quinta-feira, 26 de novembro de 2015
terça-feira, 24 de novembro de 2015
Mámen: o eremita
Mámen está na net, lê um post da nossa amiga SJ, vai à varanda, fuma um cigarro, volta para dentro, faz uma torrada, barra-a de manteiga, encosta-se à ombreira da porta da sala e dirige-se a mim com um tom introspectivo:
"O que é hipster?"
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Conjugaliquadripolaridades
Pintor que avisa limpador dá à mãe 100 anos de dor
Cenário: Jantar mega em restaurante de hotel de 5 estrelas: nós, casal amigo e tio-padrinho favorito da Ana que também lá estava bem como as duas filhas do casal.
Criançada começa a pintar papéis ali à volta. Ana esconde-se atrás de uma coluna.
Ana chama-me: "olha mãe, pintei um desenho tão giro na parede!" Eu a enregelar (raça da miúda não pinta paredes em casa há mais de dois anos, ai minha nossa senhora, lá se vai o salário todo deste mês para pintar a puta da coluna, isto deve ser tinta de um branco pantone Marfim do Sudão para lá de cara, ai que tenho que reagir, só se me fingir de morta e fazer de conta que não dei pelo disparate, é isso, vou ficar apática até que me ocorra o que devo fazer...
Pensamentos interrompidos pela Ana, a agarrar o empregado pela manita: "Podes limpar aqui, pofavôr?! Obrigada."
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Mãegyver
segunda-feira, 23 de novembro de 2015
Estou aqui a congeminar uma reacção madura à maneira da Pólo Norte
Já aqui falei umas 3436278 vezes da Rita e do Luis, em "prisão domiciliária" há alguns anos porque, embora sejam ambos cadeirantes, os vizinhos opuseram-se à construção
Isabel: a quase-quadripolarizada
"O melhor que pude congeminar da minha cadeira hahaha. Ela separou se do william e eu não fazia ideia! Ela armou se em fina e saiu logo, nao assinou livros nem tirou fotos: buhhh! Fica a intenção. Beijinhos, Dina!"
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Religião: polarismo
O Mundo divide-se...
... entre quem lhe chamava cloche e quem lhe chamava patusca.
(E quem não faz puto ideia a que se refere este post)
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O Mundo divide-se...
O meu novo restaurante preferido de todo o sempre
Nós nem sempre nos demos demos. Quer dizer, eu e a Catarina sempre, somos amigas há quase 20 anos e a amizade tem resistido à distância entre Bissau e Lisboa, ao tempo de ausência que medeia cada regresso a Portugal, a skypes desligados frequentemente, a falta de internet da Guiné, a meses sem comunicações efectivas. Mas com ele não foi amor à primeira vista, especialmente porque o seu antecessor era muito gostado por todo o grupo de amigos. Mas devagarinho começámos a aceitar as nossas diferenças (e são muitas), a rirmo-nos delas, meteu viagens a quatro pelo caminho, meteu muitos jantares, meteu partilha de hosteis e, neste momento, as diferenças continuam lá mas já não nos limitamos a aceitá-las ou a rirmo-nos delas mas, antes, a celebrá-las. E tem sido muito bom.
Por isso, de partida para a Guiné tinhamos pendente este programa a quatro (em boa verdade, a cinco, que a Ana alinha sempre em tudo!): irmos jantar ao restaurante libanês mais conhecido de Lisboa: os Fenícios.
Nós somos muito despreconceituosos em relação a experimentarmos comida de outros países nunca imaginámos que este festival de sabores ia revelar-se a melhor experiência gastronómica de sempre e para isso contribui em grande escala termos sido levadas por ele, o nosso amigo libanês que, neste momento, é mais que o marido da minha melhor amiga.
"Os Fenícios" fica na Rua Conde de Redondo, a vista da rua é discreta. Entrámos e fomos recebidos pelo dono que nos recebeu com o seu melhor português, simpático nas horas, sempre solícito e preocupado e que comunicou durante todo o jantar em árabe com o nosso amigo, na tarefa conjunta de encontrarem os melhores sabores, a melhores texturas, a melhor experiência gastronómica das nossas vidas. E- caraças!- conseguiram-no!
Podíamos ter ficado só pelas entradas: esta arvorezinha com pratos nos ramos é inexplicável: os nossos preferidos foram os pastéis de grão com sementes, os rolinhos de arroz com carne enrolados nas folhas de videira, o queijo cremoso libanês, o húmos, a pasta de beringela e os pastéis. Em boa verdade, agora que releio o que acabei de escrever: foi tudo!
As sobremesas que escolhemos levam ambas natas, cozinhadas de uma forma que nunca provei antes: a da esquerda leva pistaccios torrados por cima e rosas caramelizadas que dão um odor maravilhoso à sobremesa e a da direita tem fios de letria na cobertura numa mistura tão imprevisível como absolutamente deliciosa.
Nós pedimos três pratos e partilhámos todos. De salientar no prato da esquerda a carne cozinhada de forma única e com um sabor a especiarias ma-ra-vi-lho-so, o prato do meio foi o meu preferido com o grão de bico envolvido em iogurte e passas magistralmente cozinhado e a espetada do prato da direita com um arroz como nunca tinha experimentado antes estava de bradar aos céus!
Foi, provavelmente, a minha experiência gastronómica mais feliz e este restaurante é, oficialmente, o meu novo restaurante preferido de todo o sempre!
Shukran.Mahmoud!
Experimentar uma das melhores comidas mediterrânicas do Mundo:a libanesa
Quem? Restaurante "Fenícios"
Onde? Rua do Conde Redondo, 141-A, LISBOA
Contacto: Pelo telefone 212 448 703
Saber mais? http://feniciosrestaurante.com.pt/
domingo, 22 de novembro de 2015
sábado, 21 de novembro de 2015
Não tarda muito vêm as sementes e as bagas, querem lá ver?
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Só desgostos
Vou só ali comprar passas, boa?
