terça-feira, 24 de maio de 2016

Minh'Ana

Fico calada, meio apática, no sofá da sala. A Ana abeira-se de mim e pergunta-me se estou doente. Sorrio e respondo-lhe que não. 
Afasta-se e quando volta traz com ela a mala da Dra.Brinquedos. 
Em silêncio, saca do estetoscópio, encosta-o ao meu peito e, num suspiro, informa-me:

- "Estás com o coração partido!"

Tristeza que fica

Tenho a janela de chat aberta desde manhã, quando a Ana me deu a notícia. Já fiz scroll up umas dezenas de vezes e dei por mim a carregar no refresh como que a esperar que venhas e digas que estavas a brincar (puta de brincadeira!) ou a dizer que não, que foi engano, que ainda aí estás.

Foi também a Ana que me falou de ti em 2013, ambas com filhos pequeninos, com a mesma idade. Que me disse que te tinha sido diagnosticada uma leucemia e que tiveste que ficar internada em isolamento durante um mês para fazer um tratamento agressivo para matar a coisa e que não pudeste passar o primeiro aniversário do teu filho com ele, tendo sido obrigada a cantar-lhes os parabéns via skype, muito longe de poder sentir o cheiro da pele do teu bebé. A Ana pedia-me que te escrevesse um post a mandar um bocadinho de força à minha maneira, só para tu sentires que havia pessoas que gostavam de ti e que estavam de dedos cruzados à espera que tudo corresse bem. 

Assim o fiz. 

Lias este blog desde o princípio, participaste em PPCs, organizaste as brigadas de possíveis dadores de medula óssea em Braga, ainda nem sabias que a doença te iria bater à porta. Quando leste o que te escrevi abriste este chat pela primeira vez e rimo-nos e chorámos às duas, à distância dos kms que separam Cascais de Cabeceira de Bastos. Dissemos os vernáculos prometidos. Todos.

A partir daí fomos sempre falando. Comemorámos juntas a compatibilidade da tua irmã, o transplante de medula e o primeiro aniversário do transplante. Entraste na hora como vizinha do Bairro do Amor, tornaste-te a madrinha de Braga e organizaste um evento em tua casa, na falta de um parceiro local que te emprestasse instalações. Eras dedicada e generosa, altruísta e boa pessoa. Eras muitas coisas boas, eu só te conhecia as coisas boas e não digo isto porque agora não voltarás mais, digo porque é verdade. 

Pediste que publicasse um recado teu (que hoje repetirei) e usaste como capa de facebook para todo o sempre a imagem da nossa campanha nacional de angariação de possíveis dadores de medula óssea. 

Numa conversa que tivemos por altura da notícia da compatibilidade escreveste "Deus é grande. Deus é fixe!". Não sei se é, Margarida, não consigo ter fé para justificar que partas assim, com um filho da idade da minh'Ana, com aquelas palavras que me disseste depois, agora em Março quando a puta da leucemia voltou: "espero ter um final feliz". 

Morreste, Margarida! E não há um palavrão que valha a pena que me saia, só uma tristeza que se arrasta, pastelona e demorada, uma tristeza que se colou à minha pele desde hoje de manhã. E o chat aberto com as últimas palavras que trocámos: "obrigada por tudo". 

Deus hoje é muito, mas mesmo muito, infinitamente, pequenino. De nada.
Não conseguimos fazer, rigorosamente, nada. 


segunda-feira, 23 de maio de 2016

Eu adorava esta altura dos plátanos em Lisboa

... até esta pseudo-Primavera. Estou com a primeira alergia aos pólens em quase 36 biscas no lombo!

Pqp os plátanos!

Modas na blogosfera

Desafios, selos e correntes. Lol. Posts com fotografias dos pés na areia e mãos a imitarem corações. Cupcakes. TGIF. Nutela. Saldos. tumblr. Sushi. Starbucks. Clarice Lispector. Animais de estimação. Sementes. Corridas.





Suculentas? Really?

História da minha vida


FCP est mort. Vive le FCP.

Ser adepta do Futebol Clube do Porto não é uma obra do acaso. Não há quaisquer pós de genética na coisa (o lado materno da minha família é todo benfiquista e o paterno é sportiguista) nem qualquer pressão familiar do género "não te baptizo porque não te quero obrigar a seguir uma religião e quando fores crescido logo escolhes se queres ser católico ou não mas comes, logo no dia em que nasceste, com o número de sócio de um clube de futebol e um cartão com uma fotografia de recém-nascido".  Nada disso. 

Ser adepta do Futebol Clube do Porto foi a primeira escolha (séria) que fiz na vida. Ninguém na minha casa era a favor da escolha, não havia nas nossas relações um portista que fosse- nada!- foi o meu primeiro grito de Ipiranga. Via-se muito futebol na minha casa (o meu avô e tios eram benfiquistas ferrenhos em geral e amantes do futebol em particular) e assim que comecei a perceber alguma coisa de equipas, planteis e clubes percebi que era aquele o clube que eu queria para mim, no tempo em que o Vitor Baía, o Fernando Couto davam cabo das hormonas das miúdas e o João Pinto, o Secretário, o Folha e o Domingos mostravam como é que se jogava futebol. E depois havia o Pinto da Costa. E eu gosto do Pinto da Costa, o mais carismático, o único presidente que mostra o verdadeiro amor que se tem a um clube, o com mais raça, o com mais paixão: O presidente.

Não venham já chatear com mimimis corrupção, mimimis apitos dourados porque no meio futebolístico, se formos por aí, somos todos do Grupo União Desportiva de Alcabideche e do União Recreativa e Cultural da Abrunheira. Siga!

Dá-se que o meu Porto anda num deserto. E as pessoas riem-se, gozam, troçam e dizem "incha Pacheco" como se isso mudasse, um milímetro de francesinha que fosse, o amor que tenho pelo meu clube. Não muda. Desde que nasci o FCP ganhou 20 campeonatos de Portugal, 12 taças de Portugal, 2 taças UEFA. Tem-me feito muito feliz, o meu Porto. E feliz de uma forma quase exclusiva, como só se sentem os portistas que vivem fora da cidade do Porto. 

Por isso, tal como num casamento, num compromisso a sério, o facto de não termos ganho nada nos últimos tempos não afecta rigorosamente nada a nossa relação. Nas relações sérias às vezes há "ram-ram", às vezes não há grandes novidades, às vezes "vai-se andando". Mas nas relações sérias, mesmo não havendo grandes ganhos, nada está perdido: porque o amor é tudo o que resta. Porque amar nas luas de mel é fácil, Continuar a amar em períodos de crise é que é duro. É que é amor.

Os outros ganham? Ainda bem para os outros. Se ganhássemos sempre seria a maior seca. Até porque, já se sabe, isto para ter graça convém não ganharem sempre os mesmos. Diz que assim o Mundo não tomba. 

Venha a próxima época! E nunca duvidem que pintos transformam-se, regularmente, em fénixs renascidas:  Avé Porto!


quinta-feira, 19 de maio de 2016

Por falar em Champix...

- "Então como te sentes?"

. "Tirado cada vez que tiro o cigarro do maço ter um pequeno choque na zona temporal direita, assim que meto o cigarro à boca sinto uma ligeira dormência, a meio do cigarro tenha a boca a saber, literalmente, a lareira de tal forma que nem consigo terminar o cigarro. Tirando isso tudo, sinto-me bem". 

...

A culpa deve ser do Champix

"Estive a pensar que a nossa forma de fazer planos é não os fazermos. Nós fazemos planos só para termos algo para boicotar e fazermos tudo diferente, não é?"

Olha questões metafísicas logo pela manhã, ahn?!




(Tenho que ler os efeitos secundários do cabrão do Champix.)

terça-feira, 17 de maio de 2016

I love Jon Snow!

Vamos fazer-lhes a cama!



Neste momento está a acontecer uma coisa maravilhosa no Bairro do Amor. Temos um objectivo semestral comum: conseguir humanizar o espaço de uma instituição de acolhimento do Porto. 

