, 150, em Coimbra. 

3- Deambular na Feira sem Regras de Coimbra


Créditos Fotográficos: Coussier


Diz que acontece no primeiro sábado de cada mês  e fica ali no Parque Verde, contíguo ao Convento Velho de Santa Clara e Avenida Inês de Castro, ladeando pelo lado sul a Avenida João da Regras, de onde herdou o nome.
O conceito é simples: procura-se todas as quinquilharias de que nos queiramos ver livre ou artesanato que produzamos, monta-se a banca e vende-se sem grandes burocracias, legislações ou complicações. Quem quiser pode também, num estilo speaker's corner, chegar e fazer uma animação, cantar ao vivo, pintar, fazer performances circenses ou que lhe der na telha.
O acesso à feira é vedado a comerciantes profissionais. As actividades culturais, artísticas ou lúdicas podem eventualmente realizar-se nos jardins ou passeios imediatamente contíguos sem prejuízo da normal circulação de peões, desde que obtida licença prévia da Comissão de Acompanhamento da Feira, que cuidará das autorizações da(s) tutela(s) quando se revelarem necessárias.
Vale (quase) tudo e eu fiquei tão fã do conceito que estou "assiiiim" para fazer uma colecta de tralha gira e fazer uma venda que reverta a favor do Bairro do Amor!


4- Conhecer as Galerias

"As Galerias" (Galeria de Santa Clara) é um síto da moda em Coimbra: não há como fugir ao óbvio. Têm a  mesma vista que a esplanada da cafetaria do Centro de Interpretação mas de outro ângulo o que poderia não ser nada de novo para quem, na mesma manhã, tinha sido feliz ali a 90 graus.
Mas as Galerias valem o destaque pelo ambiente jovem e descontraído, pelas paredes carregadinhas de cor e arte, pela ousadia de terem criado um café que não é um café, uma galeria de arte que não é uma galeria de arte, um restaurante que não é um restaurante e um sítio que acaba por ser isso tudo com horta, jardim e tudo o que a imaginação permitir incluído.
Im-per-dível! (Mais informações aqui ).

5- Comer pastéis de tentúgal, queijadas de leite e pastéis de santa clara à beira Mondego



Enquanto esperávamos pelo comboio deliciámo-nos com as duas caixas de delícias que a Neuza nos oferecera há minutos quando nos deixara na estação e nos instruira: abram o porta-bagagem e tiremos bolos que comprei para vós! Trouxemos tudo: as nossas caixas e as que ela tinha comprado para o lanche dela e do Hugo. Veio tuuuudo! E enquanto esperávamos pelo comboio com a Rafaela, entre conversas e doses de açúcar em barda, acabámos o dia assim: felizes e adocicados, com vontade de não partir e de voltar em breve para mais tempo, mais lugares, mais sabores e mais amigos.

Coimbra tem mesmo encanto na hora da despedida!

Obrigada, McDonald's!

Ontem fui ao McDonald's  e usei aquelas máquinas de self service para pedir - só por causa das tosses- um Happy Meal para mim. Depois de me  serem apresentadas as várias opções (hamburguer com queijo, batatas fritas, coca-cola) a última opção: Hello Kitty ou Tartaruga Ninja. 
A maquineta não me perguntou se queria brinquedo para menina nem para menino. As duas opções de brinquedo são, muito provavelmente, as mesmas que seriam se a pergunta fosse feita da anterior forma segmentária sexista. 
Senti-me bem por mim e pela Ana. 
Vim feliz por me terem dado a escolher a designação do brinquedo e não o juízo de valor a quem ele deva dirigir-.se ou agradar. 
Trouxe (obviamente) para casa uma belíssima Tartaruga Ninja astronauta.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Igualdade de direitos entre sexos: a Ana explica

Uma hora depois de ter explicado à Ana que não era Dia de S. Valentim mas sim Dia da Mulher, o pai chega a casa e vê as duas flores na jarra. 

A Ana apercebe-se que ele ficou de fora da equação e, de imediato, sacrifica a própria flor e oferece-a ao pai:  "Feliz Dia do marido para ti, papá!"


(Aguenta-se a fofura?)

Muitas efemérides para uma cabecinha só

Quando a fui buscar trazia duas flores nas mãos que lhe tinham oferecido na rua a propósito do "Dia da Mulher".