Obrigada Lego Portugal pela oferta do calendário do avento em versão Lego (coisa mais linda!).
Ao ritmo que aquilo foi aberto na viagem de carro da festa de Natal da Lego até aqui (uns 5 Km), quando a Ana chegou a casa percebemos que estamos na véspera de ano novo!
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Mãegyver
Sabe para que serve (também) o ácido fólico?
A ASBIHP assinala hoje, em Portugal, o Dia Nacional da Spina Bífida. Esse dia pretende sensibilizar a comunidade em geral para a problemática da Spina Bífida, uma mal formação congénita do tubo neural que atinge 1 em cada 1000 nados vivos nascidos em todo o Mundo.
Três em cada quatro malformações congénitas do tubo neural podem evitar-se com um suplemento farmacológico de folatos antes de engravidar (3 a 6 meses antes) e durante os primeiros 3 meses de gravidez (o tubo neural começa a formar-se cerca do 20º dia de gestação). O suplemento de ácido fólico está indicado para todas as mulheres que desejem engravidar e, se algumas das leitoras deste blog já estiveram grávidas relembro-as com os nomes comuns que esta vitamina se apresenta: Folicil e Folifer.
O folato, também denominado como ácido fólico, é um tipo de vitamina B e encontra-se presente nos vegetais de folha verde, citrinos, legumes e cereais em grão integral.
O ácido fólico pode ajudar a prevenir os defeitos do tubo neural DTN (formação do cérebro e espinhal medula). A doença do tubo neural mais comum é a Spina Bífida. Alguns estudos também sugerem que o suplemento com ácido fólico pode ajudar a prevenir outras malformações congénitas como o lábio leporino e a fenda palatina.
A ASBIHP, neste Dia Nacional da Spina Bífida, pretende difundir à população em geral duas mensagens:
- a importância da toma de um suplemento farmacológico de ácido fólico antes das mulheres engravidarem e nos primeiros meses de gestação é fulcral para a prevenção desta patologia
- a qualidade de vida das pessoas com Spina Bífida é possível e real, devendo ser da responsabilidade da população em geral e não apenas das famílias, cabendo a educadores, professores, comunidade médica, rede social de apoio (vizinhos, colegas) e empregadores serem mais que facilitadores, serem promotores envolvidos numa inclusão social real destas pessoas.
A Spina Bífida é uma malformação congénita, que ocorre no primeiro mês de gestação devido a um inadequado encerramento do tubo neural. Desta malformação, que causa danos ao sistema nervoso central, podem decorrer diferentes graus de comprometimento neurológico, dependendo da localização e extensão da lesão.
A ASBIHP, Associação Spina Bífida e Hidrocefalia de Portugal é uma Instituição Particular de Solidariedade Social que presta apoio a pessoas com Spina Bífida ou Hidrocefalia e suas famílias. Actualmente, a ASBIHP Possui três delegações, Coimbra, Porto, Ribatejo e Vale do Tejo um Núcleo em Aveiro, bem como, uma Rede nacional de Representantes Regionais.
Mais em www.asbihp.pt
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Causas quadripolares
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
O meu maior crush blogosférico de todos os tempos regressou à escrita
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The Polo's next top blogger
Suspiro*
Continua a existir gente em pleno ano 2015 que se manifesta contra tudo o que tenha que ver com IVG com o argumento único que quem aborta fá-lo como método anti-conceptivo.
Continua a existir gente em pleno ano 2015 que acha que legalizar a pedofilia e legalizar a adopção por casais do mesmo sexo é a mesma coisa.
E eu acho que há furúnculos a nascerem em sítios tão mal empregues.
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Actualidades
"Mas que mania tem esta gente de misturar o que cada um faz na intimidade da sua cama com tudo resto!". Finalmente, já não!
"Desde que me lembro, a minha mãe manteve relacionamentos lésbicos.
Não tive duas mães nem nada disso: tinha a minha mãe e tive uma série de "tias"... Tendo em conta que isto se passou desde há 41 anos para cá, se ainda hoje era complicado explicar porque vivia eu com duas mulheres, há 40 anos devia ser um terror. Mas, olha, vai-se a ver e cresci e parece que até sou boa pessoa.
Incrivelmente não sou lésbica -não por convicção, mas porque não conheci nenhuma mulher que me encantasse- tenho 5 filhos (esta é a terceira) e é claro que sou plenamente a favor da co-adopção e da adopção por casais do mesmo sexo.
Este chumbo na Assembleia foi mais uma daquelas aberrações nacionais que só me dá náuseas e vontade de pegar nos 5 putos e fugir daqui para fora.
Mas que mania tem esta gente de misturar o que cada um faz na intimidade da sua cama com tudo resto!"
Daqui em Março de 2014
Um ano e cinco meses depois esta foi a primeira imagem que me veio à cabeça num dia feliz como o de hoje. O de uma ilha que entretanto se tornou mãe e para quem o amor parental não tem género.
Um beijo para ti.
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Actualidades
É uma boa analogia
A minha melhor amiga Catarina é judia e casada com um muçulmano. Os seus tios vivem em Paris, no bairro onde se deu o atentado do Bataclan.
Dizia ela que quando misturam refugiados e terroristas na mesma frase ela explica com o exemplo de dia 13 de Novembro: ora, quando se deu o atentado os civis franceses começaram a correr e a bater às portas dos que ali vivem com medo de serem mortos. e o tio dela abriu a porta a 5 pessoas.
Se ele não o tivesse feito, faria o mesmo que muitos europeus que não querem abrir as portas dos seus países em segurança para os inocentes que fogem do perigo de serem mortos sem culpa nenhuma no cartório.
Franceses inocentes como refugiados inocentes. Casas em segurança como países em segurança.
Simples, não?
(Ah, podem vir terroristas juntamente com refugiados? Sim, também podiam ter ido homens bomba camuflados a bater à porta do tio dela juntamente com parisienses em pânico. Ele correu o risco de ajudar o próximo. E ainda bem.)