Para isso vamos precisar de tintas (que a querida CIN tão gentilmente nos ofereceu com a intervenção da nossa vizinha Rosa Santos), camas e colchões (que já comprámos com o contributo de muitos vizinhos particulares a preço de custo à Colchãonet), almofadas (que estão a ser costuradas por um grupo de costureiras amadoras voluntárias do Bairro do Amor), tapetes de trapilho (que estão a ser tricotados em workshops de trapilho em Lisboa e no Porto por um conjunto de "vizinhas" empenhadas e generosas), candeeiros (magistralmente angariados pela vizinha Ana Santos),  ilustrações (doadas por cerca de 40 talentosos ilustradores voluntários) dentro de molduras (cujo valor de compra angariámos com as receitas das vendas da primeira banca do Bairro do Amor na Feira Sem Regras de Coimbra). 

Será uma espécie de "O Bairro mudou a casa" com muito trabalho voluntário na acção de humanização em si (a querida Marta Tex comandará as tropas nas pinturas e irá uma trupe de Lisboa para trabalhos a Norte) e na angariação de matérias primas e materiais, no fabrico de artigos e, nesta fase, na organização de acções que permitam a angariação de receitas para a compra do principal artigo que está em falta: as camas. 

As camas são muito importantes para nós. Estas meninas dormem em camas dos anos 70, algumas em maus estado, outras sem estrados e nós gostaríamos de lhes dar a oportunidade de dormirem em camas novas. A estrear. 

Ora, o valor total das camas (35) com a qualidade que é necessária para uma instituição que não se pode dar ao luxo de trocar de camas de 5 em 5 anos é alto. E agora voltamos ao início: neste momento está a acontecer uma coisa maravilhosa no Bairro do Amor. Vizinhos, amigos e simpatizantes de Norte a Sul do país uniram-se nesta tarefa comum.

Olha o belo do "jérrriiican"!

- "Temos que pôr gasolina!"

- "Bora!"

- "Ah, ainda aguenta, mas temos mesmo que pôr gasolina!"

- "Vamos já a esta bomba!"

- "Ah, metemos na próxima..."


- "Temos MESMO que...

... foda-se!"

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Mixórdia de temáticas acerca dos Globos de Ouro

1. Perguntaram-se, ainda ontem, enquanto estava ser transmitida a Gala, porque não comentava eu as fatiotas dos Globos de Ouro. Toda a gente sabe que eu, a mulher que estava a ver a Gala na sala da sua casa de subúrbio, de pijama vestido, rabo de cavalo desgrenhado, a comer sandes de bolachas maria com manteiga, seria a pessoa certa para isso.

2. Contratar o Luis Franco-Bastos foi ousado. Claramente que a Gabriela Sobral, ao contrário do que acontece com a Sodôna Simone d'Oliveira, grama o chavalo. Dá-se o sucedido do Pinto Balsemão não ter percebido o que estava ali aquele caramelo a fazer e nem uma pontinha do esmalte da placa nos mostrou.  Correu mal para o Luis Franco-Bastos. Dá-se o sucedido do Luis Franco-Bastos também se ter lembrado de dizer em directo que não fazia puto de ideia de quem era o moçoilo que ali estava ao lado do Dótor. Era o Francisquinho. Não o da Ágata, O Balsemão Júnior mesmo. Correu mal para a Gabriela Sobral, I guess. 

3. Rodrigo Guedes de Carvalho foi o boss da noite.

4. Não sei o que o João Baião toma. Mas eu quero dois frascos daquilo. Por dia. Todos os dias. Até ao fim da minha vida. 

5. A genética da Helena Isabel, ganhou vida e olhando para Agir, cortou violentamente os pulsos. Tanto ADN bom desperdiçado, caramba!

6. Nas próximas viagens de autocarro com miúdos de 5 anos que fizer vou deixar cair o Trolaró e o Ala Bum Xicabum: "Queria dizer-te não" tem a mesma complexidade de letra e um ritmo mais fixe. 

7. A Mercedes está fabulosa. Tão bestial para a idade que tem que só apetece gritar: "Sugadita! Não mexe!"

8. Não percebo porque as manas Aveiro faltaram a esta gala. A Luciana Abreu ia bem vestida. A partir daí tudo era possível. 

9. Aqueles separadores com sketchs com a Luce e o rapaz e a Custódia Galego, sabem? Tanto recurso audiovisual desperdiçado...

10. Quando se falou dos Acorrentados lembrou-se da participação da Isabel Figueiras, Mas deu-se uma onda colectiva de amnésia quanto à participação da Andreia Rodrigues. Coisa estranha. 

11. Receber um Globo e dizer "isto é BUÉ pesado" é de valor. Yô! #sqn

12. Manzarra está a deixar de ficar puto e isso traz-lhe um problema: deixa de ser um puto irreverente e imprevisível com graça relativa e está a tornar-se num tipo... coiso. 

13. Que pausas foram aquelas, com pedido de música ao maestro e tudo, para a Bárbara Guimarães fazer a dança do rabiosque e mostrar os vestidos?

14. Marco Paulo? Nicolau Breyner dá voltas na tumba! #globopóstumoeradevalor

15. Vão insistir na Bárbara Guimarães para apresentar isto até quando? Foi promessa? É até o Sporting voltar a ganhar o campeonato, é? #tamosfuckinglixados


"Uma simples fotografia dos braços de uma "blogger" na praia trouxe de volta dois dos temas mais importantes da atualidade: o "bullying" entre mulheres e a ditadura dos padrões de beleza "tradicional".

Aos meus benfiquistas: parabéns!



"Estou intrigado!.. Porque raio é que comecei a ver posts no FB de que o Benfica é campeão europeu de hóquei em patins com notas do tipo "mais Rennie para os lagartos"... Mas afinal estamos a falar de desporto ou de uma guerra civil? Na verdade para alguém que seja do Sporting e não seja doente mental era absolutamente indiferente quem ganhava!.. Eu não sou do Benfica nem da Oliveirense... Ganhar um ou outro não beneficiaria o Sporting... Então para mim é um não assunto!.. Agora logo já gostava que ganhasse o Nacional, porque isso beneficia a minha equipa... Ser contra por ser contra é estupido.."- dizia, com muita razão, o meu amigo Luis Quaresma no seu facebook. 

Passou-se o mesmo comigo durante o jogo de ontem. O meu Porto já era. Zero hipóteses. Portanto, ganhar o Benfica ou o Sporting não me traria a vitória para o Porto, dava-me o mesmo. E, de repente, começo a receber mensagens após a vitória do Benfica com questões retóricas estúpidas como "Então, muito aziada?". Aziada, eu? Nada disso. 
Mais, até estava a torcer pelo Benfica. Porque o meu clube é o Futebol Clube do Porto e não sou adepta de qualquer anti-clube, a não ser que esteja a jogar contra a minha equipa.
O meu avô do meu coração era do Benfica, a minha mãe é do Benfica, os meus tios são do Benfica e, finalmente, a minha filha é do Benfica. Tendo em conta que o meu Porto estava fora da luta pelo Campeonato não percebo porque razão acham que eu deveria estar aziada. Não estou.
E até acho bem-feita, não para os Sportinguistas, mas para o treinador que andou o campeonato todo com raivinha dos dentes. É bem feita porque o cão tem a mania que é espertalhão!
Parabéns ao Benfica! Vamos ver a coisa pelo lado positivo: são milhões de portugueses felizes a uma segunda-feira. Em que nem sequer é feriado. E gente feliz não cansa a beleza dos outros. 

Parabéns aos (meus) benfiquistas!*

*Mas para o ano o Porto vai ganhar tudo. E isto não é uma previsão do bruxo fajuto de Fafe: é minha mesmo.
Tende miaúfa, carago!

Consignação do IRS: a Pólo sugere!

Respondendo, de uma vez, às dezenas de mensagens e emails que recebo perguntando-me se o querido Bairro do Amor faz parte da lista de entidades autorizadas a beneficiar da consignação 2016, a resposta é (ainda) não. Para o ano peço-vos a mesma dedicação e generosidade e aviso antecipadamente, ok?

No entanto, não posso deixar de sugerir a ASBIHP (Associação de Spina Bífida e Hidrocefalia de Portugal) como alternativa, bastando para isso colocarem o NIF  501 740 830  para que 
 0,5% do IRS que tiveram de pagar relativo aos rendimentos de 2015 possa ser entregue a uma IPSS. 

