terça-feira, 31 de janeiro de 2017

100 Quadripolares que vale a pena conhecer- Luciano (34)- post póstumo

Com 2016 findado restou em nós (em mim?) a secreta esperança do fim da chacina dos que nos são queridos. 
Morreu esta madrugada uma das minha almas gémeas e são tão poucas- agora- cada vez menos. Luciano era um artista em todas as facetas que o sentir artista encerra. Não era artista de substantivo, era artista de adjectivo e nenhuma palavra o adjectivava melhor, à excepção de, talvez, poeta. 
Era poeta dos trapos, alfaiate de palavras, génio do vernáculo e alquimista das palavras directas e sem duplos sentidos, das verdades nuas e expostas sem pudores, das coisas a ser como exactamente são, sem paninhos quentes nem metáforas, sem eufemismos nem justificações delicodoces. 
Luciano era único como somos todos mas mais único que quase todos, no seu destemor de ser quem é sem medos, de abraçar a sua vulnerabilidade, de cabeça erguida pelo percurso percorrido e pelas vértebras muito direitas de quem tem um espinha dorsal do caraças e uma verticalidade ímpares. 
Luciano dos fados, Luciano dos poemas à moda de Bocage, Luciano Montijense de alma e coração, Lisboeta por opção. Luciano das agulhas, Luciano do activismo contra as hipocrisias, Luciano das politiquices, Luciano das verdades. 
Luciano rir-se-ia se hoje visse o mural do seu facebook cheio de RIPs e palavras fofas. Pudesse ele e apontaria o dedo a quem hoje o chora publicamente, enfrentando-os nos olhos, perguntando porque chora se não quiseram saber durante meses à força das agendas cheias e dos dia-a-dias ocupados. Pudesse ele e chamaria os bois pelos nomes e as cabras pelos epítetos. E poria a mão na anca e bateria o pé e discutiria sem medos. Luciano comover-se-ia se hoje visse alguns silêncios no seu mural de facebook e pudesse ler algumas mensagens privadas a perguntar que merda de brincadeira de mau gosto vinha a ser esta, mensagens de quem não acredita nisto, de quem a julga uma partida do Luce e responderia a sorrir, meio pueril, o artista. 
"Vícios públicos, virtudes privadas"- pudesse eu dizer-to outra vez, querido Luce, estupor da minha vida, era tão fácil entendermo-nos, rirmo-nos das mesmas coisas, troçarmos da mesma hipocrisia, termos fé nas mesmas descrenças. 
E a puta da morte, indiferente aos anos civis, efectivamente, não morre. Morres assim e a vida tem cada vez menos força. 
Menos arte e poesia. 

sábado, 28 de janeiro de 2017

Izzizinha mais espectacular de sua amiga: cá abracinho!

"

É uma chatice, que é

Quando a realidade me vem dar razão.
Isto a confiar na palavra de outros bem melhores e mais sabedores.


[claro, claro que nem todos os empregadores são assim. claro que nem todos acham normal um seu empregado, após prestar 40 horas semanais, ainda encaixar mais vinte ou, na loucura, outras 40, e isto num regime de salário "livre", porque afinal se vão para outro lado ainda fazer um part time ou um segundo emprego, é porque é gente empenhada, trabalhadora, ou se calhar gananciosa, e não porque não conseguem viver com a merreca que o dito empregador lhes paga. e claro que, em vez de andarem dois patrões a pagar, cada um, um ordenado mínimo, porque não ficar só um com o encargo de pagar a esse trabalhador incansável mais qualquer coisinha, que nunca as horas extra fixadas por lei, vá, consultemos o mercado, fica um ordenado mínimo e meio? afinal o trabalhador até poupa na deslocação para o segundo emprego, faz chichi e gasta água só num sítio, e tem um almocinho bem catita com a - belhéc - produção da casa. claro que nem todos os patrões são assim, mas muitos são, e um já seria de mais. puta c'os pariu.]  "

Izzie no seu brilhante "Carências Afectivas"

Os chineses é que sabem


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Diz que este é o ano no Galo. 

Confirma-se. 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Amor




Desta reportagem- cujos intervenientes me são muito queridos e estimados- fica a maior lição: educar com amor é tudo o que é preciso.

Retenho os muitos risos e gargalhadas da Ana ao longo da peça. E a conviccão do Gui que a mãe é quem o faz mais feliz.

Educar, com amor, sendo feliz para um filho, por um filho, pelo filho é o único segredo para fazer um filho feliz. 

Bravo Ana e Gui! Bravo!


[Deixem-me só acabar de chorar que já cá volto.]

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Por falar em chica-esperteza...

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(via Paulo Cabrita)

Sabes que és uma visionária quando...