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Actualidades
Se for grátis, até injecções nos olhos, pá!
Era uma vez um casal que se sentou numa esplanada na rua do Coliseu dos Recreios e veio um homem e ofereceu-lhes dois bilhetes para o concerto do Leandro que estava acontecer ali.
Era uma vez um casal que não fazia a mais pálida ideia de quem era o Leandro.
Era uma vez um casal que teve uma belíssima experiênciaantropológica sociológica.
(Leandro: bates forte cá dentro!)
Era uma vez um casal que não fazia a mais pálida ideia de quem era o Leandro.
Era uma vez um casal que teve uma belíssima experiência
(Leandro: bates forte cá dentro!)
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Conjugaliquadripolaridades
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Ir ao Algarve de transportes públicos: uma experiência sociológica
Ir ao Algarve de transportes públicos: a saga.
Sair de Lisboa às 10h30 de autocarro e passar 5 horas de viagem até chegar a Vila Real de Santo António, exausta e toda partida para a formação que começava às 16h.
A formação dura 2 horas. Acabou às 18h15, neste caso.
O último autocarro diário de VRSA até Lisboa é às 17h30. O último comboio diário a vir do Algarve para Lisboa é às 17h56... em Faro (a 100 km de distância de Vila Real de Santo António).
Fiquei, sem alternativa, a dormir no Algarve.
Hoje perdi o comboio das 07h da manhã e só pude apanhar o seguinte... às 12h39.
Depois vim no de Faro para Lisboa das 13h54 que chegou às 17h26. Ou seja, mais 5 horas de viagem.
Presumo que seja isto "o Portugal esquecido e ostracizado".
Um abraço solidário aos meus amigos algarvios, sim?
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Eu sou a Miss Bean de Deus
A estreia nas viagens de balão ou Pólo Norte tu vas tomber
Calhou ter ficado no balão de uma equipa francesa. Eu não falo nada de nada, rien de rien de francês e pensei para os meus botões: "Oh que se lixe, vai ser uma viagem em paz e silêncio que vai ser uma maravilha!". Só que não.
Assim que começámos a descarregar a carrinha começou o loucura: foi desenrolar o balão, foi insuflar o balão com ar, foi alçar das minhas pernas de 2 metros (not!) e saltar para dentro do cesto, tudo sobre o comando
E passada uma meia-hora, walkie talkies testados, começamos a subir devagarinho, devagarinho, como se fosse um sonho. E a paisagem em pleno voo era deslumbrante e comecei a relaxar.
O cesto era pequeno e estávamos com a lotação esgotada, ora, eu que sou uma pessoa que precisa de um largo personal space comecei a encostar-me a uma esquina do cesto até que oiço "attention, attention!" e comecei a olhar para baixo para ver que raio me estavam eles a chamar a atenção. Até que levo uma safanada do senhor e um "arrete" que é para ver se abres as bistinhas que estava encostada aos tubos por onde circula o gás e não tardava nada íamos fazer bungee jumping em vez de balonismo. Nessa altura já tínhamos perdido altitude à custa de eu ser uma 'ssoa meigiinha e atenta e tudo e tudo e tudo e comecei a ver o filme de quase fazermos uma razia a um post de electricidade e comecei a pensar na minha rica filhinha que havia ficado em terra com o seu querido pai e a ver a minha vida toda a andar para trás.
Nessa altura devo ter ficado branca como farinha maizena pois o piloto começou a cantar em francês muito descontraído para me entreter e lá fez subir o balão. E a partir daí entreguei-me nas mãos de Dieu e deixei de intelectualizar. E foi bom, incrivelmente bom e libertador.
Durante duas horas sobrevoámos os céus do Alentejo e a paisagem é de cortar a respiração. De repente, acabaram-se os uh la lás, os arrete, os attention e curtimos um silêncio fabuloso enquanto voávamos.
A descida foi agitada. Tínhamos (tinha o piloto que eu cá não risco nada) que perceber bem onde deveríamos aterrar e a escolha estava difícil, ora porque havia vacas no pasto e ir-se-iam assustar com o barulho dos queimadores, ora porque porque estávamos longe das estradas e o resgate do balão seria difícil por parte do outro membro da equipa que tinha ficado no carro de apoio ora...
Aterrámos ao pôr do sol! E foi inesquecível!
Demoraram uma hora a resgatar-nos (acabámos por aterrar mesmo no meio de um descampado, longe do asfalto e de caminhos bons para a carrinha circular) mas nós esperámos com a classe com que só os franceses conseguem ter: num piquenique já em terra, à sombra do balão, entre queijo e copos de vinho, felizes e sem nos entendermos num código de língua comum mas partilhando sem espinhas a linguagem da felicidade!
Merci, mes copains! Merci!
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Eu sou a Miss Bean de Deus
A CONHECER | Deedoo
O Deedoo é um quadro de rotinas pensado para as crianças a partir dos 3 anos que funciona como um brinquedo ao mesmo tempo que promove a autonomia, independência e responsabilização. Através da definição de um conjunto de actividades e horários diários, a criança é convidada a cumprir uma rotina assinalando no seu quadro as tarefas realizadas com a ajuda de ímanes coloridos.
O Deedoo é da autoria da querida Olga Reis que explica a importância das rotinas para um crescimento e dinâmica familiar saudáveis: “Quando a rotina é bem estabelecida, gera segurança, diminui a ansiedade e situações de desorientação. Além disso, uma rotina bem planeada ajuda na formação de bons hábitos. E quando os bons hábitos são incorporados, os castigos e as agressões não são necessárias”.
Com o Deedoo as famílias conseguem tornar os seus dias mais previsíveis, ao adaptar as tarefas às diferentes fases de desenvolvimento das crianças. Com as crianças mais pequenas podem ser criadas rotinas em torno da alimentação, higiene e horas de deitar; à medida que crescem é possível incluir actividades como a arrumação do espaço e organização dos objectos de uso pessoal ou ainda a participação nas tarefas familiares como a alimentação ou passeio do animal de estimação. O Deedoo incentiva também o reforço positivo premiando a criança pelo esforço alcançado no fim de cada semana ou mês, ou ajudando a corrigir comportamentos.