A ASBHP, de que sou sócia desde que nasci, que me acompanhou durante o crescimento, que me proporcionou colónias de férias memoráveis com outras pessoas com a mesma patologia, que assistiu ao lançamento dos meus dois primeiros livros, que me convidou para inaugurar o seu Gabinete de Apoio Psicossocial, que me permite pôr em prática projectos de intervenção social que mudam o Mundo dos seus beneficiários, que fez e faz a diferença na minha vida e de tantos os que eu conheço, é a única instituição cujo trabalho conheço de perto, reconheço o mérito e recomendo para beneficiar deste apoio. 

Se não quiserem doar à ASBIHP não tem mal. Mas preencham a tabela, canalizem esta parte dos V. impostos para as V. causas, para as que acreditam, para os bombeiros, para as CERCIs, para instituições de apoio a mulheres vítimas de violência doméstica, crianças, idosos. 

Agora não deixem é a porra da tabela em branco, vale?!

Obelix Vs Anavicks

"Sabes o que o Paulo sugeriu ontem? Que a Ana, depois de se bezuntar toda no Vicks, ficaria tipo Obelix"

"E vai ficar com super força? Ou vai ter outro super poder?!"

"Hummm, isso ele não disse..."

(silêncio)

"Hálito mega ultra fresco forever, não?"

...

...

...

Eu também não divido comida

"Eu não divido comida. A menos, claro, que seja uma questão de vida ou morte. Mas, para questões ordinárias, não divido. Não deixo que cutuquem meu prato, nem ofereço mordida ou gole, especialmente se houver canudo envolvido, porque um pouco da saliva sempre volta, e saliva fora da boca é baba, e eu não quero a baba alheia, a não ser para casos de lubrificação que não (necessariamente) tenham a ver com comida. Eu não sei dançar, nem cantar, nem tocar. Não sei emitir nota fiscal, declarar imposto, fazer pagamentos pela internet, lembrar de senhas. Sinto tédio quando escuto as palavras cartório, junta comercial, reconhecimento de firma, autenticação, derivativo, superávit – especialmente o primário. Minhas especialidades envolvem qualidades pouco rentáveis (o que talvez explique o tédio por todas as palavras acima): adivinhar a hora, fazer baliza, saber o tamanho exato do recipiente para guardar o resto do jantar, lavar louça e deixar roupas com o cheirinho do amaciante. Sou um acidente geográfico: nasci no Rio com pele de cidadã norueguesa. Não gosto de praia, de areia, de calor, de água salgada. Nem de ficar melada, a não ser para ocasiões que exijam algum tipo de lubrificação e que não (necessariamente) envolvam praias. Acredito em reencarnação, no Corinthians e em café da manhã. Como Nelson Rodrigues, sei que o sábado é uma ilusão, e é aos sábados que sou mais feliz. Não como berinjela nem em nome da paz mundial. Me emocionam Proust, Dostoiévski, Eça, Machado, um gol do meu time aos 45 do segundo tempo, ou antes ou depois dos 45 a bem da verdade, e acordar ao lado de minha mulher. Mas mais do que tudo acordar ao lado de minha mulher. Tenho a ginga social de uma criança de cinco anos. Em festas, sou aquela que fica num canto deslocada. Por causa da deficiência social, não gosto de sair de casa. Mas saio quando é preciso. Por exemplo, para ir ao supermercado ou à livraria. Queria saber meditar. E dançar. Mas mais meditar porque dançar eu danço mesmo sem saber. Na sala, com o meu objeto de devoção agarrado em mim. De verdade mesmo, sei apenas escrever e amar. Exatamente como sugeriu Antonio Maria: escrever com dois dedos e amar com a vida inteira."

domingo, 15 de maio de 2016

"Estou, saúde 24?"

"Estou, Saúde 24?"

"A minha filha bezuntou-se toda com Vicks e eu gostaria de saber se existe mentol-overdose ou alguma coisa assim?"



[As figurinhas que esta miúda me obriga a fazer...]

Podia-lhe ter dado para me pedir, aos 3 anos, para ir festejar para o Marquês...

... preferiu açambarcar o boião de Vicks e hidratar a pele.
Dos pés, das pernas, dos braços, da barriga.


Não sei se tenho uma filha, se um Halls humano de quase um metro cá em casa.

Fui ao OLX e... coiso #1


Estou, assiiiiim, tentada a comprar esta coisinha sexy. Para os possíveis interessados é aqui

Disputa de amor pela manhã

Ana vendo uma foto minha em criança :

 - "Avó olha, esta é a minha mãe quando era filha!"

- "Mas a tua mãe ainda é filha."

- "Pois, mas agora é minha mãe e isso é muito mais importante!"

Uma leitora deste blog pergunta, no meu facebook, o que é, afinal, "boho-chic"?

"É uma fusão entre gipsy kings e os abba"- é uma das respostas na caixa de comentários.

Os Cascalenses dividem-se entre...

... os cascalenses saloios que conhecem "Ténis Bar" e os outros.

sábado, 14 de maio de 2016

Digam-me que não acabei de ver isto!

A Austrália é concorrente no Festival da EUROvisão?

Volta grunge, que estás perdoado!

Até quando vamos ter que comer com banquinhas de roupas boho-chic?

Sabes que o Mundo gira no sentido certo quando...



... duas artesãs, supostamente com bancas "concorrentes" à banca do Bairro do Amor na Feira de Artesanato de Benavente, se abeiram da madrinha do distrito de Santarém para oferecerem, cada uma delas, uma peça para a Banca do Bairro!

O Mundo (ainda) é um lugar bom. 


[O Bairro do Amor estará hoje com uma banca solidária na Feira de Artesanato de Benavente. Apareçam para nos dar um beijinho!]

1,2,3 diga lá outra vez...

Segunda noite com cebolas no quarto e tudo tranquilo.

Há mais alguma mezinha que queiram partilhar?

Be my guest.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

We have a dream

"Olha eu vou-te mostrar

"Tchau, minha querida!"

"Dia desses li um texto de uma renomada escritora sobre o uso frequente de uma palavra tão doce como 'querida' de forma pejorativa e de como era ruim não poder mais usar essa palavra sem parecer irritada ou debochada porque, pode apostar, se a pessoa usou o termo querida ela ou está sem paciência ou tratando a outra com escárnio. Já os homens quando se referem uns aos outros como queridos o apreço parece genuíno ("Fala meu querido, vai chegar lá no bar hoje?"). Mais do que adversária política, Dilma é mulher. E como mulher foi atacada como todas nós somos quando incomodamos alguém: "aquela puta", "vaca", "piranha", "mal amada", "isso só pode ser falta de piru", "a tortura foi pouco" e outras barbaridades. Com a sua imagem simularam um adesivo de carro com suas pernas abertas indicando um estupro, com a sua imagem simularam queima na fogueira (alguém ainda lembra da Inquisição?), seus discursos foram ridicularizados e sua aparência julgada dia e noite, noite e dia. Ela emagreceu a olhos vistos e suas olheiras já lhe pesam o rosto. Dilma tem 70 anos, ela poderia ser minha avó. Ou sua. Você consegue imaginar alguém tratando a sua avó dessa forma? Parece doentio e bizarro, e de fato é. Não importam seus motivos para odiá-la (repare a banalização do ódio), você diz que odeia todos os bandidos e ladrões, mas não vejo ninguém chamando o Cunha de bruxo, brocha, vadio, crápula ou mal caráter (aliás, pra atacar o Cunha foi bem comum usarem a imagem da mulher dele para ridicularizá-lo). Contra a imagem e a reputação da Dilma fizeram o que puderam. Xingaram, humilharam, pisotearam, ameaçaram, e até uma conversa informal com um velho amigo que a chamava de querida foi motivo para usarem contra ela. Eu senti muito afeto na voz do amigo ao se dirigir a ela, um apreço verdadeiro e até mesmo pontadas de preocupação. Não tardou a usarem o bordão 'Tchau, querida' para continuarem a chicoteá-la em praça pública. Dilma, minha querida, você daqui a pouco não será mais a minha presidente, mas com certeza sai dessa lama que te envolveram com a dignidade e a força de uma guerreira. Politicamente, você errou muito, porém nenhum desses erros subtraem a mulher que você é. E como mulher, eu sinto sua dor e no meio de tanto ódio envio meu amor. E de um jeito carinhoso eu e milhares de mulheres enchemos nossas bocas e nossos corações para lhe dizer: fica com Deus, minha querida. A gente ainda se vê por aí."

