sexta-feira, 30 de junho de 2017

Os meus amigos podem não ser melhores que os vossos, mas terão certamente um sentido de humor mais peculiar # 39

                                      

"Liliana, tu que estás habituada a cadeirantes esclarece-me: não sei se testemunhei um milagre se uma tragédia..." - mensagem do meu amigo Paulo no chat de facebook. 


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O Mundo divide-se... #edição sopeira

... as pessoas que têm a tábua de engomar e o ferro ao género de instalação artística permanente no meio da sala o ano inteiro e as outras.




suspiro*

Uma pessoa fica aqui a cismar...





Olha se me desse uma travadinha musical destas a mim?


É que - fora de brincadeiras- sou alérgica ao látex.
Sim: ao látex- leram bem.


Quando a realidade supera a ficção que supera a realidade que supera a ficção and so on

"Luciana Abreu apresentou hoje o seu novo tema, 'El Camarón'. Esta música de ritmo latino e muito alegre foi, na verdade, inspirada no choque choque anafilático que a cantora sofreu em janeiro de 2016. Nessa altura, Luciana precisou de ser assistida de urgência no hospital depois de ter ingerido camarão.A cantora ficou sem ar, muito inchada e aflita.Cerca de um ano depois, a cantora usa a sua arte para alertar os fãs para este problema.
 Luciana mostra assim que é capaz de encarar a vida com boa disposição e humor, apesar de nem sempre tal ser fácil."


Oh céus: foi intencional. Esta música é propositada. Oh nossa senhora do marisco me valha!

           

Desejos de pré-aniversário

Que a minha mãe deixe de fumar. Conseguir arranjar trabalho para todos, vá, pelo menos 4 ou 5 com elevado potencial e a quem ninguém dá emprego porque têm uma parte do corpo que não funciona bem. Um jantar lá fora, de carne no carvão e um bolo "Les gourmandises de Sophie" com velas a dizerem 30, não serão 30, serão mais 7 mas a negação é um direito que me assiste. Somersby fresquinhas para brindar. Que a minha mãe deixe de fumar. Arranjar um tatuador que alinhe pro-bono naquela ideia maluca de tatuar próteses ortopédicas. Ou uma empresa que queira personalizar pára-raios de cadeira de rodas. A saúde da Ana, sempre, mais que tudo. Um mergulho nocturno, a dois, na piscina. Uma Nikon como único presente, mesmo que seja em segunda mão (não vale a pena, Canon: não fomos feitas uma para a outra!). Se não puder ser, então um bordado da Andrea ou aquele quadro maravilhoso da Movelvivo. Ou um Manel e uma Maria feitos de crochet lá para os lados de Ponte de Lima. Abraços de quem tenho falta que me abrace. Gargalhadas no ar. Um desenho da minha filha. Uma fotografia bonita de nós os três. Que a minha mãe deixe de fumar. 

quinta-feira, 29 de junho de 2017

O Mundo divide-se... (edição fonética)

O mundo divide-se entre quem toda a vida cantou "Vamos à la praia" em vez de "Banhar-nos à praia" e os outros.

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Três desgostos fonéticos por dia, não sabe o bem que lhe fazia # 1

Diz a minha amiga Bé: "Tinha grandes discussões por causa dos Xutos (adoro Xutos) "queria ter um avião para lá ir mais amiúde" e o pessoal insistia que era "mais a miúda" ....

              

"Ah, e ainda aquela coisa "do rés do primeiro andar" não existe ok? É MODESTO 1º andar, ok?""


 

Diz a minha amiga Eileen: "para mim, o Rui Veloso sempre cantou" disseste que se eu fosse ao gás (trocar a bilha?) tu tiravas o vestido, o prometido é devido".




(E habemus nova rubrica à pála do CETELEM da Ana... )

Ana, a zen... a crédito

Ana, canta o mantra que aprendeu na escola para se acalmar quando está destrambelhada (sim, sim: destrambelha que é minha filha, não há cá milagres!). 

Ana: "I am happy,
          I am good,
          I am happy,
          I am good,
         CETELEM, CETELEM, CETELEM, ji
         Ariuru, ariuri, ariuri, jim"


Nós: "Ó filha, tens a certeza que é  CETELEM?"

Ana: "Claro que sim: o professor de meditação cantou isto o ano todo!"

Nós: "Epá, filha. Não deve ser CETELEM, tu ouve lá melhor isso..."

Ana: "É CETELEM, sim! Que eu sei, que eu é que estou lá a ouvir..."


Reunião de pais, a educadora convida-nos para fecharmos a dita com a música da meditação. Afino a minha melhor voz  e dou-lhe com alma:

         "I am happy,
          I am good,
          I am happy,
          I am good,
         CETELEM, CETELEM, CETELEM, ji
         Ariuru, ariuri, ariuri, jim"


Fica tudo a olhar para mim.





Não era.

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Vamos lá voltar à quadrievangilização que já estavamos cheios de saudades




"Olá Pólo Norte,

quadripolarizei o Chipre, mais um país para acrescentares à tua lista!
As fotos são da Petra tou Romiou ou Rocha de Afrodite. Segundo a mitologia é o local de nascimento da deusa Afrodite!

M."

Querida M., desculpa o atraso na publicação de tão nobre quadripolarização, ainda mais com um país à estreia: mea culpa!

Graças a ti temos  agora 91 países quadripolarizados: é muita fruta! Obrigada!



[Chipre quadripolarizado. Todos os países quadripolarizados aqui]

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Carta à auxiliar da sala do Jardim de Infância da minha filha

Querida Ana, (que outro nome poderia ser?)