O Deedoo é personalizável com o nome da criança e vai estar disponível a partir do dia 18 de Novembro, em exclusivo, no site www.deedoo.ptpor 29,90€, com portes de envio. O conjunto inicial é composto por um quadro de rotinas e 17 ímanes com a possibilidade de complementar com packs de ímanes organizados por temáticas.
Por cada quadro vendido 1€ reverte para o “Bairro do Amor”.
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a conhecer,
Sugestões quadripolares
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
100 Quadripolares que vale a pena conhecer # Nuno (29)
"O Nuno usou, pela primeira vez na vida, calções no Verão. No seu primeiro campo de férias da ASBIHP (Associação Spina Bífida e Hidrocefalia de Portugal) confessou-nos que, apesar de viver no Algarve, nunca antes usara calções. E se fazia calor nos dias prolongados de Verão em Vila Real de Santo António!
A cidade é pequena. Todos se conhecem. Na escola chamam o Nuno de "rodinhas". Ele sorri, com um sorriso conformado, escondendo que o incomoda que o resumam à sua cadeira de rodas. Ele é mais do que ela, ele existe para além dela. E gostava de se tornar mais visível: que olhassem para o rapaz de 17 anos para além do rapaz da cadeira de rodas. Que olhassem para si, Nuno, um rapaz como todos os outros da cidade, da escola.
É curioso como essa necessidade de visibilidade se confunde com outra de invisibilidade. O Nuno não gosta de dar nas vistas. Às vezes desejava ser invisível e que nenhum dos colegas troçasse dele. Que não o excluíssem das saídas extra-escola porque não sabem como ultrapassar as limitações da sua cadeira de rodas. Desejava ser invisível quando tem que sair a correr da sala de aula para ir à casa de banho e que ninguém fizesse notar em voz alta a sua ausência e a ampliasse com ar de injustiça. O Nuno daria tudo para não ter aquele "privilégio" tal como os outros o encaravam, uma necessidade inevitável para si.
O Nuno deixou de fazer Educação Física e precisa. Não aguentava o medo de fazer um movimento mais brusco e que se notasse o corpo imperfeito, a escoliose, as cicatrizes por debaixo do fato de treino. Tinha medo das risadas, do gozo, da falta de sensibilidade dos colegas. Os professores não insistiam e começaram por lhe dar papéis secundários. O Nuno adorava jogar basquetebol em cadeira de rodas mas agora era sempre árbitro. Às vezes fazia relatórios das aulas.
Acabou por ser dispensado da aula. E o Nuno precisava de se exercitar porque uma vez que as pernas não funcionavam precisava de concentrar toda a sua força e agilidade no tronco e membros superiores. E olhava, de fora, espectador de uma aula onde deveria ser participante activo. Os professores não tinham culpa, não conheciam nada sobre a patologia, não queriam arriscar uma fractura, um acidente.
E chegava o Verão. E o Nuno sempre de calças, a suar, cheio de calor. Não usava calções. Era o preço a pagar para poder esconder as talas, as pernas atrofiadas e cheias de cicatrizes das múltiplas cirurgias ortopédicas. Era o preço a pagar pela sua invisibilidade. Queria tanto ser visível mas o era o conforto da invisibilidade aquilo que mais procurava. Queria não ter medo de mostrar quem era mas nada mais lhe restava do que ser o mais discreto possível, não se expor, preservar-se, não dar nas vistas. Ninguém reparar nele para não correr o risco de receber epítetos para além do "rodinhas".
No Verão, de calções, no campo de férias só com outros miúdos com Spina Bífida falou-nos do calor que sentia no Algarve. No desconforto de ter que esconder as talas, as botas ortopédicas, a deficiência, o Nuno no seu esplendor. Para além das rodas da sua cadeira.
Visitámos o Nuno, num dia de Outubro solarengo, na sua escola. Setenta colegas quiseram perceber o que estávamos lá a fazer. Lançaram o grande dado do jogo#serdiferenteéserúnico. Experimentaram transportar um tabuleiro com o almoço e um copo cheio de sumo no refeitório da escola... sentados numa cadeira de rodas igualzinha à do Nuno. Detectaram aspectos na escola a melhorar, boas práticas já existentes. Foram desafiados a encestar uma bola de basket ainda sentados na mesma cadeira e a dançar usando canadianas e disseram muitas vezes "não conseguimos". O Nuno sorria e mostrava que os desafios não eram impossíveis de concretizar, demonstrando como ultrapassava, no seu dia a dia, cada um deles. Para ele não eram desafios de um jogo: era a vida real.
Um a um, os miúdos iam olhando para o Nuno com mais atenção. Miravam-lhe os movimentos mais finos, elogiavam-lhe a perícia e todos pararam quando ele sacou uns cavalinhos e mostrou como é possível dançar numa cadeira de rodas. Todos aplaudiram, admirados e confrontados com o preconceito, envergonhados com todas as vezes em que durante o jogo assumiram que "não conseguiam" depois de perceberem que para o Nuno estes desafios não eram opção: eram uma questão de viver o dia-a-dia, de se incluir na dinâmica da escola, na vida da comunidade.
Palmadas nas costas, hi-5 e, sobretudo, sorrisos de empatia. Em cada um dos setenta miúdos. O Nuno a participar no jogo e, gradualmente, a ser chamado de Nuno e não de “rodinhas”. O Nuno a ser Nuno e a mostrar que ser diferente é ser único. Que todos diferentes e não todos iguais. Todos diferentes e ainda bem! O Nuno a tornar-se visível.