"Senhor, perdoai-me porque eu pequei!"

Dói-me a barriga de tanto rir. 

(Sim, é um link: carregai!)

Abençoada foccacia!


"Olá querida Ursa!
Envio-te esta quadripolarização diretamente de Cinque Terre em Itália. 
Estou a fazer Erasmus em Bolonha e fui visitar esta belíssima terra. Passei os dias anteriores à viagem a pensar " Tenho que quadripolarizar Cinque Terre!". Acontece que me esqueci de levar um papel e uma caneta e só me lembrei desta quadripolarização uma hora antes de regressar. Sem recursos, quase sem tempo e prestes a desistir, tive que me desenrascar como boa portuguesa que sou! Lá tive que ir a um estaminé da zona comprar uma bela foccacia só para pedir um papel e uma caneta, com toda a gente a olhar para mim com cara de interrogação escrevi "I Love Polo Norte" neste belíssimo papel com cor de pastel! Foi uma quadripolarização feita com muita dedicação, espero que gostes! um beijinho :)
-- 
Liliana "

Baci mille, querida xará!

  • Conheça todos os países já quadripolarizados aqui.

Não é preciso que milagres aconteçam. Basta que o bom senso dos Homens prevaleça.

Houve um tempo em que eu pensava diferente. Que olhava para as novas configurações familiares com alguma desconfiança. Que acreditava que as crianças precisavam de um modelo parental tradicional: de uma figura feminina e de uma masculina, de um pai e de uma mãe. Claro está que esta visão era toldada pela minha experiência de filha de família monoparental com pai ausente. Claro que eu achava que o ideal era que o meu pai os pais quisessem exercer a sua função parental, que a minha mãe as mães não tivessem que ser obrigadas a assumir sozinhas a educação dos filhos, que fosse tudo direitinho como a sociedade hipócrita perfeita  dita. 
Depois cresci. 
Ou melhor, depois olhei em redor e vi outras realidades. Depois olhei para a minha própria realidade e vi o quão injusta estava a ser para a minha mãe (e, olhando para todas as contingências do passado,  acho mesmo que ela não se saiu nada mal). 
Família é amor. 
Seja com dois pais de sexos diferentes, com dois pais do mesmo sexo, família monoparental, biparental, nuclear, alargada, biológica, adoptada, de acolhimento, wahetever, 
Família é e deve ser sempre amor. 
Daí que hoje não possa deixar de me congratular por viver num país um bocadinho melhor que vivia ontem. Um país onde é, agora, possível que uma mulher que não tenha útero, que sofra de endometriose, que tenha tido um cancro que lhe impossibilite uma gravidez, possa ser mãe. Um país onde é possível que uma mulher possa engravidar biologicamente de um filho de outrém, substituindo-a apenas na gestação e não na maternidade. Um país que não discrimina as mulheres, independentemente do seu estado civil ou orientação sexual, no seu direito à maternidade através da da procriação medicamente assistida. Um país que legalizou a possibilidade de mulheres solteiras, lésbicas, sem útero, sem possibilidades de virem a engravidar por outra via possam ter acesso à maternidade. Ao amor de mãe. Que mulheres como eu possam viver este amor maternal que me preenche tanto. Que filhos como a Ana possam ser tão amados quanto ela é. Que bom que é!
Depois da fertilização in vitro, este é o maior passo no que diz respeito à procriação medicamente assistida. E eu aplaudo, De pé. 
Porque mais famílias surgirão, crescerão. Porque família é amor. 

13 de Maio de 2016: não é preciso que milagres aconteçam. Basta que o bom senso dos Homens prevaleça.


(Vai daqui um grande beijinho para a Associação Portuguesa de Fertilidade, na pessoa da Filomena Gonçalves, por todo o trabalho desenvolvido para que este dia fosse a realidade que já é! Bravo a todos vós!)

Mámen ia quinando de susto

Há uns dias que se dá um fenómeno curioso nesta casa. A Ana adormece e a meio da noite começa numa tosse horrível, engasga-se imenso, uma aflição. Estamos a dar xarope, ela bebe água, pego-a ao colo para respirar melhor, dou-lhe pancadas secas nas costas, enfim, tem valido tudo. Durante o dia nada. Aliás, nada desde que acorda até à hora de se deitar. É só a meio da noite. 

Ontem, ao comentar isto com a minha amiga Marta, ela instruiu-me que cortasse uma cebola ao meio e que pusesse no quarto que a tosse passava. Pensei que ia ficar com o quarto a cheirar a refogado mas não intelectualizei que eu queria era que a tosse passasse nem que tivesse que fazer o pino de cabeça. 

Hoje de manhã ele levanta-se e grita: "Mas tu estás boa da cabeça? Agora deu-te para a bruxaria?!"

A verdade é que a tosse passou. Tenho uma filha fresca, o homem é que não ganhou para o susto, ainda está ali meio combalido. 

quinta-feira, 12 de maio de 2016

A educação é um direito de todos. A educação pública é um dever do Estado.

Cada vez mais me enojam os partidos, as facções políticas, os dogmas e as doutrinas muito rígidos, muito estáticos, as pessoas que têm que se posicionar de direita ou de esquerda (deixou de haver centro em Portugal e ninguém nos avisou, foi assim, não foi?) e têm que comungar dos ideais, ideias, propostas dos respectivos partidos como se a vida fosse branca ou preta, comunista ou fascista, não havendo espaço para entendimentos, negociações, meio termos e soluções partilhadas.
A questão é simples, embora esteja amplificada e espicaçada pela comunicação social que decidiu fazer incidir o foco sobre os pais que têm os filhos nas escolas privadas ("burgueses", "elitistas" segundo os da facção contrária) e os que têm nas escolas públicas ("e que não "querendo" ter acesso às escolas privadas acham que mais ninguém o deve ter gratuitamente"- segundo defendem os outros) e ainda haja espaço para um bocadinho de polémica publicando-se entrevistas de um clero seleccionado que desvirtua a coisa e lança a boca para ao ar que "os pais dos alunos do ensino privado também pagam impostos". Pois, sim.
Dizia eu que a questão é simples: se há capacidade nas escolas públicas para receber todos os alunos de todos os locais do país então deixa de fazer sentido que o Estado pague aos colégios privados por este serviço. E não me venham com os argumentos bacocos de que os professores e os recursos humanos afectos ao ensino privado são de melhor qualidade que os do ensino público, que fico já aqui com os nervos em franja. Se há escolas a fechar por falta de alunos ou professores com horário zero continua a não fazer, de todo, sentido pagar a entidades privadas por um serviço para o qual temos recursos públicos. Agora dizem-me: vivo num sítio onde a oferta da rede pública é, claramente, insuficiente e não consegue abranger toda a procura e existe a possibilidade de mandar fazer uma escola nova de raiz com todo o investimento que isso acarreta, não faz sentido pagar a colégios privados da área para abrirem mais turmas e alargarem o número de vagas no sentido de acolherem este excedente? Faz, todo o sentido. Agora, os contratos de associação só fazem sentido se servirem para suprimir as insuficiências da rede pública. Ponto final. 
Todos os argumentos que defendem que as escolas privadas com contrato de associação têm maior qualidade no ensino que as públicas e por isso devem continuar a viver à custa do Estado não me parecem credíveis. Posso-vos nomear assim, de cabeça, duas ou três escolas públicas com um ensino de qualidade, com actividades extra-curriculares diferenciadas e que não fica minimamente aquém dos colégios privados que a circundam no que diz respeito aos direitos básicos que merecem ter os alunos,: professores qualificados e motivados, um projecto educativo coerente e com sentido e espaços dignos.
Ah, isso não acontece em todas as escolas públicas. É possível. Mas então apontemos o foco para a melhoria das condições nessas escolas públicas, para um trabalho concertado para se ter uma escola pública de qualidade.
Porque se for assim, a par da educação também quero poder escolher no que à saúde diz respeito. Se assim for quero que o meu tio possa escolher entre ser acompanhado no Instituto Português de Oncologia ou na Fundação Champalimaud, Só que não, né?!
A minha amiga Rita resume tudo isto muito bem: "A mim o que me aborrece mais é o Estado não me assegurar o direito a escolher entre os transportes públicos e um Jaguar azul escuro. De preferência com motorista, que as grávidas não se podem enervar."

