segunda-feira, 26 de outubro de 2015

100 Quadripolares que vale a pena conhecer # Bruno (28)





"Entrei aqui mas sempre a ver se não encontro ninguém conhecido. O que é que vão pensar de mim, se me virem dentro de um sitio destes? Reputação estragada. 
Nunca vi um jogo num estádio na vida à conta disto.
Não tenho problemas com tascos abaixo de cão, com pessoal a vomitar na mesa ao lado mas estádios fazem-me icterícia.
É que eu nem gosto de futebol."


Bruno

terça-feira, 20 de outubro de 2015

A VISITAR | Cooperativa Terra Chã

O ALDI tem uns pãezinhos de abóbora com nozes de bradar aos céus.

 E não digam que vão daqui...



Deliciar-se com pãezinhos 

Quem? Tabbouleh
Onde? Lojas ALDI

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Manifesto anti-eufemismos mariconças

Irrita-me as "boutiques de pão" em vez de padarias.

As " residências geriátricas" em vez dos lares de idosos.
Os "ateliers de escrita criativa" em vez de aulas de escrita.
Os "toxicodependentes" em vez dos drogados.
As "casas de chá" e "bar lounge" em vez dos cafés.
As crianças com "necessidades educativas especiais" em vez dos miúdos com dificuldades de aprendizagem.
Os "palácios da justiça" em vez dos tribunais.
O "fuschia" em vez de cor-de-rosa velho.
Os "centros hospitalares" em vez dos hospitais.
Os "auxiliares de acção médica" em vez dos ajudantes de enfermaria.
As "denúncias de contrato de trabalho" em vez dos despedimentos.
As "fitness academies" em vez dos ginásios.
Os "negros" em vez dos pretos.
As "crianças traumatizadas" em vez dos putos mal educados.
As "universidades da terceira idade" em vez dos centros de dia.
Os "espaços lúdicos" em vez de ATL's.
Os "salões de beleza" em vez dos cabeleireiros.
As "reprovações" em vez dos chumbos.
Os "estabelecimentos prisionais" em vez das prisões.
As "lojas gourmet" em vez das mercearias tradicionais.
Os "auxiliares de acção educativa" em vez dos contínuos.
As pessoas com "grau de incapacidade" em vez dos deficientes.
Os "docentes" em vez dos professores.
Os "hiperactivos" em vez dos reguilas.
Agora num passeio pela Marginal dar de caras com um letreiro de uma "nail's academy" em vez de manicure, já é o delírio! Pim! Pam! Pum!

Mãegyver is in love

  • Ikea hacker. O meu marido transformou-se num Ikea hacker. Em tempos tínhamos comprado uma loja de cartão para a miúda, daquelas baratas, nem sei se chegou a custar 10 €. Mas com o tempo e o uso começou a ceder e já estávamos preparados para a substituir quando fomos à arrecadação e demos com a estante HYLLIS desocupada. Demorou meia hora entre cortes com x-acto e colagens com fita cola dupla. A loja mantém a traça original mas está resistente e todo o terreno para a "vendedora" mais intrépida desta casa. 

Pólo Norte is in love... Out.15


  • Mercado do Bom Sucesso (Porto). Toooda a gente elogia o de Campo de Ourique, o da Ribeira, agora o de Algés mas ninguém fala do Mercado do Bom Sucesso, no Porto.  E é uma pena! O mercado do bom Sucesso é bonito, airoso e- parece-me- que mais virado para o mercado nacional que para os turistas na procura (infrutífera) de comparações com o de San Miguel, em Madrid (a última vez que fui ao da Ribeira, uns turistas perguntaram-me em espanhol improvisado onde poderiam comer tapas portuguesas). Um spot imperdível no Porto. 
  • Por duas ferramentas de trabalho: o Survey Monkey e o Canva. Ok, já toooda a gente devia conhecer estas ferramentas menos eu mas para quem trabalha em formação (tarefas que também acumulo) e que está habituada a passar questionáriozinhos no final das acções e depois ter que fazer o tratamento estatístico e a análise de dados, o Survey Monkey é um milagre de comodismo, eficácia e poupança de tempo. Já o Canva é só a cena melhor, mais básica e prática com resultados milagrosos. Basicamente a melhor invenção depois do Paint. E Deus sabe o especialista em Paint que eu sou...
  • A tasca do Camilo, ali no Linhó (Sintra). Toda a gente sabe que eu tenho um problema de falta de apetita. É muito fastio aqui para estes lados, este corpinho de sereia pode comprová-lo. :) Toda a gente sabe que eu sou uma esquisitinha no que diz respeito a petiscos vários. Mas, na verdade, verdadinha, à pála de ser orfã de vesícula não posso recomendar todas as casas de petisco a que vou, muitas com patrocínios de fritos indegestos e peixinhos da horta a saber a farinha. Não é o caso do Camilo, uma casa de petiscos despretensiosa, com uma ementa limitada mas apurada, com pouca variedade mas com a certeza de que a oferta existente está trabalhada, apurada, testada e optimizada ao máximo. Recomendo a espetada de enchidos, o mexilhão com molho de caldeirada e o vinho branco da casa, fresquinho e revigorante como não há memória.



sábado, 17 de outubro de 2015

MÃEGYVER | Ana doente



Eu a enlouquecer.

(A quantidade de "mães" e "mamãs" por segundo que ela consegue dizer são dignas do livro de records do Guiness)

Ter um blog pode ser muito, mas mesmo muito, bom!

"Pólo Norte, eu sou advogada. Neste momento não posso exercer porque trabalho num tribunal, mas terei todo o gosto em ouvir a história da A. e tentar ajudá-la a encontrar alguém que a represente pro bono. Conheço uma mão cheia de muito boas advogadas que pegariam no caso dela de certeza."

"Olá! Sou jornalista do Expresso e vi agora o seu post sobre a mãe da Alexandra. Acha que podemos falar? Obrigada"

E a A. está de volta à luta. E estamos tod@s com ela!

Because when injustice becomes law...

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

"When injustice becomes law, resistence becomes a duty"


Engravidei e achei que tinha sido abençoada. Tal como tu tiveste uma Ana, eu soube que ia ser uma Alexandra. Senti-me a mais feliz das mulheres. Ainda tive um susto ao inicio, mas a minha Alexandra não negava as origens beirãs e minhotas: já era mulher de fibra e agarrou-se à minha barriga para continuar a crescer (um mês de baixa e a coisa resolveu-se).