No fim do ano lectivo, o último em que acompanha a minha Ana queria agradecer-lhe. Sabe, é que muitas vezes as pessoas- os pais incluídos- se esquecem do papel das auxiliares. Eu- às vezes- também mas hoje não. 
Queria agradecer-lhe o papel que teve durante estes anos na vida da minha filha. Não foi um papel auxiliar nem secundário, foi um papel insubstituível e principal. 
Foi a Ana que acolheu. todas as manhãs, a minha Ana na sala. Que lhe deu bons dias risonhos. Colo nos dias em que estava mal disposta. Que a conduziu à reunião de tapete. Que lhe ajeitou ganchos a escorregar no cabelo liso e escorrido. Que lhe fez tranças. Que lhe deu beijinhos nos dói-dóis de cada vez que caiu no parque. Que a corrigiu de cada vez que dizia "já não sou mais tua amiga!" e a ajudou a negociar, a resolver conflitos, a ceder, a dar o braço a torcer, a insistir quando tinha razão, a perceber que não pode ganhar sempre e a saber estar na sala e no grupo de amigos. Que lhe deu a confiança de que tudo pode correr bem mesmo que os pais não estejam por perto e que há adultos cujos trabalho é cuidar e amar. Que a levou e a acordou das sestas, que a acompanhou quando decidiu que já não queria sestas e que a apoiou quando largou a chucha. Que a ajudou a acabar os presentes do dia da mãe, a aprender as orações certinhas, a decorar canções importantes e a ensaiar para os espectáculos de Natal e de fim de ano. Que lhe elogiou a atitude, o comportamento, a roupa, o brinquedo novo, a nova aprendizagem e o crescimento. Que lhe corrigiu a atitude, o comportamento, a falta de paciência e o desinvestimento nas tarefas mais minuciosas e lhe mostrou que mesmo no meio da multidão havia um tempo, um espaço e uma atitude de respeito para cada um dos seus amigos. Para ela também. Que lhe cortou o bife aos pedacinhos e lhe esmagou as batatas para a enganar. Que lhe limpou as lágrimas e lhe deu, todas as vezes sem nunca o negar, o colo que a minha ausência não me permitia dar.
Nem sempre foi fácil mas nunca a vi de má cara e às vezes a minha filha não é fácil de aturar. Oh como a admiro! Ensinou-a pelo exemplo de assertividade e afecto e deu continuidade ao trabalho que tentamos fazer em casa. É tão boa nesse papel, sabe?!
Foi uma excelente companheira de equipa juntamente com a educadora mas- principalmente- connosco. Aceitou o compromisso de fazer da minha Ana uma menina melhor, todos os dias, sem ter expectativas do que era ser melhor, apenas respeitando a direcção, os gostos, interesses e personalidade que ela foi demonstrando. 
A minha Ana é a nossa semente, minha e do pai. Todos os dias a regamos para que cresça saudável e feliz. Mas foram ambas- a Ana também- que todos os dias, na nossa ausência, lhe abriram a janela da infância e lhe mostraram o sol. Porque o vosso amor foi fotossíntese para esta Ana, a minha Ana, agora em flor. 

Obrigada por tudo. Por ser exactamente a pessoa em quem a minha filha procurou o colo que a minha ausência não permitia ser eu a dar. O seu colo não é auxiliar, foi educador e teve um papel principal. 
Um papel que nunca esqueceremos. 

Um beijinho nosso. Um beijinho com sabor a colo de mel. A um colo principal. 

Síndrome do bom aluno no peido do Salvador Sobral

                                      Foto de Quadripolaridades.



Sabem os bons alunos- especialmente os de áreas não científicas em que a subjetividade na avaliação dos seus conteúdos é possível- que independentemente do texto livre que escrevam, independentemente do quadro e da técnica que pintem, independentemente do resultado final que apresentem têm sempre boa nota?

Sabem os pintores e artistas consagrados que, independentemente, dos borrões que atirem para a tela, dos esquissos manhosos que apresentem estão sempre diante de uma obra prima?

Sabem as fashionistas que independentemente dos carrapitos em formas de fecalomas em cima dos toutiços, das saias  de grilo falante da Disney curtas à frente e com causa atrás que tenham usado em 2012, dos sapatos a imitar botas ortopédicas em 2011 e agora das calças com buracos na ganga que usem estão sempre bem e sempre na moda?

Sabem os músicos consagrados que por mais marteladas nas teclas que lhes apeteça dar, acordes que falhem, desafinações que cometam,  são sempre espectaculares e geniais?

Sabem a Joana de Vasconcelos... Ah, espera! A Joana Vasconcelos podemos criticar- porque somos todos especialistas nos processos criativos e conhecedores de artistas plásticos a rodos- e assim como assim lá por ser conhecida e famosa, não significa que tudo o que faz seja brilhante...

Sabem aquela coisa do "mais fama que proveito" e "à mulher de César não basta ter, deve parecer"?

O rapaz não quer que o tornem numa "vaca sagrada": é este o ponto do Salvador Sobral. 
Mas em "peido" menor. 

Diálogo apenas perceptível por açorianos



Eu: "Ui, agora está tudo muuuuito ofendido porque o Salvador Sobral disse "peido" na televisão..."

Mámen (à nora sobre a polémica): "Vês, porque é que eu ensino a miúda a dizer "fofó"?"

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Há um episódio do "This is us"...




... em que é véspera de Natal e a Kate tem que ser operada de urgência. 
A mãe agarra num raminho de pinheiro e coloca-o na mão da filha, reforçando que "nada pode correr mal na véspera de Natal". 
No dia 21 deste mês- dia do aniversário do meu avô- a minha vida podia correr muito mal, o pior que me podia acontecer e olhem que a mim já me aconteceu muita coisa manhosa...
No dia 21 de Junho- dia de aniversário do meu avô- na sala de espera de uma clínica pensei no "This is Us": nada pode correr mal no dia de aniversário do meu avô. 

Não correu. Soube-o ontem, depois de uma semana de insónias, angústias e um aperto no peito nunca antes sentido. 

Ainda que já acreditasse, agora sinto-o com mais força, Sim, acredito em milagres. 


[Obrigada, avô!]

segunda-feira, 26 de junho de 2017

I went to Marceloland and all I got was this Marcelfie?