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Até a Ana...



A Ana hoje levantou-se de manhã e foi directa à casinha metereológica que temos à entrada.

Olhou para o homem cá fora a segurar o chapéu de chuva e gritou; "Estou farta de ti, ouviste? Far-ti-nha!"

Glup!

"Olá Liliana! 
Já queria ter enviado esta mensagem, mas as palavras teimam em não aparecer. Pelo menos, as palavras certas. O problema é que não há palavras certas, quando falamos de morte. 
A minha amiga morreu! Tinha 42 anos e morreu! Adorava viver, mas morreu! Uma bactéria tomou conta dela e, depois se uma semana de luta, partiu! A minha amiga tinha uma menina e um menino gémeos com quase 4 anos. A minha amiga não estará cá para os ver orgulhosamente a crescer. Eles não terão a mãe 'mel' que adoravam! 
 Eu perdi uma das minhas melhores amigas. Mas a perda deles é a maior de todas! A minha amiga gostava de gostar de pessoas. Gostava de muita gente. Gostava muito de ti. Falava de ti, ainda eu não sabia quem era a 'ursa'. Ela vibrava com as tuas 'loucuras'. Gostava da tua forma de vida A minha amiga levou-me até ti. E ainda bem! 
Quis ir ao primeiro aniversário da Ana;), mas a vida não permitiu. Não para ser dadora, porque isso já ela era (imagina que foi contactada para uma possível doação quando estava grávida! Não pode ajudar!). A minha amiga morreu dia 28 de Abril! Teria estado comigo na Maia no dia da Francesinha Solidária. E no sábado eu fui. Pelo Bairro do Amor mas sobretudo por ela. Eu levei-a comigo.

O cartaz que te entregaram foi um acto simbólico que eu tinha de concretizar. A Z. morreu! A minha amiga morreu!"


Um grande beijinho, minha querida. Para ti, para todos os amigos, para a família e os filhos e, sobretudo, para a Z. a quem já não fui a tempo de dar um abraço bem apertado! Desejo- muito- que o céu exista e que ela receba este xi-coração demorado. 

Alguém?



Este foi o método escolhido por Mámen para deixar de fumar. Gostaríamos de receber a opinião de pessoas que tenham feito o mesmo tratamento. Este. Não todos os outros possíveis. 
Alguém quer deixar aqui o seu testemunho sobre a eficácia ou não eficácia do tratamento com Champix? O que mais custou? Quais as principais dificuldades?

Agradecida. 

terça-feira, 10 de maio de 2016

Comentadores, igualdade, caixas de comentários e bêbados. Aos gritos.







 Em Portugal, a boa notícia é que, pelo que tenho visto, a internet parece mais igualitária nos seus insultos e despropósitos. Se o autor é mulher, recebe comentários insultuosos; se é homem, recebe comentários insultuosos. Se é de qualquer cor, nacionalidade, sexualidade, ideologia religiosa ou política, recebe comentários insultuosos. Ou seja, absolutamente toda a gente é insultada por absolutamente todas as razões: homens e mulheres, heterosexuais e homosexuais, nacionais e estrangeiros, novos e velhos, direitistas e esquerdistas, todos. Portugal, uma das sociedades menos igualitárias do Ocidente, chegou à igualdade pelo menos num aspecto: o do insulto na caixa de comentários. Em vez de redistribuição de riqueza, os portugueses parecem dar muito mais importância à redistribuição do insulto, como numa espécie de Comunismo da Má Educação. 




Lucy Pepper in "Observador"

Porque escrevo num blog?

"É bom escrever porque reúne as duas alegrias: falar sozinho e falar a uma multidão". Cesare Pavese


[Obrigada, Raúl.]

Sim à Gestação de Substituição

                 

Que nunca nos falhe a voz para defender as causas em que acreditamos e derrubar mitos tão erradamente enraizados na opinião pública. Somos pela gestação de substituição, pela dignidade, pelo direito que estas mulheres têm de serem mães, recorrendo à tecnologia e medicina, sem serem criminalizadas pelo seu próprio Estado. 
Por favor, deixem de se referir à gestação de substituição como barrigas de aluguer! Enquanto houver este vazio legal, haverá sempre espaço para a clandestinidade, e na clandestinidade, aí sim, há barrigas de aluguer!
Por todas as minhas amigas que lutaram e lutam pelo direito à maternidade, contra a infertilidade, que lutam com tratamentos, injecções, hormonas e esperanças, que se debatem com a desesperança de testes de gravidez negativos uns atrás dos outros, de incompatibilidades, com a angústia de gravidez ectópicas, sacos sem embriões, perdas gestacionais, abortos espontâneos, por todas as minhas amigas que merecem ser mães tanto quanto eu: sim, à gestação de substituição!
A causa é de todas. Partilham este vídeo? 

[Da Festa do Avante à consulta de Oncologia]

[Ele levava-me ao primeiro Avante da minha vida. A minha mãe acedera porque era com ele, adulto, destrambelhado mas adulto. A Claudinha também vinha e não falávamos de outra coisa nas férias grandes que antecederam aquele Avante. Ia lá estar o Sérgio Godinho e o Álvaro Cunhal ainda era vivo e discursaria. 

Eu levei-o ao Hospital, aquela sala de espera da primeira consulta de Oncologia. Os dois sozinhos a tirarmos a senha com o número oito, um número redondo como as lágrimas que sempre travo. Na música ambiente da sala de espera do hospital Sérgio Godinho cantava, não poderia ser coincidência. 


Fomos de transportes públicos- lembro-me bem. Primeiro o comboio, depois o barco e depois um autocarro que nos deixava mesmo à porta da Quinta da Atalaia e não nos calámos a viagem inteira até à Margem Sul. Era robusto aquele meu tio solteirão e bon vivant e sentíamos-nos importantes por irmos com ele ao nosso primeiro Avante. 
Lá dentro deixou-nos livremente, confiava em mim, sempre confiou. Combinámos uma hora para nos encontrarmos, no final da noite, naquele mesmo lugar onde nos separáramos. 

Não falámos. Nada. O meu tio é da geração que cala os sentimentos, que não dá voz aos pensamentos nem suspiros às angústias. Eu, calada, não há nada que se possa dizer quando sabemos que a vida tem prazo de validade, quando recebemos a notícia da morte com aviso de recepção. Já não é robusto, este resto do meu tio que sobra, quarenta e sete quilos, o médico mandou-o pesar, despir-se da cintura para cima. O meu tio numa sombra a lembrar as vítimas do Holocausto, o mesmo tronco do meu avô antes de morrer e eu a não segurar um soluço e a abafar no nó da garganta o choque. 
Deixou de ouvir de um ouvido. Ouve mal do outro. o tumor empurra e não o deixa ouvir. Pede-me que seja eu a tratar de tudo com o médico, dos exames, dos tratamentos, dos medicamentos, dos procedimentos e do protocolo. Diz-me que no final eu lhe explico tudo e fica de olhar vazio, o mesmo olhar da minha avó nos últimos anos, olhar de desesperança. Confia em mim, sempre confiou. 

Eu a passear com a Claudinha no Avante. Os bips presos na presilha do cinto. O sabor da liberdade e a sensação de que se está a crescer, que somos crescidos, cada vez mais independentes. Encontros casuais com amigos de Verão, comer coisas boas nas tascas, dançar, explorar o espaço, o ambiente, rodopiar na festa. As horas a passarem e o ponto de encontro marcado, naquele mesmo lugar onde nos separáramos, 

Eu a acompanhar o meu tio ao guichet para marcar ressonâncias magnéticas, exames complementares, sessões de quimio e de radioterapia, cuidados paliativos. A secretária a pedir-me um número de telefone, o meu número de telefone. "É filha?" "Não, ele não tem filhos: sou sobrinha!" O sabor amargo da doença e a sensação de que se está a envelhecer, que ficamos velhos à medida que nos faltam as pessoas do princípio da vida, cada vez mais dependentes das que resistem, das que ficam. As horas a passarem e a maldita doença a avançar para um lugar e um tempo onde nos separaremos para sempre. O mesmo olhar perdido e vazio da minha avó (e a voz dela na minha cabeça "Olhai uns pelos outros quando eu já cá não estiver).