Estava contratada a termo no trabalho. No entanto, quando me mudei para o Norte do país foi precisamente com a intenção de constituir família. Os meus patrões sabiam-no e sempre reiteraram que a minha gravidez não alterava a minha posição na farmácia, que o meu lugar era isso mesmo, meu.
Ia efetivar em inícios de Abril. Tinha uma semana de férias em Março. No primeiro dia de férias a minha prenda foi uma carta no correio a dizer que o contrato tinha cessado. Sem justificação, sem uma palavra dita cara a cara. Quando se contratou um estágio profissional para suprir o aumento de movimento… 
A miúda na minha barriga sentiu os meus nervos... a médica proibiu-me de voltar ao trabalho nos dias que faltassem para concluir o contrato, dizendo que estava muito nervosa e que precisava era de espairecer, que estar ali, com a farmácia sempre na cabeça, estava a deixar a minha filha nervosa. Decidimos vir à minha Margem Sul, matar saudades dos meus pais e estar num sitio em que eu conhecesse as pedras do chão, para não estar sempre a pensar no mesmo…

Chegámos 5ª à noite, sábado de manhã dei entrada nas urgências em risco de parto iminente. A minha filha nasceu a uma 2ª feira as 15h30 no Garcia de Orta. Com 25 semanas e 5 dias.

Fui mãe e só me deixaram ver a minha filha no dia seguinte. Fui mãe durante 35 dias sem pegar na minha filha ao colo. Fui mãe e não consegui deixar de sentir que o destino (ou seja o que for que organiza as nossas vidas) foi injusto, porque eu devia estar a sentir os pontapés da minha menina ao invés de olhar para ela numa incubadora, cheia de tubos e incertezas.
Senti-me amputada sabes? Como se me tivessem roubado a barriga…

35 dias depois dela nascer, peguei na Alexandra pela primeira vez.  Ouvir a minha filha chorar foi  simultaneamente uma preocupação e o melhor som do mundo.  

'Entre as dúvidas do que sou e onde quero chegar 
 Um ponto preto quebra-me a solidão do olhar 
 Será que existe em mim um passaporte para sonhar 
 E a fúria de viver é mesmo fúria de acabar 
 Mas Deus leva os que ama 
 Só Deus tem os que mais ama." 

 É um cliché, mas foi esta a música que soou nos meus ouvidos mal o telefone tocou às 3h30 para me dizer que aquele era o dia mais triste da minha vida.

A justiça pode demorar, mas eu acreditei que chegava. Nada paga o que perdi, mas todos os dias deito a cabeça na almofada com a consciência tranquila. Por outro lado, a injustiça do que me aconteceu viverá sempre com quem acabou por assumir ter errado.

Hoje foi o dia. Sim, indemnizaram-me por despedimento ilícito. E o processo no ACT mantém-se. Pelo que a procuradora me disse no tribunal não tinha direito a mais do que aquilo. Se quisesse uma indemnização diferente teria que ter colocado um processo diferente, mas não me explicou que diferença era essa: pelos vistos a procuradora ou não estava interessada ou não lhe apeteceu defender-me. 

A quantidade de vezes que eu falei na gravidez... a resposta dela era sempre "o que vale é o que a senhora assinou". Sei hoje que a justiça não é gratuita como as pessoas dizem. No fim de eu ter dito que sabia que não pagava custas judiciais porque os meus rendimentos eram abaixo do limite, que se eles não me quisessem indemnizar eu avançava na mesma com o processo , ela fez as contas deu-me o valor a que tinha direito e disse "seja por acordo ou com a ida ao juiz não tem direito a mais que isto, agora decida quanto tempo quer que isto demore". 


A magistrada foi muito clara nas explicações "o máximo que você recebe com um processo destes é isto". Dois salários para me compensarem a perda de um trabalho que eu desempenhava bem, uma gravidez em sobressalto, um parto prematuro e uma luta que acabou em luto. Dois salários para me compensarem a perda do meu trabalho e da minha filha. Mas sabes que a magistrada nos autos escreveu que depois daquilo eu não tinha mais nada contra a empresa? Eu ainda lhe falei do processo no ACT e na queixa que fiz à CITE, mas ela respondia sempre igual: "o seu contrato é o seu contrato, o resto é o resto". A procuradora disse que não havia mais nada a fazer e pediu-me que assinasse. E pronto. Gostava de dar a cara por esta causa. Mas sendo-te honesta, já não sei. Ao início achava que sim. Neste momento não tenho certeza se sou capaz de mais. Estou cansada, farta de ter que contar a mesma história mil vezes e de me dizerem que a gravidez não é sinónimo de nada: " o seu contrato é o seu contrato, o resto é o resto".

O "resto" não foi uma gravidez. Foi uma bebé que nasceu. Que chorou. A quem peguei ao colo.

O "resto" foi a minha Alexandra. Que morreu.

Contas a minha história? Sem cara mas com as palavras que sabes escolher bem? Uma vez colocaste uma imagem " When injustice becomes law, resistence becomes a duty". Ajudas-me?"



Querida A.


As tuas palavras são melhores que quaisquer que eu pudesse vir a escolher. Resistemos! Voltamos à luta?

x is the new y

Comentário da minha amiga C. ao último post:

" Albano Jerónimo is the new José Fidalgo?"






:)))

Feliz Dia do Pão, sim?


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Alguém me dá receitas de mezinhas contra o mau olhado ou é caso para ligar já para a minha sogra?

Sexta a miúda cai e faz um TCE ligeiro. Passamos o fim-de-semana tooodo com a miúda sob observação.
Segunda-feira volta à escola. 
Terça-feira respiramos de alívio.
Quarta-feira a educadora liga-me e o meu coração gela ao ver o número no ecran do telemóvel (e eu a  trabalhar a mais de 100 Km de distância...).
Diagnóstico: estomatite aftosa e indicação de 5 dias de quarentena. 


Já fui comprar sementes de arruda, só por causa das tosses. 

A ASSISTIR | Documentário "No words"



O que é que faz de nós humanos? É o que nós amamos, pelo que nós lutamos? O que nós rimos ou choramos? Ou meramente a curiosidade?

Conduzido por estas questões , o realizador Yann Arthus-Bertrand coleccionou durante 3 anos histórias reais de cerca de 2000 mulheres e homens em 60 países revisitando temas que nos unem a todos: a luta contra a pobreza, a guerra, a homofobia e o o uturo do nosso planeta num misto de amor e felicidade. 

São três os volumes desta compilação de histórias e esta a minha favorita. 

Mais aqui:   http://g.co/humanthemovie 

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Sim, vou fazer Pilates...#3

"Em que é que consiste o Pilates»"- pergunta-me a minha melhor amiga.

Eu resumo: "Uma 'ssoa está deitada em cima de uma bola gigante, tipo a chocar a bola, depois enrola-se na bola, e estica as costas e as pernas, tipo alongamentos mas com uma bola, tás a ver?"

Resposta: "Vais estar deitada a chocar uma bola e chamas a isso exercício físico? Isso é seres uma galinha em coma pós-parto, pá!"



terça-feira, 13 de outubro de 2015

Sim, vou fazer Pilates...#2

Mámen interrogou-me se tinha roupa de desporto e calçado apropriado.