Os professores receberam formação sobre a patologia. O professor de Educação Física comprometeu-se que o Nuno iria exercitar o tronco e os membros superiores, que ainda iria a tempo de o tornar mais ágil e atlético, mais preparado e incluído na turma. Porque Educação Física não é só desporto: é socialização, é competição, é inclusão. O Nuno a sorrir com este objectivo, ali, traçado a dois, sem que tivéssemos feito muito mais do que explicar o que era a patologia e como se pode viver (bem) com ela e para além dela.
O Nuno a acompanhar-nos à carrinha velha da ASBIHP. A despedir-se de nós, sorridente e feliz. Genuinamente feliz. Tirou uma fotografia com o símbolo do "Movimento mais para todos", o seu coração estava assim: engalanado e cheio de gratidão.
Antes de metermos a chave na ignição pediu-nos que abríssemos a janela, tinha um último recado: "Agora, se continuar este calor de Outono sou capaz de trazer calções para a escola" e piscou o olho.
Nós sorrimos. Que seja assim na escola como na vida.
O Nuno já não tinha medo de ser quem era. Porque a diferença não tem que ser mascarada com a igualdade. Porque todos diferentes mas não todos iguais. Todos diferentes e- sim!- todos únicos. Todos diferentes. E ainda bem.
(Na recta final da edição de 2015 do Movimento Mais para Todos que apoiou a ASBIHP- uma das associações da qual faço parte- e onde cooordenei durante todo este ano um projecto de promoção da diversidade e celebração da diferença quero-vos dizer- sem necessidade de graxa porque o projecto está no fim- que o LIDL, enquanto empresa, não supermercado, não negócio, mas empresa é dos parceiros mais estruturados, sérios e com maior sentido de uma responsabilidade social efectiva e propositada com quem já trabalhei. Assim, o porque a próxima edição do Movimento Mais para Todos terá início já a partir do próximo mês quero pedir a todos que colaborem e se lembrem que podem fazer a diferença. Mesmo que nem o percebam ao passarem por um rapaz cadeirante a usar calções. )
(Escrevi esta história a pedido do Movimento Mais Para Todos para uma acção interna mas o Nuno fez questão de me pedir que a partilhasse no meu facebook e agora, também, aqui. Obrigada por insistires na tua visibilidade, marafado. Gosto muito de ti!)
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
Ainda da Virgem
Lá acabei por explicar à Ana que "virgem" era uma espécie de rainha, logo, a Maria mãe de Jesus era tipo uma rainha e que Jesus era o príncipe do bem (sou terrível a explicar questões religiosas, que querem pá?).
Há pouco a educadora da Ana mandou-me uma mensagem. Rezava assim:
"Hoje a Ana fez um desenho da família e lá me explicou que a Ana é a princesa, o pai o rei e a mãe é a virgem. :)."
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(Amanhã é o pai que a deixa de manhã no Jardim de Infância)
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Mãegyver
Eu já... andei de balão de ar quente!
E foi assim.
(Os sonhos realizam-se mesmo. Obrigada Publibalão por me ter proporcionado uma das experiências mais fabulosas da minha vida. )
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Autopsicoterapia
Ninguém passa a perna à Ana. Muito menos a mãe Natal.
Fomos ao supermercado às compras e dei de caras com uma boneca que a Ana queria muito em promoção. Aproveitei que a Ana estava distraída e enfiei, à socapa, a boneca no fundo do carrinho. Pedi a mámen que levasse a miúda a andar num daqueles carrosséis e paguei todas as compras- boneca incluída- ensaquei tudo bem ensacado e vim para casa.
Já em casa a Ana pediu ao pai para escrever a carta ao Pai Natal, com enorme sentido de urgência. A carta começa assim:
"Querido Pai Natal,
Eu portei-me muito bem e não empurrei os outros meninos. Queria uma boneca igual aquela que a mãe comprou no Continente.(...)"
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Mãegyver
We'll always have Paris
"Sabes Ana, Paris foi a primeira cidade fora de Portugal que conheceste.
Tinhas celebrado o teu primeiro aniversário dois dias antes quando chegámos à cidade luz. A tua pouca idade naquele Agosto de 2013 não te permitirá recordar que foi precisamente isso o que mais gostaste naquelas férias felizes de Verão: a luz.
Revisito, agora, as mais de 500 fotografias que tirámos em França para tentar sobrepôr essas imagens às de terror que as televisões passam. Não percebes (ainda) o cenário de carnificina, as pessoas que morreram por uma guerra que não é a delas, os pais que choram a morte dos filhos, o medo esquizofrénico que deverá ser não poder circular em paz nas ruas de uma cidade cujos valores proclamar igualdade, liberdade e fraternidade, os mesmos que estes homens maus desprezaram, arrastaram em poças de sangue e quiseram destruir.
Um dia, talvez aprendas numa aula de História, o que significou este dia, talvez à luz da distância do tempo te consigam explicar o seu verdadeiro significado. Espero nesse dia estar cá para te mostras estas fotografias, dois anos antes de 13 de Novembro de 2015, nós contigo ao colo, nós de baguete debaixo do braço a caminho da casa parque de Hollande onde fizemos um picnic a três, nós a passearmos nas margens do Sena, tu a olhares admirada para o brilho dourado dos cadeados naquela ponte, nós a passearmos de barco no Sena com a tia Xana, o tio Vitor, a Catarina, a Mariana e o Pedro, nós a comermos queijo e saucisson num telhado de Montmartre, tu a segurares a caixinha de música que o "Le vie en rose" que comprámos naquela lojinha ao lado do café da Amélie, nós a passearmos em Notre Dame com o tio Rúben, tu a aprenderes a andar à sombra da Torre Eiffel, a dançarmos à frente do Moulin Rouge, as tuas pequenas gargalhadas a ecoar pelas ruas bonitas, nós felizes, tão felizes, nas nossas primeiras férias a três e te dizer que não podia ser outro cenário senão aquele, que Paris é amor e risos, é liberdade e frescura.
E que nunca, filha, te deves render ao medo, nunca deves travar os valores da liberdade e da igualdade, da diversidade e da fraternidade, nunca deves, mesmo num Mundo louco e pervertido, esquecer as memórias boas e os sentimentos do bem, nunca deves deixar de resistir.