"O povo é quem mais ordena". 

O amor é quem mais ordena. 

Sérgio Godinho lá como aqui: "hoje é o primeiro dia do resto da tua vida". ]

A Tunísia já não cheira a jasmim

[De repente estou no tribunal com o meu pai. Não nos falamos nem sequer nos olhamos. Acuso a sua 17ª mulher de stalking e a mulher é uma leitora deste blog que entretanto se tornou uma amiga e me ajudou numa fase difícil da minha vida. Saio do tribunal e estou na Tunísia. Faz aquele calor húmido e o grupo separa-se para visitar diferentes pontos turísticos de interesse. A minha mãe vai para um lado com os meus tios e eu sigo na direcção oposta com Mámen e chegamos a Sidi Bou Said e começam a chover granadas e eu corro muito mal. Pessoas em meu redor espancam-se e fecho os olhos com força e sou puxada por Mámen numa correria para a qual não tenho fôlego. A mulher do meu pai está numa gruta a vender ouro e a minha mãe está às compras lá. Entro e pergunto pela Ana, não existe ainda a Ana, nós só temos 26 anos e acabámos de nos casar. As paredes de Sidi Bou Said estão manchadas de sangue e eu entro e estou na sala de espera da consulta de Oncologia com o meu tio. A minha mãe liga-me a dizer-me que voltaram para o hotel e que para eu me apressar que temos que ir embora, que é perigoso, que temos que voltar para casa. 
Acordo, sobressaltada, e troveja e chove com força nas telhas e nas vidraças desta casa. Ele dorme, profundamente, a meu lado. Digo, baixinho, "A Tunísia já não cheira a jasmism", ainda meio embriagada entre o sono e o despertar. Levanto-me e vou ao quarto dela: dorme profundamente. O bocadinho de cheiro a jasmim que consigo cheirar na minha vida neste momento. Não volto a adormecer.]

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Nada a fazer

Na plateia ilustres estudantes.

Pensei: "Pólo, és uma adulta, mãe de família, profissional vai para 15 anos, tu comporta-te milheri..."

Depois comecei a ouvir a minha boca falar e falar e falar como se tivesse vida própria.

E, às páginas tantas, ouço a moderadora sintetizar: "Fique claro que foi a primeira vez que se usou a expressão "mamas grandes" nesta mesa..."



Já fui. 

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Post-it mental

Não voltarás a comer couve lombarda ao almoço quando vais falar para uma plateia ao final do dia. Não voltarás a comer couve lombarda ao almoço quando vais falar para uma plateia ao final do dia. Não voltarás a comer couve lombarda ao almoço quando vais falar para uma plateia ao final do dia. Não voltarás a comer couve lombarda ao almoço quando vais falar para uma plateia ao final do dia. Não voltarás a comer couve lombarda ao almoço quando vais falar para uma plateia ao final do dia. Não voltarás a comer couve lombarda ao almoço quando vais falar para uma plateia ao final do dia. Não voltarás a comer couve lombarda ao almoço quando vais falar para uma plateia ao final do dia. Não voltarás a comer couve lombarda ao almoço quando vais falar para uma plateia ao final do dia. Não voltarás a comer couve lombarda ao almoço quando vais falar para uma plateia ao final do dia. Não voltarás a comer couve lombarda ao almoço quando vais falar para uma plateia ao final do dia. Não voltarás a comer couve lombarda ao almoço quando vais falar para uma plateia ao final do dia. Não voltarás a comer couve lombarda ao almoço quando vais falar para uma plateia ao final do dia. Não voltarás a comer couve lombarda ao almoço quando vais falar para uma plateia ao final do dia. Não voltarás a comer couve lombarda ao almoço quando vais falar para uma plateia ao final do dia. Não voltarás a comer couve lombarda ao almoço quando vais falar para uma plateia ao final do dia. Não voltarás a comer couve lombarda ao almoço quando vais falar para uma plateia ao final do dia. Não voltarás a comer couve lombarda ao almoço quando vais falar para uma plateia ao final do dia. Não voltarás a comer couve lombarda ao almoço quando vais falar para uma plateia ao final do dia. Não voltarás a comer couve lombarda ao almoço quando vais falar para uma plateia ao final do dia. Não voltarás a comer couve lombarda ao almoço quando vais falar para uma plateia ao final do dia.

A rever a apresentação que irei fazer hoje e onde falo um bocadinho do percurso deste blog...



... dou de caras com estas fotografias e penso- caramba!- estas memórias já ninguém me tira!

O amor é que nos salva

            

O Mundo divide-se...

... entre as pessoas que gostam de comer caracóis e as outras.

Pensamento de longo alcance ou optimista até morrer

"Já viste? Voltou a chover, que chatice, pá!"

"Foca-te: é assim que os caracóis ficam no pon-to!"

Provavelmente, a fotografia do ano


A sueca Tess Asplund, de origem africana, marchou contra 300 neo-nazis fardados do Movimento de Resistência Nórdica, na Suécia, numa reacção de combate ao avanço da extrema-direita naquele país.

“Talvez o que eu fiz se torne num símbolo que diga que podemos fazer alguma coisa — se uma pessoa o pode fazer, todos podem.”- disse à imprensa. 

É isto.

Sou uma blogo-nostálgica*

"

meu, puto, chavalo, tipo, esquece








Sofia Vieira no seu "Passeai, Flores"

(*sou só eu que tenho saudades do tempo em que quem escrevia em blogs era porque gostava de escrever e não porque queria fazer parcerias comerciais?)

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Só se estraga uma casa

Os dois a regressarmos a casa no carro e eu comento com ele a polémica do dia acerca do homem que queria tirar uma selfie e destruiu a estátua.

"A estátua era de quem?- perguntou-me ele.

"De D. Sebastião"- respondo.

Fica calado e conduz uns bons 10 Km na A5,  em silêncio, até que desabafa muito sério:

"Porra pá, tinha que ser o D. Sebastião. É que o raio do senhor não tem mesmo sorte nenhuma..."

...

...

...

A avó- imprudente!- decidiu fazer-lhe a mesma pergunta

"Ana, se a avó fosse um animal qual seria?

"Uma alforreca. avózinha!"

...

...

...



(Ri-me durante uma boa meia hora...)

Chamada aos proprietários de carros de marca Volkswagen!

A sério, eu preciso de tirar esta dúvida: sou eu que tenho muito azar muita pouca sorte ou os elevadores dos vidros dos Volkswagen são o maior autoflop de que há memória?




(Sétimo: é o sétimo elevador que me avaria e eu tenho que viajar 30 km de vidro aberto que é muita bom para arejar as ideias.)

Como fazer o cartão de cidadão em menos de 12 horas em dez passos (tutorial sem vídeo)

1-

Sou uma original: Cascais

"Se vocês pudessem comprar uma casa pequenina à beira mar em Portugal para viver em regime de permanência, seria em...- desafia-nos na sua página de facebook a minha amiga Maria

E vocês?

PROGRAMA QUADRIPOLAR| O evento mais giro do ano faz-se a Norte


O Café Inovador tem a melhor francesinha do Porto e uniu-se ao Bairro do Amor para organizar a noite da francesinha solidária. O ambiente será de festa e as mesas corridas garantirão o convívio entre todos que quando há festa no Bairro somos todos vizinhos!
Vai ser é-pi-co! 
Encontramo-nos lá?

Reservas (são essenciais porque esperamos casa cheia) para porto@bairrodoamor.com ou pelo telefone 229 012 051. 

Começaram a chegar!

Lembram-se do desafio semestral do Bairro do Amor?
Começaram a chegar as ilustrações para decorar os quartos da meninas. E à minha secretária começam a aterrar maravilhas assim:


(Obrigada Tânia Catclaw, a única tatuadora que me fez, alguma vez na vida ponderar querer uma tatuagem). Amámos!

terça-feira, 3 de maio de 2016

Toda a verdade sobre o nascimento do BA*

Daqui a dois dias estarei perante uma plateia de jovens universitários a falar sobre o nascimento do Bairro e o papel que o blog teve (tem) na mobilização de pessoas em redor de causas sociais.
Ando aqui, numa angústia que só visto. Não sou boa oradora, falo muito depressa, atropelo-me a contar histórias, abro tabs na conversação umas atrás das outras, deixo algumas em aberto, sou meio caótica.
Pensei começar com este vídeo, uma coisa inspiracional e tal e falar de sonhos e de como este sonho num movimento comunitário organizado me escolheu a mim.