Fui ao meu mural perguntar se fazer Pilates de All Star era o fim do Mundo em cuecas (não faço ginástica desde 1998 e não tenho ténis de desposto).

Aparentemente, faz-se Pilates escalça.

...

...

Está visto que estou super sensibilizada para a modalidade.

Sim, vou fazer Pilates... #1

"Ou Pilates ou hidroginástica" foi o ultimato que me deu a médica. 
Escolhi Pilates por duas razões muito válidas e científicas: não ando com cabeça para aturar velhotas gaiteiras dentro de uma piscina. E não me apetece ter sempre a depilação em dia. 

(Sou uma sexy, bem sei,,,)

A EXPERIMENTAR | CLUBE VII



AAna volta à natação e nós regressamos ao Clube VII

O Clube VII não é um  ginásio. É o sítio que nos acolheu para a primeira festa de aniversário da Ana, de cariz solidário, nos recebeu de braços abertos e que nos aperfilhou para sempre. 
O Clube VII não é um ginásio. É o sítio onde a professora de natação da Ana, que a ensina a nadar desde os 6 meses, tem todo o tempo do Mundo para avanços e retrocessos, dias de birras e de mau humor, dias de inquietude e desconcentração, dias de chucha que teima em não sair da boca e gargalhadas que facilitam pirolitos.
O Clube VII não é um ginásio. É o sítio onde posso deixar a Ana a ter aulas individuais na piscina e descansar a cabeça enquanto bebo uma bebida fresca na pequena esplanada com vista para os campos ou um chá no bar de bancos corridos onde se senta qualquer desconhecido como se fosse família.
O Clube VII não é um ginásio.  É o sítio onde as pessoas têm nomes, onde a Sílvia partilha comigo gargalhadas, a Ana me sorri sempre daquele jeito sereno e a D. Fátima e a Sandra atrasam a hora de saída para nos acompanhar na converseta durante o banho pós-natação da Ana.
O Clube VII não é um ginásio. É o sítio que colocou um receptáculo gigante para recolher lenços para o evento dos "Lenços de Solidariedade" e ofereceu aulas gratuitas de ioga e relaxamento para mulheres vítimas de cancro poderem aprender a melhor gerir a dor. 
O Clube VII não é um ginásio. É o sítio onde tive aulas de primeiros socorros pediátricos. E onde numa festa maravilhosa conheci o Jorge Palma E onde me sinto em paz mesmo que esteja no meio do bulício de Lisboa.
Este seria um post de publicidade encapotada ao Clube VII se o Clube VII fosse um ginásio. Só que não é. É uma espécie de segunda casa que recebe uma comunidade à qual a Ana e eu pertencemos com muito orgulho. E família não precisa de publicidade.

Obrigada por isso, Clube VII




Conhecer o clube de família mais completo de Lisboa

Quem? Clube VII
Onde? 
Parque Eduardo VII, 1070-099 Lisboa 
Reservas? Pelo telefone 213 848 300
Saber mais? 
marketing@clubevii.com


AGENDA QUADRIPOLAR| Missão Continente e Cruz Vermelha Portuguesa promovem campanha de recolha de alimentos

Nos próximos dias 16, 17 e 18 de outubro a Missão Continente, no âmbito dos seus projetos de responsabilidade social, vai realizar uma campanha nacional de Recolha de Alimentos para doar produtos a todos aqueles que mais precisam. Esta ação será realizada em parceria com a Cruz Vermelha Portuguesa.
 
Durante três dias, várias centenas de voluntários da Cruz Vermelha Portuguesa, do Continente e do Meu Super vão estar em todas as lojas Continente e Meu Super, a auxiliar na recolha dos alimentos. Todos os portugueses podem contribuir com bens essenciais como o arroz, massa, enlatados diversos, leite, açúcar, sal, bolachas, leite em pó, papas lácteas para bebé, café solúvel, chá, barras energéticas, entre outros.
 
Os produtos e alimentos oferecidos pelos clientes serão posteriormente distribuídos às populações mais carenciadas, sinalizadas pelas Delegações da Cruz Vermelha Portuguesa, de acordo com as necessidades mais urgentes de cada região.
 
 

"Ser mãe é bom?"- perguntaram-me num comentário a um post meu na página de facebook do blog



E eu não respondi de imediato que sim, sem pensar antes, só com o coração. Ser mãe é a experiência melhor e pior da minha vida, a mais compensadora e a mais aterradora, a que mais me fortalece e mais me expõe, a que mais me preenche e me esvazia. Ser mãe é incrivelmente bom e terrível, ao mesmo tempo e com tempos intercalados, às vezes tudo muda num segundo, uma espécie de papel esquizofrénico e louco, feliz e em sobressalto.
Antes de ser mãe sentia-me invencível e é curioso como o nascimento da Ana foi a maior vitória da minha vida, a conquista suprema. Mas era antes dela que me sentia a maior e a mais poderosa, a mais invencível e destemida. Depois a Ana nasceu e a sua existência faz-me sentir mais completa mas não necessariamente maior, com o poder de ter gerado uma vida, de ser a pessoa mais importante na vida de alguém, de ter em mim os super poderes que todas as mães possuem mas, ainda assim, com menos poder sobre mim, sobre o Mundo, o acaso, o destino e as circunstâncias, mais pequena, enfim. Quando a Ana nasceu eu fiquei mais fraca e vulnerável, mais frágil e insignificante, com todos os temores concentrados na vida daquele ser, pequenino e meu.
Ser mãe é desmembrarmo-nos e termos que tomar conta de nós amputados e os órgãos amputados terem vida própria. Ser mãe é bom como quando se faz uma tatuagem numa zona sensível, daquelas que doem muito, horrores, mas depois quando nos sentamos, num dia de Primavera, e o sol bate na zona colorida da nossa pele sentimo-nos felizes a contemplar aquela imagem que passou, apenas, a ser uma imagem bonita e feliz.
Ser mãe é terrível, é deixamos de viver em sossego, sem medos, é passarmos a ter noção da nossa pequenez, da nossa incapacidade, das nossas limitações e do quão o Mundo é maior do que os egos, as vontades, o querer que aconteça. Ser mãe é uma desproteção permanente, é crescermos e termos que dar colo e já não haver espaço ou tempo, ou talvez ambos,  para cabermos, nós, no colo de alguém. Ser mãe é deixarmos, muitas vezes, para trás as filhas que somos, como se uma coisa substituísse a outra, como se ser mãe nos fizesse ser mulheres à força, cada vez menos meninas.
Ser mãe é bom. Mas quando é mau é mesmo mau, do piorio.
É uma esquizofrenia tramada.
E ainda assim não a trocava por nada.

Intervenção social: é isto!


ALDI, ALDI: nós éramos tão amigos...