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Duas cadeiras à minha frente: o Presidente da República da minha idade adulta. Ali.
Digo da minha idade adulta porque- já aqui escrevi- o meu Presidente da República era o Mário Soares. Mas ali estava ele: Marcelo no seu esplendor.
Ao meu lado, duas senhoras mais velhas tentavam tirar selfies enviesadas na esperança de apanharem o Presidente de raspão, no canto da fotografia. Atrás de mim, um casal muito crítico a disssertar sobre a "pantomina" (citando) que envolve cada aparição pública do Presidente.
Olhei-o. Pareceu-me cansado, mais envelhecido que a última vez que o vira numa ida à praia. 
Nesse dia- no Hospital Garcia da Orta- Marcelo marcava presença na celebração do aniversário do Centro de Desenvolvimento daquela unidade hospitalar e no final da palestra dirigiu-se à rua, onde uma limusina o esparava para poder passear uma das crianças acompanhada por aquele Centro de Desenvolvimento e que tinha como sonho andar de limusina. 
"Pantomina", "exibicionsismo", "show off": ouvi de tudo. 
Tal como voltei a ouvir agora, aquando da tragédia dos incêndios. Marcelo Rebelo de Sousa foi lá distribuir abraços e foi criticado por isso. 
Marcelo- o auto-proclamado presidente dos afectos- foi ao terreno fazer aquilo que sabe fazer melhor: estar junto do povo, ver com os seus olhos a dimensão da tragédia, confortar quem precisa de ser confortado e mostrar que a política também se faz de Humanidade. 
Será suficiente para reverter a tragédia? Será suficiente para evitar futuros incêndios? Será suficiente para mudar as leis de protecção das florestas e de organização do território? Não. 
Mas nada do que Marcelo poderia fazer- mesmo com os poderes que a sua função lhe atribui- seria suficiente. Assim sendo, fez o que sabe fazer melhor: foi humano. 
Isto não nos resolve o problema dos incêndios florestais, não dissipa as marcas da tragédia, não traz à vida todos os que morreram debaixo das chamas. Tal como aquela volta de limusina a um utente do  Hospital Garcia de Orta- ali aos meus olhos- não resolveu o problema de recursos humanos do hospital que constava no discurso do senhor Administrador.
Mas, no final das contas, Marcelo esteve lá. Abraçou quem precisava de ser abraçado. Realizou o sonho de uma criança. Confortou. 
E sabendo que a política não se faz nem nunca se fez disto, não subtraindo: acrescenta. Marcelo trouxe humanidade à presidência da república. 
E se "humanidade" for "pantomina", então, the show must go on!

CROWDFUNDING | Centro de Apoio ao Doente Oncológico

Até ao ano passado nunca tinha ninguém próximo de mim com cancro. Foi o meu tio que me apresentou esse maldito, pelo que, agora sinto estas causas um pouco também como minhas. 

Por essa razão, não posso deixar de publicar o pedido do Centro de Apoio ao Doente Oncológico,  uma Associação sem fins lucrativos que presta todo o tipo de apoios aos doentes oncológicos e seus cuidadores: consultas de psicologia, psiquiatria, nutrição gratuitas; acompanhamento a consultas, exames e tratamentos; apoio financeiro, burocrático e judicial, entre muitas outras coisas. 

O Centro de Apoio Oncológico (página de facebook aqui) precisa, neste momento, de um carro, pois têm estado a fazer as viagens nos carros dos voluntários e estão com uma média de 2 viagens ao Porto por semana (encontram-se a 200km do IPO). 

Se cada um contribuir com muito pouco que seja, este pedido pode deixar de ser um pedido e tornar-se realidade. 

Tudo sobre a campanha de crowdfunding:  aqui


Fico a torcer!

E tu: aindas acreditas nos pais da Heidi?

Nos meus tempos idos de infância eu era uma criança sensível: acreditei no Pai Natal até aos 8 anos, acreditei nos homens até aos 28 e...

... estava eu de carro com dois amigos e começamos a aparvalhar:

Pólo Norte: Agora saía-nos o Euromilhões, montávamo-nos num Ferrari e começávamos a visitar as pessoas todas famosas que nos apetece.

Amigo 1: Mas não saíamos de dentro do carro: acenávamos assim tipo à distância.  "Olha a Paris Hilton, porquita, adeuzinho!", "Olá, olá   Obama, podemos ficar para o chá?", " Adeuzinho Oprah, espreita debaixo da tua cadeira, filha!".

Pólo Norte: Siiiiim. Já me estou a  ver a cumprimentar o Bryan Adams, a Madonna, os pais da Heidi no Benelux...

Amigo 2: Os pais da Heidiii?

Pólo Norte: Sim, dahhh! Os pais da Heidi emigraram para o Benelux, não sabias? Por isso é que ela foi entregue ao avô Pedro. Dahhh!

Amigo 2: Pólo Norte? Os pais da Heidi morreram, pá!

Pólo Norte: Não morreram nada! Emigraram, estúpido!

Amigo 1- Desculpa lá mas morreram. A gaja era orfã, por isso é que foi entregue ao avô.

Pólo Norte, chateada com a teima e ainda incrédula, liga para a mãe. Resposta imediata:

Mãe: Ahahahah! Eh pá, nunca mais me lembrei de te contar a verdade. Mas, raio da miúda, tu eras tão sensível, pá!

(...)

sexta-feira, 23 de junho de 2017

A CONHECER | Tondela, Viseu, Bussaco e Curia


"Porque carga de água ofereces presentes de final de ano à educadora e à auxiliar da sala da tua filha, Pólo Norte?"

Na verdade, muitas das minhas amigas fazem-me esta pergunta. Algumas não dão presentes às professoras/educadoras por uma questão de princípio, outras porque acham que elas recebem salário e são pagas para fazerem o que tem que ser feito, outras porque acreditam que oferecer presentes quando há uma componente avaliativa parece mal e por aí fora.

Por aqui, no Natal e no final de ano ofereceremos presentes à Leonor e à Ana. Porque elas são pagas para ensinar e passar conteúdos pedagógicos à Ana mas ninguém lhes paga os colos sentidos, os beijinhos nos dói-dóis, o consolo quando há incómodo ou birras, o conhecerem de cor os brinquedos que ela leva para a escola e saberem o nome do Gilberto-o urso gigante, o tomarem-lhe conta dos casacos e nunca lhe trocarem o chapéu, porque lhe conhecem os gostos de cor e fazem muitas vezes a vez do meu amor quando eu não estou por perto. 

Eu não ofereço presentes à educadora e à auxiliar da sala da Ana, eu agradeço-lhes e retribuo-lhes o amor, àquelas duas pessoas- a Leonor e a Ana-  com uma lembrança, símbolo de gratidão. 