             
["Nós o PATRONATO achamos que o COLABORADOR não precisa de ver aumentado o salário mínimo nacional. Precisa é de ter um horário de trabalho não rígido, isto é, com toda a flexibilidade para dar resposta à EMPRESA. Aumentar o salário mínimo? Terem horários certinhos em que saiam a horas decentes e com dignidade? Para quê? Para irem laurear a pevide para as casas modestas ou os quartos alugados e que lhes levam metade do ordenado em rendas? Para irem descansar para casa com este frio agarradoss às botijas de água quente que ao preço que a electricidade está não dá para ligar os aquecedores? Não! Nós os EMPRESÁRIOS defendemos que salários baixos, liberalização dos despedimentos, fim dos limites legais ao horário de trabalho e nada de pagamentos de horas extras, isso é que é! Assim ficam com mais vontade de trabalhar mais e melhor nas Padarias fofinhas, com ar condicionado de borla e wi-fi "grátes" e mordomias várias ao dispôr e sossegadinhos, sabendo que podem ir para a rua sem grande protecção das leis que assim é que andam todosa direitinho que nem um fuso, que nós não queremos monos nas empresas, queremos COLABORADORES que trabalhem muito e muito e bem e bem, com vista à expansão (dos nossos lucros), todos fardados, todos felizes, todos lindinhos, se eles não quiserem há quem queira, o que não faltam ai é desempregados, juízinho mazé, ingratos, nós até partilhamos (em powerpoints em reuniões anuais de kick off em hoteis bonitos para os motivar) os resultados com eles, há que dar graças a(os pães de) Deus terem trabalho, essa é que é essa. "]




... os topaste logo à primeira.

Logo à primeira. 

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

A irmandade incarrapitável já elegeu o seu livro de auto-ajuda de cabeceira

Resultado de imagem para a toupeira que queria saber quem lhe fizera aquilo na cabeça

[Obrigada pela dica, minha Rita Maria]

Frente popular das incarrapitáveis anónimas



Ana

Ana

Ana

Daniela

Andreia

Márcia

Carolina

Johnny

Paula

Cristina

Vera

Márcia

Sílvia

Lurdes

Amém, sisters!

[A propósito disto]


Strip tease galináceo

A minha mãe na cozinha a desmanchar um frango para o jantar é interrompida pela Ana:

"Hey, avó: posso ajudar-te a despir o frango?"

...

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O Mundo divide-se entre...

... quem diz carrapito e entre quem diz puxo.

Pólo Norte descobre um dos segredos mais bem guardados da Humanidade*

Uma pessoa penteia-se bem penteada. Uma pessoa maquilha-se. Uma pessoa até põe uns pózinhos na cara para parecer mais rosadinha e com um ar bem saudável. Uma pessoa veste uma camisa com um decote bonito para o colo ficar apresentável.  Uma pessoa treina o seu melhor sorriso sem mostrar os dentes ao espelho. Uma pessoa sai de casa confiante. 

Uma pessoa  chega e tira uma senha. Uma pessoa percebe que tem 30 pessoas à espera de serem atendidas antes de si. Uma pessoa senta-se. Uma pessoa levanta-se. Uma pessoa vai beber um café e esborrata o batom que tinha posto de manhã. Uma pessoa compra uma revista. Uma pessoa coça a cabeça (e despenteia os cabelos) enquanto lê as fofocas. Uma pessoa começa a marcar pastilha elástica para se entreter. Uma pessoa mete conversa com a pessoa do lado. Uma pessoa começa a ficar cansada. Uma pessoa recosta-se à cadeira desconfortável. Uma pessoa esfrega os olhos e bezunta a fronha toda de rímel. Uma pessoa encosta o braço ao apoio da cadeira, leva a mão à bochecha outrora pintada com os pózinhos saudáveis para segurara  cabeça. Uma pessoa tem vontade de fazer xixi mas não há wc no serviço. Uma pessoa está desesperada, descabelada, desmaquilhada, desmiolada e destrambelhada quando, finalmente, é chamada. 

Uma pessoa está tão exaurida que o único consolo é que descobriu, finalmente, um dos segredos mais guardados da Humanida. 




[*Está assim desvendado porque é impossível alguém ficar decente nas fotografias do cartão de cidadão.]

Gezellig is the new hygge

"Its meaning includes everything from cozy to friendly, from comfortable to relaxing, and from enjoyable to gregarious.
According to Wikipedia, “A perfect example of untranslatability is seen in the Dutch language through the word gezellig, which does not have an English equivalent.
Literally, it means cozy, quaint, or nice, but can also connote time spent with loved ones, seeing a friend after a long absence, or general togetherness.”
However, to the Dutch it goes way beyond ‘cozy.’"

Daqui (e por recomendação da minha amiga Luna- uma das melhores bloggers de todos os tempos -e com regresso agendado para breve- e que conhece a nossa família como poucos.)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

O Quadripolaridades em vias de se profissionalizar

A era jurássica de mámen

Eu: "Ana, o pai está quase a fazer anos. Vamos mandar fazer-lhe um bolo?"

Ana: "Sim. De dinossauros, pode ser?"

Eu: "Oh, o pai não gosta muito de dinossauros."

Ana: "Pois não!"

Eu: "Então porque queres mandar fazer um bolo de dinossauros para o pai?"

Ana: "Porque ele é antigo, mamã!"

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Pólo Norte também tenta ser trendy em questões fashion-coiso

Tudo o que é miúda gira nesta internet com carrapitos no alto da pinha cocuruto.

Eu: "ai que lindo, ai que giro, também quero..."

Elas:

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Eu:

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Adivinhem a reacção do hygge-herege cá de casa...


Foi um hygge que se nos deu!

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Com a mudança de casa tentámos decidimo-nos a destralhar.

Muito convicta- depois de mil contas do instagram visitadas e revisitadas, depois de imagens e imagens do pinterest percorridas, de me deliciar com o ar relaxado, zen e pacífico das bloggers/instagrammers/pinteresters e senhoras com ar de quem não dá um pum com canecas de chá nas mãos e mantas brancas/cinza/bege de lãs XL de ovelhas felizes da Escócia profunda em cima dos joelhos, a viver em casas brancas, com móveis brancos, sofás brancos, tudo alinhado, tudo arrumado, filhos imaculados, quartos das crianças sem brinquedos que parecem capas de revista de decoração, cozinhas de bancadas livres, paredes sem furos nem quadros (a tendência é poucos quadros e todos em cima de móveis baixinhos e encostados às paredes) e casas de banho com sabonetes naturais e orgânicos sem corantes nem conservantes fabricados em casa por mulheres no seu décimo primeiro dia de ovulação em noites de lua cheia- eu queria uma casa hygge.