Já te teci tantos elogios e estava a ficar confortável em experimentar tudo e mais um par de botas que se apresenta nas tuas prateleiras.
Mas ontem foi um dia mau: comprei para o lanche um bolo do caco que de bolo do caco só tem a forma. Para acompanhar arrisquei num sumo de sabugueiro muito bom para a dieta, já que me estou a vomitar há meia hora.
Mekié, atinas outra vez?

Aqui já fui feliz


(Escócia, Janeiro de 2011)

Poiares. Valdemoínhos. Vagueira. Portinho da Arrábida. Poiares. Tânger. Costa Nova. Barroca d'Alva. Paris. Ponte de Lima. Ílhavo. Gala. Deventer. Carcavelos. Monte Gordo. Avenida das Forças Armadas, Lisboa. Bratislava. Guincho. Viena de Austria. Vila Real de Santo António. Londres. Minas de S. Domingos. Caldeira de Santo Cristo.  Mónaco. San Remo. Roma. Tocha. Alcatruz. Espargos. Santa Maria. Baleal. Murches. Tunes. Sidi Bou Said. São Martinho do Porto. Barcelona. Lagoa do Fogo. Luxemburgo. Trier. Edimburgo. Ilha de Skye. Madrid. Vianden. Colmar. Baden Baden. Faial. Floresta Negra. Marvão. Bruges. Orval. Nova Iorque. Cabreiro. Coimbra. Caldas da Felgueira. Velas. Vimeiro. Mais Paris. Sintra. Ponta Delgada. Óbidos. 

Cascais. 


segunda-feira, 12 de outubro de 2015

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Espetar dois garfos de fondue nos olhos, uma faca de talho no nariz e uma espada na boca. Correr contra uma parede. E...



... ainda assim esta música "dói demais". 


Coisas que não consigo perceber:

1- A Luciana é gira, tem um corpo bonito, tem uma excelente voz e depois, depois... isto?

2- Porquê o look Nicki Minaj cruzada con bonecas Kokeshi e cabelos Pinipon? Porquê?

3- Ninguém avisou as bailarinas que ela tinha acabado de cantar de forma às moças pararem de dançar porquê?


O Mundo divide-se entre...

... quem acabou de ver o videoclip da última música da Luciana Abreu e entre quem ainda não tem os ouvidos e os olhos em sangue.

Não sei se os mande para a profissional do sexo que os concebeu se para o pénis que os copule

"Luaty Beirão é um dos rostos mais visíveis da contestação ao regime angolano. O luso angolano, em greve de fome há 21 dias, permanece em estado crítico. Este fim de semana foi transferido para um hospital-prisão e continua a recusar ingerir alimentos ou soro. Este sábado, no dia em que Luaty foi transferido para o hospital prisão, a Televisão Pública de Angola (TPA) referiu-se pela primeira vez ao caso, sem nunca falar em greve de fome. Nas palavras da TPA, Luaty Beirão está debilitado porque passou a ter um comportamento diferente em relação aos alimentos." 

in "SIC Notícias"



A quadripolarização mais emocional de todas






"Ola Ursa,
Em anexo as fotos da Quadripolarização da terra da sua família materna (Poiares – Ponte de Lima), visto que ainda não estava devidamente quadripolarizada.
Ao dispor.
Carolina Rocha"

Esta quadripolarização esteve em suspenso alguns meses. Cada vez que botava os olhos na fachada da Quinta da Torre- onde a minha avó nasceu, onde eu passei em cima de uma vaca até ao posto, onde descasquei milho e lhe reirei as barbas para fazer chá, onde cheirava ao pão de milho quente da minha tia Carminda, onde soava a buzina da carripana do pão que nos trazia rosquilhas que comíamos com o mel das abelhas que ali viviam, onde me ria das tropelias do Toné, o caseiro da quinta- cada vez que botava os olhos nestas fotografias dava-me vontade de chorar. 
Sempre achei que não tinha uma terra. Sou um bocadinho de todos os sítios onde fui feliz. Mas toda a gente tem um chão, um ponto de partida, onde o GPS da vida se inicia, terra onde assentam as raízes mesmo que os troncos ramifiquem Mundo fora, onde o som da pronúncia soa a casa, a lar. Toda a gente tem uma terra. A minha é esta. Minho no seu mais verde melhor. 

 E esta é a quadripoilarização mais emocional de todas. Obrigada, Carolina!

" O coração de mãe fica branco (sem pinga de sangue) quando um filho dá um grande trambolhão."


A frase é da Isabel Minhós no meu livro favorito do planeta Tangerina. E não poderia traduzir melhor o que senti na sexta-feira. 
A Ana tinha chegado à feira, bem disposta e faladora, cheia de energia e boa disposição. Era um princípio de noite feliz, a três, a ajudar no projecto bebé d'A SEITA. Jantámos cá fora no recinto, com luzinhas e ambiente de arraial, comemos arroz doce no final, a Ana feliz e saltitona, as suas gargalhadas a embalar-me. 
Fui para a banca ajudar o Sérgio. A Ana foi brincar com o pai, nuns bancos corridos dentro do pavilhão. Ao longe ouvia-se ruído de fundo, copos cheios de vinho de Bucelas a tilintar, gente a rir, frases no ar, vozes felizes de sexta-feira à noite. De repente um barulho. Estiquei a cabeça, apurei o ouvido, não ouvi nenhum choro. O meu marido a correr na minha direcção, a cabeça da Ana pousada no seu peito, o corpo sem sentidos. Eu fora de mim, controlada e robótica, a minha voz como se fosse de outra pessoa: "Ana! Ana, filha! Ana, acorda, filha! Ana". A Ana abriu os olhos e estendeu-me os braços, os seus olhos mortiços, nunca tive tanto medo na minha vida, a Ana a vomitar uma vez, duas. A Ana a chorar baixinho, sem berros, sem pavor, baixinho. Eu a passar por cima do chão sujo dos detritos alimentares, a correr, a ir ter com os bombeiros, eu modo autómato, eu sem ver ninguém, a cabeça da Ana no meu peito, a Ana mais leve e mais pesada que nunca. ~
A minha voz, calma e controlada, a falar por mim, eu sem qualquer controlo no controlo que todos viam. O INEM, a Ana a não querer mobilizar-se na maca, eu a dar-lhe colo, outro vómito, choro baixinho, eu a mantê-la alerta e consciente, "Ana de que cor é esta gavetinha da ambulância?", "Ana, vamos cantar uma canção?", "Ana, quando é que fazes anos?, "Vamos contar até 20, Ana, minha Ana?". O meu coração às pintinhas, "Ana, não morras!", "Ana, fica bem, Ana", "Ana, meu amor, és a minha vida". 