Este ano, será assim:


crachá para a auxiliar Ana e fio da raposa do Principezinho para a educadora Leonor by cutxi-cutxi




quinta-feira, 22 de junho de 2017

[ verdade ou consequência? ]



[I'm not a people person. Durante anos achei que sim: que gostava de pessoas. Que gostava mais de pessoas que de animais. E, já para o fim, percebi que quanto mais conhecia os outros mais gostava de mim. Criei um grupo no facebook com esta frase e juntaram-se 2012 pessoas. 2012 é um belo número. Tenderá a decrescer, estou certa.
Mas voltando ao fim- ao passado pintado de fresco- fartei-me de pessoas. O que é chato tendo em conta que a matéria-prima da minha profissão são esta espécime de seres vivos. Irei à falência em breve por saturação da dita matéria-prima. Não perco o sono com essa possibilidade.
As pessoas falam muito. Eu, inclusive. Falo demais e quando quero parar de me ouvir parece que não tenho qualquer controlo sobre a matéria e falo até me doer a cabeça, de tanto me tentar escutar. De me ouvir por dentro e por fora. Sim, por dentro. Se tapar os ouvidos e continuar a falar, as palavras surdas fazem-se ouvir à força como se debaixo de uma água de pensamentos altos e ensurdecedores. Uma voz interior maior. A borbulhar. A verdade é que não é pelo facto das pessoas falarem muito que me aborrecem. É, essencialmente, por não dizerem nada de jeito. E por acreditarem que sim. Percebi que a realidade não existe, existem meras especulações.
 minha livraria preferida fechou. O Pedro logo dissertou horas a fio sobre as causas de encerramento da dita: que os donos eram dois burguesesinhos que trabalhavam para aquecer, que se endividaram porque quiseram ter uma livraria numa zona chique da cidade, que eram especialistas das palavras mas péssimos no que dizia respeito aos números. Quando inquiri o João sobre a fonte daquelas afirmações, não me soube precisar. "Ouviu dizer por y, x e z que conhece o primo do cunhado da nora da empregada da ex-dona da livraria" e, entretanto, a verdade - que é o que é e não o que se vai ouvindo dizer aqui e ali- perdeu-se algures. E o mais grave é que isso não interessa a, rigorosamente, ninguém. As meias-verdades chegam-nos. Somos do século em que interessam mais as opiniões que os factos, as deduções/intuições/especulações que as evidências.
 Talvez porque as evidências são tramadas de se encontrar: dão trabalho que se farta. Talvez por isso as pessoas continuem a falar do que não sabem, sabendo que com isso matam as verdades. Vive-se em quintais de verdades plantadas por uns, regadas por outros quando a verdade é uma erva-daninha. Nasce por geração espontânea e é o que é: a verdade selvagem que nasce ao pontapé em terrenos baldios.
Lembro-me dele.
O Gustavo gostava de dizer algumas verdades. As suas verdades. Dizia-se directo. Mas fugiu quando sentiu que era hora de as ouvir.
 Falar dá jeito, ocupa espaços de silêncio, distrai. Ouvir os outros não tem graça, podemos não ter tempo de nos defender, ainda que na maioria das vezes não haja defesa possível porque- lá está- a verdade dos outros nem sempre coincide com a nossa. Passa a ser uma mentira, portanto. 
Aborrecem-me as suas justificações, aborrece-me que ele precise tanto de se ouvir e precise que eu sirva de espectadora naquele monólogo monótono e entediante. Fartei-me dele. Como tantas outras vezes me fartei de pessoas que acreditam que a verdade delas é a verdade universal. Não tenho pretensões de acertar nos atalhos da vida e nos temas de conversa discutidos nas mesas dos cafés. Gostava só que me apresentassem factos reais e não interpretações. 
Nestas alturas lembro-me porque escolhi o agrupamento científico e não humanidades no liceu. Somos do século da supremacia das opiniões e das verdades absolutas instantâneas. 
 Neste jogo, prefiro sempre a consequência.]

[repost]

Novo ódio de estimação

Pessoas que vão para a fila da caixa do supermercado, metem meia dúzia de artigos no tapete rolante e depois ausentam-se para ir buscar mais uma coisa que se esqueceram, ou duas, ou dez e ficam com as coisas a guardar-lhes lugar no tapete enquanto vão fazer o resto das compras.


Serei Ronaldete até morrer

           


Porque a inclusão faz-se de todos os actos que promovam a igualdade de oportunidades.
Obrigada, Cristiano Ronaldo!

Vocês subestimam a minha capacidade premonitória

No ano passado escrevi isto. Este ano aconteceu.

Há cinco anos escrevi isto. E é o que se tem visto.


Sou muita forte, pá. Tende medo!

AGENDA QUADRIPOLAR | Concerto solidário "Juntos por Todos"

Foto de Sons em Trânsito.

Será na próxima terça-feira, 27 de Junho, pelas 21 horas, que a MEO Arena recebe o concerto "Juntos Por Todos", com transmissão ao vivo na RTP, SIC, TVI e em todas as rádios portuguesas. 
O concerto pretende prestar homenagem às vítimas dos fogos florestais que continuam a lavrar em Pedrógão Grande e zonas limítrofes bem como angariar receitas para reforço da ajuda às populações afectadas pela que é já considerada uma das maiores tragédias na história do nosso país. 
A receita obtida será entregue à União das Misericórdias Portuguesas.

 "Juntos Por Todos" é uma iniciativa civil, co-produzida pela Sons em Trânsito, Nação Valente, MEO Arena, Blueticket, RTP, SIC e TVI, e artistas participantes: AGIR, Amor Electro, Ana Moura, Aurea, Camané, Carlos do Carmo, Carminho, D.A.M.A, David Fonseca, Diogo Piçarra, Gisela João, Hélder Moutinho, João Gil, Jorge Palma, Luísa Sobral, Luís Represas, Matias Damásio, Miguel Araújo, Paulo Gonzo, Pedro Abrunhosa, Raquel Tavares, Rita Redshoes, Rui Veloso, Salvador Sobral e Sérgio Godinho. 

 Os bilhetes já se encontram disponíveis em blueticket.pt e nos pontos de venda Fnac, Worten, El Corte Inglês, The Phone House, Pagaqui, ACP e Turismo de Lisboa,  

Mais informações: aqui

Encontramo-nos por lá?

Ana, a varina fashionista

Ana terá que ir vestida de varina para a festa de final de ano lectivo. Chega a casa e informa-nos - a mim e à minha mãe- que tenho que lhe arranjar uma roupa de varina.
A minha mãe saca do tablet e mostra-lhe imagens do google de indumentárias de varinas.
Ana, em choque;

- "Mas não posso levar nenhum dos meus vestidos de princesa de varina?"
- "Não!"
- "Nem a saia de tule cor-de-rosa que a tia me fez?"
- "Não, Ana. temos que te arranjar uma roupa parecida com estas que a avó te está a mostrar no tablet"

Fica em silêncio, estica o dedo indicador e começa a acená-lo em sinal negativo:

- "Epá, para isso não contem comigo!"