É o amor que nos salva, Ana. Imprimi uma fotografia dessas férias e coloquei-a numa moldura do teu quarto, nós os três livres e felizes. Nunca te esqueças que é o amor que nos salva.
Gravada na moldura a frase "We'll always have Paris". E teremos: especialmente num futuro que será o teu.
Acredito nisso com muita força. A força da liberdade e da resistência. A força do amor.
Repete comigo: "We'll always have Paris".
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sábado, 14 de novembro de 2015
Paris: o dia seguinte
"France embodies everything religious zealots everywhere hate: enjoyment of life here on earth in a myriad little ways: a fragrant cup of coffee and buttery croissant in the morning, beautiful women in short dresses smiling freely on the street, the smell of warm bread, a bottle of wine shared with friends, a dab of perfume, children paying in the Luxembourg Gardens, the right not to believe in any god, not to worry about calories, to flirt and smoke and enjoy sex outside of marriage, to take vacations, to read any book you want, to go to school for free, to play, to laugh, to argue, to make fun of prelates and politicians alike, to leave worrying about the afterlife to the dead.
No country does life on earth better than the French.
Paris, we love you. We cry for you. You are mourning tonight, and we with you. We know you will laugh again, and sing again, and make love, and heal, because loving life is your essence. The forces of darkness will ebb. They will lose. They always do"
NYT
No country does life on earth better than the French.
Paris, we love you. We cry for you. You are mourning tonight, and we with you. We know you will laugh again, and sing again, and make love, and heal, because loving life is your essence. The forces of darkness will ebb. They will lose. They always do"
NYT
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sexta-feira, 13 de novembro de 2015
AGENDA QUADRIPOLAR | Festa da Castanha de Marvão
Nos dias 14 e 15 de novembro, o Município de Marvão promove a XXXII Feira da Castanha - Festa do Castanheiro.
Durante estes dois dias, a vila de Marvão transforma-se numa grande mostra de produtos locais e regionais, com dezenas de pontos de venda, uma tenda de produtores locais, onde os visitantes poderão encontrar produtos hortícolas, frutos secos, enchidos, queijos, vinhos, licores, azeite, compotas ou doces caseiros, e uma área de restauração, no Largo de Camões.
No Largo do Terreiro, Largo de Santa Maria, Largo do Pelourinho e Largo do Espírito Santo, estarão situados os quatro tradicionais magustos, com mais de dois mil litros de vinho da região e cinco toneladas de castanhas, à disposição dos visitantes.
Na Casa da Cultura, ao longo do fim-de-semana, estará patente uma exposição temática dedicada à castanha e ao castanheiro, onde se poderão apreciar bordados antigos com casca de castanha, escadas em castanho, cestaria em madeiro de castanheiro, artesãos a trabalhar ao vivo, ou até mesmo a aplicação deste fruto e seus derivados na gastronomia.
Imperdível passarem pela Mercearia de Marvão que é só a Mercearia mais linda do Mundo e adquirirem um íman solidário "Amor é comer castanhas contigo" da autoria da Marta Tex e cujas receitas revertem integralmente para a ASBIHP- Associação Spina Bífida e Hidrocefalia de Portugal.
Mais informação em: www.cm-marvao.pt
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Agenda quadripolar
Dora: a miúda que a pele adora!
A última vez que fiz uma sessão de depilação a laser Alexandrite foi há 11 meses. Repito: onze meses, quase um ano.
Nesse intervalo de tempo nasceram-me pêlos ocasionais mas verdadeiramente insignificantes. Entretanto, a Dora esteve ausente por motivos de saúde e regressa, agora, melhor que nunca à la movida. E se a Dora tem salero, senhoras!
Posto isto, fui visitá-la para dar cabo dos solitários pêlos resistentes e, não sei se porque são realmente poucos, se porque já sei para o que vou, estive uns dez minutos nas mãos da Dora e desta vez nem um pingo de dor. E se ao princípio aquilo me doía (não é bem dor, são tipo uns choques)...
Podia só gostar da Dora, até porque a Dora é um doce e fácil de gostar. E podia vir aqui dizer bem dela porque, entretanto, nos tornámos amigas. Só que não. A Dora além de querida e simpática não faz nada da vida só por ser assim, nem tem o sucesso que tem só pela atitude:a Dora é realmente boa naquilo que faz! E merece toda a publicidade e recomendações do Mundo por isso: por ser uma excelente profissional, dedicada e trabalhadora, proactiva e empreendedora e , essencialmente, por ser séria.
Assim, tenho-vos a dizer que até dia 21 de Novembro, a Dora encontra-se a fazer uma promoção muito nice e que em Dezembro vamos avançar com uma promoção só para leitoras do Quadripolaridades. Para comemorar em grande o regresso da Dora!
Porquê Dezembro? Não, não é porque é Natal. Não, não é porque a depilação definitiva deve ser feita no Inverno para garantir que o sol não dá cabo da pele recém depilada. Nada disso.
É porque os estudos científicos assim o ditam, tá?
Porquê Dezembro? Não, não é porque é Natal. Não, não é porque a depilação definitiva deve ser feita no Inverno para garantir que o sol não dá cabo da pele recém depilada. Nada disso.
É porque os estudos científicos assim o ditam, tá?
Ver-se livre dos pêlos... e da depilação! Para sempre.
Quem? Dora
Onde? Lisboa
Contacto: Pelo email doracrsilva@gmail.com
Saber mais? https://www.facebook.com/dora.depil.laser
Porque hoje é dia 13
E fomos tomar o pequeno almoço juntos a um dia de semana e fugir à rotina sabe tão bem. Porque tu acordas-me com um "buongiorno principessa". Porque vamos na rua e agarras-me pela cintura e me roubas um beijo. Porque eu pergunto-te sempre "quantos meses?" e tu riste-te, nunca foste bom a fazer contas, e contra-atacas "diz lá tu" e eu respondo- sempre!- "agora não digo: estou amuada!" e ficamos a rirmo-nos os dois.