"Quando um filho fica doente, o coração de mãe fica às pintinhas (e muito mais pequenino…)

Pulseira laranja no hospital desconhecido para nós, eu sozinha com a Ana, o pai em pranto para trás, em missão, não podíamos deixar dois cadeirantes pouco autónomos sozinhos na feira, o meu telefone a avisar a falta de bateria, eu com vontade de chorar, a minha carcaça sempre calma, imperturbável, não podia mostrar à Ana que estava com medo, paralisada de medo, em pânico, no maior terror que já sentira na vida. "Ana vamos ver uma máquina divertida?" "Dói-me a cabeça, mãezinha!" Aquele "mãezinha" a esmagar-me o peito, a minha filha ao meu colo, sempre ao meu colo, a chorar baixinho, nunca gritou, a médica a sugerir que lhe dessemos um xarope para a acalmar enquanto fazia a TAC, eu em pânico, o estigma da TAC, eu por fora a dizer que não, que ela iria ser colaborante, que não era preciso. A Ana, pequenina, três anos de gente, a pousar a cabeça numa almofada demasiado grande para ela, a entrar na máquina da TAC, quietinha a olhar para cima, "amanhã não há escola, Ana, vamos ficar as duas em casa, só as duas, no quentinho, a brincar a tarde toda". 
A Ana a sair, o meu colo como uma fechadura para a chave que é a Ana, a médica a mandar dar-lhe soro de 5 em 5 minutos, a Ana a não querer, ele a entrar a correr, meu amor, a abraçar-me, a beijar-me a fronte, ele sabia que eu precisava de colo, meu querido. A Ana outra vez, a ficar com sono, nós a deixarmos adormecer aos bocadinhos, a acordá-la pontualmente, a Ana cansada, exausta, do susto, do medo, dos berros que nunca chegou a largar. A minha grande amiga Rosa a mostrar porque o destino a escolheu para ser madrinha da Ana, a fazer-me companhia, a olhar de soslaio para o meu colo, a entreter-me o medo com conversa. A médica a mandar-nos ficar lá algumas horas sob observação. E ali ficámos os três com a Ana, devagarinho e sem pressas, com todo o tempo do Mundo para, finalmente, a médica nos confirmar que o traumatismo crânio encefálico fora ligeiro, a recomendar-nos vigilância apertada nas próximas 24 horas, a dar-nos todas as instruções, a Ana a poder dormir sem interrupções, no meu colo, perto do meu coração às pintinhas pretas, muitas, todas juntas, a fazer um buraco negro de medo, de vazio. 
Nós a regressar a casa, a Ana a dormir no meio de nós. Nós a vê-la dormir, numa insónia partilhada, num silêncio entre o alívio e a preocupação. Amanhece. A Ana combalida, a Ana a não lhe apetecer comer, a Ana a apetecer-lhe brincar, finalmente, O fim-de-semana a passar, a Ana a voltar ao normal. O meu corpo a sintonizar outra vez com a minha alma, a minha voz a ganhar vida, o meu coração a despintar. A Ana a ficar boa. A Ana a rir, as gargalhadas novamente a embalarem-me, a Ana a devolver a vida aos meus dias, o meu coração ao meu corpo.  

 "Mas o coração de mãe volta a crescer  quando um filho se sente finalmente melhor!”

Ninguém o explica melhor, que a Isabel Minhós, no seu ""Coração de mãe". O meu está novamente a bater ao compasso doas gargalhadas da minha filha Ana, meu amor maior. 

sábado, 10 de outubro de 2015

AGENDA QUADRIPOLAR | Festa do Vinho e das Vindimas de Bucelas




Desde sempre que me lembro de conhecer a Rita, companheira de quarto dos vários hospitais, primeiro Sant'Ana, depois Alcoitão. O ordem era, sempre, esta: Sant'Ana para as cirurgias, Alcoitão para a reabilitação. 

A Rita faz parte da minha vida de uma forma natural, como faz a minha mãe, a minha vizinha Cláudia ou a menina Mariana, a quem a minha avó desde sempre comprava pão. Companheiras de colónias de férias, de aventuras e de ideias destrambelhadas, de gargalhadas, de muitas gargalhadas. 
Crescemos e as colónias de férias em Valdemoínhos, na Vagueira, na Gala e, depois, na Tocha deixaram de marcar 15 dias de calendário em cada Verão. Fui para a universidade, casei, tive a Ana. A Rita? Tirou um curso técnico-profissional, foi para uma instituição onde lhe faziam o favor de a deixar trabalhar chamando-a de "utente", adquiriu toda a autonomia que as suas canadianas não conseguiram tirar, foi viver sozinha, apaixonou-se por um colega com paralisia cerebral e passaram a viver juntos. Sozinhos como, aliás, se quer. 
A Rita e o Luis, um casal de pessoas portadoras de deficiência, riem-se quando se descrevem como "pensionistas". O Luis tem uma paralisia cerebral com consequências limitadoras ao nível da fala e da locomoção. A Rita, que se desloca de canadianas, levanta-o da cama, ajuda-o a tomar banho e a vesti-lo, faz as suas refeições, dá-lhe comida à boca, ajuda-o a fazer as necessidades básicas e deita o Luis à noite. Nos intervalos, traduz-nos o que a puta da deficiência impede o Luis de nos dizer de forma clara e perceptível. E ri-se muito. A Rita está sempre a rir como se a vida fosse fácil e o único entrave fossem os dois degraus do prédio onde vive e que não podem ser substituídos por uma rampa porque os vizinhos, em quórum, chumbaram a hipótese de construção com o argumento de que "dá cabo da estética do prédio". 
A Rita não gosta lá muito de depender de ninguém para as suas actividades da vida diária. Nunca gostou. E (também) por isso vive naquilo que ela própria descreve de "prisão domiciliária". As compras são feitas online e entregues em casa, há uma vizinha que lhe traz diariamente compras de conveniência da rua e as saídas para o exterior são muito parcas, na maioria das vezes para consultas nos hospitais ou actividades da Associação. 
A RIta não consegue ir produzir produtos para a SEITA semanalmente por falta de transportes adaptados que os levem de casa à Associação, por isso, a SEITA vai a casa da Rita. 
Estava muito difícil conseguir levar a Rita à Festa dos Vinhos e das Vindimas de Bucelas mas, graças à Dra. Paula Lopes e à incrível Câmara Municipal de Loures que se importou e hoje foi buscar e levará a Rita e o Luis a casa. 
A Rita está na Festa do Vinho e das Vindimas de Bucelas a atender fregueses, a ver gente,a conversar e a socializar como bicho social que é e que a vida teima em fazê-la esquecer. 
E eu gostava muito que a fossem visitar, ó fregueses!




(Hoje até às 00h00 no Pavilhão Leonel Pires, em Bucelas. Mandem-me fotografias vossas na nossa banca se lá forem!)

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Ahhh, Veneza!


"Bom dia minha querida!
"Olhaaa quadripolarização fresquinhaaaa!"
Em Veneza! :)
Beijinhos e saudades!
Anabela"


beijinhos, minha Anabela!

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Não têm noção onde se meteram...