...

Viver com um pé no risco ou estou no limiar da loucura

Este ano decidi que vou fazer uma piñata para o aniversário da miúda.
Eu mesmo, com estas mãozinhas habilidosas de foca.


Tenham medo.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Solstício de Verão em mim

Solstício de Verão: completa-se hoje 87 anos sobre a data de nascimento do meu avô, homem da minha vida, pessoa raiz, afecto em bruto sem necessidade de lapidar. 
Ao meu avô devo muitas coisas, tantas, incontáveis. A principal a segurança e auto-confiança, a capacidade de abstracção quando tudo parece difícil, o sangue frio e o sangue quente em cada acertada ocasião. Ao meu avô devo a capacidade de me deixar amar, sem resistências nem pudores, o deleite de ser amada, a entrega ao amor sem obrigação e nem deveres, o amor por escolha. Ao meu avô devo a sua quota parte da infância feliz que eu tive-tão feliz- quando havia tantas condições reunidas- doença, divórcio dos meus pais, pai ausente and so on- para que tudo desse errado. 
Tudo deu certo. 
 Porque ele me amou assim, me ensinou a arte de se deixar amar sem defesas e sem receios, baixar a guarda nestas coisas de amar e ser amado, com colo, beijinhos e afectos, gargalhadas com dentes desalinhados, anedotas repetidas e olhares de ternura. 
A minha mãe ensinou-me a amar. O meu avô ensinou-me a ser amada. 
O meu avô morreu mas eu continuo a comemorar a sua vida, tão plena e valiosa, tão carregada de memórias de afectos e amor. O meu avô nasceu para muitas coisas mas a melhor- e logo a que me calhou a mim-  foi o facto dele ter nascido para se tornar nO meu avô. 
Parabéns, 'vô. 
Estás comigo em cada inspirar e expirar. 
Sempre. 
Solstício de Verão em mim.

100 Quadripolares que vale a pena conhecer # Catarina (35)



A Catarina é leitora deste blog.
Uma tipa inteligente e audaz, perspicaz e boa gente.
A Catarina viveu cercada pelo Inferno, viu os cenários das suas memórias, os espaços que pertencem às suas lembranças, vida vivida, terras com raízes suas confundidas com as das árvores arderem assim.
A Catarina não conseguia dar notícias e eu rezei por ela. Não a conheço pessoalmente mas sei-a inteligente e audaz, perspicaz e boa gente.
Eu não sou de apontar dedos, ruminar em culpas, preocupar-se com acusações políticas. Lá chegaremos quando as terras e as cinzas estiverem arrefecidas.
A Catarina esteve assim e eu fazia refresh de minutos a minutos no seu perfil de facebook. E rezava. E eu não sou de rezar.
Mas quando a impotência nos esbofeteia a cara, nada nos resta senão sermos humanos e vulneráveis, humildes e crentes num desfecho com vida. Porque aqui - não haja enganos- há apenas desfechos porque não há nenhum final feliz.
Sejamos humanos e rezemos, oremos, enviemos energias positivas, façamos figas ou o que nos aprouver. Juntemo-nos para acrescentar e sejamos humanos e empáticos.
A Catarina- inteligente e audaz, perspicaz e boa pessoa- está bem. E eu vergo-me à sua valentia, faço uma vénia à sua coragem.
"Acredita, mesmo para mim que estava em cima do telhado na minha melhor versão gata em telhado de zinco quente islâmica, a sensação de me limitar a meter água e de esperar que o fogo venha ter connosco é só pior..."
Tenho um novo herói: Catarina, a grande.

Vamos lá fazer narrativas de dona de casa para ver se todos entendem

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Imaginem que têm um jantar aí em casa. 
Os vossos convivas chegam mais cedo e não arredam pé da cozinha com o pretexto de vos ajudarem. Abrem armários, gritam a perguntar onde está isto, onde está aquilo, põem ingredientes em cima da bancada que, entretanto, são substituídos por outros ingredientes sugeridos por outro convidado com boa vontade. Ao ver a confusão que vai na cozinha, os cônjuges desses convidados que até estavam na sala juntam-se ao grupo- com o propósito de ajudarem- e falam mais alto, uns por cima dos outros, tropeçam e dão encontrões uns aos outros, porque a cozinha é pequena para tanta gente, porque tu estavas com tudo organizado e planeado na tua cabeça e só querias tirar o rolo de carne do saco do talho e espetá-lo num pirex no forno, mas depois alguém- com a melhor das vontades- percebeu no meio da confusão que tu querias fazer peixe e pediu ao respectivo cônjuge que tirasse o peixe do frigorífico, até era salmão mas ele disse "peixe" e, por causa disso, outro conviva- com a melhor das intenções- achou por bem ir adiantando um molhinho à espanhola, peixe a esta altura só pode ser sardinha ou carapau já se vê, e continuam a abrir-te os armários- onde está o sal? arranjas-me uma travessa para a salada de pimentos? ai está tanto calor, porque é que este forno está ligado se o jantar são carapaus assados na grelha? por falar nisso onde meteste o grelhador? há carvão?- alguém põe a mesa, olhas e não percebes porque estão talheres de peixe na mesa, aquela não era a toalha de mesa que querias- onde a terão desencantado eles?-  vais ao forno ver do rolo de carne, está cru, desligaram o forno, olhas para o lado e vês salmão grelhado e molho à espanhola, armários todos desarrumados, gente aborrecida e cansada de tanto gritar e tropeçar uns nos outros e tu só querias ter colocado o rolo de carne no forno e ter jantado sossegada com os teus convidados. 

Sim, é real: existe excesso de voluntarismo.
E muito ajuda quem não atrapalha. 