(Já) não sei há quantos meses estamos juntos. Mas sei que o dia 13 contigo é sempre um dia feliz.
E continuo amuada. E a rir-me em coro contigo.
Porque gosto muito, tanto, até ao infinito e mais além de ti.
Porque gosto muito, tanto, até ao infinito e mais além de ti.
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Conjugaliquadripolaridades
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
"Querido menino Jesus, nascido nas raspadinhas deitado" ou uma espécie de wishlist para o Natal
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Mãegyver
"When injustice becomes law, resistence becomes a duty" #2
Obrigada a todos os que leram este post e não ficaram indiferentes.
Obrigada à Inês que, desde o primeiro minuto, quis juntar-se a quem resiste.
Obrigada à Isabel que se importou e envolveu.
Obrigada ao mais conhecido advogado da praça que vai defender a A. em tribunal.
Obrigada- mais que tudo!- à A. que restabeleceu forças para lutar por justiça.
A luta é de todos nós.
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Causas quadripolares
O Mundo divide-se entre...
... quem em pequeno falava na língua dos Ps e os outros.
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O Mundo divide-se...
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
AGENDA QUADRIPOLAR | Children street store no Porto pelas mãos do Bairro do Amor
A Street Store na zona Norte foi um bebé difícil de parir.
Sabíamos que queríamos reproduzir isto mas a visão romântica que poderíamos tomar uma rua de assalto para a prática do bem num instante se desvaneceu. Contactámos 3 Câmaras Municipais e em duas delas nos disseram que o evento não fazia sentido porque nos respectivos municípios não havia sem-abrigo (pausa para limpar as lágrimas de tanto rir).
Tivemos que fazer ajustes no conceito e sintonizá-lo com a missão do Bairro do Amor e com a visão da Câmara Municipal do Porto (obrigada!) e, como resultado. teremos uma Children Street Store, a acontecer no próximo dia 28 de Novembro, durante todo o dia na sede da Fundação Porto Social, na Quinta da Bonjóia, Porto.
Esta children street store levada a cabo pelo Bairro do Amor será dirigida especificamente a crianças que neste dia vão ter a oportunidade de escolher roupa, calçado, material escolar ou brinquedos, num acesso democrático a uma experiência de “compra".
Não esganiçarás a mulher do próximo. Só a mim mas em segredo, vá!
Professor, é com prazer que me dirijo a si.
Deixe-me já esclarecer que sou cristã e que não sou uma menina do bloco de esquerda, daquelas que são umas pu tiroliroliro, umas pu tiroliroliro, umas puras donzelas (piscar de olho maroto mas contido).
Eu não sou contra ninguém, nem contra nenhuma coisa. Juro-lhe por Cristo, esse grande imprevisível. Para dizer a verdade a única coisa que eu sou um- só bocadinho moderadamente, de forma o mais cristão e recatada possível- contra é mesmo contra a monogamia.
Aqui entre nós que ninguém nos ouve (gesto de oferecer um rebuçadinho do Dr. Bayard ao professor para lhe acalmar a garganta da tosse, não faça caso pelo papel estar um bocadinho amarrotado, tirei de dentro do soutien, que eu cá sou uma mulher séria e uso sempre roupa interior, não se pense) eu gostava que o professor- já tenho pensado- me quisesse. Dada, se não for pedir muito. Se não for maçada.
Prometo-lhe, Professor, que se me juntar à sua esposa actual, mantendo em segredo esta proposta marota que lhe proponho de quebrar a monogamia, de juntos, ambos os três, em simultâneo e ao mesmo tempo formarmos uma família, uma comunidade (três já dá para uma comunidade, não dá?) Eu sei que é pedir muito conseguir com duas mulheres formar uma comunidade mas depois de assistir ao seu vídeo (depreendo que tal já lhe terá passado pela ideia, esta espécie de plural que rectificou de imediato com o uso da frase"com uma delas" para obedecer à moral judaico-cristã, mas vá, comigo não precisa de ser tão rígido, aqui que ninguém nos lê) acredito poder ser uma mais-valia para a sua vida. Por exemplo, eu nunca estou contra ninguém nem coisa nenhuma. Vá, estou contra as mulheres fumarem e irem ao café e também não concordo lá muito que votem, quanto mais terem o desplante de serem deputadas, mas isso são assuntos que nem me dizem respeito, que isso são coisas de homens, eles que opinem.
Dizia eu, Professor Pedro, que prometo ser uma segunda mulher obediente e leal e não dar muito nas vistas porque também comungo do ideal que lá em casa só deve haver dois tipos de pessoas: os filhos e os maridos. E os filhos se forem meninos, porque se forem meninas e tiverem vozes agudas e esganiçadas, sou a favor de as mandarmos para casa das tias nas Beiras aprender lavores, que uma mulher quer-se prendada para poder vir a agradar ao seu futuro marido. E mais, Professor, prometo não me pôr contra o marido todas as noites (piscar de olho) nem todos os dias nem pôr o Professor fora de casa. Sou uma alternativa boazinha, uma espécie de oposição CDS face ao PSD, uma oposição marota mas só na intimidade, na rua sempre em sintonia, caminhando sempre dois passos atrás do marido, saia impecavelmente abaixo do joelho, recatez no semblante, uma espécie de "mulher séria não tem ouvidos".
Prometo, Professor, que nunca mais quererá sair da minha vida nem se libertar dela. Concebo até fazer o sacrifício de fumar às escondidas, mas de boquilha, para ver se a minha voz fica mais rouca e menos esganiçada, tudo pelos valores da família, Tudo, tudo, tudo.
À noite prometo colaborar e não ser contra. Sugiro que comecemos as nossas conversações comigo sentada nos joelhos do Professor como o outro professor da novela: "Senta aqui, senta aqui: upalalá" e depois possamos ir, recatados, para o conforto do leito. Onde- garanto!- que o lençol com aquele orifício no meio nos espera imaculado. Não vai ouvir nem uma reclamação. Nem um diabólico "ai". Bem sei que abomina esganiços.