A Ana trouxe um trabalho manual para acabar em casa em conjunto com os pais.

...

...

...

A tripulação de bordo da Ryanair mostra que tem, efectivamente, um grande sentido de humor


Ahahahahahahahahaha! É a raspadinha quadripolar, ó fregueses!


(Obrigada à hospedeira voadora não identificada- a seu pedido! 
É sempre bom termos infiltrados quadripolares a bordo. Beijinhos. )

Honduras? Checked!



Obrigada Alda! Honduras já cá canta!


Conheçam a cruzada quadripolar aqui.

Fui ao Porto com a Ryanair

Saí de casa atrasada e não tomei o pequeno-almoço. Tinha feito o check in online, por isso, dei-me ao luxo de chegar em cima da hora, até porque o terminal 2 do aeroporto de Lisboa tem menos lojas do que a Atrozela (se não saibam onde é: googlem!) e eu tinha muitas coisas para fazer para além de bezarrar num terminal de aeroporto
As pessoas ficam ali todas em filinha nas portas de embarque e eu acho bonito. Deixo-as todas alinharem-se com pressa de chegarem primeiro ao avião. Diverte-me a urgência que têm em enfileirar-se ou com medo que a lotação esgote, ou com a expectativa de apanhar lugares na primeira fila para veres melhor o voo (só que não) ou não sei porque razão. Fico sempre para último. 
Finalmente sentei-me e pensei para os meus botões: "Ena pá, que bom, vou dormir uma soneca de 1 horinha até ao Porto, maravilha!". E depois começou a pândega, de tal forma que (juro por Deus!) houve uma altura em que pensei que havia por ali câmaras ocultas e iríamos todos aparecer nos Apanhados. 
Eram três os hospedeiros e estavam tão bem sincronizados nos tempos de palco, nas pausas para respirarem, nas deixas e contra-deixas que tenho pena que se tenha perdido um elenco espectacular de stand up comedy em prol de uma tripulação de voos lácoste
Eu não estava à espera que a hospedeira se sentasse no chão a ler pelo megafone telefónico as pechinchas que se vendem a bordo. Também não estava à espera que o som da gravação para chamar a atenção das pessoas e lhes explicar as regras de segurança em vez de um "ding dong" fossem um "booooionnnng!" de vuvuzela.  Não estava à espera que um dos comissários de bordo dissesse: "E agora vamos chegar ao momento mais aguardado deste jogo: a venda das raspadinhas!" e que mantivesse um semblante sério enquanto dizia aquilo e enquanto passava ao nosso lado no corredor a ver quem comprava. Não estava à espera que o outro comissário de bordo se saísse com um: "Se o comandante não teve a brilhante ideia de acender as luzes dos  cintos de segurança à toa, é capaz de ser bom vocês apertarem-no porque vamos aterrar. A partir deste momento são proibidas idas à casa de banho, permanecerem de pé ou dançarem o tango!". Não estava à espera da hospedeira passar com um saco de lixo aberto e perguntar a cada um de nós: "lixo?", "lixo?", "lixo"?
Já tinha voado em lowcosts mas há muito tempo. E tudo isto era um rol de novidades para mim.
Pensava que tinha, apenas, comprado uma viagem de avião low cost para o Porto. Mas de bónus trouxe a experiência de uma stand in the air comedy. E só não trouxe um colchão, como aqueles que impingem às pessoas que alinham numa excursão à Régua sem saberem para o que vão, porque não calhou.
E desta vez aterrámos e ninguém bateu palmas. Injustamente que isto foi um primeiro acto inteirinho de um teatro de revista, só faltaram os penachos no meio das pinhas do pessoal de bordo. E não houve palmas porque acho que estava tudo em choque a ver quando entravam os colchões ou os aspiradores que se compram a prestações.
Mas, tenho para mim, que esteve asssiiiim para ter acontecido! Assssiiiim!

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Sim, Albano Jerónimo, fui eu que olhei para vocês e sorri, enquanto disse um "solidariedade!"

E, sim, Albano Jerónimo, tenho que assumir que a palavra "solidariedade" não era dirigida à tua mulher na perspectiva parental de quem está a olhar, desolada, para a filha a fazer uma mega birra no Zoo (já se sabe que às três da tarde é a hora birra light, ou seja, birra do sono, não há cá nada de novo nisso...).

Era dirigida na perspectiva conjugal. 


#devesercáumsacrifício

Cada tiro, cada melro. Cada cavadela, cada minhoca.

Quando comprámos o nosso Volkswagen mámen insistiu que queria um com motor a Diesel.

Como era mais caro e não fazíamos viagens de longa distância que compensasse, convenci-o a optar por um com motor a gasolina.


Pois.

Lua-de-mel quadripolarizada, lua-de-mel abençoada




Um beijinho para a Ana o o seu recém-esposo que em lua-de-mel na Tailândia não se esqueceram de afirmar a sua quadripolaridade!

Que sejam felizes (e quadripolares) para sempre!



Conheçam a cruzada quadripolar aqui.

Ben-u-ron gourmet

"Ana, para o lanche queres iogurte ou leite para comeres com o pãozinho?"

"Um bocadinho de xarope, mamã!"

Um mês depois

Já não há choros ao acordar.
Já não há lágrimas no caminho.
Já não há chantagens emocionais aos pais
Já não há apertos no meu peito.
Já há consciência do que sao dias de semana e fins-de-semana.
Já há brincadeiras em casa que reproduzem falas da educadora e rotinas da escola.
Já há músicas novas no repertório.


Um mês depois a Ana vai, todos os dias, feliz para o Jardim de Infância.

AGENDA QUADRIPOLAR | Festas do Vinho e das Vindimas de Bucelas



Será no próximo fim-de-semana a estreia d'A SEITA numa banca com contacto directo com o público.
O tema será o vinho e as vindimas e nós estamos em produção árdua de compotas de uvas.

Como, entretanto, precisávamos de ajuda chamámos uns amigos: assim alguns bloggers de culinária estão, durante esta semana, a produzir um produto alimentar que contenha uvas ou derivados para venda numa edição especial nesta feira, com receitas a reverterem a favor d'A SEITA.

Desta forma, os visitantes terão oportunidade de conhecer alguns elementos d'A SEITA, de adquirir as compotas especiais produzidas por eles e de adquirirem produtos gourmet produzidos pelos mais conhecidos bloggers de culinária nacional.

Gostávamos muito de vos encontrar por lá: contamos convosco?

Não há coincidências, já dizia a outra senhora

Intrigadas acerca de como raios pode o PaF ter ganho as eleições quando os nossos feeds de facebook mostravam apenas gente contra a coligação, a minha amiga Márcia esclareceu-me:

" Eu andava a pensar isso e de repente caiu-me a ficha... Eu ocultei da cronologia todas as pessoas que fizeram comentários xenófobos sobre os refugiados. Coincidência?"


domingo, 4 de outubro de 2015

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que não tiraram fotografia ao seu boletim de voto para pespegar no facebook e as outras.