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Os finalistas (com chapéu de cartolina preta à americana e tudo)

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Tenho assistido, por força do trabalho do homem cá de casa, a um fenómeno interessante que surgiu nos últimos anos: as festas de finalistas. 
No meu tempo éramos finalistas em duas fases da nossa vida: no fim do secundário e no término da universidade. Tal como éramos caloiros no primeiro ano da universidade, apenas. Aparentemente, sou do tempo dos dinaussáurios. 
Hoje em dia vejo festas de "finalistas" no último ano do Jardim de Infância, no quarto ano das escolas primárias, no nono ano dos liceus e por aí além. Tenho, ainda assistido, em fotografias do facebook da minha rede um proliferar de fotografias de meninos a envergarem pseudo-capas académicas e chapéus de finalistas à americana, feitos de cartolina preta, alguns até (heresia!) com capas com fitas autografadas pelos colegas da escola primária. Que irão rever no quinto ano...
Hoje toda a gente foi finalista uma vez, duas vezes, três vezes, quatro vezes e , finalmente, finalista- finalista na universidade. Também há os finalistas no último cinturão do judo, os finalistas na nataçao, no centro de línguas e na catequese. Já não aguento finalistas!
Temo o dia em que, à saída da maternidade, "adeus-adeus vamos para casa", alguma enfermeira espete um chapéuzinho de cartolina ou de feltro, vá, na cabeça de um bebé e uma faixa à miss a dizer "Finalista do berçário". Na colónia de férias, um monitor se encarregue de "finalistar" as crianças no último dia com o título de "finalista da praia 2013". 
Porque ser finalista deixou de ser um título único, que coroa o fim definitivo do percurso escolar de um indivíduo e passou a ser um título cíclico, um título ocasional, a fazer perder o encanto que têm os títulos que demoram a alcançar, a deixar cair a magia dos títulos que implicam tempo, esforço, trabalho... acumulados. Porque ser finalista passou a ser banal.
Chegaram ao fim deste post? Boa, vou ali buscar a cartolina para vos fazer um chapéu. Considerem-se leitores finalistas do presente post. 
Eferreá!

[Repost]

Deus é sueco e ouviu as preces dos nossos amigos que vêm jantar cá a casa

Almôndegas com ravioli







Salmão com limão e ervas






Ikea vai lançar receitas para totós. Para mim, portanto.

A genética não foi minha amiga (mas quem tem uma mãe tem tudo ;) )

A minha mãe sabe fazer malha. Crochet. Penteados maravilhosos nos cabelos da Ana. Fazer bainhas. Pregar botões. Trabalhar com trapilho. Cartonagem. Forrar com tecidos todos os objectos possíveis e imagináveis. Bricolage variada. Dá uns toques de costura. Fazer vestidos de Carnaval com sacos de lixo se for preciso. Pintar a miúda no Carnaval sem que pareça uma travesti. Fazer o melhor bolo de bolacha do Mundo. E salame. E bolinhas de côco. Decorar todas as canções infantis para ensinar à neta. Sabe fazer macramé. Trabalhar com madeira. Fazer bijuteria e laços para o cabelo da Ana. Desenhar bem. Pintar bem. 

Eu?

Foto de Liliana (Pólo Norte) Caridade.


Foto de Liliana (Pólo Norte) Caridade.


Eu sei fazer-lhe olhinhos de gato das botas do Shrek.


(O meu mural de espanta-espíritos hygge, feito pela minha mãe, é oficialmente o mais bonito do Mundo].

O tipo de ídolos que gostaria de ensinar a minha filha a admirar

                                             Ines Alves, 16, fled yesterday’s inferno from the 13th floor of the block in West London


Bravo, Inês! Bravo!


[Crowdfunding para ajudar a família da Inês: aqui.]

This is us ou a revolta dos psicoterapeutas

Resultado de imagem para this is us

Não sou uma pessoa de séries: não saco nada da internet pirateado, não gosto de esperar o regresso de novos episódios semana após semana, muito menos de esperar novas temporadas, esqueço-me de gravar episódios quando não estou em casa, às vezes estou semanas sem ligar a televisão e não sou metódica nem como espectadora.
Mámen, ao contrário de mim, tem uma adição tão grande que, para não se deixar viciar, opta por nem sequer começar a ver. À excepção de mini-séries de carácter histórico (papa-as todas como apaixonado por História que é...) e da Guerra dos Tronos, que este ano promete estragar-me a festa de aniversário cá em casa, tal o entusiasmo que para aqui vai já a contar os dias que faltam para 17 de Julho. 
Bem, estou a dispersar porque do que eu quero mesmo escrever é desta série que tem o condão de me prender, aliás, de nos prender aos dois, à televisão desde que a nossa amiga Ana Margarida nos falou dela. 
"This is us" é uma série tão boa, mas tão boa, que o título consegue ser o pitch perfeito para se apresentar a si mesma.
É uma série onde as nossas vidas, as vidas de cada um de nós, com histórias diferentes e opostas, com contextos e trajectórias tão díspares conseguem encaixar em cada episódio: o meu casamento no casamento de Randall e Beth,  o nosso estilo de parentalidade cool  reflectido na parentalidade do Jack e da Rebecca, a minha história de resgate do amor na história de Kevin e Sophie, a  pressão com a necessidade de perfeição do corpo e a fome emocional de Kate, a morte e os lutos mal resolvidos a emergirem com a morte de William, o adeus à vida executiva após perceber que ninguém recebe medalhas por trabalhar de sol a sol como Randall and so on and on. 
"This is us" é- so far- a minha série preferida de todos os tempos. E a única que me consegue levar do riso às lágrimas em minutos, da discussão em voz alta à introspecção em segundos, da chamada para reagendar psicoterapia à edição de posts deste blog em milésimos de segundo. 
"This is us"? Sim. No que me toca, "this is so fucking me!"


segunda-feira, 12 de junho de 2017

Vamos lá falar de coisas sérias: #AccessibilityAct.


Há uns meses, a minha equipa propôs-se a fazer treino de AVDs (actividades da vida diária) com alguns dos associados da ASBIHP, no sentido de treinar o percurso entre casa e trabalho, tendo em conta que iriam integrar um novo desafio formativo e profissional.
O desafio era fazermos o percurso Oeiras-Expo, simulando um dia normal de trabalho. Demos o devido desconto de tempo, prevendo algumas dificuldades no trajecto e saímos de casa às 08h00 da manhã para chegarmos ao Parque das Nações às 10h. 
Quando saímos de um dos bairros de Oeiras começámos a deparar-nos com as pequenas dificuldades: 


Um degrau de acesso a um passeio rebaixado complementado por pinos que não são mais que empecilhos para quem se desloca de cadeira de rodas.


Passeios inclinados à laia de rampas de skate porque andar de cadeira de rodas pode mesmo ser um desporto radical

Mobiliário urbano muito bem centrado no passeio. Tão bem centrado que uma cadeira de rodas não passa bem nem na traseira nem na frente da paragem de autocarro porque há que ser coerente, né?