Eu queria uma casa hygge, minimalista, sem ruído visual/sonoro/auditivo/sensorial, imaculada e zen para ficar com aquele semblante feliz e pacífico das senhoras dos blogs/ instagram/pinterest com ar de quem não dá um pum.

A casa nova era o melhor pretexto para destralhar. Comecei por partilhar com mámen a ideia e de lhe mostrar alguns exemplos de ambientes que gostaria de reproduzir.

Começou logo a complicar: "mas essa gente não vê televisão? Onde é que eles enfiam a televisão? Num armário fechado?". Revirei os olhos e expliquei-lhe que poderíamos viver sem televisão e tal, que até era bom e ele lembrou-me as vezes em que precisamos de limpar a casa/trabalhar em silêncio/estar concentrados a fazer uma tarefa e que somos salvos pelo Disney Channel a hipnotizar entreter a miúda. Ok, concedo na televisão. "Mas olha lá: e os livros? Essa gente com cara de quem não come para não fazer migalhas não lê? Onde é que eles enfiam os livros?" Pronto, estragou tudo que se há coisa que eu levo a  sério são os meus ricos livrinhos e sim, tínhamos que comprar estantes q.b. que livros são mais de mil. "E se forrássemos os livros todos de brancos para ficar visualmente clean?"- atrevi-me, num delírio. Lançou-me um olhar gélido e disse-me que poderia deixar essa tarefa para a reforma, pois que era um excelente passatempo para esperar a morte.

A ver as casas de banho dos ambientes por mim seleccionados no pinterest dei por ele a rir às gargalhadas: "Tu estás a gozar comigo? Esta gente não tem papel higiénico à vista! Não têm caixote do lixo para meter papel nem piaçabas? Ou não limpam os rabos ou têm problemas de canalização e lá se vai o hygge deles cá com uma pinta..." Respirei fundo., Respirei muito fundo.

Fomos ao quarto da Ana e começámos a olhar com o filtro do hygge para aquilo. O hygge reforça a ideia de desapego e minimalismo e o quarto da Ana é um souk de Pinipons, Barbies, Nenucos e Legos. Um atentando a qualquer hygge que se preze, portanto. "Bem, poderíamos reduzir o número do brinquedos, não achas?" "Sim, sim. Tiras a TV da sala, gamas-lhe brinquedos e depois é melhor tapares as tomadas de casa e preparares-te para uma dolorosa e hygge conta de pedopsiquiatra, boa ideia, sim senhora". Estúpido, a boicotar o meu hygge!

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que se queixam do frio e as pessoas que se queixam das pessoas que se queixam do frio.

domingo, 22 de janeiro de 2017

Eu sabia que, para além do fétiche das meias de berloquinhos, isto ainda haveria de me servir para alguma coisa

Ando a querer aprender a fazer aquelas coisas tipo caçadores de sonhos com aquela corda branca, tudo zen e trendy*.

Andei a pesquisar tutoriais no youtube, a procurar onde se fazem workshops e perguntar a conhecidos onde posso aprender.

Encontro um workshop jeitoso em Lisboa e partilho com ele que me vou inscrever.

Olha para mim com um ar super ofendido:

-"´Tás a gozar comigo?! Vais pagar para aprender a dar nós quando EU sou escuteiro?!"




[update: sussurraram-me aqui ao microfone de ouvido que se chama "macramé"]

Filha de psicólogos? Pois.

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Imagem da campanha publicitária "Restaurant Freud"
  




Estava a passar a sopa com a varinha mágica e caguei  sujei os azulejos todos por detrás do fogão.

Mámen começou-se a rir do cagaço que apanhei e eu, para desviar a conversa, olhei para os azulejos  com um ar muito entendido e comecei a interpretá-los como quem olha para uma prancha de rorschach:

- Hum, parece mesmo folhagem da selva amazónica.

Mámen alinhou na palhaçada. Esfregou o nariz, mudou de voz e disse:

- Ah, eu vejo manchas de um felino.

Nisto entra a Ana na cozinha e olha muito séria para nós. Explicamos-lhe o jogo e perguntamos-lhe o que vê ela.

Resposta pronta:

- Porcaria.

...

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Winter is coming

"Mãe, o que é um blog?"














[Obrigada Ladybug!]

sábado, 21 de janeiro de 2017

AGENDA QUADRIPOLAR | Marcha das Mulheres

                             

Contra a misoginia, contra a discriminação, contra o preconceito, contra as desigualdades, contra a exclusão, contra o retrocesso civilizacional, contra todos os Trumps desta vida. A começar pelo Trump.

Em Washington começou às dez da manhã de hoje. No Mundo acontecerá em várias latitudes e longitudes nos horários locais.  Em Portugal acontecerá em em Lisboa, Porto, Braga, Coimbra, Faro e Angra do Heroísmo.

Em Lisboa, hoje, a partir das 15h, à frente da Embaixada dos Estados Unidos da América.

Eu estarei lá!