             

Mas dizia-me o Paulo, principal culpado responsável da existência do Bairro, pai do bicho, que se é para contar, é para contar tudo mesmo, Só a verdade e nada mais que a verdade. 

Quando fomos aos Açores entregar a cadeira à Mariana, dois desconhecidos num blind-date, numa blind-trip, estivemos dois dias em Ponta Delgada. No primeiro dia entregámos a cadeira à Mariana numa cerimónia bonita, bonita e ainda demos uma volta à ilha, pois fiz questão de mostrar ao Paulo os pontos mais bonitos de S. Miguel. 

No regresso, o meu amigo Valter, proprietário da famosa Salsicharia Rosa, decidiu oferecer-me um cabaz de produtos discretos para eu não ter saudades da carne dos Açores já aqui em Lisboa: morcelas, carne de vaca, linguiças e... língua de vaca. Foi assim, já na gare que o "corisco" me deu o farnel todo embrulhadinho para trazer para casa com uma advertência: "Isso passa tudo no controlo sanitário do aeroporto. O pior é a língua de vaca..."

Ora, eu e o Paulo trazíamos uma mala comprada nos chineses carregadinha de produtos açorianos: queijo, pimenta da terra, queijadas várias, licores, chás gorreana, tabaco e tudo e tudo. Encafuámos a carne lá para dentro e rezámos para que a língua de vaca não levantasse granel na alfândega do aeroporto. 

Já dentro do avião, cansados, adormecemos nas respectivas cadeiras. Quer dizer, adormeceu o Paulo e mais ninguém dentro do avião pois, passados uns 10 minutos, começou a ressonar tipo rebarbadora, serradora eléctrica, picareta... numa sinfonia conjunta. Coisa grave mesmo. 

Toda a gente a olhar-me de lado tipo "Hey, acorda o teu marido que está a ressonar que nem um porco" e a fazerem-me olhos de reprovação. E eu muito envergonhadinha, muito constrangida. Só que o Paulo não era o meu marido, eu conhecera o Paulo na véspera e não tinha a menor confiança para lhe dar um safanão e mandá-lo calar-se. Me-do. 

A esta altura já eu estava com vontade de ser língua de vaca e de viajar encafuada no porão. De repente ouve-se um "PLOC" e silêncio: o Paulo acordou de súbito.

Pergunto-lhe "Tudo bem?" e o tipo acena-me com a cabeça. "Mas estás mesmo bem?"- insisto. Acena-me novamente, enquanto olha, insistentemente para o chão. Tento fazer conversa e ele não me dá troco, grunhe uns "huns"  e continua de olhos pregados no chão. Começo a pensar "queres lá ver que já disse algum disparate e ofendi o homem?" e a ficar nervosa. Ele desaperta o cinto e começa a procurar qualquer coisa aos nossos pés. Desvia a minha carteira e continua de olhos pregados no chão a mirar tudo. "Precisas de ajuda?"- insisto. Outro "hum" de resposta. Começo a  ficar nervosa e decido ajudá-lo. "Estamos à procura do quê?"- volto à carga, mas já amainada, que já começara a pensar que o homem era doido de todo. Nada. Não me responde e continua à procura. E eu também, à procura de não sei o quê, mas à procura. 

Às páginas tantas vem a hospedeira muito prestável: "Precisam de ajuda?". E o Paulo acena com a cabeça, que não e continua em silêncio. Vinte minutos naquilo e eu continuo sem perceber nada. Às tantas faz-se luz e pergunto, a medo: "Paulo, perdeste a placa, perdão, a prótese dentária?". Finalmente, ele acena que sim.

A hospedeira que ainda não tinha desgrudado percebe o que se passa e começa desde as primeiras cadeiras na 1º classe a perguntar, fila a fila, "Peço desculpa, consegue verificar se por acaso, com a trepidação, tem alguma prótese dentária no chão à frente da sua cadeira?". Sublinho; desde as primeiras cadeiras e nós estávamos cá atrás. 

Às tantas, com o stress, o Paulo lá me explica que estava na Clínica Maló a colocar implantes e que aquela placa era provisória. E foi, de gatas, que encontrámos os ditos, quase a morderem-nos os pés. Literalmente. 

Passámos o resto da viagem a rir, entre a diversão da aventura da placa e o medo da língua de vaca nos denunciar. E foi aí, nessa cumplicidade maluca, nessa quadripolaridade partilhada, que ele me perguntou, enquanto voávamos sobre o Oceano Atlântico, se eu queria criar uma associação. E eu disse que sim, na hora. 
Porque quando reconheces alguém com uma pancada semelhante à tua sabes que só pode dar certo. 

Eu podia falar de sonhos e de como este sonho de uma associação que assenta na participação comunitária, nas premissas básicas da Psicologia Social, me escolheu a mim. Só que era mentiria.

O Bairro nasceu porque duas pessoas partilharam uma história que metia dentes postiços e língua de vaca. E porque, mesmo assim, acreditaram que conseguiam mudar, um bocadinho que fosse, o Mundo. 

Até que a morte a alfândega os separasse. 


[Vai assim com as iniciais para os motores de busca não detectarem este post :P]

Acabou de acontecer...

Ana acaba de tomar banho, eu passo-lhe creme no corpo, ela mira as pernas e sai-se com um:

"Ó mãe, já me fazias a depilação, não?"

...

...

...

Já era altura das Tartarugas Ninja terem um reforço... feminino

Eu e mámen a discutirmos o que fazer à Clara (estava mesmo falecida: paz à sua alma).

Ele sugere que a enterremos no quintal.

Eu acho que a deveríamos mandar pela pia abaixo.

Ele olha para mim, escandalizado: "Mas tu és insensível ou quê? Pela pia abaixo?"

Respondo, de imediato: "Mas se ela for para o esgoto pode ressuscitar numa tartaruga ninja, pá!"

...

...

...

Sabem aquela vossa amiga enjoada que quer sempre armar-se em contra-corrente e nunca gosta do que toda a gente gosta?

Então, essa amiga sou eu - não é de propósito, juro (sou mesmo assim),
Não ligo peva à moda desde a minha adolescência. Lembro-me perfeitamente quando foi. Foi na época da matéria da média, moda e mediana na disciplina de Matemática no liceu e aquela bendita definição: "Moda : valor mais frequente num conjunto de dados. ". Ora eu agora ia lá ser uma maria vai com as outras, usar aquela coleirinha de veludo ao pescoço a fazer de fio porque um maluco qualquer criador de moda decidiu que aquilo era bonito? Usar brincos de plástico fluorescente ainda a cheirar a batatas fritas porque toda a gente o fazia? Caguei para pertencer a grupinhos, usar roupas iguais às minhas amigas, todas a querermos ser tão especiais e únicas, tão parvo-adolescentes e a marcar a diferença e depois todas iguaizinhas, em série, porque a moda nos "ditava" o que era bonito o o que era socialmente desejado que usássemos.
Acabou aí, graças à professora Vera de Matemática a minha cena com a moda. A partir daí a coisa rege-se da seguinte forma: gosto do objecto? acho-o bonito? fica-me bem? Compro. O "estar na moda" dá-me o mesmo. Se EU gostar, se EU achar bonito e se ME ficar bem compro, se estiver na moda, olha que bom, se não estiver na moda, olha que bom na mesma.
Isto tudo para vos dizer que nunca, nem uma vezinha que fosse, comprei uma revista de moda. Aquela tara pelas Vogue e beca beca, sabem? Pois, eu não sei.
Mas hoje, hoje não pude deixar de querer muito comprar a minha primeira Vogue. Tudo por causa deste menina aqui:


                  

 Bo Gilbert é uma das modelos da edição britânica de Maio da revista “Vogue”. 
Tem 100 anos. 

"A língua inglesa fica sempre bem E nunca atraiçoa ninguém."

A discussão veio à tona no outro dia no grupo de amigos: porque é que o Masterchef Australia resulta tão bem e é o mega sucesso que se conhece e o português não passou de coisa assim tipo nheca?

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que após ouvirem alguém espirrar dizem "santinho" e as pessoas que dizem"saúde". 