O autocarro da Vimeca demorou mas chegou. Correu bem e foi a única infraestrutura que se apresentou realmente inclusiva em toda esta história. O motorista saiu do lugar, tirou a rampa do alçapão e ajudou um dos nossos associados. Infelizmente o espaço disponível só dá para uma cadeira, pelo que, dois colegas de trabalho viajarem em conjunto não é uma realidade.


Rampas com inclinações regulamentadas? Há. Mas não se aplicam porque andar de cadeira de rodas pode ser uma experiência tão fixe quanto escalar o pico do Pico. 



Ou descer numa montanha russa, vá!


A CP tem uma linha inclusiva. Basta a pessoa com mobilidade reduzida avisar- com 24 horas de antecedência- que vai viajar e um empregado coloca uma rampa amovível de acesso às carruagens. Acontece que nós atrasamo-nos tanto no percurso até à estação que perdemos o comboio que tínhamos planeado ir. Tivemos que pedir o favor dos empregados da CP nos ajudarem extra viagem planeada (o processo consumiu-nos 20 minutos). Se uma pessoa com mobilidade reduzida viajar todos os dias da semana, tem que avisar todas as vésperas desses dias, com 24 horas de antecedência que o fará. Todos os dias, repito. Mesmo que sejam viagens regulares. Se a pessoa se atrasar e perder o comboio não tem garantias de que possa ter acesso ao meio de transporte. Faria sentido todas as carruagens terem um sistema de rampas tipo alçapão como têm alguns autocarros? Faria. Mas não. As pessoas com mobilidade reduzida têm que depender de chamadas telefónicas, rampas amovíveis e funcionários da CP para fazerem o percurso casa-trabalho, casa-lazer, casa-o que lhes apetecer. 

Como perdemos o comboio que tinha sido agendado não tínhamos nenhum funcionário da CP para nos ajudar no desembarque. Soubemos mais tarde que deveríamos ter entrado noutra carruagem (só há uma específica em que isso é possível) que daria acesso a uma rampa aqui no Cais Sodré. "Mind the gap" não chegou. O nosso associado tentou descer sozinho e caiu (atrasamo-nos trinta minutos com esta questão).

No Cais Sodré tudo correu bem, à excepção das pessoas de cadeira de rodas não conseguirem ler os monitores das máquinas de comprar bilhetes, do elevador de acesso à plataforma desemboca numa zona de difícil acesso (que não fotografámos porque estávamos com medo de que viesse de lá um metro e tínhamos mesmo que ajudar as pessoas a safar-se), à excepção dos"gaps" das carruagens do metro (que nem fotografámos porque depois do comboio era mais do mesmo) e do facto da carga de nervos que tínhamos em cima por causa da pressão do tempo contado para fechar portas e da rapidez que era necessária para colocar as pessoas dentro das carruagens.

No Marquês de Pombal uma simpática funcionária acompanhou-nos aos elevadores e correu bastante bem. E- finalmente- estavamos a caminho da Expo. O pior? Sair das catacumbas do metro pois o elevador de melhor acesso ao Centro Comercial Vasco da Gama estava avariado. Contornámos a situação e encontrámos um operacional.

Este. É uma belezura. Pena que não exista uma rampa ou um passeio rebaixado em todo o seu perímetro. Coisa mais linda. 

Passeios construídos recentemente. Rebaixá-los? Para quê?

Rebaixar por rebaixar, aproveita-se e coloca-se umas grelhas. Corrida de obstáculos é um desporto tão lindo, não é?

Chegámos ao Parque das Nações ao meio dia e meio. Quatro horas e meia depois de sairmos de casa. Meio dia de trabalho consumido. Talvez eles pudessem ter melhorado os tempos, ter mais energia nos braços, mais desenvoltura a manejar com as cadeiras, mais ritmo. Dissemos-lhe isso para eles sentirem que têm controlo sobre alguma coisa, sobre as próprias vidas, sobre a superação das dificuldades sentidas na pele.

Estiveram sempre bem-disposto (bem, à excepção de quando houve a queda a sair do comboio).

Só quem olha com olhos de ver percebe as dificuldades sentidas por quem tem mobilidade reduzida. Só quem parte uma perna e tem que andar de canadianas, só quem acaba de ser mãe e tem que aprender a conduzir um carrinho de bebé consegue confrontar-se, pela primeira vez, com estas dificuldades.
Mas as pernas partidas saram e os bebés crescem e deixam de andar nos carrinhos e as situações são transitórias para a maioria das pessoas. Para estas pessoas não são. São permanentes. E cansam, E desgastam.

Como queremos que haja igualdade, integração, inclusão se somos nós que não reclamamos nas juntas de freguesia que os passeios precisam de ser rebaixados? Que continuamos a atirar lixo para o chão e vidros que podem furar pneus de cadeiras? Que oferecemos ajuda para o cadeirante sair da carruagem mas não fazemos petições para que a CP adapte as suas carruagens? Que a Carris publicite que gatou milhões a adaptar autocarros com wifi e ar condicionado e depois não tenha em todas as carreiras rampas ou acessos rebaixados? Que não nos indignamos quando se coloca mobiliário urbano a empecilhar passeios e caixas multibanco que impedem todos os cidadãos de chegarem às teclas e levantarem dinheiro?

No regresso estávamos exaustos. Decidimos vir de taxi. Três motoristas recusaram-se a transportar-nos com o pretexto de que havia um colega que tinha uma carrinha adaptada. Argumentámos que as pessoas conseguiam fazer as transferências e que estávamos com pressa. Esperámos os três quartos de hora.




A Acessibilidade é um direito de todos. Por estes dias, será votada, no Parlamento Europeu, a lei que defende a acessibilidade igualitária face a produtos e serviços para todos os cidadãos por igual em todos os estados membros.

Nós sabemos (oh se sabemos!) que não basta fazer leis, há que aplicá-las, inspeccioná-las, avançar com coimas efectivas, levar a sério os direitos de todos os cidadãos.  Levantar dinheiro numa caixa multibanco, comprar um bilhete de comboio, ter acesso a uma cabine telefónica, poder circular em transportes públicos não é possível para milhares e milhares de cidadãos na Europa.

Tomemos consciência. E avancemos com acções. #AccessibilityAct.

Ana, a groupie

Uma amiga minha acabou de ter bebé.