Fomos ao Zoo


Acordámos entusiasmados e ligámos aos nossos amigos: era dia de Zoo.
A Ana foi de mão dada com a sua grande amiga Laura. Eu e a Margarida- amigas do tempo de faculdade- de repente tornámo-nos mães e enquanto empurrávamos os carrinhos de passeio das miúdas eu senti uma certa nostalgia pelas risadas nos corredores do ISCTE, pelos anfiteatros, alas velhas e autónomas, pelos dias de frequência, as mini-quiches do bar do Sr. António, as aulas substituídas por tertúlias no "aquário", as gargalhadas. 
A Ana de mão dada com a Laura. Nós crescidas, casadas, maridos ali ao lado. Dúvidas diferentes, angústias diferentes, sonhos diferentes mas a mesma essência. 
Fomos ao Zoo e não tivemos pressa. Vimos os animais que elas preferem, deliciámo-nos com gracinhas, invejámos os tratadores dos golfinhos, sorrimos com as cavalitas dos pais que nada mais são que postos de vigia do Mundo, aprendemos montes de coisas sobre animais que acabámos por partilhar entre nós, andámos sempre a passo de passeio, deixámos o teleférico para outro dia e fomos muito felizes. 
A felicidade é feita de dias assim. Sem pressas, em lugares mágicos, com amigos de sempre e crianças de mãos dadas que se espera que venham a ser amigas para sempre. 



Aos interessados: o Paulo Barros Cardoso estará a dar um workshop de fotografia para famílias no Bairro do Amor no dia 17 de Outubro, em Lisboa. Mais informações aqui.

sábado, 3 de outubro de 2015

Primeiro-Ministro (M/F)

Primeiro-Ministro
AnónimosPortugal


O nosso cliente, país com elevado potencial mas profundamente descrente com o sistema vigente, está neste momento a recrutar para uma vaga para a função de primeiro-ministro. Se procura uma experiência na área de ressuscitação de um país em coma, esta oferta é para si! 

Será responsável por: 

  • Restabelecer a crença num futuro melhor a mais de dez milhões de portugueses 
  • Gerir um país sem pedir a ajuda do público, dos 50/50, lá de casa ou do FMI
  • Governar com base naquilo que prometeu durante a campanha política e, consequentemente, razões pelas quais foi eleito e não governar ao lado sob o alibi de que a culpa é do Governo anterior, do Lobo Mau, da Madrasta Má da Branca de Neve ou do Coiote, 
  • Estabelecer políticas reais de emprego, de empregabilidade, de estabilidade de contratos de trabalho, do fim da conivência com a precaridade, com a desvalorizaçao da mão-de-obra, com a banalização do trabalho através de estágios não remunerados, estágios profissionais sem perspectiva de colocaçao efectiva, com falsos recibos-verdes
  • Ressucistar o tecido empresarial, acreditando que uma tributação mais justa e um IVA mais baixo serão sempre melhores opções que lojas falidas, restaurantes fechados, insolvências em barda e leilões de bens confiscados vendidos ao desbarato
  • Analisar e elaborar propostas de implementação de políticas que devolvam a esta terra os jovens bem preparados academicamente e que se viram obrigados a pôr o seu saber ao serviço de outrém por via da emigração por falta de oportunidades num país que precisa deles
  • Garantir a continuidade e a sustentabilidade do país promovendo o apoio à instituição família, quer por via de políticas de incentivo à natalidade, de promoção do bem estar das famílias, de esaboraçao de políticas de educação que garantam a qualidade de vida das crianças e de respeito pelos idosos
  • Devolver o Ministério da Cultura e a própria cultura a um país que está em profundo síndrome de abstinência há 4 anos

O candidato ideal deverá apresentar os seguintes requisitos: 
  • Licenciatura, preferencialmente pré-Bolonha, concluída a dias de semana e com evidências de frequência real, assiduidade e créditos e tudo e tudo
  • Experiência anterior efectiva e comprovada no mercado de trabalho (experiência exclusiva em juventudes partidárias não será contabilizada como experiência profissional)
  • Forte orientação para o cumprimento de objetivos e alcance de resultados
  • Forte capacidade de autonomia (disponibilidade para trabalhar sem a companhia de amigos: no more jobs for the boys!)
  • Boa memória a médio e longo prazo (dá jeito não dizer coisas na campanha, desdizer daqui a uns meses, voltar a dizer daqui a um ano.)
  • Bom raciocínio numérico (já chega de "é fazer as contas...")
  • Capacidade de motivação de equipas e de trabalho em equipa (a começar pelos  funcionários públicos, devolvendo direitos adquiridos e que lhes foram confiscados)
  • Honestidade, seriedade e ética

São também valorizadas: 
  • Carta de condução e carro próprio – Eliminatório (que os "xófers" e os carros de topo de gama de serviço custam os olhos da cara ao povo)
  • Destreza no manuseamento de Bimbys ("tachos" deverão ser eliminados)
  • Síndrome de Robin Hood será valorizado (já estamos um bocadinho fartos que se ande a pedir batatinhas aos pobres para se pagar caviar aos ricos)
  • Rigor financeiro (não há possibilidades de mais empréstimos de dinheiro aos bancos)
  • Excelente capacidade de gestão de tempo com especial gosto por feriados (repôr os feriados e assumir que a produtividade depende do tempo real de trabalho em vez do tempo no trabalho é factor preferencial)
  • Conhecimentos de suporte básico de vida são valorizados, nomeadamente, ao nível da manobra de Heimlich para salvar o Estado-Providência

Esta oferta proporciona-lhe os seguintes benefícios: 
  • Contrato de trabalho (4 anos) 
  • Formação contínua
  • Real perspectiva de continuidade se não virar o bico ao prego, não falhar promessas que ninguém o mandou fazer se sabia que não ia cumprir, não inventar 
  • Perspectiva de governar um povo de brandos costumes mas que, altamente motivado, pode chegar a um lugar cimeiro

Se esta oferta é do seu interesse, candidate-se já pelo email nãonoslixemaseleições@gov.pt

Águeda terá, muito em breve, forte concorrência!

Acabei de contabilizar o número de chapéus de chuva que a Ana acumulou no último ano entre cravanços à avó, à tia, aos tios, às vizinhas, aos amigos dos pais e a toda a gente que se foi lembrando: 11. Repito: onze.




Só me ocorre fazer uma instalação artística no tecto do quarto da miúda e concorrer contra Águeda na convenção anual de acumuladores de chapéus de chuva anónimos.