Toda a publicidade do Mundo



A campanha da Nacional tem família reais. Famílias com uma diversidade enorme. Mas esta é a minha família preferida. 
A Nacional poderia ter-se valido na história do menino de cadeira de rodas que, por acaso, pratica desporto, corre corta-matos de cadeira de rodas, pratica canoagem, ajuda nas tarefas domésticas e faz tudo, tudo, tudo. 
A Nacional preferiu contar, simplesmente, a história da família tal como ela é: uma família de afectos com uma relação de profundo respeito e amor. Uma relação ímpar. 
A cadeira de rodas aparece lá. Não pode deixar de aparecer porque faz parte do dia-a-dia. Mas aparece tal como ela é: secundária e colorida. Com um pára-raios com um bruto smile. 
Mas esta não é a história da cadeira de rodas do menino. É a história de amor entre a mãe Ana e o filho Gui. 
A Nacional faz jus ao seu slogan de sempre: o que é Nacional é bom. 


[Todos os filmes: aqui.]

Terrores [fashion] nocturnos da Ana

Ana chama-me a meio da noite:

- "Mãe, tive um pesadelo!"

Faço-lhe festinhas, embalo-a, ela abre aqueles olhos grandes de lémur e diz-me, ainda assustada:

"Pronto, já passou querida. Já passou!"

"Mãe, o pesadelo era eu a usar uma bandolete pirosa. E colorida."

...

...

...

Os leitores deste blog são melhores que os dos vossos #16





Rita e Ana Luisa obrigadinha, sim? :P

[Parem de me enviar fotos de gatos tigrados que todos me parecem o meu, sff!]

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Sabes que viste episódios das "Donas de Casa Desesperadas" a mais quando...

... vês as imagens da Melania a sair do carro com uma merda nas mãos e pensas: "porque raios a mulher se lembrou de trazer um tabuleiro com bolinhos?".



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A Helena é que sabe!

"Por estes dias, uma amiga minha comentou que estava a resistir à tentação de fazer piadinhas sobre a aparência física do Trump. Sugeri-lhe que não o faça, lembrei o velho ditado "não lutes com um porco: vocês os dois vão acabar sujos de lama e o porco vai adorar".

Sou óptima a dar conselhos aos outros... Mas, pelo meu lado, se penso na cerimónia de tomada de posse do Trump que vai ter lugar amanhã, deparo-me com um terrível impulso de Schadenfreude. Rebbeca Ferguson é convidada para cantar na cerimónia de tomada de posse de Trump, e responde que só o fará se a canção escolhida for Strange Fruit, hihihihi, embrulha essa, Trump. A única estrela que vai cantar a solo é Jackie Evancho, uma miúda de 16 anos que se revelou no "America's got talent" a cantar "o mio babino caro". Hihihi, foi o melhor que se arranjou para cantar o hino nacional à frente do Trump, hihihi, uma miúda de 16 anos. Para o Obama, foi a Aretha Franklin. Hihihi. E o baile, hehehehe, quero ver quem arranjam para cantar no baile. Quero ver se quem canta também se comove profundamente como a Beyoncé (quem não se lembra?), imagino o casal Trump a dançar na terrível exposição daquele palco: nos antípodas da graça, do à-vontade, da harmonia, da sensualidade e da alegria do casal Obama. Quero ver, hihihihi. Por falar em casal Trump: a Melania. Hihihihi, a Melania, coitadinha da Melania, hihihihi.

Portanto, é este o gelo fino sobre o qual corro o risco de avançar: pensar mal da Melania por causa do marido dela. Desclassificar a Jackie Evancho (cuja alegria e naturalidade em tempos me enterneceram) só porque ela vai cantar o hino nacional na cerimónia de tomada de posse. Sujar o debate das ideias políticas com incursões na área do aspecto físico de uma pessoa e da sua vida privada.

"O Trump liberta o filho da puta que há em ti", dizia há tempos o Lutz Brückelmann, falando do contributo de Trump para a aceitação e até o elogio de discursos públicos à margem da decência e da humanidade, agora vistos como sinal de corajosa frontalidade. Mas a acção destruidora do fenómeno Trump vai mais longe: como descubro também em mim, faz vir à tona os piores instintos de quem se queria pessoa civilizada. Isto está a correr muito mal. Tenho de meter os travões a fundo: pensar, escrutinar os impulsos, pensar de novo.

Tempos difíceis, estes, quando me sinto desapontada comigo própria, e suspeito que aqueles com quem mais me identifico ideologicamente também não estarão muito seguros dos seus valores.

Por exemplo: será que a ausência de estrelas do mundo do espectáculo na tomada de posse do Trump é realmente sinal de protesto de cada uma delas? Ou há algumas que só não foram porque temeram ser marginalizadas ou perseguidas pela máquina da qual dependem? Será que está em curso uma espécie de controlo de "actividades antiamericanas" entre pares? Outra questão preocupante: a independência do nosso pensar. Temo o dia em que o Trump diga algo sensato, e muitos desatem a contradizer apenas por reflexo condicionado.

Corremos o risco de nos afastarmos dos nossos melhores valores de tolerância, generosidade, respeito pela liberdade alheia. Estamos cada vez mais separados uns dos outros - "deploráveis", uns; "elitistas arrogantes", os outros.

O mais perigoso eixo do mal é esse que marca a distância intransponível entre nós e os outros - e é ele o mais eficaz vector de destruição da nossa sociedade. Por muito antagonizados que estejamos, vamos ter de arranjar maneira de nos reencontrarmos e entendermos. A nossa democracia tem de ser um lugar de coexistência pacífica na diferença. E não se trata de aprender a indiferença e o cinismo, não se trata de aceitar passivamente. Trata-se do trabalho difícil e exigente de encontrar as palavras certas para o diálogo.