Pergunta-me a Ana como se chama a recém-nascida.

"Chama-se Luisa, filha!"

"Hummm. Luisa Sobral?"

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Quando a realidade supera a ficção # 2




                                                                                                         in Revista Activa - Janeiro de 2016 


Um ano e meio depois, a vingança serve-se num prato (de camarão) frio:





[Obrigada Carla!]

Está oficialmente inaugurada a silly season




"Al bailar el mundo entero comendo marisco
Que es la fiesta del camarón

 Camarón, camarón, hay que picazón ´
Se me pone la cara roja y mi palpita el corazón"

Epá, nem sei que diga...


[Aguardo pelas faixas da ameijoa, da conquilha e do mexilhão...]

 [Ainda fui ver duas vezes se não era a Ana Malhoa. Juro. ]

Fazes-me mesmo falta

[O meu avô morreu.

No Verão. Ninguém devia morrer no Verão. Nem na Primavera sequer.

 Dói-me ainda a alma. Dói-me o pai sobressalente, dói-me o o meu avô. Dói até à medula. Sente-se um gelo no corpo e nas mãos, mesmo que seja Verão lá fora. Não passou, é mentira quando nos dizem que vai passar. E o tempo também não vai ajudar coisa nenhuma. Primeiro vem a incredibilidade, a sensação que somos os únicos lúcidos e que anda tudo louco e a pregar-nos uma partida de mau gosto. Depois, vem a raiva. Principalmente a raiva por eles nos terem feito esta desfeita, por nos terem deixado, por terem permitido que o coração parasse, mesmo sabendo que os nossos corações estavam ligados umbilicalmente ao deles. Depois, o evitamento: não querer recordar as memórias, mesmo as boas. A fuga do pensamento para evitar sofrer.

O que vai acontecer, depois, é que se acaba por ter que aprender a viver muito a custo com o coração amputado. Podemos continuar a viver, mas nunca da mesma forma que antes. Podemos arranjar muletas emocionais, ortóteses para a alma, cadeiras de rodas para nos ajudarem a ultrapassar as barreiras arquitectónicas dos dias, mas nunca mais o nosso coração correrá da mesma forma. Mas não nos resta mais nada, senão continuar.

 E falam do meu avô no passado e ele nunca me vai passar.

 Sei-o tão bem, agora.]

Ainda a propósito do Divertidamente

Tenho uma amiga que foi chamada à escola da filha porque a miúda, após assistir ao Divertidamente (cansou-se a meio, faria se o tivesse visto na íntegra..), começou a relatar que ouvia vozes na sua cabeça e que essas mesmas vozes da sua cabeça a mandavam fazer coisas...


(suspiro*)

Mea-culpa no Divertidamente



Só agora assistimos ao filme "Divertidamente".

A Ana perdeu o interesse a meio do filme e eu e mámen continuámos, entusiasmados, a visioná-lo até ao fim.

No fim mámen elogia o guião. Eu torço o nariz e contra-argumento que aquilo não está bem feito e que tem imprecisões.

"Como imprecisões?"- diz-me o psicólogo de serviço.

"Meu caro, na cabeça da mãe da Riley quem comanda o centro de operações é a tristeza. Toda a gente sabe que, para a história ser credível, só haveria uma personagem no cérebro da mãe. Uma personagem bem gooorda, espaçosa e amarela: a culpa. "



A CONHECER | O paraíso do Dão














Rio. Cerejas colhidas directamente das árvores das redondezas. Barragem. Cerejas, Vinho frisante. Cerejas. Calor. Cerejas. Piscinas. Cerejas.  Sossego. Cerejas. Paz.  Cerejas. Simpatia. Cerejas. Sol.

[Referi as cerejas?]


Montebelo Aguieira Lake Resort & Spa: so far, o sítio mais paradisíaco em Portugal para uma escapadinha. Melhor? Só com  (ainda mais) cerejas.





Encontrar um resort paradisíaco em Portugal

Quem? Montebelo Aguieira Lake Resort & Spa
Onde? Vale da Aguieira, 3450-010 Mortágua 
Contacto: 231 927 060 
Saber mais? Aqui

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Eu a contar o episódio dos D.A.M.A a mámen

"Qual é o espanto? O primeiro erro (e o principal) foi logo quando se juntaram e acharam boa ideia cantarem..."

Ana, a competitiva (parte 2)

Eu: "Ai, que eu não sei do porta-chaves! Perdi as chaves!"

Mámen: "Olha, isto hoje está bonito... Eu perdi os óculos de sol e não os encontro"

Ana: "Ah, eu também perdi..."

Nós (em uníssono): "Perdeste o quê?"

(alguns segundos de hesitação, afina a voz e começa a trautear)

"... o dó da minha viola!"


...

...

...

Quando a realidade supera a ficção



Há dois anos este vídeo, hoje este tweet.

Karma is a bitch! Ou melhor, "karma is a beach, tasse?" #tasseisthenewcovfefe

#tasseisthenewcovfefe


A história está toda na página de facebook do Quadripolaridades mas resume-se da seguinte forma: uma fã da banda (distinta pólete: olá Sofia!) decidiu corrigir um tweet em que a palavra "tasse" foi usada, explicando que a forma correcta de a escrever seria "'tá-se".
O que se seguiu? Uma rectificação do tweet?  Um mea-culpa assumindo que o tom coloquial se havera sobreposto? Um tweet com humor auto-depreciativo tipo "Oh shit! Não "'tasse" nada bem, ó Sofia, enganámo-nos mas vamos já rectificar!" Nop. Seguiu-se esta beleza de resposta a uma fã, que até escreve bem, que até estudou jornalismo, que até tirou uma pós-graduação em marketing digital, que até faz da língua portuguesa sua profissão. Esta beleza de resposta e este hashtag maravilhoso, coisa mais linda para se responder a fãs.
Nada contra os D.A.M.A (nadica de nada até porque a minha geração Excesso, D'Arrasar e coiso) nem contra erros ortográficos (quem nunca escreveu "encharpe" que atire a primeira pedra :P ) mas quando ídolos de uma determinada geração não têm a humildade de se corrigir e de aprender com quem os segue, numa clara crise de ego e de necessidade de se colocarem num pedestal que reforce a disparidade de poderes, é de uma sobranceria e petulância que dá (ainda mais) pena,

Volta Melão que 'tás perdoado!




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