Tudo o que eu quero é parecer sexyàs lentes cheias de dedadas aos olhos do Professor. Sexy e decente. Uma laidi na mesa e uma louca na cama. Como uma mulher séria.
Uma mulher à(s) direita(s), potanto.
Tudo o que eu quero é parecer sexy
Uma mulher à(s) direita(s), potanto.
Agredeço que pense- com carinho e imprevisibilidade cristã- nesta minha proposta.Um grande bem-haja (gesto de puxar o saiote da saia para baixo, ajeitar o lenço que me cobre a cabeça e olhar para o chão, tímida e recatada)
Sempre sua.
Pólo Norte
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Actualidades,
Só desgostos
A revolta dos pólos Lácoste
"Estava sentada num banquinho da Praça das Flores, a beber o meu café e a ler o meu vício, quando fui arrancada à leitura por um eco de apupos: «buuuuuuuu! buuuuuuu!»
Buuuu? Estranhamente, os apupos pareciam irromper, não dos baloiços do parque infantil, mas da esplanada do Pão de Canela. Semicerrei os olhos, invocando o poder da visão. E então vi. Era o João Soares. O João Soares queria sentar-se na esplanada do Pão de Canela. Mas os manifestantes-de-esplanada não iam permiti-lo. Não é qualquer animal que pode comer esta tosta de queijo de cabra, mel e nozes por 7€. Chega para lá.
Rapidamente, os apupos foram substituídos por palavras de ordem. As palavras de ordem são sempre iguais, por isso não me levarão a mal que não as tenha entendido com clareza ("não-sei-quem para a rua, não-sei-quê-não-sei-quê-ua") - mais importante foi notar com agrado que os apoiantes da direita portuguesa as tinham descoberto. Nunca é tarde para se aprender a manifestar o nosso desagrado. Roubaram-nos o poleiro! Aquele que é nosso por direito! O mundo precisa de sabê-lo.
Geograficamente, o Pão de Canela fica num extremo da Praça. Eu estava sensivelmente a meio. No outro extremo, ficava uma outra esplanada, que, para minha surpresa, quis fazer-lhe concorrência. «LADRÃO! GOLPISTA!», ouviu-se da ala dos Refrescos. Em segundos, estas palavras pertenciam a todas as bocas do mundo. O pequeno mundo dos queques da Praça das Flores.
Os gritos foram iniciados por um grupo de adolescentes rapazes, com não mais do que 15, 16 anos. Depois de 3 ou 4 cânticos a peito aberto: «GOLPISTA! LADRÃO!», correram para o João Soares. Eram crianças, e riam como crianças, excitadas por poderem, finalmente, participar numa festa popular.
Mas a luta não se ficou pelas esplanadas. Um jovem adulto, sentado num banco ao meu lado, teve de segurar a senhora-avó pelas pernas, enquanto esta repetia as brincadeiras dos sobrinhos que nunca vira na vida: «Ladrão! Golpista!», e etc. O João Soares foi-se embora, a vida de esplanada teve de ficar para outro dia.
E eu, daqui em diante, sempre que estiver entediada, vou lembrar-me da vossa fúria. Da vossa dificuldade em compreender o que se passa. Em reconhecer a sua legitimidade democrática. Em perceber que não, não foram roubados de nada. Que não, que nada era vosso por "direito". Ou mesmo por defeito. E então vou sorrir. E vai ser awesome."
Buuuu? Estranhamente, os apupos pareciam irromper, não dos baloiços do parque infantil, mas da esplanada do Pão de Canela. Semicerrei os olhos, invocando o poder da visão. E então vi. Era o João Soares. O João Soares queria sentar-se na esplanada do Pão de Canela. Mas os manifestantes-de-esplanada não iam permiti-lo. Não é qualquer animal que pode comer esta tosta de queijo de cabra, mel e nozes por 7€. Chega para lá.
Rapidamente, os apupos foram substituídos por palavras de ordem. As palavras de ordem são sempre iguais, por isso não me levarão a mal que não as tenha entendido com clareza ("não-sei-quem para a rua, não-sei-quê-não-sei-quê-ua") - mais importante foi notar com agrado que os apoiantes da direita portuguesa as tinham descoberto. Nunca é tarde para se aprender a manifestar o nosso desagrado. Roubaram-nos o poleiro! Aquele que é nosso por direito! O mundo precisa de sabê-lo.
Geograficamente, o Pão de Canela fica num extremo da Praça. Eu estava sensivelmente a meio. No outro extremo, ficava uma outra esplanada, que, para minha surpresa, quis fazer-lhe concorrência. «LADRÃO! GOLPISTA!», ouviu-se da ala dos Refrescos. Em segundos, estas palavras pertenciam a todas as bocas do mundo. O pequeno mundo dos queques da Praça das Flores.
Os gritos foram iniciados por um grupo de adolescentes rapazes, com não mais do que 15, 16 anos. Depois de 3 ou 4 cânticos a peito aberto: «GOLPISTA! LADRÃO!», correram para o João Soares. Eram crianças, e riam como crianças, excitadas por poderem, finalmente, participar numa festa popular.
Mas a luta não se ficou pelas esplanadas. Um jovem adulto, sentado num banco ao meu lado, teve de segurar a senhora-avó pelas pernas, enquanto esta repetia as brincadeiras dos sobrinhos que nunca vira na vida: «Ladrão! Golpista!», e etc. O João Soares foi-se embora, a vida de esplanada teve de ficar para outro dia.
E eu, daqui em diante, sempre que estiver entediada, vou lembrar-me da vossa fúria. Da vossa dificuldade em compreender o que se passa. Em reconhecer a sua legitimidade democrática. Em perceber que não, não foram roubados de nada. Que não, que nada era vosso por "direito". Ou mesmo por defeito. E então vou sorrir. E vai ser awesome."
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