Não não-spoilarás o Game of Thrones do próximo

Uma pessoa está a resolver tartarugo-dramas e não consegue ver o episódio em tempo real. 

Uma pessoa e o seu cônjuge decidem sentar-se, finalmente, já bem à noitinha, a assistir ao episódio não sem antes munirem-se do respectivo balde de pipocas. 

Uma pessoa, que é meio hiperactiva, pensa: "Ah, vou estar no computador ao mesmo tempo que assisto ao GoT que assim despacho trabalho."

O cônjuge de uma pessoa avisa: "Não abras o facebook que vais levar com um rancho de posts com spoilers".

Uma pessoa, que tem duas contas de facebook, responde: "Ah não, na minha conta de facebook pessoal é tudo gente certinha, não vai haver spoilers. Tranquilo."




Pois...

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Bem que mámen a queria chamar de Jon Snow...

[A tartaruga da minha filha amanheceu a boiar na pequena tartarugueira.
A boiar.
Agitei-a para ver se tinha algum reflexo. Nada, Coloquei-a na ilha de plástico ao pé da pequena palmeira de plástico e esperei uns 30 minutos a ver se detectava um movimento, ainda que minúsculo. Nada.
Tenho para mim que a bicha quinou.
Pensei tratar do funeral da bicha mas, de repente, começaram-me a avisar que podia estar apenas hibernada (se estiver, está com o termoestato avariado que estamos na Primavera, pá!
Estou aqui numa angústia que só visto: ou faço as cerimónias fúnebres à bicha e livro-me do cadáver a boiar na tartarugueira que está no quarto da minha filha ou espero com a falecida uns meses até que a mesma mostre que está apenas hibernada. Ou que comece a ficar num estado de putrefacção, vá.
Suspiro*]


Está a hibernar, fiiiiiilha!

Notícias boas acabadas de receber do mui querido Jorge Falcato

Para a comunidade surda e para todos: o 112 irá ter a possibilidade de ligação através de videoconferência utilizando a língua gestual portuguesa.

Ah, e o postal de Dia da Mãe, Pólo Norte?

Tirei fotografia mas estou sem bateria no telemóvel e não tenho aqui carregador. Mas jaz assim:

"O que mais gosto de fazer com a minha mãe é... ver televisão!"




A Ana nunca desilude.

"Peixinho dourado sempre com a boca aberta para comer a comidinha que lhe atiramos para o aquário"

No outro espaço de educação não formal onde ela brinca ocasionalmente alguns trabalhos expostos sob o tema "se a minha mãe fosse um animal seria..."










Preciso de uma vida inteira de terapia.

A PROVAR| A Trança

Conheci a Mafalda no festival de balonismo em Novembro do ano passado. Empática e despachada é difícil não gostar logo dela.
A Mafalda é daquela estirpe de gente que se faz à vida. Que pensa macro, que procura alternativas, que não quer sair da sua área de conforto mas sim achar áreas em que se sinta confortável. A Mafalda trabalhou em marketing a vida toda  mas, de repente, a paixão pela cozinha falou mais alto. E pesquisou, testou, batalhou até nos brindar com esta magnífica...a Trança!



A Trança é um produto de pastelaria feito totalmente de forma artesanal, desde a criação da massa até à confecção dos recheios.  Neste momento, estão disponíveis as seguintes variedades:  chocolate & noz, maçã & canela,  doce de ovos,  lemon curd  e doce de morango.  

As encomendas podem ser feitas através de e-mail: geral@atranca.com. Eu, que me chafurdei em tranças na festa de aniversário da pequena Sofia, só vos digo que vale a pena deixarem entrançar-se. É de comer e chorar por mais.

AQUI

"Já passou!"*

Literalmente.


[Obrigada pela sugestão, Mónica!].










* Mas juro que ainda ponderei no "Fomos à lá praia, fomos tu eu eu mas que grande bronca nos aconteceu". Juro.

Em directo

A minha filha acabou de dizer, na roda com todos os pais e colegas, que eu sei cantar muito bem. A educadora começou a incentivar-me e a bater palmas: "Cante! Cante! Cante!"

Pedi licença que, só mais um bocadinho, que tenho que ir à casa de banho. 

Estou na casa-de-banho da escola da minha filha a escrever este post. Não tenho aqui nenhum objecto cortante à disposição para cortar os pulsos.

Vou fulminar a Ana!

Batota doce

Ontem quis adormecer na nossa cama. Combinei com ela que assim que adormecesse eu transportá-la-ia de volta para a sua. Anuiu.

Adormecemos todos e só acordámos hoje de manhã.

Assim que abriu os olhos sorriu: "Mãe dormi na tua cama!"

"Sim, Ana, mas foi só hoje. Foi assim uma batota..."

"Oh mãe, mas foi uma batota doce!"

...

"Mãe, hoje é dia da Mãe outra vez?"

Só para acabar o dia




Não há nada que me realize  mais na vida que a minha maternidade. Não há nada que me dê mais segurança na vida que a maternidade da minha mãe. 
Não há ninguém de quem eu goste mais na vida do que a Ana.As Anas: a que foi o principio de mim e a que será sempre o meu final feliz. 

 Obrigada por este dia: à minha mãe e à minha filha. 


[Sim, quadros com pedras podem ficar muito giros: concedo.]

A palavra à educadora

"Olá Pólo,

  Imagino que já tenhas recebido 397489 mensagens à conta dos posts sobre as prendas do dia da mae e, legitimamente, já nem deves ter grande pachorra para mais… mas olha, apeteceu-me mesmo escrever-te. Não me sinto ofendida, indignada, aborrecida ou o que quer que seja, porque, de maneira geral, tu tens razão!

Apesar da minha lista de prioridades não ser exactamente o ‘original’ e ‘giro’, não deixo de concordar contigo. Enquanto a tua aversão é no sentido de ‘Ai caraças, que trambolho vou receber desta vez?’, a minha é ‘Ai f***-se, que coisa DE JEITO posso fazer com eles?’ Porque se é pra fazer alguma coisa, que seja com a participação deles, senão não faz sentido! Às vezes até acho que sou eu que sou bitchy porque muitas das prendas que vejo fazem-me revirar os olhos. Quer dizer, de certeza que, ao longo dos anos, também terei (se o bicho do desemprego me largar, claro) prendas menos bem conseguidas/ trambolhos wannabe mas, epah, há requisitos mínimos:

- Participação máxima das crianças (este já disse), tendo em conta as idades

- Ter alguma utilidade/ não seja apenas bibelot

 - Não obrigue os pais a ‘passar vergonhas em público’ (tipo colares, t-shirts)

- Não seja sexista (chama-me doida, mas irritaaaa-me que se faça uma merdinha pro carro – pano do pó, tapa sol - para o pai e um caderno de receitas para a mãe. Epah não. Então mas todas as mulheres têm de gostar de cozinha? Um caderno de receitas, pra mim, seria prenda para o Natal, para os dois.

 - (Ahhh, já me esquecia) A comida é pra comer, não pra fazer colares ou molduras. Há quem não tenha sequer um pacote de massa pra comer, não vamos fazer dela decoração. Isto é, para mim, o mais importante.

Quanto à parte do ‘giro’, também é importante que seja esteticamente agradável, claro… mas isso será sempre um pouco mais subjectivo Ah, só há uma coisa com a qual não concordo: acho que a prenda do pai tem sempre menos piada e é menos original, pelo menos do ponto de vista de quem idealiza. Mas pelos comentários, quem recebe acha o contrário. É curioso ;)
  E agora tu deves estar a pensar ‘Ui, esta fala fala…deve ter feito umas ricas prendas’. (Já fiz umas que me deixaram com o sentimento de missão cumprida e uma ou outra que nem tanto, confesso-te) Vou deixar-te a foto da última e depois tu dizes, numa escala de trambolho a girito, onde se situa ;)

P.S. – Gosto muito de te ler, és uma fixe e a tua Ana (mesmo sem nunca lhe ter visto a cara) é gira se farta!"
Ana Elias

* Com as cores que cada um escolheu (havia outras) Pronto agora é que ja não te chateio mais, mas era importante esta coisa do 'cada um escolheu' porque a cena da produção em série, tudo igual pra todos e toca a andar, também não está com nada.


Arranjem um emprego para esta menina, ó sff!
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