A Jackie Evancho, a tal miúda de 16 anos que amanhã vai cantar o hino nacional americano, pode tornar-se um símbolo desse desafio. Ela - a única artista que aceitou actuar a solo na tomada de posse do Trump - tem uma irmã mais velha que nasceu com corpo de rapaz, e se empenha na defesa da dignidade dos transexuais. Na mesma família, uma pessoa colabora com Trump e a outra é perseguida por muitos dos eleitores deste presidente. Se eles conseguem o amor, o entendimento e o respeito, nós também havemos de conseguir."

Helena no seu "2 Dedos de conversa"

Há algoritmos inteligentes. E depois há os meus...


[Vide post anterior.]

De noite todos os gatos são pardos. E de dia também, granda porra!

cat crazy wow kitten spinning


Disclaimer número 1- não sou uma animal lover. Não sou, pronto, já disse. Não que seja uma animal hater, credo, que horror! Mas não sou aquele tipo de pessoa que se derrete com bichinhos, que pára na rua para fazer festinhas a gatos vadios nem que têm um impulso imediato para resgatar todos os cães abandonados com que se cruza. Também gosto demasiado de chicha para um dia ponderar vir a ser vegetariana e nem me passa pela cabeça deixar de comer carne (Aliás, de cada vez que penso na alcatra dos Açores salivo. Pavlov explicará.) Em minha defesa, também vos afianço que não consigo fazer mal nem a um insecto. E se vir um animal em apuros sou incapaz de não o socorrer, que não sendo uma animal lover, sou sensível. E desde que pari que deixei de comer leitão à conta disto

Disclaimer número 2- Depois da minha cadela Laica ter morrido fiquei com dificuldade em afeiçoar-me a animais de estimação (a Psicologia também explicará.) E só cedi aos gatos porque a minha filha adoooora bichos e sei as vantagens de crianças e animais coabitarem.




Tenho azar com os bichos. Com gatos, mais propriamente. O Freud de Mámen morreu de velhice e deixou-o num pranto. A seguir tivemos a Tuvy que morreu de uma doença manhosa e eu jurei que nunca mais queria gatos.
A Mimi foi a minha primeira excepção. Maria Emília era uma gata distinta que o pessoal da empresa resgatou da rua e me empandeirou. Eu disse que não, que não era uma "animal lover" mas ninguém me ligou. Um dia, mámen e Ana foram buscar-me ao trabalho e a Ana apaixonou-se pela gata. Trouxemo-la para casa. Mimi tinha problemas: atirava-se contra os vidros das janelas, miava muito, esgravatava a porta e todas as janelas da casa. Queria, desesperadamente, sair. Ora eu não percebia aquela fixação da ingrata: tinha cama, comida (da húmida!) e roupa lavada lá em casa. A Ana adorava-a de paixão. Nas férias levavamo-la connosco e acompanhava-nos para todo o lado para onde íamos. Mas o que a gata mais queria na vida era bazar. A veterinária disse-nos que parecia que ela tinha uma psicopatologia qualquer (claro, com tantas gatas no Mundo a gata maluca tinha que me calhar a mim!) e aconselhou-nos a colocá-la num quintal com outros animais. Foi assim que tivemos que a colocar na casa de uma pessoa da família, onde vive feliz desde então e não nos liga peva quando estamos lá de visita. A Ana continua a ficar desgostosa com tanta ingratidão. E eu voltei à minha conviccão: acabaram-se os animais cá em casa.
Mas depois abandonaram o gato à minha porta. Literalmente. E a senhora da loja de animais estava a passar na rua nesse preciso momento e "Óóoo, fica lá com ele! Eu amadrinho-a! É tão bom para a Ana e mimimimi". Ficámos. Baptizámo-lo de Papo-Seco (baptizou a Ana, honra lhe seja feita).
Papo-Seco era um lord na minha casa. O gato mais lord que possam imaginar.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Aos 13 de Janeiro de 2017 por ocasião da comemoração do nosso 18º aniversário de namoro




18 anos.
Pode, finalmente, sair à rua em traje de festa.
Pode disfarçar os restos de acne que acusam a sua recente adolescência, colocar maquilhagem para parecer mais adulto e sorrir com o sorriso de sempre, feliz por existir. Por resistir.
Pode não se arrepender dos erros, pode lembrar-se de cada aprendizagem, pode colecionar memórias de dias solarengos e chuvosos, pode sentir nos ossos e nas rugas a passagem do tempo. E sentir-se confiante por tudo o que viveu e o que tem para viver,
Pode assinar os seus papéis, ser encarregado da própria educação, gerir a sua vida sozinho.
Pode beber para comemorar, ter porte de arma para matar intrusos, militar-se no partido do felizes para sempre.
Pode fazer uma tatuagem na pele com a certeza que nunca se vai arrepender, fazer um piercing só por rebeldia, sentir-se crescido, adulto e confiante.
Pode votar nas suas opções, conduzir em todos os seus caminhos, ser responsabilizado pelas suas decisões.
Pode, este amor, ser independente, decisor, livre.
Pode ser o amor de sempre. Desde o primeiro dia. Com todas as suas perfeições e imperfeições. Toda a vida vivida. Toda a essência que o fez chegar aqui.
Pode fazer tudo o que lhe der na real gana.