Estende-mas: "São para ti, mamã: feliz dia de São Valentim!"

Os meus amigos podem não ser melhores que os vossos, mas terão certamente um sentido de humor mais peculiar # 34


"You can call me Tio Celo"



Marcelo entra a pé. Descalça os chanatos para não levar as más energias da rua para dentro do Palácio de São Bento. 

No quarto: 
Abre as janelas de par em par que cheira a bafio. Faz o mesmo aos roupeiros e aproveita e retira de lá as bolas de naftalina. Manda foras os resguardos da cama e manda substituir o colchão, só naquela. Tira as caixas de plástico com sapatos de Verão debaixo do estrado da cama e manda construir um closet. De caminho, manda a empregada dar com a Rainbow nos cantos que aquilo é só cotão. Devolve as cinzas à legítimo dona que não quer cá caixas que parecem chapeleiras encafuadas dentro da gaveta do "pechiché". Manda substituir a alcatifa por cimento afagado envernizado.Manda fora o "pechiché". Pára para pensar um bocadinho e cai-lhe a moeda: liga à Cavava a dar os sentimentos e a dizer que lhe mandou devolver a chapeleira. Fica intrigado para saber quem era o ventríloquo que imitava tão bem o Aníbal. Manda um cartão para o José Freixo estimando que se recupere da demissão e que ressuscite o Donaltim. Manda deitar fora os cabides de arame que vinha da lavandaria e manda substituir por cabides a sério. Tira a calçadeira e o coça-costas de trás da porta e esvazia as gavetas de lenços de pano com risquinhas e corta-unhas com abre garrafas incluídos. 

Na sala
Manda comprar velinhas de cheiro e ambientadores da Zara Home. Manda substituir a tijoleira por cimento afagado envernizado. Tira o plástico dos sofás e manda comprar um na Móvel Vivo. Sem querer- ups!- dá uma guinada no dálmata de loiça e manda a Joana Vasconcelos ir lá a casa fazer um orçamento grátes. Manda devolver os náperons debaixo da televisão e, de caminho, manda devolver a televisão mais a película que faz o écran ter cor e o DOT que estava colado no écran desde os anos 90. Arruma o leitor de vídeo e as cassetes num saco do IKEA e manda arrumar na arrecadação. Despacha o quadro da Anita a segurar no Pantufa e no outro do menino da lágrima.Arruma numa caixa as taças dos rally papers frequentados pelos antecessor e manda fundir tudo e entregar a matéria prima na casa da Joana Vasconcelos. Pensa que a reciclagem é o futuro! Manda instalar 3427 estantes nas paredes que, parecendo que não, há muito livro para arrumar.

Na cozinha:
Manda fora as toalhas todas de linóleo. Deita fora a cevada e manda comprar café a sério. Manda guardar a cloche e pede uma demonstração da Bimby. Manda fora os kiwis e as sementes de linhaça que não precisa nada disso. Interroga-se acerca de tantas alcagoitas de reserva na despensa. Manda desincrustar os bicos do fogão. Desiste e manda colocar uma placa vitrocerâmica da Teka. Manda fora todas as caixinhas de ovos que não tem netos que precisem de levar reciclo-porcarias para a escola. Fica doido com a quantidade de tampinhas armazenadas. Encontra uma fortaleza de sacos de plástico sobrados em triângulo num puxa sacos bordado a ponto de cruz. Manda instalar gás natural que as bilhas ocupam muito espaço. Tira o papel de forrar livros que forrava as gavetas e que, com a ajuda de pióneses, fazia o efeito de folhinhos a forrar a frente das prateleiras da despensa. Manda esconder os remédios que estão em exposição em cima do frigorífico e o calendário pendurado na parede. Manda fora 2/3 dos tupperwares, caixas de gelados reutilizadas e caixas plásticas de take away que não quer cá tanto reaproveitamento. 


Na casa de banho:
Manda comprar soda cáustica e ácido muriátrico e limpar os canos todos da retrete. Adjudica à Elis aquelas cenas de plástico que rodam nos tampos das sanitas que é para não haver cá misturas. Tira os wcs pato. Manda vir mais ambientadores da Zara Home.  Calça luvas descartáveis e manda para o lixo as duas caixas de plástico onde jaziam À noite as tuas dentaduras postiças. Manda fora o Corega também. Deita fora as latas XL de laca, a caixinha de recolha de urina onde jazem duas pedras da vesícula submersas em álcool, a tesoura de cortar os pêlos do nariz e a máquina de cortar os pêlos nas orelhas. Manda limpar avidamente os azulejos. 