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

O que faço contigo, Paulo?*

O Paulo é um querido. 
O Paulo é um romântico. 
O Paulo quer agradecer à mãe da filha. 
O Paulo é fofo.
O Paulo plagiou um texto meu. 
O Paulo esqueceu-se, no plágio, que a mulher não tem olhos azuis. 
O Paulo  esqueceu-se, no plágio, que é pai da filha e não mãe.
O Paulo esqueceu-se, no plágio, que quem dança a valsa é o pai e não a mãe. 
O Paulo nem plagiar sabe.

O Paulo é tolo. 



(*Well, não preciso de fazer nada. Quando a mulher do Paulo perceber que a linda declaração de amor que ele lhe dedicou não é da autoria dele,  a mulher do Paulo, com toda a certeza, vingar-me-á...)

A Rita não vai ao Minipreço (e eu tenho pena mas também vou deixar de ir)

Ando um bocado chateada. Aliás, andava um bocado chateada até hoje. A partir de hoje estou mesmo lixada, ao nível de lixada com "f" maiúsculo. 
"A seita"- a loja pop up que desenvolvemos durante o campo de férias de pessoas com deficiência motora foi um sucesso. Os participantes adoraram contactar com diferentes técnicas, conhecer diferentes formadores e produzir uma série de produtos nos workshops que dinamizámos. As vendas (que eram só online) superaram as nossas expectativas e a motivação esteve sempre em alta!
Findo o campo de férias concluímos, mais uma vez, que muitos dos participantes voltariam para casa onde, durante o resto do ano, permanecem sem ocupação, muitas vezes a servirem de damas de companhia dos pais, avós ou só a bezerrarem na internet por falta de opções. 
O mercado de trabalho não está fácil para ninguém e ainda menos para as minorias. O mercado de trabalho para o público deficiente está complicadíssimo. Por outro lado, as dificuldades de acesso ao mundo profissional são tantas e dissuasoras que muitas das pessoas com deficiência já desistiram, sequer, de procurar, contentando-se com situações de desocupação permanente.
"A seita" deu, para muitas destas pessoas, uma pequena ideia do que é ter um negócio próprio, produzir artesanalmente produtos, divulgá-los, escoá-los e vendê-los. E animou-os. E ninguém queria, no fim do campo de férias,que a loja fosse, efectivamente, pop up. Queriam que sobrevivesse para além das férias. 
A Direcção da Associação deu luz verde para arrancarmos com o projecto de forma experimental e o mais autónoma possível. E começámos por arranjar o espaço que a associação nos destinou para produzirmos (pequena sala que servirá de atelier e a pequeníssima cozinha), arrumámos matérias primas que nos doaram (tecidos, material de craft, etc) , fizemos inventários, aferimos necessidades e pedimos patrocínios (falta-nos muitas coisas, entre as quais, uma pintura nas paredes mas a seu tempo lá chegaremos). Fizemos contactos e estamos a tentar estar presentes em feiras para vendermos os nossos produtos (a próxima será já no próximo fim-de-semana em Bucelas, venham conhecer-nos!). Mas as dificuldades que nos tempos deparado são muitas.
Neste momento (achava eu) a grande dificuldade prendia-se com os transportes. A Associação tem uma carrinha de 1990 sem elevador (que é importante para transportarmos cadeiras eléctricas pesadíssimas e algumas pessoas que não conseguem ir sentadas nos bancos da carrinha) que, na próxima inspecção, chumbará com toda a certeza. 
Falámos com alguns dos participantes que querem tanto pertencer ao projecto, sair de casa todos os dias, sentirem-se úteis, serem activos, que se disponibilizaram para chegar a Lisboa de transportes públicos (e vocês não imaginam o pincel que é um cadeirante andar de transportes públicos) até à entrada de Lisboa e depois a Associação recolhê-los.á nas respectivas estações terminais na tal carrinha (com força de braços de um motorista voluntário). 
A Rita e o Luis são o caso mais complicado. São os dois cadeirantes, não têm rampa no prédio que os possibilite, sequer, sair de casa (estamos a trabalhar nesta situação com uma voluntária juíza e uma advogada). O Luis tem paralisia cerebral e não consegue ter autonomia para chegar de transporte públicos até à Associação. A Rita não quer fazê-lo sozinha (não quer deixar o Luís para trás)e  não consegue empurrar o Luis para juntos chegarem às instalações. Zero possibilidade de irem de transporte público. O Luis move-se numa cadeira eléctrica e precisa de uma carrinha com elevador. A Câmara Municipal da Amadora (onde eles vivem) só consegue garantir o transporte dentro do concelho da Amadora. A Câmara Municipal de Lisboa (onde fica a Associação) só faz o mesmo dentro do município de Lisboa. A Rita e o Luís não conseguem ajuda nem para sair da Amadora nem para chegar a Lisboa. As instituições parceiras (Amorama, Cerciama, APD, bombeiros) não conseguem dar resposta a este caso por sobrelotação das carrinhas que têm e outros motivos que tal. 
Nós não conseguimos trazê-los e eu tenho andado angustiada. E chateada. E depois, como tenho um feitio torto, decidi que se eles não conseguem ir até à "Seita", vai "a Seita" até a casa deles. 
Hoje a equipa da Seita foi até à Amadora com o intuito de produzir compotas para fender na próxima feira de Bucelas a partir da casa da Rita. Estávamos cientes que teríamos que descer os degraus do prédio a apoiar a Rita devido à falta da bendita rampa. 

O que não esperávamos era que, para comprar bens alimentares, matérias prima essenciais para a produção de produtos da loja, o Minipreço da Amadora nos surpreendesse com corredores com paletes no meio, a impedir a circulação da cadeira de rodas da Rita. 
Chamámos uma empregada que sugeriu que a Rita fosse para um corredor alternativo (tipo "para que é que vai para esse corredor procurar crepes gelados? Vá antes para o do lado que tem um bacalhau congelado muito bom..."). Ficámos estupefactos com a ideia brilhante da senhora e mandámos chamar a gerente de loja. Dissemos que era a segunda vez que nos deparávamos com aquele impedimento à acessibilidade da Rita e que da anterior (em que foi deixada reclamação no respectivo livro) comprometeram-se a mudar. A senhora pediu-nos muitas desculpas, disse-nos que iria levar a nossa reclamação aos superiores que tomavam decisões acerca do layout da loja mas, no fim de contas, não mexeu uma única palha para desviar a bendita palete carregada de pacotes de açúcar. 
A Rita recusou-se a fazer compras e fez marcha atrás furiosa. Eu achava que estava chateada com a questão dos transportes. Frustrada com todas as dificuldades de acesso com que nos temos deparado.
Mas agora já não estou chateada. Estou só furiosa com o Minipreço. Porque antes de termos forma de fazer chegar as pessoas à Associação para produzirem produtos, antes de trabalharmos as questões do empreendedorismo, antes de promovermos a autonomia, é importante que consigam sair de casa, fazer compras e terem direitos que são tão básicos mas tão básicos que não sei como não são, ainda, de todos.
Repito: de todos. 

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