Amor Maior.
Pode ser, exactamente, como sempre foi.

[Parabéns a nós.]

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Diz que hoje é o dia do obrigado


Se só pudessem escolher uma pessoa a quem agradecer escolheriam quem?

Começo eu: à minha mãe.


O amor (verdadeiro) emociona-me

             


Fui a um velório há menos de um mês e emocionei-me muito. Calinhas entrou na câmara crematória ao som da mesma música russa que tocava quando nasceu. Não estou habituada a detectar beleza na morte, muito refém da herança judaico-cristã, do catolicismo do luto de roupa preta e do barulho impossível da terra a bater sobre a madeira do caixão a descer à cova.
Mário Soares morreu e com ele acabou uma era.
Mário Soares morreu e com ele levou uma das mais belas histórias de amor contemporâneas, daquelas que são difíceis e resistentes, reais e resilientes, que são- efectivamente- para sempre.
Mário Soares morreu e assisti a uma das cerimónias fúnebres mais belas de que há memória mesmo com lágrimas de filhos e netos (e como me apertou o coração quando as televisões filmaram os netos mais novos, tão desnecessária aquela montra televisiva de dor, tão escusada e intrusiva), mesmo com a impessoalidade da multidão na plateia, mesmo com honras de Estado e protocolo à mistura.
Mário Soares morreu e ouviu-se a voz de Maria Barroso, serena e pausada, real e perene, verdadeira e eterna.
A voz de Maria Barroso a lembrar-nos que às histórias de amor- as verdadeiras- nem a morte (especialmente nem a morte) as separa.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Uma das mais belas estórias sobre uma das mais belas histórias de amor













Do meu grande crush blogosférico Pedro Urbano no seu blog pessoal

AGENDA QUADRIPOLAR| Exposição sobre a inclusão na diversidade | Porto

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"Este é um projecto que retrata a aceitação. Não a aceitação da capacidade ou da incapacidade, mas a aceitação da diferença. Projecto que teve o objectivo inicial de retratar pessoas portadoras de alterações físicas ( visíveis ) como também pessoas portadoras de patologias menos evidentes - as patologias mentais. Indivíduos deprimidos, bipolares, autistas - essa grande fatia da população que a sociedade ignora por ter um problema implícito. Mas com a pesquisa as histórias surgiram. As perguntas revelaram casos. E o objectivo mudou: depois de ouvidas as experiências, tornou-se importante mostrar como os participantes encaram o seu Eu. Cada um deles teve, em algum ponto da sua vida, de aprender a viver de novo. Por doença ou acidente, viram a sua rotina e imagem alteradas, tendo de completar o mais difícil dos exercícios: aceitar-se a si mesmos. Tenta-se que cada fotografia fale por si. Mas seria injusto omitir as histórias. Por isso, aqui ficam os relatos de gente com uma experiência inspiradora, de pessoas que sabem viver com a melhor das companhias - eles próprios. "

Nuno Fernando Pereira- aqui

( Projecto vencedor do concurso "A inclusão na diversidade" da Revista Plural & Singular
( www.pluralesingular.pt ), em exposição no CPF do Porto até Fevereiro 2017

A luta pela diversidade. Sempre a luta pela celebração da diversidade.


Como não amar a Meryl Streep?

O despertar da Cinderela urbana

Mámen acorda a Ana.

Ana puxa os cobertores para cima da cabeça e sai uma voz abafada:

"Neste momento não estou disponível. Por favor, tente mais tarde..."


(Ana, 4 anos e 5 meses.)

Roteiro quadripolar dos Açores # São Miguel

Alugar um carro.
Começar pela zona de Ponta Delgada e Lagoa das 7 Cidades (é linda de morrer mas não bate a Lagoa do Fogo).  Tirar as fotografias da praxe no miradouro. De seguida, é impreterível dar a volta à Lagoa de carro até ao túnel e na aldeia visitar a igreja de São Nicolau, que é mesmo gira
Seguir para o Miradouro da Lagoa do Fogo. De preferência vê-la do cimo do "miradouro", na parte que tem as antenas, bem lá em cima. Cuidado se estiverem acompanhados de crianças. A vista vale muito, mas mesmo muito, a pena!
Seguir para a Caldeira Velha (paga-se cerca de 2,5€ de entrada por pessoa, se não me engano) e experimentar as pequenas caldeiras de água quente e a cascata que são soberbas!
<_2fs2 class="null" span="">Na direcção da Ribeira Grande a 


praia de moinhos é imperdível.
nessa correnteza tb
tens um lugar que se chama salga
que é tipo meio só para os nativos
no Miradouro do Salto da Farinha tens vista para o Mar e para a cascata
para desceres para essa cascata
tens que fazer pela estrada do Miradouro de Salto da Farinha.
Aí ao lado tens OUTRA cascata
na Ribeira dos Caldeirões
outra coisa
se quiseres mesmo provar o cozido tens que marcar de véspera
porque eles metem as panelas na terra de madrugada e coze durante horas, ok?
Outro must go
é o Terra Nostra
o parque
tens aí outra caldeira para tomares banho mas a água é castanha e caga os fatos de banho todos e não sai
mas a água é tipo de 35º
maravilhosa
agora atenta a um dos meus sítios preferidos
Poça da Dona Beija
é uma alternativa ao terra nostra e o preço para entrar mais barato (ja nao me lembro exactamente)
Outro local parecido com santa luzia
é a ermida de nossa senhora da paz
a caminho de vila franca do campo
dicas a vulso
visita as plantações de chá
pode ser a gorreana (podes visitar a fabrica, comprar chá, ver as senhoras a trabalhar e ainda comer gelado maravilhoso feito de chá lá dentro) ou o chá de porto formoso
se quiseres visita a fábrica de tabaco
ou a de licores (se quiseres ir a essa diz-me que a filha dos donos é minha amiga)
come cracas, lapas, cavacos
tudo o que é carne é espectacularmente bom
come ananás com morcela de arroz
é a melhor entrada de sempre
visita o mercado na véspera de regressares e avia-te lá de ananás, abacaxi, morcelas e pimenta da terra
come queijo fresco com uma pitada de pimenta da terra
Bolo lêvedo compra nas Furnas
as queijadas de vila franca do campo são muito boas
e o tabaco é mais barato
se comprarem de lá compra além-mar
  • Ana Póvoas
    8/11, 10:12pm