No jardim:
Faz tiro aos pratos aos gnomos e duentes de betão que enfeitam a relva, às borboletas e ao carrinho de mão com vasos lá dentro. Solta os passarinhos que estavam presos na gaiola gigante, Manda derrubar a fonte com a menina a segurar no aquário. 


Acho que tem trabalho para tooodo um primeiro mandato, não acham?

Vê-se mesmo que não são de Cascais...

Tudo muito admirado que o Marcelo despachou 600 cumprimentos em 60 minutos...

'tão vocês achavam que por aqui só se dá um bjinho por que carga de água?


quarta-feira, 2 de março de 2016

A CONHECER | Taberna do Chapéu Alto

Fica no alto de Alenquer, a aldeia presépio, lá mesmo no alto onde, no Natal, se monta o presépio gigante com uma vista de cortar a respiração.
À primeira vista o local parece cuidadosamente despretensioso, o lettering com um estilo moderninho,Não sou fã de sítios fabricados e fico desconfiada.

terça-feira, 1 de março de 2016

Imagine-se que as convenções diziam que os pêssegos eram frutas de meninas e os ananáses frutas de meninos




Talvez isto pareça um título ridículo. Só que não.
Imagine-se que França era um país de rapazes e Espanha um de raparigas. E que quem gostasse de passar férias em Portugal fosse masculinizado por isso e que as miúdas estrangeiras que escolhessem vir apanhar o sol dos Algarves fossem conotadas como machonas. Já se fossem a Espanha que delicadas, que princesas, que divas. Rapazes a quererem ir a Espanha: eh láááá, mariconças!
Imaginem que os cães eram animais de meninas e os gatos esterotipadamente animais de gajos.  Que às meninas, desde pequenas, nunca fosse dada a oportunidade de escolherem gatinhos como animais de estimação e que aos rapazes os cães não estivessem, por causa dessa coisa maravilhosa e científica que é o senso comum, acessíveis.
Poderíamos continuar: a carne é comida de rapaz, o peixe de menina. Os girassóis fossem flores de menina e as tulipas dos meninos. Que comboio fossem um transporte de gaja e o barco um meio de transporte com cojones, de gajo! And so on and on.
Estúpido, não é?
E se a minha mãe, desde que eu nasci, não me desse oportunidade de experimentar ananás, de visitar Paris, de ter um gato, de andar de cacilheiro, de plantar nos vasos do meu parapeito túlipas ou de me deliciar com um naco de carne. Porquê? Porque nasci com pipi.
E se a mãe de mámen, desde que ele nasceu, não lhe desse oportunidade de comer pêssegos maduros no Verão, de visitar Barcelona, de ter um cão, de espreitar as praias da linha através da janela do comboio, de ter em casa uma jarra de girassóis e de comer peixinho grelhado à beira mar. Porquê? Porque nasceu gajo.
Continua a ser estúpido, não é? Ainda mais estúpido, certo? Pois.
Atribuir-se género a seres inanimados é só tolo. Porque não pode a Ana usar roupa azul e o meu sobrinho Pedro cor-de-rosa? Porque não pode a Ana brincar com carros, espadas, usar bigodes quando se fantasia e experimentar o jogo simbólico sem que a "corrijam" como antes se faziam aos canhotos, porque uma menina é uma menina, por quem sois? Porque não pode o meu sobrinho Pedro ter uma casinha de bonecas, uma cozinha e brincar com tachos e um ferro de engomar e imitar os pais (sim, os pais, que o pai dele não ajuda em casa, que não é desses, participa mesmo equitativamente na dinâmica da gestão doméstica) sem que o olhem com ar de terror, vão pôr o menino um panasca, ai Jasus?!
Deixemo-nos de preconceitos tontos! De rótulos, categorias, etiquetas e segmentação. Voltemos ao título do post e afianço-vos que adoro... salada de frutas!


Que se somem e sigam os exemplos. O caminho faz-se caminhando!

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