  • Parar em Ponta Delgada e beber uma kima (de garrafa porque a de lata fica muito aquém, ok?) nas Portas do Mar com vista para a Marina. (Se vos propuserem Sumol ou Brisa de Maracujá mandem-nos dar uma volta ao bilhar grande).
    Seguir por São Roque e parar no miradouro.
    As melhores piscinas naturais são em Mosteiros.

    domingo, 8 de janeiro de 2017

    A CONHECER| Stone Óbidos Hostel


    A Cristina lê este blog há imenso tempo mas há uma coisa, mais importante que isso, que me unirá à Cristina para sempre: no dia 9 de Agosto de 2012 ambos fomos, pela primeira vez, mães. A Ana e o Dinis nasceram exactamente no mesmo dia e isso cria aquela sensação de empatia para sempre.

    Ora, a Cristina é uma mulher audaciosa e sem medo de arriscar e eu desejo- mesmo muito- que a sorte proteja os audazes.

    E que bafeje a Cristina e o seu Stone Óbidos Hostel, um hostel muito querido às portas das muralhas de uma das vilas mais bonitas de Portugal.



    Image may contain: indoor

    Image may contain: indoor

    A propósito ou não dos festivais do chocolate, da vila natal e das feiras medievais , é indiferente, Óbidos é maravilhoso durante o ano inteiro.

    Conheçam este projecto tão querido aqui.

    Desesperadamente à procura de catsuits de vinil masculinos


    Ana: "Mãe, para ser perfeito, o pai pode ir mascarado comigo... à Gato Noir!"





    (estou a rir-me há meia-hora)

    O Natal já se acabou, o ano novo está-se a acabar, Carnaval, Carnaval, Carnaval dá cá uma lycra pra eu m'enforcar

    Ana: "Mãe, no Carnaval quero mascarar-me de Ladybug"

    Mámen: "A mãe tem que ir ver como é o fato da Ladybug, está bem filha?"

    Ana (dirigindo-se a mim): "Mãe é um fato de macaco encarnado bem coladinho ao corpo"

    Eu (com ar chocado): "Coladinho ao corpo?"

    Ana (sorriso de esguelha aos 4 anos): "Ah pois é. E seky..."

    ...

    ...

    ...

    sábado, 7 de janeiro de 2017

    Mário Soares



    Quando nós crescemos com figuras de referências, carismáticas e fortes, sejam elas quais forem, serão sempre nossas.

    Quando morreu o Papa João Paulo II morreu o "meu" Papa.

    Hoje morreu Mário Soares: homem anti-regime, revolucionário, um grande estadista, europeísta e com um pensamento muito à frente do seu tempo.

    Para alguns morreu o homem dos últimos tempos: envelhecido e  gasto, sonolento nas aparições oficiais chatas e cansado. Mas sempre resistente.

    Para mim morreu o presidente bonacheirão e popular, que falava um francês engraçado e com uma vida cheia. Morreu um homem que foi sempre, mas sempre, livre.

     "Soares é fixe!"- ecoa-me na memória. Para mim morreu o "meu" Presidente da República.






    [Depois de começar a ler a chafurdice do costume nos feeds das redes sociais  só penso que morreu um senhor de 92 anos, que não foi ditador, que não matou gente e que tem família que chora a sua morte. Alguma contenção era tão bonita.]




    O coração também tem um metabolismo próprio*



    [O coração faz parte do corpo humano. Nós é que baralhamos tudo- desgraçados!- e confundimos coração com alma, da mesma forma inconsequente como chamamos céu ao sítio onde moram as estrelas e onde descansam os mortos que amamos.
    Mas o coração é um órgão muscular e tem metabolismo próprio. E, por vezes, fica doente, consumido pela tristeza que é bombeada juntamente com o sangue que nos corre nas veias. E essa função de bomba não é como a bomba que explode e mata mas antes como a bomba que se usa para tirar água dos poços, aqui é uma bomba que puxa com força a tristeza -e também a alegria- lá do fundo de nós, do furo dos sentimentos que moram no coração muscular e no coração da alma. Também se sabe que o coração é oco e talvez se perceba porque tantas vezes faz eco.
    Porque quando o coração fica doente deve-se lidar com ele da mesma forma com que se lida com o estômago que reclama de uma má digestão, pois o coração também digere os sentimentos; ou da mesma maneira como nos queixamos de uma dor de fígado, já que o coração também filtra a alma. Embora sejam conceitos diferentes, repito.
    Dar-lhe importância, de forma a circunscrever a dor de coração, mandá-la repousar, medir-lhe a temperatura, tapá-la erradamente com cobertores emocionais para a seguir destapá-la de forma a libertar o calor infernal, oferecer-lhe chá para a alma, canja de galinha para os sentimentos. Porque o coração é um doente exigente e chato, que carece de tempo e de sorrisos, de alegrias e oxigénio, de nutrientes para fortalecer as suas paredes, para poder pregar-lhes - sem medo- pregos para se pendurar a imagem de quem amamos.
    O coração tem vasos e é preciso regá-los - ainda que com água das lágrimas- para que a terra e o chão que o cobrem não sequem, não morram, não desertifiquem e- mais ainda- floresçam.
    E no fim, febre passada, fronte cardíaca fresquinha toca a escancarar as janelas da alma e deixar o sol entrar porque da mesma forma que devemos permitir que o coração fique doente sem o mascarar de falso optimismo, sem desprezar a dor, sem tomar analgésicos que curem os sintomas e não as causas, de o curarmos com lágrimas e canja de galinha, há uma altura em que - repito- passou o dói-dói. ]

    *A aplicação de memórias do FB recordou-me que- caraças!- há dois anos eu escrevia muita bem

    A primeira canção de vernáculos da Ana


    "Mãe, sabes que ontem na escola cantámos as asneiras?"

    "Cantaram o quê????"


    "Foi assim:

    "Vamos cantar as asneiras.
    Vamos cantar as asneiras.
    Por esses quintais adentro vamos
    Às raparigas solteiras"

    ...

    ...

    ...


    A ASSISTIR | Histórias de Papelão - Edição Super-Heróis

    Fomos, em família, a uma das edições e ficámos fãs.
    O cenário é simples e faz-se com meia dúzia de adereços de cartão que são o mote para o desenrolar da história, feita de improviso, numa maravilhosa estratégia de interação com o público pequenino.
    A Ana gritou sugestões, foi ao palco, vibrou e bateu palmas razão pela qual não perderá esta edição que, puxando o tema dos super-heróis, promete valentes gargalhadas!

    Encontramo-nos por lá?


    ´
    Pôr à prova a imaginação dos mais pequenos numa peça de teatro de improviso

    Quem? Peça de teatro "Histórias de Papelão"
    Onde? Teatro Turim- Benfica
    Quando? 6 a 29 de Janeiro aos sábados às 16h e aos domingos às 11h

    sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

    Manias

    Sair de casa só a horas certas. Latas. Comer sempre na mesa da sala de jantar. Estender a roupa com as molas todas emparelhadas por cor. Caderninhos comprados compulsivamente e que nunca tenho coragem de estrear com rabiscos. Ler sempre antes de dormir. Relógios. Cantar sempre que oiço música no carro (mesmo que desconheça por completo a letra). Ter sempre água fresca no frigorífico. Conservar no roupeiro roupa que nunca mais voltará a estar na moda (e que, também, nunca mais me irá servir) por razões emocionais. Comprar frescos em quantidade suficiente que daria para alimentar um exército para os acabar por ver estragar no frigorífico. Descalçar-me assim que chego a casa. Comprar agendas e achar que este ano é que é... e escrever nelas só até fevereiro. Cheirar livros novos. Nunca lhes dobrar páginas. Contas de instagram de casas bonitas. Levar sempre para férias uma mini-farmácia na mala de viagem como se não houvesse farmácias no destino. Ler blogs só de gente de quem gosto. Mergulhar sem conseguir tirar o dedo do nariz. Óculos de sol. Dizer que não tenho qualquer mania.

    À enfermeira, cujo nome não cheguei a saber, e que ontem desabafou comigo na ESEL

    Cara enfermeira (desculpe não a tratar por Professora mas já perceberá porquê)

    Fiquei contente quando se aproximou. Era a primeira pessoa com quem nós iríamps falar

    Uma quadripolarização especial



    Esta é a minha melhor amiga.
    Quando percebi que ela estava apaixonada por um muçulmano torci o nariz, desconfiei muito, e só não agoirei porque gosto tanto dela que não podia torcer para que desse errado uma coisa que ela queria tanto que desse tanto certo.
    Não acolhi o novo membro do clã como ele merecia. Deixei o meu preconceito, os meus estereótipos, o meu etnocentrismo dominar-me durante muito tempo, mais do que o razoável, demais o suficiente para me envergonhar.
    Foi um processo moroso o de dar hipótese à pessoa em detrimento da sua religião, dos seus costumes, dos seus hábitos.
    Hoje gosto muito dele. Mais do que alguma vez imaginava. Senti-o verdadeiramente quando, passados muitos anos, no último Verão nos abraçámos na maternidade. Ela não viu o abraço. Mas foi um abraço muito bonito e sincero, muito sentido.
    Partilhei com ele um dos dias mais bonitos das suas vidas. Talvez o mais bonito de todos. Estava lá, não só testemunha de uma sobrinha especial, como a participar naquela bênção.
    A minha sobrinha é filha de uma judia e de um muçulmano como se fosse um prenúncio do entendimento israelo-árabe, mais do que tolerância: de celebração da diversidade.
    Esta quadripolarização do Líbano aconchega-me mais do que todas as outras. É a quadripolarização de uma amizade sem fronteiras. Que derruba todos os preconceitos, estereótipos, intolerância e sentimentos que, hoje, muito me envergonham.
    À sua maneira, é uma quadripolarização de amor.


     [Líbano quadripolarizado. Todos os países quadripolarizados aqui]

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